OS DOIS FILHOS

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DOIS IRMÃOS - Filho Pr[odigoOS DOIS FILHOS
Baseado na parábola de Lc 15.11-32 – O Filho Pródigo.
O pai, um fazendeiro, sua esposa e dois filhos. Empregados, vizinhos, um tio...
O filho mais novo pede sua parte da herança...
Tem também

DE VOLTA PRA CASA!

Cenário:
Uma sala de refeição de uma casa interiorana (mesa grande e cadeiras, móveis velhos, um vaso de florres naturais)
Personagens: (12)
Pai (Antônio)
Mãe (Dona Flóra)
Filho mais velho (Pedro)
Filho pródigo (André)
Tio (Augusto)
Auxiliares (4 pessoas sentadas nos bancos junto á comunidade)
Empregados (2)
Amigo interesseiro
CENA I
Dois irmãos conversam pelo caminho. Eles estavam na lavoura e retornam para casa no anoitecer. (entram pela igreja em direção ao altar simbolizando esse retorno para casa. No altar está a sala da casa).
Um dos irmãos, o mais novo puxa conversa:
PEDRO: Hoje a lida foi pesada. Não vejo a hora de chegar em casa, tomar um banho e descansar...
ANDRÉ: Mas você é mesmo preguiçoso. Se você fosse para a lavoura com o mesmo ânimo como que quando volta, trabalharias bem mais...
PEDRO: “Trabalharia bem mais...” Você tá é loco, se trabalho mais eu morro!
Pequena pausa, O mais novo volta a puxar conversa:
PEDRO: Vem cá, eu estava pensando... Aquelas ovelhas que cuidamos valem um bom dinheiro hoje em dia...
ANDRÉ: Espera ai! (Ambos param) Onde você quer chegar com essa conversa?
PEDRO: Não, nada não, eu só estava pensando que nós poderíamos vender algumas, assim poderíamos fazer uma festinha. (vai a frente)
ANDRÉ: (irritado segura seu irmão pelo braço) Da onde você tirou essa idéia? Se nem a mim o pai me deu um cabrito sequer para comemorar com meus amigos, quanto menos para você...
PEDRO: (retrucando o irmão) Pois saiba que eu tenho tanto direito como você.
Nisso Dona Flóra aparece na porta da casa e adverte seus filhos:
DONA FLÓRA: Meus filhos! Que isso, vocês estão discutindo por que motivo?
PEDRO: A não nada não mãe. (entra dentro de casa em um cômodo)
DONA FLÓRA: (chega perto, lhe pega num braço e aponta-lhe o dedo) Pedro, meu filho, eu não quero mais ver essa cena se repetir!
PEDRO: Mas mãe eu não fiz nada, é esse teu filho que fica me provocando!
DONA FLÓRA: Meu filho, você é o mais velho e tem que dar exemplo. Agora vai você e seu irmão tomar banho e se aprontar. Nós teremos visita, o seu tio Augusto já está chegando e vai jantar conosco essa noite. (ambos entram na casa também).
CENA 2
Na casa, uma mesa com alguns pratos de sopa e colheres. Os dois irmãos entram ‘emburrados’ e sentam em pontas diferentes. A mãe também entra trazendo o cesto de pães e põe sobre a mesa. A mãe comenta ainda baixinho com os filhos:
DONA FLÓRA: Vocês ainda estão com essa cara?
Entram pelo lado, o pai Antônio e o tio Augusto conversando descontraidamente.
ANTÔNIO: Pois é isso Augusto, estas são as minhas reservas que tenho ajuntado com os anos de trabalho, mas as maiores riquezas minha e de minha esposa são nossos filhos, eles são motivos de muito orgulho e alegria para nós. (O pai, muito feliz, beija o filho mais novo na testa).
TIO AUGUSTO: É verdade, os filhos são presentes de Deus.
Os filhos levantam e cumprimentam o tio.
Todos sentam na mesa, abaixam a cabeça em oração (silenciosa).
O tio pergunta aos sobrinhos dos seus planos.
TIO AUGUSTO: Mas eu poderia saber como meus queridos sobrinhos pensam em administrar tamanho capital depois que o seu pai não poder mais? (Momento de silêncio).
PEDRO: Pois eu venho pensando e acho que seria bom meu pai dividir esse capital para que nós já pudéssemos ir indo aprendendo...
(A mãe que está em pé atrás da cadeira onde o pai está sentado, leva um susto pondo a mão no coração pela afronta do filho. O pai em silêncio abaixa a cabeça para o outro lado. O tio questiona)
TIO AUGUSTO: Mas Pedro!!! Isso seria como pedir que seu pai morresse logo!!!
PEDRO: Não falei por mal. Estou apenas pensando em meu futuro.
ANTÔNIO: Você tem razão meu filho, eu não vou viver muito tempo. A partir de hoje você ficará responsável pela parte leste até o lago. Teu irmão com a parte sul até a floresta.
O irmão mais velho se levanta em silêncio (concordando com a sua parte) mas retira-se dali (em protesto contra o irmão).
Pedro, o pai e tio comem um pouco, um pouco constrangidos pela situação.
O tio agradece à Dona Flóra pela janta e sai. Dona Flóra o acompanha até a porta. (ao lado).
Pedro também se levanta e vai para outro lado.
(música)
Antônio permanece sentado, imóvel e cai em choro.
Dona Flóra volta e abraça o marido.
Saem de cena. Dona Flora volta e recolhe a mesa e sai.
Antônio volta e senta-se. Pedro volta a falar com o pai.
PEDRO: Pai, eu nem dormi essa noite direito pensando no que te falei. Eu sei que o que pedi não foi bem certo, mas eu quero te mostrar que sou mais capaz. Por isso, já que o senhor me deu a minha herança, eu também penso mais na frente e resolvi investir em mim mesmo. Por isso estou vendendo a parte que me cabe e vou me embora procurar minha felicidade. Adeus! (e sai pela frente do altar com uma sacola de panos nas costas).
