UMA HISTÓRIA DE DETETIVE

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Detetive colocado pra investigar os sábios que foram ver Jesus

Esta é uma história de detetive no Natal.

O Rei Herodes contrata um detetive particular para encontrar os sábios desaparecidos. Enquanto procura por eles, o detetive descobre uma história muito maior, e os eventos que cercaram no nascimento de Jesus.

Personagens
Os seguintes personagens devem se vestir com as roupas “clássicas” de uma peça de Natal:
Rei Herodes
O Dono da estalagem
Pastor 1 e Pastor 2
Sábio 1, Sábio 2 e Sábio 3
Isabel

Os seguintes personagens devem se vestir com roupas dos anos 30:
Detetive Jonas Rodrigues
Secretária
Capanga 1 e Capanga 2
Cláudia
Atendente
Jornaleiro

Os seguintes personagens podem se vestir como quiser:
Sarah
Marta
Servo
Rabino

Texto
(No centro do palco temos uma mesa com duas cadeiras (uma de cada lado) e uma chapeleira. Na mesa tem um calendário e algumas canetas. Jonas Rodrigues está sentado na cadeira, com os pés sobre a mesa e lendo o jornal. Seu casaco e o chapéu estão na chapeleira. Toda a narração a seguir é pré-gravada com a voz do próprio detetive. Assim que começar a narração, abrem-se as cortinas)
NARRAÇÃO:   O nome é Rodrigues. Jonas Rodrigues. Eu sou um detetive particular, como diz na minha porta. Você pode dizer que eu estou no negócio de aquisição de informação. Alguns me chamam de bisbilhoteiro, outros me chamam de coisa muito pior. Você pode me chamar como quiser, eu sou bom no que faço e tenho contas para pagar igual a todo o mundo. Eu não quero ser um “cavaleiro de armadura”, mas se você puder pagar, eu consigo o que quer que você queira. Nem sempre é bonito, mas esta é a vida. Através dos anos eu já vi de tudo. Eu já ajudei gente realmente boa a sair de situações ruins, mas eu também ajudei gente muito ruim. E este foi um deles.
(Entra a secretária, segurando uma pasta)
SECRETÁRIA:   Sr. Jonas!
JONAS:   Você não sabe bater?
SECRETÁRIA:   Tem um cliente aqui para vê-lo.
JONAS:   Não vê que estou ocupado? Diga para ele voltar outro dia.
SECRETÁRIA:   Eu acho que o senhor quer receber este cliente.
JONAS:   Deixe-me ver esta pasta.
SECRETÁRIA:   (Entregando a pasta) Eu não acho que ele vai ter problemas em pagar, senhor.
JONAS:   Rei Herodes? O Rei Herodes está aqui?
SECRETÁRIA:   Sim, senhor. Ele está esperando na recepção.
JONAS:   O que ele quer?
SECRETÁRIA:   Eu não sei. Ele não disse.
JONAS:   (Pensa um pouco e fecha a pasta) Diga para ele entrar.
(A secretária sai e alguns segundos depois o Rei Herodes entra junto com o Capanga 1 e o Capanga 2. Jonas tira os pés de cima da mesa e se levanta)
JONAS:   Mas que surpresa, sua majestade. Entre. Posso oferecer ao senhor e aos seus... Amigos algo para beber?
REI HERODES:    Estou sem tempo, mas obrigado. Sr. Jonas, eu preciso de seus serviços.
JONAS:   Sente-se, por favor.
REI HERODES:    (Sentando-se) Eu preciso que você encontre alguém para mim. Três “alguéns” para falar a verdade. Eles têm algo que pertence a mim, e eu quero de volta.
JONAS:   Parece bastante fácil.
REI HERODES:    Eu não tenho os nomes deles.
JONAS:   Não tão fácil.
REI HERODES:    (Levanta-se e começa a andar) Há cerca de quatro meses, três homens vieram a Jerusalém vindo de uma terra distante. Eles disseram estar... Seguindo uma estrela ou algo assim. De qualquer maneira, eles pararam no palácio e eu dei toda ajuda que pude. Eu sempre ajudo os necessitados (Os Capangas sorriem e trocam olhares)
JONAS:   E eles pegaram algo do senhor?
REI HERODES:    Não, eu disse que eles têm algo que me pertence.
JONAS:   E o que seria?
REI HERODES:    Informação.
JONAS:   Minha especialidade.
