QUANDO DEUS TOCA

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Assaltante

Uma viúva de meia idade, cujo falecido esposo era pastor, com três filhos.
A mãe e as meninas eram cristãs fiéis, que entendiam plenamente o que faziam na igreja.
O rapaz, nunca tinha aberto o coração para Jesus e com a morte do pai tornara-se um delinquente e roubava, sendo preso logo ao início da peça.
Cumpriu pena e foi condenado ainda a fazer trabalho comunitário e aí que tem um encontro verdadeiro com Cristo, entendendo finalmente o plano da Salvação por Jesus.
PERSONAGENS:
Mãe
Filha - Sara
Filha - Raquel
Filho – André
Educadora - Alice:

I

SARA: Raquel, Raquel???
RAQUEL:   O que é que foi Sara? Porque é que estás a gritar?
SARA: (Triste) Não sabes o que é que aconteceu…
RAQUEL:   (Preocupada) O que foi?
SARA: O André…
RAQUEL:   Ai… não me digas...
SARA: Digo, digo… Foi outra vez apanhado a roubar…
RAQUEL:   Que coisa… O André não tem emenda, só faz o que não deve… quando a mãe souber vai ralhar com ele de certeza…
SARA: Acho que desta vez não é a mãe que vai fazer alguma coisa….
RAQUEL:   Então?
SARA: Ele foi preso…
RAQUEL:   O quê???? A mãe vai ficar muito triste e decepcionada…
SARA: E agora?? Que coisa… desde que o pai morreu que ele se tem vindo a transformar num malandro…
RAQUEL:   Pois, deixou de ir à igreja, tem amigos muito esquisitos e resta saber o que acontece mais além dos roubos…
SARA: (Quase a chorar) A mãe vai ficar tão desapontada… coitadinha…
RAQUEL:   Pois vai… temos que a ajudar… ela sofre muito com a morte do pai, mas ao contrário do André, parece que a fé dela se fortaleceu mais ainda.
SARA: É verdade! O André precisava de ter um encontro com Jesus… a mãe bem tenta falar-lhe, mas ele não quer saber…
RAQUEL:   Pois… ela fica tão triste…
(A mãe chega)
MÃE: Olá!!! (Para e olha para as filhas) Que caras são essas? Aconteceu alguma coisa?
RAQUEL:   Oh mãe… aconteceu…
SARA: É o André, mãe… desta vez o caso é ainda mais sério…
MÃE: Não me digam... o que foi ?
RAQUEL:   Mãe, tenha calma…
MÃE: Sim, mas o que foi?
SARA: Ele foi apanhado a roubar e levaram-no para a prisão…
MÃE: (Chora, escondendo o rosto nas mãos) Não…. O que é que se passa com o meu filho? Porque é que têm acontecido estas coisas com a nossa família?
RAQUEL:   Tenha calma… por favor…
SARA: Disseram que era para a mãe ir lá…
MÃE: Está bem… eu vou então.

 

I I

 


NARRAÇÃO:  (Pode ser feita com teatro mudo)
O André foi condenado a seis meses na prisão, e a cada dia que passava se revoltava mais. Ao fim dos seis meses ele seria transferido para uma cidade longe dali onde faria trabalho comunitário por mais um ano.
As irmãs e a mãe visitavam-no sempre, mas ele, com o seu modo frio, praticamente não dava importância, apesar do amor da sua família e quando elas tentavam acalmá-lo ou falar-lhe de Jesus ele mudava de assunto, brincava ou amaldiçoava a fé das três.
Mas finalmente chegara o dia de ver o sol, de sair da prisão.
SARA: Viste André, acabou!
ANDRÉ:  Não, não acabou. Agora tenho que ir para um infantário! Imagina, um infantário! Não me faltava mais nada!
MÃE: Oh filho… não digas isso. É preferível isso a ficar na prisão mais um ano.
RAQUEL:   Sim André, e as crianças são muito queridas! Vais ver que vai ser bom!
ANDRÉ:  Já me chegavas tu e a Sara…
RAQUEL:   (Sorri) Vá, vai lá… não te esqueças de nos ligar!

