O MUNDO EM TREVAS

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O MUNDO DAS TREVAS O final dos tempos, é retratado de diversas formas, não só com a degradação da natureza e suas consequências, mas com o próprio comportamente do homem, cuja natureza é má.

A história se passa numa época caótica, onde uma família tenta sobreviver em meio a várias dificuldades, como racionamento de alimento, falta de água, perseguições, violências etc.
Abrigados dentro de uma casa abandonada, esperam a volta do chefe da família. Durante essa espera, aparece um robô procurando um esconderijo pra fugir dos seus perseguidores. O robô entre todos, passa a ser mais humano do que os próprios humanos.
A família também é surpreendida pelo ataque dos saqueadores e em seguida pela guarda do Império mundial (o regime governamental é uma ditadura totalmente autoritária). A perseguição religiosa é grande e a Bíblia é considerada subversiva.

Apesar da abordagem do tema ser bem sério, a peça é bem dinâmica e totalmente voltada para a comicidade, com algumas pitadas de suspense e tensão.  

 
Personagens: Mãe - Dalva
Filha - Patrícia (Paty)
Sobrinho - Pedro
Bisavó - Cecília
Robô - MYK – 22010 DC 7.0 (Brow)
Saqueador 1 - Calígula
Saqueador 2 - Nero
Comand. da guarda - Joana D’arc
Guarda 1 - Lampião
Guarda 2 - Brutus
Rádio - locução
 
ATO 1
Cena 1 – (Dalva, Patrícia e Cecília)
 
Na sala de um casebre, com objetos dos anos 60: uma poltrona, uma TV, um rádio, uma vitrola e disco vinis, telefone, uma mesa e duas cadeira, quadros na parede, e outros objetos. O lugar possui duas portas, uma a esquerda e outra a direita, e uma janela. Nele estão: Cecília cochilando na poltrona, Dalva junto a janela e Patrícia num canto.
 
DALVA: Ai, cadê esse menino que até agora não apareceu? Ele não costuma demorar tanto assim para buscar água e alimentos. Ai, já estou começando a ficar preocupada... será que a água também ficou contaminada e ele foi procurar em outro lugar? Ai, ai, ai, por aí fora está tudo tão perigoso. A maldição desses animais selvagens que homem miseravelmente criou, e os bárbaros... até o clima é sinal de perigo! Hoje, todo cuidado é pouco. E eu que avisei tanto a ele: “não inventa, não vai pra longe!” Ai, ai, cadê o Pedro que não aparece?
PATRÍCIA: Ah, mãe. A senhora sabe que ele é “turrão”. E desde que o papai... sumiu, ele passou a ser o “homem” da casa.
DALVA: Paty, minha filha. Seu primo é um ótimo rapaz. E ele está carregando uma responsabilidade muito grande em cima dos ombros. Desde que nos refugiamos aqui, tentando sobreviver nesse mundo caótico, e com o sumiço do teu pai... ele não para um minuto em se preocupar com a gente.
PATRÍCIA: Ta, ta. Ta bom, tá bom mãe! Mas quer saber? Eu já não aguento comer mais a comida que ele trás. É sempre galinha, galinha, galinha, ninguém merece, né?. Eu não sei aonde ele consegue tanta galinha assim. De que galinheiro ele anda roubando...
DALVA: Paty, pare com isso!! Seu primo é um garoto direito. E tem mais, a cada dia está mais difícil de se conseguir comida. Se não me engano, a galinha é a única ave existente ainda. Não tem mais peixe desde que os rios secaram, e as águas do mar ficaram poluídas. Antigamente ainda se comprava comida transgênica e orgânica...
PATRÍCIA: Já sei dessa história...
DALVA: Pois é! Hoje só nos resta os animais soltos por aí, que são disputados por outros animais e pelos homens selvagens!
PATRÍCIA: Ta bom, mãe! Ta bom, mãe! Eu sei! Eu já sei disso!
DALVA: Se já sabe, por que não aprendeu? Me desculpe minha filha, temos andado muito nervosos com tudo isso. Tudo acontecendo muito rápido, e o Elias que saiu e não voltou mais...
PATRÍCIA: Mãe, será que o papai ainda vai voltar? Tipo assim, será que ele foi procurar um lugar melhor pra gente ficar?
DALVA: Minha filha, eu tenho essa esperança todos os dias, mas eu não sei... Seu pai nunca sairia assim sem falar nada comigo, ele nunca abandonaria a família. Eu acho que... alguma coisa aconteceu... quando ele foi lá fora... pra... pra ver o tempo...
PATRÍCIA: É mesmo... me lembro, ele escutou um barulho e falou que o tempo estava “estranhamente lindo”, quando eu fui ao encontro dele, ele tinha sumido. Estranho que não havia nenhum animal ou pessoa lá fora. Se não, eles teriam me pego também. Ele só pode ter ido embora, mãe. Sumiu!
DALVA: Eu realmente não sei, Paty. Só sei que sinto muita a falta dele aqui com a gente.
CECÍLIA: ( Desperta ) Hum... hum... vem Jesus...
PATRÍCIA: Caraca, é a bisa com seus pesadelos.
DALVA: Desde que ela sofreu aquele acidente, e que eu juro que a vi junto com o teu pai, ela mortinha da silva. Eu realmente não sei como os médicos conseguiram ressuscitá-la depois de uma semana. Inclusive a metade da pele dela tinha sido afetada, e os médicos usaram tecido genético, assim eles falaram.
PATRÍCIA: É, o papai me contou. Mas foi um milagre mesmo, mãe. Depois de morta, voltar a viver?! Esses médicos fizeram foi um milagre!
DALVA: Mas também ela nunca mais foi a mesma.
PATRÍCIA: Como assim? Essa mania de ficar falando de salvação?
DALVA: Não! Essa mania ela sempre teve. Falo dos pesadelos frequentes, e da implicância comigo, minha mãe do céu! As vezes eu não aguento... É um castigo divino!
CECÍLIA: Hum... hum... que frio... vêm Jesus! Ãh? O que houve?
PATRÍCIA: A Senhora estava tendo outro pesadelo.
CECÍLIA: É? Hum... mas está esfriando...
DALVA: ( Vai até a janela ) Deixe-me ver lá fora. O tempo está mudando, está vindo umas nuvens pesada pra cá. E cadê o Pedro que não aparece? Ele saiu sem proteção nenhuma! Se cair uma chuva ácida ele não terá como se proteger. Paty, vai pegar os cobertores, rápido! Está esfriando muito rápido.
PATRÍCIA: Ta bom! Ta bom!
DALVA: Oh, esse menino que não aparece... A gente não sabe o que poderá acontecer com esse tempo maluco.
CECÍLIA: Daaalva, você se preocupa demais. Desgruda desse menino, ele está na hora de arranjar uma namoradinha...
DALVA: Por favor, dona Cecília... não é hora pra isso!
PATRÍCIA: Deixa pra lá mãe. Nem sinal dele, né mãe?! Se o meu celular pegasse aqui...
 
 
Cena 2 – (Dalva, PATRÍCIA: , Cecília e Pedro)
 
Pedro entra pela porta tentando fugir do tempo. Trás consigo uma sacola e água.
 
