O VULTO DA MACAXEIRA

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Peça indicada para festividades caipiras, comuns em Junho, Julho e Agosto.

Proposta: Referenciando à estética da telenovela, esta esquete tematiza os diversos medos que encontramos ao longo da vida - na infância, na juventude e na velhice - e as maneiras que encontramos para escondê-lo dos outros e de nós mesmos, gerando situações quase ridículas e patéticas de tão pueris.
Enquanto Lunga, Genoveva, Genonovo, Cremogema e Filó temem ser esquecidos, machucados e/ou ignorados e tentam chamar a atenção para si o tempo todo, não enxergam a dificuldade de Cremerildes e Genovéio em fazer com que o arraial que tanto planejaram aconteça conforme suas expectativas. Do mesmo modo, a estética do melodrama – presente nas radio e telenovelas, propagandas, etc e que se tornam referência para esta dramaturgia – procura lidar com nossos medos, mas explorando-os a fim de obter lucro.
Que todos possamos confiar no amor de nosso Deus, para que nossos temores não tomem conta de nossa rotina e, por fim, nos levem por escolhas que desagradam a Ele. Por mais que as situações pelas quais passamos pareçam bizarras ou sobrenaturais ao extremo, precisamos confiar Naquele que criou e conhece todas as coisas, por que tudo vem Dele e para Ele devolvemos.

 

 

9 Personagens;
GENOVÉIO, CREMILDES, FILÓ, LUNGA, GENOVEVA, GENONOVO, LOCUÇÃO, CREMOGEMA, PROPAGANDA:

 

PARTE 01

 
Trilha Sonora 01 – Abertura
 
LOCUTOR: Está entrando no ar o mais novo campeão de audiência da sua Rede Yeshua de Televisão: “Pamonhas do Coração”. No Capítulo Anterior...
Mercado da Cidade de Xexéu. Cremerildes e Genovéio com uma lista de compras olham os materiais necessários a comprar, demonstrando ansiedade e preocupação em achar os itens da lista.
CREMILDES: Ai, Genovéio, tô cum medo qui num dê certo!
GENOVÉIO: Mai, pusquê, criatura?
CREMILDES: Ara, essa é a primêra veiz qui a gente vai fazê um arraiá, homi! E si dé tudo errado?
GENOVÉIO: Mai dêxe da sua frescura, minina! Veja só: ocê já chamo os convidado?
CREMILDES: Ahã.
GENOVÉIO: Os grupo musicar?
CREMILDES: Sim.
GENOVÉIO: O pastor?
CREMILDES: Mai é craro, né, Genovéi?
GENOVÉIO: Intão, pronto, muié. Vai dá tudo certo. É só por mão na obra!
Trilha Sonora 02 – Abertura
LOCUTOR: É essa saga que você acompanhar na sua telenovela “Pamonhas do Coração”. Capítulo de Hoje: O Vulto da Macaxeira
Saída da Rodoviária de Xexéu. Genonovo – vestido com um quimono de karatê, mas também com calça e tênis - entra, carregando malas e falando com Genoveva, que está fora de cena.
GENONOVO: Vem, mãe. Chegamo já!
GENOVEVA: (entrando) Ai, mô fio. Num ‘credito que tô vortando pra esse muquifo de novo!
GENONOVO: Ara, mãe. A sinhora prometeu a Genovéi que vinha!
GENOVEVA: Mas já tô me arrependeno! E ocê se ajeite que já é vergonha vir pra Xexéu. E inda mais com ocê todo mazelado desse jeito.
GENONOVO: Me dêxe, mainha!
GENOVEVA: Que ideia de jerico é essa de vir assim, minino?
GENONOVO: Nunca se sabe o que pode aparecer por aí, né, mainha? (faz um golpe de caratê) Tem que tá pronto pra tudo!
GENOVEVA: Ai, mardita hora qui eu fui te colocar nessa iscola de ‘karadetê’. Tu já mi quebrô as jarra de casa todinha! Num inventa de chulapá as fuça de fulano ninhum, não, visse?
GENONOVO: Carma, mainha, carma. O mestre Cafuzo sempre diz pra gente usar os golpe na hora certa, si não dá tudo errado.
GENOVEVA: (arrastando-o pelo quimono) Para de falá e anda, qui eu num ‘guento mais esse pardiêro!
 
Trilha Sonora 03
 
LOCUÇÃO: Enquanto isso, em algum lugar de Xexéu...
 
Cozinha na casa de Cremerildes e Genovéio. Mesa posta com algumas travessas e pacotes de trigo, margarina. Cremerildes entra, usando avental e lendo um livro de receitas. Genovéio entra pelo outro lado, lendo jornal e senta-se em uma cadeira.
CREMILDES: Me dá um ajudinha aqui, né, Veio?
GENOVÉIO: Tu num sabe que eu num dô pr’essas coisas, minina? É mio pr’ocê, qui já tem a culinara no sangue, hihih!
CREMILDES: Num mangue d’eu, não, infiliz. (lendo o livro) “Misture trigo com manteiga”. Afe Mary, que coisa cumplicada. Cadê mainha pra me alumiá um cadin’?
Lunga e Filó batem palmas diante da porta. Cremerildes vai até ela e abre.
CREMILDES: Mainha! Painho! Inté parece qui ‘cês tava adivinhano.
LUNGA: Eu mermo, não! Tenho cara de Mãe Dinah, pur acaso?
FILÓ: Afe, Lunga. Isso é jeito de falá c’a minina? Faz tanto tempo qui a gente num se vê, né, minha fia?
CREMILDES: E num é...
LUNGA: É, desde qui ocê achô por bem juntá seus trapo (apontando para Genovéio) cum esse traste aí.
GENOVÉIO: Mai essa simpatia só pudia vim do sinhô mermo, né, sogrão?
LUNGA: ‘Cê tem sorte qui eu dexei minha pexêra na ôtra carça, seu afoito!
GENOVÉIO: (pegando um raspa-côco de cima da mesa) Tenta cum essa aqui! Hihi!
LUNGA: Mai ocê tá cutucando onça cum...
GENOVÉIO: O sinhô num mi mete mar medo, não. (olhando para Cremerildes) Já consigui o qui quiria, hehe!
LUNGA: Oie, ocê tome tino, pusquê, si não...
GENOVÉIO: Si não o quê?
FILÓ: Ara, pare ocês dois! Parece gato e rato!
LUNGA: É esse gabiru do agreste qui me atenta o juízo!
FILÓ: Shhhhh! Num quero sabê di cunversa, pusquê agora vô me concentrá pra pudê fazê os milagre aqui na cuzinha!
LUNGA: Qui milagre? Vai transformá água em canjica?
GENOVÉIO: Não, deve de ser a multipricação dos cocrete! Hehe!
FILÓ: Qué dizê que os dói já viraro cumpade, foi? Vão lá pra fora, qui é o mio qui ‘cés faiz, tá?
Genonovo e Genoveva batem palmas. Cremerildes vai até a porta e abre.
CREMILDES: (feliz) Sogrinha! Cunhado!
GENONOVO: (entrando e abraçando-a) Cremerildes! Tudo bão?
CREMILDES: Tudo sim, minino! Qui bão ter ocês tudo por aqui. Entre um cadin’, faz favor?
GENONOVO: Mais com muito gosto.
GENOVEVA: Minha fia, num é querendo fazê disfeita cum ocê, não, mai eu prifiro ficá do lado di fora, vi?
GENOVÉIO: Ara, mais pusquê, mainha?
GENOVEVA: É qui fiquei mei cabrêra c’uma nutíça qui ouvi agorinha.
LUNGA: (levantando-se da cadeira com esforço) E quar qui foi, hein, minha sinhora?!
GENOVEVA: Tão dizendo por aí qui ixiste uma tar de assombração na cidade!
TODOS: Assombração?! (todos paralisam)
 
Trilha Sonora 04
 
LOCUÇÃO: Será que Genovéio e Cremerildes vão conseguir fazer o arraial do povo de Deus? Isso e muito mais você verá na sua “Pamonhas do Coração”.
 
Propaganda entra, falando para o público, vestido com paletó e com algodão no nariz.
 
PROPAGANDA: Pra você que deseja uma morte tranquila e zero de problemas na hora de abotoar o paletó de madeira, nós dividimos o seu caixão em 35 parcelas de R$ 99,90, com direito a coroa de flores e parentes desesperados. Ligue 0800-999-9999 e descubra como fazer da sua despedida uma grande festa. Funerária Sorriso. A sua morte é a nossa alegria! (sai)
 
 
PARTE 02
 
Trilha Sonora 05
 
LOCUÇÃO: E agora, estamos de volta com “Pamonhas do Coração”
GENOVÉIO: (voltando a se movimentar) Que história é essa de assombração, mainha?
GENOVEVA: Tão dizeno qui tem um fantasma rodando por aí. (para si mesma) Ai, chega mi dá um arripí!
GENOVÉIO: Ara, mar num é isso qui vai istragá o arraiá do povo de Deus, não! O sinhô vem cumigo, né, sogrão?
LUNGA: Mai e apôi! (saindo com Genovéio, cheio de pose) Vô logo catando meu facão pra enfiar no bucho desse Gasparzin mitido a Lampião!
GENOVÉIO: E vamo qui vamo! (fecha a porta. Genonovo senta na cadeira, despojado)
CREMILDES: E quem foi qui li contou isso pra sinhora, minha sogra?
GENOVEVA: (dirigindo-se à porta) Ah, foi uma minina bem gracinha que tava aqui na... (para fora de cena) Ei, minina, vem cá!
CREMOGEMA: (entrando) Chamô, dona simpática?
CREMILDES: Ah, foi Cremogema, é? Essa daí é minha irmã, sogritcha!
GENOVEVA: (olhando para as duas e falando ironicamente, por que Cremogema é índia) Ah, mai é sua cara cuspida e escarrada, minha fia!
CREMILDES: Foi mainha qui pegou ela pra criar.
CREMOGEMA: E agora, nóis semo unha e carne, né, Cremerinha?
CREMILDES: E num é! (dirigindo-se à mesa) Mai agora me dêxe qui eu tenho mai o qui fazê, vu?
CREMOGEMA: Ara, quando é qui ocê vai brincá cumigo, hein, Cremerinha?
CREMILDES: Dêxe passá o arraiá, qui depois a gente brinca de tudo!
FILÓ: (terminando de moldar um doce) Prontim, tá’qui! Fiz o primeiro docinho. (dirigindo-se a Genonovo, que se levanta-se da cadeira, medroso) Tome, Genonovo. Eu sei que os minino adora doce!
GENONOVO: (disfarçando, pois sabe que os doces de Filó não são bons) Não.. ‘Brigado..
FILÓ: (impaciente e empurrando o doce para perto da boca de Genonovo) OS MENINO ADORA DOCE, GENONOVO!
GENONOVO: (constrangido, pega o doce das mãos de Filó) Errr... Eu adoro doce, né?...
Genonovo começa a mastigar, mas o doce é duro. Tenta morder, mas não consegue.
GENONOVO: Como diria o mestre Cafuzo: “Água mole, pedra dura...(olhando para o doce) E bote dura nisso..
CREMOGEMA: (atravessando o palco em direção a Genonovo) Tu num passa de um fracote! (pega um doce e engole inteiro) E aí, vai encarar? Não, então, tchau, qui eu tenho mais o qui fazê! (sai)
GENONOVO: Mãe, cumé qui se chama aquela coisa estranha qui dá na barriga quando a gente fica nervoso?
GENOVEVA: Disintiria, mô fio! ‘Cê já feiz na rodoviária, Genonovo! ‘Guente mais um cadin’, vá!
GENONOVO: Não, mainha, né isso, não. (pausa) Acho qui tô ‘paxonado!
FILÓ: Ichi. Tão cedo?
GENONOVO: Ara, o mestre Cafuzo diz que amô num tem idade, não.
CREMILDES: (enquanto mexe na farinha) Óia como isso tá afoito!
GENOVEVA: Sei não, viu? (pegando doce para comer) Eu num tenho mai idade pra... (dói o dente) Minha senhora, qui estopa é essa qui a sinhora feiz?
FILÓ: Era pra sê um bem casado...
GENOVEVA: Bem casado mermo, né? Nem tem chapa qui separe esses doi!
FILÓ: (subitamente irritada e aproximando-se de Genoveva) Mar vai mi dizê qui eu num cunzinho bem? Ah, mai eu sô a mió cuzinhêra de Xexéu, viu, minha senhora?!
GENOVEVA: Intonce, nem quero conhecê a pió!
CREMILDES: (irritada) Arsh! ‘Cês querem pará, por favor? Daqui a pôco, cumeça o arraiá e num tem nada pronto!
Silêncio. Genoveva e Filó estão de cara amarrada. Filó continua a cozinhar.
CREMILDES: A sinhora acha qui vai dá tempo de faze isso tudin, mainha?
FILÓ: Num sei, minha fia... Bora vê como as coisas se desenrola, né?
GENOVEVA: (provocando) Se fosse eu qui tivesse cuzinhano..
FILÓ: (irritada e avançando em direção à Genoveva) Mai só se fô pur cima do meu cadave, minha sinhora!
GENOVEVA: (provocando) Ah, intão num vô tê mui’trabai!
GENONOVO: Dale, mainha! (bate palmas e imitar o som de berimbau com a boca) Tchin-don-don! Tchin-don-don! Tchin-don-don!
Genoveva e Filó começam a fazer passos de capoeira, enquanto resmungam algo ininteligível e suas costas travam.
CREMILDES: (ficando entre as duas) Chega! Basta! Vão lá na igreja ajudar nos enfeite, vão!
Lunga entra, esbaforido.
LUNGA: Óia, minha gente! Tranca tudo! Se esconda! Aquela criatura num pode entrá aqui, não!
CREMILDES: O qui foi isso, painho?
LUNGA: A assombração apareceu, minha fia! Era o Vurto da Macaxêra!
CREMILDES: Ai, mintira! E agora?
LUNGA: E agora qui num vai tê mais arraiá, né?
CREMILDES: Ai, num faiz isso cum eu, não, painho! Eu tava tão filiz pusquê ia fazê essa festança pro meu Deus!
LUNGA: Mai num ‘dianta fazê as coisa cum aquela jamanta por aí, Cremerinha!
FILÓ: Sim, mas... falano em jamanta, cadê Genovéi?
LUNGA: Droga, sabia qui tinha isquecido arguma coisa! Bora simbora catá Genovéi!
Todos vão saindo de cena.
 