REI HERODES:    É por isso que estou contratando você, Sr. Jonas. Estes homens deveriam retornar para mim uma informação. Mas eles não retornaram. Eu preciso que você descubra onde eles estão, e traga-os para mim ou me diga onde eu posso encontrá-los.
JONAS:   E a informação?
REI HERODES:    (Piscando para o Capanga 1) Ah, isso eu acho que conseguimos nós mesmos, sem problemas.
JONAS:   Como eles são?
REI HERODES:    Eles parecem nobres. De um país do leste. Você sabe: roupas caras, joias, coisas deste tipo. Eles têm uma grande caravana os acompanhando.
JONAS:   Não deve ser muito difícil encontra-los, então. Vestidos assim seriam notados em qualquer lugar que forem. E para onde eles se dirigiram?
REI HERODES:    Para Belém.
JONAS:   Pronto! Já tenho o bastante para trabalhar. Quando quer que eu comece?
REI HERODES:    O quanto antes.
JONAS:   É justo. O meu preço é 75 por dia, mais despesas de viajem.
REI HERODES:    Mas Belém é perto.
JONAS:   Neste negócio, você nunca sabe onde vai acabar.
REI HERODES:    (Colocando um saco na mesa) Isso deve ser o suficiente para você começar. Eu devo satisfazer minha curiosidade, Sr. Jonas. Lembre-se do provérbio: “A glória de Deus está nas coisas encobertas; mas a honra dos reis, está em descobri-las”. Venha a mim assim que descobrir algo. (Herodes e o Capanga 1 saem)
CAPANGA 2:    Entendeu, colega? Assim que souber de algo...
JONAS:   Confie em mim, grandão. Eu conheço o esquema.
(Capanga 2 sai. Jonas pega o saco e senta-se com os pés sobre a mesa)
NARRAÇÃO:   Meus instintos diziam que tinha mais nessa história do que ele me contou, mas meu cérebro dizia para não fazer perguntas, e minha experiência me dizia que meu cérebro sempre tem razão. Se bem que, a esta altura, minha conta bancária e meu estômago tinham algo em comum: os dois estavam completamente vazios. E agora posso dar alguma coisa para eles se encherem. OK, eu só tenho que fazer uma pequena caçada e deixar o resto para Herodes e aqueles dois valentões, qual o problema, certo? Peguei o meu casaco e meu chapéu e fui para a estrada, próxima parada: Belém. Eu comecei perguntando aos donos de estalagens locais. Pensava que se três caras espertos viessem para a cidade, eles deveriam dormir em algum lugar. E na quarta estalagem, eu achei alguma coisa.
(Durante esta narração, Jonas levanta-se, coloca o casaco e o chapéu, coloca o saco de dinheiro no bolso e vai andando lentamente para a direita do palco, onde ele encontra o dono da estalagem junto com o final da narração)
JONAS:   Então você se lembra desses caras?
DONO:   E como eu posso me esquecer de três figurões como esses?
JONAS:   Quanto tempo eles ficaram aqui?
DONO:   Eles não ficaram na minha estalagem. Eu fiquei na casa de um primo na cidade naqueles dias, e apenas os vi aqui fora. Eles armaram tendas em um platô aqui perto e ficaram pelas redondezas por alguns dias.
JONAS:   O que eles queriam?
DONO:   Meu primo disse que eles estavam visitando alguém na região. Eu até falei com eles um pouco... Sabe... Para me certificar que não eram encrenqueiros. Eles disseram estar trazendo presentes para um recém-nascido. Trouxeram ouro, temperos e outras coisas. Garoto sortudo seja ele quem for.
JONAS:   Alguma ideia de para onde eles foram?
DONO:   Nem desconfio, sinto muito. Eu acordei um dia de manhã e não os vi mais. Queria que tivessem ficado, tinha vários quartos vagos naqueles dias. Ao contrário do censo...
JONAS:   Foi uma correria, não foi?
DONO:   Durante o censo? Você está brincando? Eu estava completamente lotado! Eu até tive que colocar um casal no estábulo!
JONAS:   No estábulo?
DONO:   É. A mulher ainda teve um filho lá naquela noite. Foi uma loucura.
JONAS:   Você pode me dar o endereço desse seu primo? Eu quero saber quem eles estavam visitando, e talvez o seu primo saiba.
DONO:   Com certeza. Deixe que eu escrevo para você. (O Dono da Estalagem sai)
NARRAÇÃO:   Peguei o endereço e fui até a cidade. Se o tal primo pudesse me apontar a casa correta, eu poderia perguntar a família para onde esses três estavam indo. E por acaso o tal primo foi útil, e naquela tarde eu fui para a tal casa. Mas ao invés de respostas, eu só consegui mais perguntas.
(Durante esta narração, Jonas vai até o lado esquerdo do palco, onde entra a Sarah, secando as mãos com uma toalha)
SARAH:    Posso ajuda-lo, senhor?
JONAS:   Eu soube que três senhores distintos do leste visitaram a sua casa há quatro meses. Eu queria saber mais sobre eles.
SARAH:    Três homens do leste? Eu não sei do que você está falando.
JONAS:   Me disseram que três homens com belas roupas vieram para Israel para trazer presentes para o seu bebê.
SARAH:    Meu bebê? (Rindo) Isso é engraçado! O meu mais novo acabou de fazer 18. E você disse que é quem, mesmo?
JONAS:   Eu sou um detetive particular, senhora. Jonas Rodrigues. E estou procurando por estes três homens.
SARAH:    Então eu acho que você veio à casa errada.
JONAS:   Há quanto tempo você vive aqui?
SARAH:    Eu não vivo aqui. Eu sou apenas a dona do lugar. Nossos últimos locatários se mudaram no mês passado. Estávamos apenas arrumando o lugar para alugar de novo.
JONAS:   Os últimos locatários... Eles tiveram um filho?
SARAH:    Eu não sei. Eu só venho buscar o dinheiro. Deixe-me perguntar a minha filha. Espere um pouco. Marta! (Pausa) Marta, venha aqui um minuto!
(Marta entra)
MARTA:    Sim, mãe?
SARAH:    Você sabe alguma coisa dos locatários que acabaram de se mudar daqui?
MARTA:    Sim. Um casal muito simpático de Nazaré. Maria e José.
JONAS:   Eles tiveram um bebê?
MARTA:    Sim. Um menino.
JONAS:   Você sabe para onde eles foram? De volta a Nazaré, talvez?
MARTA:    Não, eu não sei. Eu recebi um bilhete deles uma manhã dizendo que eles precisavam ir. Eu vim até aqui e eles já tinham ido. Eles deveriam estar com problemas ou coisa assim. Eles podem ter ido a qualquer lugar.
JONAS:   E você por acaso se lembra de uma caravana de um pessoal do leste que veio visitar este casal há uns quatro meses? Eles armaram tendas ali no platô.
MARTA:    Na verdade sim. Eu tenho um amigo que trabalha em um rebanho ali perto. Ele me contou tudo sobre eles.
JONAS:   Um pastor? Onde eu posso encontra-lo?
(Sarah sai. Marta e Jonas vão andando até o lado direito do palco enquanto corre a narração)
NARRAÇÃO:   Marta me levou até o poço local, onde os pastores se reúnem no fim da tarde. Nós esperamos um tempo até que ela me apontou um pastor que se aproximava. Ela disse que ele canta como um canário pelo preço certo. Felizmente para mim, o preço certo era baixo...
(Assim que a narração termina, Marta sai e o Pastor 1 entra)
JONAS:   Um passarinho me contou que você tem uma informação da qual, por acaso, eu estou interessado. (Entrega uma moeda ao Pastor 1)
PASTOR 1:    (Olhando a moeda) E o que você quer saber?
JONAS:   Estou tentando encontrar uma caravana de figurões do leste que armaram algumas tendas perto daqui. Eu ouvi que você falou com eles.
PASTOR 1:    É... Talvez... O que você quer?
JONAS:   Eu quero saber para onde eles foram.
PASTOR 1:    Eu não me lembro...
JONAS:   (Entrega outra moeda) E agora?
PASTOR 1:    Agora eu me lembro. Eles foram para casa.
JONAS:   E onde é essa casa?
PASTOR 1:    Em algum lugar ao leste... É meio confuso...
JONAS:   (Entrega mais uma moeda) Isso te ajuda a lembrar de mais alguma coisa?
PASTOR 1:    Na verdade, eles nunca me disseram para onde iam.
JONAS:   Talvez os seus amigos ali possam me ajudar melhor do que você... Que tal assim?
PASTOR 1:    Não, não fale com esses três... A não ser que você queira ouvir sobre anjos que apareceram para eles a alguns meses anunciando o Messias (Rindo). Muito tempo com as ovelhas faz algumas pessoas pirarem. De qualquer jeito, eu não sei para onde a caravana foi, mas eu sei como podemos encontra-la, se não for muito tarde. Mas precisamos ir até Jerusalém.