PEDRO: Que frio, que frio... brrr....
DALVA: Tome o cobertor, se cubra. Pedro, aonde você estava? Estava ficando morta de preocupação, menino.
PEDRO: Tia, fique tranquila, Eu sei o que faço. Fui mais além e encontrei um poço artesiano, de ótima qualidade. Caso a água fique contaminada de onde costumo retirar, temos agora uma outra opção.
DALVA: Mas eu não falei que não era para ir mais pra longe, Pedro? Você saiu sem proteção alguma, não faz isso comigo! Você pelo menos deveria ter me avisado.
CECÍLIA: Meu menino, não escuta o que ela diz, vai viver a tua vida. A Daaalva sempre foi muito possessiva. Muito possessiva.
PEDRO: Ein?! Há! Trouxe comida. Galinha!
PATRÍCIA: Ótimo!... daqui a pouco vou colocar um ovo...
PEDRO: O que?
PATRÍCIA: Nada! Nada! Nada não. Nem estou aqui.
PEDRO: Está muito frio! Ainda bem que cheguei a tempo. Achei umas sementes.
TODOS: Sementes?
PEDRO: É! Eu estava voltando, quando olhei pro chão e vi esse pano fechado. Olhei em volta, mas não havia ninguém, resolvi trazer pra casa.
PATRÍCIA: Sementes?! Maneiro, deixe eu ver! Isso aí que são sementes?
DALVA: Mas, Pedro, por que você trouxe? Você não sabe que é muito perigoso?
CECÍLIA: Lá vai ela de novo.
PEDRO: Eu sei. Mas eu vou escondê-la bem. Ninguém irá descobrir.
DALVA: Pedro, você não deveria ter trazido isso pra cá! Você está colocando nós todos em perigo. Hoje em dia ninguém tem mais privacidade.
PEDRO: Fique calma!
CECÍLIA: Hum!
PEDRO: Eu trouxe mesmo correndo esse risco, pois nós não ficaremos aqui pra sempre. Talvez em outro lugar possamos precisar delas.
PATRÍCIA: Ah... Fala sério! Isso aí é semente de que?
PEDRO: Sei lá!
CECÍLIA: Deixe-me ver. Isso é semente de mostarda.
PEDRO e PATRÍCIA: De que?
CECÍLIA: Isso são sementes de mostarda.
PATRÍCIA: E pra que serve isso?
CECÍLIA: Mostarda serve para tempero de comida.
DALVA: De quem será isso? De certo era de alguém. O que será que houve? Será que ele estava fugindo e jogou fora? Será que o pegaram e não encontraram as sementes e vão voltar pra procurar? Será que virão até aqui em casa, verificar se elas estão aqui?
CECÍLIA: Cessão paranoia agora...
PEDRO: ( guarda as sementes no bolso ) Ninguém saberá que elas estarão aqui em casa. Eu sei o que faço, deixa comigo, pô! O que a gente tem que fazer agora é racionalizar essa água, até que eu tenha oportunidade amanhã de pegar mais.
DALVA: É um terremoto! É um terremoto!
Um terremoto acontece. Mas todos agem como um acontecimento normal.
PATRÍCIA: Esse até que foi fraco e rápido.
DALVA: É, foi rápido..
CECÍLIA: Bom era o tempo em que não havia esses terremotos diários.
PATRÍCIA: Puxa, deveria ser muito bom. Seria, tipo assim... bem pan?!
CECÍLIA: E era minha filha.
DALVA: Bisneta!
CECÍLIA: É... muita coisa mudou desde a minha época.
PATRÍCIA: O quê bisa?
CECÍLIA: Primeiro que existiam árvores de tudo o que era tipo, davam frutas, e haviam muitos pássaros que viviam cantando em seus galhos...
PATRÍCIA: Cantando?
CECÍLIA: Sim. Senta aqui mais perto que te contarei um pouco do meu tempo.
DALVA: Eu vou lá dentro que eu tenho mais o que fazer, do que ficar ouvindo historinhas do passado. (Sai)
PATRÍCIA: Caraca, aqui não tem computador, não tem Ipodi, o meu celular não está funcionando,
Não posso me comunicar com as minhas amigas. DVD, CD play... Quem sou eu aqui? aqui nesse fim de mundo não tem nada! O tempo não passa! Mãe, a senhora quer o que?
CECÍLIA: Deixa, deixa pra lá minha filha, ela está perturbada.
DALVA: Bis! Bisneta!
CECÍLIA: Sabe que no meu tempo a vida era mais colorida, era mais alegre. Quando criança subíamos nas árvores para comer fruta do pé. Íamos à praia para nadar e pegar um sol...
PATRÍCIA: Nossa que loucura bisa!! Vocês brincavam com a morte.
CECÍLIA: (sorri) Mas não era como hoje em dia que qualquer descuido com o tempo pode ser fatal. Antigamente, ainda dava pra ficar coradinha, e ficava bonita pra conseguir uma boa “paquera”.
PATRÍCIA: A senhora, ein?! Mas pelo menos você estava sendo você mesma!
CECÍLIA: (sorri) Mas no meu tempo ainda havia decência, depois que o mundo ficou uma depravação só. Foi a procura de prazer imediato, sexo, drogas, bebidas, consumo também, se tornou um vício social.
PEDRO: O tio Elias falava muito sobre isso.
CECÍLIA: Eu sei. A gente conversava muito. Mas vocês sabem o que piorou tudo, desde a minha época? Foi a ganância, foi a procura do poder, que deixou o mundo desta forma deplorável.
PATRÍCIA: Mas... e a tecnologia e coisa e tal, bisa?
CECÍLIA: Tanta tecnologia e não adiantou de nada!
PATRÍCIA: Como assim Bisa?
CECÍLIA: Eles deixaram de lado o essencial, a vida! Os poderosos não abriam mão de poluir o ar, destruindo a camada de ozônio, prejudicando os polos, descongelando as calotas, Sem contar com o desmatamento, a poluição dos rios, a matança de animais até extinguir muitas espécies. Acabaram com a água potável descontroladamente, contaminaram os alimentos, e muito mais. E a consequência é o resultado que vemos hoje, aqui. Voltamos à era medieval, à era primitiva.
PATRÍCIA: Calma aí, bisa. Também não é bem assim.
CECÍLIA: Como não? Por causa disso, o clima mudou: furacões, terremotos, vulcões, tufões, maremotos passaram a acontecer diariamente. Muitas cidades e países sumiram do mapa, outras se tornaram uma cidade fantasma. Graças aos governos da época.
 
