TRÊS CONTOS TRISTES E UM SONHO

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Baú com fantoches

Uma criança descobre um livro no sótão.

Lê diferentes histórias e encontra uma solução para uma delas.

No livro faltam folhas, as histórias não têm final.

O tema é natal mas pode ser usado para outra época do ano.

 

Personagens: (Todos os personagens, exceto o filho e o narrador são fantoches.)

CRIANÇA
NARRADOR
CORUJA
VELHO
REI
RAINHA
EXTRAS


NARRADOR:  Os velhos com cabelos brancos contam que existem lugares onde os sonhos descansam.
Onde o passado se mistura inexplicavelmente com o futuro, onde as sombras se prolongam até ficarem gigantes.
São lugares silenciosos e comuns, cheios de histórias.
Histórias que moram nos sótãos, cheios de teias de aranhas empoeiradas;
Vejamos estas antigas  histórias.
NARRADOR:  Em minha casa, no final de uma longa escada, havia um desses lugares, um sótão misterioso; um sótão com grandes caixas, com madeiras esbranquiçadas, com centenas de gavetas cheias de segredos para serem descobertos.
Era um lugar especial.
Entrei com medo de despertar as milhares de memórias que dormiam lá.
NARRADOR:  Eu sempre me lembrarei do cavaleiro de chumbo.
Aquela caixa de música em que lentamente libertou uma dançarina de vestido rosa.
Aquela cabeça de caça envernizada...
São tantos objetos opacos e imóveis, que esconderam as aventuras mais fascinantes.
Naquele dia eu subi com uma missão.
Mamãe me pediu para ir até o sótão e buscar os ornamentos de Natal.
Todos os anos o ritual era repetido.
Pegava aquela caixa grande de papelão, com cheiro de coisa velha, com muito pó, levava até a sala de estar e, como se fosse uma cerimônia, eram colocadas uma a uma as luzes coloridas, fitas, pacotes de laços multicoloridos... Esse era o primeiro aviso que o Natal estava se aproximando lentamente.

(Uma criança entra na sala e segue o desenvolvimento da narrativa.)

Entrei, como sempre, lentamente e quieto. Eu sabia que a caixa estava lá no fundo. Coloquei minha mão na frente da vela, com medo que ela se apagasse.
O chão rangeu como um lamento. Eu me recordava bem  do caminho:
Primeiro o ferro de passar, o rádio da minha avó, o relógio de parede, o baú de madeira...
O baú de madeira.
Ele sempre estava lá, era tão comum que eu nem tinha pensado em olhar para ver o que tinha dentro.
Uma curiosidade repentina me inundou. Que histórias incríveis estariam escondidas ali dentro?
Abri com uma ansiedade incomum e, francamente, senti um pouco desiludido.
Dentro, havia apenas um livro.
Removi a poeira do seu exterior, e li: "Três contos tristes e um sonho". A capa foi roída por algum rato sem sem noção. Deve ter pensado que tinha descoberto um pedaço de queijo e encontrou o indescritível gosto da leitura.
Quando eu passei pela primeira página, um aviso me intrigou: "NÃO LEIA ESTE LIVRO SE VOCÊ NÃO QUER ABRIR SEUS OLHOS.  SE ESPERA QUE A LUZ SEJA SEMPRE TÊNUE, SE VOCÊ ESTÁ PROCURANDO PASSAR POR ESTA VIDA COMO SE NÃO ESTIVESSE AQUI".
Era o que eu estava esperando há muito tempo, um livro que me levaria ao mundo de fantasia. Comecei desesperadamente a ler o primeiro capítulo.

CRIANÇA:   Era uma vez ... Eles sempre começam do mesmo jeito! Era uma vez em uma fazenda em uma terra longínqua, onde vivia um pinheiro, um enorme pinheiro. Esta árvore tinha muitos e muitos anos, todos chamavam de  “Pinheiro Milenar”. Era muito grande e no verão sua sombra refrescava os animais da fazenda. E, no inverno, abrigava das neves e do frio.

(A narrativa continua um fantoche: uma coruja.)