A mãe entra com a cesta de pão e uma bule. Olha com estranheza para Antônio quando vê o filho partindo, mas o pai recomenda:
ANTÔNIO: Deixe- o ir, não adianta nada segurá-lo.
André também sai e vendo o sofrimento do pai, resolve não tomar café.
ANDRÉ: Mãe eu não quero pão, vou para a lavoura. (dá uns passos, para e fala consigo mesmo) Vou trabalhar bastante para que o pai se orgulhe de mim e esqueça do outro. (sai em direção do corredor).
O pai desabafa:
ANTÔNIO: Quem me dera tivesse um único filho que me consolasse...
CENA 3
Pedro entra cantando e dançando com um amigo. (entram da porta da igreja mas só até a metade do corredor. Pode-se usar um monte de acessórios). (música alegre)
Desperdiça o dinheiro (pode-se fazer notas de papel e ele as joga por cima das pessoas).
Negocia com um ou outro da platéia algo que ele quer comprar: “Te dou mil por esse chapéu!” (e ele o recebe). “Uma cortesia para você!” (dá uma nota de papel para outro). “Uma flor para uma flor!” (tira de dentro do casaco uma flor e dá para uma moça). “Hi! Sobro ainda uma nota!” (a música para) Pedro olha para o amigo, fica sério e este lhe diz: “Dá-me que eu comprarei ainda algo para a gente comer” (e vai embora).
Pedro revisa os bolsos vazios. Pergunta para um ou outro se pode devolver o dinheiro (todos acenam a cabeça que não). Pede para outro: “Você tem uma moedinha?”. Sai cabisbaixo. (musica triste).
No cenário a frente o pai aparece olhando para longe, para, caminha, para, olha, segue vagarosamente.
CENA 4
Pedro entra da porta da frente, todo sujo, descalso, esfarrapado, descabelado, com um balde feio cheio de lavagem (pode ser pasto verde ou pão molhado em água). Olha para dentro do balde com nojo e diz:
“O que não mata engorda” e enfia algo na boca, mas gospe de volta. Senta-se no chão, põe a mão na cabeça e lamenta:
“O que será de mim...?” “Quantos trabalhadores do meu pai tem o que comer e eu aqui passando fome!”. Levanta rapidamente e reflete:
“Isso!!! Tem algo que ainda posso fazer, voltarei para meu pai e direi que me receba como seu empregado...Não...não... melhor não..como um salariado, isso! assim não terei compromissos pessoais com pais e irmãos e terei meu dinheiro de volta e minha liberdade...hehehe" ” sai rapidamente por onde entrou.
CENA 5
(Música triste) O pai volta a olhar para longe, senta-se... olha... abaixa a cabeça...cruza os dedos e olha para cima em oração:
“Pai! Por onde estiver meu filho amado, cuide dele, e se achares por misericórdia, traz ele de volta pra mim!!!” (chora amargamente).
(o filho vai entrando) O pai olha de novo, pressente ver algo, enxuga as lágrimas dos olhos, olha de novo, levanta e sai tropicando:
“Será? Será mesmo? Será meu filho?”
As pessoas (as que estão sentadas ao lado) o reconhecem e começam a resmungar:
“Mas eu não acredito! Como teve coragem de voltar!?” “Volte pelo mesmo caminho que voltou filho desgraçado!!”(e levantam-se para agredi-lo com porretes e pedras).
O pai vem correndo para protegê-lo e o abraça e o beija: “meu filho!!!”
As pessoas sentam e resmungam:
“Que vexame um pai de família sair correndo assim!”
“Ele se humilhou por esse filho.”
“Sim, e o beijo que ele deu demonstra que já o perdoou.”
O filho, que no começo ficou assustado pela repreensão das pessoas e confuso com a ação inesperada de compaixão e amor do pai em correr, o proteger e o perdoar, só lamenta:
“Sou indigno...sou indigno... Não mereço ser chamado teu filho pai!”
O pai o levanta e o leva para casa dizendo:
“Não fale mais nada. Você é meu filho e isso é que importa. Esqueça o que passou a alegria dessa casa voltou” (Música bem alegre com som de flautas)
Quando o pai chega com o filho em casa, a mãe o abraça e o beija. Dois empregados entram de cada lado do palco, um lhe calça os sapatos e outro lhe põe uma roupa bem bonita. O pai tira o anel do seu dedo e põe no dedo do filho.
CENA 6

Nessa alegria toda, entra pela porta o filho mais velho e ao reparar as músicas, pergunta para alguém que está sentado sobre o que acontece.
PESSOA: Teu irmão voltou e o pai o perdoou.
ANDRÉ: Mas como ele voltou? Voltou muito rico?
PESSOA: Não, mendigando migalhas de pão.
ANDRÉ: Mas como?!!! (faz-se silêncio. O pai o procura).
ANTÔNIO: Meu filho, o que ouve?
ANDRÉ: O que ouve?! O que ouve?! Como que você me pergunta o que ouve? Nem sei se lhe reconheço mais! Nem sei o que eu sou para o senhor. Eu trabalho tanto para te agradar, tanto, e nunca sou recompensado. Agora chega esse outro, que desperdiçou tudo e o senhor lhe dá tudo!
ANTÔNIO: Meu filho, tu sempre esteve comigo; tudo que é meu é teu. Esse meu filho é teu irmão também. E se ele perdeu tudo... o que importa é que ele tá vivo e voltou para casa. Ele estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.
Final?

 

Fonte WEB

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