NARRAÇÃO:   Na maioria das vezes, trabalhar em um caso é uma série de becos sem saída, mas desta vez, eu consegui algo de sólido. O pastor me disse tudo sobre a noite em que estes três nobres e sua caravana chegaram na cidade para visitar a criança. Eles vieram ver o bebê e lhe trazer presentes, convencidos de que o garoto seria um Rei no futuro. E o pastor também me disse que um membro da caravana, um servo, ficou doente e ficou para trás, em Jerusalém, para se recuperar. Nós fomos até a cidade e ele me levou até o lugar onde o tal servo estava se recuperando. E se eu tivesse demorado só mais um dia, ele já teria ido embora.
(Na primeira metade da narração, Jonas e o pastor fingem estar conversando. Já durante a segunda metade eles andam para o lado esquerdo do palco. Ao chegarem lá, o Pastor 1 sai e entra o Servo)
SERVO:    Eu já estou bem para viajar, e estou saindo ainda hoje à tarde.
JONAS:   Me fale mais da sua viajem até aqui. Por que vocês vieram?
SERVO:    Meus mestres viram a Estrela do Rei nos céus do oeste, e se sentiram atraídos para virem até aqui, para adorar ao Rei.
JONAS:   O rei é? De Israel?
SERVO:    É! Pelo menos foi o que eles disseram. “Vamos adorar ao Reis dos Judeus”. E eles trouxeram ouro, incenso e mirra.
JONAS:   Eles não vieram ver o Rei Herodes? Eles não trabalhavam para ele?
SERVO:    Trabalhar para Herodes? Não. A Estrela do Rei apontava o nascimento de um novo rei, e não um velho. Na verdade, Herodes foi quem nos disse para irmos até Belém para encontrar a criança. Ele disse que também queria adorar ao novo Rei.
JONAS:   Então vocês deveriam encontrar a criança e voltar para contar tudo para o Rei Herodes?
SERVO:    Espere um pouco... Quem é você mesmo?
JONAS:   Só um cara procurando por alguém.
SERVO:    Têm muitos assim hoje em dia.
NARRAÇÃO:   Engraçado como Herodes “se esqueceu” de mencionar este novo Rei. Talvez a informação que Herodes quer seja a localização da criança. Se bem que se a tal criança vai se tornar Rei, faz sentido que Herodes queira saber onde ele está... Mas eu duvido muito que seja para adorá-lo. Engraçado... Normalmente, descobrir que estou sendo usado como bode expiatório me faz largar o caso imediatamente. Mas desta vez, isso não importava. Eu ainda queria encontrar estes sábios, só que agora era pessoal. Eu queria saber mais sobre esta criança. Como pode uma estrela anunciar o Seu nascimento? Como eles sabiam ter encontrado a criança certa? Será que algo assim já aconteceu antes? O que Herodes sabia dessa criança que eu não sabia? Eu não podia simplesmente perguntar para ele... Então decidi acompanhar o servo e perguntar aos sábios pessoalmente. Eu nunca tinha ido tão ao leste antes, mas já que era Herodes quem estava pagando, então eu fui. Algumas semanas depois, chegamos a uma pequena cidade da Pérsia.
(No início da narração, o servo sai por alguns instantes e depois entra de novo carregando uma mala, então eles seguem lentamente até o lado direito do palco. Ao fim da narração, o servo sai e entram os Sábios 1, 2 e 3)
JONAS:   Então, vocês foram até Israel para ver um bebê?
SÁBIO 2:    Não qualquer bebê. Ele é o Rei dos Judeus!
JONAS:   E como vocês O encontraram?
SÁBIO 1:    Nós seguimos a Sua estrela. Não foi tão difícil, ela nos levou direto a Israel... E de lá ela nos levou até Belém.
JONAS:   E todos os reis têm estrelas?
SÁBIO 1:    Só os que vêm de Deus.
JONAS:   OK, então esta criança está destinada a ser o novo Rei de Israel, é isso?
SÁBIO 3:    De Israel no mínimo. Provavelmente mais.
JONAS:   Um Rei de mais do que Israel? Como assim?
SÁBIO 1:    De acordo com o que sabemos, esta criança é aquele a quem os judeus chamam de Messias.
JONAS:   Opa! Espera um pouco! Essa criança que vocês visitaram é Aquele profetizado na Lei para ser o Salvador de Israel?
SÁBIO 2:    Aqui, leia isso. (Entrega um pergaminho a Jonas)
JONAS:   (Lendo o pergaminho) “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios” (Fecha o pergaminho) Quer dizer... Você está dizendo que vocês visitaram esta criança?
SÁBIO 1:    Sim. Ele está destinado a ser grande... Maior que o próprio Rei Davi!
JONAS:   E qual é o Seu nome?
SÁBIO 1:    Ele tem muitos nomes. Mas sua mãe o chamou de Jesus.
JONAS:   Mais uma pergunta: Por que vocês não retornaram até Herodes com a localização da criança, como ele pediu?
SÁBIO 3:    Fomos avisados em sonho para não retornar até Herodes.
SÁBIO 2:    Eu acho que ele não gosta de crianças.
JONAS:   Obrigado pelo seu tempo, senhores.
(Os sábios saem)
NARRAÇÃO:   A viagem de volta foi a mais longa de todas, cheia de perguntas. Poderia esta criança, Jesus, ser realmente o tão esperado Messias? Por que Herodes iria querer machucá-lO? Qualquer novo rei deve ser autorizado por Roma, certo? Será que ele teme que esta criança seja o Rei no lugar dele? Isso parece absurdo. Estaria ele só interessado em eliminar um rival em potencial, ou será que tem a ver com o fato dessa criança ser o Messias? Eu decidi que queria saber o máximo possível sobre o Messias, e sobre este Jesus... E ver por mim mesmo se eles eram de fato a mesma pessoa. Eu estava ansioso para começar a minha nova missão conforme chagava de volta a Belém. Eu queria começar com os pastores que disseram ter visto anjos nos campos há alguns meses. Mas quando eu cheguei a Belém, fui recebido por más notícias.
(Jonas anda devagar para o lado esquerdo de novo, mas para no centro para “ponderar” junto com os questionamentos da narração, chegando do lado esquerdo junto do final, quando o Pastor 2 entra)
PASTOR 2:    Foi terrível!
JONAS:   Calma! Conte de novo, devagar: o que aconteceu?
PASTOR 2:    Os homens de Herodes. Eles vieram do nada e mataram todos os meninos de Belém, todos os que tinham menos de dois anos. Ninguém sabe o porquê. Isso não faz sentido! Por que ele faria algo assim?
JONAS:   Ele está procurando por alguém.
PASTOR 2:    O que quer dizer?
JONAS:   Me fale sobre aquela noite, há alguns meses, quando os anjos apareceram para você e seus amigos nos campos.
PASTOR 2:    Mas o que isso tem a ver com o resto?
JONAS:   O que vocês estavam fazendo naquela noite? E não deixe passar nenhum detalhe...
PASTOR 2:    Nós... Nós estávamos vigiando os rebanhos quando um anjo do Senhor apareceu para nós, iluminando a noite.
JONAS:   Deve ter sido assustador.
PASTOR 2:    É claro que foi! Mas o anjo disse: “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura”.
JONAS:   Em uma manjedoura? Isso foi em uma estalagem perto daqui? Durante o censo, quando Cesar disse que todos deveriam se recadastrar?
PASTOR 2:    Sim, foi. E então, de repente, uma multidão de anjos apareceu, glorificando a Deus. E quando eles se foram, nós fomos procurar a tal criança na manjedoura, como ele disse.
JONAS:   Incrível. E o que mais você sabe sobre esta criança? Onde Ele está agora?
PASTOR 2:    Eu só sei o que eu te disse. Depois de vermos a criança, saímos contando a todos sobre o Seu nascimento. Sobre o salvador de Israel. Espere um pouco... Você não acha que...
JONAS:   Que Herodes está procurando esta criança?
(Pastor 2 sai. Jonas vai andando lentamente de volta a sua mesa conforme a narração a seguir)
NARRAÇÃO:   Eu precisei voltar ao meu escritório para pensar. Era óbvio que Herodes queria matar o menino. E agora eu estou em uma situação bem difícil. Eu encontrei os sábios, e eu fui contratado para isso. Mas se eu entregasse a localização deles para Herodes, sem dúvida ele iria torturá-los, tentando descobrir a localização da criança. Com sorte, a família fugiu. Mas Herodes deve estar em uma fúria cega, já que mandou matar todos os meninos. Será que ele vai mandar matar mais crianças em outras cidades? Ou ele pensa que já O pegou em Belém? E como ele saberia se pegou a criança certa ou não? E foi quando aqueles dois capangas me fizeram uma visitinha.
(Entram os Capangas 1 e 2, seguidos pela Secretária)
SECRETÁRIA:   Vocês não podem entrar aí! Sinto muito, Sr. Jonas, eu tentei impedi-los.
JONAS:   Tudo bem. Você pode sair.
(A Secretária pensa um pouco e depois sai)
JONAS:   E como eu posso ajuda-los, cavalheiros?
CAPANGA 1:    Herodes quer saber onde você esteve.
JONAS:   Eu estava ocupado. E parece que vocês também estiveram ocupados, bancando as babás lá em Belém, foi isso?
CAPANGA 2:    Às vezes é bom não dar uma de esperto. Você pode se machucar.
JONAS:   Vocês estão me ameaçando no meu escritório?
CAPANGA 1:    Cadê a informação que Herodes te pediu? Ele quer que o dinheiro que te pagou valha a pena.
JONAS:   Digam a Herodes que quando eu tiver alguma coisa para ele, eu entrego para ele pessoalmente. Agora caiam fora!
CAPANGA 2:    (Para o Capanga 1) Eu acho que ele está mentindo. Você acha que ele está mentindo?
JONAS:   Peguem leve, gente... Vamos conversar... Não é necessário usar de violência...
(Os capangas se aproximam, batendo um punho cerrado no outro. O Capanga 2 tira o paletó)
NARRAÇÃO:   De repente eu percebi que tinha cruzado a linha. Eu estava cansado, e minha boca foi mais rápida que o meu cérebro. Antes de eles terminarem, eu estaria vendo as minhas próprias estrelas. Eles agarraram o meu pescoço e me bateram para valer. Parece que eu estava certo, afinal. O que começou como uma simples caçada, acabou sendo uma história muito maior. Eu precisava encontrar o menino, eu estava desesperado. Tinha que ter certeza de que ele estava longe de Herodes e seus capangas. Especialmente se Ele for mesmo o Messias. Eu procurei por toda Belém, e Nazaré e Jerusalém. Perguntei a todos os que encontrei, de criminosos e pastores a respeitáveis comerciantes e mercadores. Eu acabei falando com um velho sábio, chamado Simeão, no templo, e descobri um casal chamado Isabel e Zacarias, que provavelmente eram primos de Maria.
(No início da narração, os capangas agarram Jonas e as luzes se apagam, e junto da narração, ouvem-se os sons de socos e tapas. Quando as luzes se acendem, os capangas se foram e Jonas está caído no chão. Ele se levanta com dificuldade e coloca um curativo no nariz. Na segunda metade, ele anda pelo palco, fazendo mímicas como se estivesse conversando com várias pessoas, “perguntando” por informações. Quando ele chega ao lado direito do palco, Isabel entra)
ISABEL:   Sim, isso mesmo! Maria é minha prima. Nós somos assim (Cruza os dedos)
JONAS:   E você quer que eu acredite que você também teve um bebê... Com essa idade?
ISABEL:   Ei! Cuidado com o que fala amigo! Eu posso não ser jovem, mas eu ainda posso cuidar de gente como você!
JONAS:   Por favor, acalme-se, senhora. Me desculpe. Fui uma semana difícil. Eu só estou preocupado com a sua prima e com filho dela.
ISABEL:   Eles estão com problemas? O que houve?
JONAS:   Por algum motivo, essa criança despertou o lado ruim de Herodes. Você sabe onde eu posso encontra-los?
ISABEL:   Eu não tenho falado com eles há mais de um mês.
JONAS:   O que você sabe sobre esta criança? Me disseram que Ele será um Rei.
ISABEL:   Maria veio me visitar durante a gravidez e ficou na minha casa por três meses. Assim que ela chegou e eu ouvi a sua voz, o meu bebê pulou dentro de mim e eu fiquei cheia do Espírito Santo. Ela me contou o que tinha acontecido a ela, com o anjo aparecendo a ela e tudo o mais.
JONAS:   E parece que aconteceu muita coisa. O que o anjo disse a ela?
ISABEL:   O anjo disse “E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”.
JONAS:   Isso é verdade?
ISABEL:   É a pura verdade, Sr. Jonas!
JONAS:   Tem certeza que não sabe para onde eles foram?
(Isabel balança a cabeça fazendo que “não” e sai. Assim que ela sai, começa a narração)
NARRAÇÃO:   Essa criança com certeza era incrível, se tudo o que eu estou descobrindo for mesmo verdade. Mas apesar de descobrir coisas incríveis, eu não tinha nada sobre a Sua localização. Onde quer que Ele esteja, está muito bem escondido. Isso era até meio reconfortante... Quero dizer, se eu não podia acha-lO, então não tem como um amador como Herodes encontra-lO também. Mas ainda assim, eu não podia descansar. Eu parei em um restaurante local para comer alguma coisa e organizar os pensamentos. E tropecei em um pouco de boa sorte.