CORUJA:   Eu sempre conheci O Pinheiro Milenar. Quando eu saí da casca, ele já estava lá. Aprendi a voar entre os seus ramos e mais de uma vez eu tive que me agarrar neles pra não cair. Era a principal árvore. O pinheiro raramente sorria e, quando falava, todos os seres da fazenda ficavam em silêncio.
Nossa fazenda era muito barulhenta. Nela havia muitos animais. Tinha a Senhora Pepa da Lama, com seus leitões (ilumina Dona Pepa e seus leitões). Eles eram inconfundíveis, especialmente por causa do seu cheiro.
Tinha também o Don Pavo Milplumas, era o mais exibido. Tinha o vestimento mais nobre , era muito esnobe por ser pavão(Luz no pavão).
Don Potrino Testarudez (ilumina o potro) era outro membro da fazenda. Nem precisa dizer dizer que ele é muito mais do que um par de orelhas.
Olhe! Esse é Don Gallo Kirikí cercado por seus pintinhos (o galo e seus filhotes são iluminados), ele é um bom tenor. Todas as manhãs acordamos com melodias doces. Todo mundo gosta muito. Bem, quase todos. Don Ganso Gansotez (ilumina o ganso) fica irritado ao ouvi-lo.
E, finalmente, estes são outros membros da nossa fazenda (as ovelhas são iluminadas), as ovelhas da família Rebanhez.
Todos vivemos na fazenda e somos muito felizes quase todo o ano. Olhe

(Todos cantam “Deus Criou Os Animais”)

CORUJA:   Eu queria que fosse sempre assim! Nossa felicidade dura só até a data chegar.
Aquele dia é terrível para todos nós.
Nesta data, os humanos nos escolhem para sermos suas vítimas.
Eles celebram algo que exige a morte de muitos de nós.
Os seres humanos são assim, eles não se importam com quem sofre desde que tenham uma boa festa.
A data está se aproximando e muitas fazendas estarão vazias porque os humanos virão buscar muitos para os matadouros.
Gostaria que o ser humano percebesse que também existimos!
Que sentimos dor e medo!
Mas, o humano, conhece tão poucas coisas.
O que é isso? Que barulho é esse? (O humano se aproxima. )

(Todos aterrorizados, a luz apaga-se e a criança está iluminada.)

CRIANÇA: O que é isso? Aqui está faltando uma página. Que livro! Se eu soubesse, não teria começado a ler. (Puxa o livro.)
Bem, talvez ele tenha outra história, uma história fascinante. (Pega o livro e começa a ler).
"Era uma vez - outro que começa assim - Era uma vez em um país tão distante que não aparecia nos mapas, nem havia estradas para encontrá-lo, mas tinha um castelo.
O castelo era grande e forte, antigo e com muita hera, aquelas plantinhas que encobrem as paredes, era o castelo de um rei muito gentil.

(A narrativa continua um fantoche: um MENESTREL.)

MENESTREL:   Um rei muito amável chamado Carinhoso IV, da linhagem nobre dos reis da Casa dos Simpáticos.
Ele chegou  no reino da Amabilândia quando as alegrias tinham acabado. Lá no antigo mundo  Alegria Perdida.
Carinhoso IV estava feliz, casado com a rainha Linda. Linda era de linhagem nobre, família dos Belos.
Um tio dele tornou-se muito famoso, seu nome era Felipe. Os reis deveriam ser muito, muito felizes, mas ficaram tristes porque seu filho, Carinhoso V, teve uma doença terrível.
Muitos anos atrás (deve ser representado durante a narração) chegou no palácio, um mago malvado que dizia ser curandeiro e deu aos reis um monstro horrível com a desculpa que era um instrumento de informação e cultura (o feiticeiro dá uma televisão).
O "Dragão de um olho" cativou o pequeno príncipe que deixou todas as suas atividades para estar na frente do monstro.
"O dragão de um olho" fez o príncipe falar cada vez menos com seus pais e mergulhou em um mundo hipnótico e mortal.
Os reis trouxeram diante do príncipe os melhores menestréis (aparecem menestréis e cantam) e não adiantava de nada.
Eles trouxeram os melhores bufões (bufões contam piadas) e não resolveu.
Eles trouxeram os melhores domadores de animais selvagens (vários domadores deixados com leões) e nada acabou.
Eles trouxeram os melhores ilusionistas e mágicos(fazer jogos de cartas) e nada.
Os reis estavam muito, muito tristes porque, não havia solução, certamente "O Dragão de um olho" acabaria com a vida do príncipe. (A luz apaga-se novamente e a criança é iluminado).

CRIANÇA:  Novamente, falta uma página. Eu odeio esse livro! Não resolve nenhuma história. Estou farto ... (Larga o livro e ameaça ir embora, olha para o livro de canto do olho e retorna lentamente para o livro.) "Era uma vez ... já estou me cansando, hein? Era uma vez um construtor de marionetes que era muito pobre, mas muito pobre mesmo. Ele passou sua vida fazendo as crianças felizes, mas já era tão velho que mal podia sair da casa. Estava muito frio, ele com muita fome e muito solitário. Os antigos precisam do apoio de outros se não ...

VELHO:  Se não, o velho pode morrer de tristeza. Eu só tenho vocês, meus fantoches. Antes, alguns jovens vinham na minha casa para aprender o ofício, eram aprendizes.
Eu aprendi a fazer minhas marionetes como meu pai e meu avô. E como ele havia aprendido ele ensinava. Mas marionetes rendem pouco. Os jovens querem dinheiro fácil e rápido sem pensar se seu trabalho é por uma boa causa ou não. Então eu me encontro falando sozinho e só.
 Antes  eu  me divertia com meus fantoches, mas agora, sem ninguém, não tenho ilusão de viver, (se aproxima de uma marionete de dançarina) Você se lembra da dança que fizemos juntos? (Ele a faz dançar, ele se aproxima de dois pequenos soldados e os faz marchar). Você se lembra das marchas que fizemos? (Ele se aproxima de dois palhaços.) Quantas vezes fizemos as crianças rirem! (Ele pega um bastão e toda uma banda de fantoches aparece. Coloque música, eles dançam). Eu estou tão sozinho para continuar vivendo. Gostaria de deixar este mundo de tristeza. Morrer ... (As luzes se apagam.)

CRIANÇA Esta história não pode terminar assim. Esta história não pode terminar assim! Espere, há algo aqui ... "Você quer resolver o insolúvel? Você quer dar esperança aos que não têm? Claro ... O que eu tenho que fazer? ... Sonho? ... Como posso sonhar acordado? Ninguém sonha devaneios. Bem, vou tentar (feche os olhos com força, as luzes se apaguem e, quando ligam, você está perto da máquina de fantoches).

VELHO. Quem é você?

CRIANÇA: Isso pouco importa. Eu vim pra ajudá-lo.

VELHO. Ajudar-me?

CRIANÇA: Claro, não posso permitir que um professor na arte difícil de fazer e manipular fantoches possa morrer de tristeza e solidão. Não seria justo.

VELHO. Ah meu filho, há tantas coisas injustas neste mundo.

CRIANÇA É verdade! Você está absolutamente certo. Conheço uma criança que morrerá na boca de um dragão terrível se você não o ajudar. Essa é uma injustiça terrível, certo?

VELHO. Claro. Que tipo de dragão é? Dragão de komodo? Dragão escamoso? De que cor tem? Azul, verde, vermelho.

CRIANÇA É um dos piores, é ... "o Dragão de um olho".

VELHO. "O dragão de um olho? É terrível. Onde está essa criança?

CRIANÇA: Venha comigo e vou te mostrar.

(As luzes se apagam e, quando elas ligam, estão diante do rei, da rainha, do príncipe, da comitiva e do temido "Dragão".)

CRIANÇA: Majestade, nós viemos salvar seu filho.

REI:  É impossível. O dragão de um olho tem ele totalmente dominado.

CRIANÇA: Mas eu tenho um amigo que pode ajudá-lo. Por favor, professor, você pode mostrar-lhe o quão bonito é o mundo da imaginação.
VELHO: (Conta a história de Mateus 19:13,14 Enquanto o mestre faz uma exposição com suas marionetas e o príncipe se afasta do Dragão)
VELHO:   Jesus estava falando, tinha uma multidão ouvindo. As palavras de Jesus eram muito sábias, e muito simples também. Era uma grande bênção aprender com Jesus. Alguns meninos tentavam se aproximar de Jesus, as pessoas que estavam perto impediam. Jesus repreendendo as pessoas que estavam criando dificuldades, disse "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". As crianças foram chegando até Jesus Cristo, e ele abençoava cada uma delas.

