SOLDADOS DO CAMPO MISSIONÁRIO

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Ambiente que lembra um campo de batalha.
Barricada, arame farpado.

O inimigo é invisível em todo o desenrolar da peça.

Uma paródia onde, o campo de gerra é o campo missionário.

A carência dos missionária é comparada a dificuldade dos soldados...

 

 

PERSONAGENS:
SARGENTO
SOLDADO I
SOLDADO II
SOLDADO III
MISSIONÁRIO

 

CENÁRIO: Ambiente que lembra um campo de batalha. Barricada, arame farpado. As explosões e rajadas de metralhadoras serão conseguidos através de efeitos sonoros e luminosos. O inimigo é invisível em todo o desenrolar da peça.
SONOPLASTIA: Constantemente deverão haver tiros de fuzil e metralhadora. Há também de vez em quando som de helicóptero e avião se aproximando. Quando houver som de explosões deverá ocorrer em sincronia com a iluminação, dando mais realismo a cena.
(Em cena Sargento, Soldado I, Soldado II e Soldado III. Todos estão protegidos atrás da barricada. Enquanto Sargento fala ao rádio, os soldados continuam atirar com suas armas. Estes atiram e rapidamente se abaixam para se protegerem das balas do inimigo.)
SARGENTO: Aqui é Lobo-Bravo falando. Alguém na escuta? Câmbio... (Pausa) Lobo-Bravo falando. Alguém está ouvindo? Por favor responda.
CÃO-SÃO-BERNARDO: (Do outro lado) (O som da voz é com bastante ruído) Cão São Bernardo na escuta. Pode falar, Lobo-Bravo.
SARGENTO: (Para os soldados) Conseguimos nos comunicar.
(Os três soldados, sem soltar de suas armas, festejam.)
SOLDADO I: Viva!
SOLDADO II: Deus ouviu nossas preces.
SOLDADO III: Estamos salvos.
SARGENTO: (Repreendendo-os) Quietos! Voltem aos seus postos.
(Os três soldados voltam ao trabalho.)
SARGENTO: (Ao rádio) Cão São Bernardo, aqui é Lobo-Bravo. Ainda está na escuta?
CÃO-SÃO-BERNARDO: Positivo, Lobo-Bravo.
SARGENTO: Caímos numa emboscada. Precisamos de reforços. Câmbio! (Nenhuma resposta do outro lado) Está me ouvindo, Cão São Bernardo? Precisamos de reforços! Pelo amor de Deus, responda, Cão São Bernardo. (Nenhuma resposta) Precisamos de reforços. Repito, precisamos de reforços. (Em desespero) Precisamos de reforços. (Para os outros soldados) Perdemos contato.
SOLDADO II: (Desesperado) Ah não! Estamos perdidos.
SARGENTO: Precisamos lutar com o que temos em mãos.
SOLDADO I: (Resmungando) Mas o que nós temos?
SARGENTO: (Para Soldado III) Soldado, como está nosso estoque de intercessão recebida?
SOLDADO III: (Solta o seu armamento e apanha um relatório) Precário, senhor.
SARGENTO: Como assim, soldado?
SOLDADO III: Senhor, parece que aqueles que oravam por nós diminuíram um pouco o ritmo.
SARGENTO: Precisamos levantar novos intercessores. Sem a oração e a intercessão nossa batalha estará perdida.
SOLDADO II: (Para o Sargento) Poucos são os que se interessam por missões.
SOLDADO I: (Depois de dar alguns tiros por cima da barricada) Muitos não querem vir para o campo missionário. (Dá mais alguns tiros) Mas nem orar por aqueles que se dispõe a vir, eles oram.
SARGENTO: Enquanto isso o inimigo tem se levantado contra nosso trabalho com armamento pesado. Temos que intensificar nossas orações. Parece que as balas de nossas metralhadoras de oração não estão muito eficazes.
SOLDADO II: Será que não temos que utilizarmos as granadas de jejuns, senhor?
(O Soldado III é atingido.)
SOLDADO III: (Abaixando-se rapidamente) Ai meu braço!
SARGENTO: Soldado, foi atingido?
SOLDADO III: (Com voz fraca) Acho que vou morrer.
SARGENTO: (Examinando os ferimentos do soldado) Você está sangrando muito... Mas esse inimigo é sujo mesmo.