(Durante esta narração Jonas anda até o lado esquerdo até um “balcão”. A narração termina assim que ele se senta em um banco, e Cláudia entra)
CLÁUDIA:    E aí, Jonas. O que vai querer? (Coloca uma xícara de café em um pires na frente dele)
JONAS:   O de sempre, Cláudia.
CLÁUDIA:    Pode deixar. E como vão as coisas?
JONAS:   Como sempre...
CLÁUDIA:    Ruim assim é?
JONAS:   Estou procurando alguém e estou ficando sem nada.
CLÁUDIA:    E quem você está procurando? Talvez eu possa ajudar.
JONAS:   Eu duvido Cláudia... Mas estou procurando por uma criança. Ele é o Messias, nasceu em Belém há alguns meses. Mas a família saiu da cidade e ninguém sabe para onde eles foram. Herodes O está procurando, mas eu tenho que encontra-lO primeiro.
CLÁUDIA:    Hmm... Deixa eu ver o que posso fazer. Já volto.
(Jonas bebe um gole do café. E Cláudia volta com um pergaminho)
CLÁUDIA:    OK, então, se Ele é o Messias, então quer dizer que é o Filho de Deus. E se Ele é o Filho de Deus, então você deve procura-lO no Egito.
JONAS:   No Egito? Por quê?
CLÁUDIA:    Está bem aqui em Oséias: “Do Egito chamei o meu Filho”.
JONAS:   Obrigado Cláudia, você é um amor. Eu te devo uma.
CLÁUDIA:    Aqui, leve este pergaminho. Leia-o no caminho.
(Jonas pega o pergaminho e se dirige para o centro do palco enquanto Cláudia sai)
NARRAÇÃO:   E quem iria imaginar que Cláudia era perita em “Profecias Messiânicas”? Eu peguei algumas coisas e fui para o Egito, por conta de Herodes de novo, é claro. Como eu disse antes, neste negócio você nunca sabe onde vai acabar. Eu percebi que seria mais rápido ir até o Egito de barco, então viajei até Ascalom, um porto no Mar Mediterrâneo. Eu não tinha ideia de como iria procurar a criança, já que o Egito é um país muito grande. Eu imaginava que o “pai”, José, deveria ter alguma habilidade manual que ele poderia usar onde quer que fosse. Talvez um cozinheiro, ou costureiro, ou até mesmo carpinteiro. O que quer dizer que ele iria para uma cidade grande ao invés de uma pequena. Eu tive muito tempo livre no barco, então eu fui lendo sobre o Messias no pergaminho que Cláudia me deu.
(No começo desta narração, Jonas volta até o seu escritório, pega uma maleta e sai, enquanto uma cadeira é colocada no centro do palco. Ele deixa a maleta e o casaco próximos à cadeira, senta-se e abre o pergaminho e começa a ler assim que a narração termina)
JONAS:   Mas o que significa isso? Eu queria poder entender isso!
(Entra o Atendente)
ATENDENTE:    Posso fazer algo pelo senhor?
JONAS:   Sim, me diga o que isso quer dizer: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem”
ATENDENTE:    Bem... Emanuel significa “Deus Conosco”. Isaías está dizendo que uma criança nascerá de uma virgem, e que esta criança não é da Terra, e sim o Filho de Deus, e Ele viverá entre nós, e será treinado na justiça.
JONAS:   Mas com que fim? Por que Deus precisa mandar o Seu Filho para ser Rei em Israel?
ATENDENTE:    Eu posso? (Estende as mãos para pegar o pergaminho e Jonas o entrega. O Atendente rola um pouco, procurando uma passagem. Ele encontra e entrega o pergaminho de volta a Jonas) Aqui, leia isso.
JONAS:   “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Pensa um pouco e olha para o Atendente) Isso me parece ir um pouco além de ser apenas um rei.
ATENDENTE:    Mais alguma coisa, senhor?
JONAS:   Não, obrigado.
(Jonas se levanta ao início da narração. O Atendente pega a cadeira e sai. Durante a narração, Jonas fica em pé no centro do palco, esperando. Entra o Rabino, que fica ao lado de Jonas)
NARRAÇÃO:   Eu me registrei em um hotel no Cairo, e comecei a perguntar por aí. E em todos os lugares eu acabava em um beco sem saída. Isso era frustrante. Muitas vezes eu me peguei desejando uma estrela no céu para me guiar até a criança. Uma noite, enquanto esperava por um taxi para o hotel, eu conheci um Rabino que estava viajando.
JONAS:   E é isso o que estou fazendo aqui. Estou procurando a Criança.
RABINO:    Talvez você queira se perguntar de novo o porquê de estar procurando por Ele.
JONAS:   O que quer dizer?
RABINO:    Quero dizer, qual o motivo de você procurar por esta criança? O que você pode fazer por Ele, ou por Sua família?
JONAS:   Bem eu... Eu não sei. Nada, eu acho. Alertá-los para não retornarem para Israel, talvez.
RABINO:    Se esta criança é mesmo o Filho de Deus, então você acha que pode protegê-la melhor do que o próprio Deus?
JONAS:   Bem...
RABINO:    Se Deus está no comando disso tudo, então você pode ter certeza, meu amigo, de que Jesus não está somente bem protegido, mas Seus passos já são definidos diante dEle para qualquer fim que Deus tenha planejado para Ele.
JONAS:   Então, o que você recomenda?
RABINO:    Eu recomendo que você volte para Israel. Volte para a sua vida e suas responsabilidades. Quando for o tempo correto, Jesus será revelado para todos O verem.
JONAS:   Você está dizendo que eu não tenho que encontrar Jesus... Mas Ele vai me encontrar?
RABINO:    Exatamente.
(Entra o Jornaleiro, segurando vários jornais em um braço e um exemplar na mão. Ele vai andando pelo palco, atrás de Jonas e do Rabino)
JORNALEIRO:    Extra! Extra! O Rei Herodes morreu! Sensação de alívio toma conta de Israel! Leiam tudo sobre isso! Extra!
JONAS:   Ei, garoto. Me dê um desses, por favor.
(Entrega uma moeda em troca do jornal)
JORNALEIRO:    Obrigado, senhor. (Vira-se para sair) Extra! Extra!
(O Jornaleiro sai)
JONAS:   (Lendo o jornal) Parece que eu não vou ser pago afinal de contas.
(O Rabino sai)
NARRAÇÃO:   Eu segui o conselho do Rabino e voltei para Israel no dia seguinte, de barco novamente. Eu estava desapontado, mas não muito. Eu me conformava em saber que Deus se importava com a gente aqui em baixo a ponto de mandar o Seu Filho. Eu mal podia esperar para encontra-lO e ouvir o que Ele tinha a dizer. Eu não sou exatamente a pessoa mais paciente do mundo, mas se o Rabino estiver certo, eu não vou ter que esperar muito até que Jesus faça uma grande divisão na história. Ele já impactou a minha vida, e eu nem O encontrei ainda. Agora, eu só preciso colocar a minha mente de volta ao trabalho.
(Jonas volta ao escritório, coloca o casaco e o chapéu na chapeleira, senta-se na cadeira e coloca os pés sobre a mesa. Logo entra a Secretária, trazendo várias pastas)
SECRETÁRIA:   Que bom que voltou senhor. Tem vários clientes esperando para ver o senhor. Algo sobre um fugitivo juvenil e alguns itens roubados... (Entrega as pastas)
JONAS:   Judas Iscariotes... É eu conheço o garoto. Criador de problemas. Mande-os entrar. (Vira-se para o público) O que posso fazer? É o meu trabalho!
(Toca uma música, apagam as luzes. FIM)
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NOTAS DO AUTOR: Inicialmente, este texto se chamaria “Quando Mundos Colidem”, devido a este encontro de pessoas usando roupas dos anos 30 e outras usando roupas da época de Jesus, mas sei lá... Ficou muito HQ...
O personagem principal (Jonas) deve ser um ator muito competente, já que toda a apresentação gira em torno dele e ele nunca sai de cena. O melhor a fazer é que o ator que faz o personagem principal já deixe gravadas as falas da narração, para serem tocadas no momento da apresentação junto a uma música de fundo (e claro: quem estiver controlando o som deve ficar focado na apresentação para iniciar e parar o áudio no momento certo, para não cortar o clima)
Sugiro que o palco seja grande, para deixar o “escritório” no centro ao fundo o tempo todo, já que a encenação volta pra lá várias vezes, e deixar a parte da frente livre para as caminhadas entre uma narração e outra.

 

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