Um viajante de uma terra distante já tinha ouvido falar durante 3 anos sobre Jesus, sua pregação e os milagres que ele estava fazia.
A princípio estava cheio de dúvidas, após compromissos, e é até hoje que foi decidido visitar Jerusalém para encontrar uma personalidade tão grande.
Sem imaginar que dois dias antes de sua chegada, Jesus havia sido crucificado e colocado seu corpo em um túmulo.
PERSONAGENS
• VIAJANTE
• HOSPEDEIRA
• SAMARITANA
• ZAQUEU
• LEPROSO CURADO
• JOVEM (pode ser homem ou mulher)
CENA ÚNICA
(A cena acontece em uma pousada. No palco, uma mesa, um jarro de água e copos de barro ou madeira. Móveis e decoração da época. A HOSPEDEIRA está presente. O JOVEM arruma/limpa ao fundo. Entra o VIAJANTE, visivelmente cansado.)
VIAJANTE: Bom dia, senhora. Estou procurando um lugar para ficar alguns dias; venho de longe e estou realmente cansado. Por favor, diga-me se há algum quarto disponível. Eu preferia não ter que procurar em outro lugar.
HOSPEDEIRA: Claro, bom homem! Sente-se, descanse. Enquanto meu pai prepara o quarto, posso lhe oferecer alguma coisa?
VIAJANTE: Água, por favor, se não for incômodo. Estou exausto.
(O JOVEM serve água do jarro e entrega ao VIAJANTE: )
HOSPEDEIRA: E o que o traz até aqui?
VIAJANTE: Há três anos ouço falar de um homem chamado Jesus: suas pregações, o reino de Deus, e os milagres que ele realizava. Diziam que curava os doentes… até ressuscitava mortos… Eu queria muito conhecê-lo.
(Pausa.)
No começo, confesso que duvidei. Sabe como é… às vezes as pessoas exageram. Mas encontrei gente que dizia ter sido curada de verdade.
HOSPEDEIRA: (com tristeza) E por que o senhor não veio antes?
VIAJANTE: Sou um homem ocupado… e, entre uma coisa e outra, o tempo passou. Eu moro muito longe. Não é a mesma coisa ouvir falar… e ver com os próprios olhos. Eu imaginava que ele fosse alguém muito importante por aqui. Diga-me: onde posso encontrá-lo?
HOSPEDEIRA: (a voz embarga) Estamos todos muito tristes… Ele era, sim, muito importante… mas não o reconheceram. Hoje já é o terceiro dia desde que o mataram, crucificado…
(Ela se senta e chora.)
Desculpe… (limpa o rosto) tem sido… muito doloroso.
VIAJANTE: É… é terrível… Então eu… eu não tive a chance… nem de conhecê-lo, nem ao menos vê-lo de longe, ouvi-lo…
(levanta-se, desesperado)
Ah, não! Cheguei tarde demais… Por que eu não vim antes?
(leva as mãos à cabeça e se senta, abatido.)
(Entra a SAMARITANA, também com o rosto triste.)
HOSPEDEIRA: Boa mulher, o que posso lhe servir?
SAMARITANA: Só água, por favor.
(O JOVEM serve água.)
HOSPEDEIRA: Sente-se. A senhora parece muito cansada.
SAMARITANA: Obrigada… obrigada.
VIAJANTE: (em voz baixa, para a hospedeira) Mas… essa mulher parece ser samaritana… Os judeus não se dão com samaritanos.
HOSPEDEIRA: O Mestre nos ensinou a amar o próximo. E a quem pede, dê; e a quem quiser tomar emprestado, não recuse.
(O viajante observa em silêncio.)
HOSPEDEIRA: E o que a traz aqui?
SAMARITANA: Eu… eu conheci Jesus. O Messias.
VIAJANTE: O Messias? Como? Onde a senhora o conheceu? O que ele lhe disse? Por favor… conte-me tudo. (suplicante)
SAMARITANA: Eu o conheci quando fui buscar água no poço de Jacó. Era um dia claro. Quando cheguei, ele estava sentado ali. Ele me pediu água para beber. Eu me espantei… porque judeus não se misturam com samaritanos.
Mas me espantei ainda mais com a voz dele… cheia de amor… e com as palavras que me disse.
Ele falou de uma água que ele daria, e que quem bebesse dela nunca mais teria sede. No começo eu não entendi. Mas minha alma ficou tão saciada com o que ele falou… que eu larguei o cântaro e corri para avisar o povo: “Encontrei o Messias, o Cristo!”
A minha vida mudou ali. Ele conhecia tudo sobre mim… meu pecado… e mesmo assim não me humilhou, não me condenou. Não me tratou com desprezo.
Desde então… é como se um novo sol me iluminasse. Sinto que nasci de novo.
Eu só queria vê-lo outra vez… e dizer como ele mudou a minha vida.
VIAJANTE: Então… por que a senhora está tão triste?
SAMARITANA: O senhor não sabe? Eles o mataram. Eu soube do castigo cruel que colocaram sobre ele: humilhações, golpes, zombarias, açoites… e a cruz. Eu nem consigo imaginar tanto sofrimento…
(Silêncio pesado.)
(Entra o LEPROSO CURADO: A HOSPEDEIRA se levanta para atendê-lo.)
HOSPEDEIRA: Posso ajudá-lo em algo, bom homem?
LEPROSO CURADO: Só queria descansar um instante. O calor está sufocante.