Dalva volta
 
PEDRO: Como assim, governos?
CECÍLIA: É que antigamente existiam vários países e cada país tinha o seu governante. É que vocês só conheceram esse sistema de hoje.
PEDRO: O império. Um só comandando tudo. Não sabia que cada pedaço de terra era de um dono. Mas sabe de uma coisa? O que me interessa agora é o que vamos comer, o que vamos beber e o que vamos vestir.
DALVA: Ai, ai, ai. Por falar nisso, já está começando a esquentar de novo. (vai à janela) O tempo está abrindo de novo. Assim não tem saúde que aguente.
PATRÍCIA: Put’s, já estou ficando suada.
PEDRO: Eu também, deixa eu levar as cobertas lá pra dentro. Me dá aqui.
PATRÍCIA: Pedro, cadê a água? Já estou com sede.
PEDRO: Vou pegar, mas é pra racionalizar!
PATRÍCIA: É pra matar a sede, isso sim! Mãe abre essa janela um pouco.
DALVA: (Vai a janela) Ai, minha mãe!! Ai, minha mãe!! Ai, ai, ai!
PATRÍCIA: O que foi mãe?
PEDRO: (volta correndo) O que houve?
DALVA: Olhem pela janela, o que é aquilo, vindo em nossa direção?
PEDRO: É uma nuvem de gafanhotos!! Rápido, vamos ver se está tudo fechado!!
DALVA: Ai, minha mãezinha! Já está chegando! Já está chegando!
PEDRO: (de dentro) Patrícia, fecha a janela do banheiro! Rápido! Rápido!
PATRÍCIA: (sai) Já vou.
DALVA: Ai, ai, ai. Ai, ai, ai. Ai, ai, ai. Já chegou!!! JÁ CHEGOU!!!
 
Entra correndo Pedro e Patrícia, e junto com a Dalva, se jogam no chão. Os gafanhotos atingem a casa.
 
CECÍLIA: Não vai acontecer nada... alguém pode me dar água?
(Algum instante depois...)
PEDRO: Pronto. Eu acho que já foram.
PATRÍCIA: É ... o barulho acabou. Olhem pela janela.
PEDRO: Já estou olhando, já foram sim.
DALVA: Está tudo uma loucura, só! Os animais estão fora do seu habitat. O que será de nós?
CECÍLIA: Mas alguém afinal de contas, pode me dar um pouco de água? Eu tinha falado que não ia acontecer nada.
DALVA: Claro. Também o Pedro tomou as providências na hora “h”. Graças a minha mãe!!
CECÍLIA: Que mãe? Que mãe? A sua mãe morreu já faz tempo!
DALVA: Não!! É a minha mãe, a rainha dos céus!
CECÍLIA: Ah, quanta bobagem!!
DALVA: Bobagem nada! Antes tínhamos fartura de pão, e prosperávamos alegres, e não víamos mal algum. Desde que cessei de cultuar a rainha dos céus, e de lhe oferecer libações, tivemos falta de tudo, e fomos consumidos pela espada e pela fome.
CECÍLIA: (Para Patrícia) Por esta razão também que o mundo está assim, é o fim dos tempos. Daaaalva, Jesus já vai voltar e você ainda está pensando assim?
DALVA: Lá vem a senhora com essa “ladainha” de novo. A rainha dos céus é a mãe de deus. A mãe da humanidade.
CECÍLIA: Mas foi Jesus o messias prometido. Foi Ele quem morreu por nós!
PEDRO: Se é a rainha, ou se é Jesus, o que importa é que nós estamos todos aqui! No meio desse calorão, precisando sobreviver. Precisamos do pão de cada dia, e de água! Patrícia, me dá um pouco d’água também.
Outro terremoto acontece, e as luzes se apagam por um instante. Um breve silêncio se faz, pra logo depois a luz retornar.
PATRÍCIA: Por que será que faltou luz? Por que será que faltou luz, Pedro?
PEDRO: Eu vou lá fora pra ver se está tudo ok com a aparelhagem da energia solar.
DALVA: Espere um pouco! (vai até a janela) O tempo está bom, pode ir, Pedro.
CECÍLIA: Podíamos assistir um pouco de TV.
PATRÍCIA: A TV não está funcionando. Ah, que saudade da minha TV de plasma...
CECÍLIA: E o rádio?
PATRÍCIA: O rádio às vezes pega, é muito tosco! Mas que saudade do meu Ipode...
(Pedro volta)
PEDRO: Está tudo ok, só que o tempo está começando a fechar de novo.
DALVA: E está começando a esfriar de novo. Ai, ai, ai. Paty...
PATRÍCIA: Tudo eu! tudo eu! (sai e volta logo) Já pegue as cobertas! Já to indo.
CECÍLIA: Ai, que friozinho... meu Deus, quantos habitantes deve ter na terra ainda?
PEDRO: Sei lá.
PATRÍCIA: Tomem as cobertas.
CECÍLIA: Com essa mudança de temperatura... não sei como consigo ainda sobreviver. Deus está me mantendo viva porque ainda tenho uma missão nesse mundo.
PATRÍCIA: Vamos ligar essa pedra lascada pra ver se tem alguma música?
DALVA: Liga sim. Pode ter também notícias boas sobre a vida aí fora, porque pior não dá pra mais pra ficar.
Patrícia liga o rádio
RÁDIO: “Mais um ataque dos rinofantes, aterroriza a cidade. Como você sabem eles são uma mutação genética, gerada pela combinação dos genes dos elefantes e dos rinocerontes feita em laboratório na década passada, porém a ciência perdeu o controle desse animal feroz e altamente destrutivo. Se você estiver nos arredores da cidade da nova Babilônia, devem procurar um abrigo imediatamente. Esse bando enfurecido tem aniquilado grande parte da população da região.
E atenção. Acaba de chegar a notícia vinda diretamente da cidade imperial. O imperador acaba de assinar o decreto que proíbe a posse de literaturas subversivas. Todo aquele que for encontrado com tais literaturas será condenado à execução sumária. Incluem-se nessa categoria, todos os livros que manifestam qualquer posição contrária ao regime...”
DALVA: Viu dona Cecília, A muito que não se pode falar deste tal Jesus. E agora mais ainda. Se não seremos todos mortos! Ouviu bem? Seremos Mortos!!
CECÍLIA: Sem Jesus vocês já estão mortos.
PEDRO: (pede silêncio) Vamos continuar ouvindo as notícias, já que está funcionando!
RÁDIO: “... que as águas irão subir mais vinte metros, devido ao descongelamento das calotas polares. Ficando registrado como o fim definitivo das mesmas. O que acarretará no aumento do nível do mar. Os físicos e estudiosos, não sabe expressar com precisão a dimensão de mais essa catástrofe. A revolta da natureza certamente resultará no desaparecimento de mais cidades do Império. Haverá dezenas de milhares de mortes em todo...” (o rádio começa a ter chiado)
PEDRO: Ih, caramba. Ta chiando.
PATRÍCIA: Esse rádio é uma porcaria! Se eu tivesse o meu aqui...
DALVA: Vocês ouviram? O planeta terra está cada vez mais entrando num colapso total. O que será da gente? Onde tudo isso vai parar?
CECÍLIA: É definitivamente o final dos tempos!
(Dalva vai a janela)
DALVA: Ué?! Olha o que estou vendo.
PATRÍCIA: O que,mãe?
DALVA: Uma, uma borboleta.
(Patrícia, Pedro e Cecília correm pra janela.)
PATRÍCIA: Cadê? Cadê?
DALVA: Ali, aquela azulzinha ali óh,
PATRÍCIA: Aquilo que é borbobota? Parece de papel.
CECÍLIA: É borboleta!
PEDRO: Estranho, esse... isso é bicho?
CECÍLIA: É claro! Nunca mais havia visto uma borboleta... e ela é azulzinha, teve ser uma remanescente.
PATRÍCIA: Muito lindinha. Parece tão frágil.
Antigamente havia borboletas de diversas cores.
PATRÍCIA: Devia ser muito lindo.
CECÍLIA: E era...
 
