CSI: JERUSALÉM II

Dois investigadores trabalham no caso do desaparecimento do corpo de um judeu, que foi crucificado e sepultado sob ordem de Pilatos.
No túmulo, encontram a pedra removida e a mortalha.
Ouvem acusações de roubo contra os discípulos.
Enquanto os soldados confirmam a morte brutal, um discípulo (Tomé) afirma ter visto e tocado Jesus vivo.
O caso é algo inédito que a equipe fica com uma pergunta.


Há no site outra peça chamada CSI: JERUSALÉM

PERSONAGENS
BOB: Investigador CSI
DAVE: Investigador CSI
JETHRO: Sumo Sacerdote
FRED: Guarda do Túmulo
BILL: Guarda do Túmulo
PEDRO: Discípulo
JOÃO: Discípulo
TOMÉ: Discípulo
BRUTUS: Soldado Romano
BIFF: Soldado Romano

CENA 1 (Dois investigadores CSI aparecem.)

BOB: Ok, este túmulo (APONTA PARA A IMAGEM A) é a cena do crime. Vamos rever os detalhes novamente.
Um judeu foi sepultado aqui na sexta-feira, e hoje, domingo, o corpo desapareceu.
Esta investigação foi ordenada pelo próprio Pilatos, é melhor darmos a ele algumas respostas.
DAVE: O que temos até agora?
BOB: Um homem judeu de 33 anos, crucificado há três dias, declarado morto.
Um homem conhecido como José de Arimateia pediu a Pilatos para sepultar o corpo neste túmulo, e Pilatos concordou.
O corpo foi envolto em lençóis de linho limpos – os mesmos que foram deixados no túmulo (APONTA PARA A IMAGEM B).
DAVE: O judeu tinha algo que valesse a pena roubar?
BOB: Nada foi relatado como roubado, exceto seu cadáver.
Algumas mulheres judias vieram esta manhã e notaram que a pedra havia sido movida e o corpo havia sumido.
Elas saíram choramingando.
DAVE: Por que alguém iria querer levar um corpo morto?
E um judeu, ainda por cima!
BOB: Boa pergunta.
Vamos falar com algumas pessoas.
Vamos encontrar um judeu importante que possa nos falar sobre o homem desaparecido.

CENA 2

DAVE: Somos investigadores CSI. Estamos investigando o Caso dos Ladrões de Corpos.
Precisamos que você nos responda algumas perguntas.
Vamos tomar alguns minutos do seu tempo.
BOB: Você é considerado um judeu importante?
JETHRO: Na verdade, sou um sumo sacerdote.
BOB: Bom o suficiente.
Você conhecia o homem que foi crucificado? Ele era seu amigo?
JETHRO: Eu o conhecia. Ele certamente não era um amigo.
Este homem fazia afirmações ridículas sobre ser o Filho de Deus, sugerindo que o Santo era seu pai!
Blasfêmia e mentiras!
É por isso que ele foi crucificado. Por suas mentiras.
DAVE: Por que alguém levaria o corpo do homem que você considera um mentiroso?
Você acha que alguém queria se vingar ainda mais dele e cortar seu corpo em pedaços?
JETHRO: Não, muito pelo contrário.
Há aqueles que eram seus amigos, e acredito que eles levaram o corpo.
Era o que eu temia que acontecesse.
Foi por isso que, eu mesmo, pedi para Pilatos para colocar guardas fora do túmulo e selá-lo para que ninguém pudesse levá-lo.
BOB: Não estou entendendo.
JETHRO: Veja bem, o enganador disse: “Depois de três dias eu ressuscitarei”.
Pedi a Pilatos que desse a ordem para tornar o túmulo seguro.
Caso contrário, eu sabia que os discípulos do homem viriam e roubariam o corpo e diriam a pessoas ingênuas que ele havia ressuscitado dos mortos.
É exatamente o que eles fizeram.
Eles estão tentando ganhar novos seguidores – esta nova decepção é pior do que as mentiras originais!
Vocês têm que prender os seguidores.
BOB: Isso está ficando bastante interessante.
Precisamos de mais evidências.
Vamos falar com os guardas que vigiavam o túmulo.
Talvez eles estivessem envolvidos o tempo todo.

CENA 3

DAVE: Somos investigadores CSI investigando o Caso dos Ladrões de Corpos.
Vocês eram os guardas que vigiavam o túmulo, né?
Precisamos de algumas informações.
FRED: Vocês têm autorização de Pilatos? Não tenho certeza se podemos falar com vocês.
BOB: Podemos te levar conosco para a Delegacia então.
BILL: Não, está tudo bem. Nós vamos falar. O que vocês querem saber?
DAVE: Vocês estavam guardando o túmulo com o judeu crucificado a noite toda?
O túmulo é este? (APONTA PARA A IMAGEM A)
BILL: Sim.
BOB: Como vocês explicam o desaparecimento do corpo?
Isso está muito suspeito, não é?
FRED: O que você está insinuando?
BOB: Nada ainda…
Conte-nos sobre o seu trabalho aqui.
FRED: Somos treinados para guardar, na verdade é um regime de treinamento bastante rigoroso.
Temos que estar em forma para lutar caso algo aconteça, e temos que estar realmente alertas enquanto estamos no trabalho.
Um treinamento como esse leva muito tempo.
Somos excelentes guardas.
Absolutamente infalíveis, realmente somos os melhores.
BILL: Ok, Fred!! Então, de qualquer forma, este foi um trabalho muito incomum para nós, mas somos profissionais, não questionamos nossas ordens.
DAVE: E quais eram suas ordens?
BILL: Tínhamos que vigiar, e… garantir que… ninguém viesse para… roubar o corpo.
Olhem, somos absolutamente experientes em nosso trabalho, como Fred disse.
Mas na noite passada, algo aconteceu. Foi… estranho.
FRED: Vocês não vão acreditar em nós.
BOB: Apenas nos digam o que aconteceu.
A verdade.
BILL: Houve um terremoto violento, certo?
Vocês sentiram a terra tremer?
BOB: Sim, por volta das 4 da manhã.
Isso foi estranho. Por quê?
FRED: Bem, o que aconteceu… certo…
Foi um homem enorme e dourado – sua aparência era como um relâmpago e suas roupas eram brancas como a neve – meio que aterrissou.
Foi isso que causou os tremores.
Ele foi até o túmulo, removeu a pedra e sentou-se nela.
BOB: Hmmmm…
BILL: Sério.
Aconteceu exatamente como ele disse.
Não inventaríamos algo tão louco – pensem nisso.
Somos guardas romanos, como vocês, somos totalmente profissionais.
Se estivéssemos sonhando – na verdade, dormindo no trabalho – haveria uma punição severa, talvez até a decapitação.
Não nos arriscaríamos assim.
FRED: E nós dois vimos exatamente a mesma coisa.
DAVE: Certo, vamos deixar de lado nossa descrença nessa história e seguir com isso.
O que vocês fizeram quando o grande sujeito branco apareceu?
BILL: Essa é a pior coisa.
Nós – guardas romanos! – ficamos apavorados!
Não pude evitar, tremi de medo e depois desmaiei.
FRED: Eu também!
Vocês não entendem – ele era enorme!
E tão brilhante que eu não conseguia olhar para ele!
BOB: Examinei a pedra, é muito pesada.
Vocês estão dizendo que um único sujeito a moveu?
FRED: Nós estávamos em 12 para rolar aquela pedra. E foi um trabalho muito difícil também.
Não há como alguém pudesse tê-la movido sozinho, a menos que tivesse uma força sobrenatural.
Ouvi falar desse judeu que foi morto.
Seu nome era Jesus, e ele aparentemente curava os enfermos e até ressuscitou algumas pessoas dos mortos.
No fim começo a achar que ele estava dizendo a verdade o tempo todo.
Talvez ele fosse o Filho de Deus, mesmo. Sei lá.
DAVE: Bem, obrigado pelo seu tempo.
Acho que temos mais trabalho a fazer.
Este caso obviamente não é tão simples quanto pensávamos.
(Pedro e João passam correndo.)
BOB: Ei, vocês! Esta é uma cena de crime. Vocês não podem entrar aí.
DAVE: Somos investigadores, CSI Jerusalém, estamos investigando o Caso dos Ladrões de Corpos. Vocês pode nos dar alguns minutos?
BOB: Vocês são judeus?
Eram seguidores do homem que chamam de Jesus?
PEDRO: Sim. Algumas mulheres nos disseram que Jesus ressuscitou. Que a sepultura está vazia.
Viemos para ver por nós mesmos.
João, ele não está aqui.
Eu não entendo.
DAVE: Deixe-os ir.
Eles obviamente não são muito espertos se estão correndo atrás de história de algumas mulheres histéricas.
(Pedro e João saem com expressões confusas.)
Dave: (pensativo)Mas, na verdade, se eles fossem nossos principais suspeitos.
Talvez eles tenham levado o corpo.
Eles pareciam confusos.
BOB: Não sei o que fazer com a história dos guardas.
Eles são profissionais respeitados, mas a história deles era bastante irreal.
Eu simplesmente não sei por que eles arriscariam seus empregos, e talvez até suas vidas, para contar algo tão louco.
Mas, tenho uma nova teoria.
E se o judeu não estivesse realmente morto?
DAVE: Hmmm. Não vejo como ele poderia ter movido a pedra e enganado os guardas, mas bem, vamos visitar mais algumas testemunhas.

