AS FOFOQUEIRAS DE JERUSALÉM

Esta peça narra os eventos da Semana Santa em Jerusalém, como um diário, sob a perspectiva de pessoas comuns.
Jerusa, uma comerciante judia e seu marido Zebedeu, mais a vizinha Aurélia e o soldado Victórius, tornam-se testemunhas oculares dos últimos dias de Jesus.
Através de diálogos que misturam comédia e admoestação, a história aborda momentos bíblicos cruciais: a entrada triunfal, a limpeza do templo, a cura de um cego, a Última Ceia (realizada em um cenáculo pertencente ao casal), a traição de Judas, a crucificação e a ressurreição. Enquanto alguns personagens mantêm-se céticos ou focados em libertação política, outros convertem-se ao testemunharem os milagres e a vitória sobre a morte.
A peça culmina no Dia de Pentecostes, com a multidão reunida ouvindo a pregação de Pedro e o derramar do Espírito Santo.


Cenário: Barraca de feira com sacos de estopa cheios, tecidos, vasos, e outros produtos orientais.
Em uma Rua de Jerusalém.
D. Jerusa, judia e proprietária da barraca, está arrumando a mesma para mais um dia de trabalho.

ATO 1 – DOMINGO

Cena 1 – JERUSA

JERUSA: (Cantarola uma música hebraica enquanto arruma a barraca) Ah… Ainda bem que as mercadorias já estão aqui, na minha barraquinha querida.
Pelo menos nessa semana eu vou ter uma boa freguesia, a cidade está cheia de turista! E todo mundo, é lógico, vai querer levar uma lembrancinha de Jerusalém.
Bendita a Páscoa!! Bendita a Páscoa!!
Desde que nossos pais saíram do Egito, ela é comemorada. Desde que Davi fundou esta santa cidade e que seu filho Salomão construiu o primeiro templo, todo verdadeiro judeu, sempre que pode vem comemorar a festa aqui.
Embora a minha barraca esteja em um ponto não muito privilegiado, nessa rua afastada do templo, mas… tem tanto peregrino, tem tanto peregrino nessa cidade, que Certamente não deixarão de passar por aqui também, né?! Pra comprar na barraca da Jerusa! (Sorri).

Cena 2 – Jerusa, Aurélia e Victórius

Entra Aurélia com Victórius.
AURÉLIA: Victórius, querido. Vê se toma cuidado, ein!
VICTÓRIUS: Aurélia, não se preocupe, Roma está sempre preparada. E nós, da guarda Imperial, estamos mais ainda.
AURÉLIA: É eu sei, mas eu temo muito, pois ouvi dizer que o messias virá libertar os judeus, que é o povo dele. É o que eu mais escuto falar nesses dias por aqui.
VICTÓRIUS: Ora, meu bem. Já falei que não precisa se preocupar, está tudo sob controle. De fato está se dirigindo um homem pra cá, Herodes e todos os seus comandos já sabem disso. Mas este homem não representa perigo algum, não chega a desafiar a autoridade de Roma.
AURÉLIA: Não sei, não… Eu estou ouvindo tantas coisas deste que virá para libertar seu povo. Que ele é tão poderosos que faz milagres e maravilhas, e até morto já ressuscitou.
VICTÓRIUS: É… (sorri) As pessoas falam muitas coisas. Fui convocado porque a cidade está cheia de gente. E sabe como esse povo é. Isso aqui é um barril de pólvora. Qualquer coisinha pode virar um tumulto. É por isso que mandaram reforçar a guarda, nestes dias de festa.
AURÉLIA: Que os deuses te proteja, meu amor.
VICTÓRIUS: Os deuses me protegerão a mim e a Roma também, Até a volta Aurélia.
Victórius sai.
JERUSA: Ih… Aurélia, vocês não tem jeito mesmo, né?! “Que os deuses te proteja”! Quando é que vocês irão perceber que só existe um único Deus, o Deus de Israel!?
AURÉLIA: Um único Deus? É… minha amiga Jerusa, cada um tem o deus que merece. Você só tem um, nós temos vários!!
JERUSA: Ídolos que não falam, não escutam, não veem, não sentem e nem se defendem pra não serem quebrados! Mas me diga querida, quantos ídolos vocês tem?
AURÉLIA: Sei lá! Sei que são inúmeros deuses.
JERUSA: Você me desculpe no que vou falar, mas dos romanos a única que escapa é você, amiga Aurélia, apesar desses inúmeros deuses, mas fazer o quê, né?! Por que todos os outros… sem contar com o teu marido, é claro! São todos uns corja só, e o pior de todos é o Herodes.
AURÉLIA: Obrigado pela consideração, querida. Sabe, eu sou feliz por ser romana. Mas uma coisa você está certa, é a respeito de Herodes.
JERUSA: Mas não é verdade? Essa cobrança de impostos de tributum Soli, do tributum Capitis é absurda. Onde iremos parar?
AURÉLIA: Querida, mas você sabia que Herodes repassar o dinheiro dos impostos, para César? Claro que também é muito conveniente para Herodes, para se manter no poder.
JERUSA: Sem contar da retirada do tesouro do templo para a construção do aqueduto. Com tantas coisas que merecem mais atenção, que são mais urgentes pra fazer, vai construir um aqueduto.
AURÉLIA: Ele quer se promover em cima disso. Você não sabe como esses políticos são, Jerusa?
JERUSA: E eu não sei?! (Escutam um tumulto) Que barulho todo é esse?
AURÉLIA: Não faço ideia O que será que está acontecendo?
JERUSA: Gostaria muito de saber!

Cena 3 – Jerusa, Aurélia, Pessoa A e Pessoa B

Algumas pessoas passam alegres com palmas nas mãos.
PESSOA A: Hosana! Hosana!
PESSOA B: O rei está chegando!! Liberte-nos, filho de Davi!!
Saem
AURÉLIA: Ai, Jerusa. É o tal messias que está chegando! O que vai acontecer nesta cidade?
JERUSA: É o que dizem ser o descendente de Davi… é ruim, hein?! Calma mulher! Isso aí não vai dar em nada. É apenas mais um que se levanta pra iludir o povo.
AURÉLIA: Será, amiga?
JERUSA: Claro! É que nem esses políticos! O povo é cegamente enganado e nunca aprende! Não tem jeito. Passa ano, e vem ano, e o povo sempre acredita nas promessas do próximo que surge. Oh, povinho burro!
AURÉLIA: É porque as pessoas têm esperanças de melhorias, e passam a confiar em alguém novo que surge, é uma possibilidade de mudança pra melhor.
JERUSA: Acreditar nesses políticos, novos ou antigos. Esses que surgem dizendo que vão libertar o povo. Quem acredita nisso só pode ser o maior dos tolos!! Um imbecil! Um jumento!!
ZEBEDEU: Viva o rei! O rei está chegando!

Cena 4 – Jerusa, Aurélia e cego

Entra o cego.
CEGO: Viva o Messias!! O tão esperado Messi… (esbarra na barraca de Jerusa) Opa!
JERUSA: Olha por onde anda seu… seu cego! Quer derrubar a minha barraca?
CEGO: Me desculpe… me desculpe.
JERUSA: Você nunca acerta esse caminho, caramba! Toda vez vem em direção da minha barraca. Por que você não vai por outro rumo? Tem tanto lugar pra você andar.
CEGO: Mas… esse é o caminho que eu tenho que passar. Eu… quebrei alguma coisa?
JERUSA: A tua sorte é que não! Se não, eu que ia quebrar a tua cara! Agora vê se toma teu rumo, sujeito.
CEGO: E vou mesmo! Vou ver o Messias chegar! Salve o Messias!!
AURÉLIA: (Vai até o cego) Por aí, não. É por aqui.
CEGO: Oh, obrigado. Obrigado. Viva o rei!! Viva o rei!!
Cego sai
JERUSA: Além de cego é um completo tolo!!

ATO 2 – SEGUNDA-FEIRA

Cena 1 – JERUSA:

JERUSA: Esse dia está sendo ótimo, ótimo! As vendas foram muito boas! Imagine se eu estivesse no melhor ponto da cidade. Mas ali também é uma máfia desgraçada. É leão comendo leão! (Cantarola uma canção) Onde foi parar o Zebedeu: Saiu desde cedo, me deixou sozinha o dia todo, e até agora não apareceu, é um imprestável mesmo. Essa semana ele está todo agitado. Deve ter ido atrás do “tal messias, filho de Davi”.

Cena 2 – Jerusa e Aurélia

Entra Aurélia
AURÉLIA: Olá querida! E como vão as coisas por aí?
JERUSA: Foi fazer compras hoje, é?
AURÉLIA: Pois é. Começa a faltar tudo em casa, mas… Jerusa, você soube de ontem?
JERUSA: Ontem? O quê foi? O que houve?
AURÉLIA: Você não sabe?
JERUSA: Não.
AURÉLIA: Menina, eu nem te conto.
JERUSA: Ah, vai contar! Ah, vai contar sim!
AURÉLIA: (sorri) É claro que vou te contar, boba. Sabe que aquele tal messias, o… Jesus, esteve ontem no templo assim que chegou, e ficou observando tudo, tudo, tudo.
JERUSA: E como é que você ficou sabendo disso?
AURÉLIA: Ora, minha filha, eu também tenho as minhas fontes, né?!
JERUSA: Então é por isso que hoje ele voltou ao templo e fez o que fez.
AURÉLIA: Fez o que fez o que?
JERUSA: Ué, você ainda não sabe?
AURÉLIA: Não. O que houve?
JERUSA: Mas meu amor, em que cidade você estava? E cadê a sua fonte? Bom, deixe-me falar. O tal Jesus foi logo de manhã ao templo, e expulsou todos os que ali vendiam e compravam! E derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.
AURÉLIA: Que coragem deste homem!
JERUSA: E não foi só isto!
AURÉLIA: Não?
JERUSA: Não! Ele ficou ali e não consentia que ninguém atravessasse o templo levando qualquer utensílio, alegando que ali era a chamada casa de oração.
AURÉLIA: Eu estou estarrecida! Mas como você ficou sabendo, se não sai nunca daqui?
JERUSA: Eu também tenho meus informantes, e são fontes bem confiáveis! Mas também ali só tem ladrão safado! Vendem os animais para sacrifícios a preços absurdos, se aproveitando dos que vem de longe, e que obviamente não tem como trazer os animais.
AURÉLIA: É verdade!
JERUSA: E os cambistas, oh raça desonesta! Coitados dos estrangeiros que precisam trocar suas moedas pela única moeda aceita pelos mercadores, porque eles querem pagar os impostos no templo e também fazer suas ofertas. Até que esse “tal messias” subiu um pontinho no meu conceito.
AURÉLIA: E ninguém fez nada, lá?
JERUSA: Que eu saiba, não!
AURÉLIA: E os principais sacerdotes e os escribas, sabem disso?
JERUSA: Claro! Afinal eles estavam lá, e viram tudo! E parece que não gostaram de nada, nada do que viram.

Cena 3 – Jerusa, Aurélia e Zebedeu

Entra Zebedeu
ZEBEDEU: Jerusa, Jerusa!
JERUSA: Zebedeu, por onde é que você andou, homem? Desde cedo que está sumido de casa! Eu precisava de você para…
ZEBEDEU: Eu saí logo cedo pra encomendar o vinho, mas depois quando estava voltando eu vi Jesus chegando de Betânia com os seus discípulos. Mas aí aconteceu uma coisa incrível!
Jerusa e AURÉLIA: E o que foi que aconteceu?
ZEBEDEU: No meio do caminho ele amaldiçoou a figueira, e ela secou!
Jerusa e AURÉLIA: Oh!
JERUSA: Pelas barbas do profeta! Aquela figueira tão linda e que poderia ser vista a distância? Aquela que ficava no caminho pra Betânia?
ZEBEDEU: Ela mesma! Secou!
AURÉLIA: E por que será que ele fez isso com a coitada?
ZEBEDEU: Sei lá!
JERUSA: O que eu sei, é que essa figueira já era para ter dado fruto a muito tempo. Ela tão pomposa, e nada para se aproveitar. Eu mesma tinha ido lá, antes, pegar alguns frutos e não encontrei nenhunzinho!! Ela só existia mesmo para aparecer.

Cena 4 – Jerusa, Aurélia, Zebedeu e Jeoaquim

Entra Jeoaquim
JEOAQUIM: Shalom Aleichem (Paz para vocês).
Jerusa e ZEBEDEU: Aleichem Shalom.
JEOAQUIM: Vocês não vão acreditar, a figueira que fica no caminho pra Betânia, secou!
ZEBEDEU: Foi Jesus quem a amaldiçoou, eu vi. Como ele é poderoso.
AURÉLIA: Eu havia escutado um comentário que esse Jesus havia ressuscitado um homem chamado… chamado… Lázaro, sim! E muitos estavam querendo vê-lo chegar ontem, junto com o messias. Mas será que ele é tão poderoso assim?
ZEBEDEU: Eu vi. Ele amaldiçoou a figueira!
JEOAQUIM: (vira as costas para Aurélia) Romanos, hum! Fora Roma!
Cena 5 – Jerusa, Aurélia, Zebedeu, Jeoaquim e algumas crianças
Passam algumas crianças rindo e brincando e dizendo que Jesus era o filho de Davi.
ZEBEDEU: Os sacerdotes estão indignados com as crianças daqui, porque elas andam pra cima e pra baixo dizendo isso, que Jesus é o filho de Davi. Eles estão revoltados!
AURÉLIA: Ah, mas criança é assim mesmo, fala sem pensar. Deve ser porque escutou algum adulto falar, ou será que foi o próprio messias quem as instruiu pra ficar falando pela cidade?

Cena 6 – Jerusa, Aurélia, Zebedeu, Jeoaquim e o CEGO:

Entra o CEGO:
CEGO: Estou curado!! Estou vendo!! Estou vendo!! Oh, maravilha!!
Todos: Oh! O ceguinho está vendo?!
JERUSA: Hei, cego, venha cá. Me diga uma coisinha.
CEGO: Dona Jerusa?! Reconheço pela voz. Agora posso vê-la.
JERUSA: Sim… é… Mas cego, desde que te conhecemos, você sempre foi cego, não foi?
CEGO: Claro. Eu era cego desde nascença. E a senhora sabe, desde criança eu esbarrava na sua barraca.
JERUSA: É… eu sei.
CEGO: Pois é, e agora não sou mais!Não sou mais!!
JERUSA: E como agora você está enxergando?
CEGO: Eu estava no templo e Jesus me curou! Jesus me curou! Me abriu a visão, agora posso ver tudo! Tudo! Ele é Al-Ilah Rapha (em aramaico = Deus de cura).
ZEBEDEU: Isso é impressionante!
CEGO: Zebedeu, é você?! Sua voz, posso ver você agora, ver como você é realmente.
ZEBEDEU: Isso é realmente incrível!
CEGO: Um milagre! Isto é um milagre! Um milagre! Estou curado! Viva Jesus!
Cego sai
JEOAQUIM: Zebedeu, Jesus é tão poderoso que curou o cego, então ele vai também curar a sua perna.
ZEBEDEU: É… quem sabe? Mas o que quero ver mesmo é o Rei retomar o reino das mãos dos romanos. Isso é o que eu quero ver!
JEOAQUIM: (Encara Aurélia) Sabias palavras Zebedeu! Sabias palavras! Jesus com o seu poder, nos fortalecerá para a grande missão, para o qual ele veio! Os Zelotes é que estão certos, fora Roma!
Aurélia sai pra dentro de casa
JERUSA: Coitada da Aurélia… vocês esquecem que o marido dela é um soldado da guarda de Herodes? E que se ela quisesse já teria dado um jeito em vocês dois. Agora deixem de besteira e me digam, por onde deve estar andando Jesus? Pois desde que ele chegou, a cidade está um reboliço só! Oh, homem pra criar agitação!
JEOAQUIM: Ele voltou para Betânia com os seus bravos guerreiros, os apóstolos.
JERUSA: E por que não pernoitaram aqui em Jerusalém, ao invés de andarem 3 Quilômetros até Betânia?
ZEBEDEU: Vai ver não acharam lugar para ficar, já que a cidade estava muito cheia, ou preferiram mais tranquilidade para dormir.
JEOAQUIM: Ou… para se prepararem para a grande retomada de Jerusalém!
JERUSA: Ou… estão causando tanta agitação na cidade que estão com medo de serem mortos durante o sono!
Zebedeu e JEOAQUIM: Serem mortos? Nunca! Fora Roma! Fora Roma!
JERUSA: Vocês querem falar mais baixo?! Vocês querem ser mortos?
Cena 7 – Jerusa, Zebedeu, Jeoaquim e MANOÁ: Entra MANOÁ: MANOÁ: Gente, o que aconteceu com a Oliveira? Que fica no caminho para Betânia?
Todos: Figueira! É figueira Manoá!
MANOÁ: É?… e então?!

ATO 3 – TERÇA-FEIRA

Cena 1 – Zebedeu, Manoá e Jeoaquim.

ZEBEDEU: Meu amigo, estou pensando até agora no que aconteceu no templo, hoje.
JEOAQUIM: Eu também fiquei impressionado!
ZEBEDEU: O messias é realmente imprevisível.

Cena 2 – Zebedeu, Manoá, Jeoaquim e Jerusa

Entra Jerusa
JEOAQUIM: Quem diria que Jesus fosse criticar os sacerdotes?! Pensei que só fosse com os Romanos.
ZEBEDEU: Pois, é!
JERUSA: E o que foi que aconteceu desta vez? O que foi que esse homem arrumou agora?
MANOÁ: É, o que foi?
JEOAQUIM: Ué, Manoá, você não estava lá comigo? Você definitivamente não é normal.
ZEBEDEU: O messias estava ensinando lá no templo, e aí apareceram os principais sacerdotes e os anciãos e perguntaram com que autoridade ele fazia aquelas coisas.
JERUSA: Que coisas? Só por que ele estava ensinando no Templo?
JEOAQUIM: Você não sabe que, para se ensinar no templo, precisa de uma ordenação rabínica para julgar e decidir questões sobre o Halachá. Por isso que perguntaram que tipo de ordenação Jesus recebeu que lhe permitia ensinar com tanta autoridade. Ele é visto como alguém não autorizado para Ensinar no templo.
JERUSA: E o que houve?
ZEBEDEU: Aconteceu que ele só iria responder a essa pergunta, se eles, os sacerdotes, primeiro respondessem a pergunta sobre o batismo de João batista. Se o batismo de João era do céu ou dos homens.
JERUSA: Não entendi. Onde ele queria chegar com essa pergunta?
JEOAQUIM: Eu explico. Se os sacerdotes se falassem que era do céu, certamente Jesus responderia, “então por que não creram?” Já que João Batista, era da linhagem sacerdotal, era filho do sacerdote Zacarias. João tinha autoridade do alto para batizar, ele veio da tribo de Levi, e era profeta.
MANOÁ: E daí?
JEOAQUIM: E daí? E daí que João pregava que o povo devia crer no Cristo que haveria de chegar. E que o próprio João Batista iria abrir o caminho para o messias prometido chegar.
MANOÁ: E quem é?
Jeoaquim e ZEBEDEU: Jesus!!
JERUSA: Ta pior do que a encomenda, ein?! Oh, cabecinha!
JEOAQUIM: É o próprio Jesus que está hoje aqui na cidade. Então, automaticamente, ele também recebeu a autoridade do alto para ensinar e fazer curas no Templo. Entenderam?
JERUSA: Afinal de contas, os sacerdotes responderam o que?
JEOAQUIM: Esses homens não são tolos! Eles bem sabem que homens foram usados e capacitados por Deus, como o boiadeiro Amós, o pastor de ovelhas Davi, o habitante da rústica Gileade, Elias, entre outros, sem terem nenhuma educação formal. Simplesmente falaram que não sabiam. Também se falassem que era dos homens, tinham apanhado do povo, porque todos nós consideramos João Batista como profeta.
JERUSA: Puxa vida! Bem que deveriam liberar para que as mulheres não ficassem só no pátio, que entrassem também no Templo. Pra ver essas coisas.
ZEBEDEU: Já sem entrar lá você…
JERUSA: Eu o que, Zebedeu?
ZEBEDEU: Nada não, nada não! Mas tem mais, mulher!
JERUSA: Tem mais? O que? Conta!
ZEBEDEU: O messias começou a falar por parábolas, e começou com uma parábola dos… dois filhos e também uma dos lavradores maus.
MANOÁ: Isso eu me lembro. Aaaa… foram lindas histórias…
ZEBEDEU: Não foram só lindas histórias, Manoá! Presta atenção!
MANOÁ: Ué, e o que mais então?
ZEBEDEU: O messias proferiu estas parábolas contra os sacerdotes, você não percebeu? Tanto é que eles procuravam prendê-lo, mas desistiram porque todos iam contra eles!
MANOÁ: Não notei nada disso…
ZEBEDEU: E você nota alguma coisa, Manoá? Você nunca vai mudar!
JEOAQUIM: O messias só falta ir agora contra os romanos. Fora Roma!!
ZEBEDEU: Jesus realmente é fascinante. E o tempo da libertação está próximo. Fora Roma!
Zebedeu, Jeoaquim e Manoá saem.
JERUSA: Esses três malucos não têm jeito mesmo. Enquanto os romanos não deixarem Jerusalém, não sossegam.

