ANJOS EM MISSÃO (atual) DE NATAL

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Dois anjos

Jesus pede que os os anjos Miguel e Gabriel voltem no tempo atual. A missão era observar as famílias de hoje e levar a mensagem das Boas Novas do nascimento de Jesus.
Os Anjos preocupam-se com a situação das famílias e resolvem tomar uma atitude para movê-las em direção aos caminhos do Senhor.

CENA 1

JESUS:   Olá anjo Miguel. Olá anjo Gabriel.
GABRIEL e MIGUEL:    Olá Jesus!
JESUS:   Estou aqui hoje com vocês para mais uma missão especial.
GABRIEL:   Pode contar conosco!
MIGUEL:    Como sempre contou!
JESUS:   Pois é. E podem ficar tranquilo, que é algo bem simples. Gostaria que vocês visitassem umas famílias dessa geração e as observassem, levando a elas também uma mensagem de boas novas. Sobre o meu nascimento.
MIGUEL:    Mas essa missão não foi dada ao anjo Gabriel há dois mil anos atrás, Jesus.
GABRIEL:   E eu cumpri legal a missão, não foi?
JESUS:   Eu sei, meus anjos ministros. Eu sei. Só que dessa vez é sobre o meu nascimento no coração das pessoas. Ando notando que algumas famílias estão vivendo uma vida bem triste, e eu acabo ficando triste também por causa disso. E já que a vida está triste, como não poderia ser diferente, o Natal delas também será triste. Algumas delas até mesmo disfarçam a tristeza comemorando o Natal cheio de presentes, mas apenas fingem estar um dia do ano feliz, mas em todos os outros dias do ano estão tristes.
MIGUEL:    Tudo bem, Jesus. Vamos cumprir mais uma missão.
GABRIEL:   Afinal, estamos aqui para isso.
JESUS:   Pois bem. Vocês vão visitar alguns lares para ver como as crianças estão sendo tratadas. Também vão dar alguns conselhos aos pais. Alguns não darão atenção, mas outros darão. Somente quero que vocês cumpram essa missão. Deixa que o resto, o Espírito Santo fará.
GABRIEL e MIGUEL:    É pra já, Jesus Cristo!
(Os anjos saem de cena.)
JESUS:   Ainda é possível resgatar os verdadeiros valores do Natal!
(Jesus sai de cena.)


CENA 2

(Entra em cena um pai com uma maleta junto com o filho.)
PAI 1:   Pronto filho. Já te trouxe do colégio, mas já tenho que sair. Vou para o meu outro emprego. Nos dias de hoje, temos que trabalhar muito. Ainda mais nessa época do Natal. Ou você não quer receber os seus presentes maravilhosos?
FILHO 1:   Mas pai. Você se esqueceu que hoje nós iríamos juntos ao mercado para comprarmos os alimentos gostosos para montarmos a nossa ceia. Também iríamos no orfanato para darmos os meus brinquedos velhos.
PAI 1:   Ih, rapaz. Me esqueci disso tudo. Faz o seguinte. Fala para sua mãe fazer isso.
FILHO 2:   Mas ela também está trabalhando, pai. Lembra que vocês sempre revezam os afazeres. Ela me leva pra escola, você me busca. Dessa vez não foi diferente. Ela separou os brinquedos e você leva para o orfanato. Ela faz a comida e monta a ceia e você compra os ingredientes.
PAI 1:   É verdade. Faz o seguinte. Amanhã a gente vai.
FILHO 1:   Amanhã, pai? Você não arrumou aquele extra para trabalhar amanhã para (resmunga) “termos um Natal cheio de presentes maravilhosos”.
PAI 1:   Ih... Esqueci disso também. Bom filho. Deixar de trabalhar eu não posso. Dá aqui um beijo no pai.
(Ambos se despedem. Após esse momento de despedida, o anjo entra em cena, se interpondo entre o pai e a porta de saída.)
GABRIEL:   Eis que trago boas novas!
PAI 1:   Ih, seu anjo. Agora não tenho tempo.
(O Pai se desvencilha do anjo e vai trabalhar.)
GABRIEL:   Ele é sempre assim.
FILHO 1:   É sim. Mas até que eu entendo ele. Ele pensa muito na família.
GABRIEL:   Ah, mas cuidado com a família não é só provisão. Fica tranquilo que nós, anjos de Deus, fomos enviados por Ele para que Ele mesmo mude esse quadro.
(O filho 1 dá um sorriso.)


CENA 3

(O filho 2 entra em casa e quer chamar a atenção da Mãe, que não lhe dá atenção pois está entretida com o aplicativo de celular chamado whatsapp.)
(O anjo Miguel entra em cena. Ele avista a mãe, mas a criança intercepta-o, pois quer lhe falar algo.)
FILHO 2:   Oi! Tudo bem?! Qual é o seu nome?!
MIGUEL:    Meu nome é Miguel, mas me dá licença que eu preciso falar algo para sua mãe.
FILHO 2:   Não! Espera! Eu também preciso falar algo com alguém. Eu gostaria que fosse a minha mãe, mas já que ela só dá atenção para aquele telefone celular dela, qualquer pessoa serve.
MIGUEL:    Meu querido. Eu não sou uma pessoa. Eu sou um anjo.
FILHO 2:   Você é um anjo?!!! Que legal!!! Então você pode mandar um recado para o papai do céu!
MIGUEL:    Um recado?
FILHO 2:   Bom, na verdade é uma oração. Você é anjo de Deus, não é
MIGUEL:    Sim, de Deus. Eu não sou um anjo caído.
FILHO 2:   Ah, que bom. Então é para você mesmo que eu tenho que entregar (a criança pega um pedaço de papel do bolso, enquanto a mãe continua concentrada no celular). Veja se o texto está bom, pois se é para Deus, quero que tenha o mínimo de erros possíveis.
MIGUEL:    Não se preocupe muito erros.
FILHO 2:   Bom, vou ler:
“Meu querido Deus do céu/
A minha vida não é doce como o mel/
Para a minha mãezinha me olhar /
Queria morar no celular /
Só assim teria atenção /
Daquela que mora no meu coração”!
MIGUEL:    Puxa. Que versinho figurado e forma de pedido sincero!
FILHO 2:   O quê, seu Miguel?
MIGUEL:    Não, nada. Bom, amigo, não precisa enviar carta para ele nem usar alguém como intermediário, pois Deus não é ser que atende pedidos por cartas nem precisa de alguma outra pessoa ou ser para entregar pedidos para Ele. Deus já te ouviu! E de um jeito diferente, ele vai atender o teu pedido. Ao invés de Ele te transformar num celular, Ele vai fazer com que novamente a sua mãe seja inteiramente humana.
FILHO 2:   Mas ela não é inteiramente humana?
MIGUEL:    Infelizmente, hoje é ela que é como se fosse ela mesma um celular, ou uma máquina, pois devido a esse vício, os humanos estão se tornando uma extensão da tecnologia.
FILHO 2:   Como assim.
MIGUEL:    Digamos que ela é como se fosse uma mulher robô. Corpo de mulher, mas com alma muito mais ligada às máquinas do que às pessoas. Mas pode deixar que Deus, através de mim, vai dar um conselho bem legal para sua mãe.
FILHO 2:   É melhor então que ele mande esse conselho através de mensagem de whatsapp, porque senão é capaz de ela não dar atenção.
MIGUEL:    Fica tranquilo, meu amigo. Deus não faz uso só desses recursos para fazer a obra dele.
(Miguel e o filho 2 saem de cena. Entra em cena outra mãe com seu filho e Gabriel.)


CENA 4

MÃE 2:   Olha meu filho. Já comprei o seu presente antecipado do Natal.
FILHO 3:   Que legal mãe!
MÃE 2:   Toma. É um “tablet”, igualzinho que você me pediu.
(Gabriel à parte.)
GABRIEL:   Que bom! Essa família aí parece que é feliz. Mas será que é mesmo?
FILHO 3:   Obrigado, mãe. Depois eu vou brincar.
MÃE 2:   Depois não! Brinca logo agora para ficar entretido, quero dizer, para você se divertir logo, filhão!
FILHO 3:   Tá bom então.
(O filho começa a brincar, mas depois pára.)
FILHO 3:   Mãe, enjoei desse “tablet”. Queria que você me ensinasse algo para o dever da escola.
MÃE 2:   Ah, então vai lá pro seu computador que está no seu quarto e procura no “Google”.
FILHO 3:   Beleza mãe!!!
(Toda a cena é observada por Gabriel com suspeita.)
FILHO 3:   Que legal, mãe. Achei a resposta no “Google”!
MÃE 2:   Isso aí, filho. Agora, enquanto a mamãe tá ocupada aqui, fica vendo o seu desenho favorito de duas horas de duração, que instrui as crianças sobre a importância de se comer brócolis, rúcula e chicória que eu vou terminar de fazer aquilo que eu tenho prioridade pra fazer!
FILHO 3:   Tá bom, mãezona!!! Essa mãe é muito boa mesmo, né?! Comprou para mim um monte de educadores portáteis para facilitar a sua função de mãe!!! Isso é que é mãe inteligente!!!
GABRIEL:   (ao público) Isso não está certo. Será que o Miguel também está encontrando famílias que parecem que são felizes, mas que no fundo não são?
(Todos os três saem de cena. Miguel, de modo semelhante ao de Gabriel na cena anterior, entra em cena acompanhado por um pai e uma filha.)


CENA 5

PAI 2:   Que legal você passar o Natal com o Papai, filha.
FILHA:   É, mas o que eu queria mesmo era passar o Natal com a vovó e com o vovô, pois eles fazem tudo que eu peço!
PAI 2:   Ah, mas o Papai vai fazer tudo que você quer também.
FILHA:   Só quero ver!
PAI 2:   Para começar, te digo que já comprei aquela boneca daquele filme que você tanto gosta.
FILHA:   É! Mas para o presente ficar completo mesmo, tem comprar a boneca da irmã dela, do boneco de neve amigo dela e dos outros amigos dela que ao todo são sete!!!
PAI 2:   Mas sete, filha. Papai não tem dinheiro!
FILHA:   Ah, então eu vou passar o Natal na casa da vovó e do...
PAI 2:   (interrompendo) Está bem, está bem. O papai compra então. Sabe que o papai vai fazer no Natal. Aquele chester gostoso no Natal!
FILHA:   Chester de novo não, pai! Quero faisão! Quero faisão!
PAI 2:   Ai, tá bom, filha!
FILHA:   Outra coisa: no dia 25, quero ir cedo para a casa das minhas amigas levar meus presentes para brincar com elas no “play”.
PAI 2:   Ah, filhinha. Fica com o papai no dia 25. Depois você brinca.
FILHA:   Nada disso. Você não me manda! (em tom de ameaça) Quer que eu te mostre no Estatuto da Criança que isso que você está fazendo comigo traumatiza a criança?! Quer?!
PAI 2:   Claro que não, filha. Tudo bem. Pode ir!
FILHA:   Ah bom! E me dá mais dinheiro para comprar um vestido bonito pro Natal!
PAI 2:   Toma filhinha! Toma!
MIGUEL:    Isso não é certo!
(Gabriel entra em cena, assustado.)
GABRIEL:   Miguel, vem comigo.
MIGUEL:    O que foi, Gabriel? Pra quê essa pressa toda? Tenho que falar com essa família!
GABRIEL:   Vem logo, Miguel, e não discute. Para salvar o Natal de uma família que eu estou visitando agora precisa ser dois anjos, ou até mesmo uma legião! Vem logo.
MIGUEL:    Calma! Já estou indo!
(Os anjos e as crianças saem de cena. Um casal brigando, com um filho tentando apartar a briga agora é a cena do momento.)


CENA 6

PAI 3:   (de fora) Vem cá! Não foge não! Você vai ver uma coisa! Você não vai estragar o meu Natal.
FILHO 3:   (já em cena) Não, pai! Não bata na minha mãe por favor.
MÃE 3:   É você que quer estragar o meu Natal, assim como estragou a minha vida me tratando assim desse jeito sempre (entrando em cena com o marido, que a segura pelo braço).
PAI 3:   Cala a boca! Cala a boca!
FILHO 3:   Não fala assim com a mamãe, papai!
PAI 3:   Cala a boca você também. Já não basta eu ter que sustentar essa casa ainda tenho que aturar vocês me aporrinhando! Não vamos para casa da sua mãe nesse Natal e acabou! Quero passar meu Natal em paz nesse ano!
MÃE 3:   É você que deixa o nosso Natal sem paz!
PAI 3:   Fala direito comigo! Eu fique desse jeito porque você me provoca!
MÃE 3:   Você que só sabe ficar falando mal de mim, da minha mãe, da minha família...
PAI 3:   É que vocês enchem a minha paciência o tempo todo! Você queria o quê?!
FILHO 3:   (ajoelhado por um breve momento) Ai, Deus, se puder, envia um anjo aqui. Na verdade,  dois, por que a coisa está feita.
(Gabriel e Miguel entram em cena.)
GABRIEL:   Olha o socorro do Céu chegando aí.
MIGUEL:    Atendendo um pedido de um lábio puro de criança!
PAI 3:   Quem são vocês?
GABRIEL e MIGUEL:    Somos anjos do Senhor!
PAI 3:   Ah saiam da minha frente, porque ainda que venha um anjo do céu, que seja anátema!!!!
MÃE 3:   Está vendo, seu anjo! É ele o errado, pois ele sempre vem com essa mania de aplicar versículos bíblicos fora de hora para agir como você bem quer?
PAI 3:   Mas está escrito, sua maluca, para mulher ser submissa ao seu marido. Não sabe ler não!
MÃE 3:   Mas também está escrito para o marido amar a esposa como Cristo ama a igreja!
PAI 3:   Não me fale em igreja agora, porque parece que você não aprendeu nada com ela!
MÃE 3:   Nem você!!!
(O casal continua discutindo)
GABRIEL:   É, Miguel. Parece que nessa casa nós temos que ser urgentes na solução! Não dá para deixar para depois.
MIGUEL:    Mas o que que a gente faz?
GABRIEL:   Que tal se nós pregássemos o evangelho para eles.
MIGUEL:    Ô Gabriel! Parece que você não lê a Bíblia! Anjo não prega o evangelho!
GABRIEL:   O que, Miguel?
MIGUEL:    É, só você lê lá em I Pedro 1: 12 que diz que anjo não pregarão o evangelho.
GABRIEL:   Ah, deixa eu ler aqui. Miguel lê direito. Está escrito que os anjos não anelam perscrutar o evangelho, ou em outras versões, que os anjos bem desejam atentar. Em nenhum lugar está escrito que anjo não prega o evangelho. Só que, se for diferente do evangelho de Cristo, que seja anátema, ou seja, maldição. Além disso, lembra quando eu levei as boas novas para os pastores sobre o nascimento de Jesus, para Maria e para Zacarias, pois trazer notícias boas novas é falar do evangelho, pois Evangelho significa boas novas!
MIGUEL:    Então vamos fazer isso, porque nesse caso é urgente!
GABRIEL:   Na verdade, vamos começar por essa família urgentemente, mas sem esquecer das outras que a gente visitou. E que tal que se fizermos isso com criatividade?
MIGUEL:    Criatividade como assim, Gabriel? Não inventa não. Jesus só pediu que falássemos para as famílias que Jesus Cristo nasceu nos corações das pessoas para que elas entendem o real valor do Natal e se amem de verdade.
GABRIEL:   Então, Miguel. Você é anjo de batalha e não entende bem essa coisa de criatividade. Eu já sou mensageiro há mais tempo. Presta atenção. Agente podia trazer um convite de uma igreja que prega a Palavra de Deus de modo fiel para todas essas famílias que a gente visitou, acampando ao redor delas e conduzindo as mesmas até a igreja. Ao ouvirem essa mensagem, com certeza se arrependeriam, uma vez que a Palavra não volta vazia, e entenderiam o verdadeiro sentido do Natal.
MIGUEL:    Que ideia legal? Mas será que Jesus vai achar ruim?
GABRIEL:   Vai achar ruim não, Miguel. Pode confiar.
MIGUEL:    Então vamos fazer isso!
(Com uma música ao fundo, Gabriel e Miguel visitam todas as famílias, conversando com elas afetuosamente, tendo receptibilidade. Após essa visita, os anjos vão ao encontro de Jesus.)


CENA 7

JESUS:   E aí, meus anjos?
MIGUEL:    Tudo ok, Jesus.
GABRIEL:   Sendo o Senhor o verbo, decidimos convidar as pessoas para um culto da Igreja.
MIGUEL:    Mas uma igreja que de fato prega a Palavra de Deus de modo fiel.
GABRIEL:   Sendo assim, deixarão seus comportamentos egoístas, violentos e mesquinhos e entenderão o verdadeiro sentido do Natal!
JESUS:   Excelente ideia, meus ministros!
GABRIEL:   Não falei que ele ia gostar, Miguel!
MIGUEL:    É mesmo!


CENA FINAL
Os três ficam observando de um céu fictício.
Pastor está na Igreja (cênica), na qual estão todas as famílias da peça nessa igreja. Depois da mensagem, todos se ajoelham e cantam alguma música evangélica que denote vontade de arrependimento. Durante o canto, Jesus e os anjos abraçam as famílias.  O Pastor então faz uma breve aplicação sobre a mensagem e a peça à Igreja de fato.

fim

Por Marcos Alexandre Dornelles e Gabriela Dornelles (minha irmã começando no ramo (rsrs))

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