I I I

NARRAÇÃO:  Despediram-se e lá foi o André ajudar a cuidar da roupa das crianças.
Mal o André sabia que tudo o que estava a acontecer era permissão de Deus, para que ele tivesse um encontro com o Senhor Jesus, como a sua carinhosa mãe e as duas irmãs sempre pediam em oração.
Chegado ao infantário, onde ficaria interno, foi encaminhado ao gabinete do director, onde tiveram uma conversa sobre as suas funções e também outras questões relacionadas com o motivo de ele estar ali.
Passou um dia, dois dias, uma semana, um mês. O André trabalhava, sentindo-se ainda revoltado por tudo. Não tinha amigos... quase não falava com ninguém, apesar dos esforços de todos para se aproximarem dele. Mas um dia, ao arrumar a roupa passada a ferro nas prateleiras, reparou que na sala em frente uma educadora contava uma história a meninos com mais ou menos seis anos. O André ficou atento, era algo familiar. Ele lembrou-se de como o seu pai falava, enquanto pastor de uma congregação, das lições de escola dominical dadas pela sua mãe, de como as irmãs lhe tentavam falar tantas vezes... e de como ele não ouvia, então prestou mais atenção:
EDUCADORA:  Deus enviou o seu único filho ao mundo por amor a nós! Sabem o que aconteceu? A virgem Maria deu à luz um bebé e esse menino era o filho de Deus. Ele tinha um plano maravilhoso, que era salvar a cada homem e mulher do pecado.
(Na outra sala o André fala baixinho) – Eu lembro-me... todos contavam essa história...
EDUCADORA:  Jesus nasceu em Belém, tal como tinha sido dito pelo profeta. Foi visitado pelos pastores que estavam no campo e que tinham sido avisados pelo anjo que dizia: Isto vos será por sinal, achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura. E logo depois apareceu uma multidão dos exércitos celestiais que louvava a Deus e dizia: Glória a Deus nas alturas, Paz na Terra, boa vontade para com os homens. Isto aconteceu mesmo, não é maravilhoso?
ANDRÉ:  (Baixinho) Será mesmo verdade? Eu não acreditava em nada disto...
EDUCADORA:  E como Jesus é Rei, foi visitado por três reis magos, que viram uma estrela, que devia ser muito diferente das outras, porque eles entenderam que era o sinal do nascimento do Messias prometido, então quando o encontraram adoraram-no e ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra.
ANDRÉ:  Pois é, eu lembro-me de ouvir isso... mas achava que era só uma história...
EDUCADORA:  Jesus ama-nos tanto! Ele veio para perdoar os nossos pecados e a cada dia cuida de nós, quando lhe entregamos o nosso coração podemos ser felizes... e é isso mesmo que Ele deseja.
NARRAÇÃO: Naquele momento o André prostrou-se e começou a chorar. A chorar de arrependimento por nunca ter levado a sério a igreja, por ter virado as costas a tudo o que tinha aprendido logo que o seu pai partiu, por não ter ouvido a sua família, por não ter crido mais cedo... e por todas as coisas erradas que tinha feito.
A educadora fez uma oração breve e quando as crianças saíram o André encaminhou-se para a sala.
ANDRÉ:  Desculpe... eu... bem... eu sou o André e... sem querer eu ouvi a história que estava a contar às crianças.
EDUCADORA:  Eu conheço muito bem a tua mãe André, sabias? Foi ela a primeira pessoa a contar-me esta história verídica.
ANDRÉ:  Não me diga... isso é verdade?
EDUCADORA:  Sim, nós somos amigas de infância e eu aceitei Jesus porque a tua mãe me falou. Eu vim morar para esta cidade pouco tempo depois de tu nasceres. Eu sabia que estavas aqui, o director contou-me e eu descobri que eras o filho da minha grande amiga.
ANDRÉ:  Que bom que está aqui. Se não fosse isso eu não teria ouvido esta história. Já a tinha ouvido muitas vezes, mas nunca com atenção. Eu descobri que preciso de Jesus... mas não tenho a certeza se Ele ainda me aceita.
EDUCADORA:  E porque não havia de aceitar?
ANDRÉ:  Bem... eu não me tenho portado nada bem... estou aqui a cumprir uma pena... descobri que sou um grande pecador...
EDUCADORA:  Eu tenho um segredo para te contar: Para um grande pecador há um grande Salvador. Se ouviste o que eu estava a contar às crianças deves ter ouvido quando disse que Ele nos quer ver felizes.
ANDRÉ:  Sim, eu ouvi.
EDUCADORA:  André, Jesus ama-te, Ele é apaixonado por ti. Lembra-te, Ele veio ao mundo para te salvar. Foi por ti.
ANDRÉ:  Acha que ele ainda me perdoa? Por tudo o que eu tenho feito?
EDUCADORA:  É claro que sim!