Cena 3 – Jerusa e Aurélia

Entra Aurélia
AURÉLIA: Esse é o meu medo, amiga!
JERUSA: Aurélia, você estava escutando a conversa?
AURÉLIA: Claro! Como posso ficar por dentro dos acontecimentos, querida?
JERUSA: Você, ein?!
AURÉLIA: Aprendi contigo, amiga! (Ela sorri)
JERUSA: Eu que sou sua aluna! (Sorri também)

Cena 4 – Jerusa, Aurélia e Maria

Entra Maria
URÉLIA: Olha, tem gente chegando a sua barraca.
JERUSA: Deixe eu ir lá atendê-la. (para Maria) Shalom Alichem. Você na mais completa barraca da cidade, o que deseja?
MARIA: Aleichem Shalom. Eu quero comprar perfume. Ah, esse aqui!
JERUSA: Esse aqui é bálsamo de preciosíssimo perfume de nardo puro. Você vai querer um potinho deste, contém 20 ml?
MARIA: Eu quero uma libra deste perfume.
Jerusa e AURÉLIA: Uma libra?
JERUSA: Mas isso é muita coisa! Custa o valor de… trezentos denários.
MARIA: Aqui dentro tem os trezentos denários!
JERUSA: Está aqui neste alabastro. Mas, se me permite a pergunta. Pra que precisa de uma quantidade tão grande de um perfume tão caro?
MARIA: Para alguém que merece o melhor! Para o Rei e messias esperado!
AURÉLIA: Para o Messias? O tal… Jesus?
MARIA: Sim. E quer saber? Ele merece muito mais do que isto! Bom, é este aqui?
JERUSA: É.
MARIA: Bom, deixe-me ir. Laila Tov (Boa tarde).
JERUSA: Laila Tov.
Maria sai
AURÉLIA: Você viu, Jerusa? Mais uma vez, o messias. Sempre o messias!
JERUSA: (aprecia a quantia dada por Maria) Estou vendo. Estou vendo. Se tivesse um messias deste todo mês…

ATO 4 – QUARTA-FEIRA

Cena 1 – Zebedeu, Jeoaquim e MANOÁ:

ZEBEDEU: Vocês viram até que ponto os fariseus e os herodianos chegaram? Resolveram se unir.
JEOAQUIM: E eles não se suportam. Isso só pra pegar Jesus em alguma palavra.
MANOÁ: E qual foi a palavra?
ZEBEDEU: Manoá, o que você estava fazendo lá, que nunca sabe de nada?
MANOÁ: Bem… eu… estava…
ZEBEDEU: Você não viu que eles perguntaram a Jesus se era lícito pagar tributo a César, ou não?
MANOÁ: Não reparei…
ZEBEDEU: Jesus estava sendo o centro das atenções, e você não reparou?
JEOAQUIM: Calma Zebedeu, você não que o Manoá é um pateta? Mas voltando ao assunto, eu gostei que o messias percebeu a armação de todos, além de tudo ele é perspicaz, e respondeu à altura, chamando-os de hipócritas!
ZEBEDEU: Sabe, Jeoaquim, eu fiquei imaginando inúmeras repostas para não ser pego nem pelos fariseus e nem pelos herodianos, e não encontrei nenhuma. Mas a resposta de Jesus foi algo… impar. Talvez a única resposta que existisse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
JEOAQUIM: Todo mundo ficou admirado, meu amigo, todo mundo. Até eu!
MANOÁ: Ah, agora estou lembrando.
ZEBEDEU: Até que enfim, ein, Manoá?!
MANOÁ: Aquele denário era meu.
Zebedeu e JEOAQUIM: Era teu?
Manoá acena com a cabeça positivamente.
JEOAQUIM: E quando os Saduceus, que não creem na ressurreição, perguntaram justamente sobre ressurreição. Com a história de uma viúva de 7 irmãos que não havia deixado nenhum descendente. Então na ressurreição de qual será esposa? Essa pergunta é baseada na lei do casamento do levirato.
ZEBEDEU: E a resposta? (Sorri) Primeiro fala que eles erram por não conhecerem as escrituras (continua sorrindo). Depois, respondeu com uma passagem contido na própria Tora, que é o único livro que eles creem
JEOAQUIM: E não foi? E lembrou o trecho quando Deus falou a Moisés na sarça, que era o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E que Deus era Deus de vivos e não de mortos. Que maravilha!!
ZEBEDEU: Aí, foi a vez dos escribas. Perguntando qual era o principal de todos os mandamentos. Só eles é que não sabiam (Sorri mais uma vez).
JEOAQUIM: Você está se divertindo, né Zebedeu?!
ZEBEDEU: Gostei mais foi no final, o messias, criticou diretamente os fariseus e os escribas, que se importam mais em aparecer do que em fazer. E que são aproveitadores, todos eles!!
JEOAQUIM: Ainda disse que estes vão receber muito maior condenação! Quando retomarmos o poder, aí eu quero ver, o escorpião fugir do cerco do fogo!
ZEBEDEU: Espere um pouco! Olhe quem está vindo.

Cena 2 – Zebedeu, Jeoaquim, Manoá, Judas e o Sacerdote

Entra Judas e o SACERDOTE: SACERDOTE: Judas, o que você está pedindo é muito!
JUDAS: 50 é o meu preço, e nada menos!
SACERDOTE: Oferecemos 10, e nada a mais.
JUDAS: 10? (pensa) então 40, é um valor justo!
SACERDOTE: Nem eu nem você, ficamos nos 20 e pronto! Sem mais conversa.
JUDAS: 35.
SACERDOTE: 25.
JUDAS: 33?
SACERDOTE: Ofereço 30, e é pegar ou largar?!
JUDAS: 30?
Judas e o sacerdote saem.
ZEBEDEU: Não é esse um dos discípulos do messias?
JEOAQUIM: Sim. E o que será que ele está combinando com o sacerdote?
ZEBEDEU: Não faço a menor ideia Vamos segui-los pra ver se a gente descobre?
JEOAQUIM: Espere! E quem vai ficar aqui na barraca?
ZEBEDEU: É mesmo, a barraca! Manoá, você fica aqui de olho na barraca! Vamos lá.
Saem Jeoaquim e Zebedeu.
MANOÁ: Mas… mas… (fica parado olhando para a barraca por um tempo. Coça a cabeça. Olha para um lado, depois para outro, então resolve se sentar no banquinho)

Cena 3 – Manoá, Jerusa e Aurélia

Entra Jerusa e Aurélia
Menina, ta louca que eu vou subir aquele monte das oliveiras, atrás de Jesus e dos seus discípulos! Nem se me pagassem… se me pagassem?… Não! Nem com toda a curiosidade do mundo!! Manoá, o que você está fazendo aqui na minha barraca? Cadê o Zebedeu que mandei que ficasse aqui tomando conta até eu voltar?
MANOÁ: (Levantando-se) Dona Jerusa? Bom… o…
JERUSA: Esse meu marido… vou te contar, ein?! Um minutinho que eu saio… Pra onde ele foi, Manoá?
MANOÁ: Ele? Ele saiu…
JERUSA: Pra ele não estar aqui, só pode ter saído, né seu tonto! Desembucha logo e fala, rapaz!
AURÉLIA: Calma Jerusa, o rapaz não tem culpa, e deixa ele falar também. Manoá, fala logo também!
MANOÁ: Sabe o que é? Eu não sei pra onde ele foi. Eu gostaria de ajudar mais…
JERUSA: Homens, oh raça! Todos iguais! Tudo combinado! Tudo combinado!
AURÉLIA: Vai ver, o rapaz só estava tentando ajudar, Jerusa.
JERUSA: (Secamente fala para Manoá) Obrigada! Agora sai pra lá, sai pra lá!

Cena 4 – Manoá, Jerusa, Aurélia e ZEBEDEU: Entra esbaforido Zebedeu.

JERUSA: O que houve? O que está havendo?
ZEBEDEU: Você já voltou? Que bom! Seguimos Judas, uns dos discípulos do Messias, andava com um sacerdote (procura ar)
AURÉLIA: E o que é que tem?
ZEBEDEU: Muito estranho, eu e o Jeoaquim, vimos Judas entrando no palácio de Caifás juntos com os Sacerdotes e os Anciãos.
JERUSA: E por que estranho?
ZEBEDEU: Hoje, no templo, Jesus criticou duramente todos eles. Não era para Judas estar com eles, era?
Aurélia, Jerusa e MANOÁ: Não!
MANOÁ: Não.
JERUSA: Sabe de uma coisa, vou tocar a minha vida. Eles que são brancos que se entendam.
Zebedeu.
Vou entrar um pouco.
AURÉLIA: Eu também vou pra minha casa, tchau.
Manoá sai.

ATO 5 – QUINTA-FEIRA

Cena 1 – Jerusa e ZEBEDEU: Jerusa e Zebedeu arrumam a barraca bem cedo.

ZEBEDEU: O soninho estava tão bom.
JERUSA: Mas temos que aproveitar essa época de festa, e terminar logo de montar a barraca. Afinal de contas, essa festa é só uma vez por ano.
ZEBEDEU: Vou colocar esses grãos aqui mesmo.
JERUSA: Tudo bem. Sabe Zé, você sabe que eu não sou de ligar muito para esses dias, apesar da nossa cultura. Sou mais de aproveitar a oportunidade para conseguir um bom dinheiro.
ZEBEDEU: Sei muito bem disso!
JERUSA: Mas… conforme vai chegando a hora da comemoração da Páscoa, eu começo a ficar ansiosa, sei lá.
ZEBEDEU: É natural isso!

Cena 2 – Jerusa, Zebedeu e o CEGO: Entra o CEGO: CEGO: Como o dia é tão bonito, não acha dona Jerusa? Boker Tov (bom dia) seu Zebedeu?
ZEBEDEU: Boker Tov.