CENA 4

DAVE: Somos investigadores CSI investigando o “Caso dos Ladrões de Corpos”. Você pode nos dar alguns minutos do seu tempo?
BOB: Vocês são os soldados que puniram o judeu conhecido como Jesus?
BRUTUS: Bem, nós e alguns outros rapazes.
BIFF: Estávamos apenas fazendo nosso trabalho.
O que isso importa para vocês?
BOB: O corpo desapareceu, e queríamos saber se ele poderia ter ido embora.
Vocês têm certeza absoluta de que ele não estava vivo?
BRUTUS: Definitivamente. Não fazemos as coisas pela metade.
Temos muita dedicação no trabalho. Cada execução é uma lição para os outros marginais.
Lidamos com todo tipo de bandidos, assassinos e ladrões, nós fazemos eles saberem que são uns vadios e ninguém sai impune.
Se a ordem é morte, nós a damos a eles.
Este recebeu o tratamento completo.
BIFF: Aquele judeu foi punido de forma boa e adequada.
Ele recebeu a maior punição que temos – a crucificação.
E isso foi depois de muitas chicotadas.
Nós o espancamos com porretes com pontas.
Ele levou 39 chicotadas.
Arrancamos suas roupas.
Ha! Quando descobrimos que ele se autodenominava rei, até arranquei alguns arbustos espinhosos e os transformei em uma coroa.
Enfiei-a na cabeça dele, dissemos “Salve, rei dos judeus!”
Clássico! (APONTA PARA A IMAGEM C)
Continuamos até nos cansarmos, e ele já estava quase morto.
BRUTUS: Sim, e então o fizemos carregar sua própria cruz morro acima.
Ele cambaleava com a carne dilacerada e o sangue escorrendo, mas ele andou só um pouco antes de desabar. Depois algum outro vagabundo a carregou para ele.
DAVE: Então, como foi a crucificação? Para o registro.
BIFF: É uma das minhas favoritas pessoais.
Você martela os pregos nas mãos dele na cruz, e então basicamente levanta tudo com o homem pendurado lá. (APONTA PARA AS IMAGENS D, e E ) A madeira não é lisa, é áspera e cheia de farpas, e esfrega nas feridas abertas que é uma beleza.
Fica na cruz, pendurado pelos pregos nas mãos, é difícil até respirar.
Ele não consegue colocar ar nos pulmões naquela posição.
Então ele tem que continuar se levantando para respirar. Logo começam as cãibras. Ele tem que tentar se levantar com as pernas. Isso pode durar horas.
BRUTUS: Às vezes temos que quebrar as pernas deles para acelerar o processo.
Mas com o judeu não precisamos fazer isso.
Então, quando eles estão exaustos, não têm mais energia para lutar, eles simplesmente sufocam.
BOB: Fico enjoado só de pensar nisso.
BRUTUS: (pensativo) Havia algo estranho neste judeu, no entanto.
DAVE: Ah?
BRUTUS: Sim, foi muito estranho. Todo mundo que passa por essa punição – todos mesmo – grita e xinga. Alguns choram e chamam a mamãe.
Mas não este homem. Você lembar, Biff?
BIFF: Sim, não tem como esquecer. Ele foi o único que apenas aguentou.
BRUTUS: Não quero dizer que ele não era humano.
Ele se encolhia, sim, toda vez que o chicote descia, e gritava quando martelávamos os pregos. Mas ele não reclamou.
Ele não xingou, não culpou ninguém por fazê-lo sofrer.
Ele era, na verdade… nobre.
Apesar de todos os nossos insultos, ele não ficou bravo conosco, não revidou.
Lembro que ele disse algo, aparentemente sobre perdão.
BIFF: Não! Foi isso que ele disse?
Você está fazendo eu me sentir mal agora.
BOB: Mas espere – vocês têm certeza absoluta.
Não há nenhuma dúvida, de que ele estava morto?
BRUTUS: Depois de tudo isso, claro que ele estava morto!
Já vi centenas de corpos mortos, então devo saber.
E para ter certeza extra, eu o perfurei no lado e sangue e água fluíram – um sinal certo.

CENA 5

DAVE: O que você acha?
Parece que ele estava bem morto.
Um corpo morto não pode se levantar e sair de um túmulo, com pedra ou sem pedra.
BOB: E os guardas do túmulo estavam convencidos de que nenhum humano poderia ter movido a pedra sem que eles notassem.
DAVE: Bem, procuramos por toda a cidade e os seguidores do homem estão mantendo um perfil discreto.
JETHRO: Ah, aí estão vocês!
Olhem, eu prendi um dos seguidores aqui.
Achei que vocês deveriam interrogá-lo.
Ele deve estar envolvido.
TOMÉ: É tão incrível…
JETHRO: O que ele está falando não faz sentido algum, então boa sorte com isso. Estou de saída!
BOB: Ok, você está aqui agora, então pode muito bem falar.
DAVE: Somos investigadores CSI investigando o Caso… o Caso do Corpo… que… saiu da sepultura.
Queremos saber de você.
TOMÉ: Claro. Acabei de ver a coisa mais incrível!
Eu era um que nunca teria acreditado.
E não acreditei até que toquei em Jesus, toquei nas marcas dos pregos em suas mãos, ele realmente está, ele realmente está vivo!
BOB: O quê?
TOMÉ: Tá, sim!
Alguns dos outros já o tinham visto e acreditado. Eu permaneci incrédulo, não poderia ser verdade.
Talvez eles tivessem visto o fantasma dele, disse que só acreditaria se tocasse na ferida.
Mas então ele apareceu!
Entrou na sala onde estávamos reunidos, mesmo tendo trancado as portas.
Ele disse: “A paz esteja convosco!” Então ele veio direto para mim, ele sabia o que eu tinha dito!
Ele me convidou a tocar suas cicatrizes – as marcas dos pregos em suas mãos, até mesmo seu lado onde ele havia sido perfurado!
E ele disse: “Pare de duvidar e creia!” Ele estava quente, e sólido, e real.
Ele está vivo!!
Jesus está vivo!
Ele é o Cristo!
Ele é o Filho de Deus!
DAVE: Tem outros podem confirmar isso?
TOMÉ: Ah, sim!
Tem vários.
A Maria Madalena o viu primeiro.
Os discípulos que foram para Emaús, e todos nós na sala antes.
E tenho certeza de que o veremos novamente.
Mas me dá licença, tenho que encontrar os outros.
BOB: Isso é sem precedentes!
Eles têm testemunhas do milagre!
Não consigo acreditar que estou dizendo isso, estou realmente começando a acreditar que isso pode ser verdade.
Jesus é o Filho de Deus, ele morreu e ressuscitou. (VIRA-SE PARA A AUDIÊNCIA)
BOB: O que vocês acham?

NOTAS as imagens abaixo são citadas no decorrer da peça
No roteiro, a Imagem A refere-se a uma imagem de um túmulo com a pedra removida
A Imagem B representa os panos que envolveram o corpo de Jesus
A Imagem C é uma coroa de espinhos.
A Imagem D são pregos

(A)  túmulo com a pedra removida

(B) Túmulo por dentro

(C) Coroa de espinhos

(D) Os pregos

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