Trilha Sonora 06
 
LOCUÇÃO: Será que Genovéio conseguirá escapar do Vulto da Macaxeira? E Cremerildes vai fazer seu tão sonhado arraial? Isso e muito mais você verá na sua “Pamonhas do Coração”.
 
PROPAGANDA: (entrando e falando com sotaque espanhol) Te preocupa el futuro? Te ameaça el desconhecido? No te preocupes. Los astros no mentem ramás! Descubra tudo o que acontecerá em tu futuro e dos otros. 0800-999-9999. Por 9,99 o minuto. Ligue Djá!
 
PARTE 03
 
Trilha Sonora 07
 
LOCUÇÃO: E agora, estamos de volta com “Pamonhas do Coração”
 
Todos entram na igreja, medrosos. Lunga está à frente com a espingarda trêmula, enquanto os outros o acompanham temerosos pelo que vão encontrar.
FILÓ: ‘Cê tem certeza que esse trabuco tá funcionando, Lunga?
LUNGA: (volta-se repentinamente com a espingarda em direção a todos, que se assustam) Mai intão, minha véia! Si num tiver, eu xóxi.
CREMILDES: Ai, mainha. Eu num tô veno Genovéi, não!
GENOVEVA: Aquele traste deve de tá escondido em argum lugar. (mais alto) Genovéi, seu frôxo, vem aqui!
GENONOVO: (gritando para Genovéio ouvir) A gente veio te sarvá, maninho! Que nem no filme de (estendendo uma perna como golpe de arte marcial desajeitado) “braço ali”.
GENOVEVA: (dando-lhe um tapa na cabeça) Bruce Lee, sua anta pré-histórica! Para de falá bestêra e vê se acha arguma coisa!
FILÓ: (irônica) Sua mãe é sempre assim simpática, é, mô fio?
GENONOVO: (inocente) Não, só quando tá de bom humô.
GENOVEVA: Virei assunto por acaso? A gente num tava falano do vulto?
FILÓ: Será que a sra pode ficar calada, pelo meno?
GENOVEVA: E será que a sra pode pará de me atentar, pelo meno?
CREMILDES: (saindo do meio deles e indo à frente de todos) ‘Cês duas podem pará um instante? A gente pricisa se concentrá pra acabá com o...
Fantasma entra e fica à frente de todos, menos de Cremerildes, que está de costas para ele.
TODOS: (assustados) FANTASMAAAA!
CREMILDES: (calmamente) Isso mermo!
LUNGA: (apontando a arma para o Fantasma) Sai da frente, minina!
Cremerildes assusta-se e se afasta. Lunga tenta atirar, mas não consegue.
LUNGA: (olhando para dentro do cano da espingarda) Droga, tá sem bala!
 
Fantasma escapa e fica mais distante.
 
GENOVEVA: (entregando-lhe algo nas mãos) Toma, peg’aqui!
FILÓ: Tu anda com bala na bolsa, é?
GENOVEVA: Não, era o teu cocrete!
FILÓ: (avançando para cima de Genoveva) Mai tu num me provoca...
GENOVÉIO: (surgindo de outro lado) São ocês, é?
CREMILDES: Genovéio, ‘cê tá vivo!
GENOVÉIO: Eu tava iscondido ali embaxo, ‘cês num viram, não?
LUNGA: Essas três tavam ocupadas dimais brigano, homi! Nunca vi! Ô povin ogonorante, vu?
FANTASMA: (voltando) Uuuuuuhhhhhhh!
TODOS: (gritando e tremendo, assustados) Aaaaaaahhhhhh! Ai, meu pai. E agora? Quem poderá me defender?
GENONOVO: (pondo-se à frente de todos) Eu!
TODOS: (estranhando) O Xaropin Empalhado?
GENONOVO: (posando heroicamente) Não contavam com minha angústia!
 
Trilha Sonora 08 – Indiana Jones
 
Genonovo dá uma cambalhota horrível e machuca as costas, levanta-se para atacar, mas termina levando um murro do Fantasma.
GENONOVO: (dá um rodopio, parando de frente) Se aproveitam da minha lerdeza! (cai no chão)
CREMILDES: Eu num ‘guento maaaaais! (orando) Deus, me ajuda, Sinhô! O Sinhô sabe qui eu só quiria fazê um arraia pra ti agradá, pra festejá tudo o qui o sinhô feiz pur mim. Eu quiria tanto qui isso desse certo, pusquê eu tô fazeno isso pur amô, paizinho. Pra louvá teu nome. Mi ajuda, pusquê eu num sei mais o qui eu faço.
 
Fantasma começa a chorar comicamente.
 
TODOS: Hã? O Fantasma tá chorano?
Fantasma tira a fantasia. É Cremogema.
TODOS: Era ocê?
LUNGA: (jogando a espingarda no chão e indo em direção à Cremogema, enquanto tenta tirar o cinto) Mai é agora qui essa minina me apanha!
FILÓ: (impedindo Lunga) Se sigura, véi! Carma, carma!
CREMILDES: Pus quê ‘cê feiz isso, Cremogema?!
CREMOGEMA: É que... é que...
GENOVEVA: Ara, disimbuche logo de uma veiz!
 
Trilha Sonora 09
 
CREMOGEMA: (irritada) É que eu sabia que ocê num ia ter mais tempo de brincá cumigo. De cunversá cumigo. Depois qui ocê se casô cum (aponta para Genovéio) esse aí, a gente nem se viu mais. (pausa, triste) Eu tava cum medo de perdê minha única amiga.
TODOS: (emocionados) Ooohhhh!
CREMILDES: Ara, Cremogema. Foi pur isso, foi? Mai num tem pobrema, não. Sabe pusquê? Dêxa eu ti contá um segredo. Eu tamém tava cum medo.
CREMOGEMA: (surpresa) E é? De quê?
CREMILDES: De não conseguir fazê esse arraiá do jeitin qui Deus quiria.
CREMOGEMA: E agora? Já passou?
CREMILDES: Passô, sim. Pus quê eu vi que Ele num me dexô só quando eu mais pricisei. (aponta para todos os outros) E até mandô esse montão de gente pra me ajudá!
TODOS: (constrangidos com o elogio) Ooohhh!
CREMILDES: E ocês num ficam de fora, não, vi? Pus quê por causo do medo, a gente começa a fazê um montão de bestêra por aí. (a Genoveva e Filó) Por medo de num ser aceito, a gente grita e briga uns c’os ôto, né, mainha e sogritcha? (a Genonovo) Por medo do que os ôto pode fazê, a gente aprende a si defendê, né, cunhadim? E por medo do que a gente num conhece, a gente (a Genovéio) se esconde bem pichoroto ou (a Lunga) foge que nem uma zebra desembestada, né, painho e mozinho? (a todos) Mai Jesus é Aquele que suportô todos os medo e mostrô tudo o que o amô Dele pode fazer por nóis!
GENONOVO: Eitaaa! Falô bunito, hein, cunha? Intão, bora começá esse arraiá, (saindo do meio de todos e indo abraçar Cremogema) qui eu tô chein de amô pra dá!
TODOS: (carinhosos) Ooohhh!
CREMOGEMA: (dando uma cotovelada) Mai nem tão cedo, vu? (tirando uma peixeira do vestido) Num me tá custando eu enfiar uma pexêra no seu bucho, vu, seu amarelinho?
LUNGA: Ah, essa é a fia qui eu pidi a Deus!
 
Trilha Sonora 10
 
LOCUÇÃO: E esse foi o final feliz da telenovela das multidões: “Pamonhas do Coração”!

 

Grupo: Ministério Yeshua de Artes Cênicas

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