UM NATAL DIFERENTE

Versão para impressão
MENINA COM UM FÓSFORO NA MÃO

O drama e a dor de uma menina muito pobre, as forças se esvaindo, os sonhos e ilusões têm a duração da chama de um fósforo...

Repentistas confrontam a plateia, trechos bíblicos confrontados com a realidade da sociedade de consumo...

Compilamento de Textos e Adaptação de Ariane Mafra

Há no site uma peça homônima UM NATAL DIFERENTE

 Narração In Off e uma atriz em mizancene - A MENINA DOS FÓSFOROS

Foi em uma noite, fazia muito calor e ventava, um cheiro de maresia vinha do mar. Em meio à sombra morna, surgindo a intervalos sob a fraca luz dos postes, a menina caminhava pelas ruas.
Ia descalça, vestidinho puído em cima da pele. Com roupa não se importava, nem sentia, mas seria bom se ainda tivesse seus tamancos, eles eram forrados de chita vermelha, vistosos, grandes por demais, e haviam se acabado antes mesmo que seus pequeninos pés os alcançassem em tamanho. Se agora ela estivesse com eles, talvez não machucasse tantos os pés nas pedras da rua.
Apertou contra o peito a caixa de sapatos espiando o que estava dentro. Fogos de vender: rodinhas, busca-pés, traques, bombinhas, e fósforos coloridos. Tudo pouco, tudo muito pobre. Ninguém comprara nada o dia inteiro e ela não ganhara nenhum trocado.
Caindo de cansaço e fome, a menina quase se arrastava. O suor lhe empastava os cabelos agastados, e gotas escorridas vincavam o seu rosto magro, onde os olhos afloravam tristes, separados por um narizinho que farejava delícias vindas ao longe... rabanadas, canjicas, canelas, carnes... pois aquele dia era véspera de Natal, disso ela sabia muito bem. E, no entanto, ali, andando sozinha.
Conseguiu chegar à esquina e sentou-se no vão entre duas barulhentas casas, onde podia ouvir a movimentação das famílias comemorando o Natal. Agachada, escondida, um bichinho. Debaixo do braço a caixa de fogos. Não vendera nenhum, como ia voltar?! Pai desempregado, adoidado, capiongo de meter medo. E mais... não tinha mãe, pois esta morrera há algum tempo, a avó também. Casa, hein?! Dou por visto, igual à por aqui, no meio da rua. Se apareço e não levo nenhum trocado, estou é pedindo surra, melhor não me aventurar.
Perdida de sono e fraqueza, um buraco abrindo nela toda, contudo resistiu acordada. Reparou nos fogos, ali esperando um comprador. E já que não tinha uma só alma vivente na rua deserta, se pôs a olhar os fósforos coloridos. A olhar atraída, enfeitiçada. Era o que ela mais queria. Talvez porque eram baratos e, algum dia estivessem ao seu alcance. E porque não agora hein?! Pensou ela. E porque não agorinha mesmo!! Encheu-se de coragem e decidida riscou um.
O fósforo lançou faíscas e acendeu numa luz vermelha. E a menina ao olhar aquela luz incandescente lembrou-se e se viu muito antes, bem pequena, a brincar no terreiro limpo com uma dúzia de bonecas de milho. O vento cantava pelas ramas do umbuzeiro, o mundo cheirava a curral. Era bonito e dava pena de saudades. Mas a vacilante chama se apagou, o quintal sumiu, e ficou-lhe entre os dedos o fósforo queimado.
Riscou outro que ardeu numa chama azul que ao bater na parede fronteira, em que a menina estava sentada, a fez transparente e ela pode ver, em pensamento o que estava do outro lado. Uma grande mesa, coberta com uma toalha de linho branco, onde estavam pratos fartos e perfumosos de comidas típicas natalinas, no centro enchendo a travessa de prata, um imenso peru. E eles começaram a dançar, o peru e os pratos, fizeram uma ciranda engraçada em torno dela, de repente o fósforo se findou, a cena também, só ficando de real a parede encardida logo à frente da menina.
Acendeu o terceiro, verde brilhante, e logo a menina se viu perto de uma enorme arvore de Natal, era a maior e mais enfeitada arvore que ela já tinha visto em toda a sua vida, cheia de luzes, penduricalhos, presentes que não acabavam mais, e lá no alto, lá em cima... uma estrela dourada, igual àquela que guiou os três reis magos até o menino Jesus em Belém.
A menina acendeu mais um fósforo, e na sua luz amarela como a de um candeeiro, recordou-se de sua avozinha, pois esta tinha um lampião que reluzia uma forte luz âmbar. Ela então lembrou-se do sorriso quieto e luminoso de sua querida avó.
- Vó – Disse a menina: Leve eu mais você.
Ela sabia que aquela súbita imagem era apenas uma lembrança, um vago pensamento que iria se acabar assim que o fósforo se apagasse, como a sua infância, a comida, e a arvore de natal.
E depressa a menina começou a acender todos os fósforos da caixinha, um a um. E suas luzes iluminaram tanto, tanto que a noite pareceu um dia, mas a sua avozinha sumiu de seu pensamento, de repente a menina viu como que anjos, muitos anjos, trajando branco e dourado, ela lançou os braços para o ar e voou com eles.
No vão, entre as duas casas, ficou sentada a menininha. Encostada à parede, como se fosse uma bonequinha.
O sol do Natal se levantou sobre ela, feito o fim, o derradeiro, um fósforo queimado.
- Que miséria!! – pensavam os transeuntes. - Uma menina morta, na manha de Natal! E passavam calados, cabisbaixos, tomados por uma ânsia repentina. De remorso, remoído.
 

 

03 Atores entram cantando do fundo da igreja como repentistas e dizendo:
1 – O povo que andava em trevas, viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz...
2 – Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo está sobre os seus ombros;
3 - E o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
1 - Ele será descendente de Davi.
2 – E o seu poder como Rei crescerá, e haverá paz em todo o seu reino.
3 - As bases de seu governo serão:
1 2 e 3 - A justiça e o direito, desde o começo e para sempre. Amém.
 
(chegam à frente do púlpito, todo o texto é jogado para a plateia, os atores quase não se olham).
 
1 - Certamente que nesta época do ano em todos os países cristãos do mundo, celebra-se o natal de Jesus. Mas será que o espírito de dar e fazer feliz perdura o ano todo?
2 – Alguns nem se lembram daqueles que passam fome, mas nesta época as pessoas ficam mais sensíveis, e algumas até fazem caridades. Dão presentes, visitam órfãos, presos, doentes, asilos.
3 - Depois vai cada um para as suas casas, viver suas próprias vidas, sem lembrar que presentes e festas não resolvem o problema dos necessitados.
1 - Mas o que fazer, se são tantos os que precisam e eu não tenho como ajudar a todos que gostaria?
2 – Ora! Ajude aqueles que você pode ajudar.
1 – E eu já faço isso. Estou dizendo que, infelizmente, sempre há pessoas passando fome, pois são muitos os necessitados.
3 – A verdade é que se cada um de nós fizéssemos um pouquinho do que Jesus nos ensinou haveria bem menos gente passando fome.
1 – É verdade, mais isso é pra quem tem tempo, eu não tenho tempo pra isso não. Tenho família pra sustentar, sou muito ocupado...
2 – A velha desculpa de sempre. Já sei, você trabalha o dia todo né? Decerto também estuda a noite, acertei? E só lhe resta o final de semana pra ir à igreja, não é mesmo?
1 – Nossa, mais você acertou na tampa!
(repente)
 
(Atores colocam máscaras para representar o auto Todo Mundo e Ninguém de Gil Vicente, e placas com o nome da personagem no peito).
2 (Ninguém) - E tu, estás afim de que?
1 (Todo Mundo) – A fim de buscar o que não consigo topar, mas não desisto, porque o cabra tem que teimar.
2 (Ninguém) – Me diz teu nome primeiro.
1 (Todo Mundo) – Eu me chamo Todo Mundo e passo o ano inteiro correndo atrás de dinheiro, seja limpo, ou seja, imundo.
3 (Juiz) – (para a plateia) Vale a pena dar ciência e anotar isso bem, por ser fato verdadeiro, que Ninguém tem consciência e Todo Mundo tem dinheiro.
2 (para o ator) E que mais procuras hem?
1 (Todo Mundo) – Procuro poder e gloria.
2 (Ninguém) – Essa é a paga de quem só corre atrás do vento, eu cá não vou entrar nessa história, Glória só a Deus, amém.
3 (Juiz) – Busca o poder Todo Mundo, e Ninguém busca virtude.
2 (Ninguém) – Que desejas mais, sabido?
1 (Todo Mundo) – Minha ação elogiada em todo e qualquer sentido.
2 (Ninguém) – Pois eu prefiro ser repreendido quando der uma mancada.
3 (Juiz) – Aqui deixo por escrito o que querem lado a lado, Todo Mundo ser louvado e Ninguém ser repreendido.
2 (Ninguém) - E que mais, amigo meu?
1 (Todo Mundo) – Mais a vida, a vida olé!
2 (Ninguém) – A vida? Não sei o que é. A morte conheço eu.
3 (Juiz) – Esta agora é muito forte, e guardo pra ser lida, Todo mundo busca a vida e Ninguém conhece a morte.
2 (Ninguém) – O que mais tens para borboletear?
1 (Todo Mundo) – Também quero o Paraíso, mas sem ter que me chatear.
2 (Ninguém) – E eu só cumpro o que me foi incumbido.
3 (Juiz) – Para que sirva de aviso, Todo Mundo quer paraíso, e Ninguém cumpre o que deve.
(tiram as mascaras e as placas)
 
2 – Ninguém cumpre o que deve? E o que devemos cumprir?
1 – O que está na Bíblia!
3 – Sim. Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males, e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
1 – Então o mal não está no dinheiro e sim o Amor ao dinheiro é que faz mal.
2 – A respeito do amor Jesus deixou dois mandamentos.
1 – E quais foram?
3 – Ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.
1 – Estes dois mandamentos é o cumprimento dos outros dez.
2 – Sim. E a respeito dos pobres e necessitados, o que Jesus disse?
3 – Que deles é o reino dos céus.
2 – Sim, mas não é disso que eu estou falando. O que lhe perguntei é o que Jesus nos ordenou a fazer?
1 – Ah ele ordenou tantas coisas. Alguém pode me ajudar?
3 – (espera a resposta da plateia) Boa parte do ministério de Jesus sobre a face da Terra foi dedicado aos pobres. Na época, dos oprimidos, leprosos, necessitados, samaritanos, e viúvas, ninguém mais se importava, a não ser Jesus.
2 - Sendo assim, hoje, Ele espera que seu povo contribua generosamente com os necessitados.
1 – É verdade, fazemos tão pouco né?!
2 – E você sabia que Jesus carregava consigo uma bolsa da qual tirava dinheiro para dar aos pobres? Isso ta lá no livro João. Jesus praticava o que ensinava.
1 - E nós às vezes estamos fartos de saber o que devemos praticar e não o fazemos. Porque? Somos muito egoístas. Só olhamos para o nosso próprio umbigo. (atores curvam-se em direção aos seus próprios umbigos.)
3 – Uma das exigências de Jesus para se entrar no reino eterno é mostrar-se generoso para com os irmãos que passam fome e sede, e que se acham nus.
1 – Sério? E onde se encontra isso na Bíblia?
3 – Em Mateus 25, versículos 31 ao 46. Se você não é generoso com os necessitados, está perigando a não entrar no reino dos céus.
1 – Puxa!! O negocio é sério mesmo, hein! Mas eu prefiro seguir o mandamento do Amor, do que ter medo de não ir para o céu.
2 – É, com certeza bem melhor.
1 – Tudo isso me deu uma vontade de fazer alguma coisa pra mudar.
2 – Que tal trabalhar? Sair do comodismo, recrutar pessoas, ir atrás de empresas que possam ajudar. A própria empresa que você trabalha.
1 – Ótima ideia.
3 - Temos também uma arma muito poderosa em nossas mãos, a oração, ela move a vontade de Deus, devemos pedir ao Ele que tenha misericórdia e que mude a sorte das pessoas necessitadas em meu bairro, cidade, país.
1 - Claro. Mas... porque a gente ta aqui mesmo?
2 – Por causa do Natal, lembra?
1 – É verdade, tínhamos a missão de trazer uma mensagem de Natal a esse povo...(olham para a plateia) E que povo bonito hein!!
2 – Ôche! Põe bonito nisso, olha aquele lá... (aponta pra alguém da plateia).
3 – É, mas pela cara deles, acho que eles já sabem o verdadeiro sentido do Natal e de todos os seus símbolos.
1 – O Deus Menino, libertador que veio pra trazer esperança aos corações humanos.
3 - O verde do pinheirinho lembrando a arvore da vida. Os sinos a alegria.
2 - A estrela lembrando aquela que guiou os reis magos, fazendo-os humildes ao se prostrarem diante de Jesus numa manjedoura.
1 - As musicas de amor lembrando o coro dos anjos, com o doce recado de paz na terra entre os homens.
2 – Mais a razão por estarmos aqui não somente por causa disso. Nós temos ouvido cantado, falado, lido, a vinda de Jesus, que veio para ficar entre nós, trazendo um reino de paz. Porém o que temos visto é o endurecimento do coração do homem e a deturpação do natal. O que é o natal pra você?!
1 – O que é o Natal pra você?(depois de perguntarem-se, perguntam à plateia)
3 – O que é o Natal pra você?
2 - O que é o Natal aí fora?
1 – O que é o Natal hoje?
3 – O que é o Natal hoje?
1, 2 e 3 – O que é o Natal Hoje?
1 - Nas casas Daía, você compra em dez vezes sem juros e o primeiro pagamento é apenas em julho do ano que vem.
3 – (representando) Nas casas Tina Tem;
2 – (representando como adulto-criança) Querido papai Noel, este ano eu quero ganhar um baú cheio de dinheiro.
3 – É o negocio ta feio. O consumismo tomou conta da nossa sociedade, você é avaliado pela quantidade de coisas que tem, que compra, que consome, não pelo que você é...(pensativo, triste)
1 – Dia 24 de Dezembro. Festas de Natal.
2 – Movimento no comercio, rodoviária, aeroportos,
3 – Todo ano é a mesma coisa.
1 – Nada de novo debaixo do sol.
2 – O pessoal as vezes lê jornal no dia de Natal só pra ter certeza de que é natal.
3 – Mas o natal taí... nas lojas cheias de gente, apesar dos preços
1 – É a lei da selva, o capitalismo selvagem.
2 – Na TV não se transmitem imagens tristes.
1 – Naturalmente que ninguém gostaria de ver essas imagens na noite de natal.
3 - (pensativo) Vem cá... e se Jesus nascesse hoje, em nossos tempos, como seria?
2 – Ah...Com certeza sairia no Plantão da TV a seguinte noticia: (atores fazem o barulho da vinheta do jornal)
1 - (como repórter) – Atenção! Acaba de chegar em nossos estúdios a noticia de que, numa aldeia no Oriente Médio nasceu um menino, que dizem, mudará o destino do mundo. Afirma-se que ali deitado em seu berço, ele fará mais pela paz do que todas as decisões da ONU.
3 – Jesus de Nazaré, Raiz de Davi. O Descendente de Abraão. Seu nascimento foi cumprimento da profecia que está em Isaías no Antigo Testamento:
2 - Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal:
1 – (Mizancene, uma atriz se torna Maria) Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. De Belém sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel. E Ele é a palavra de Deus que nos foi enviada:
2 - No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.
1 - Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e a quem foi dado a chave de Davi:
3 - Assim diz o Senhor, Porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro; ele abrirá, e ninguém fechará; fechará, e ninguém abrirá. Fixá-lo-ei como a um prego num lugar firme; e será como um trono de honra para a casa de seu pai. Nele, pois, perdurarão toda a glória da casa de seu pai.
(atores cantam Dorme em doce paz, somente em solfejos, enquanto atriz declama a poesia):
1 – Senhor, lembro-me daquela noite em Belém, quando chegaste, frágil criança envolta em panos. Nem um sapatinho de lã, nem um cobertor, nem mesmo uma camisolinha sem mangas, santo exemplo, doce milagre.
2 – Seu nome é Emanuel, que quer dizer, Deus conosco.
1 – Deus conosco para todo o sempre, durante todo o ano, não somente no dia de Natal.
2 – E porque só no dia de Natal que se troca presentes, se chama de irmão, se ama, se perdoa?
1 – Por que se canta noite de paz, noite de amor em uma só noite, se Ele veio para ser Emanuel dia após dia?
3 – Se Ele veio Príncipe da Paz, por que traçam limites ao seu reino e ao seu reinado?
1 – Se É dono do tempo e do espaço, porque Lhe dão apenas um dia?
2 – Um dia é muito pouco para o Senhor do tempo, um tempo é muito pequeno para o Senhor da imensidão.
(atores começam a tocar os instrumentos)
1 – Agora nós vamos saindo, mas a história não acaba aqui.
2 – Esperamos que vocês possam refletir, sobre tudo o que lhes foi apresentado, e saiam daqui conscientes.
3 – Fazendo deste Natal, um Natal diferente.
2 – Um Natal diferente.
(voltam a cantar e falar e vão saindo em direção à porta)
1 – O povo que andava em trevas, viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz...
2 – Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo está sobre os seus ombros;
3 - E o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
1 - Ele será descendente de Davi.
2 – E o seu poder como Rei crescerá, e haverá paz em todo o seu reino.
3 - As bases de seu governo serão:
1 2 e 3 - A justiça e o direito, desde o começo e para sempre. Amém.
 
FIM

 

Autores: 
Datas: 
Estilos: 
Diversos: