O JOGO DOS SETE ERROS

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Celina, vai cometendo os erros(estes erros são BEM comuns entre nós).

Oportunidades para corrigi-los...

Novos vacilos, a vida toda.

CENA I
CENÁRIO: Para todas as cenas, com exceção a última, a sala da casa de Celina será o cenário.
(Entra o narrador. A cortinha ainda está fechada.)
NARRADOR: (Para a plateia) Boa noite! (Não espera a resposta) Meu nome é... bom, meu nome não vem ao caso. Eu sou o narrador dessa peça. Bom... esse espetáculo poderia muito bem se desenrolar sem mim. Mas, fui inserido pela necessidade de apresentar a nossa proposta a vocês. Apresentamos para vocês uma espécie de peça-jogo. Todos aqui já devem ter jogado, ou observado uma criança brincar procurando os sete erros de uma figura. O jogo dos sete erros é a nossa proposta. Onde se ouve erros, ouça-se pecados. Cada cena será apresentado um erro.
(Abre-se a cortina. Em cena Celina, sentada no sofá.)
NARRADOR: Essa é a Celina. Uma cristã normal, como a maioria aqui presente. Só que não percebia, talvez, não admitia, que na vida dela havia pecados, que aqui chamamos de erros. Sem reconhecê-los, não havia oportunidade para pedir perdão. Mas vamos deixar de delongas e vamos logo para o primeiro erro.
(Narrador sai de cena.)
CELINA: (Levantado-se do sofá) Vou pentear os cabelos... Vou sair. Quero arejar um pouco. (Desapontada, volta para o sofá) Pentear os cabelos pra que? Sair para aonde? Eu nem sequer tenho namorado. Bom seria se eu tivesse um namorado como o da Júlia. O menina de sorte. O Charles é um partidão. Quem dera eu fosse a Júlia. O Charles é... (Suspirando) Ele é bonitão, elegante, e ainda tem um carrão. A Júlia bem podia sumir do mapa. Dar uma chance para as amigas. Quem sabe ele até me escolheria. (Pequena pausa) Os outros rapazes... são uns bobos. São feios, pobres, e não tem um carrão. Acho que se não for alguém igual ao Charles, prefiro ficar solteira. (Pensativa) Mas se eu tenho planos de ficar sozinha, preciso de um emprego que me proporcione conforto. Meu trabalho é chato. Tenho que trabalhar oito horas por dia. Ganho... uma mixaria. (Cruzando os braços) Amanhã peço demissão. Feliz mesmo é a Ana Paula. Ela é chefe de repartição. Se o cargo dela fosse meu... Acho que eu seria feliz. (Levantando-se) Tenho que ficar atenta. Vai que ela “pisa na bola”. Alguém ter que relatar ao gerente. Quem sabe o gerente possa dar uma gratificação... Melhor, promoção. (Pequena pausa) Gerente? ... Soa bem: Celina de Freitas – Gerente Geral. (Sonhando) Ter minha própria mesa. Eu teria muito mais dinheiro. Compraria uma roupa nova toda semana. (Desanimada) De que adianta ter roupa nova se eu não tenho um corpo igual ao da Amanda? Para ela parece que toda roupa cai bem. (Sentando-se no sofá) Até a mais simplesinha. Dá até raiva. (Pequena pausa) Hum! Que vontade de chiclete. Com o canto do olho vi a Sabrina mascando uma nova marca. Eu não percebi bem, mas parece que era de pêssego, cada embalagem com sete unidades, e era da Adam´s. (Levantando-se) Isso eu não vou ficar na vontade. Vou comprar para mim.
(Sai de cena.)
(Cortina.)
(Entra o narrador. Ele traz consigo um quadro virado. É nele que estarão contidas as alternativas que serão apresentadas a plateia.)
NARRADOR: Acho que já foi possível descobrir qual foi o erro da cena. Mais uma vez lembrando que aqui estamos usando erro como sinônimo de pecado. (Desvirando o quadro) Vamos ver as alternativas. (Lendo:)
a)Preguiça
b)Inveja
c)Gula
(Narrador pede para alguém da plateia responder. Depois ele pode fazer um pequeno comentário sobre a resposta. Ao encerrar, ele recolhe o quadro.)
NARRADOR: Agora vejamos o segundo erro.
(Narrador sai.)
CENA II
(Abre-se a cortina.)
(Volta em cena Celina.)
(Obs.: Ao invés de usar tantas vezes o bi-i-i-ip, uma sugestão seria a substituição por um bip sonoro, apito, etc.)
CELINA: (Mascando chiclete) (Furiosa) Mas que chiclete mais bi-i-i-ip. Ele não parece o chiclete da Sabrina. Aquele vendedor bi-i-i-ip. Por que a vida tem que ser uma verdadeira bi-i-i-ip.
(Senta-se no sofá. Nele há um objeto que a incomoda.)
CELINA: Bi-i-i-ip! O que esse bi-i-i-ip está fazendo aqui? (Lançando o objeto para longe) Foi aquele bi-i-i-ip. Foi o bi-i-i-ip de meu sobrinho. Esqueceu esse bi-i-i-ip nesse sofá mais bi-i-i-ip. Mas ele me paga. Ah se não! Vontade de tacar fogo nesse sofá bi-i-i-ip e mandar meu sobrinho para o bi-i-i-ip.
(Indo em direção a saída. No meio do caminho tropeça em algo.)
CELINA: Mas que dia mais bi-i-i-ip!
(Sai de cena.)
(Cortina.)
(Volta o narrador com seu quadro.)
NARRADOR: Agora é fácil de descobrir o erro. O bi-i-i-ip... (Colocando a mão na boca como se tivesse dito um palavrão) Opa! (Pequena pausa) Brincadeira! Toda vez que a Celina disse “bip” deverá ser subentendida a palavra correspondente. Esse pecado ainda é cometido por muitos que se dizem convertidos. Talvez não percebam porque não o cometem com tanta intensidade como Celina. Mas, chega de conversa. Vamos as alternativas. (Lendo:)
a)Palavrão
b)Redundância de bi-i-i-ip na cena
c)A calça dela não combina com os sapatos
(Narrador escolhe alguém da plateia para responder. Se possível, faz um pequeno comentário.)
NARRADOR: Lá vem o próximo erro.
(Narrador sai de cena.)
CENA III
(Abre-se a cortina.)
(Volta em cena Celina. Traz consigo um celular.)
CELINA: Agora estou um pouco mais calma. Para quem mesmo eu ia ligar? Ah Lembrei. Era para a Melissa. (Faz como se procurasse no celular o número) O Carlão estava parado na porta do shopping conversando com a Joelma. (Discando) Parecia uma conversa de amigos, mas eu posso dar os meus retoques. (Alguém do outro lado atende) Alô! É você amiga? Aqui é a Celina. Quanto tempo! Eu vou bem e você? E como vai o namoro com o Carlão? Que bom, amiga! (Dá uma tossida) Eu não sei como começar. Eu preciso te contar algo, amiga. Eu não sei como vou te dizer. É que o Carlão... (Pausa) É do Carlão. Eu vi ele no shopping. Ah ele até levou um presente para você. (Resmungando) Deve ser para aliviar a consciência. Nada, amiga! Eu não falei nada. Ele estava no maior papo com a Joelma. Ah eles são bons amigos. É deu para ver. Ela toda derretida para cima dele. É-é se ele retribuiu? (Pequena pausa) Amiga, você sabe como são os homens. Eu não quero atrapalhar o seu relacionamento com o Carlão. Eu não queria que você fosse a última a saber. O Carlão - Quem diria! Eu sempre achei “Melissa e Carlão o casal mais bonito da igreja”. Mas eu acho que você tem que abrir o olho amiga. Não chore, amiga! Tá bom! Vou deixar você sozinha. Só não vai contar para eles que fui eu que te disse isso. Tá bom, amiga! Precisando você sabe que pode contar com essa amiga. Tchau, Melissa! (Desligando) Pobrezinha dela! Acho que exagerei um pouquinho. Essa Joelma tinha que ser uma oferecida. Mas isso não vai ficar assim. (Pega o celular e disca um novo número) (Alguém atende) Pastor Cleber? Aqui é a Celina. Paz! Tudo Bem? Eu também estou bem. Pastor, orei bastante antes de fazer esta ligação. Eu não gosto de me meter na vida alheia. Senti que devia fazer esta ligação e aqui estou falando com o senhor. É quanto uma irmãzinha da igreja. Não, ela não está doente. Pelo menos não fisicamente. É sobre a Joelma. É eu sei, ela tem sido uma excelente líder de evangelismo. Só que acho que ela vem tendo uma vida dupla. Eu explico: Me contaram que numa dessas noites viram ela saindo dum barzinho. Ela precisou que uns conhecidos a levassem carregada para casa. Estava completamente bêbada. Eu sei pastor. Para mim também foi um choque. A fonte em que tive as informações é bastante segura. Acho que ela não merece o cargo que vem ocupando. Pelo menos enquanto não se libertar do mundo. Tá certo, pastor. Pastor, eu achei que devia lhe contar. ( Suspirando) Agora estou me sentindo um pouco aliviada. Mas, por favor, não fala pra ela que foi eu que contei. Tchau, pastor! (Desliga o telefone) Eu quero mais é ver o circo pegar fogo. Agora é a tua vez, Melissa. Eu odeio o teu jeito de “certinha”. Esses dias eu a vi no Colégio, durante o horário de aula, andando pelos corredores. Pode ser que ela estava gazeando aula. Bobinha ela. Acho que ela nem sabe o que é gazear. Qual será o número da D. Maria. (Mexe no celular a procura de um número) Afinal, ela precisa saber o que a filha vem aprontando. (Achando o número) Achei!
(Indo em direção a saída. Disca um número.)
CELINA: Bom dia, D. Maria! Como vai a senhora?
(Sai de cena.)
(Cortina.)
(Volta o narrador com o quadro.)
NARRADOR: Mais uma cena fácil. O erro está evidente. Vamos as alternativas!
a)Abuso no celular
b)Roubo
c)Fofoca
NARRADOR: Muito fácil, não é?
(Narrador escolhe alguém da plateia para responder. Se possível faz um pequeno comentário sobre a cena.)
NARRADOR: E agora... vocês já sabem. Lá vem o quarto erro. Prestem atenção.
(Narrador sai.)
CENA IV
(Abre-se a cortina. Celina está em cena. Ela usa uma calça diferente das cenas anteriores. Ela se olha para ver como “caiu” a calça no seu corpo.)
CELINA: Que presentão recebi da Ana. Talvez ela não chegou nem a usar. Ficou muito mais bonita em mim.
MÃE-DE-CELINA: (De fora) Celina.
CELINA: Oi?
MÃE-DE-CELINA: Você não viu meus óculos, filha?
CELINA: Quê?
(Entra a mãe de Celina.)
MÃE-DE-CELINA: Os meus óculos...
CELINA: Ai, mãe, com você! Até os óculos você perde.
MÃE-DE-CELINA: (Fitando Celina dos pés a cabeça) Essa calça...
CELINA: Que que tem a minha calça?
MÃE-DE-CELINA: Eu não tinha visto ela antes.
CELINA: Pelo visto não está precisando mais de óculos. (Noutro tom) Ganhei.
MÃE-DE-CELINA: De quem?
CELINA: Foi da... da... (Dá as costas para a plateia Coloca uma mão para trás e cruza os dedos. Gesto daqueles que estão prestes a dizer uma mentira.) ...da Nádia.
MÃE-DE-CELINA: Ah bom! Eu só não quero que você continue pegando coisas daquela Ana.
CELINA: Lá vem a senhora com essa conversa.
MÃE-DE-CELINA: Você sabe que ela não presta. É barra pesada.
CELINA: (Cruzando novamente o dedo) A Ana... faz muito tempo que não a vejo mais.
MÃE-DE-CELINA: Que bom, filha! Como isso me deixa aliviada. (Pequena pausa) E a prova de matemática?
CELINA: (Cruzando o dedo) Muito bem. Acho que deu para beliscar um nove.
MÃE-DE-CELINA: Ué? Não era para amanhã?
CELINA: (Gaguejando) Hã... é-é-é... É amanhã. Eu me confundi com português.
MÃE-DE-CELINA: (Resmungando) Números e letras tem tudo a ver mesmo! (Noutro tom) Filha, às vezes acho que você falta a verdade comigo.
CELINA: Mãe, desse jeito a senhora até me ofende. (Cruzando os dedos) Eu nunca faltaria com verdade com a senhora. Eu preferiria sofrer as consequências por contar a verdade a me esconder atrás de uma mentira. Afinal, a mentira tem perna curta.
MÃE-DE-CELINA: (Dando-lhe um abraço) Você me causa um grande orgulho, filha.
CELINA: (Cruzando os dedos) Eu jamais vou querer desapontá-la.
MÃE-DE-CELINA: Eu sei que não. Eu já fui muito enganada nessa vida. Acho que ninguém me enganaria tão facilmente. (Pequena pausa) Acabo de lembrar.
CELINA: De que?
MÃE-DE-CELINA: Meus óculos. Eu os deixei no quarto.
(Mãe de Celina vai em direção a saída.)
CELINA: Mãe.
MÃE-DE-CELINA: (Parando) O que, filha?
CELINA: (Cruzando os dedos) Eu nem sei mentir.
MÃE-DE-CELINA: Eu sei disso filha. (Sai de cena.)
(Cortina.)
(Volta o narrador com o quadro.)
NARRADOR: Essa é muito fácil. Vamos as alternativas:
a)Ira
b)Inveja
c)Mentira
(Narrador pede para alguém responder. Poderá até ser uma criança. Ele poderá ir além, indagando-a de como chegou a tal conclusão. Narrador poderá fazer um pequeno comentário sobre a cena.)
NARRADOR: Eu vou sair. Prestem atenção na cena a seguir.
(Narrador sai.)
CENA V
(Abre-se a cortina. Em cena Celina. Ela está sentada no sofá. Entra a mãe de Celina, agora de óculos.)
MÃE-DE-CELINA: (Referindo-se aos óculos) Estavam lá no guarda-roupa.
CELINA: Quê?
MÃE-DE-CELINA: Meus óculos. Lembra? Eu estava procurando.
CELINA: Ah sim!
MÃE-DE-CELINA: (Noutro tom) Estou um pouco preocupada.
CELINA: Com o que, mãe?
MÃE-DE-CELINA: (Meio sem jeito) Hum... você e sua prima Eduarda.
CELINA: Nem me fale daquela... daquela...
MÃE-DE-CELINA: Pensei... pensei que você tinha se comovido com o último sermão do pastor Cléber. Era sobre perdão, lembra?
CELINA: Acho que existem pessoas que não merecem o nosso perdão.
MÃE-DE-CELINA: Filha, se você não perdoa Jesus também não pode perdoar você. Ele nos trata como tratamos nossos irmãos.
CELINA: Ela nem é irmã.
MÃE-DE-CELINA: Você como crente devia dar o exemplo.
CELINA: Eu não quero nem ouvir falar nela.
MÃE-DE-CELINA: Filha... e se ela viesse aqui. Te explicasse todos os motivos que a levaram fazer o que fez. Aliás, o que ela te fez?
CELINA: Ela?... Bom... Foi muito grave... ela... eu não me lembro.
MÃE-DE-CELINA: Viu? Você nem se quer lembra do que foi. Será que não é hora de perdoá-la?
CELINA: (Cruzando os braços) Não Perdoo. Eu só lembro que foi muito grave.
