QUATRO VEZES VINTE

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QUATRO VEZES VINTE + placa indicativa de ancião

Um senhor idoso (Terceira Idade / Melhor Idade / Velho), divide a sua vida em fazes de vinte anos cada.
Ao contar a sua história, relembrando um pouco de cada uma das épocas, constata, agora que já envelheceu, que muita coisa não tinha sentido.
Hoje, compreende que Deus deixou Um caminho para a eternidade, mesmo que isto perturbe muitos, ele deve anunciar...

Monólogo de um avô -  José Inostroza Garrido

Personagem: Um avô, com uma bengala, de casaco, cachecol, corrente e outras debaixo de seu casaco.
No cenário, ao fundo, podem passar outras pessoas. O cenário composto de uma árvore, um banco, época de outono.
AVÔ:   Vocês, nunca pensei ou imaginei que pedras tão pequenas fossem me atrapalhar tanto, simplesmente por estarem no meu caminho prejudicam tanto a minha caminhada
Tempo atrás eu as pegaria pra lançá-las os vento ou fazê-las quicar sobre a água; Sem dúvida, isto antes dos meus primeiros vinte. Na época eu era um garotinho, hoje tenho quatro vezes vinte.
AVÔ:   Ei, não me olhem assim, tão pouco fiquem com este sorrisinho, embora eu entenda que os meus cabelos grisalhos(brancos), meus passos cansados dizem que são oitenta e não “quatro vezes vinte”. É que eu simplesmente conto da mesma forma que tenho vivido, de vinte em vinte.
AVÔ:  Além do que, vocês estão olhando por fora, mas olha aqui dentro(abrindo o casaco mostra uma camiseta muito atual, de adolescente), são apenas vinte. Vivo assim, embora estas pedras estejam perturbando minha vida.
AVÔ:  O tempo tem me ensinado muitíssimas coisas, poderia dizer; Sou um jovem com muita experiência! Em minha segunda vintena fui muito orgulhoso, fiz muitos amigos. Sim me lembro como se fosse ontem do Russo, ele era o líder. Juntos colocávamos o Pedrinho e o Nelson em apuros. Com isso fiz perigosos inimigos.
AVÔ:   Sempre lavei a minha vida “com o nariz empinado”. Mas, de que adiantou? De nada! Hoje Deus tem inclinado minha cabeça pra baixo, curvado meus ombros para que eu veja onde coloco os meus pés, e com isso lembre da minha arrogância.
AVÔ:   Parece simplesmente uma lição, antes tão orgulhoso e elegante, para hoje olhar para o chão sem cessar pelo encurvamento de minhas costas.
AVÔ:   É que por acaso o tempo passa sem deixar sua marca? Não pesa tudo isso neste corpo mortal. Todos os trajes se desgastam e este também, ainda mais quando se já se tem oitenta, como vocês dizem.
AVÔ:  Amigos, Deus é muito sábio. As vezes penso estou arrastando os pés, andando lentamente é para que eu pense primeiro onde eu quero ir. Ou melhor, aonde que eu quero chegar. Vocês devem ter notado que com minha dificuldade tenho que pensar duas vezes antes de seguir numa direção.
AVÔ:   Antes não era assim, se alguém me dissesse: Vamos pra lá. Já estava indo, sem saber pra onde nem para quê.
AVÔ:  Também na minha vida eu esqueci de pensar no local que queria chegar, esqueci de definir e de repente eu estava justamente onde eu não queria chegar.
AVÔ:  E aqui vocês me veem, sem família, sem filhos, sem amigos, sem esposa... Deus é muito sábio, tornou o meu andar mais lento. Agora faz pensar mais clara e calmamente pra onde quero ir.
AVÔ:   Aos quarenta, irado, levantei minhas mãos com os punhos cerrados com muita raiva, gritando, desmanchei uma mesa. No entanto, agora tremem sem cessar, servem apenas para... arrumar meus óculos.
AVÔ:   Todos me veem agindo vagarosamente, com a voz meio pesada. E posso dizer que já não quero ir rapidamente. Deus me tornou lento na reta final, para desfrutar, para que me tarde um pouco mais para chegar.  E, poder contar pra vocês porque estou contente.
AVÔ:  Eu sou feliz, sabendo  que Deus mesmo quando eu me demoro, Ele está me esperando.

Não é verdade Deus? Que..

 

(poema de Amado Nervo)
Se tu me dizes; Vem, eu largo tudo
Não virarei sequer pra dar uma espiada
Para ver a mulher amada...

Mas, dê-me força de tal modo
Que tua voz, como trombeta de chamada
Vibre no íntimo mais profundo
Do ser, levante a alma de sua lama
E fira o coração como uma espada.

Se tu me dizes: Vem; eu largo tudo
Chegarei no teu santuário quase velho,
sob brilho da luz crepuscular;
Mas hei de compensar o meu atraso
difundindo-me. Oh, Cristo! Como um nardo
De perfume sutil,  ante o teu altar...

Vocês estão indo muito rápido, o caminho para a eternidade é este.
Me desculpem se estas palavras perturbarem a tranquilidade de vocês

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