(O JOVEM serve água. O homem bebe com pressa.)
LEPROSO CURADO: Obrigado… muito obrigado…
Ah… se eu tivesse dito “obrigado” a tempo… se eu tivesse voltado…
(chora e cobre o rosto.)
VIAJANTE: Aconteceu algo?
LEPROSO CURADO: Eu fui ingrato. Não sou digno de compaixão.
(tenta se recompor)
Eu era leproso… e estava com outros nove. Vivíamos fora da cidade, rejeitados, desprezados. Um dia encontramos Jesus no caminho e pedimos ajuda. Ele mandou que nos apresentássemos aos sacerdotes… e, enquanto íamos, fomos purificados.
Mas só um voltou glorificando a Deus e agradeceu a Jesus. Eu… eu não voltei.
Eu estava tão feliz… queria recuperar o tempo perdido. Voltei para casa, vi minha família, reencontrei amigos, fui a lugares que antes eu não podia ir… E agora… agora é tarde demais…
(chora de novo)
Ninguém me ajudou quando eu estava doente… só ele. Ele não me desprezou. Ele me amou como eu era.
VIAJANTE: Parece… que todos nós chegamos tarde…
(Todos ficam em silêncio. Entra um homem baixo, bem-vestido: ZAQUEU: )
ZAQUEU: A paz esteja com vocês. Com licença… alguém poderia me dar um pouco de água? O calor lá fora está demais.
(O JOVEM serve água. Zaqueu bebe com calma e os observa.)
ZAQUEU: Perdoem-me, não quero ser impertinente… mas fiquei preocupado ao ver todos tão tristes. Aconteceu algo? Se eu puder ajudar… eu ajudaria. Talvez não acreditem, mas eu mudei. Posso dizer que… nasci de novo.
HOSPEDEIRA: O senhor não ouviu sobre a morte cruel de Jesus?
VIAJANTE: Eu queria conhecê-lo… falar com ele. Sem pedir nada. Só conhecê-lo e ouvi-lo.
LEPROSO CURADO: Eu tinha tanto a agradecer…
SAMARITANA: Eu queria dizer como minha vida mudou desde que o conheci… Queria que ele visse que eu realmente mudei.
HOSPEDEIRA: O senhor o conheceu?
ZAQUEU: Conheci. Na verdade… ele ficou na minha casa.
VIAJANTE: Como foi? Conte-me tudo. Como ele foi parar na sua casa? O senhor o convidou?
ZAQUEU: Foi inesperado. Eu não era amado pelo povo. Eu era publicano, sabe? (com vergonha)
E… também não tive muitas amizades sinceras. Sempre carreguei um complexo por causa da minha altura. Talvez por isso eu tentasse ser “grande” por meio de riquezas.
Eu tinha ouvido muito sobre Jesus. Naquele dia ele entrou em Jericó. E eu… (sorri de leve) por razões óbvias, não conseguia enxergá-lo. Então subi numa árvore.
De repente, ele olhou nos meus olhos e disse:
“Zaqueu, desça depressa, porque hoje preciso ficar na sua casa.”
Eu não sei explicar a alegria que tomou minha alma. Ele disse meu nome… e, naquele olhar, eu senti que ele me conhecia por completo.
VIAJANTE: Mas por quê? Por que escolher a sua casa, com tanta gente? E com a má reputação que um publicano tem?
ZAQUEU: Eu também não entendo tudo. Só sei que ele viu a minha miséria. Viu um homem pobre… que achava que estava bem por ser um rico homem pobre por dentro.
Por que ele olhou para mim? Só posso dizer uma coisa: foi amor.
O mesmo amor que o levou a alimentar multidões, curar doentes e libertar cativos. O mesmo amor que o levou à cruz… por este mundo pecador.
(Todos choram ainda mais.)
ZAQUEU: Mas… não fiquem assim. Naquele dia conversamos sobre tantas coisas… Eu não poderia contar tudo. Mas uma coisa ficou clara: isso não é o fim.
Eu não sei como… nem quando… mas tenho certeza de que o veremos outra vez. E será em breve.
(Todos se olham, confusos. Zaqueu permanece sereno. Entra o JOVEM, agitado, com grande alegria.)
JOVEM: Ele ressuscitou! Ele ressuscitou! Jesus ressuscitou!
TODOS. O quê? Quem? Do que você está falando?
HOSPEDEIRA: Calma! Sente-se… respire…
(entrega-lhe um copo de água)
Conte-nos o que aconteceu.
JOVEM: As mulheres foram de manhã ao túmulo… e ele estava vazio! E um homem com vestes brancas disse para elas não procurarem entre os mortos aquele que vive: ele não está lá, ressuscitou!
Maria Madalena foi… outras mulheres foram… e também dois discípulos, Pedro e João… e é verdade: o Senhor Jesus ressuscitou. Ele venceu a morte.
HOSPEDEIRA: Então vamos procurá-lo!
(vai em direção à porta.)
LEPROSO CURADO: Sim! Eu tenho tanto a agradecer!
SAMARITANA: E eu… tanto a dizer…
VIAJANTE: Eu… eu posso ir? Afinal, ele não me conhece… não sei se…
ZAQUEU: Eu garanto que ele conhece você. Vamos. Hoje é o dia da salvação.
(Todos saem correndo.)
Cortina.
Fonte WEB Dramas Cristianos





