Textos de teatrais para desenvolver o teatro na igreja, peças de teatro evangélico.

O maior conteúdo gratuito para o teatro nas igrejas.


A CASA DO POVO

Adaptação do texto “A parábola da porta” de Carlos Mesters
Esta é a parábola da porta, descreve a história da explicação da bíblia ao povo. A maneira pelo qual os símplices aceitam ouvir a Palavra de Deus, sem questionamento, sem complicações, esvaziam-se de si e se enchem da Palavra de Deus. É uma advertência aqueles que cultuam demais a Bíblia e se esquecem de vivê-la.

 
ATO 1
NARRADOR- No povoado havia uma casa. Era chamada Casa do Povo. Muito antiga bem construída. Tinha uma porta bonita e larga, que dava para a rua por onde o povo passava.Porta estranha Seu limiar parecia eliminar a separação que havia entre a casa e a rua. Quem por ela entrava parecia continuar na rua. Quem passava na rua parecia ser envolvido e acolhido pela casa. Nunca ninguém se deu conta desse fato, pois era uma coisa tão natural, como é natural haver luz e calor, quando o sol brilha no céu.A casa fazia parte da vida do povo, graças àquela porta que unia a casa à rua e a rua à casa. Era a praça da alegria, onde a vida se desenrolava, onde tudo se discutia, onde o povo se encontrava. A porta ficava aberta, dia e noite. Seu limiar era gasto pelo uso no tempo. Muita gente, todo mundo por aí passava. Certo dia chegaram dois cientistas:
[Camponeses ambientam a casa e presenciam a chegada dos cientistas]
Cientista 1- Bem acho que deve ser esta casa, realmente é tão bela o quanto falam os boatos.Cientista 2- E mesmo antiga como é, continua bela.Cientista 1- Estou impressionado!!Cientista 2- Nem fala!! Precisamos ficar para estudá-la melhor.Cientista 1- Exato, vamos pesquisar, estudar, comparar, analisar.Cientista 2- Mas antes que você use todos os verbos no infinito, precisamos pedir pra ficar.Cientista 2- Ei Moço! Vamos precisar estudar essa casa, viu?
Cientista 1- É! Vamos ficar aqui mais um tempo...
[Começam a armar cadeiras, mesa e papeladas para os estudos. Muitos livros em cima da mesa, usando lupas eles olham pelos cantos da casa]
Cientista 1- Achei!Cientista 2- O que?Cientista 1– Uma porta lateral, agora podemos estudar a casa sem sermos incomodados pelo barulho do povo da porta da frente.narrador- Ficavam lá dentro longe do povo, longe da porta do povo, num canto escuro, compenetrados na investigação da história da casa e seu passado.O povo entrando na sua casa, via os dois com grandes livros e máquinas complicadas. Chegando perto deles, a gente humilde ficava calada. Silenciava, para não perturba-los. Tinha por eles uma grande admiração:
[Cientistas na mesa estudando e analisando a casa]
Camponês 1– Eles estudam a beleza e a história de nossa casa! São doutores!Cientista 2– Achei!!Cientista 1– O que!?
Cientista 2– Uma pintura que nos revela sobre o passado dessa casa!Cientista 1– Olha só! Que interessante.Cientista 2– vamos chamar o povo da casa para contar as novidades!Cientista 1– Ótimo!!
Ato 2
[camponeses e cientistas reunidos como numa sala de aula]
Cientista 2– Descobrimos que no passado e alguns no dia de hoje tem falado muito mau desta casa e de seu passado.Cientista 1– Isso, mas nós viemos defendê-la deles.Camponês 2– E quem são eles!Cientista 2– São os Dilenianos! Moram até em outro continente, e falam mal desta casa por todo mundo, por isso nossos estudos andam pelo mundo defendendo a casa do povo!Camponês 3– Gente malvada!! Guardem bem e guardem este maldito nome! Dilenianos!, Vamos defender a casa !Camponês 4– Isso! Senhores doutores podem contar conosco pra qualquer ajuda.
ATO 3
NARRADOROs dias iam passando. O povo, quando entrava na casa, já ficava calado. Uma casa tão rica e nobre, tão discutida e falada no mundo inteiro, merecia respeito. Era diferente da vida barata da rua ao lado.
[Cientistas na mesa estudando e analisando a casa]
Camponês 4- Vamos dançar e cantar!
[Os cientistas se assustam!]
Camponês 3– Calmaaa!!! Tenha respeitooo!!Camponês 1– É verdade a casa deve ser respeitada, e lugar de estudo!!NARRADORE Algumas pessoas daquele povoado já nem mais entravam pela porta barulhenta da frente. Preferiam o silêncio da porta lateral dos estudiosos. Evitavam o barulho do povo. Entravam na casa. Já não para encontrarem-se, para falarem uns com os outros, mas para poder conhecer melhor a beleza da sua casa, a Casa do Povo. Recebiam explicações dos doutores sobre a casa que tanto conheciam e pareciam não conhecer mais. Assim, pouco a pouco, a Casa do Povo deixou de ser do povo. O povo inteiro preferiu a porta dos doutores. Lá recebia um livrinho que explicava as coisas antigas e raras, descobertas na casa.Camponês 3– E é muito antiga sabia?Camponês 4– Então ta né... Vamos estudar então.Camponês 1– Em silêncio... shiu!Camponês 3– Olha, e a gente pensava que sabia sobre a nossa casa.Camponês 4– Quanta ignorância!Camponês 4– É verdade, se a gente soubesse tinha estudado maisCamponês 1– Toma pega esse explicativo! Vamos repetir juntos!Camponeses– Esta casa é de um período clássico com nuances pré modernistas e características centro meridionais....Camponeses– Hã!?
[Fazem silêncio e continuam olhando os explicativos.. em seguida saem]
NARRADOR- Uma tempestade então fechou a porta da frente, mas ninguém notou, deixando apenas uma pequena fresta estreita, agora a iluminação era a base de velas.Até a rua se modificou se tornou uma rua deserta e pouco lembravam aquela rua onde o povo se encontrava e se alegrava.Apenas a porta do lado acolhia o povo, entrava impressionado com tanta descoberta e conhecimento novo.
[Chegam doutores vindo de longe. Carregando mochilas cheias como de muitas roupas]
Doutor 1– Que casa bonita!Doutor 2– Realmente impressionante!Doutor 3- Aparenta ser exatamente daquele Período da história o qual eu dizia, valeu a longa viagem.Doutor 4– Você está enganado meu caro! É de mais ou menos 2 séculos depois.Doutor 1– Vocês precisam estudar mais, não podemos chegar a nenhuma conclusão sobre nada sem usamos o líquido revelador nas nossas pesquisas.Doutor 2– Silêncio! escutem!![Todos começam a discutir sobre o assunto mais ninguém se entende. Camponeses passam pelo local bem cabisbaixos. Param olham durante um tempo a discussão.]
Camponês 2– Que foi!?Camponês 1– Nada, porque?Camponês 2– Sei lá, coisa estranha.Camponês 2- Tudo meio sem graça.
[Camponeses continuam andando. Saem de cena Os Cientistas continuam estudando. Doutores pegam um explicativo da casa e saem de cena]
Cientista 1– Deveríamos criar uma escola para as crianças.
Cientista 2– Porque?Cientista 1– Seriam nossos sucessores na defesa da Casa.Cientista 2- Você já notou? O povo anda meio sumidoCientista 2– porque o povo não comparece na sua própria casa?Cientista 2– Porque é que não vem mais aqui para conhecer as coisas que nós dois descobrimos?Cientista 2– por que é que não vêm mais aqui?Cientista 2– Cantar, dançarCientista 2- Brincar, falar
Cientista 1– Ei você! Como andam os seus estudos? Você anda muito distraído hein!Cientista 1– Andei olhando as suas anotações e vi que você só tem feito as coisas superficiais. Para de dar atenção a esse povo que passa na rua rapaz! Você já estava na liderança da pesquisa.[saem de cena]
 
ATO 4
Narrador- Durante a noite no descanso dos cientistas.
[Entra mendigo em cena.]
Mendigo 1– Mas que frio! Tenho que arrumar um lugar pra ficar essa noite!! Uma fresta, vou me acolher aqui nesse buraco, pois acho que vai chover!
[mendigo entra no buraco e descobre uma casa maravilhosa.]
Mendigo 1– Que maravilha! Uma casa dessa escondida desse jeito!Mendigo 1Vou chamar toda a tchurma!
[Mendigo sai de cena. Poucos segundos depois entra em cena com mais 3 mendigos]Mendigo 1- Aê, pessoal, eu não lhes falei? Encontrei uma casa pra todos nós, uma casa linda, aconchegante, vocês tem que ver da até vontade de dançar e cantar de tão bonita.
[Mendigos forçam a entrada e novamente abrem a porta da casa, foi restabelecido o acesso.]Mendigo 2- Olha como é bonita!Mendigo 3- Lindaaaa!Mendigo 4- E com a luz que vem da rua fica ainda mais!!Mendigo 3- As cores saltam!Mendigo 1- Vamos festejar!!Mendigo 2- Vamos cantar!!NARRADORA descoberta correu de boca em boca da gente humilde. Nada contavam aos outros. Era o segredo deles. “Aquela casa é nossa”, assim eles diziam. Mas a descoberta não podia ficar escondida. Era uma ingenuidade do povo simples que pouco reflete e não tem malícia.
[faxineiros entram em cena com os mendigos em cena ao fundo.]
Faxineiro 1- Está ouvindo isso?Faxineiro 2– Sim, são risadas, tem um pessoal contente aí!Faxineiro 1– e não me parece gente interessada na história da nossa casa.
Faxineiro 2– Vamos contar aos doutores sobre isso.
[faxineiros saem de cena]
 
Ato 5
Faxineiro 1– Doutores esta noite a casa foi invadida por pessoas que não estavam interessadas na história da casa.Faxineiro 2– Estavam rindo e festejando.Cientista 1– Como é possível tanta ignorância vão estragar e profanar a nossa casa! E o nosso esforço? O estudo de tantos anos? Onde ficou?Cientista 2– A casa não é sua! Quem você esta achando que é!Cientista 1– Não ouse me enfrentar seu cientista displicente de meia tigela!Cientista 2– Pra mim chega!Cientista 1– pra mim também! (se retira de cena)Cientista 2– “Sabe o que vou fazer? Vou me esconder e ver o que esse povo faz....”
ato 6
[Durante a noite enquanto o cientista está escondido, entram os mendigos e festejam cantam, festejam, se alegram! E o cientista quando vê não se contem, sai de seu esconderijo e entra na festa.]
Cientista 2– Vejam só, depois de tanto estudar no lugar errado eu percebo, esta casa foi feita para o povo, para felicidade do povo, para que o povo se encontrasse. O erro estava em desviarmos a entrada pela porta do lado, esta tirou a rua da casa e a casa da rua, fez a casa ficar mais sombria estranha ao povo, fez a rua tornar-se deserta e triste um beco sem saída. Agora sim, sempre entrarei pela porta da frente junto com o povo, esse povo não me ignora, é bem acolhedor.Cientista 2– Olha nunca percebemos que nos nossos estudos realmente se falava dessa alegria que o povo tanto encontra nesta casa, uma alegria que agora até posso sentir, Não percebe?[cientista um entra em cena carregando livros e papeis apressadamente]Cientista 1– Já to vendo tudo, você estudou demais, vai descansar depois você volta.Cientista 2– Estou muito feliz nesta casa agora não quero voltar àqueles estudos tão distantes desta realidade.Cientista 1– Então... tchau. [larga tudo e sai de cena raivosamente]Cientista 2– “Diante da vida do povo sofrido, a gente não fala, só sabe calar; esquece as ideias do povo sabido e fica humilde. Então começamos a pensar...”[sai de cena]NARRADOR- Para o futuro, se espera: que apareça de novo a porta da frente; que se tire o mato que lá cresceu; que abram os impedimentos; que se devolva ao povo a alegria que perdeu; que se devolva ao povo aquilo que era seu.Para o futuro, se espera: que mude de novo o aspecto da rua; que a entrada bonita lhe restitua a beleza; que a luz da rua penetre, de novo, a casa do povo; que assim apareça a verdadeira beleza e desapareça a cor artificial.Para o futuro se espera que seja fechada a porta do lado; que ela seja fechada, não porque não presta, mas para que todos, tanto os estudiosos como os visitantes, junto com o povo sabido e o povo sofrido, possam todos saborear a verdadeira alegria que a casa comunica quando é a casa de todos.Para o futuro, se espera: que a entrada seja novamente na frente; que os estudiosos entrem lá, no meio do povo, misturados com ele; que, assim, o conhecimento das riquezas da casa já não afaste o povo da casa; que os alunos formados na escola dos doutores não se esqueçam de que pertencem ao povo; que devolvam ao povo a vida e a alegria que do povo receberam.Para o futuro, se espera: que sejam feitos estudos sempre mais aprofundados da beleza e da riqueza da casa do povo, mas que sejam feitos à luz que vem da rua e da alegria do povo; que, assim, os estudos contribuam para aumentar ainda mais a alegria. Alegria que nasce da vida de hoje que o povo vive, da vida de ontem que os doutores estudam, da vida de amanhã que todos esperam.O único problema que fica, é aquele estudioso que ficou bravo e que considera a casa como sua. Ms o povo resolveu ir falar com ele e dizer-lhe “Sem nós, a casa nunca teria surgido! Sem nós, você nunca teria nascido!”FimFonte antigo site  Arena de Cristo 

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