IV

NARRAÇÃO:  Alice, a educadora, orou pelo André e o André também fez a sua primeira oração depois do seu verdadeiro encontro com o Salvador. Ele pediu perdão pelos seus pecados, agradeceu a salvação e a segunda oportunidade que Deus lhe deu.
Quando se despediram foi imediatamente telefonar para casa, fazendo a sua mãe chorar de emoção ao receber a feliz notícia.
Devido ao seu bom comportamento e transformação, a sua pena foi reduzida, e livre foi passar o Natal em casa, junto da sua família.

MÃE: Filho, estou tão feliz!
ANDRÉ:  Oh mãezinha! Feliz estou eu, por finalmente conhecer Jesus e viver cheio de alegria e Paz.
(Abraçam-se)
RAQUEL:   E que bom que conseguiste emprego no infantário da nossa igreja aqui!
MÃE: Ficaram todos muito contentes pelo teu regresso e por ires trabalhar lá.
SARA: Deus cuida mesmo de nós.
ANDRÉ:  Ele é maravilhoso! Hoje em dia eu posso dizer que sou feliz.
RAQUEL:   Por finalmente estares livre?
ANDRÉ:  Não. Por ser livre. Não livre da prisão ou até da pena que tive que cumprir naquele infantário.
SARA: Sei o que queres dizer.
ANDRÉ:  Mesmo no infantário eu senti-me livre. No início não. Eu era muito revoltado contra tudo. Mas desde o dia em que finalmente me entreguei a Jesus de coração, eu pude experimentar a verdadeira liberdade.
MÃE: É verdade filho, Jesus veio ao mundo para isso mesmo.
RAQUEL:   Não imaginas o quanto estamos felizes por ouvir essas coisas de ti!
ANDRÉ:  Tudo isso é o resultado das vossas orações.
NARRAÇÃO:  Este é o exemplo de uma família feliz por ter recebido o Senhor Jesus no seu coração e crido que Ele mesmo, o filho de Deus desceu do Céu – o seu Lar Celestial, abundante em riquezas e paz – para habitar numa terra repleta de homens pecadores e não apenas isso, por ter nascido e vivido humildemente por amor a cada um de nós, para nos salvar.
Se estás hoje aqui e, cansado da vida, pensas que ninguém te ama, sorri porque alguém te olha cheio de carinho. Deus está aqui, tal como naquele dia em Belém, e trouxe-te a este lugar porque te ama e quer que o reconheças em todos os teus caminhos.
Se, pelo contrário, a vida te tem corrido bem e pensas que não precisas de nada nem de ninguém, escuta: És realmente feliz? Todo o dinheiro, o bom emprego, a casa bonita, o carro… é essa a tua felicidade? Lembra-te, a vida é passageira e o dia em que tudo finda vai acabar por chegar. Mas a morte é a penas o fim da vida terrena, porque uma vida espiritual espera-nos do lado de lá. Estás preparado para te encontrar com Jesus?
Reflecte esta manhã e toma a melhor decisão.
FIM

 

Liliana Sofia Zacarias Sebastião Costa Alcobaça, Portugal 2009

Blog da autora Teatro Cristão Alcobaça

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