Cena 3 – (Dalva, Patrícia, Cecília, Pedro e o Robô)
 
Alguém pede desesperadamente socorro, batendo na porta
 
ROBÔ: Socorro! Socorro! Deixe-me entrar! Por favor, socorro!!...
DALVA: Minha mãe, o que é isso?
PATRÍCIA: Alguém está desesperado lá fora!
CECÍLIA: Abra a porta e deixe o coitado entrar!
ROBÔ: Socorro! Socorro! Abra a porta! Socorro!...
DALVA: Pode ser uma armação.
PATRÍCIA: Ele está desesperado. Está correndo perigo! Vou abrir!
PEDRO: ( Enquanto Patrícia abre a porta) Não! Pode ser perigoso!
ROBÔ: (Entra e fecha a porta) Obrigado! Obrigado! Muito obrigado!
PATRÍCIA: Mas quem é você?
 
começam a escutar alguns grunhidos do lado de fora da casa. O robô pede um instante de silêncio. Todos ficam estáticos até os grunhidos se distanciarem, o robô treme de medo.
 
ROBÔ: Graças a Deus!!
PATRÍCIA: Mas quem é você? E o que havia lá fora?
DALVA: De quem o senhor... quero dizer, de quem... você, estava fugindo?
PEDRO: De onde você veio?
 
ROBÔ: Calma, Calma, galera. Eu responderei a parada, um por um. Ufa! Ainda bem que esse pregos já foram. Mas vamos lá. Eu sou o robô MYK – 22010 DC 7.0, mas pode me chamar de, Brow, falou?
PATRÍCIA: Brow?
ROBÔ: É, minha linda, Brow. Ninguém vai ficar me chamando de MYK – 22010 DC 7.0, ninguém merece, né?!
DALVA: Mas o que te perseguia e por que?
ROBÔ: Relax minha tia, que esses seres sinistros que a raça humana criou, chamada de... rebulóides... estão tão somente atrás de mim... infelizmente.
DALVA: Isso é ótimo! E você está aqui em casa!
CECÍLIA: Não liga não meu rapaz...
DALVA: Rapaz?
CECÍLIA: Ela é assim mesmo, medrosa... mas continue.
ROBÔ: Ainda bem, que tudo o que a raça humana faz, nada é perfeito. Quando estou dentro de uma casa, caverna ou num lance parecido, esses pregos não conseguem me localizar, eles se perdem. Somente quando estou a céu aberto que eles conseguem ir atrás de mim. Eu tinha um guarda-chuva... mas aí dançou, ajudava bastante...
PATRÍCIA: Mas pra que, que eles andam atrás de você?
ROBÔ: Pra me arrasar.
PEDRO: E por que eles criaram essas coisas pra te destruir?
ROBÔ: Pois eu tenho muitas informações, sobre muito lance, geral.
PEDRO: E que tipo de... lance?
ROBÔ: Aí, parceiro, todas as informações do passado, as ações do homem no planeta terra, a história, os governos, tudo o que rolou nesse tempo todo, está contido em mim. Principalmente as temidas Escrituras Sagradas.
DALVA: Temida mesmo!
ROBÔ: Temida, mas é a palavra da verdade, podes crer!
DALVA: Pronto! Estava demorando. Uma já é crente, agora um robô? Uma velha caduca e um robô maluco.
PATRÍCIA: Mas como você conseguiu escapar esse tempo todo, Brow?
ROBÔ: Aí, numa boa, com todo o conhecimento que eu tenho, não foi muito difícil.
DALVA: Agora é que estamos correndo mais riscos com esse... esse... Robô.
PEDRO: Eu acho que não. Se ele possui muito conhecimento, pode ser muito útil pra gente. Mas me diga, robô...
ROBÔ: Aí, leke, por favor, me chame de Brow.
PEDRO: Ok. Brow, me diga então pra que você foi criado? Não foi pra prejudicar o homem?
ROBÔ: Não! Justamente ao contrário. À tempo atrás, quando vocês nem pensavam em nascer, havia competições de surf.
PATRÍCIA: E o que era isso?
ROBÔ: Nas praias, aonde havia ondas, os brothers... quero dizer, os jovens deslizavam sobre elas com as suas boias... com suas pranchas maravilhosas. Era o esporte mais radical, a total interação com o mar, o contato com as ondas, a arte de domar a natureza.
PATRÍCIA: Confuso... e.. precisava de que para praticar?
ROBÔ: Era necessário somente uma prancha e muita coragem para desafiar as ondas. Quem experimentasse os tubos nunca mais deixaria o surf..
PATRÍCIA: Era um esporte?
ROBÔ: Minha linda, era muito mais do que isso, era uma filosofia de vida. Era uma maravilha ver aquele mar bem Crowd, todos dropando, uns dando backside, outros dando um 360º. E quando se pegava um tubo, alucinante! E se tivesse vento, aí era osso. O pior de tudo era quando o mar estava flat, morou? Ai não dava pra rolar nada...
PEDRO: (tentando interromper) Brow? Brow? Vamos voltar ao assunto anterior?
ROBÔ: Ok, brother! Continuando, eles me criaram para ser um juiz de surf. Só que esse esporte ficou na pior, ficou inviável com as mudanças de clima, maré, com a mudança de habitat de algumas espécies, acabou ficando impraticável, arraso total. Então, quando eu ainda era útil para eles, me utilizaram para outras funções como: meteorologista, historiador, estrategista, professor, compactador de lixo, biodigestor, etc etc etc. É mole? Mas com a soberania governamental de hoje, a minha existência e meus conhecimentos passaram a ser muito perigosos para o império. Por isso que eles querem me ferrar de vez. Espere um minuto...
PATRÍCIA: Que maneiro, você possui tantas informações...
DALVA: Que horror, você é um fugitivo procurado pelo império!
CECÍLIA: (Sorri) Daaalva, Daaalva, não muda nunca. Sempre estressada.
 
Um estrondo acontece e tudo estremece. O robô vai ao chão, após o terremoto, Pedro e Patrícia ajudam a levantá-lo.
 
PATRÍCIA: Você está bem, Brow? Nossa, o que foi isso?
PEDRO: Quebrou alguma coisa? Que estrondo todo é esse?
DALVA: Será que o mundo vai acabar?
ROBÔ: Não, está tudo bem, obrigado, obrigado. Isso foi um pedaço de satélite que acabou de cair aqui perto...
DALVA: Satélite?
ROBÔ: O espaço tá com um montão de satélites antigos, e que estão se deteriorando, com isso partes deles caem na terra. Eu sabia que ia cair por aqui, meu sistema POWER LONG DISTANCE UP, detectou isso.
DALVA: E por que não nos avisou?
ROBÔ: (Sorri) E pra que? Só iria ia deixar vocês preocupados. Não podemos nos estressar sem necessidade.
DALVA: Sem necessidade?? Sem necessidade??
ROBÔ: Não ia cair na nossa cabeça. E se caísse, não ia dar tempo de correr.
DALVA: Que loucura! Que loucura!
PEDRO: Brow, nos diga uma coisa. Você tem alguma informação de como anda o mundo aí fora?
ROBÔ: As informações que me chegam, através do meu sistema CAP NOW SYSTEM. É que a natureza está cada vez descontrolada. Áreas enormes estão sendo destruídas, contaminadas, abandonadas. Os seres vivos da terra, aos poucos estão morrendo, seja de fome, sede, doenças, contaminações, seja pelas temperaturas ou... por se matarem. Não dá pra saber em quanto tempo tudo se normalizará, já que o sistema do universo e muito complexo. É uma parada muito louca!
DALVA: Quer dizer que... toda humanidade na terra... irá se acabar?
ROBÔ: Não acredito nisso não.
PATRÍCIA: Isso é uma opinião pessoal, ou é uma estatística através do seu banco de dados?
ROBÔ: Olha só, como a humanidade pode acabar se Jesus ainda não voltou?
DALVA: Era o que me faltava!!
ROBÔ: Como diz nas Escrituras, Jesus virá para resgatar os seus. Virá separar o trigo do joio.
CECÍLIA: Eu sabia que esse robô tinha algo de especial.
PATRÍCIA: E como você sabe que esse Jesus ainda não voltou?
ROBÔ: Ué, porque eu ainda estou aqui. (sorri)
PEDRO: E o que é que tem? Você é uma máquina!
CECÍLIA: Mas eu não. E eu continuo aqui. Sou convertida e batizada, e ainda não fui arrebatada pelo Senhor.
ROBÔ: Eu também sou convertido e batizado! E quase que me enferrujei...
PEDRO: Mas... mas...
ROBÔ: Em Romanos 19.9,10 O Senhor diz: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação” E eu entreguei o meu viver em suas mãos. Eu creio que irei para a glória com Jesus quando ele chegar, aí vai ser muito show!
DALVA: Eu não estou dizendo? Um doido pra fazer companhia pra uma doida.
CECÍLIA: Mas vale um robô crente do que uma família descrente.
DALVA: Essa história de “Jesus está voltando” Já ouço a muito tempo, e Ele nunca chega, deve estar bem atrasado.
CECÍLIA: Os sinais do final dos tempos estão tão nítidos a cada momento...
ROBÔ: Positivo. Segundo a Bíblia, o Senhor virá como ladrão, a qualquer momento. Ih! Vai esquentar, preparem-se.
PATRÍCIA: O que?
PEDRO: O Brow tem razão, está esquentando.
ROBÔ: Oh, oh! Aí galera, pelos meus dados, este lugar não é seguro. Devemos abandoná-lo o quanto antes.
DALVA: Por quê? O que vai acontecer?
ROBÔ: Em poucos dias, esse lugar ficará ilhado, as marés subirão vertiginosamente devido ao derretimento das calotas polares... aí vai ser osso!
PATRÍCIA: Isso falou no rádio.
PEDRO: E pra onde iremos então? O que devemos fazer?
DALVA: Ai, minha mãe, era só o que me faltava.
ROBÔ: Existe um lugar seguro, onde existe água de nascente e de boa qualidade, e muitos tipos de alimentos. É um paraíso... ecológico.
PATRÍCIA: Acabaram os meus problemas! Galinhas, adeus!
DALVA: Paty, tenha modos! E pegue a água pra mim.
PATRÍCIA: Tudo eu! Tudo eu!
ROBÔ: Eu orientarei como chegar lá.
PEDRO: Se ficar aqui é tão perigoso, então quanto antes sairmos melhor.
PATRÍCIA: Mas... e quanto ao papai? E se ele voltar? Não nos encontrará mais. Brow, tipo assim, você que sabe de tudo, pode informar se o papai irá voltar?
ROBÔ: Calma aí. Eu tenho um banco de dados enorme e meus instrumentos podem ajudar bastante. Mas não sou adivinho não! As escrituras dizem que os adivinhos não herdarão os céus! To fora!
PEDRO: Se ficarmos aqui, morreremos. Só conseguiremos sobreviver se sairmos daqui o quanto antes.
ROBÔ: Positivo e operante.
PATRÍCIA: Mas e o papai?
DALVA: Paty, minha filha. Eu sou a pessoa que mais quer a volta do seu pai... mas... eu sinto que ele não virá mais.
PATRÍCIA: Por que? A senhora acha que ele morreu?
CECÍLIA: Vai ver ele não aguentou mais a sua mãe, isso sim!
DALVA: Como a você pode falar nisso?
CECÍLIA: Depois que ele teve um encontro com Jesus, você nunca quis ouvi-lo! Só vinha com essa história da virgem, rainha dos céus...
DALVA: Foi a senhora que colocava essas coisas na cabeça do Elias.
CECÍLIA: E ele se tornou uma pessoa pior? Muito pelo contrário! Ele passou a ter os frutos do Espírito.
DALVA: Ele de fato mudou muito. E é por isso que eu acho que ele não nos abandonaria. Mas não foi por causa disso que você falou, não. As pessoas mudam mesmo.
PEDRO: O que deve ter acontecido então? O tio Elias sumiu de uma hora pra outra... será que Jesus veio e o levou, como vocês dizem?
ROBÔ e CECÍLIA: Impossível! Teria me levado também.
PEDRO: Mas o fato é que não podemos mais ficar aqui. Eu penso no tio Elias, ele me ensinou muitas coisas, mas não podemos ficar. O Brow tem razão.
DALVA: Paty, pegue um efervescente lá dentro pra mim. Que não estou muito bem não.
Patrícia (sai e volta)
PATRÍCIA: Toma mãe.
 
Cena 4 – (Dalva, Patrícia, Cecília, Pedro, Robô, Calígula e Nero)
 
A porta é arrombada por dois saqueadores. Todos ficam atônitos. O robô ao perceber a invasão dos saqueadores, fica imóvel como se quebrado.
 
