O TOQUE DE UM ATEU

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O toque de um ateu
Baseado na série “O Toque de um Anjo”, mostrando falta de esperança da vida sem Deus.

Débora, com a vida arrasada, procura uma esperança...

Personagens:
Débora – uma mulher sem esperanças
Felipe – (Apenas a voz) marido de Débora
Voz de um banqueiro
Voz da mãe de Débora
Beto – um ateu
Débora entra na sala de casa, tem um recado sobre a mesa. Ela está carregando uma sacola de supermercado e as cartas que pegou na caixa de correio.
DEBORA: Amor? Cheguei. Senta no sofá. Eu trouxe as lâmpadas que você pediu para o seu escritório. (pausa) Amor? (vê o bilhete) O que é isso?
Débora pega o bilhete e lê.
VOZ DE FELIPE: Querida Débora, eu estou te deixando. Eu não posso viver mais com tantas dívidas, muito menos com o seu ronco, então, eu estou indo para o Taiti com a Tamires, minha namorada loira de olhos azuis e 19 anos. Não esqueça de molhar as plantas. Com amor, Felipe.
DEBORA: O quê? Seu safado! Como pode me deixar assim? (pausa, engolindo o choro) Como assim viver com tantas dívidas? (Procura a carta do banco)
VOZ DO BANQUEIRO: Cara Sra. Silva, lamentamos informar que devido ao atraso de seu marido em pagar sua dívida de R$500.000, nós somos forçados a penhorar e leiloar sua casa e todos os seus pertences. Você tem a partir do recebimento desta, dez dias para deixar a propriedade.
DEBORA: O quê?!? Por causa do verme do meu ex-marido e suas dívidas EU vou me tornar uma desabrigada? Não, meus pais vão me ajudar...
(Débora pega o telefone e disca)
VOZ DA MÃE DA DÉBORA: (na secretária) Aqui é Simone e Rogério Silva. Por favor deixe sua mensagem após o sinal e ligaremos de volta... A não ser que seja a ingrata da minha filha Débora que nós nunca esqueceremos o que ela fez!
DEBORA: Alo, mãe, sou eu! Eu perdi meu marido e minha casa, e minha família não me perdoou... (desliga o telefone) Existe alguma esperança para uma alma perdida como eu? Alguma direção? Alguma mensagem do céu que alguém possa me entregar?
(Música suave. Aparece uma luz que parece vinda do céu. Beto entra)
DEBORA: O que é isso? Oh, obrigada Deus, você está aqui!
BETO: Deus? Quem é Deus?
DEBORA: Quem é você?
BETO: Desculpe, meu nome é Beto.
DEBORA: Você é um anjo?
BETO: Anjo? Anjos não existem. Eu sou ateu.
DEBORA: Um ateu? Quer dizer que você não é uma criatura dos céus, enviado para colocar as coisas em ordem na minha vida?
BETO: (Fazendo careta) Claro que não! Eu não acredito em Deus, ou no Céu, ou mesmo no Inferno e em Satanás...
DEBORA: Não?
BETO: Já que estamos nesse assunto, eu também não acredito em fadas, duendes, aliens, OVNIS, ou no Monstro do Lago Ness, Pé Grande, nem mesmo no Lula. Só em mim mesmo. Eu estou aqui para te mostrar um caminho, então, qual é a sua história triste?
DEBORA: Bem... Por onde eu começo? Eu perdi o meu marido para uma garotinha de 19 anos, estou cheia de dívidas que ele fez e eu não posso pagar, estou perdendo a minha casa e não tenho para onde ir.
BETO: Sem marido, sem dinheiro e sem casa? Isso é um problema.
DEBORA: Eu sei...
BETO: Talvez... talvez seus pais deixem você morar com eles. Que tal?
DEBORA: Impossível.
BETO: Por que você diz isso?
DEBORA: Por causa de... de uma coisa que eu fiz... há muito tempo...
BETO: E o que pode ser tão ruim que eles nunca te perdoariam?
(Débora cochicha no ouvido de Beto, ele se afasta fazendo uma careta)
BETO: Credo mulher! (coloca a mão no ouvido) Agora eu vou ter que lavar esse ouvido!
DEBORA: Eu pensei que você estivesse aqui para me ajudar, não para me condenar.
BETO: Desculpe.
DEBORA: Então, o que posso fazer? Eu tenho alguma esperança? Alguma chance de as coisas melhorarem?
BETO: (Não muito positivo) Sim, eu acho...
DEBORA: Você acha o quê?
BETO: Eu acho que existe uma chance de você terminar bem.
DEBORA: Que tipo de chance?
BETO: Eu não sei. Uma em... vinte talvez?
DEBORA: Uma em vinte?
BETO: Acho que essa é a sua possibilidade.
DEBORA: Você acha? Você acha?
BETO: Acho.
DEBORA: Beto, eu estou procurando por respostas, não perguntas. Eu preciso de alguma coisa sólida para poder acreditar e seguir em frente.
BETO: Desculpe. Agora você me pegou.
DEBORA: Você deveria me dizer... Você veio aqui para ouvir meus problemas só para dizer que não tenho esperança?
BETO: Ei! Eu não disse isso. Eu só não acho que exista alguma esperança. Exceto...
DEBORA: Exceto? Exceto o quê?
BETO: Bom, existe um pensamento.
DEBORA: Sim?
BETO: Mas você não me parece o tipo que cometeria suicídio.
DEBORA: Suicídio? Isso não é a resposta!
BETO: Ei! Isso acabaria com suas dívidas, seus problemas de família, a questão da sua casa, sem mencionar o seu ronco!
DEBORA: Eu não posso acreditar! Aqui estou eu, minha vida em frangalhos, procurando uma segunda chance. Eu preciso de algo para acreditar, que me dê esperança para poder reconstruir minha vida. Ao invés disso, tudo o que eu consigo é um jeito covarde de fugir de tudo.
BETO: Agora, Débora, você não acha que está sendo um pouco injusta?
DEBORA: Injusta? Como eu estou sendo injusta?
BETO: Você está esperando eu dizer “OK Débora, Deus está com você, Ele vai curar suas feridas e coloca-la de pé novamente”. Como eu posso te dar uma resposta se não acredito em nada?
DEBORA: E por que você está tentando me dar esperança se você mesmo não tem esperança nenhuma? Você não acredita em nada. Não tem fé em nada. Como você pode dar uma esperança que você mesmo não tem para alguém? Para fazer desse um “mundo melhor para se viver”? (pausa, balança a cabeça como que limpando os pensamentos) Vai embora!
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