O Patinho Feio e o Cisne Cristão

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Versão do conto de fadas.
Veja o que o Silvio K. N. inventou.
Uma família, as diferenças entre seus integrantes, até aí nada de mais...

Um é crente, os demais pegam no seu pé( Já vi este tipo de história.).

Mas é uma família de patos, quem é o feio?É bem divertida esta versão.

PERSONAGENS:
PATINHO-FEIO
MAMÃE-PATA
PATO-ZOMBADOR
PATA-VICIADA
CISNE-CRISTÃ

 

 

ATO I
CENÁRIO: Cozinha. Embora pertencendo a uma família de patos, ela é semelhante a de humanos. Todos os personagens trazem crachás com seus respectivos nomes.
(Em cena Mamãe-Pata, ela está ocupada nos afazeres domésticos. Ela pode estar espanando pó dos móveis. Entra em cena o Patinho-Feio. Aproxima-se em silêncio de sua mãe.)
PATINHO-FEIO: Mamãe eu...
MAMÃE-PATA: (Levando um susto. Arremessa o espanador) Ai que susto! O assombração.
PATINHO-FEIO: Desculpa, mamãe, eu não faço mais.
MAMÃE-PATA: Se fizer de novo eu arranco todas as suas penas.
(Breve silêncio.)
PATINHO-FEIO: Mãe!
MAMÃE-PATA: (Mal humorada) O que foi, feioso?
PATINHO-FEIO: Sabe, eu estive pensando...
MAMÃE-PATA: Não pense. Você não nasceu para isso. Deixe isso para seus irmãos.
PATINHO-FEIO: (Ignorando as palavras da mãe) Por que eu sou tão rejeitado por você e por meus irmãos?
MAMÃE-PATA: Porque não gostamos de você.
PATINHO-FEIO: Por quê?
MAMÃE-PATA: Porque, porque, porque você é diferente.
PATINHO-FEIO: Mas eu amo você, mamãe. (A Mamãe-Pata fica em silêncio) É por que sou diferente de vocês?
MAMÃE-PATA: É porque você optou por isso.
PATINHO-FEIO: Só por que leio a Bíblia e tento segui-la?
MAMÃE-PATA: O que você acha? Desde que a Bíblia entrou nessa casa nosso relacionamento virou um inferno.
PATINHO-FEIO: Mãe, você fala isso porque nunca teve curiosidade de sequer abri-la.
MAMÃE-PATA: Para virar uma fanática como você? Nem pensar!
PATINHO-FEIO: Não sou fanático. Só penso em viver uma vida reta.
MAMÃE-PATA: No mundo de hoje você não sobrevive. Ninguém se preocupa com ninguém. Todo mundo quer levar vantagem.
PATINHO-FEIO: Como diz a Bíblia: “Vivo no mundo, mas não sou do mundo”.
PATO-ZOMBADOR: (De fora) Então encontramos um ser alienígena?
MAMÃE-PATA: Zomb, onde está você, querido?
(Mamãe-Pata o espera de um lado, mas ele chega do outro. Ele se aproxima na pontinha dos pés. Prepara-se para assustá-la.)
PATO-ZOMBADOR: (Num grito) Rá!
MAMÃE-PATA: Que susto, filhinho! Você ainda vai matar a mãe do coração.
PATO-ZOMBADOR: Você se assusta fácil demais. (Para o Patinho-Feio) E você, feioso? Quer dizer que é parente do Alf?
PATINHO-FEIO: Zombador, você está pegando pesado.
PATO-ZOMBADOR: (Passando o braço pelos ombros do Patinho-Feio) Mano, você sabe que eu te amo. (Patinho-Feio anima-se) Apesar de nossas diferenças. (Ajeitando-se melhor) Diga-se de passagem: e que diferença.
PATINHO-FEIO: (Afastando-se. Demonstrando desapontamento) Pensei que você estava querendo mudar.
PATO-ZOMBADOR: Na verdade eu estava querendo te mudar.
MAMÃE-PATA: (Resmungando) Ele é caso perdido.
PATO-ZOMBADOR: É só você querer.
MAMÃE-PATA: Feioso, nós queremos te ajudar.
PATO-ZOMBADOR: Nem que para isso tenhamos que te agüentar.
PATA-VICIADA: (De fora. Com dengo) Mãe, acordei!
MAMÃE-PATA: Venha tomar seu café, querida.
(Entra em cena Patinha-Viciada.)
PATA-VICIADA: O que é que tem para o café?
MAMÃE-PATA: Bolo de milho, pão de mandioca, vitamina de fubá...
PATO-ZOMBADOR: A Patinha-Viciada, minha mana, aposto que ela queria um outro cardápio. Talvez um bolo de maconha, pão de crack, pasta de cocaína, tudo isso com muita bebida alcoólica.
PATA-VICIADA: Olha o jeito que o Zombador fala comigo, mamãe!
MAMÃE-PATA: Zomb, eu já falei para você não fazer essas gracinhas com sua irmã.
PATINHO-FEIO: Mana, os vícios não levam a nada. Você está destruindo seu corpo...
PATA-VICIADA: (Não dando atenção para as palavras do irmão) Mãe, eu preciso de dinheiro para o meu cigarro. (Voltando-se para o Patinho-Feio) O que mesmo você falou?
PATINHO-FEIO: O seu corpo foi criado por Deus e você está destruindo ele. É nesse corpo que o Espírito de Deus quer habitar.
MAMÃE-PATA: (Entrando na frente da Patinha-Viciada) Não venha querer enfiar na cabeça de minha filha sua religião.
PATA-VICIADA: (Para o Patinho-Feio) Mano, não queremos ser crentes.
PATINHO-FEIO: Eu não estou falando em religião. Religião não serve para nada. Mas o como eu gostaria que você conhecesse esse Jesus que eu conheci. Eu conheci Jesus através da Bíblia. E é esse livro que diz que nós devemos cuidar bem de nossos corpos.
PATO-ZOMBADOR: (Sarcástico) Você está querendo falar de estética. (Rindo) Olha para você. Beleza não é sua praia.
MAMÃE-PATA: Feioso, você é feio mesmo! Sempre desconfiei que você nem meu filho é.
(Os três fazem uma roda em volta de Patinho-Feio.)
PATINHO-FEIO: Eu vou ficar quieto para não ofender nenhum de vocês. E não quero pecar contra Deus.
MAMÃE-PATA: Ofender? Você ter nascido foi a maior ofensa. Papai-Pato nos deixou depois de ver você. Achou que eu tinha pulado a cerca.
PATA-VICIADA: Não temos pai por causa de você.
PATO-ZOMBADOR: (Num choro forçado) Somos órfãos de pai por tua causa.
MAMÃE-PATA: Tudo porque você tinha que ser diferente.
(Patinho-Zombador empurra Patinho-Feio com violência. Patinho-Feio cai no chão.)
PATO-ZOMBADOR: Se liga. Ninguém gosta de você.
MAMÃE-PATA: Você está sobrando nessa casa.
(Patinho-Zombador sai de cena. Ele é seguido por Mamãe-Pata e Patinha-Viciada.)
PATINHO-FEIO: (Levantando-se) Acho que eles têm razão. Eu sou feio. Eles têm características diferentes das minhas. Eles gostam de curtir a vida; não se preocupam com a vida pós morte. Para eles o que interessa é o aqui e agora. Mas eu não consigo viver assim. Alguma coisa dentro de mim diz que isso não é certo. (Pequena pausa) Sabe de uma coisa? Eu vou me encontrar.
(Patinho-Feio sai de cena. Volta em seguida com sua mala – uma trouxa amarrada num cabo de vassoura. Ele traz também uma Bíblia na mão e um bilhete.)
PATINHO-FEIO: (Lendo o bilhete) “Família, depois das duras palavras que me disseram, resolvi me afastar de vocês por um período de tempo. Agora sou maior de idade. Só quero que vocês lembrem uma coisa: “Jesus amava vocês e eu também”. Adeus.”
(Patinho-Feio deixa o bilhete sobre a mesa. Abatido, dá uma olhada por todo o ambiente. Seca as lágrimas. De cabeça baixa, sai de cena.)
(Cortina.)
 
ATO II
CENÁRIO: Beira de um lago.
(Entra em cena Patinho-Feio com sua “mala”.)
PATINHO-FEIO: Será que minha família realmente tem razão: eu sou feio, pois eu tenho feio até no nome. Eu sempre quis ser diferente. Será que ser diferente é questão de ser feio.
(Entra em cena Cisne-Cristã. Ela possui traços semelhantes aos do Patinho-Feio.)
CISNE-CRISTÃ: Olá!
PATINHO-FEIO: (Olhando para os lados para ver se era com ele) Olá!
CISNE-CRISTÃ: Vejo que é meio tímido.
PATINHO-FEIO: É que de onde eu venho as pessoas procuram não puxar conversa comigo.
CISNE-CRISTÃ: Você é um fora da lei?
PATINHO-FEIO: Na verdade as pessoas me rejeitam porque sou diferente. Tudo porque resolvi seguir esta lei (aponta para a Bíblia). (Pequena pausa) Ué?
CISNE-CRISTÃ: O que foi?
PATINHO-FEIO: Não estou entendendo. Cada vez que mostro a Bíblia as pessoas zombam e fogem de mim. Na minha família era sempre motivo de calorosas discussões.
CISNE-CRISTÃ: (Tirando uma Bíblia que pode ser de uma bolsa) Eu também tenho a minha. A propósito, não nos apresentamos ainda.
PATINHO-FEIO: Desculpa! (Estende a mão) Eu sou o Patinho-Feio.
CISNE-CRISTÃ: (Apertando-lhe a mão) O meu é Cisne-Cristã. Como mesmo é o seu?
PATINHO-FEIO: O meu?
CISNE-CRISTÃ: É o seu.
PATINHO-FEIO: (Mostrando o crachá) Como você pode ver no meu crachá: Patinho-Feio.
CISNE-CRISTÃ: Não acredito!
PATINHO-FEIO: É. Eu sei, eu sou meio crescidinho para ser chamado de “Patinho”.
CISNE-CRISTÃ: Não, não é isso. Você percebeu que tem as mesmas características que as minhas.
PATINHO-FEIO: É. Eu tenho muitas coisas em comum: o bico...
CISNE-CRISTÃ: As patas, as penas...
PATINHO-FEIO: Desculpe-me. Eu não queria ofender. Você não é feia. O feio sou eu.
CISNE-CRISTÃ: Me empreste o teu crachá!
(Ela retira-lhe o crachá e virando-o coloca novamente no pescoço do Patinho-Feio. Nele está escrito Cisne-Cristão.)
PATINHO-FEIO: Eu não sou pato.
CISNE-CRISTÃ: Sempre quiseram esconder a tua verdadeira identidade.
PATINHO-FEIO: Eu sou cisne.
CISNE-CRISTÃ: Você não é só cisne, mas é Cisne-Cristão.
PATINHO-FEIO: Eu sou um Cisne. Um Cisne-Cristão.
CISNE-CRISTÃ: Sim. Essa é sua verdadeira identidade.
PATINHO-FEIO: Estou com uma dúvida.
CISNE-CRISTÃ: O que foi?
PATINHO-FEIO: Será que eu não deveria me chamar Cisne-Feio. Ou, ainda, Cisne-Feio-Cristão.
CISNE-CRISTÃ: Você está conformado em se achar esquisito porque está fora dos padrões do mundo. Você não é feio, porque você é igual a mim. Eu não me acho feia. Você me acha?
PATINHO-FEIO: De jeito nenhum. Você é a coisa mais linda que já vi.
CISNE-CRISTÃ: Deus nos criou lindos. Todos os dias temos que olhar para nós mesmos e nos dizer isso. Não podemos esquecer que fomos criados perfeitos aos olhos do Pai.
PATINHO-FEIO: Então eu não sou pato, sou Cisne.
CISNE-CRISTÃ: Essa é a sua verdadeira identidade. Você não precisa mais se envergonhar.
PATINHO-FEIO: Agora estou entendendo. Se fazemos as coisas que agradam a Deus; seguimos a Bíblia, muitos podem nos criticar, nos achar esquisitos. Mas sabemos que nossa verdadeira identidade ninguém pode mudar.
CISNE-CRISTÃ: Se não somos um maria-vai-com-as-outras estamos no caminho certo. Temos que ter identidade.Temos que declarar que não somos mais patos, somos de outra natureza. Somos de Cristo.
PATINHO-FEIO: Eu não sou um pato desajeitado, muito menos feio. Eu quero espelhar a cada dia mais isso na minha vida. Só que muitas vezes temos que pagar um alto preço pela nossa decisão. Mas estou bem certo de que a recompensa vem do Senhor.
CISNE-CRISTÃ: (Dando o braço para o Patinho-Feio) Vamos! Venha conhecer a imensa família Cisne.
PATINHO-FEIO: Então, não somos só nós?
CISNE-CRISTÃ: Nós pertencemos a uma família que cresce muito ao redor deste imenso lago.
(De mãos dadas os dois saem de cena.)
(Cortina.)
FIM
Contato com o Silvio K. Nakano
 
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