CALÍGULA: Surpresa!! (Sorri) Como é bom ver uma linda família!! Nero o que você me diz... Nero? Nero cadê você?
NERO: Estou aqui fora! Posso entrar, Calígula?
CALÍGULA: Claro! Deve! Seu imbecil! Paquidérmico!!
NERO: Tchan! Ói eu aqui antão! Oi gente.
CALÍGULA: Seu panaca (bate-o na cabeça)
NERO: Ui, ui, ui. Isso dói!
CALÍGULA: Doeu, é? Era pra te rachado sua cabeça no meio, cabeça de jerimum! (Olha para o robô inerte, e se assusta) O que é isso?
NERO: É o homem de lata do mágico de Oz?
DALVA: Esse robô?... Que... robô?
PEDRO: Sim, esse robô, está... está... quebrado. Sem conserto.
CALÍGULA: (observa o robô imóvel) Entendo. Lata velha e enferrujada!! Vai ver foi produto de pirataria... mas chega de papo, e vamos direto ao assunto. O que vocês tem a nos oferecer?
DALVA: Ai, por favor não faça nada com a gente. Leve tudo mas não nos faça mal, por favor.
CALÍGULA: Mas quem é que vai fazer mal aqui? (Para o Nero) Sou eu? É você, Nero?
NERO: Eu, Calígula? Eu não! Minha mãe sempre dizia que eu era um amorzinho.
CALÍGULA: (rindo) Nós só queremos o que é justo para dois saqueadores!
NERO: (Sorri) É! E o que é justo para dois saqueadores? Um prato de comida?...
CALÍGULA: Não!
NERO: Um suquinho de maracujá?...
CALÍGULA: Também não!
NERO: Um copo d’água?... Já sei, um pedaço de pão com chuchu!... Um... pedido de desculpas? ...uma caminha confortável pra tirar uma soneca?...
CALÍGULA: Não! Não! Não! Seu idiota! Seu...
NERO: (feliz) Obrigado.
CALÍGULA: O que vocês tem aqui pra ser roubado?
PEDRO: Nós temos... essa TV, esse rádio, essa...
CALÍGULA: E pra eu quero isso?! Queremos... me passe essa água. Nero, vai lá dentro e vê se tem mais alguém. E procure o que tem de bom e traga pra cá.
NERO: Deixa comigo. (Para a família) Sai da frente!
CECÍLIA: Vocês são uns covardes!
DALVA: Dona Cecília, agora não!
CECÍLIA: Ora, Daaalva. Você é muito medrosa. Eles são covardes e sabem disso!
CALÍGULA: Que nós somos covardes, sabemos. Mas que essa aí e medrosa, é novidade.
Nero volta
NERO: Calígula, olha o que encontrei.
CALÍGULA: Mas o que é isso?
NERO: Um pinguim de geladeira!
CALÍGULA: Mas pra que eu quero isso?
NERO: É que eu sempre quis ter um desses, e...
CALÍGULA: Volte lá seu inútil e traga alguma coisa que preste ou te tiro a sua cabeça do pescoço.
Nero sai. Nero volta
NERO: Pronto! Achei essa galinha! Mas não dá pra colocar em cima da geladeira. E mais um pouco de água, e parece da boa, hein?!
CALÍGULA: Muito bom! Muito bom! É por isso que ainda não te esquartejei!
NERO: Espere. (sai e volta depois com os cobertores) Vamos levar esses cobertores também.
CALÍGULA: Muito bom! Você Está me surpreendendo. Agora vamos!
Ameaçam sair
CALÍGULA: Espere um pouco, Nero. Vamos levar a menina também!
NERO: É! Boa ideia, Calígula! Mas pra que ela vai servir?
CALÍGULA: Para que? Pra que?
NERO: Já sei! Já sei! Pra carregar o que roubamos?
CALÍGULA: Não seu idiota!
NERO: Então... não fala não! Não fala não! É pra contar histórias pra gente dormir.
CALÍGULA: Não!
NERO: tirar cravo das nossas costas? Pra... cortar as nossas unhas dos pés?... pra...... Fazer o nosso café... da manhã?...
CALÍGULA: Não! Eu um dia acabo contigo!!! Vamos levá-la para vende-la a rede de prostituição! Não!! Melhor, Vamos vender os seus órgãos, daria mais lucro!!
 
Toda a família fica desesperada tenta protegê-la a todo custo.
 
CALÍGULA: Está decidido pela suprema corte!
NERO: Suprema corte?
CALÍGULA: Nero, pegue-a!
DALVA: Mas vocês não podem fazer isso! Por que... por que... ela é doente!
PATRÍCIA: Eu? Doente?
DALVA: É! Você é doente! (A empurra e ela cai no chão, e depois lhe pisa a mão. Patrícia começa a tremer toda de dor).
CALÍGULA: Nossa! Essa menina só vai atrapalhar o nosso ofício.
DALVA: Os órgãos dela estão todos estragados!
CALÍGULA: Mas ainda poderíamos vendê-la pra rede de prostituição, e depois eles que se virassem com ela!
NERO: (rindo) Boa ideia, Calígula!
DALVA: Não podem!
CALÍGULA e NERO: E por que?
DALVA: Porque ela tem uma doença contagiosa.
CALÍGULA, NERO e PATRÍCIA: Contagiosa??
DALVA: Sim! (Ela põe o efervescente na boca de Patrícia que começa a espumar) Essa doença é terrível. Ela vai matando aos poucos, primeiro começa a se contorcer toda, depois a espumar pela boca, aí... se afastem! (todos se afastam) Ela pode explodir a qualquer momento! (todos observam) Falhou. Mas a tendência é não haver mais controle das suas faculdade mentais, podendo até, se tiver fome, comer alguém vivo!
CALÍGULA e NERO: Ai, ai. Isso não!!
CALÍGULA: Vamos embora daqui, Nero!
NERO: Vamos logo! Vamos! Vamos!
Calígula e Nero saem.
DALVA: Ainda bem que foram embora! Eu pensei que era o fim.
CECÍLIA: São um bando de covardes!
PEDRO: Patrícia? Patrícia? Você está bem? Tia, a Patrícia não se move.
DALVA: Paty? Paty?
PATRÍCIA: Harg! Cof! Cof! Ai, mãe, a senhora é que quase me matou!! Que coisa horrível esse treco! Ai, ai, ai, minha mão!!
CECÍLIA: Ela fez isso pra salvar a sua vida. Eu já não sabia quem era quem nessa história. Quem era malvados e quem era os bonzinhos...
DALVA: Se eu não pensasse em algo logo, eles teriam te levado.
PEDRO: E o robô, o que houve com ele?
ROBÔ: (Ainda imóvel) E aí, já foram?
PEDRO: Sim!
ROBÔ: (Aliviado, Volta ao normal) Graças a Deus!
PATRÍCIA: E por que você não fez nada?
ROBÔ: (chorando) Desculpe-me, mas me deu um curto circuito, pra vocês seria o mesmo que... estado de choque.
DALVA: Mas você é um robô muito medroso! Como pode isso? Quase que nos matam, quase levaram a minha filha, e ainda levaram toda água, a comida e as cobertas, e você fingiu estar quebrado?
CECÍLIA: Daaalva deixa de ser insensível.
DALVA: Insensível? Insensível?
CECÍLIA: Você não vê como está o coitado do... do...
ROBÔ: Brow.
CECÍLIA: Sim. Do Paul! (para o Robô) Minha latinha, já passou.
PEDRO: Eu vou atrás deles, e pegar de volta o que eles levaram!
DALVA: Não, Pedro! Não vai! Eles são muito perigosos, não corra esse risco desnecessário. Fique aqui!
CECÍLIA: Pela primeira vez tenho que concordar com a Daaalva. Agora, definitivamente, é o fim do mundo.
PEDRO: Mas como a gente vai se virar durante a noite?
DALVA: Vamos sobreviver esta noite, a amanhã de manhã iremos em busca de água e alimentos.
ROBÔ: Mas vale um covarde vivo, do que um herói morto!...
 
Todos olham pro robô.
 
ROBÔ: No meu caso... foi - um - curto...
CECÍLIA: Não se preocupem, pois o meu Deus nos protegeu e não nos deixa Brow falta nada! No deserto, o povo que saiu do Egito, não tinha o que comer, Deus enviou maná todos os dias para se alimentarem. Deus proverá uma maneira.
ROBÔ: Êxodo capítulo 16. É verdade
CECÍLIA: Deus nunca abandona os seus.
ROBÔ: Amém!
CECÍLIA: Mil cairão a sua esquerda, dez mil a sua direita, e tu não serás atingido.
ROBÔ: Aleluia!
CECÍLIA: O Senhor é nosso refúgio bem presente nas tribulações!
ROBÔ: Oh, Glória! Aleluia! Aleluia!
Cecília inicia um hino, e o robô a acompanha.
 
