RECOMEÇAR

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RECOMEÇAR

Um Escritor recebe a tarefa de escrever uma versão “modernizada” da história do Natal, para que as crianças de hoje em dia possam entendê-la melhor. Enquanto ele luta para modernizar a história, ele sempre acaba voltando para a versão original de cada cena. A ideia é que apesar de seus esforços, a história é ótima como ela é. Enquanto ele trabalha suas ideias, elas são encenadas atrás dele no palco pelos atores (vestidos de acordo).

 

Personagens
Escritor
Anjo
Maria
Narrador
José
Roadie1
Roadie2
Dono da Estalagem
Pastor1
Pastor2
Pastor3
Sábio1
Sábio2
Sábio3
Texto
O Escritor fica em uma mesa abaixo do palco, no centro. Ele fica sempre de frente para o público, atrás dele, o palco está vazio. Na mesa tem um notebook e uma Bíblia aberta. A peça se inicia com o Escritor falando ao celular.
ESCRITOR:  (No celular) Sim, Sr. Marcos, eu entendi a ideia: uma versão moderna e atualizada da história do Natal de um jeito que as crianças entendam. Entendido. Agora, quando o senhor diz atualizada, o senhor quer dizer nos dias atuais? Na Belém atual? Porque, veja bem, Sr. Marcos: eu não consigo ver José e Maria viajando de carro... (Pausa) OK, vou ver o que posso fazer. (Pausa) Sim, Sr. Marcos. Até logo.
(Desliga o telefone e senta-se na mesa, em frente ao computador)
OK, vamos ver... Uma versão moderna da história do Natal... “Tempere isso cara! Coloque um pouco de humor. Faça de um jeito que as crianças entendam!” Muito bem. Eu sou um escritor profissional, eu devo ser capaz de dar uma atualizada nessa história. Vamos colocar um pouco de século XXI nessa mistura. Sem problema. OK... Por onde eu começo? Natal... Maria e o Anjo (começa a digitar no computador e falando ao mesmo tempo, entram Maria e o Anjo no palco atrás dele) Vamos ver, primeiro, o Anjo diz a Maria que ela terá um bebê. Na versão original o Anjo a visitou pessoalmente. Como ele faria isso hoje? Ele a visitaria pessoalmente ou de outra forma? Que tal... (volta a digitar)
(O Anjo e Maria pegam celulares dos bolsos e os colocam em seus ouvidos)
ESCRITOR:  “Chamada a cobrar, para aceitá-la continue na linha após a identificação (beeeeeeeeeep)” (o Anjo vai começar a falar) Não, isso é ridículo! (Maria e o Anjo guardam os telefones) E-mail? Não. Ahá! Telegrama! (O Anjo pega um telegrama do bolso e entrega para Maria, que começa a ler)
MARIA:   Salve agraciada (ponto) o Senhor é contigo (ponto)
ESCRITOR:  Não, isso não vai dar certo. (Maria guarda o telegrama) Bem, pelo jeito ele vai ter que visitá-la pessoalmente mesmo. OK, na versão original, o que o Anjo disse? Vamos ver... (lê a Bíblia)
ANJO:   (Para Maria) Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
ESCRITOR:  Bem, antes de tudo, desculpe Almeida, mas ninguém mais fala assim hoje em dia. Vamos tentar assim...
ANJO:   (Para Maria) Oi Maria...
ESCRITOR:  Vamos ver... “Salve agraciada”? Como ele diria isso hoje em dia? “Salve Agraciada”... E que tal... (volta a escrever)
ANJO:   Oi Maria, você é muito estimada...
ESCRITOR:  Não...
ANJO:   Você é demais!
ESCRITOR:  Não, não...
ANJO:   ...Incrível...
ESCRITOR:  Não...
ANJO:   ...Uma mulher legal...
ESCRITOR:  Por favor! Seja real!
ANJO:   ... Salve agraciada!
ESCRITOR:  Para falar a verdade, eu até gosto do original. “Salve Agraciada”!
ANJO:   Salve, agraciada; o Senhor é contigo.
ESCRITOR:  Ok... “Bendita és tu entre as mulheres.”... (Escreve)
ANJO:   Você é muito abençoada!
ESCRITOR:  Não...
ANJO:   Quando se fala em bênçãos, moça, você é quem manda!
ESCRITOR:  Não...
ANJO:   Entre as mulheres, você é a maioral...
ESCRITOR:  Vamos, pense... pense... (escrevendo)
ANJO:   Olá Maria. Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
ESCRITOR:  E de novo, o original soa muito melhor. OK... (digitando) O Narrador diz...
(Entra o Narrador – com uma camiseta escrito “Narrador” nela)
NARRADOR:  Maria ouve a saudação, e se preocupou com ela, pensando que tipo de saudação seria esta. (Narrador sai)
(Maria no palco fica com um olhar confuso. O Escritor continua a escrever)
ANJO:   (Para Maria) Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande...
ESCRITOR:  Grrrrrr! Pense moderno! Como ele diria hoje?
ANJO:   Seu nome será Jesus. E ele vai bombar!
ESCRITOR:  Não mesmo...
ANJO:   Ele vai abalar as estruturas!
ESCRITOR:  Não, não, não!
ANJO:   Ele será O CARA!
ESCRITOR:  Pára... Vamos levar a sério por um segundo...
ANJO:   Ele será grande.
ESCRITOR:  Hmm... “Ele será grande”. Isso é mesmo o ideal. (Escrevendo)
ANJO:   Seu nome será Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi.
ESCRITOR:  E Maria diz... (lê na Bíblia o que Maria diz)
MARIA:   Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.
ESCRITOR:  Vamos ver... Hoje em dia ela diria... (Escrevendo)
MARIA:  Sou sua candidata!
ESCRITOR:  Não...
MARIA:  OK, onde eu assino?
ESCRITOR:  Não...
MARIA:  Manda ver!
ESCRITOR:  Vamos cara! Tente não ser desrespeitoso! Como ela aceitaria a ideia... (Pensa e escreve)
MARIA:  Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra.
ESCRITOR:  Muito bom. Provavelmente é melhor não mexer muito com o original... OK... (escrevendo) diminuem as luzes... Uma música leve no fundo, e...
(O Anjo sai, as luzes diminuem, começa uma música no fundo, Maria se ajoelha. O Anjo entra e se aproxima de Maria, ela o vê e se levanta)
ANJO:   Olá Maria. Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
NARRADOR:  (Sem entrar no palco) Maria ouve a saudação, e se preocupa-se com ela, pensando que tipo de saudação seria esta.
ANJO:   Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim.
MARIA:  Como acontecerá isso, se sou virgem?
ANJO:   Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.
MARIA:  (Pensa um pouco) Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra.
(O Anjo sai, depois Maria sai. As luzes acendem, a música para)
ESCRITOR:  OK, isso vai funcionar. Próxima cena... (Escrevendo) O Narrador diz...
NARRADOR:  (Entra no palco) Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se.
(O Narrador sai, entram José e Maria grávida)
ESCRITOR:  OK, então Maria está grávida e prestes a dar à luz. Eles estão à pé?
MARIA:  Bem, com certeza nós não andamos o caminho todo.
ESCRITOR:  Mas eu não posso entrar com um jumento na igreja. Bem, é uma versão moderna, que tal... (Escreve)
(Um Roadie entrega para Maria um cabo de vassoura com cabeça de cavalo. Ela mostra para o público espantada)
ESCRITOR:  Não, isso vai arruinar todo o efeito. Não podemos ser tão tolos. (O Roadie pega o “cavalo” e sai) Bem, vamos dizer que eles acabaram de chegar e ela desmontou agora. José vai procurar um quarto na estalagem. Vamos ver... (olha na Bíblia) a Bíblia não descreve o que aconteceu... Acho que vou ter que dar um jeito.
(José deixa Maria em um canto do palco e vai até o outro canto falar com o Dono da Estalagem, que acabou de entrar)
JOSÉ:  Olá, você é o dono da estalagem?
DONO DA ESTALAGEM:  Sim, com certeza não sou o Rei Herodes!
ESCRITOR:  Hmm... Bem, o Sr. Marcos disse para colocar um pouco de humor... Deve funcionar aqui. (escrevendo)
JOSÉ:  Acabamos de chegar de Nazaré... E cara, estamos cansados!
ESCRITOR:  Não, isso é ridículo. Que tal...
JOSÉ:  (Apontando para Maria) Olhe o estado da minha esposa!
ESCRITOR:  Acho que não. Vamos direto ao ponto aqui...
JOSÉ:  Olá, você é o dono da estalagem?
DONO DA ESTALAGEM:  Sim senhor...
JOSÉ:  Estou desesperado por um quarto. Minha esposa está prestes a dar à luz!
MARIA:  Pergunte se eles têm TV à Cabo!
ESCRITOR:  Não, assim não dá certo...
JOSÉ:  Estou desesperado por um quarto. Minha esposa está prestes a dar à luz!
DONO DA ESTALAGEM:  Eu gostaria de ajudá-lo senhor. Mas não temos mais nenhum quarto. O Natal é nosso período mais ocupado do ano. A não ser que o senhor tenha uma reserva, você deveria procurar outro lugar.
ESCRITOR:  Grrr! Não, não, não! Cara, humor não funciona aqui mesmo. Vamos tentar assim...
DONO DA ESTALAGEM:  Bem, não temos nenhum quarto agora, mas temos um celeiro nos fundos. 29 pratas o pernoite.
JOSÉ:  (Para o Dono da Estalagem) O celeiro? Temos cara de gado, por acaso?
ESCRITOR:  Não. Esta não é uma história engraçada! (levanta-se e pensa andando) Como se pode pegar essa história e tentar fazer engraçada? É muito sério. Não é para ser engraçada. Deve ser engraçada ou as crianças não vão assisti-la? Qualé! Vamos dar algum crédito para as crianças de hoje. Eu consigo deixar sério. (volta a se sentar)
JOSÉ:  Você poderia pelo menos me chamar um táxi?
DONO DA ESTALAGEM:  OK...
ESCRITOR:  Grrr. Por que é tão difícil escrever um diálogo nesta cena? (Pensa um pouco) O diálogo espera um pouco... Como deve ficar o palco?
(Entram os Roadies e montam o “presépio” com a manjedoura ao centro. Algumas caixas e “palha”)
ESCRITOR:  Não... Não no centro, vamos colocar um pouco mais para a direita. (Escreve enquanto fala e os Roadies ajustam o cenário) OK, isso deve funcionar. Ei! Vamos tentar assim... (Escrevendo)
(Os Roadies saem, a luz diminui um pouco, toca uma música natalina ao fundo, Maria e José saem e então entram de novo por um lado do palco. O Dono da Estalagem entra pelo lado oposto e cruza o palco em direção a eles. José ajuda Maria a andar e se aproximam do Dono da Estalagem. José “fala” com o Dono da Estalagem, mostrando Maria (que está ao seu lado). O Dono da Estalagem balança a cabeça negativamente, aponta a manjedoura e cruza os braços como quem diz “é pegar ou largar”. Então o Dono da Estalagem sai. José e Maria ficam olhando para a manjedoura. Maria cobre sua face e chora no ombro de José, ele a consola. Ele a ajuda a se sentar. As luzes se apagam e a música para. Então as luzes se acendem novamente. Os Roadies entram para retirar o cenário e Maria e José saem enquanto o Escritor fala)
ESCRITOR:  OK, isso sim funciona. Gosto mais desta cena sem diálogos. OK, o que vem depois? (Lendo a Bíblia) Ah, os Anjos e os pastores.
(Entram três pastores e o Anjo, no centro do palco, olhando para o público. Os pastores estão em um canto e o Anjo no outro)
ESCRITOR:  OK, três pastores... Um Anjo. Agora... (Consultando a Bíblia) “Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho” (E começa a escrever)
PASTOR 1:  Ei gente, já contaram as ovelhas hoje?
PASTOR 2:  Eu tento, mas caio no sono todas as vezes!
ESCRITOR:  Isso foi engraçado...
PASTOR 1:  E aí, tudo pronto para tosquiarmos as ovelhas amanhã?
PASTOR 2:  Será um tosco prazer! (ri sozinho)
PASTOR 1:  Que seja, vamos levar o rebanho pela manhã.
PASTOR 2:  Vai ser uma lavada. Hein? “Lavada”?
PASTOR 1:  Você nunca para?
ESCRITOR:  Já chega disso...
PASTOR 3:  Senhores, eu tenho uma pergunta...
ESCRITOR:  “Senhores”?Formal demais... (Escrevendo)
PASTOR 3:  Gente, posso perguntar uma coisa?
PASTOR 2:  Claro, o que é?
PASTOR 3:  Algum de vocês já viu um Anjo antes?
PASTOR 1:  Não. Por que a pergunta?
O Pastor3 aponta sobre seu ombro para o Anjo.
Os pastores se abraçam com medo. O Escritor consulta a Bíblia.
ESCRITOR:  Vamos ver... No original diz...
ANJO:   Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo.
ESCRITOR:  Vamos dar uma mudada nisso... (escrevendo)
ANJO:   Relaxem caras...
ESCRITOR:  Não, foi demais... Vamos ver assim...
ANJO:   Não temam... Eu trago grandes notícias. Que vão mudar o mundo! O Salvador nasceu em Belém, Ele é Cristo, o Senhor.
PASTOR 1:  Como encontraremos ele?
ANJO:   Já vou chegar nessa parte!
ESCRITOR:  Não... Apague isso! (Escrevendo)
ANJO:   Ele é Cristo, o Senhor. Vocês encontrarão o menino enrolado em trapos, deitado em uma manjedoura.
PASTOR 2:  “Trapos”?
ESCRITOR:  “Trapos”? Como assim, em “trapos”? (Volta a escrever)
ANJO:   Vocês encontrarão o menino enrolado em panos, deitado em uma manjedoura.
ESCRITOR:  Assim está melhor. OK, e o Narrador diz... (Entra o Narrador)
NARRADOR:  E, no mesmo instante, apareceu com o Anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus.
(O Narrador sai)
ESCRITOR:  Hmmmm. Como vou mostrar uma multidão de Anjos? Um Chroma-Key? Mil bonecos? Já sei... Vou usar música. OK, vamos ver como ficou...
(O Anjo sai. Os pastores se arrumam, conversando entre si, as luzes diminuem)
NARRADOR:  Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.
(O Anjo entra, os pastores o vêm e ficam com medo)
ANJO:    Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.
NARRADOR:  (Sem entrar no palco) E, no mesmo instante, apareceu com o Anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus.
(Começa um alto coro de Aleluias, o Anjo abre seus braços majestosamente e os pastores olham em volta com medo. Depois de uns 10 segundos de música, o Anjo sai, a música pára e os pastores dizem)
PASTOR 3:  Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber.
(Os pastores saem, as luzes voltam ao normal. O Escritor se levanta e começa a andar)
ESCRITOR:  Sabe, esta é realmente uma história incrível. É tão completa... Por que atualizá-la? Por que tentar modernizá-la? (Pega o telefone e disca) Grrr... Caixa postal! (Espera um pouco) Alô, Sr. Marcos, eu cheguei a conclusão de que a história do Natal é perfeita do jeito que é. Ela não precisa ser atualizada. As crianças a entenderão muito bem. Deus acertou logo de primeira. Até logo.
(Senta-se e volta a escrever. Inicia-se um cântico natalino. No palco, os Roadies montam novamente o presépio e saem assim que os personagens entram para assumirem seus lugares. Maria e José no centro com o bebê. Os pastores se posicionam ao redor deles, o Anjo fica por perto. Os três sábios entram logo depois com os presentes, deixando um por um junto ao bebê, e ficam ao lado da cena. Pausa. Diminuem-se as luzes.
ESCRITOR:  E fim! Não espere! (Apaga, pensa um pouco e reescreve) O Começo!
(Acendem-se as luzes. O presépio ainda está em posição. O Escritor se levanta e entra na cena, com cuidado e se aproxima de Maria. Gesticula para ela, perguntando se pode segurar o bebê. Ela o entrega ao Escritor. Ele pega o bebê e se dirige ao público)
ESCRITOR:  Que linda história! O Deus da Criação voluntariamente se torna um bebê indefeso. Isto foi o começo.
(O Anjo vem à frente)
ANJO:   Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome:
PASTOR 2:  Maravilhoso.
PASTOR 1:  Conselheiro.
JOSÉ:  Deus forte.
MARIA:  Pai da Eternidade.
ESCRITOR:  Príncipe da Paz.
ANJO:   Do aumento deste principado e da paz não haverá fim.
(Aumenta a música, Roadies, Dono da Estalagem e Narrador entram no palco para a música final)
 
Fim
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