O ORELHUDO

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Menino de orelhas grandes

Bullying é o tema desta peça. Um menino orelhudo é o alvo das piadas, brincadeiras e zoações dos colegas.
É um programa de reportagem sobre um menino de orelhas grandes.
Mesmo em meio a tanta zoação ele convida seus colegas para o seu aniversário.
A festa começa ainda com zoação, até o momento de um discurso anti-capitalista, e contrário ao “culto da beleza”, lembrando que fomos feitos a semelhança de Deus.

Personagens
SÁBADOS MEIRELES: 
MAX: 
PEDRINHO: 
FLAVINHO: 
MÃE: 
Músicas: 01  Vinheta; 02 - triste

CENA 01
SÁBADOS MEIRELES:  Boa Noite, está começando mais um Linha Direta.
MUSICA 01 -  Vinheta
SÁBADOS MEIRELES:  No programa de hoje, veremos o caso do Orelhudo de Realengo, o pequeno Max.
Rio de Janeiro, Realengo, março de 2008.
Max era uma serelepe criança que sempre foi discriminada por causa de suas orelhas grandes.
No primeiro dia de aula, Max sofreu com as brincadeiras dos colegas.
(Max chega ao colégio. Pergunta para dois meninos que estão no canto conversando)
MAX:  Oi, tudo bem, onde é a sala da turma da quinta série?
PEDRINHO:  Ih, olha o cara!
FLAVINHO:  Que orelha enorme! Você consegue ouvir as batidas do meu coração?
PEDRINHO:  Cara, em que loja você conseguiu essas orelhas?
FLAVINHO:  Po, dá para usar no carnaval!
MAX:  Para! Por que vocês estão fazendo isso comigo?
PEDRINHO:  Não foi a gente que te fez não, eu não tenho nada a ver com essa orelha!
FLAVINHO:  O cara deve ser filho de chocadeira, quem no mundo tem uma orelha dessa?
PEDRINHO:  O dumbo! ( Começa a rir)
(Os dois riem )
MAX:  Eu não agüento mais! Vou embora daqui!
PEDRINHO:  Vai como? Voando?
(Continuam rindo )

 

CENA 02
MÚSICA 02 - triste
(Max chega em casa. Sua mãe está fazendo o bolo. Ela usa ingredientes são estranhos, tipo, miojo, ovo, banana, sal, molho inglês e etc. )
SÁBADOS MEIRELES:  Envolvido por uma grande tristeza, Max volta para sua casa se perguntando o porquê de ser tão triste.
Em sua cabeça, inúmeros pensamentos o atormentavam minuto após minuto.
Suas orelhas extremamente grandes, tão grandes que provocavam um deslocamento de ar quando passava, eram a causa da sua aflição e da sua angústia.
Suas enormes conchas auditivas o transformavam em um menino alado tristonho e abatido. Suas orelhas exageradas...
MAX:  Ei, ei, ta bom, né?
SÁBADOS MEIRELES:  Desculpe. Ao chegar a casa, Max se abriu com a sua mãe.
MÃE:  E aí, meu filho, como foi na escola?
MAX:  Não consegui fazer nenhum amigo! Eles zombaram de mim! Falaram que a minha orelha é muito grande!
MÃE:  Ah, mas nem é tanto! Você já convidou alguém para o seu aniversário? Olha, já estou fazendo o bolo!
MAX:  Claro que é, não mãe! Eles vão me zoar até a morte! Todos eles têm razão, eu sou um monstro!
MÃE:  Ah, esse filhos da burguesia! Todos se deixam levar pelas aparências!
MAX:  Ah, mãe, não começa com esse papo!
MÃE:  Esse sistema capitalista burguês sujo, que só visa o lucro, está baseado no culto às aparências. As pessoas só valorizam o exterior. Ninguém mais procura saber das qualidades interiores uns dos outros.
Esses capitalistas 2 burgueses que só pensam no lucro só valorizam a forma e não o conteúdo.
Cultuam o corpo, a beleza, a estética, enquanto as qualidades interiores são ignoradas e lançadas no porão do passado.
MAX:  Mãe...
MÃE:  Pois é, meu filho, mas como estamos inseridos nessa sociedade frívola e imagética, não podemos nos deixar levar por esses valores estéticos. Nós estamos nesse mundo, mas não somos dele.
MAX:  Ué, como assim, mãe?
MÃE:  Não precisamos aceitar os princípios dessa sociedade. Deus nos fez a sua imagem e semelhança!
Você já parou para pensar nisso?
Você não precisa querer ser igual a um artista de tv, porque você foi feito a imagem e semelhança de Deus. E com certeza Deus não é só aparência.
Ele pôs algo muito precioso dentro de você.
Você é uma criança muito amorosa e obediente. Você é muito especial! Por isso você não é do mundo, você é de Deus!
E quem é de Deus se preocupa com o caráter.
MAX:  Ah, mesmo assim...
MÃE:  Preste atenção. ( Começa a fazer o bolo, com ingredientes bem esquisitos e fora do comum) O homem deve ser como um bolo. Tem bolo que é pura aparência, já viu? Por fora é lindo, mas por dentro não tem nada de mais, ou chega a ser até ruim e indigesto.
O conteúdo é mais importante que a aparência, principalmente num bolo, que alguns minutos depois virará bolo alimentar.
Para que o bolo tenha um bom conteúdo, deve ter os ingredientes certos e ser bem incrementado.
O que vai te incrementar, meu filho, são os dons do espírito.
Peraí que eu vou pôr o bolo no forno. (Sai e volta)
MAX:  E em que supermercado eu compro isso?
MÃE:  Nenhum, meu filho. As coisas de Deus não são adquiridas segundo as instituições do mundo capitalista burguês ocidental.
Você adquire esses ingredientes com o Espírito Santo. Só desenvolvendo o Espírito dentro de você que você conseguirá essas características.
MAX:  E qual é o bolo padrão? Como eu faço pra chegar até o bolo padrão?
MÃE:  Olhe para Jesus. Ele é o bolo padrão. Você é muito especial, meu filho. Mas não se preocupe em agradar os outros. Agrade ao Senhor seguindo o bolo padrão: Jesus Cristo! O bolo já deve estar pronto. (Sai e volta com o bolo lindo)
MAX:  Nossa,mãe, que bolo lindo! Muito obrigada, ta? (abraça a mãe)