Cecília e o Robô
Firmes nas promessas do meu salvador
Cantarei louvores ao meu criador
Fico, pelos séculos no seu amor
Firmes nas promessas de Jesus.
 
Firme, firme,
firme nas promessas de Jesus meu mestre
Firme, firme, sim.
Firme nas promessas de Jesus
 
DALVA: Pronto! Danou-se!
PATRÍCIA: Brow? Brow?
ROBÔ: Bom é render graças ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a tua misericórdia, e durante à noite, a tua fidelidade. Salmo 92.1,2
PATRÍCIA: Brow, demorou, muito legal isso, mas... a minha avó, tudo bem. Ela tem alma, tem espírito. Mas você... é uma máquina.
ROBÔ: Deus não faz acepção de pessoas. E eu fui justificado pelo sangue do cordeiro, morto na cruz do Calvário, mas ressuscitou ao terceiro dia, e está vivo a destra do Pai!
CECÍLIA: Glórias a Deus, por isso! Pra Deus não existe impossível!...
DALVA: Pronto! Agora os dois endoideceram de vez!
CECÍLIA: ... fez o burro falar! Fez Nabucodonosor comer capim, e fez Zacarias ficar mudo!
ROBÔ: Ressuscitou os mortos! Fez o dia parar! Abriu o mar vermelho paro o seu povo passar...
PEDRO: Isso é ridículo, Brow! Você é uma máquina! Você não tem alma e nem espírito, muito menos é de carne e osso!
ROBÔ: Jesus transformou o meu ser e a minha vida. E hoje eu ando em novidade de vida. A palavra diz, todo aquele que se confessar diante dos homens, assim Jesus o confirmará diante de Deus que está nos céus. Todos os que O buscarem, O acharão. E comigo não foi diferente. Hoje eu sou uma nova criatura em Cristo Jesus.
DALVA: Quanta baboseira! Creio na minha intercessora. Que mesmo cumpriu-se a profecia, teve seu filho...
ROBÔ: Você está falando de quem afinal?
DALVA: Você ainda não sabe? Você que tem todo o conhecimento, não sabe?
Cecília
Robô, o passado nunca esteve tão presente.
 
ROBÔ: Tenho muitas informações dentro de mim, mas não é quase nada diante da sabedoria de Deus! Em linguagem mais apropriada digo:
Realmente não sei ao certo a quem você se refere, já que a “mãe e a criança” se originaliza desde Ninrode, neto de Cão, filho de Noé. Ninrode, que construiu a torre de Babel, a Babilônia primitiva e outras cidades. Ele se afastou de Deus e começou a grande apostasia profana. E que tem dominado o mundo até hoje.
Ele casou-se com Semíramis, a mãe que você se refere. Porém, depois da sua morte, ela propagou a doutrina maligna da sobrevivência de Ninrode, como um ente espiritual. Semíramis com sua astúcia, converteu-se em “rainha do céu” e dizendo-se virgem para cumprir a profecia de XXX, teve um filho chamado Tamuz, a quem dizia que era Ninrode reencarnado, sendo assim “Divino filho do céu”. Está adoração da “virgem e o menino” espalhou-se pelo mundo a fora, mudando de nome em cada país.
No Egito chamava-se fortuna e Júpiter; na Ásia: Cibele e Deois, Na roma pagã: Vênus e Júpiter, na Índia: Divaki e Krishna, Na china e no Japão: Shing Môo, santa mãe, Em Éfeso: Diana, a mãe dos Deus, na Escandinava: Disa com a criança, na Grécia; afrodite “a meretriz”, em Israel: Astarote e Baal...
PEDRO: Silêncio! Estou escutando vozes lá fora!
 
Cena 5 – (Dalva, Patrícia, Cecília, Pedro, Robô, Joana D’arc, Brutus e Lampião)
 
Um falatório lá fora se faz, todos ficam em silêncio. Batem à porta.
 
BRUTUS: Aaaaaaaaah! Abram a porta! É a guarda Imperial!
DALVA: Por favor, pelo amor da minha mãe, ou pelo amor do seu Deus. Não me venha falar desse tal de Jesus! Não abra a boca pra falar disso, senão seremos todos mortos!
ROBÔ: É verdade!
DALVA: (pra Cecília) E a senhora fica calada, por favor.
CECÍLIA: Isso também está escrito: “A perseguição dos Cristãos”.
DALVA: Dona Cecília, por favor!
BRUTUS: Aaaaaaaaah! Abram a Porta! É uma ordem! É a guarda Imperial!
 
O robô puxa a toalha da mesa, coloca-a nas costas e fica de quatro, fingindo ser um banco. Patrícia percebe e fica sentada em cima dele.
 
PEDRO: Já vou abrir! Já vou abrir, senhor!
Pedro abre a porta, Entra Lampião e a Joana D’arc. Após Joana D’arc entrar, todos a saúdam com reverencia. Menos Cecília.
 
JOANA D'ARC: (Para Cecília) Por que você não me referencia?
CECÍLIA: Porque não se pode agradar a Deus e ao...
(Dalva tapa-lhe a boca)
DALVA: Sabe o que é? (Faz sinal de que Cecília não regula muito bem, que é meio abobalhada, retardada) Ele já tem uma certa idade (olha pra Cecília), é o peso da vivência. (Volta a olhar para Joana D’arc) A Senhora entende, né?
JOANA D'ARC: (severa, observa) Compreendo!
DALVA: (aliviada) Obrigada...
JOANA D'ARC: Lampião, vai lá e trás aqui.
Lampião sai, e volta com a água, a comida e os cobertores.
JOANA D'ARC: Suponho que pertença a vocês.
PEDRO: Sim senhora, é nosso!
JOANA D'ARC: Assim presumi. É a única moradia por essa redondeza. Deparamos com os saqueadores próximos daqui. Brutus, Traga os dois aqui!
Entra Brutus segurando cada um por cima.
JOANA D'ARC: Será necessário a confirmação de vocês, se foram os dois que apoderaram-se ilicitamente dos seus pertences.
Todos acenam positivamente.
CALÍGULA: Não, não, não. Foram outros bem parecidos com a gente.
NERO: Por que você nunca me falou nisso?
JOANA D'ARC: (Os olha seriamente para depois falar) Julgado.
Calígula consegue se soltar do Brutus e foge, imediatamente Joana D’arc atira e ouve-se a dor de Calígula atingido. Joana D’arc, olha para o Nero.
NERO: Não pode fazer isso. (Sorri) Antes eu tenho direito a um pedido. Eu quero aprender Chinês por correspondência.
Joana D’arc, o olha seriamente e lhe dá um tiro na cabeça. Nero cai morto.
JOANA D'ARC: Levam-no e jogue-o fora!
Brutus e Lampião o pegam e o tiram de casa, depois voltam.
JOANA D'ARC: Por norma do Imperador, temos que revistar toda e qualquer residência. Brutus, Lampião, revistem tudo!
DALVA: Mas por que essa revista?
JOANA D'ARC: É ordem do Imperador Mor. Todo lar deve passar por uma inspeção, afim de que possa ser descoberto algum livro proibido, plantas, sementes, robôs (o robô se treme todo) ou algo mais que seja subversivo.
Os guardas começam a revista-los, e descobrem no bolso da calça de Pedro o lenço com as sementes.
BRUTUS: Aaaaaaaaah! Comandante Joana D’arc, sementes estavam dentro do bolso da calça de elemento.
JOANA D'ARC: Então será detido, por perturbar a ordem e desobedecer o poder do Imperador Mor.
PATRÍCIA: Não. Vocês não podem fazer isso. Meu primo achou essas sementes hoje, lá fora quando foi pegar água.
DALVA: Alguém deve ter deixado cair, e ele pegou. (batendo na cabeça do Pedro) Eu não falei? Eu não falei, que não era pra ter pego?
CECÍLIA: A Senhora deve considerar os argumentos.
JOANA D'ARC: O que me interessa são os fatos. (para o Pedro) Você tem como provar que encontrou em lugar diferente do da residência habitual, e que não te pertence?
PEDRO: Mas... mas... como posso provar? Não havia ninguém... como?...
Nesse instante, animais selvagens cercam a casa, todos ficam quietos.
CECÍLIA: (fala baixo) São leões?
JOANA D'ARC: Exatamente!
PEDRO: Devem ter vindo, por causa dos cadáveres dos mortos lá fora.
CECÍLIA: Pelo o que sei, esses leões estão maiores e mais ferozes.
JOANA D'ARC: Exatamente.
 
A luz se apaga
 
LAMPIÃO: Ôxente! Comandante Joana D’arc, o cabra da peste pode fugir, não sabe?
JOANA D'ARC: Ele não é insano, pois os leões os devorariam.
A luz volta e o robô está na frente da família, afrontando a guarda imperial, com o pano da mesa em uma das mãos, protegendo-os.
BRUTUS: Aaaaaaaaah! Comandante é um robô!
JOANA D'ARC: (surpresa) Esta é a segunda violação. A semente e agora o robô. Vocês estão encrencados até o pescoço. Prendam-nos!
Quando Brutus e Lampião iam tomar iniciativa para começar a ação de prende-los. Cecília se levanta da poltrona e fica do lado do robô, mete a mão dentro da roupa e tira uma Bíblia.
CECÍLIA: Deus não nos deu um Espírito de covardia!
ROBÔ: É isso aí, demorou. Vamos aloprar! Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus;
DALVA: (para Cecília)Ai, ai, ai. Dona Cecília de onde você tirou este livro?
CECÍLIA: Eu mantenho este livro escondido, porque senão você o queimaria ou jogaria fora.
DALVA: E o que será agora?
JOANA D'ARC: Está cada vez melhorando mais. Mais uma infração! E agora a mais grave de todas, e será muito penosa! contém o livro proibido! E pra esse tipo de delito não há perdão, a condenação é a morte. Guardas matem-nos!
A luz se apaga novamente, e no escuro ouve-se barulho de briga, confusão e os leões lá fora agitadíssimos. A porta é batida e a luz se acende. A guarda Imperial já não mais está ali presente. O robô limpa com o pano o suor de sua cabeça. E Cecília golpeia o ar com a Bíblia. Dalva e Patrícia encolhida num canto da sala protegida pelo Pedro.
 
 
ATO 2
Cena 1 – (Dalva, Patrícia, Cecília e o Robô)
 
No outro dia...
 
PATRÍCIA: Caraca, mãe, eu não queria ir embora agora, fico pensando no papai.
DALVA: Paty, você entende que não podemos ficar, não é?
Patrícia acena positivamente com a cabeça
CECÍLIA: (Para a Patrícia) Não se preocupe minha filha...
DALVA: Bis, bis, bisneta!
CECÍLIA: (Rosna para Dalva) Daaalva não se estresse, leia a Bíblia! (volta-se para Patrícia) Mas não se preocupe que seu pai andava com Deus. E onde ele estiver, estará bem acompanhado pelo Senhor Jesus.
 
Cena 1 – (Dalva, Patrícia, Cecília, Robô e Pedro)
 
Entra Pedro
PEDRO: O tempo está excelente para podermos ir, o Brow tem razão, esse é o momento. Estão todos prontos?
DALVA: Estamos.
ROBÔ: Leke, você entendeu como se chega lá?
PEDRO: Entendi, Brow. Obrigado por tudo. Mas você tem certeza de que não quer ir com a gente?
ROBÔ: Tenho. Deus me ungiu para ser um Missionário, para levar a sua palavra pelo mundo afora. Muitos estão precisando ouvir falar das Boas novas do reino de Deus. Precisam saber que Jesus está voltando. A palavra de Deus fala: Não cesses de falar deste livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido Js 1.8
 
PEDRO: Você é quem sabe o que é melhor pra sua vida, Brow.
PATRÍCIA: Brow, foi bom ter te conhecido. Tipo assim, mesmo pelo pouco tempo, gostei de você. Você é você e isso que é importante. E cuidado com os... robulóides, ein?!
ROBÔ: Pode deixar comigo, minha linda, esse pregos não me pegam. Mas, você não me vai me dar um beijo?
PATRÍCIA: Vou sim.
ROBÔ: E eu também me amarrei muito com vocês. Aí galera, nem um abraço de despedida?
Sem jeitos, abraçam o robô e se despedem. Pedro sai carregando alguma coisa.
DALVA: Paty, ajude a sua bisavó.
Dalva carregando alguma coisa.
PATRÍCIA: Venha bisa, deixe eu te ajudar.
CECÍLIA: Não precisa minha filha, pode ir que eu já vou.
PATRÍCIA: Mas... mas...
CECÍLIA: Pode ir, pode ir, eu sou velha mas não sou inútil como a tua mãe pensa. Vai. Eu só vou me despedir do robô.
PATRÍCIA: Ok, então. Te espero lá fora então. Tchau Brow!
CECÍLIA: Robô, Deus te abençoe rica e abundantemente, e te livre e te guarde. Que o Senhor seja contigo em todos os seus caminhos.
ROBÔ: Amém! Que o Senhor também seja contigo, varoa. Vai na Paz do Senhor.
CECÍLIA: (Saindo) A Paz do Senhor, varão de lata, mas com um coração de carne. Ih! (vota da porta) Já ia esquecendo a Bíblia em cima da poltrona. É a idade que já vai pesando sobre os ombros. (quase saindo, com gestos repetitivos sincronizados com as palavras) . Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... Como eu posso... eu posso...
(O robô fica por um instante estático, olhando e percebendo o que se passa com a Cecília, mas resolve se aproximar da vovó ciborg e lhe da uma batidinha nas costas, que volta a agir naturalmente.)
CECÍLIA: Como eu posso... esquecer a Palavra de Deus? Adeus!
(Cecília sai, e o robô fica vendo-a sair.)
 
Fim

 

A peçaO MUNDO DAS TREVAS publicada pelo autor

 

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Diversos: