PRESSA PRA QUE? (Encenação natalina)

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PRESSA PRA QUE? (Encenação natalina)

A vó Nita, muito calma e sábia proporciona um momento de tranquilidade no meio do agito da criançada. Ela conta a história bíblica de Maria e Isabel grávidas. A cena da chegada de Maria na casa de Isabel é representada, como uma ilustração do que a Vó contava.
Ao final refletem sobre algumas lições da História.

 

PERSONAGENS: 5 crianças (nos papéis de Alex, Cleiton, Claiton, Juliana e Lídia), e 3 mulheres (nos papéis de Vó Nita, Maria e Isabel).
AMBIENTE: Sala de uma casa com: cadeira de balanço, outros assentos menores nas proximidades da cadeira de balanço, tapete ao centro com mesinha, enfeites (quadros, vaso de flores...). Num dos lados, uma cadeira, uma mesinha com uma vela e um vaso de flores, um baú de vime ou de madeira.

CENA 1
Soa uma canção natalina bem alegre. Vó Nita encontra-se tranquila, cochilando em sua cadeira de balanço. O grupo de crianças entra correndo, animado. Aos poucos, o volume a música vai sendo reduzido até silenciar por completo. Enquanto cumprimentam a Vó com beijos e abraços as crianças dizem algo como: “Oi Vó”, “Como vai, Vó!” ou “Tudo bem, Vó Nita?” Vó Nita se espanta com a chegada eufórica das crianças, mas sorri contente. Enquanto fala convida as crianças, com gestos, a se sentarem ao seu redor:
VÓ NITA: Ora essa, vocês já chegaram?! Venham! Venham! Sentem-se aqui, bem pertinho de mim!
CLEITON: Tá bem, Vó Nita.
(As crianças se acomodam rapidamente!)
LÍDIA: Vó, não aguento mais esperar. Conta DEPRESSA pra gente a história que você prometeu!
JULIANA: É, Vó, nós estamos curiosos!
VÓ NITA: Calma, calma! Pra que a PRESSA? Vocês estão parecendo as pessoas nas ruas! Todas andam tão APRESSADAS nessa época do ano que não vivem mais um dia de cada vez! Por pouco não atropelam umas às outras!
ALEX: É verdade, Vó. Lá na rua tá uma correria...! Dentro das lojas, então, nem se fala. Mas podemos falar disso depois?
LÍDIA: Lembra, Vó? Você prometeu contar pra gente a história da visita de Maria a sua prima Isabel!
TODAS AS CRIANÇAS (exceto a Lídia): Isso mesmo, Vó!
JULIANA: Vó, é verdade que Isabel e Maria ganharam seus bebês com poucos meses de diferença?
VÓ NITA: Sim, Juliana, é verdade.
ALEX: E Vó, é verdade que Maria era bem jovem e Isabel bem idosa quando elas ficaram grávidas?
VÓ NITA: Sim, isto também é verdade, Alex.
CLAITON: Então, Vó, conta pra gente a história toda!
VÓ NITA: (Concorda calmamente, sorrindo!) Tá bem, tá bem, crianças. Estão preparados pra ouvir uma das mais belas histórias da Bíblia?
TODAS AS CRIANÇAS: Sim!
VÓ NITA: (Vó Nita sorri, feliz!) Então vamos lá. Faz bastante tempo que tudo aconteceu, mas, cada vez que me lembro deste acontecimento parece que estou vendo, diante dos meus olhos, Maria se aprontando DEPRESSA pra ir à casa de Isabel, na região montanhosa da Judeia.
CENA 2
Soa música instrumental tranquila. As crianças e Vó Nita dirigem seu olhar para Isabel que entra, feliz, grávida de cinco meses, assobiando e com algumas roupinhas de bebê nas mãos. Isabel se senta na cadeira, coloca as roupinhas sobre o colo, abre a tampa do baú, vai dobrando, calmamente, cada peça (com um sorriso nos lábios) e colocando-a no baú.
A música silencia, aos poucos. Maria entra com jeito de quem vai fazer uma surpresa. A poucos passos de Isabel ela abre os braços e exclama:
MARIA: Isabel!
(Isabel levanta o olhar, leva as mãos á boca num gesto de espanto e, visivelmente contente, exclama, indo em direção a Maria:)
ISABEL: Maria!
(Maria e Isabel se abraçam e trocam beijos numa demonstração de profunda alegria pelo reencontro. Isabel, então, coloca as mãos sobre o ventre e diz:)
ISABEL: “Você é a mais abençoada de todas as mulheres [Maria], e a criança que você vai ter é abençoada também. Quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha me visitar?! Logo que ouvi você me cumprimentar, a criança ficou alegre e se mexeu dentro da minha barriga. Você é feliz [Maria] porque acredita que vai acontecer o que o Senhor lhe disse.”
MARIA: Ah, Isabel! “O meu coração louva o Senhor” e eu estou alegre “[...] por causa de Deus, o meu Salvador. Porque ele se lembrou de mim, sua humilde serva! De agora em diante todos vão me chamar de mulher abençoada, porque o Deus Poderoso fez grandes coisas por mim. O seu nome é santo e ele mostra a sua bondade a todas as pessoas que o respeitam em todas as gerações. Levanta a sua mão poderosa e derrota os orgulhosos com todos os seus planos. Derruba dos seus tronos reis poderosos e põe os humildes em altas posições. Dá fartura aos que têm fome e manda os ricos embora com as mãos vazias. Ele cumpriu as promessas que fez aos nossos antepassados e ajudou o povo de Israel, seu servo.” (Lucas 1.46-54, BLH)
(Isabel, tendo escutado as palavras de Maria com atenção, levanta aos mãos “aos céus” num gesto de gratidão e diz:)
ISABEL: Bendito seja Deus, Maria! Agora venha; venha banhar-se e descansar um pouco da longa viagem que você empreendeu até aqui. Ainda vamos ter muito tempo pra conversar!
Isabel conduz Maria para fora do ambiente! Ambas saem conversando animadas, em tom de voz baixinho, como que a trocar “segredos”. Uma música natalina soa, novamente, por breves instantes até silenciar por completo.
CENA 3
Vó Nita reinicia a conversa, “encerrando” a narração da história:
VÓ NITA: E foi assim, crianças, que tudo aconteceu!
JULIANA: Muito legal essa história, Vó!
TODAS AS CRIANÇAS (exceto a Juliana): É mesmo!
ALEX: (Alex fala pensativo!) Sabem, tudo isso que aconteceu foi “demais”! Deus escolheu uma jovem mulher, que nem era famosa, pra ser a mãe de Jesus.
LÍDIA: (Lídia fala, também, pensativa!) É verdade, Alex. Além disso, Jesus nasceu numa estrebaria em Belém, que também não era um lugar nada famoso.
VÓ NITA: Você tem razão, Lídia. (Vó Nita se dirige a todas as crianças.) Estou percebendo uma coisa: Parece que vocês perderam a PRESSA e ficaram pensativas?!
JULIANA: Sabe, Vó, é que essa história faz a gente pensar mesmo; ela nos mostra que para algumas coisas a gente precisa ter PRESSA e, para outras, não!
VÓ NITA: (Vó Nita pergunta surpresa:) Como assim, Juliana?
JULIANA: Ora essa, Vó, você acha que a gente não ouviu você falando que a Maria saiu APRESSADA da sua cidade pra visitar a Isabel?
VÓ NITA: Sim, eu falei isso, mas não estou entendendo o que você quer dizer.
ALEX: Eu já entendi. É assim, Vó: A gente precisa ter PRESSA pra fazer o que realmente é importante mas não precisa ter pressa pra fazer o que não é tão importante, entendeu?
VÓ NITA: Sei...
LÍDIA: Eu ajudo a explicar pra Vovó, pessoal. Maria saiu DEPRESSA pra visitar Isabel. Ela tinha uma ótima notícia pra contar: estava grávida do filho de Deus, o Salvador tão esperado.
JULIANA: É isso, Vó. Se a gente tem uma boa notícia pra contar pra alguém, então a gente pode ter PRESSA.
CLEITON: Vó, eu corri pra casa hoje bem rápido, depois da aula, pra contar pra mãe que eu ajudei a Ana e o Gabriel a fazer a tarefa que a professora deu pra gente.
VÓ NITA: (Vó Nita sorri e diz:) Muito bem, Cleiton! Você fez o que era certo!
LÍDIA: Sim, Vó, mas a gente pode ter PRESSA também pra fazer outras coisas legais: pra visitar alguém que está doente, pra ajudar a mãe e o pai nas tarefas de casa...
ALEX: ...pra participar do Culto, pra abraçar quem está sofrendo, pra cuidar de um bichinho que está machucado...
JULIANA: ...pra repartir o que a gente tem... Tudo isso, Vó, são coisas importantes que a gente não pode deixar pra amanhã, entende? Ainda mais nessa época que festejamos o nascimento de Jesus.
VÓ NITA: (Vó Nita exclama pensativa, dando a entender que está muito admirada da reflexão das crianças.) Sei... E o que não exige PRESSA da gente?
LÍDIA: Ah, Vó... Por exemplo: Pra que tanta correria nas lojas agora, antes do Natal? A gente não deveria presentear o ano inteiro as pessoas que amamos com coisas muito mais importantes do que presentes que têm um valor passageiro?
JULIANA: É... E tem mais: E a agenda dos adultos? Eles dizem o tempo todo assim: “Agora não posso fazer tal coisa; não tenho tempo”. Vivem com PRESSA! Por que eles querem “abraçar o mundo”, fazer tudo ao mesmo tempo?
ALEX: Concordo: Muitas vezes as pessoas adultas têm muita PRESSA para o trabalho, pras compras, pras muitas festas de encerramento disso e daquilo. (Alex se dirige ao grupo todo.) E para o que realmente é importante, será que nós todos temos PRESSA?
VÓ NITA: (Vó Nita exclama, surpresa!) Olha! Quase não acredito no que estou ouvindo! Vocês têm toda razão. A atitude de Maria está nos ensinando uma excelente lição para o tempo do Advento, o tempo que vem antes do Natal. Ela foi DEPRESSA compartilhar a notícia do nascimento com Isabel. Lá ela teve tempo para o que era importante. Ficou na casa de Isabel por três meses, fazendo companhia e ajudando a prima já idosa que estava grávida. PRESSA é muito importante quando ela está a serviço do bem-estar das pessoas. Se não for assim, a PRESSA vira stress e não faz sentido algum!
JULIANA: Então, Vó Nita, vamos DEPRESSA contar a nossa conversa pra mãe e pro pai?!
VÓ NITA: Vamos lá. E vamos refazer a lista do que é mais importante que a gente faça até que chegue o Natal!
TODAS AS CRIANÇAS: É isso aí, Vó Nita!
JULIANA: Então, toca aqui, Vó!
Juliana e Vó Nita se cumprimentam batendo as palmas das mãos. O grupo todo sai animado. Soa música natalina alegre.

Encenação: “PRESSA PRA QUÊ?”
Autoria: Scheila dos Santos Dreher
Colaboração: Valdeci Foester

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