CONDENADO

Sérgio, um homem comum, vê sua rotina se transformar em um julgamento constante.
Pequenos deslizes do dia a dia — uma fraude no metrô, pensamentos de cobiça, uma mentira no trabalho, a ira contra um amigo — tornam-se acusações implacáveis diante da figura da Lei, que o declara “condenado” a cada passo.
Desesperado, Sérgio descobre que a Lei não pode oferecer perdão, apenas apontar sua culpa.
É então que surge Jesus, trazendo compaixão e misericórdia, mostrando que somente através Dele há redenção e vida eterna.

Personagens:
SÉRGIO (O HOMEM): Um homem comum, sobrecarregado pelo dia a dia.
A LEI: Uma figura firme, séria e imparcial (pode usar vestes escuras ou terno).
A IDOSA: Uma senhora gentil no metrô.
A VIZINHA: Uma mulher elegante (personagem silenciosa).
ANDRÉ PINHEIRO (VOZ EM OFF): Amigo de Sérgio ao telefone.
JESUS: Figura de compaixão e autoridade.
EXTRAS: Pessoas no metrô e no escritório.
(Um homem, Sérgio, tenta entrar na estação de metrô. Ele tateia os bolsos e percebe que esqueceu o cartão de transporte/passe em casa. Ele olha em todos os bolsos, tira a carteira, mas só tem uma nota de valor alto. Várias pessoas passam por ele apressadas.)
SÉRGIO: (Pensamento em OFF ou voz baixa) Não, não pode ser…
Esqueci meu cartão de passagem em casa!
Vou ter que pagar a passagem avulsa. (Tira a carteira) Não! O que faltava! Só tenho uma nota de 100 reais e a não vão aceitar…
Vou me atrasar para o trabalho! (Nervoso)
Pensa, Sérgio, pensa! O que eu faço?
Já sei… Vou passar colado em alguém.
(Uma senhora idosa passa à sua frente. Sérgio sorri gentilmente para ela, e ela retribui o sorriso. Quando a idosa passa pela roleta, Sérgio aproveita o impulso e passa junto com ela, sem que ela perceba.)
SÉRGIO: (Pensamento) Perfeito! Foi a minha oportunidade.
(A LEI aparece subitamente ao lado dele.)
LEI: Condenado!
SÉRGIO: Mas já? É a primeira vez que faço isso na vida!
É só uma passagem de metrô, custa centavos…
O senhor sabe que eu pago todos os dias, foi só hoje que esqueci o cartão!
(Ele se afasta da Lei, irritado.)

CENA 2: A TENTAÇÃO

(Sérgio espera o metrô na plataforma. Ele avista sua vizinha entre a multidão.)

SÉRGIO: (Pensamento) A vizinha do terceiro andar!
Pelo menos algo de bom aconteceu hoje.
Que mulher… ela me deixa louco!
(Ele se aproxima por trás, sem que ela veja, e sente o perfume dela)
Que cheiro bom… Que sorte tem o marido dela.
Como ele tem coragem de deixar uma mulher dessas em casa para ficar em bares com os amigos?
Se ela fosse minha esposa, eu não a deixaria sozinha nem por um minuto…
LEI (Aparecendo novamente): Condenado!
SÉRGIO: Por quê? Eu não fiz nada!
LEI: Cobiça e adultério no coração…
O que sua esposa pensaria se pudesse ler seus pensamentos agora?
(Sérgio fica desconcertado e visivelmente preocupado.)

CENA 3: O ESCRITÓRIO

(Sérgio está sentado à mesa de seu escritório, digitando e conferindo papéis. O telefone toca.)
SÉRGIO: Departamento de Recursos Humanos, pois não?
VOZ (ANDRÉ): Sérgio?
SÉRGIO: Sim, sou eu.
VOZ (ANDRÉ): Aqui é o André Pinheiro. Como vai, tudo bem?
SÉRGIO: Olá, André! Tudo bem, e você? Que surpresa, como posso te ajudar?
VOZ (ANDRÉ): Estou te ligando por causa da minha filha mais velha.
Não sei se você lembra, ela trabalhou na sua empresa há muitos anos, logo que abriram…
Bem, ela está fazendo um curso de marketing e precisa de horas de estágio.
Na secretaria da escola disseram que, como ela já trabalhou aí, eles poderiam validar as horas se você emitisse um certificado de que ela trabalhou por seis meses.
Assim ela não precisa fazer o estágio e já pode começar em um emprego novo onde passou na entrevista.
SÉRGIO: Sim, claro, sem problemas. Deixa eu olhar o histórico dela aqui no computador… (Digita)
André, eu estava pensando… não precisa vir buscar o papel aqui não, eu levo para você na igreja este fim de semana.
ANDRÉ: O problema é que ela tem pressa. Se você puder preparar, eu passo aí à tarde para pegar.
SÉRGIO: Achei o histórico. Sônia Pinheiro: trabalhou de março a junho de 1991.
ANDRÉ: Pois é… mas eles só validam o estágio se ela tiver trabalhado no mínimo seis meses. (Hesitante) Você poderia colocar no certificado que ela ficou esse tempo todo?
SÉRGIO: É que…
ANDRÉ (Interrompendo): Você sabe como as coisas estão difíceis, Sérgio. Ela precisa muito desse emprego, mas não vão contratá-la se o curso não estiver concluído. Ela tem dois filhos, e na idade dela é muito difícil voltar ao mercado…
SÉRGIO: Sim, eu entendo…
ANDRÉ: Se ela tiver que parar para fazer o estágio agora, vai perder essa oportunidade única.
SÉRGIO (Com expressão de contrariedade): Está bem, André. Passe aqui à tarde e eu te entrego o certificado.
ANDRÉ: Obrigado, Sérgio! Você é um amigão.
(Eles desligam. A LEI aparece imediatamente.)
LEI: Condenado!
SÉRGIO: Por que agora?
LEI: Por mentir e falsificar um documento.
SÉRGIO: E o que eu deveria fazer? O cara é meu irmão da igreja, está passando necessidade!
LEI: Eu não sei, Sérgio. O meu trabalho é apenas um: apontar o pecado. (A Lei se retira).
SÉRGIO (Pensamento): Esse cara está me tirando do sério! Eu tento ser bom e só me ferro! Mas que cara de pau do André me pedir um favor desses… A gente não vai à igreja? Não temos princípios? Que situação ele me colocou! Dá vontade de pegar ele pelo pescoço e… e…
LEI (Aparece): Condenado!
SÉRGIO: Mas você pegou no meu pé hoje, hein? Dá um tempo! O que eu fiz agora? Não fiz nada!
LEI: Aquele que se ira contra seu irmão é culpado de julgamento. Jesus explicou isso.
SÉRGIO (Pensativo e abatido): E qual é a minha sentença?
LEI: A morte.
SÉRGIO: A morte?!
LEI: A morte eterna.
SÉRGIO: Não… espera! Desculpa, eu não queria agir assim. Estou estressado, não sabia o que dizer para ele… me vi entre a cruz e a espada. Eu prometo que não faço mais. Me perdoa!
LEI: Eu não posso te perdoar. Não tenho autoridade para isso.
SÉRGIO: Só desta vez! Eu prometo que vou mudar…
LEI: Não posso, amigo. Meu dever é administrar a justiça.
(Sérgio começa a chorar e se prostra aos pés da Lei.)
LEI (Toca o ombro dele com firmeza, mas sem crueldade): Eu não posso te perdoar, nem ter misericórdia de você. Como eu disse, esse não é o meu papel. Meu dever é apontar o erro, porque eu sou justa e boa. Mas… existe alguém que pode te livrar desta condenação.

SÉRGIO: Como? Quem?

LEI: Você não sabe? Jesus! Ele é misericordioso e compassivo. Ele é o único que tem o poder de perdoar pecados. Vá até Ele!

CENA 4: O PERDÃO

(Uma luz se acende sobre Jesus, que está em cena com um olhar de compaixão. Sérgio corre até Ele e se lança aos seus pés, chorando copiosamente.)
SÉRGIO: Jesus, me perdoa! Tem piedade de mim! Hoje eu pequei tantas vezes contra o Senhor…
(Jesus coloca a mão no ombro de Sérgio. Sérgio toca a mão de Jesus e percebe algo. Ele olha para a mão de Jesus.)
SÉRGIO: É sangue! Senhor… o Senhor está sangrando!
JESUS: Sim, eu sei. Com o meu sangue, eu cubro os seus erros de hoje e os deixo brancos como a neve.
SÉRGIO (Emocionado): Perdão, Jesus… sinto muito. Sinto muito que os meus erros tenham feito o Senhor sangrar. Perdoe-me por te levar de volta à cruz hoje.
JESUS: Eu te perdoo, Sérgio. Eu te perdoo para sempre.
SÉRGIO: Obrigado, Jesus. Por favor, Senhor, toma a minha vida. Entrego as chaves da minha mente e do meu coração. Vem cear comigo esta noite.
(As luzes se apagam lentamente enquanto Sérgio permanece abraçado aos pés de Jesus.)

FIM

Fonte WEB Dramas Crisatianos

Receba novos posts por email

Deixe seu nome e email para receber as atualizações do Teatro Cristão diretamente em sua caixa postal.

Rolar para cima