JERUSA: Baruch hashem (Graças a Deus)!! O ceguinho não mais vai esbarrar na minha barraca!
CEGO: (sorri) É verdade.
JERUSA: Eu é que estou feliz com isso. Mas me diga: Aonde você vai tão cedo, ceguinho?
CEGO: Vou ouvir Jesus no templo.
JERUSA: Já, tão cedo?
CEGO: Quanto mais cedo ir ao encontro de Jesus, melhor ainda. Vamos lá?
ZEBEDEU: É uma boa ideia..
JERUSA: Não é não boa ideia, não! Você vai ficar aqui me ajudando, que hoje o dia promete!!
CEGO: Bom, eu vou andando que agora muito me alegra em ir ao templo, Lehitaót (até logo).
JERUSA: Lehitraót
Cego sai..
ZEBEDEU: Você não perde essa mania, me chama atenção na frente dos outros! Está quase tudo pronto, o que você quer mais, ein?!
JERUSA: Não senhor, pode cantar de galo em outro lugar, pra cima de mim, não!
ZEBEDEU: Essa é a oportunidade de ouvir o messias e você…
JERUSA: Eu sei é que, desde que esse tal messias chegou, você ficou todo alterado, mas a nossa vida é aqui. Pés no chão, Zebedeu.
ZEBEDEU: Vida? Dominado pelos romanos? Temos que estar junto com o messias para acabar com os romanos.
JERUSA: (fala baixo) Fala isso baixo, homem! Quanta asneira você diz. E vamos parar com esse papo furado, e vai pegar água, que eu vou lá dentro de casa pegar o pano.
ZEBEDEU: Que isso? Eu pegar água? Isso é serviço de mulher, não de homem! E não!
JERUSA: Você sim! Faça por bem o que eu estou te mandando, faça querido… antes que eu me aborreça com você e de logo um jeito nessa tua perna
Jerusa entra na casa.
ZEBEDEU: (Resmunga) Antes que eu me aborreça com você… blá, blá ,blá. (Olha para os lados) Era o que me faltava… era o que me faltava. Espero que ninguém me veja carregando este cântaro. Que vergonha!

Cena 3 – Zebedeu, Pedro e JOÃO:

Zebedeu pega o cântaro de água e sai. Pouco tempo depois volta.
ZEBEDEU: Pronto! Era o que faltava, dei uma topada na pedra…
Entra Pedro e JOÃO: JOÃO: Pedro, olhe! Como Jesus falou, o homem com o cântaro de água.
Zebedeu entra em casa com o cântaro de água.
PEDRO: João, então vamos lá falar com ele.
JOÃO: Vamos!
Zebedeu saiu
JOÃO: (Ao Zebedeu) Senhor, por favor!
ZEBEDEU: Eu?
João e PEDRO: Shalom Aleichem.
ZEBEDEU: Aleichem Shalom.
JOÃO: O senhor que estava com o cântaro de água.
ZEBEDEU: Ah, sim… bem, o que a gente não faz pela nossa esposa, não é mesmo? A gente ajuda um pouco aqui, um pouco ali, entendem? Essas mulheres…
JOÃO: Senhor, O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual Ele há de comer a Páscoa com os seus discípulos?
ZEBEDEU: É Jesus? Passar a Páscoa? Sim. Temos um cenáculo aqui muito bom, espaçoso, devidamente iluminado e totalmente mobiliado. Aposento de primeira Queiram me acompanhar. Vocês irão gostar muito.
João, Pedro e Zebedeu saem para o cenáculo, pouco tempo depois voltam.
PEDRO: Muito bom!
JOÃO: Ótimo!
ZEBEDEU: Eu me sinto muito honrado em recebê-los. Muito honrado mesmo. E pode deixar que estará tudo pronto, a comida, a bebida e tudo mais. Podem ficar sossegados quanto a isto.
PEDRO: Que bom. Então mais tarde, depois do por do sol, estaremos aqui.
JOÃO: Agora temos que ir. Muito obrigado senhor. Laila Tov (Boa tarde).
João e Pedro se despedem e saem.
Cena 4 – Zebedeu e JERUSA:
Entra Jerusa.
ZEBEDEU: Laila Tov! Mazal Tov (boa sorte) Estarei esperando por todos vocês aqui, no cenáculo.
JERUSA: Zebedeu, esperando quem, no cenáculo?
ZEBEDEU: Jerusa?!
JERUSA: Sim, sou eu!
ZEBEDEU: Que coisa maravilhosa aconteceu. Jesus e seus discípulos passaram a Páscoa aqui, no cenáculo! Que honra, mulher!!
JERUSA: Eu não posso te deixar sozinho nem um pouco, né?! Como você trás encrenca pra dentro de casa? Um sujeito que desde que chegou aqui, só arranja confusão. Provoca os fariseus, escribas, Saduceus e tantos mais. Ainda dizem que irá acabar com os romanos. Onde você está com a cabeça, Zebedeu? Só falta ele colocar fogo no cenáculo!
ZEBEDEU: Mas eu não tive como negar! Não podia simplesmente dizer, não! Afinal de contas como posso negar ao rabi? Ao rabi, mulher!!
JERUSA: E eles pagaram alguma coisa?
ZEBEDEU: Mulher?! Faça-me o favor! A presença do messias vale mais do que qualquer pagamento. É um presente dos céus! Baruch Hashem!!
JERUSA: Você não tem jeito mesmo, hein Zebedeu?! Afinal das contas, até agora ninguém nos procurou, exceto esse messias. Mas vai lá, hoje vou abrir uma exceção. Por você Zebedeu! E Também porque hoje é dia de Páscoa. Então, o que você está esperando, homem? Vai enfeitar logo o cenáculo, depois vai comprar as tâmaras, figos, uvas secas, os pães Asmos, o maror, o charôsset. E vê se não esqueça a bebida. Tem que está tudo perfeito pra quando eles chegarem. Agora vai, vai!
Zebedeu sai radiante.
JERUSA: Ainda bem que na semana passada retirei o fermento de casa. Se dependesse do Zebedeu… mas o que eu não faço pelo meu marido?! Ele não merece não, mas precisa (Sorri).
Cena 5 – Jerusa e AURÉLIA:
Aurélia entra
Amiga, alguma novidade por aí, ein?!
JERUSA: Ah?! Ah, minha filha eu nem te conto…
Cena 6 – Jerusa, Aurélia e VICTÓRIUS: Entra VICTÓRIUS: VICTÓRIUS: Aurélia, hoje estarei livre para passar a Páscoa em casa.
AURÉLIA: Oi, amor. Que boa notícia essa. Mas, e o tumulto na cidade?
VICTÓRIUS: Está tudo sob controle em Jerusalém. Bom, vou entrar e tomar um bom banho que to precisando.
AURÉLIA: Vai sim, amor. Daqui a pouco eu entro.
VICTÓRIUS: Ta bom.
Victórius sai
AURÉLIA: Mas, querida, o que é que você tinha pra me dizer?
JERUSA: Sabe quem vem passar a Páscoa aqui, no nosso cenáculo?
AURÉLIA: Quem?
JERUSA: Jesus e seus discípulos!
AURÉLIA: Sério?
JERUSA: Zebedeu já foi até arrumar o local.
AURÉLIA: Jesus é seus discípulos, aqui?
JERUSA: Ora, Amiga. Não tenhas medo. Não farão nada contra vocês, eu jamais deixaria!
AURÉLIA: É… ouvi dizer que ele é até um bom homem. Que está fazendo muito bem a muitos pessoas…
JERUSA: Viu só?!
AURÉLIA: Bom, eu tenho um convite a fazer para você e seu marido.
JERUSA: Convite
AURÉLIA: Sim! Se vocês querem passar a Páscoa aqui em casa junto com agente? Afinal das contas, estamos sempre juntas, todos os dias, não é?
JERUSA: Seria ótimo! Mas vou conversar com o Zebedeu. Não posso te garantir nada, você sabe como ele é.
AURÉLIA: Sei. Mas tomará ele aceite! Bom, vou entrando agora, Tchau querida.
JERUSA: Tchau, amiga.
Cena 7 – Jerusa e ZEBEDEU: Aurélia sai e entra Zebedeu.
ZEBEDEU: Já dei uma ajeitada lá no cenáculo.
JERUSA: Querido…
ZEBEDEU: Querido? O que você ta querendo, Jerusa?
JERUSA: A vizinha, nos convidou para passar a Páscoa, com eles…
ZEBEDEU: Jamais! Jamais! Eles são gentios! Você sabe muito bem que a gente não se mistura com gentios. Nem pensar!! Faço tudo pra você, menos isso. Menos isso! E outra coisa, vou entrar.
JERUSA: Mas, mas… amor…
Zebedeu sai
JERUSA: (rosna) O que coisa mais chata! A gente se fala, mas não se pode entrar na casa de um, nem comer com outro. Eu acho tudo isso uma tolice! Uma grande tolice, isso sim!

Cena 8 – Zebedeu, Jerusa, Aurélia, Jesus e os discípulos

Mais tarde…
Zebedeu, Jerusa e Aurélia, observam Jesus e seus discípulos entrarem, passarem e irem direto ao cenáculo.
ZEBEDEU: Barch Habá (bem, vindo)!! Shalom! Fiquem a vontade, fiquem a vontade, já está tudo pronto senhores, tudo pronto! (Para a Jerusa) Agora vamos entrar que estou morrendo de fome.
JERUSA: Espere um pouco. (Vai até a porta do cenáculo, ver se escuta alguma coisa. Aurélia também vai escutar)
ZEBEDEU: Vocês duas não tem jeito mesmo.
JERUSA: (Pede para o marido fazer silêncio) Amiga, está escutando alguma coisa?
AURÉLIA: Não.
JERUSA: Eu também não.
ZEBEDEU: Então, vamos pra casa?
JERUSA: Vamos, sim. Bom querida, boa Páscoa pra você.
AURÉLIA: Pra vocês também, boa Páscoa. Tchau.
Saem Aurélia, Jerusa e Zebedeu, cada um para suas casas.

Cena 9 – Jerusa e Judas

Mais pela frente…
Jerusa sai de casa para colocar um pedaço de madeira do lado de fora. E vê que Judas saiu, saindo do cenáculo, deixando assim a ceia.
Judas sai.
JERUSA: Que estranho! Isso é hora de sair, no meio da ceia? Esse aí só pode ser o publicano. Publicano não, Publi-canis! Cães público a serviço de Pilatos.
De dentro do cenáculo, Jesus e os discípulos cantam uns hinos (Sl 113 à 118).

Cena 10 – Jerusa, Zebedeu e AURÉLIA:

Entram Zebedeu e Aurélia.
ZEBEDEU: Quem está cantando, são os discípulos de Jesus?
AURÉLIA: Que canção linda. Quem canta?
JERUSA: É Jesus e seus discípulos. (Uma pausa) Uma coisa estranha aconteceu, um dos discípulos saiu a pouco da ceia.
AURÉLIA: É? E o que será que aconteceu?
JERUSA: Sei lá!
ZEBEDEU: Bom, o melhor é a gente voltar pra casa e deixar eles aproveitarem.
Os três, Aurélia, Jerusa com Zebedeu entram para suas casas. Mas quando a música para…

Cena 11 – Jerusa e AURÉLIA:

Jerusa e Aurélia vão espionar para ver se acontece algo.
AURÉLIA: A música parou.
JERUSA: É por isso que vim ver.
AURÉLIA: Eu também.
JERUSA: Que silêncio…
AURÉLIA: O que será que está acontecendo?
JERUSA: Espere, vê se escuta alguma coisa?
AURÉLIA: Eu não estou escutando nada. Estou Sim!
Cena 12 – Jerusa, Aurélia, Jesus e os discípulos
Jesus e os discípulos saem do cenáculo, dois deles saem com uma espada cada, e um era o Pedro. Jerusa e Aurélia se escondem.
JOÃO: Sim, nós vamos para o monte das oliveiras.
Jesus e os discípulos saem. Aparecem Aurélia e Jerusa.
JERUSA: Você ouviu, amiga? Eles vão no monte das oliveiras.
AURÉLIA: Eu ouvi perfeitamente. Mas o que será que irão fazer lá, a está hora?

Cena 13 – Jerusa, Aurélia e Zebedeu

Sai Zebedeu
ZEBEDEU: O que você duas estão fazendo aqui fora, a esta hora, em plena Páscoa?
JERUSA e AURÉLIA: Eles saíram, todos eles saíram.
ZEBEDEU: Quem? Jesus e os discípulos?
JERUSA e AURÉLIA: É!
ZEBEDEU: Que estranho…
JERUSA: Vai lá atrás deles. Vai lá ver o que farão?
ZEBEDEU: Ta louca, mulher! Não vou de jeito nenhum! Eu vou é voltar pra casa.
Zebedeu entra
JERUSA: Ah, você vai! Nem que seja morto!
Jerusa e Aurélia saem para suas casas. Depois de um breve silêncio…

Cena 14 – Zebedeu

Zebedeu sai.
ZEBEDEU: Mas que droga! Nem no dia de Páscoa posso ficar em paz! Aonde já se viu? Isso só acontece comigo…
Zebedeu sai. Mais um breve silêncio.

Cena 15 – Jerusa e AURÉLIA:

Entra Jerusa, batendo na porta de Aurélia.
JERUSA: Aurélia, amiga! Aurélia.
Aurélia aparece.
AURÉLIA: O que foi amiga?
Mandei o Zebedeu ir atrás de Jesus e de seus discípulos, e até agora não voltou. Estou ficando muito preocupada.
AURÉLIA: Mantenha a calma, Jerusa. Daqui a pouco ele aparece, e contando as novidades.
JERUSA: Eu não deveria ter mandado ele ir. Mas o impulso foi mais forte… você sabe como é.
AURÉLIA: Eu sei. Eu entendo perfeitamente isso. É algo mais forte do que a gente.
JERUSA: É isso mesmo. Só você pra me entender…

Cena 16 – Jerusa, Aurélia e o homem semi nu

Um homem passa semi nu, correndo. Jerusa e Aurélia se abraçam assustadas.
Jerusa e AURÉLIA: O que é isso??
Jerusa e Aurélia entram correndo para dentro de suas casas. O silêncio volta, a noite cai mais ainda e o galo canta 3 vezes. Logo depois… Pedro passa chorando muito.

ATO 6 – SEXTA-FEIRA

Cena 1 – Soldado, Victórius e AURÉLIA:

Madrugada. Um soldado romano espera na frente da casa de Victórius.
Entra Victórius e Aurélia.
VICTÓRIUS: Já estou pronto! Podemos ir.
AURÉLIA: Meu bem, mas o que houve para te chamarem assim tão sedo?
VICTÓRIUS: Ainda não sabemos. Assim que puder voltarei pra casa. Mas Roma espera por mim!

Cena 2– Soldado, Victórius, Aurélia e JERUSA:

Entra Jerusa.
AURÉLIA: Tome cuidado, meu amor.
VICTÓRIUS: Comigo não haverá problema. Afinal somos bem preparados para o que der e vier. (Ao outro soldado) Vamos!
Victórius e outro soldado saem
JERUSA: Amiga, o que houve?
AURÉLIA: Querida, não sei. Só sei que vieram chamá-lo urgente para reforçar a guarda de Pilatos.
JERUSA: Xiiiii… será que…
AURÉLIA: Eu não quero nem pensa…
JERUSA: (Lembrando) E o Zebedeu que saiu ontem e até agora nem voltou! Será que ele está envolvido com… Ai meu Deus! Se tiver, eu arrebento ele! Num instante vai tomar tenência!
AURÉLIA: Ele e Jesus, o messias? Vamos sentar aqui e esperar por notícias, amiga.
JERUSA: Vamos sim!
Algum tempo depois…

Cena 3 – Aurélia, Jerusa e ZEBEDEU: Entra Zebedeu com muito sono.

JERUSA: Zebedeu, o que houve? Aonde você se meteu a noite toda?
AURÉLIA: O que está havendo por aí? Chamaram o meu marido as pressas!
ZEBEDEU: Eu vou contar. Eu vou contar. Puxa, estou com tanto sono… bom, você Jerusa, me mandou ir atrás de Jesus e dos seus discípulos, só que eu não encontrei, pensei que tivessem voltado para Betânia…
JERUSA: Betânia? Mas eles foram para o monte das oliveiras!
ZEBEDEU: E eu sabia lá!
JERUSA: Mas eu te falei, Zebedeu.
ZEBEDEU: Não falou, não! Só me mandou ir atrás deles. E eu fui! Só que não os encontrei. Então fiquei andando, andando. Só que chegou uma hora que eu já estava cansado, então me distraí um pouco com as festas dos outros…
JERUSA: Com as festas dos outros? E você não tem casa, não?!
ZEBEDEU: E você não me tirou de dentro da minha própria casa? Mas escute! Até que soube que Jesus havia sido levado para o palácio de Caifás para ser interrogado, pois Judas Escariotes, que andava com Ele, entregou o próprio Jesus aos sacerdotes, e o prenderam a noite por meio da multidão.
JERUSA: Será que era aquele que saiu nomeio da ceia? Bem que notei que havia algo de errado ali.
ZEBEDEU: Acredito que Judas fez isso por se decepcionar… e eu também me decepcionei com ele… E tem mais! Todos os que andavam com ele sumiram! Fugiram!.
AURÉLIA: Jerusa, por isso que aquele homem passou diante da gente correndo.
JERUSA: Foi mesmo!
ZEBEDEU: Bom, como eu era conhecido de um sumo sacerdote, deixou-me entrar para ficar no pátio, junto dos guardas e dos servos que haviam feito uma fogueira para se esquentarem. E acharam que um dos que estavam lá sentado se esquentando , era um dos discípulos dele, mas o rapaz o negou veementemente, também se realmente fosse, ele estaria “frito”. Bom, diz um Sacerdote que Jesus blasfemou por ter respondido que Ele era o filho de Deus, e acabou sendo espancado. Por volta da 6:00hs da manhã de hoje (Sexta), Os principais sacerdotes, anciãos, escribas e sinédrio, amarraram Jesus e o levaram perante Pilatos. Mas não entraram no pretório para não se contaminarem, porque senão, não poderiam comer o almoço de páscoa. Porque era casa de gentio (Zebedeu olha bem para Jerusa, que depois, a mesma, olha envergonhada para Aurélia). Acredito que a acusação não era religiosa pois seria recusada por Pilatos, mas sim política! Jesus é uma ameaça para César. As 7:00hs foi levado para Herodes que estava lá por causa da festa, e Jesus era da Galileia, que era da jurisdição de Herodes, o mesmo que matou o seu primo João Batista. Lembram? (As duas acenam positivamente a cabeça)
JERUSA: Ouvimos falar disso!
ZEBEDEU: Mas acabou sendo devolvido a Pilatos. E agora será sentenciado por Pilatos. Bom… agora vou comer alguma coisa e vou pra lá ver o que será que acontecerá com esse… esse… falso rei!!”
Zebedeu sai
JERUSA: Só não entendo por que tanta presa para condenar esse rapaz?
AURÉLIA: Você esquece de que amanhã é sábado, e que ninguém trabalha nesse dia?
JERUSA: Pelas barbas do profeta! Essa semana está passando tão rápida… de acordo com o mandamento, é proibido que os cadáveres fiquem expostos durante a noite. Então é puro interesse do sinédrio. São uns cachorros!
Cena 4 – Aurélia, Jerusa e CEGO: Entra o cego chorando.
CEGO: Dona Jerusa, dona Jerusa. Jesus foi levado a Pilatos agora a pouco. O que ele fez para ser levado até Pilatos? O que ele fez dona Jerusa? Logo hoje que é dia de Páscoa, dia de alegria!
JERUSA: Ceguinha, calma meu filho…
CEGO: Como ter calma? Se hoje como de costume, o povo deverá escolher um preso para soltar e outro para ser crucificado. E o povo está contra Jesus…
Cena 5 – Aurélia, Jerusa, Cego e o ZEBEDEU: Sai ZEBEDEU: ZEBEDEU: Se depender de mim, que seja o Bar-abás solto, pois este sim, é o único amotinador, que faz rebelião contra o governo romano! Jesus não é nada!!
AURÉLIA: Bar-abás… não é esse homem que, em meio a um tumulto havia cometido um homicídio? Onde morreu um soldado romano?
JERUSA: Zebedeu, por favor!
ZEBEDEU: Bar-abás está mais para herói do que esse falso messias, pois não fez nada!
CEGO: Mas Jesus é o verdadeiro messias! Todas as profecias dos nossos pais testifica em tudo em relação a Jesus. E ele só falou a verdade. E só fez o bem. Olha pra mim! Olha pra mim! Estou curado! Eu sou uma testemunha da maravilhosa graça de Jesus! E era para você (Ao Zebedeu) também ser curado dessa perna, se acreditasse realmente que Jesus é o messias prometido.
ZEBEDEU: Eu acreditei! Eu acreditei! Mas não acredito mais! E quer saber? Vou ver a sentença de Jesus. E que caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!
Zebedeu sai.
CEGO: Eli, Eli (Meu Deus)! É um grande erro que estão fazendo! É um grande erro senhoras…
AURÉLIA: Ceguinho, posso te ajudar de alguma forma?
CEGO: Jesus nunca fez mal a ninguém! Acredite! O livramento que tanto se fala, não é contra os romanos, não. É contra os pecados deste mundo, vocês não entendem? Jesus é o próprio filho de Deus. Você tem que acreditar. O anjo Gabriel revelou ao profeta Daniel que Jerusalém seria construída e que após 483 anos viria o messias, e é este o ano! Ele é o messias prometido!! Ouve, ó Israel! Ouve, ó Israel!
Cego sai
JERUSA: Pobre ceguinho, deixou de ser cego e virou um fanático. Aurélia, amiga, está tudo bem? Você me parece… tão… distante.
AURÉLIA: Hã? Não, está tudo bem. Tudo bem!
JERUSA: Eu sabia que isso ia acabar assim. Esse homem também provocou tanta gente. Aurélia, você está me ouvindo? Aurélia?!
AURÉLIA: O que? O que você falou?
Cena 6 – Aurélia, Jerusa e JUDAS: Entra Judas, passando com uma corda na mão e chorando
JERUSA: Aurélia, este que passou não era um dos que andavam com Jesus?
AURÉLIA: Sim, eu já o vi.
JERUSA: Espere, aí. Foi ele que vi que saiu a noite, no meio da ceia. E se não me engano, foi ele quem traiu seu mestre, o tal Jesus. O que será que ele vai fazer com aquela corda?
AURÉLIA: Não sei…
JERUSA: Será que ele vai prender algum jumento solto? Agora me diga, por que ele também não fugiu que nem os outros discípulos?
AURÉLIA: Não sei…

Cena 7 – Aurélia, Jerusa e Homem e mulheres

Passa em homem alegre
HOMEM: (Sorrindo) Bar-abás está solto!! Bar-abás está solto!!
Logo depois passam algumas mulheres chorando muito
JERUSA: Por que tanto choro?
Uma das mulheres
Jesus será crucificado! E ele não fez nada para ser levado a cruz!
Mulheres saem

Cena 8 – Aurélia, Jerusa e HOMEM:

Entra um homem muito alegre.
HOMEM: Jesus será crucificado! Será levado ao madeiro! Agora eu quero ver!!
JERUSA: Nunca vi essa cidade tão agitada.
AURÉLIA: Acho muito estranho crucificar Jesus.
JERUSA: E por quê?
AURÉLIA: Porque geralmente eles apedrejam ou enforcam quando é judeu, não é? E os romanos crucificam os seus. É muito estranho.
JERUSA: Sabe de uma coisa? Eu vou largar tudo e vou ver o que está acontecendo, estou morrendo de curiosidade. Vou saber das coisas.
AURÉLIA: Não vai não, Jerusa. Deve está havendo muita confusão, pois você bem sabe que a cidade está cheia, e a barraca há coisas de muito valor, não pode deixá-la ao vento.
JERUSA: Haaa… detesto dizer isso, mas você tem razão. Você tem razão. Mas é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. E eu aqui!
AURÉLIA: Vamos nos sentar um pouco. E esperar (as duas se sentam).

Cena 9 – Jerusa Aurélia e Victórius

Entra Victórius
VICTÓRIUS: Aurélia. Que bom que você está aqui.
AURÉLIA: Victórius?!
VICTÓRIUS: Só voltei para guardar a túnica que ganhei no sorteio.
AURÉLIA: Sorteio? Que sorteio?
VICTÓRIUS: Deixe-me contar. O tal sujeito que se intitulava messias, foi condenado hoje a morte por cruz, porque o povo escolheu para ser solto Bar-abás.
AURÉLIA: Eu já sei mais ou menos da história. É costume na Páscoa soltar um preso.
VICTÓRIUS: Sim. É que eu… imaginei. Bom, depois da escolha do povo pelo Bar-abás, que certamente é pior para Roma, Jesus foi levado para dentro do palácio, todos os guardas estavam reunidos, foi aonde Jesus recebeu uma coroa de espinhos e foi bastante humilhado e acoitado.
AURÉLIA: O que ele fez de errado? Coitado do messias.
VICTÓRIUS: Ué, coitado? Você não morria de medo dele? Com todo aqueles boatos de que iria livrar o povo dele de Roma?!
AURÉLIA: Eu acho que estava errada. E ele não merecia ser tratado dessa maneira. Afinal, ouvi dizer que ele fazia coisas boas.
JERUSA: Mas Victórius, e a túnica em seu poder? Como foi?
VICTÓRIUS: Ein?!
JERUSA: A túnica! A túnica! Conta! O que é que tem?
VICTÓRIUS: Como estava dizendo, Jesus ainda foi muito zombado, difamado e blasfemado pelos sacerdotes, escribas e por nós soldados também. E as suas vestes foram rasgadas e repartidas entre nós. Porém, a essa túnica, que é sem costura, não seria justo ter que rasgá-la. Como eu também sou uns dos encarregados pela execução de Jesus, eu tinha o direito de ficar com as vestes dele também. Então resolvemos sorteá-la, e eu venci!
AURÉLIA: Meu amor, você vai crucificar o messias?
VICTÓRIUS: Messias? Que messias o quê? E é o meu trabalho. Eu só vim pra casa para guardar a túnica e já estou voltando pra lá, correndo, para concluir o serviço. Tchau meu bem.
Victórius sai
AURÉLIA: Não, Victórius, não vai! Não faça isso!
Aurélia observa a túnica com Jerusa. Depois Aurélia entra para guardar o tecido.
Pessoas passam querendo comprar alguma coisa na barraca da Jerusa. Outras passam alegres pela festa de páscoa. Um instante não passou ninguém, mas Jerusa fica ali, sentada, sentada, sozinha. O tempo começa a escurecer.
JERUSA: O tempo está mudando tão rápido…

Cena 10 – Jerusa e AURÉLIA:

Aurélia entra
AURÉLIA: Como escureceu! É muito estranho isso. Pois parece noite.
JERUSA: Pois é. E deve ser apenas 15:00hs apenas. É impressionante!! Chega a ser assustador.
AURÉLIA: Parece que o mundo vai acabar!
JERUSA: É mesmo! Eu estou ficando com medo, Aurélia.
AURÉLIA: Eu também, amiga.
De repente surge raios, trovões, vento. Jerusa e Aurélia se abraçam, depois vão ao chão por causa do terremoto.
Cena 11 – Jerusa, Aurélia, Pessoas e VICTÓRIUS: Após o ocorrido, pessoas passam lamentando o que havia acontecido, batendo no peito (que era sinal de angústia e de remorso).
Victórius entra
Ele realmente era o filho de Deus! (chora muito) Ele realmente era o filho de Deus!
Aurélia vai ao seu encontro
AURÉLIA: Victórius, meu amor! (O abraça)
VICTÓRIUS: Eu perfurei o messias com uma lança e saía sangue e água. Eu o matei! (chora) Eu o matei, Aurélia!
AURÉLIA: Calma meu amor! Não fique assim! (O leva em direção a casa deles)
VICTÓRIUS: Como estou arrependido! Eu matei o Messias!! Como você falou, ele verdadeiramente era o Messias. Eu matei o Messias!!
Saem Victórius e AURÉLIA:

Cena 12 – Jerusa, Mª Madalena, Mª mãe de Tiago e Salomé

Passam aos prantos: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé.
MARIA (Mãe de Tiago): Maria Madalena, eles o mataram!
MARIA MADALENA: Por que fizeram isso, Salomé, Por quê?
Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé saem.

Cena 13 – Jerusa e Zebe

Entra Zebedeu aterrorizado com tudo o que acontecera. E entra, Jerusa vai ter com ele em casa, e entra também, deixando a barraca sozinha.

Cena 14 – José de Arimatéa e NICODEMOS:

Um pouco mais tarde…
Entram José de Arimatéa, Nicodemos e um criado.
JOSÉ DE ARIMATÉA: Não tem ninguém aqui, Nicodemos? Vamos ver outro lugar, logo. Não podemos perder tempo, já está chegando o por do sol.
NICODEMOS: É José… Mas espere só um pouco, deve estar dentro de casa.
JOSÉ DE ARIMATÉA: Então vamos chamá-los logo? (Batem palmas)

Cena 15 – José de Arimatéa, Nicodemos, Jerusa e ZEBEDEU:

Entram Jerusa e Zebedeu.
JERUSA: Pois não, houve algum problema?
ZEBEDEU: Quem são vocês? O que querem… de nós?
JOSÉ DE ARIMATÉA: Calma! Calma! Shalom. Nós só queremos saber se vocês são os donos desta barraca aqui?
ZEBEDEU: Barraca? Que Barraca?
JERUSA: A barraca, Zebedeu! Entramos e deixamos a barraca sozinha! (Corre pra barraca) Será que está tudo aqui ainda? (Observa) Hum… eu acho que está, eu acho que está, está sim.
ZEBEDEU: Ficamos praticamente, boa tarde dentro de casa, depois de tudo o que aconteceu.
JERUSA: Não, não. Ninguém mexeu em nada. Está tudo aqui. Ai, que susto eu levei!!
NICODEMOS: Que bom que nada foi mexido…
José de Arimatéria
Bom, nós queremos comprar um perfume e um lençol de linho.
JERUSA: Um perfume e um lençol de linho? Oh, sim! Lençol de linho? Nós temos sim. Deixe-me mostrar. Aqui. Temos esse tipo, esse aqui que é lindo, esse também que é um espetáculo. Bom, fiquem a vontade pra escolher, vou ali e volto já. Zebedeu venha aqui comigo.
ZEBEDEU: Pra que?
JERUSA: (Fazendo careta e falando baixo) Vem cá logo! (Zebedeu vai até Jerusa)
ZEBEDEU: O que foi?
JERUSA: Sabe quem são eles ali na nossa barraca?
ZEBEDEU: Clientes?
JERUSA: Clientes? Clientes Zebedeu?
ZEBEDEU: E não são?
JERUSA: Você não reconheceu? É o José de Arimatéa, homem! E o outro é o Nicodemos.
ZEBEDEU: Ih! É mesmo! E os dois fazem parte do sinédrio.
JERUSA: O que será que eles fazem aqui? E por que do perfume e do linho?
ZEBEDEU: Sei lá.
NICODEMOS: Senhora? Já escolhemos o linho.
JERUSA: Pois não. Uma boa escolha senhores. E quanto ao perfume, que tal este?
JOSÉ DE ARIMATÉA: Não, não, senhora. Não é só isto. A senhora não está entendendo. Nós iremos querer 45 quilos do composto de mirra e aloés.
Jerusa e ZEBEDEU: 45 quilos?
JERUSA: Isso dará umas… cem libras. (se entreolham) Zebedeu, o que está esperando? Corre lá em casa e traga a mercadoria para o… senhor aqui. Ele não pode ficar esperando.
Zebedeu sai
JERUSA: Com uma quantidade dessa, só um casamento deve estar por acontecer. E quem são os noivos? Eu não ouvi nada a respeito.
JOSÉ DE ARIMATÉA: Eu imagino que isto aqui… (entrega o dinheiro) pague tudo!
JERUSA: (Confere o valor) Sim… sim, cobre tudo! Cobre tudo!
Entra ZEBEDEU: ZEBEDEU: Aqui está, senhores.
NICODEMOS: Muito obrigado! (Para o criado) Traga o perfume. Vamos José.
JOSÉ DE ARIMATÉA: Vamos! (Para Jerusa e Zebedeu) Shalom! Vamos ter que agir rápido.
José de Arimatéa, Nicodemos e o criado saem.
JERUSA: (Para José de Arimatéa e Nicodemos) Mazal Tov! Espero que seja um ótimo noivado!!
ZEBEDEU: Que noivado é este, Jerusa?
JERUSA: Ué?! Com essa quantidade que eles compraram, só pode ser para um noivado! E não é?
ZEBEDEU: E quem são os noivos?
JERUSA: Não sei! E o pior é que perguntei e nem se quer me responderam. Oh, gente metida. Como pode, eu, Jerusa, ficar sem saber deste casamento? Isso é inconcebível! Será que estão fazendo um casamento escondido? Por que será então? Preciso descobrir. Ah, isso não vai ficar assim não! Não vai não!

Cena 16 – Jerusa, Zebedeu e JEOAQUIM:

Entra JEOAQUIM: JEOAQUIM: Shalom.
ZEBEDEU: Shalom.
JEOAQUIM: Nicodemos e José de Arimatéa por aqui?
JERUSA: Eles vieram comprar Linho, mirra e aloés, e em grande quantidade!
JEOAQUIM: Eu sabia! Esses dois passaram a ser discípulos de Jesus. Mas só agora resolveram assumir.
JERUSA: Eles passaram a ser discípulos de Jesus?
JEOAQUIM: Sim. José de Arimatéa pagou para alguns homens, abrirem um sepulcro, para quando ele morresse, tivesse um lugar para o seu corpo. Mas, pelo jeito mudou de ideia
JERUSA: Como assim, “mudou de ideia”, Jeoaquim?
JEOAQUIM: Fiquei sabendo que ele pediu o corpo de Jesus para pilatos. Que por sinal, Pilatos ficou surpreso com a morte rápida de Jesus. Pois como vocês sabem, uma crucificação pode durar vários dias de agonia, até que os abutres os dilacerem.
ZEBEDEU: É sim! Quando fui lá ver a crucificação, vi que muitos rogaram a Pilatos que quebrassem suas pernas e fosse retirado dali, pois amanhã é sábado, e ainda por cima, Páscoa, né?!
JERUSA: Puxa vida, eu nunca iria imaginar que um homem na posição do José de Arimatéa, fosse se importar com um… com um… homem que não tinha onde se deitar. E tem mais, um passarinho me contou… que esse Nicodemos aí, havia procurado Jesus numa noite, e que por ser membro do sinédrio, ele não queria ser visto com Jesus a luz do diz.
JEOAQUIM: È, mas agora eles resolveram assumir de vez. E pelo jeito, eles é que vão sepultar o corpo de Jesus. Vão embalsamar hoje ainda, pois, daqui a pouco ninguém irá poder fazer mais nada. E eu já vou embora, que tenho ainda algumas coisas pra fazer, antes das 18:00hs. LeHitra’ot.
Jeoaquim sai
JERUSA: Pelas barbas do profeta! Então… será que eles irão usar… tudo… Pra sepultar Jesus? E eu que pensei que era um casamento… Zebedeu, já vai dar 18:00hs, vamos começar a arrumar tudo para fechar a barraca e entrar.

Cena 17 – Jerusa, Zebedeu Mª Madalena e Mª (Mãe de José de Arimatéa)

Passam Maria Madalena e Maria (mãe de José de Arimatéa)
Madalena
Maria, o seu filho está ali, mais adiante.
MARIA: Madalena, então vamos lá ver.
Maria Madalena e Maria (mãe de José de Arimatéa) saem.
Cena 18 – Jerusa, Zebedeu e MANOÁ: Passa Manoá em sentido ao contrário a elas.
MANOÁ: Que dia é hoje mesmo?…

ATO 7 – Sábado de manhã

Cena 1 – Fariseu e o SACERDOTE: Passam em frente da casa de Jerusa, os principais sacerdotes e fariseus.

FARISEU: Não, não, não! Isso não pode ficar assim.
SACERDOTE: E você acredita que eles farão realmente isto?
FARISEU: Claro que farão! Você não lembra que aquele enganador, quando ainda vivo, afirmou que depois de três dias, iria ressuscitar?
SACERDOTE: Sim, de fato.
FARISEU: Eu não duvido nada, que os seus discípulos, furtem o seu corpo e digam ao povo que ele ressuscitou dos mortos.
SACERDOTE: Assim sendo o último erro sendo pior do que o primeiro.
FARISEU: Devemos ir imediatamente até pilatos e solicitar uma guarda para tornar seguro o sepulcro, e selar a pedra.
SACERDOTE: É uma ótima ideia! Mas… mas hoje não devemos guardar o sábado? Não estamos violando o shabat de Páscoa? E se entrarmos na audiência com Pilatos, segundo a lei, isto não nos tornará impuros e sendo assim, impróprios para participar da Páscoa?
FARISEU: (Olha severamente) Mas é por uma boa causa! Pior será deixar passar esse dia, pra que a memória desse Jesus se perpetue, recebendo honras e glórias, sendo reconhecido como “o salvador”, “filho de Deus”.
SACERDOTE: É… tem razão.
FARISEU: Então vamos logo lá, antes que alguém nos veja!
O sacerdote e o fariseu saem.

Cena 2 – Jerusa e AURÉLIA:

Jerusa põe a cabecinha pra fora, juntamente com Aurélia, cada qual em sua casa, uma olha pra outra e entram.

Cena 3 – Soldado e VICTÓRIUS:

Entra um SOLDADO:
SOLDADO: (grita) Victórius! Victórius!
Victórius sai
VICTÓRIUS: O que é? O que houve?
SOLDADO: Ave César!
VICTÓRIUS: Ave.
SOLDADO: Pilatos mandou convocar você para fazer parte do grupo de soldados, que irá se revezar em turno de seis horas, para tomar conta do túmulo do tal Jesus.
VICTÓRIUS: Tomar conta do túmulo do tal Jesus? Mas por quê?
SOLDADO: Não sei lhe dizer isso. Ele só mandou vir aqui convocá-lo.
VICTÓRIUS: Não dá pra entender.
SOLDADO: Na minha opinião, essa missão é a mais absurda, nós os “valorosos legionários romanos” para vigiar um cadáver?
VICTÓRIUS: Espere, vou me trocar logo.
Victórius sai, e pouco depois retorna.
VICTÓRIUS: Pronto. Vamos!
Victórius e o soldado saem.
Cena 4 – Jerusa e AURÉLIA:
Jerusa põe a cabeça para fora e espia tudo, depois põe a cabeça para dentro. Aurélia então põe a cabeça para fora, como quem sabia que Jerusa havia espionado.

ATO 8 – Domingo

Cena 1 – Mª Madalena, Mª mãe de Tiago e Salomé

Madrugada (os primeiros raios solares)
Passam Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé.
Maria mãe de Tiago
Maria Madalena e Salomé, esperem! Mas quem vai remover a pedra?
Salomé
É mesmo.
MARIA MADALENA: (Para Maria mãe de Tiago) Poderíamos ter pedido para Tiago, teu filho, Maria.
Salomé
Vamos voltar e pedir pra ele?
MARIA MADALENA: Não. Agora que estamos aqui, vamos lá assim mesmo.
Salomé
Então ta bom, vamos lá.
Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé saem.
Passa algum tempo e há um outro grande tremor.

Cena 2 – JERUSA:

Jerusa sai.
JERUSA: Outro tremor?! O que está acontecendo com essa terra aqui?

Cena 3 – Jerusa e duas mulheres

Passam duas mulheres.
MULHER 1: Oh, que alegria! Que coisa maravilhosa!
Mulher 2
Um anjo! Nós vimos verdadeiramente um anjo!
MULHER 1: É verdade! É verdade! Um anjo.
Mulher 2
Vamos, temos que correr falar logo aos discípulos sobre o ocorrido.
MULHER 1: Sim, e falar que mandou todos eles irem para a galiléia.
Mulher 2
Então vamos logo!
As duas mulheres saem.
JERUSA: Um anjo apareceu? E mandou os discípulos irem para galiléia? Que curioso, muito curioso!

Cena 4 – Jerusa e Mª Madalena

Passa MARIA MADALENA: MARIA MADALENA: Eu vi Jesus! Está no jardim do sepulcro! Jesus está vivo!
Maria Madalena sai.
JERUSA: Jesus está vivo? Mas ele não havia morrido crucificado? Jesus, vivo? Houve vários testemunhos de que ele realmente estava morto. Até perfuraram seu corpo, senão iriam quebrar suas pernas, pra morrer mais rápido, pra não estragar a festa da Páscoa. Como agora ele está vivo? E o sepulcro, não colocaram o corpo lá dentro? E até colocaram guardas vigiando, foi o que escutei. Eu não estou entendendo mais nada! Ai, eu preciso saber o que está acontecendo.

Cena 5 – Jerusa, Mª Madalena, Pedro e JOÃO:

Passa Maria Madalena, Pedro e João.
JOÃO: Você não sonhou, não, Maria Madalena?
MARIA MADALENA: Eu vi, João. Ele está lá.
PEDRO: Você deve está louca, mulher! Que viu o quê?!
MARIA MADALENA: Jesus está lá, vivo, vocês vão ver também.
Maria Madalena, Pedro e João saem.
JERUSA: Essa eu pago pra ver. E pago muito bem!

Cena 6 – Jerusa e ZEBEDEU:

Entra ZEBEDEU:
ZEBEDEU: Mulher, você pensa que vai aonde a essa hora? Ainda nem amanheceu direito.
JERUSA: Ah? Zebedeu? É que… eu vou…
ZEBEDEU: De jeito nenhum! Onde já se viu, minha mulher ainda de noite na rua.
JERUSA: Mas Zebedeu… eu preciso… ai, ai, ai, ai!
ZEBEDEU: Deixe de história. O que as fofoqueiras de Jerusalém irão dizer da gente?
JERUSA: Fofoqueiras de Jerusalém?
ZEBEDEU: Daqui a pouco, quando amanhecer direito, montaremos a barraca. Agora entra mulher.
Zebedeu entra
JERUSA: Ai, ai, ai. Eu estou louca de vontade pra ir ver também! Eu não estou agüentando! Zebedeu tinha que acordar logo agora? E agora, o que vou fazer? Aposto que ele vai voltar a dormir aqueles cinco minutinhos, deixe-me ver. (Jerusa entra em casa, e logo depois sai) Eu não falei que ele tinha voltado pra dormi. Agora vou lá ver também o que está acontecendo. Antes de amanhecer por completo. Opa!
Cena 7 – Jerusa, Mª Madalena, Pedro e JOÃO: Passa Maria Madalena, Pedro e João.
MARIA MADALENA: Eu não falei? Eu não falei que ele estava lá?
PEDRO: Eu não sei nem o que pensar!
JOÃO: O nosso Senhor vive, Pedro!
PEDRO: Temos que contar para os outros.
MARIA MADALENA: Só porque sou uma mulher, vocês não acreditaram, né?!
Maria Madalena, Pedro e João saem.
JOÃO: Madalena, nós te amamos! (Sorri)
MARIA MADALENA: É eu sei (ironiza e depois saem sorrindo).
JERUSA: Haaaa… na hora que eu ia lá. Mas mesmo assim vou lá ver.
ZEBEDEU: (Gritando) Jerusa, vai entrar ou não?
JERUSA: Hiiii… ai, ai, ai.
Jerusa entra pra dentro de casa batendo os pés.

ATO 9 – Na manhã do mesmo dia

Cena 1 – Zebedeu, Jerusa e AURÉLIA:

ZEBEDEU: Só você mesma, pra ficar acordada a noite toda, observando quem passa pra lá e pra cá…
JERUSA: Foi de manhãzinha!
ZEBEDEU: Hum… sei. Em pleno sabath. E ainda fica impressionada com os comentários desses discípulos loucos. Aurélia, por acaso você também ficou acordada também?
AURÉLIA: Não. Eu nem imaginava que houve tanta agitação essa noite.
Apesar da minha preocupação com a saída de Victórius, eu não aguentei e acabei dormindo que nem uma pedra.
JERUSA: E teu marido, já retornou?
AURÉLIA: Ainda não. Nem uma notícia dele.
JERUSA: Estou louca pra saber o que realmente houve esta manhã. Vocês notaram um outro tremor?
AURÉLIA: Outro tremor? De manhã?
ZEBEDEU: Se tivesse tido um tremor, eu teria acordado apavorado!
AURÉLIA: Ah, eu também!
JERUSA: Mas o pior é que aconteceu mesmo! Eu estava acordada. Ah, vocês vão pra Samaria, ta bom?!
Cena 2 – Zebedeu, Jerusa, Aurélia e o CEGO: Entra o CEGO: CEGO: Vocês já sabem o que aconteceu?
JERUSA: O quê? O quê?
CEGO: O corpo de Jesus sumiu do sepulcro!
Zebedeu e AURÉLIA: Sumiu?
CEGO: Foi sim, sumiu!
JERUSA: (sorri ironicamente) Bem que percebi naquela agitação toda de madrugada. Os discípulos de Jesus passavam pra lá chorando, depois pra cá sorrindo, depois pra lá chorando, depois pra cá sorrindo, eu ein, isso é coisa de gente doida! E que… cá entre nós, não duvido nada que pode ter sido eles,, quem deve ter roubado o corpo de Jesus.
AURÉLIA: Que coisa estranha essa!
JERUSA: Pois é! Eu vi, com esses dois olhos que a terra a de comer!
CEGO: Mas não acredito nisso não. Além deles terem selado a pedra, Eles colocaram também soldados para proteger o túmulo de Jesus.
AURÉLIA: É verdade, Victórius foi um deles. Vieram aqui convocá-lo para essa tarefa, que ele achou absurda!
CEGO: Como eu ia dizendo, os soldados que estavam lá tomando conta, foram dar explicações.
AURÉLIA: Será que eles vão matar esses soldados, pois… geralmente quando cometem uma falha costumam pagar com sua própria vida.
JERUSA: Fique calma, querida! Não vai acontecer nada com o Victórius. Não adianta sofrer por antecedência!
ZEBEDEU: Pra mim, não era nem obrigação da guarda romana ter que cumprir este papel ridículo! Não vai acontecer nada com eles. Se fosse para proteger o império Romano, e falhassem, aí sim! Mas não é o caso. Não tem que se preocupar.
JERUSA: Está vendo só?

Cena 3 – Zebedeu, Jerusa, Aurélia, Cego e o JEOAQUIM:

Entra JEOAQUIM:
JEOAQUIM: Shalom. Vocês souberam da última? O Corpo do falso messias foi roubado do túmulo pelos seus discípulos. E já estão falando por aí que Ele ressuscitou. Pobres coitados, quanta ignorância!

Cena 4 – Zebedeu, Jerusa, Aurélia, Cego, Jeoaquim e o VICTÓRIUS:

Entra VICTÓRIUS:
AURÉLIA: Victórius meu amor! Como você está?
VICTÓRIUS: Estou bem.
JERUSA: O que foi que houve? Sua mulher está preocupadíssima!
ZEBEDEU: Roubaram o corpo do tal Jesus?
CEGO: Que notícias tem pra gente, soldado?
VICTÓRIUS: Ainda estou um pouco transtornado, mas vou lhes falar: Os fariseus e os sacerdotes foram pedir para Pilatos um destacamento, um grupo de soldados para que fosse guardado o túmulo de Jesus, afim de que nenhum discípulo dele roubasse o seu corpo, para que não fosse dito o que o próprio Jesus havia falado. Que morreria e que após três dias seria ressuscitado.
JERUSA: E aí?
VICTÓRIUS: Aí que, fomos escalados em quatro grupos de quatro soldados para fazer o revezamento. Eu comecei no primeiro grupo e até então, nada aconteceu. Fomos rendido pelos próximos, resolvemos ficar então dentro no palácio. Até que nos veio a notícia do que aconteceu.
Todos
E o que foi que aconteceu?
VICTÓRIUS: Os guardas que tomavam conta do local na hora, disseram que houve um tremor de terra…
JERUSA: (Para Zebedeu e Jerusa) Eu não disse? Eu não disse?
VICTÓRIUS: E que… apareceu um Anjo do Senhor que descera do Céu e, chegando, removera a pedra e estava sentado sobre ela. E que o seu aspecto era como um relâmpago e as suas vestes brancas como a neve. E eles, de tanto medo, tremeram e desmaiaram. Quando acordaram, o corpo do messias Jesus, não estava mais lá.
Todos
Anjo?
JERUSA: Bem que os discípulos de Jesus falaram que viu um anjos..
VICTÓRIUS: Mas não termina aí. Os lideres tentaram subornar os guardas com grande soma de dinheiro para falar que: em quanto estavam dormindo a noite, vieram os seus discípulos e o furtaram. Agora pensem um pouco, se os guardas estavam dormindo, como podem afirmar que viram os discípulos roubarem o corpo? Ninguém roubou nada! Ninguém roubou nada!
CEGO: Glórias a Deus!! Jesus realmente ressuscitou como havia dito, no terceiro dia!!
VICTÓRIUS: Jesus está vivo, sim! Aurélia, Jesus realmente é o messias prometido! Ele está vivo, eu creio nisso!!
AURÉLIA: Oh, meu bem. São tantas provas! Eu também creio que ele é verdadeiramente o filho de Deus!
VICTÓRIUS: Oh, meu Deus!!
CEGO: Glórias Jesus!! Glórias!!
AURÉLIA: Vamos entrar em casa meu bem!
VICTÓRIUS: Vamos. (ao cego) Venha também senhor… senhor?
CEGO: Cego!
VICTÓRIUS: Sim. Venha também senhor Cego, ao nosso lar.
CEGO: Vou sim! Vou sim!
Saem: Victórius, Aurélia e o cego.
ZEBEDEU: Eu é que não ia!
JEOAQUIM: Muito menos eu! Romanos… (Fala baixo) Fora Roma!
ZEBEDEU: (Fala baixo) Fora Roma!
JERUSA: Que coisa impressionante!
ZEBEDEU: Eu chamo de… loucura!
JEOAQUIM: Insanidade total!
JERUSA: Estou… estou… pasma!
ZEBEDEU: Estou boquiaberto!
JEOAQUIM: Todos enganados pela mentira!
JERUSA: Ah!… (não sabe o que dizer)
ZEBEDEU: Ainda bem que não perdemos a nossa razão!
JEOAQUIM: A nossa sobriedade!
Cena 5 – Zebedeu, Jerusa, Jeoaquim e o MANOÁ: Passa MANOÁ: MANOÁ: Pessoal, Jesus, o Cristo, acabou de falar comigo. Ele está vivo!! (Sorri) Ele ressuscitou e está vivo!!
Manoá sai.
Fim 1
ATO 10 – Dia de Pentecoste
Cena 1 – Zebedeu e JERUSA:
Local: Jerusalém
Jerusa e ZEBEDEU: ZEBEDEU: Jerusa, só você mesma pra me fazer isso!
JERUSA: Ta parecendo velho, homem. Só resmunga!
ZEBEDEU: Ué, você não vive me dizendo que: “hoje vou faturar. A cidade está cheia de estrangeiro”?
JERUSA: É! Mas hoje senti uma intuição…
ZEBEDEU: Intuição?
JERUSA: É! Algo no coração para vir pra cá. Tá bom?!
ZEBEDEU: Logo no dia da colheita, você me obriga a vir contigo aqui, andar pelas ruas de Jerusalém?
JERUSA: Que belo Judeu que você é, ein?!
ZEBEDEU: Você tinha que vir com a sua amiga, Aurélia, isso sim!
JERUSA: Aurélia? Nem louca! Ela e o Victórius não param de falar mais no tal de Jesus, das maravilhas de Jesus, Jesus isso, Jesus aquilo. Não eu não aguento
ZEBEDEU: E deixar de trabalhar hoje…
JERUSA: A quanto tempo não saio pelas ruas desta cidade. E quer saber? hoje é um dia muito especial. Tão especial que tem vindo pessoas aqui de todas as nações: Partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, do Egito e tantos mais por aqui.
ZEBEDEU: Tanta gente.
JERUSA: Concordei hoje em deixar os meus irmãos tomando conta lá, na barraca.
ZEBEDEU: De fato, foi uma boa aceitação.
JERUSA: Zebedeu, você está ouvindo essas vozes?
ZEBEDEU: Sim! Que tantas vozes são essas e de onde vem?
JERUSA: Que barulheira! Olha, vem dali!
Cena 2 – Zebedeu, Jerusa, Pedro e os outros discípulos
Juntou uma multidão. Entra Pedro e os discípulos.
JERUSA: Olha, são os discípulos do tal Jesus.
ZEBEDEU: E Eles estão… falando, você acredita no que estou vendo?
JERUSA: Eu também estou vendo isso.
ZEBEDEU: Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando?
JERUSA: Sim
ZEBEDEU: E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?
JERUSA: Sei lá, mas é impressionante!!
ZEBEDEU: Eles estão falando das grandezas de Deus!
JERUSA: e o que quer dizer isto!?
Um HOMEM: Eles estão embriagado!!
PEDRO: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras.
Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia.
Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:
E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne;
E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão,
Os vossos jovens terão visões,
E os vossos velhos terão sonhos;
E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão;
E farei aparecer prodígios em cima, no céu;
E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo.
O sol se converterá em trevas,
E a lua em sangue, Antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor;
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Homens israelitas, escutai estas palavras:
A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;
A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;
Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela;
Porque dele disse Davi:
Sempre via diante de mim o Senhor, Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido;
Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou;
E ainda a minha carne há de repousar em esperança;
Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção;
Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; Com a tua face me encherás de júbilo.
Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura.
Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono, Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.
Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.
Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz:
Disse o Senhor ao meu Senhor:
Assenta-te à minha direita, Até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Saiba, pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes. Deus o fez Senhor e Cristo.
ZEBEDEU: Que faremos, homens irmãos?
PEDRO: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
Salvai-vos desta geração perversa.
De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra.
Fim 2
E-mail: mcs.braga@hotmail.com

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