 

SÁBADOS MEIRELES:  (entra chorando) Que lindo! Estou emocionado! As pessoas sempre dizem que eu sou muito chato! Quando eu era pequeno meus amigos me zoavam de chatonildo e até hoje eu não me libertei desse estigma. Eu não sou chato, sou?
MÃE:  Não, não, vem cá. (abraça Sábados) . Essa sociedade ocidental... (todos saem)

 

CENA 03

Max entra. Logo após entram Pedrinho e Flavinho.
PEDRINHO:  Olha lá, o orelhão!
FLAVINHO:  Fala, Dumbo!
MAX:  E aí, pessoal, tudo bem?
FLAVINHO:  Agora ta melhor, sua orelha ta fazendo um ventinho delicioso aqui...
PEDRINHO:  Cuidado, heim Flavinho, se ele correr pode te tirar do chão.
MAX:  Nossa, vocês são bem criativos mesmo, heim? Olha só, eu gostaria de fazer um convite a vocês. Hoje é o meu aniversário. Vocês querem ir lá?
PEDRINHO:  Bom, tem alguma coisa pra fazer hoje a noite, Flavinho?
FLAVINHO:  Não, Pedrinho, vamos, boca livre eu to dentro. Fora que é muito bom zoar esse cara, eu me divirto! Nós vamos sim!
MAX:  Valeu, gente, até lá!

 

CENA 04
(Mãe entra )
MÃE:  Bom, gente, o Sábados está se recuperando ainda do trauma, estão orando por ele lá dentro, enquanto isso eu vou fazer a parte dele. Naquela noite, Pedrinho e Flavinho vão à casa de Max. Chegando lá eles têm um surpresa.(sai)
FLAVINHO:  Olá, orelhão! Cadê a comida?
MAX:  Minha mãe está trazendo.
PEDRINHO:  Aí, cara, você está fazendo quantos anos?
MAX:  11.
PEDRINHO:  Como você conseguiu viver esse tempo todo com essa orelha? Se fosse eu tinha enfiado a cabeça num buraco.
MAX:  Deve ser porque você é um filho da burguesia que só se preocupa com as aparências e não tem uma vida plena porque sempre vai encontrar um defeito em si.
Eu sou filho de Deus, feito a sua imagem e semelhança. Eu ponho os meus defeitos e os meus problemas nos pés de Jesus e busco andar de acordo com os passos d’Ele.
Eu me sinto especial e sei que sou especial, porque sou filho do criador do Universo e do ser mais poderoso de todos. Eu não ligo para as brincadeiras de vocês,e nem se vocês gostam de mim ou não.
Eu sei que Deus me ama e é isso que importa.
(silêncio )
PEDRINHO:  Cara, legal isso que você falou. Eu sempre me achei meio estranho.
FLAVINHO:  E eu tenho o dedo mindinho meio torto.
PEDRINHO:  Poxa, nunca tinha parado pra pensar que Deus me ama. Isso é muito legal. Você pode me falar mais sobre isso?
MAX:  Claro!
MÃE:  Crianças, olha o bolo!
(Todos cantam parabéns, inclusive Sábados. No final todos cantam “Orelhudo, orelhudo!”
Na hora de repartir o bolo, Pedrinho e Flavinho avançam sobre os pedaços. Depois do primeiro pedaço começam a se contorcer e vão direto para o
banheiro, com dor de barriga. )
MÃE:  Ué, qual o problema?
MAX:  Mãe, eles não estão acostumados com o seu bolo. Eu vou pegar o papel higiênico.
(Max sai e volta com vários rolos de papel higiênico. Sai pela outra porta e Mãe vai atrás. )

Blog da autora TEATRO NA IGREJA
Site da autora SULAMITA RICARDO

 

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