RAINHA:  Veja! Nosso filho. Finalmente recuperamos nosso filho.

REI:  (falando para a criança) Eu lhe darei o que você quiser.

CRIANÇA:  Majestade, eu gostaria que você fizesse um zoológico muito especial.

REI:  Diga-me onde e eu vou fazer isso.

CRIANÇA:   Venha comigo (As luzes se apagam e elas aparecem na fazenda.) Estes animais morrem todos os anos na festa de Natal. Permita-lhes um armistício. Faça deste fazenda um ótimo zoológico. Que as crianças possam brincar com os animais, ouvir as canções do galo, abrigo sob a sombra da árvore velha. Os animais também sofrem. Que tudo em seu reino seja alegria.

REI:. Seja como você diz, pois suas palavras são sábias.

(Voz da Criança.)

CRIANÇA: Esse foi um lindo sonho. Um desses sonhos que só existem em lugares como o sótão da minha casa.
Sonhos que mudam nossas vidas, que nos enchem de esperança, com esperança.
Sonhos que abrem os olhos, sonhos que fazem um ideal crescer dentro de nós.
Desde então, tento fazer um Natal por dia, que ninguém deve sofrer ou ficar triste, que as crianças sejam separadas das centenas de dragões que as cercam, que os idosos sejam menos solitários.
De tempos em tempos, voltarei a esse sótão porque o mundo me esmaga. Vou ouvir de novo a música  “Todos os animais cantam”, a música “Deus Criou Os Animais”  e muitas outras que louvam ao criador.
Deus nos abençoa e com Ele podemos transformar histórias tristes.
Podemos viver um lindo sonho na esperança das promessas que encontramos na Palavras de Deus .

 


Todos Os Animais Cantam

Todos os animais cantam
Cantam, cantam
Todos os animais cantam
Cantam louvando a Deus!
Todos os animais cantam
Cantam, cantam
Todos os animais cantam
Cantam louvando a Deus!

O pato faz: quá,quá,quá
A abelha faz: zum,zum,zum
O gato faz: miau,miau,miau
O cachorrinho, au,au,au
Todos os animais cantam Cantam, cantam
Todos os animais cantam
Cantam louvando a Deus!

A vaca faz: muh, muh, muh
O galo faz: có,có,có
O grilo faz: cri,cri,cri
O carneirinho, bé,bé,bé
Todos os animais cantam
Cantam, cantam
Todos os animais cantam
Cantam louvando a Deus!

 

Deus Criou Os Animais
Tia Jô
 

Refrão
Deus criou os animais
Eles são muito legais
Não vou maltratar
Deles vou cuidar

O gatinho faz assim: miau, miau
O cachorrinho faz au, au, au au, au au
Piu, piu, piu faz o pintinho
Pula alto o coelhinho
Pula, pula, pula, pula
Pula como coelhinho

Pula pra cá, pula pra lá
Pula como coelhinho,
Pula pula sem parar (bis)

Pulando, pulando, pulando, pulando
Como coelhinho eu também quero pular

O galinho faz có co ri co
O patinho quá quá quá quá quá quá quá
Me, me faz cordeirinho
Voa alto o passarinho
Voa, voa, voa, voa
Voa como o passarinho

Voa pra cá, voa pra lá
Voa como passarinho,
Voa voa sem parar (bis)

Voando, voando, voando, voando
Como um passarinho eu também quero voar

O burrinho faz nhon nhon nhon
A vaquinha faz mumu, mumu
Rhanhuu faz leãozinho,
Corre longe o cavalinho
Corre, corre corre corre
Corre como cavalinho

Corre pra cá, corre pra lá
Corre como cavalinho,
Corre corre sem parar (bis)

Correndo, correndo, correndo correndo

Texto original em espanhol: TRES CUENTOS TRISTES Y UN SUEÑO

 

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