O SONHO DA BARATA

O Sonho da Barata - Teatro CristãoO sonho da Barata, conta a história fantasiosa de uma Baratinha ambiciosa.

Ela despreza seus pretendentes, quer ser rica, quer festas, rejeita os humildes...

Vive iludida(ilusão construída por ela mesma), até o momento que cai numa armadilha(o pretendente a ilude).

“A casa caiu” a Baratinha volta a realidade, mas com algumas lições...

Qualquer semelhança(com histórias humanas) não é mera coincidência.


Personagens: Baratinha, Tia Baratelle, Grilo, Jabuti, Gato, Mico, Camundongo

Figurantes: Besouro, Joaninha, Abelha, Borboleta

Cenário: Casa da Baratinha.


Ato 1


Abertura: Música

BARATINHA: (entra trazendo uma vassoura e um espanador de pó.)

( Vai até a janela e abre a cortina. Relutante começa a arrumação da casa.)

( Espana os móveis e depois varre o chão. Enquanto trabalha, resmunga.)

BARATINHA: Que lindo dia está lá fora!

E eu aqui enfiada dentro de casa, me matando de tanto trabalhar.

Bem que eu gostaria de ter dinheiro, muito dinheiro.

Eu ainda hei de arranjar um bom casamento.

Um marido educado, galante e muito rico!

Mas como vou achar um marido, se nem saio de casa?

(A porta se abre e o Grilo entre devagarinho)

BARATINHA: Ademais, quem quererá casar-se com uma pobretona feito eu?

GRILO: Eu!

BARATINHA: Você por aqui outra vez, seu Grilo sem graça!

GRILO: Oi Baratinha!

BARATINHA: O que você quer agora?

Diga logo a que veio e cai fora daqui, estou muitíssimo ocupada, não vê?

GRILO: Tem circo novo na cidade. Você quer ir comigo a matinê?

BARATINHA: (com ar de deboche) Eu? Num circo?

Com um pé rapado feito você? Ora essa!

GRILO: Não fale assim comigo, Baratinha, estou trabalhando duro e juntando dinheiro para a gente se casar.

Meu cofrinho já esta estufadinho.

BARATINHA: Não me diga!

ELE: (cantando)

Meu cofrinho bem cheiinho

Muito em breve vai estar

E contigo baratinha

Eu então vou me casar

ELA: (cantando)

Tire isso da cabeça

O seu Grilo pobretão

Nem em sonho se atreva

A ganhar meu coração

ELE: (cantando) Eu Te quero Baratinha

ELA: (cantando) Você não me interessa

ELE: (cantando) Muito em breve serás minha

ELA: (cantando) Caia fora bem depressa!

BARATINHA: Cai fora! Depressa!

(Grilo sai choroso e Baratinha se dá conta da grosseria que fez.)

BARATINHA: Se você não fosse pobre Grilo eu me casava com você.

TIA BARATELLE: (fora de cena) Baratinha, você já terminou com a arrumação da casa?

BARATINHA: Estou terminando titia!

(Baratinha senta-se com ar sonhador e nem ouve a fala da tia.)

TIA BARATELLE: (ainda fora de cena) Pois termine logo com isso e venha me ajudar a lavar a roupa.

TIA BARATELLE: (Entrando) Baratinha!

(Baratinha assusta-se com a entrada inesperada da tia e num salto fica de pé.)

BARATINHA: Ai que susto titia, o que é?

TIA BARATELLE: Sonhando outra vez, Baratinha!

BARATINHA: Que sonhando o que titia. Só estava pensando na vida.

TIA BARATELLE: Claro! Estava pensando em riquezas e mordomias não é minha sobrinha querida?

BARATINHA: Detesto ser pobre.

Um dia eu ainda hei de ser muito rica, a senhora vai ver só titia.

TIA BARATELLE: Está bem Baratinha, mas enquanto isso não acontece vamos ao trabalho, sim?

Preciso da sua ajuda para lavar a roupa, senão será impossível eu terminar as costuras das freguesas.

Ande menina, de volta ao trabalho.

BARATINHA: Sim titia.

(A tia vai saindo e volta-se para dizer:)

TIA BARATELLE: E pare de sonhar, Baratinha!

(Ela sai, Baratinha retoma o que estava fazendo e canta:)

BARATINHA:

Na loja da Joaninha

Eu vou sempre espiar

Os bordados de miçangas

No vestido de tafetá

O sapato de fivela

E o laço de cetim

Nunca vi coisa mais bela

Foram feitos para mim

Tem perfume importado

Joias raras também tem

Vou comprar no crediário

E pagar com meus vinténs

(Depois senta-se)

BARATINHA: Eu quero ter muitos vestidos com renda e bordado fitas e laços coloridos e muito dinheiro guardado.

(Baratinha debruça na mesa, fecha os olhos e dorme. Pouco depois ouve-se a voz da tia.)

TIA BARATELLE: Baratinha, pare de sonhar, acorde e venha me ajudar.

(Num salto Baratinha se levanta.)

BARATINHA: Estou indo titia.

(Baratinha apanha todo o lixo e ao chegar perto da lixeiro, vê um saco de moedas caído.)

BARATINHA: O que será isso? (Pegando-o) Está pesado. (Abrindo-o)

Dinheiro! Estou rica, rica pro resto da minha vida.

(Correndo e chamando pela tia)

Titia! Titia venha ver o que eu encontrei. Estamos ricas, ricas, ricas!

TIA BARATELLE: (entrando) Pra quê tanta gritaria Baratinha, o que está acontecendo aqui?

BARATINHA: Veja titia o que eu encontrei, dinheiro, muito dinheiro. Estamos ricas. Adeus pobreza.

Com esse dinheiro vamos comprar muitos vestidos, ir a muitas festas e viver na mordomia.

A alegria de Baratinha é tanta que ela dança e rodopia pela casa.

TIA BARATELLE: Onde você encontrou todo esse dinheiro, Baratinha?

BARATINHA: Ali perto da lixeira.

TIA BARATELLE: Eu nunca vi tanto dinheiro assim na minha vida.

O que vamos fazer agora?

BARATINHA: Vou me casar.

Com todo esse dinheiro não vai faltar pretendente.

Vai titia contar pra vizinhança que eu fiquei rica e que quero me casar.

TIA BARATELLE: (sai falando) Minha sobrinha está rica e quer se casar, quem quer casar com a Baratinha?


Ato 2


(Em cena tia Baratelle canta assim)

TIA BARATELLE:

Baratinha agora é rica

Quem com ela quer casar?

Chegue perto da janela

Vem com ela namorar.

Baratinha é carinhosa,

E quem com ela se casar

Terá doce todo dia

No almoço e no jantar.

No cabelo tem um laço

Combinando com o vestido

Ela espera o abraço

De quem vai ser seu marido.

(A tia sai de cena e Baratinha entra usando um belo vestido combinando com o sapato e o laço de fita no cabelo.)

(Tempo)

( Batem à porta. Ela vai atender. É o tímido Jabuti.)

JABUTI: Posso entrar, Baratinha?

BARATINHA: (Meiga) Certamente, faça o favor.

JABUTI: Eu soube que você quer casar e…

BARATINHA: Sente-se Jabuti e fique à vontade.

(Ele toma assento. Baratinha sempre amável e gentil, oferece-lhe uns docinhos de uma cestinha que está sobre a mesa.)

BARATINHA: Aceita uns docinhos, Jabuti? Receita da titia. São deliciosos.

JABUTI: Aceito sim, sou maluco por doces.

(Ele pega alguns docinhos e desajeitadamente põe-se a comê-los. Baratinha desapontada, o observa.)

BARATINHA: Coma devagar, senão você se engasga.

(Ele se desconcerta.)

BARATINHA: Diga-me, o quê você faz na vida?

JABUTI: Eu sou pintor.

BARATINHA: (Animada) Pintor? Que maravilha! Trabalha com cores?

JABUTI: Todas.

BARATINHA: Eu amo as cores. As cores me fascinam.

JABUTI: É mesmo? De qual das cores você mais gosta?

BARATINHA: Amarelo. E você?

JABUTI: Eu? Gosto de todas.

BARATINHA: Claro! Gostaria de conhecer seus quadros. Devem ser lindos. Você faz muitas exposições?

JABUTI: (Sem entender) Eu só pinto.

BARATINHA: Mostrar o seu trabalho é muito importante. Você pode ficar muito rico e… famoso.

JABUTI: Posso?

BARATINHA: Evidente!

JABUTI: Não vejo como.

BARATINHA: Ora Jabuti, fazendo exposições para vender seus quadros.

JABUTI: Que quadros?

BARATINHA: Os seus.

JABUTI: Mas… Mas… Eu não tenho quadros.

BARATINHA: Como não? Você não é pintor?

JABUTI: De paredes.

(Baratinha outra vez se sente desapontada. Ela se levanta e se despede de Jabuti.)

BARATINHA: A conversa está muito boa, mas eu tenho que ir dormir agora, viu Jabuti, tchauzinho.

JABUTI: (Sem entender) Até logo, Baratinha. (Sai de cena).

BARATINHA: Pintor de paredes não me serve. Tem de ser alguém especial, inteligente, educado e gentil.

(Cantando)

BARATINHA:

Um rapaz educado, feliz e sorridente

Mulato, ruivo ou branco um rapaz decente

Que seja elegante, gentil e bem legal

Moreno, loiro ou pardo alguém especial

BARATINHA: (Intrigada) Porque será que ele tinha a cara do Grilo?

(Batem à porta. Baratinha se agita.)

BARATINHA: Deve ser outro pretendente. Espero ter mais sorte desta vez

(Ela vai atender. É o Gato.)

GATO: Boa noite, senhorita!

BARATINHA: Boa noite. (Ela responde ternamente)

GATO: Posso entrar?

BARATINHA: Mas Claro! Que distraída eu sou.

GATO: (Sempre educado) Obrigado.

BARATINHA: Aceita uns docinhos Gato? Receita da titia, são deliciosos.

GATO: Docinhos? Apenas um, senhorita.

Educadamente ele pega um doce e saboreia. Baratinha sorri-lhe.

GATO: Está ótimo.

BARATINHA: Mais um?

GATO: Estou satisfeito, senhorita, obrigado.

BARATINHA: Gato, diga-me. o quê você faz na vida?

(Ele canta)

GATO:

Cada dia da minha vida

Tem pitada de emoção

Porque tudo é tão belo

E mexe com meu coração

Tem as flores e os frutos

Tem os rios e os mares

Me encantam as gaivotas

Revoando pelos ares

Tem a lua prateada

Sol e estrela a brilhar

Tem a brisa e o orvalho

E o poeta a versejar

BARATINHA: Desculpa-me interrompê-lo, mas tudo o quanto desejo saber é o que você faz na vida.

GATO: Oh! Eu é que devo pedir desculpas, senhorita.

BARATINHA: Está desculpado.

GATO: Eu sou um poeta, Baratinha.

BARATINHA: Ah! Interessante.

GATO: A senhorita gosta de poesia?

BARATINHA: Para ser sincera, eu gosto mesmo é de movimento, festas cores e muito brilho.

GATO: Entendo perfeitamente.

Eu gosto de brandura, silencio e penumbra, isso me ajuda a versejar.

BARATINHA: Já é tarde, não acha, Gato?

Eu tenho que ir dormir. (Levando-o até a porta) até outro dia.

GATO: Até… Durma bem senhorita.

(Ele sai. Baratinha se irrita. Cantando)

BARATINHA:

Lá vem o gato patati-com-patatá

Lá vem o gato poesia recitar

O gato poeta é uma piada

Não gosta de festa nem de goiabada

Na maionese o dia inteiro

Ele viaja sem ter dinheiro

Que papo furado, um conquistador

De moço educado porém sonhador

Este não serve pra uma donzela

O que ele merece é ir pra panela

Este não serve pra uma donzela

O que ele merece é ir pra panela

BARATINHA: (desanimada) Não quero viver debruçada em livros, nem falar de poesia, que monotonia!

Quero frequentar festas, dançar e ser feliz.

Um poeta não me serve para marido. (reflete )

Esse também tinha a cara do Grilo.

(Outra vez batem à porta. Ela atende. É o Mico.)

MICO: Boa noite, Baratinha. Muito prazer.

(Ele aperta a mão dela com força e ela grita)

BARATINHA: Ai!

(Sem dar muita importância, ele entra e caminha pela sala observando tudo e se mostrando) inquieto.

BARATINHA: Com essa força toda eu concluo que você é um levantador de peso.

MICO: Não, não. (rindo) Faço coisa mais interessante.

BARATINHA: Lutador de box?

MICO: Também não. Sou contra a violência.

BARATINHA: Não parece.

MICO: Gosto de movimento, cores e muito brilho.

BARATINHA: (Para a plateia) Faltou dizer festas, mas já é alguma coisa. (volta-se para ele) Aceita uns docinhos? Foi a titia que fez, são deliciosos.

MICO: Sim parecem deliciosos, mas obrigado. Eu raramente como doces.

BARATINHA: Não quer se sentar, então?

MICO: Claro! Eu raramente me sento, mas a ocasião é propícia.

BARATINHA:Mas me conta do seu trabalho, estou interessadíssima.

(Mico Cantando)

MICO:

Meu nome é palhaço

Eu faço as crianças sorrir

Sou forte como aço

E quero a tudo colorir

Mas tem gente que parece até

Que não é gente quer só explorar

O couro da gente quer sacrificar

Toda gente porque não sente

O tique-taque do coração que bate

Do coração que bate

Eu canto a verdade

Condeno toda falsidade

Grito as vezes alto

Pra falar da liberdade

mas tem bruxa, tem bruxo, tem monstro

tem pobreza e até muito pranto

tem cobras, lagartos, baratas e ratos

mas tem também

amor que impede

gente de desistir

mas tem também

amor que impede

a gente de desistir

BARATINHA: Um palhaço.

MICO: Um artista circense.

BARATINHA: Um dia aqui outro ali, sem rumo certo.

MICO: Sim, sempre viajando, conhecendo lugares e pessoas diferentes e aprendendo coisas novas.

Não é maravilhoso?

BARATINHA: Pra quem gosta de viver como cigano é sem dúvida um prato cheio.

MICO: Olha eu trouxe aqui duas entradas para a matinê de amanhã.

Meu coração vai saltar de alegria ao vê-la na plateia

BARATINHA: Ah, sim. Que gentil. Mas está ficando tarde não acha?

MICO: Eu já estava mesmo de saída, durmo cedo e acordo cedo.

Faz bem à saúde de um artista. (saindo)Até amanhã, Baratinha.

BARATINHA: Até nunca mais, artista! (pausa)

Mico com cara de Grilo! (Pausa)Titiaaaaa!

TIA BARATELLE: (entrando) Eu ainda não estou surda, Baratinha.

BARATINHA: (chorando) Oh, titia estou tão triste!

Eu pensei que sendo rica, bem rica, muito rica eu podia encontrar o marido ideal num piscar de olhos, mas não é tão simples assim.

TIA BARATELLE: Não chore, minha querida e não se preocupe tanto.

Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Porque forçar os acontecimentos?

Porque dar tanto valor ao dinheiro?

Dinheiro se acaba com o tempo, se não é a ferrugem que destrói é o ladrão que leva.

Melhor cultivar a bondade em seu coração, melhor amar aquilo que você tem e dar graças a Deus por que Ele sabe o que é melhor para cada um de nós.

Ele sim é a nossa riqueza maior porque é eterna.

(Batem à porta. Silencio. Batem outra vez.)

TIA BARATELLE: Essa casa está movimentada hoje!

(Batem mais uma vez.)

TIA: Você não vai atender?

BARATINHA: Não. Já estou cheia desses pretendentes!

TIA BARATELLE: Bom então eu vou porque senão vão derrubar a casa.

(Baratinha sai. Hesitante a tia vai atender. )

(Camundongo entra com um ar misterioso, observando cada móvel, cada canto como quem procura um objeto. A tia espera sem entender. Camundongo então vê o pacote de dinheiro e se volta para Baratelle.)

CAMUNDONGO: Boa noite Sra. Baratelle.

TIA BARATELLE: Boa noite. Em que posso ajudá-lo cavalheiro?

(Baratinha, surge à um canto mas não é vista pelos dois.)

CAMUNDONGO: Perdi um saco de dinheiro. Não quero fazer acusações infundadas, mas corre um boato na cidade de que sua sobrinha enriqueceu de um momento para o outro.

Isso me força a crer que ela encontrou o meu dinheiro.

Claro que eu estou disposto a recompensá-la pelo achado.

BARATINHA: Não estou interessada em recompensa.

CAMUNDONGO: Então você confessa que encontrou o meu dinheiro?

BARATINHA: Eu encontrei sim um saco de dinheiro.

Você pode provar que o dinheiro é seu?

CAMUNDONGO: Eu estou dizendo que o dinheiro é meu.

BARATINHA: Se o senhor não pode provar, o dinheiro continua comigo.

CAMUNDONGO: Sra. Baratelle faça alguma coisa, use de sua autoridade.

Eu não posso ficar no prejuízo.

BARATINHA: Titia fique fora desse assunto.

CAMUNDONGO: Já que eu não posso provar que o dinheiro é meu, eu tenho uma proposta.

BARATINHA: Uma proposta. Pois bem, continue.

CAMUNDONGO: Case-se comigo, assim o dinheiro será nosso.

(Baratinha fica em silencio pensando. Depois olha para a tia.)

TIA BARATELLE: Eu prefiro continuar fora desse assunto.

BARATINHA: A ideia me agrada.

O senhor é educado, elegante, bem relacionado e com todo esse dinheiro minha vida será perfeita. Eu aceito a sua proposta.

CAMUNDONGO: Sábia decisão, minha querida. Vamos marcar a data e casar o mais rápido possível

BARATINHA: Sim, o mais rápido possível

CAMUNDONGO: Agora vá dormir e descansa bastante porque amanhã teremos muito o que fazer.

Boa noite, minha linda noiva!

BARATINHA: Boa noite meu galante noivo!

CAMUNDONGO: Sra. Baratelle.

TIA BARATELLE: Cavalheiro.

(Ele sai. Baratelle olha firme nos olhos da sobrinha.

BARATINHA: Eu só quero ser feliz titia.

TIA BARATELLE: Boa noite, Baratinha!

(Baratinha fica sozinha)

BARATINHA: Eu só queria entender uma coisa: Porque todos eles tem a cara do Grilo?

(Música. Convite falado:)

BESOURO:

Na Igreja Monte Sião

Vai acontecer

Dia 11 de outubro às sete

Ao anoitecer

A cerimônia de união

Da Baratinha Chiclete

E o Camundongo Tostão

A sua amável presença

Será muito apreciada

Pode trazer os amigos

E também a criançada

Porque depois do casório

Vai haver festa animada

E será servido à todos

Docinhos e limonada


Ato 3


(Música para a entrada dos figurantes.)

(Besouro entre e é recebido por Baratelle. Logo atrás vem a Joaninha, a Abelha e a Borboleta. Em seguida entre Camundongo e Baratinha. Ao terminar a música Besouro inicia a casamento)

BESOURO:

Muita atenção pessoal

É chegado o grande momento

Vamos receber o casal

E dar início ao casamento

Duas amigas da Baratinha

Vieram testemunhar

Dona Abelha e a Joaninha

E a festa animar

Dona Baratelle aqui presente

ao lado da sobrinha amada

só quer ver a menina contente

em sua vida de casada

A Borboleta verde e rosa

Com esse jeitinho de criança

Pura, bela e formosa

É a nossa porta aliança

Por fim eu, Besouro, o Juiz

Vou mesmo seguindo em frente

Vejo que a senhorita está feliz

E o cavalheiro muito contente

Por isso nem vou perguntar

Se alguém é contra essa união

Porque é bom nem falar

Melhor é fechar o bocão

Baratinha eis aqui o seu marido

Camundongo receba sua companheira

Já pode chamá-lo de querido

E o senhor cuida dela a vida inteira

Camundongo, Baratinha

Já estão casados

Acabaram as minhas rimas

Podem por as alianças

E vamos comer porque eu já estou torto de tanta fome.

Música festiva. Joaninha, Abelha e Borboleta dançam e distribuem na plateia cupons que dão direito à um saquinho de doces e um copo de limonada no final da apresentação. Baratinha e Camundongo dançam juntos no palco. Besouro e Baratelle se juntam para conversar enquanto ele come uns docinhos. Ao fim de um tempo todos saem. Camundongo e Baratinha ficam sozinhos em cena.

BARATINHA: Foi uma festa linda!

CAMUNDONGO: É verdade, (tentando disfarçar a impaciência). Apresse-se Baratinha, vá se trocar porque senão vamos perder o nosso voo, estamos em cima da hora.

BARATINHA:Sim, volto num instante.

Camundongo fica sozinho em cena. Olha em volta à procura do saco de dinheiro. Sorri satisfeito, pega o saco e sai tranquilamente.

Baratinha retorna à sala, olha em volta, procura por Camundongo, depois pelo dinheiro. Ao se dar conta de que foi tapeada ela se enfraquece e deixa-se cair na cadeira, assumindo a mesma posição de antes, ao dormir.

Baratelle entra em cena e vai até Baratinha.

TIA BARATELLE: Baratinha, pare de sonhar, acorde e venha me ajudar.

BARATINHA: Titia!(ela sorri e abraça a tia) Eu te amo tanto. Obrigado por cuidar de mim. (olhando em volta e apalpando tudo, como se tivesse se ausentado dali por muito tempo) É tão bom estar de volta aqui. Aqui é o meu lugar de onde eu nunca deveria ter saído

TIA: Do que você está falando, Baratinha, você sempre esteve aqui.

BARATINHA: Não titia, na verdade eu nunca estive aqui.

Eu estava onde meus pensamentos me levavam.

Eu era guiada pela ambição desmedida, pelas falsas riquezas, pela ganancia, pelo orgulho e por toda sorte de ilusão.

Mas por causa do teu imenso amor eu estou de volta.

Me perdoa titia, me perdoa por ter demorado tanto a compreender que nada, absolutamente nada é mais importante que o amor.

TIA BARATELLE: Oh, minha querida, eu te amo tanto!

BARATINHA:Vamos titia terminar de lavar a roupa.

(Elas vão saindo, quando o Grilo entra meio acanhado.)

GRILO: Baratinha.

BARATINHA: Grilo! Que bom vê-lo aqui, eu estava roxa de saudades.

GRILO: Você não está brava comigo?

BARATINHA: Não. Me perdoa por ter sido tão mal educada com você. Eu nunca mais vou te maltratar. Você ainda quer me levar na matinê?

GRILO: Você quer ir?

BARATELLE: É melhor eu ir cuidar da roupa.

(Tia Baratelle sorri e sai de cena. Os dois se abraçam.)

BARATINHA: (Para a plateia) Agora eu entendo porque os outros tinham a cara do Grilo.

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