UMA VIDA

"Uma Vida" Escrito sobre uma paisagem de por do sol

Tema: Consciência do Amor. Qual nível de amor Deus tem por mim e como devo amar meu próximo.
Sinopse: Em um reino distante, o rei cria uma lei para liberdade dos escravos. Porém uma pessoa perde sua liberdade por causa de cinco minutos. O novo rei se compadece dessa escrava, mas para libertá-la deverá ser pago um alto preço. Uma vida pela outra.

Personagens:
Narradora:    
Mãe da Escrava:     
Rei –
Príncipe:    
Nura (escrava):    
Coré (fidalgo):    
4 Figurantes:    

Cena extra:
Narradora:    
Mulher do Fluxo de sangue:    
Cego:    
Infiel:    
Vício:    
Medo:    
Filho do obreiro:    

CENA 1
Música do “Livres para Adorar”:    Por Causa do Teu Amor
Dança com expressão de gratidão.
(termina a música, ela sai de cena)

CENA 2

(Ascendem as luzes, Narradora de costas para o público, vai se virando de vagar e se “assusta” com a plateia)
NARRADORA:    Que embaraçoso... Eu não sabia que iam ascender as luzes agora... Mas aproveitando que vocês estão aí e eu estou aqui, gostaria de fazer uma perguntinha, todos participem.
Quem aqui está apaixonado?
Vocês conhecem o carteiro Amadeu?
Não?
Nem eu! (risos)
Sério agora.
Vocês conhecem o carteiro Florisvaldo?
Perceberam o acessório? (mostra a flor na cabeça) Quem sabe ele me nota!
Bem, vou pergunta de novo: Quem aqui está apaixonado?
Não sejam tímidos, vamos, levantem as mãos!
Poucos... E quem aqui ama alguém?
Pode ser qualquer um!
Alguém da família, parente, amigo, o seu cachorrinho, o videogame!
Quem aqui ama alguém ou alguma coisa?
Todos!
Bem, então o que vou falar vai servir pra todo mundo!
A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor. Porque quem ama cumpriu a Lei. E não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás. E se há algum outro mandamento, em todo este se resume: amarás ao Senhor teu Deus de todo coração, de toda tua alma e de todo teu entendimento e semelhante a este, amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo, amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Você pode repetir isso comigo?
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Dê a mão para quem está ao seu lado. Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Feche seus olhos.
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Quero agora, como você está, pense na pessoa que te magoou, que te persegue, que fala mal de você.
Pense agora na sua família, no seu pai, no seu irmão, nos seus parentes, lembre do seu chefe, seu colega, seu professor, seu vizinho, lembre daquela pessoa do passado que de alguma forma te fez algum mal.
Agora fale: amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Podem abrir os olhos.
Deus nos deu um padrão, um padrão de amor, amar como nos amamos e ainda melhor, amar nosso próximo como Cristo amou a igreja, como Cristo nos amou, da forma que estamos, no pecado, distantes...
Ele no amou e deu sua vida por nós.
Esse é o padrão, nada mais, nada menos.
E aceitando um convite especial de um amigo, estamos aqui para falar desse amor.
Para conscientizá-los desse amor...
Consciência do amor...
Posso descrever esse amor pra vocês.
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúme; não se ufana, não se ensoberbece.
Não se conduz inconvenientemente, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade; Tudo sofre…
Dê um abraço na pessoa que está a sua direita, tudo crê, agora na pessoa do outro lado, tudo espera, agora da um abraço em você mesmo, tudo suporta.
O amor jamais acaba;
O amor jamais acaba;
O amor jamais acaba.
Essa é a descrição, a base, a consciência que devemos ter do Amor.
Quantos aqui têm a consciência que Deus é paciente com você.
Que Deus é bondoso com você.
Que Ele se alegra com você e que sofreu por você?
Essa é a base, nada mais, nada menos...
Eu poderia dizer isso a vocês e ir embora...
Mas vamos transformar a palavra em história, em pessoas, em vocês, para que se vejam aqui na frente, para que se coloquem no lugar do personagem...
Então pensem num reino, diferente dos reinos que conhecemos, com leis diferentes das que conhecemos, um povo diferente do nosso.
E esse reino possui um povo cativo em escravidão.
Escravos que nascem sem escolhas, sem perspectivas, sem planos, sem sonhos.
Escravos que vivem para cumprir ordens e não para pensar.
Escravos.
E nessa época, nasce o filho do rei.
Quando o rei pega seu filho em seus braços, se lembra dos escravos e se lembra das crianças que nascem sem esperança.
Por isso ele determina uma nova lei: no dia que seu filho fizer um ano, todos os bebês que nascerem nesse dia e a partir desse dia até o final dos tempos serão livres até ser totalmente abolida a escravidão nesse reino.
Essa lei não se aplicará aos seus pais, e parentes que nasceram antes dessa data, mas a criança terá uma chance, uma oportunidade de vida.
Todos se alegraram com a bondade do rei e assim se passou um ano.
Mas no dia anterior ao aniversário de um ano do príncipe, às onze e cinquenta e cinco da noite se houve dois choros.
Dois choros que ecoaram por todo reino. (choro de bebê e choro de mulher).
O primeiro choro é de uma linda menina que acaba de vir ao mundo, e o segundo choro é de sua mãe...
A pequena menina ficou a cinco minutos da liberdade.

CENA 3

(apagam as luzes - choro da mulher e música triste)
(entram figurantes e narradora fazem uma dança/encenação, no final entra a mulher com a bebê nos braços)
MÃE:    Senhor, meu rei, tenha piedade da sua serva e conceda a liberdade para esta criança, eu suplico, meu rei, suplico a sua bondade!
TODOS EM CENA:    O rei, apesar de seu coração bondoso, não poderia mudar novamente a lei.
NARRADORA:    Pois o preço para a liberdade dessa escrava seria muito alto e ele não poderia pagar...
TODOS EM CENA:    Uma vida pela outra
(Rei faz que não com a cabeça e se retira cabisbaixo, mãe se ajoelha no chão e chora)
NARRADORA:    E assim a pequena escrava cresceu, conhecida por todo o reino, foi trabalhar no castelo.

CENA 4

(figurantes como estátuas)
(entra Nura, vestida com roupas de trapos, balde e pano nas mãos)
NURA:    Escravidão!
Você sabe o que é isso?
É não ter escolhas, é viver o que querem que você viva.
É não ter identidade, não ter vontade própria, pensar e não poder dizer.
Querer e não poder realizar.
É seguir o padrão imposto pela sociedade.
Não pode mudar, não pode falar, não pode pensar, não pode, não pode, não pode.
Você acha estranho?
Acha distante?
Sabia que existem pessoas perto de você que se dizem livres, mas estão mergulhadas na escravidão?
Tem nome de quem vive, mas está morto.
Se gaba de poder fazer o que quiser, mas na verdade faz exatamente o que querem que ele faça, o que a sociedade impôs como “normal”, escravidão intelectual, escravidão na alma.
FIGURANTES:    Escravidão na alma! Escravidão na alma! Escravidão na alma!
NURA:    Escravidão! Existe esperança para eles? Para mim?
(entra Coré)
CORÉ:    Escrava!
Pare de lamentar sua sorte e vá limpar a sala do rei.
Já! Já, sua imprestável! (Nura sai de cena)
Escravos!
Para mim todos deveriam continuar como estavam!
Porque o rei foi se preocupar com esse povo?
Já estavam acostumados com isso!
Nasceram acomodados com essa realidade, para quê mudá-la?
Só para nos dar dor de cabeça...
Escravidão é algo necessário para uma sociedade, faz as coisas andarem no eixo, eles ficam exatamente onde queremos que eles fiquem.
Liberdade é privilégio para quem nasceu em uma família livre!
Deveria continuar assim!
(sai de cena)
FIGURANTES:    Uma sociedade acomodada se levanta!
Para que mudar?
Uma igreja diz que ama.
Rá! (de riso) Fecha os olhos para o viciado, pecador, incrédulo, traidor.
Para que mudar?

CENA 5

(figurantes vão para o fundo do palco:    um ao lado do outro, de costas para a plateia)
(entra o príncipe de um lado e está examinando uns pergaminhos, entra Nura do outro lado da sala).
FELIPE (príncipe):    Olá!
NURA:    (faz reverência e fica em silencio limpando o chão)
FELIPE:    Você é Nura, não é mesmo? A criança que nasceu um dia antes da Lei de Liberdade...
(ela continua limpando)
FELIPE:    Nura, pode falar comigo! Não sou como os outros fidalgos desse castelo…
Você mora nas dependências do rei?
Seus pais moram aqui também?
Você tem irmãos?
Pode falar... Nura, pode falar...
NURA:    Perdão senhor, não sei falar como convém...
FELIPE:    Deixe disso, me fale de sua família!
NURA:    Majestade, minha mãe e meu pai trabalham nas fazendas de algodão, próximos ao rio de Neblon.
Tenho um irmão mais novo, ele é livre, nunca mais os vi desde que vim para cá, senhor.
FELIPE:    Por que?
NURA:    Porque escravos do rei não podem sair do castelo, o senhor sabe...
FELIPE:    Entendo... Mas me conta Nura, como você... (e vão conversando sem emitir som enquanto Narradora fala, parece que a conversa vai melhorando e dão risadas e Nura está mais a vontade).
NARRADORA:    Então nasce a mais improvável amizade de todos os tempos.
Um príncipe e uma escrava.
Nura aprende a confiar no príncipe Felipe e eles conversam todos os dias.
Mas não podem ser vistos em público conversando, pois é impróprio para um príncipe e proibido para os escravos.
Mas eles sempre conseguem se encontrar.
(Figurantes se viram de frente para a plateia:    fazem: xiiiuuu! - E saem de cena)
NARRADORA:    Nasce um amor entre ambos!
Mas não esse amor que estão pensando!
Não amor Eros, romântico, mas sim o amor filéo, de amigos, de irmãos.
(Nura e Felipe saem de cena)
O tempo passa e o rei descobre estar com uma grave doença.
Todos fazem de tudo, mas o que todos temiam acontece e o reinado desse bondoso rei termina.

CENA 6

(música de luto)
(entram o príncipe, Coré e figurantes carregando um caixão, colocam o caixão no meio do palco e ficam dos lados em silêncio).
FIGURANTES:    Aqui jaz Rei Vladimir III, seu reinado será para sempre lembrado.
Rei bondoso, humilde e fiel ao seu povo.
CORÉ:    (para Felipe) Majestade, devo lhe dizer que devemos preparar sua cerimônia de posse do trono.
FELIPE:    Coré, não vou discutir minha posse ao trono no velório de meu pai.
CORÉ:    Mas o senhor precisa se preocupar com o povo.
Há mais responsabilidades nessa vida, meu senhor, do que manter amizades com uma escrava...
(figurantes fazem - hammm - som de susto e colocam a mão sobre a boca)
(Felipe se assusta)
FELIPE:    O senhor sabe?
CORÉ:    Sei, majestade, eu sei de tudo e já tomei as devidas precauções.
FELIPE:    Precauções?
CORÉ:    Sim! Mandaremos a escrava para trabalhar no reino de Zemuel.
FELIPE:    Mas esse reino é conhecido por sua perversidade e crueldade aos escravos que possui!
Como pôde Coré?
CORÉ:    Senhor, faço o que é melhor para vossa alteza e nosso povo.
O senhor assumirá o trono do seu pai amanhã e esquecerá essa escrava Nura... O que seu pai faria?
FELIPE:    Sim... O que meu pai faria?
(Todos saem de cena, levam o caixão, Felipe fica sozinho)

CENA EXTRA

(Entra Flávia)
NARRADORA:   Pois é, em uma época de desonra, vergonha, incompreensão, falta de amor... Desafeto... As viúvas eram deixadas de lado, os órfãs desprotegidos, os adúlteros... Condenados!
Assim éramos...
FILHO OBREIRO:    Assim somos!
A humanidade cresceu assim, sem papas na língua, cada um com sua régua mede as atitudes dos outros sem pensar nas consequências de suas próprias atitudes.
Somos duas caras, falamos de um jeito e agimos de outro!
NARRADORA:    Bom, mas não estou aqui para falar dos julgamentos alheios, deixarei que cada uma reflita sobre seus próprios vereditos.
A Bíblia nos conta a história de uma mulher, não registra seu nome, mas ela ficou marcada na história!
Quem quer marcar sua história?
Essa mulher viveu em uma época onde seu ciclo menstrual era considerado imundície.
Ela não poderia sair de casa e, se saísse, as pessoas não a tocavam.
Se ela sentasse em algum lugar para descansar ninguém mais sentava ali, se ela tocasse em algo, ninguém mais tocava.
E em uma sociedade assim, de desonra, vergonha, incompreensão, falta de amor... Desafeto... Viveu a mulher que conhecemos como “a mulher do fluxo de sangue”.
(Entra MULHER (mulher do fluxo de sangue), encurvada, como se sentisse dores)
(Entram Medo, Vício, Infiel e Cego)
MEDO:    Ih! Olha quem chegou...
INFIEL:    A paz do Senhor, irmã!
VÍCIO:    Não fale com ela... assim ela vai embora!
INFIEL:    Mas temos que fazer uma média... afinal, estamos na casa de Deus!
MEDO:    Mas o que ela está fazendo aqui?
Deveria estar escondida em seu quarto...
OS QUATRO:    Afinal, Deus pesou a mão sobre ela!
MULHER:    Deus pesou a mão sobre mim, é o que dizem.
Gastei todo meu dinheiro em médicos, remédios para que se diminuíssem minhas dores. Gostaria apenas de uma explicação...
Perdi minha dignidade, perdi meus amores, perdi minha honra.
Deus!
Me ajude!
OS QUATRO:    Xiu!
NARRADORA:    Olhem, o profeta está recebendo uma revelação!
CEGO:    Oh Deus!
Deus de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó!
Deus que anda na fornalha de fogo e abriu o mar!
Deus que com sua uniformemente graça nos abundou nesse dia!
MEDO:    Fala Senhor!
CEGO:    Oh Deus, Deus do twitter, facebook e whatsapp, nos mande um torpedo espiritual agora! Oh kamehamerá! Nos revele seus conhecimentos, google dos googles e revele sua palavra railander sobre sua serva! Amém!
(som de mensagem)
MEDO:    Foi o meu!
INFIEL:    Não! O meu!
VÍCIO:    Perai, deixa eu ver....
CEGO:    Silêncio! Vós não sabeis que na casa do pai não deve usar de mensagens vans?! Uia, foi o meu... (digitando) Ok!
NARRADORA:    Profeta, o que te foi revelado sobre essa mulher!
CEGO:    Pecadora! Vós não tendes fé?!
MULHER:    Sim, eu...
CEGO:    Cale-te! Quando Deus fala, vós tem apenas que ouvir!
MULHER:    Sim, mas...
CEGO:    Cale-te! Deus me revelou através do twitter gospel, que tu, filho do obreiro mais fiel e dizimista desse lugar, (aponta para Filho do Obreiro) tem a resposta!
FILHO OBREIRO:    É mesmo? Bom... Você tem que ir na igreja todos os cultos, dar sua oferta, saber a letra das músicas e... Ah, acho que é isso!
VÍCIO:    Aleluia!
MULHER:    Mas sou fiel, tenho permanecido na casa do Senhor, dou o meu melhor e não tenho mais nada a ofertar.
Minhas suplicas parecem que batem no teto e voltam para mim.
Não tenho mais vontade de viver.
Me ajudem!
TODOS:    Cale-te! Estamos muito ocupados agora!
(se viram de costas para ela e cada um pega seu celular)
MEDO:    Sua imunda!
Você só traz vergonha para si mesma!
Você acha que Deus está se importando com você?
Você está colhendo as migalhas da sua vida! (muda a expressão e se dirige para a plateia) Eu estou colhendo as migalhas da minha vida!
De uma vida dominada pelo medo.
O medo do amanhã, o medo das coisas não darem certo!
A falta de fé, a falta de segurança em Deus!
Não consigo confiar plenamente, sempre duvido em minhas orações, mesmo declarando que eu creio...
Medo, medo...
Medo de meu marido me deixar, medo de meus filhos se perderem, medo de meus filhos não conseguirem voltar.
Medo de perder o emprego, medo de não conseguir viver tudo aquilo que Deus tem pra mim...
Fé é para os fortes, e eu não sou... (se volta para Mulher)
O que falta para você é fé! Você não tem fé que Deus pode te curar, por isso você está assim!
VÍCIO:    Ih, essa daí nem deveria mais viver.
Ela é o exemplo de tudo de errado e se faz de vítima!
Ah, tenha dó, ela nunca ficará livre!... (muda a expressão e se dirige para a plateia)
Eu nunca serei livre, estou acorrentada em um quarto escuro e sem ar que se chama vício.
Sou viciada em meus prazeres, viciada em coisas que não me fazem bem.
Que aparentemente dão prazer, mas estão corroendo meus órgãos, sugando minha mente e me transformando em pó.
Pó, é isso que eu sou.
Dependente de lixo.
Lixo intelectual, lixo tóxico, lixo visual, lixo, lixo.
Liberdade é para os fortes, e eu não sou... (se volta para Mulher)
Você é um lixo mesmo!  
Nunca saberá o que é vida, nunca saberá o que é alegria...
Você nunca será livre!
INFIEL:    Nem digo muito sobre fé, essa coisa que mais parece um trapo não é fiel a Deus, e Ele está retirando tudo o que ela tem!... (muda a expressão e se dirige para a plateia)
Eu estou perdendo tudo o que eu tenho.
A confiança, o respeito, os sonhos.
Sou adúltero.
Desonrei a aliança com minha esposa, com minha família.
Agora não tenho paz, não consigo deitar em minha cama e dormir tranquilo.
Fui infiel aos princípios de Deus, fui infiel comigo mesmo.
Agora não confio em mais ninguém, não confio em nada.
Para mim todos têm segundas intenções...
Estou doente, com uma doença dura e cruel em minha alma.
Não sou fiel, fidelidade é para os fortes, e eu não sou... (se volta para Mulher)
Se coloque em seu lugar, mulher e cultive a pouca vida que ainda tem.
CEGO:    Paz... Todos buscam, poucos encontram...
Sabe, tenho dó dessa mulher.
Ela não consegue enxergar sua situação, ela não vê o que está acontecendo.
Ela precisa de luz... (muda a expressão e se dirige para a plateia)
Eu preciso de luz.
Sou forte em meus conhecimentos, moralista e cheio de razões, mas na verdade sou cego guiando outros cegos.
Gosto de ver o cisco nos olhos dos outros, sempre tenho uma lição para ensinar aos caídos, mas não consigo ver a trave que está em meu próprio olho!
Não sou feliz, porque sei que a cada manhã não contemplarei o nascer do sol.
Não consigo ver as maravilhas de Deus em minha vida e na vida das pessoas, porque estou cego pra isso e ocupado demais com coisas importantes, como falar da vida dos outros, isso sim eu vejo.
Não tenho a luz de Cristo em meus olhos.
Ser farol é para os fortes, e eu não sou... (se volta para Mulher)
Essa mulher precisa olhar para si e concertar seu caráter, aí sim Deus fará alguma coisa!
TODOS EM CENA:    Escravidão!
Escravo do medo!
Escravo do vício!
Escravo da mentira!
Escravo de doença!
Escravo da religião!
Escravidão!
Eu? (com ironia)
Não!
(olhando para cima) Tem misericórdia de mim, Senhor!
Não sou o que pareço ser!
FILHO OBREIRO:    Ei, o que é aquela caravana ali? (apontando para o canto do palco)
NARRADORA:    Ele chegou...
MULHER:    Ele? Ele mesmo?(Tira o capuz)
NARRADORA:    Sim, na hora certa!
CEGO:    Levante, mulher, olhe quem vem lá!
MULHER:    Eu sabia, sabia que Ele viria! Jesus, o justo, Filho de Deus, Ele irá me curar!
MEDO:    Você vai até lá? Hã, será linchada pela multidão!
VÍCIO:    Sua porca, trapo de imundícia, você acha que Jesus irá falar com você?
INFIEL:    Você acha que ele irá tocar em você?
TODOS:    Imunda! Imunda! Imunda!
CEGO:    Eles têm razão. Façamos o seguinte, nós vamos até lá fazer nossos pedidos, e comentamos com Ele sobre você, tudo bem?
Você não quer que Jesus te veja desse jeito, certo?
MULHER:    Certo...
(Medo/ Infiel/ Vício/ Cego/ Narradora/ Filho do Obreiro se aglomeram no final do palco, como se estivessem em uma multidão)
MULHER:    Eles têm razão, como vou me apresentar assim para o mestre?
Sou uma vergonha mesmo...
Mas se pudesse apenas chegar perto, vencer a multidão...
Como farei isso?
É melhor desistir...
(MÚSICA -  MULHER DANÇA)
[A Última Chance
Ministério Ipiranga]
Uma chance igual a esta talvez eu não tenha mais
Quero estar em Tua presença nem que seja a última vez
Se tiver que gritar eu gritarei, se tiver que chorar eu chorarei
Se tiver que humilhar o meu espírito, assim o farei
Me dá mais uma chance
Eu quero nascer do Teu Espírito, eu quero matar minha carne
Fazer Tua vontade doce Espírito, que a minha vida seja Tua vida, Jesus
Uma chance igual a esta...

MULHER:    ...talvez eu não tenha mais... Se eu apenas tocar em suas vestes, serei curada.
(entra no meio da multidão, sai curada andando reta e com vestes brancas - dança)

Eu quero nascer do Teu Espírito, eu quero matar minha carne
Fazer Tua vontade doce Espírito, que a minha vida seja Tua vida, Jesus:    2X

MULHER:    Jesus, o Filho de Davi me curou!
Ele olhou para minhas imperfeições e me amou.
E eu, como uma árvore cortada, com raízes velhas e tronco seco, o cheiro das águas do Senhor me fez brotar, me deu vida novamente!
Jesus restaurou minha saúde física, emocional e espiritual, e ele quer fazer isso com você, meu querido!
Se talvez você está assim hoje, como a mulher do fluxo de sangue, em uma escravidão na saúde...
CEGO:    Ou preso na religião
INFIEL:    Ou no peso da sua infidelidade
VÍCIO:    Talvez você está escravo do vício
MEDO:    Ou vive no medo
FILHO OBREIRO:    Ou é o que os outros querem que você seja, mas quando está sozinho... aí tudo muda.
NARRADORA:    Jesus é o teu libertador!
E como Ele libertou a mulher do fluxo de sangue, expulsou demônios, curou os cegos, ressuscitou os mortos e muitos outros milagres e sinais, hoje, Ele te chama para um passo de cura, uma passo de liberdade!
Eu declaro, em nome de Jesus, tudo o que te prende, tudo o que te escraviza, tudo o que não te deixa ir além, toda cegueira espiritual, todo vício, todo medo, caído por terra em nome de Jesus, pois o Senhor é a Tua força, a Tua alegria, Teu refúgio, Tua vida!
Receba isso para sua vida, meu irmão, para sua casa, sua família.
Em nome de Jesus!
(Figurantes ficam em cena:    imitam estátuas:    Felipe em cena - demais saem)

CENA 7

NARRADORA:    Em nossa história, o bondoso rei morreu, a escrava Nura será vendida para o perverso reino de Zemuel e o príncipe Felipe assumirá o trono.
FELIPE:    Quanto vale uma vida?
Qual o valor disso tudo?
Perdi meu pai, tenho responsabilidades, mas... E Nura?
Não posso deixar que ela vá para o reino de Zemuel...
Eles serão terríveis com ela...
Ela nunca mais terá chance...
Mas ela não tem chance...
NURA:    Felipe?
(os dois se abraçam)
NURA:    Sinto muito pelo seu pai.
Ele foi um rei maravilhoso e trouxe esperança e vida para milhares de pessoas.
Sou grata, pois meu irmão é livre e muitos amigos e pessoas têm a expectativa que outros jamais terão!
Obrigada Felipe!
Sei que será um rei maravilhoso como seu pai!
FELIPE:    Não Nura!
Não diga isso!
Ele não pôde salvar você!
Eu não posso salvar você!
E você vai para...
Vai para...
NURA:    Zemuel...
Eu sei Felipe!
Sou uma escrava!
Não tenho vontades, nem expectativas, nem mesmo sentimentos...
FELIPE:    Você tem Nura!
Você é uma pessoa!
NURA:    Não sou Felipe!
Nunca imaginei que seríamos amigos, mas nem essa amizade muda o fato de eu estar presa a essa escravidão!
Ser amiga do príncipe não muda meu final!
Não muda minha história, não muda!
Me dá, às vezes, sonhos bons de ser livre.
Me faz imaginar o que seria se esses cinco minutos não existissem.
Se eu nascesse após a meia noite!
Como seria minha vida?
Como seria poder falar, poder sonhar, poder fazer planos para amanhã...
Mas não posso Felipe!
Não posso!
FELIPE:    Eu vou mudar isso, Nura!
Vou mudar!
Eu te prometo!
NURA:    A lei é rigorosa!
Você não pode mudar.
(entra Coré)
CORÉ:    É sua Majestade, escrava!
E saia da presença do futuro Rei, você não é digna.
Amanhã à tarde os soldados de Zemuel estarão aqui para te levar.
Saia! Vamos alteza!
Temos muito que fazer para amanhã.
(Todos saem de cena)
 
CENA 8

FIGURANTES:    Dia de festa e choro.
A posse de um rei, a venda de uma escrava.
O que fazer?
O que nós fazemos?
NARRADORA:    Celebramos a vida, nos reunimos para agradecer e para falar do Reino que pertencemos, o Reino dos céus!
E ao mesmo tempo vemos nosso próximo ser vendido pelo pecado, ser escravizado pelo mundo e ter um fim muito diferente do nosso.
Quanto vale uma vida?
Jesus é o bom Pastor, e o bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas.
E Ele nos deixou um legado: Pregai o evangelho a toda criatura.
Pregai o evangelho a toda criatura.
Pregai o evangelho a toda criatura.
Você consegue?
Ou será que está sem tempo para pensar nisso?
Ou na verdade nem se preocupa se tem de fato cumprido esse chamado...
Pois você anda tão preocupado com seus cargos, profissão, ensaios, compromissos com a casa de Deus.
A cabeça tão cheia de regras e porquês, que parar e pensar na dor do meu próximo é perda de tempo, afinal, têm pessoas na igreja responsáveis pelo departamento de evangelismo, eventos, missões...
Se preocupar, se doar, colocar a necessidade do outro acima da sua...
Não é pregar o evangelho, não esse que Jesus falou...
Não foi bem isso que Ele quis dizer...
O que foi então? “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”
Bem, mas voltando a nossa história, Felipe vai assumir o trono, Nura vai para o reino perverso de Zemuel, a não ser que... que ele faça cumprir uma antiga lei... Mas não, acho que ele não fará isso...
Você faria?
(sai de cena)
(entram Felipe e Coré)
CORÉ:    Eu não posso permitir tamanha insanidade, senhor!
FELIPE:    Mas é a única chance dela, Coré!
CORÉ:    Felipe! Meu senhor! O senhor está se preocupando com uma escrava! É uma escrava!
FELIPE:    É uma vida!
CORÉ:    Uma vida acomodada com seu fim!
Não há necessidade disso senhor!
E tem mais, o senhor está preocupado com uma vida, com uma vida!
Mas o senhor tem um povo lá fora para governar!
Um povo que precisa de um rei, de uma referência!
O que o senhor quer que o povo pense?
FELIPE:    Referência...
Você tem razão Coré!
Preciso assumir o trono!
Preciso ser referência para meu povo!
Eu vou para a coroação!
CORÉ:    Muito bem, senhor!
Está fazendo o que é certo!
Com sua licença.
(Coré sai de cena)
FELIPE:    (olha para plateia com comoção e canta) Pra que outros possam viver vale a pena morrer, pra que outros possam viver...

CENA 9

(entra Coré e os outros fidalgos)
CORE:    (fala para a igreja) Povo, eu lhes apresento seu rei: Felipe V! (coloca a coroa na cabeça dele).
FELIPE:    Povo.
É com tristeza e orgulho que assumo o trono.
Tristeza pela condição desse evento, porém orgulhoso, pois terei a coragem que meu pai me ensinou.
No dia do meu nascimento, meu pai se lembrou dos escravos de nosso reino e em sua bondade criou a Lei de Liberdade a ser posta em prática no dia do meu primeiro aniversário.
Porém uma escrava perdeu esse direito por cinco minutos de vida.
Cinco minutos!
Ela esteve tão perto, mas a lei é clara e irrevogável.
Conheci o amor filéo que é o amor fraterno, relacionado à família e aos amigos.
A pessoa retribui o amor na medida de amor que recebe.
Muitas pessoas amam por aquilo que obtém em troca.
Amam até que...
Porém precisamos amar com o amor Ágape que é sacrificial e doador.
É incondicional, não está dependente de uma resposta positiva.
Esse amor é possível de ser expressado entre as pessoas também, desde que decidam amar incondicionalmente.
Esse amor é o mais puro...
Eu fiz uma promessa a essa escrava e existe uma lei mais antiga que esta, a Lei da Libertação que diz: um escravo pode se tornar livre tendo outra pessoa a tomar seu lugar perpetuamente. (pausa)
E eu, em condição de seu rei, deixo o exemplo a ser seguido.
Eu abdico do meu trono para tomar lugar da escrava Nura.
Eu abdico da minha liberdade para que ela seja livre.
Eu abdico da minha vida para que ela viva! (tira a coroa)
CORÉ:    Mas senhor!
O senhor não pode fazer isso!
Não pode!
O que seu povo vai fazer agora?
FELIPE:    Espero que o meu povo faça o mesmo que eu! (sai do personagem)
Quantos aqui conhecem pessoas que vivem em escravidão?
Quantos aqui conhecem pessoas que estão andando no escuro, sem uma luz para guiar seu caminho?
Existe uma Palavra que diz ser necessário morrer para viver!
Morrer para si mesmo, se doar, amar de verdade!
Temos o exemplo do nosso Rei, temos o exemplo a ser seguido!
Uma vida vale mais do que o mundo inteiro!
Quantos aqui querem abdicar de si mesmos?
Quantos aqui assumem essa responsabilidade?
É isso que Deus quer dizer em amar ao próximo como Cristo amou a igreja.
CORÉ:    Jesus é o bom pastor.
O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.
O bom pastor deixou as 99 ovelhas para ir atrás de uma.
Ele poderia após resgatar a ovelha, colocar-lhe uma coleira e trazê-la arrastada e amarrada para o aprisco.
Chateado com trabalho que esta lhe deu.
Ao contrário disso ele a toma nos braços e traz de volta no colo, feliz e satisfeito.
NURA:    Jesus faz o mesmo conosco!
Ele nos ama e nos resgata, fez isso com amor, mesmo sabendo o preço que teria que pagar por nós!
E ele pagou o nosso preço.
Ele levou as nossas dores, nosso castigo e nas suas pisaduras fomos sarados.
Esse é o preço que ele pagou e deixou de exemplo para que paguemos!
NARRADORA:    Povo! Quantos aqui querem pagar esse preço?
Preço de vida pelo seu próximo!
Negar a si mesmo por amor! Fique em pé no seu lugar... (ministração livre)

FIM
Priscila L. O. Sinosini                                                       29/05/14

 

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