SOLDADO III: Sargento, eu vou morrer, né?
SARGENTO: Você foi atingido por uma bala de desânimo. Você terá que ser forte para poder vencer.
SOLDADO I: (Encontrando uma gaze. Vai até o Sargento) Parece que alguém lembrou de nós, senhor.
SARGENTO: O que foi, soldado?
SOLDADO I: Tem alguém intercedendo por nós. (Entregando a gaze ao sargento) Encontrei gaze de coragem.
SARGENTO: Me alcança logo isso. Antes que percamos esse combatente. (Ele providencia um curativo.)
SOLDADO III: Essa gaze tem cheiro de fresquinha.
SARGENTO: Soldado, acho que alguém está orando por nós nesse exato momento.
SOLDADO II: (Para Soldado I) Nossa munição está diminuindo rápido demais.
SOLDADO I: Temos que continuar atirando. Vamos ficar em espírito de oração. Vamos cantar louvores com nossa alma. Com certeza não nos faltará munição.
SARGENTO: (Terminando o curativo) Como se sente, soldado?
SOLDADO III: Melhor. (Levanto-se e batendo continência) Pronto para o combate, sargento.
SOLDADO I: (Parando de atirar. Observa algo) O que é aquilo?
SOLDADO II: (Também parando de atirar) Parece que é um dos nossos.
SARGENTO: (Apanhando um binóculo) Onde? (Observando pelo binóculo) É um dos nossos. Vou resgatá-lo!
SOLDADO I: Sargento!
SARGENTO: O que foi, soldado?
SOLDADO I: Não gostaria que o senhor arriscasse a sua vida, sargento. Permita-me que eu vá em seu lugar.
SARGENTO: Eu sou o líder dessa missão.
SOLDADO I: Por isso, senhor. Não podemos arriscarmos nosso líder.
SARGENTO: Permissão concedida, soldado. Estaremos aqui te dando cobertura em oração, soldado. Mas cuidado... O território está infestado de minas de falta de fé. Se você pisar em uma terá a perna decepada, com facilidade o inimigo irá te capturar como prisioneiro.
SOLDADO I: Senhor, eu acredito que com uma boa cobertura de oração nenhum mal me sucederá.
SARGENTO: Então vai, soldado.
(Soldado I agachado passa pela frente da barricada. Depois rastejando desaparece na escuridão.)
SARGENTO: Soldados, vamos cobri-lo com oração. Vamos pegar em armas pesadas.
SOLDADO III: Alguém lembra de um versículo para auxiliar nosso companheiro.
SARGENTO: Boa ideia, soldado. Eu vou começar. (Pensativo) Deixe-me ver. Ah já sei! (Gritando por cima da barricada) “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação...” (Is 52:7)
SOLDADO II: (Gritando por cima da barricada) “... Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” (Js 1:9)
SOLDADO III: (Idem) “O Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio.” (Sl 18:2)
SARGENTO: Não consigo ver o soldado. Parece que o perdemos.
SOLDADO III: Não vamos desanimar. (Atira por cima da barricada) Temos que orar com mais fé.
SOLDADO II: Vamos continuar a orar por ele. Deus não o abandonará.
SARGENTO: (Olhando com o binóculo) Parece que eu o estou vendo. (Feliz) E ele conseguiu resgatar o companheiro.
SOLDADO II: Viva!
SARGENTO: Continuem na cobertura, soldados.
(Reaparece Soldado I escorando um homem ferido. Esse também é um missionário. Sargento vai até os dois para ajudar a carregar o homem ferido.)
SARGENTO: (Para o Soldado I) Muito bem, soldado.
SOLDADO I: Ele está muito ferido.
MISSIONÁRIO: Por que não me deixaram morrer?
SARGENTO: Missionário Carlos, é você?
MISSIONÁRIO: É o que sobrou dele.
SARGENTO: O que aconteceu? (Observando seus ferimentos) Parece que você foi atingido por “fogo amigo”.
MISSIONÁRIO: Deus confiou em mim e eu caí em adultério.
(Os três soldados interrompem o que estavam fazendo.)
OS TRÊS SOLDADOS: Hã?
SARGENTO: (Repreendendo-os) Soldados, voltem a batalha.
(Calados, os soldados voltam aos seus afazeres.)
MISSIONÁRIO: Eu estou envergonhado. Me arrependi perante a congregação, mas parece que ninguém acredita na regeneração de um servo do Senhor que cai nesse pecado. A maioria deles veio até mim com pedras na mão.
SARGENTO: Fique calmo, Carlos! Vamos te encaminhar para a enfermaria.
MISSIONÁRIO: Não adianta. Nenhum médico vai querer cuidar de mim.
SARGENTO: Não fala assim.
MISSIONÁRIO: Acho que não vou suportar muito tempo.
SARGENTO: Teu caso é grave. (Analisando os ferimentos do missionário) Vejo que nenhum de seus ferimentos foram causados pelo seu pecado. Você foi atingido por balas de acusação, falta de compaixão, fofoca...
MISSIONÁRIO: (Com a voz fraca) Acho que é o meu fim. Continuem firmes soldados. (Morre)
SARGENTO: Aguente mais um pouco. (Examinando-o) Morreu. (Pequena pausa) Se os cristãos aprendessem a deixar de acusar seus líderes que caíram no pecado e se arrependeram, e a orar mais por eles. Acreditassem em regeneração. Se as pessoas deixassem de acusar pessoas que Deus já perdoou. Que o sangue derramado de Jesus não foi em vão.
(Soldado I e Soldado II retiram o corpo do missionário de cena.)
SOLDADO III: Sargento, nossas armas estão com mais potência.
SARGENTO: Parece que estamos recebendo mais orações. Mas precisamos de mais intercessores. (Orando) Senhor, que aqueles que não podem vir intercedam por nós. Levanta mais intercessores para os missionários que resolveram vir para o campo de batalha.
(Soldado I e Soldado II voltam em cena.)
CÃO-SÃO-BERNARDO: (Pelo rádio) Lobo-Bravo... Lobo-Bravo. Aqui é Cão São Bernardo. Câmbio!
SOLDADO II: (Para o Sargento) O rádio, senhor.
SARGENTO: (Apanhando o rádio) Aqui é Lobo-Bravo.
CÃO-SÃO-BERNARDO: Lobo-Bravo, precisamos de suas coordenadas. Acabamos de receber nova munição. Parece que uma igreja inteira resolveu interceder por missões.
SARGENTO: Que boa notícia, Cão São Bernardo.
CÃO-SÃO-BERNARDO: São Mísseis de alta precisão.
SARGENTO: (Para os soldados) Aqui está muito barulhento. Eu já volto.
(Sargento desaparece atrás da barricada.)
SOLDADO III: (Para os outros dois companheiros) O trabalho no campo missionário sem a cobertura de oração daqueles que ficam não é nada fácil.
SOLDADO II: (Depois de ter arremessado uma granada) Precisamos muito também da oferta mandada pelos nossos irmãos. Isso é de uma ajuda muito grande.
SOLDADO I: Deus recompensa a cada um.
SOLDADO II: Mas também precisamos da oração e jejum em nosso favor.
(Volta a cena o Sargento.)
SARGENTO: Boa notícia, rapazes. Daqui a alguns minutos receberemos reforços. Serão tanques blindados de jejuns, aviões equipados com mísseis colhidos nas vigílias dos santos e reforços de helicópteros com guerreiros da fé.
SONOPLASTIA: Avião.
SOLDADO I: Parece que eles chegaram.
SARGENTO: Parecia que a batalha estava perdida, mas Deus preparou o melhor para o final.
SONOPLASTIA: Silêncio.
SOLDADO III: Vejam, o inimigo está se rendendo.
(Luz sobre uma bandeira branca que está sendo sacudida na outra extremidade do palco.)
SOLDADO I: Nós vencemos!
SARGENTO: Soldados, não se enganem. A batalha está ganha, mas a guerra de forma alguma. Continuaremos soldados da oração. Nós estaremos aqui orando, mas não dispensamos as orações dos brasileiros por nós. Precisamos que novos recrutas se alistem para essa guerra. Cristãos, ouçam o “ide” do Senhor. (Pausa) Soldados, vamos avançar e resgatar as almas dessa pátria para Jesus.
TODOS: (Batendo continência para o céu, como se a última ordem viesse de Jesus) Sim, Senhor Jesus!
(Cortina.)
FIM.

 

Diversos: