O GARRAFÃO QUE TUDO CONSUME

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O GARRAFÃO QUE TUDO CONSUME

Uma família composta de um menino, sua mãe e seu pai.
A família é pobre, o pai é alcoólatra, as roupas estão rotas, os calçados se desmanchando e o alimento começa a faltar. Só não falta é a bebida…
Depois da vergonha que o filho tem passado, a estupidez que a mãe tem suportado, quando a fome se torna evidente… Neste momento o pai toma vergonha, resolve mudar de vida. As orações da mãe são atendidas.

PRIMEIRO ATO

(Uma sala com uma mesa simples. Uma garrafa e uma lamparina estão sobre a mesa. Bancos ou cadeiras velhas, em mau estado. Uma Jovem mulher, mau vestida e triste, sentada ce com a cabeça escorada sobre a mesa. Depois de alguns momentos levanta o rosto e quase entre soluços fala)
MÃE:   Se eu soubesse tudo que aconteceria quando me casei com este homem, certamente teria  pensado melhor… Mas agora é tarde… Tenho uma pesada cruz para carregar. É… e tem muitas mulheres que sofrem de desilusões como a minha. Somos jovens e vacilamos por não pedir a direção de Deus em um assunto tão importante como o amor!
MÃE:   Pobre meu filho! Hoje ele foi para a escola sem sequer tomar café! Agora eu vou ter que ir na venda pedir alguma coisas fiada. Para que a hora que ele sair da escola encontre algo para comer.
MÃE:  Que ingrato é meu marido! Ele sempre gasta tudo nos bares ... E eu até tive que enganar o meu filho dizendo-lhe que tudo o que ele pede está no fundo daquela maldita garrafa. Meu Deus, tenha misericórdia do meu lar arruinado.

(Deixa cair seu rosto sobre a mesa. Logo entra o filho que está voltando a escola)
MÃE:   Meu filho? Porque voltou tão cedo das escola?

FILHO:   Ah mãe. Como fui pra escola sem tomar o café comecei a me sentir fraco…. E também fiquei com vergonha, meus colegas iam acabar vendo que meus calçados estão detonados.

FILHO:   Mãe! Onde estão os meus sapatos novos que eu ia ganhar? Quero colocar eles agora.

MÃE: Ai meu filho. Estão ali, na garrafa. E não só os teus sapatos estão ali, no fundo da garrafa, mas também as tuas roupas e até o alimento que está faltando na mesa.

FILHO:  Como assim mãe?
(Neste momento se ouve uma voz estúpida)

PAI:   Mulher! O mulher, me traz logo um café. Larga de ser preguiçosa e vai fazer alguma coisa.
(O filho vai saindo)
MÃE:  Não seja ingrato, Alberto. Tu sabe bem que só voltou pra casa de madrugada, bêbado e não deixou dinheiro para fazer as compras.

PAI:   (Chega bêbado e com a roupa toda errada) Vai até a mercearia que eu pago.
MÃE:  Sim. Como não percebe? Se soubesse quanto estamos devendo… Tenho até vergonha de continuar pedindo comida.

PAI:   (Pega a esposa pelo braço e com violência a empurra) Vá agora! Me traga um litro de leite.

MÃE:  (Quase chorando) Aonde vou encontrar leite esta hora? (sai do palco)

(Neste momento entra com uma pedra na mão. Pega a garrafa que estava sobre a mesa, senta no chão e fica examinando ao garrafa)

FILHO:   Será que está tudo dentro desta garrafa como a mãe disse?
(Com a pedra começa a bater na garrafa, até quebrar. E procura entre os cacos…) Como assim? A mãe me enganou! Aqui não tem sapatos, nem nada.
(Começa a chorar)
(Entra o pai)
PAI:   Que é isso? Quem quebrou a garrafa?
FILHO:   (Com medo) Fui eu, pai.
PAI:  E porque quebrou? (Com voz suave)
FILHO:   Eu queria ver se estavam ali dentro os meus sapatos novos, porque os meus estão se desmanchando e a mãe não pode comprar.
PAI:   Como que  pode imaginar que estaria dentro da garrafa um par de sapatos novos?
FILHO:   A mãe me falou… Sempre que eu pedia um par de sapatos novos, ou roupa, ou pão… e muitas outras coisas que precisávamos ela me dizia que estavam no fundo da garrafa. E eu queria pegar estas coisas que estamos precisando e que estavam no fundo da garrafa… Paizinho, mas não tem nada lá no fundo da garrafa.
PAI:  (colocando as mãos na cabeça e entristecido) Deus meu! Que situação a minha.
PAI:   Meu filho querido, não vai voltar a acontecer isto. Diz pra tua mãe que estou saindo, e quando eu voltar serei um novo homem. Que assumirei as responsabilidades que tenho com o nosso lar. Adeus

(Sai com  passos firmes, o filho fica olhando surpreso. A mãe entra com uma jarra na mão)
MÃE:  Cadê o teu pai?
FILHO:   Acabou de sair. Ele disse que só vota quando se tornar um bom homem e que trará dinheiro pra casa.
MÃE:   E não deixou um trocado para comprar leite?
FILHO:  Não mãezinha
MÃE:   Ai filhinho… Que seja feita a vontade de Deus. Venha, vamos comer alguma coisa, mesmo que não  tenhamos café. Porque o nosso Pai Celestial não nos desamparará, e terá misericórdia de nós.
(saem)

 


SEGUNDO ATO


(Aparece a mesma sala, a mãe está sentada e uma grande Bíblia aberta na mesa e ela está lendo e explicando para seu filho Alberto, que escuta atentamente)

FILHO:   Mãe já está tarde e o pai está demorando para voltar
MÃE:   É, meu filho… Mas tenho esperança que o Senhor o trará de volta já transformado.; Tenho pedido por isto em minhas orações.
PAI:   (Entra de repente, bem vestido, carregando um pacote de presente)
Olá minha esposa amada e meu querido filho. (Abraça os dois, emocionado)
MÃE:   Olá Alberto.
FILHO:   Olá papai, onde estavas?
PAI:   Prefiro não responder, só quero dizer que sou um novo homem. Prefiro dizer que de hoje em diante serei um bom pai, um bom esposo. Quero começar demonstrar a mudança com estes presentes que trouxe pra vocês. E também quero prometer que não voltarei a me entregar para aquela garrafa infeliz.
(A mãe e o filho começam a abrir os presentes… Sapatos, vestidos…)
FILHO:   Viu mãe, quantos presentes. Olha mãe! Meus sapatos novos. Que bonitos! Quero voltar pra escola pra bricar com os meninos…
MÃE:   Sim, meu filho. Deus atendeu a minha oração. Glórias ao nome do Senhor. A felicidade está de volta no nosso lar. Mesmo que sejamos pobres não teremos falta de alimento em nossa casa. Não é mesmo Alberto?
PAI: É isso mesmo minha esposa amada. Com ajuda de Deus, nunca mais nosso filho vai procurar no fundo de uma garrafa seus calçados novos.

Peça publicada originalmente em espanhol La Botella Que Todo Lo Consume "Dramatización del cuento de Adolfo Roblero"

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