MÃE-DE-CELINA: E se ela te suplicasse o perdão?
CELINA: Mesmo assim. Vamos mudar de assunto. Por favor!
MÃE-DE-CELINA: Que ossinho duro de roer! (Pequena pausa) Vou dar uma saidinha. (Beijando-a) Tchau, filha! (Vai até a saída. Para) E você?
CELINA: O que que tem eu?
MÃE-DE-CELINA:Você não estaria disposta a pedir perdão para ela?
CELINA: Mãe, a senhora pirou? A senhora só pode estar maluca.
MÃE-DE-CELINA: Desculpa. Dizem que perguntar não ofende.
(Mãe de Celina sai de cena.)
(Cortina.)
(Entra o narrador com o quadro.)
NARRADOR: Essa Celina tem um coraçãozinho! Vamos as alternativas:
a)Falta de caráter
b)Falta de perdão
c)Falta de vergonha
(Narrador solicita a alguém da plateia para responder. Depois pode fazer um pequeno comentário.)
NARRADOR: E agora vamos ver o penúltimo erro. Eu já volto.
(Narrador sai.)
CENA VI
(Abre-se a cortina. Em cena Celina próxima ao sofá.)
CELINA: (Dando alguns passos) Hoje é que dia mesmo? Hum! (Volta-se) Ah, hoje vai haver culto especial de missões. Será que dou aqueles R$ 50,00 que prometi? (Pausa) Sabe de uma coisa. Melhor não. Acho que estou precisando mais do que aqueles missionários da África. Também, ninguém mandou eles darem uma de heróis indo para o estrangeiro. (Sentando-se no sofá. Com dó.) Mas muitos deles passam até fome. (Levantando-se) Mas não será meus R$ 50,00 que vão resolver alguma coisa. (Pensativa) E se todo mundo pensar como eu? (Noutro tom) Bobagem! Só eu não tenho coração. (Caindo em si) O que estou dizendo? Está resolvido, não vou dar. E já que estou me abrindo. Acho bobagem distribuir sopa aos moradores de rua. Só vai matar a fome, aliviar um pouco do frio, mas só naquele momento. Depois volta tudo a ser como antes. Também não dou esmola para pedinte. Sei que por mais que seja ele uma criança, por trás dela tem sempre um adulto esperando minhas moedas para torrá-las em cachaça. Algumas vezes eles pedem um pedaço de pão. Como dizem: “Não dar o peixe, mas ensinar a pescar.” (Pensativa) Mas enquanto ninguém se dispõe a ensinar a pescar devo privá-los do peixe? (Noutro tom) Não é problema meu. Se tem alguém passando fome. Não é problema meu. Se estão passando frio, muito menos ainda. Não é problema meu. O governo que tome providências. Eu pago meus impostos para isso. Eu já tenho pouco, se eu dividir esse pouco, serei mais um com frio e fome. Por isso: não é problema meu!
(Celina sai de cena.)
(Cortina.)
(Volta o narrador com o quadro.)
NARRADOR: Dessa vez também está bastante fácil. Espero que ninguém tenha se visto refletido nas ações de Celina. Vamos as alternativas:
a)Falta de dinheiro
b)Não saber pescar
c)Insensibilidade
(Narrador solicita alguém para responder a pergunta. Ele pode comentar a cena. Ele poderá inclusive acrescentar que Celina se nega a compartilhar a salvação em Cristo.)
NARRADOR: Agora lá vem o último erro. Prestem bastante atenção.
(Narrador sai.)
CENA VII
(Abre-se a cortina. Entra Celina com uma sacola. Vai até o sofá e descansa nela a sacola. Retira de dentro dela uma minissaia.)
CELINA: O “cinquentão” de missões deu para comprar esta saia. (Mede-a sobre a cintura) Ela é meio mini. Só que eu não vou para igreja com ela. Eu quero mais é que os homens não se aguentem sem olhar para minhas pernas. (Sonhando) Quero receber assovios. Mas não quero cantadas vulgares. (Pensativa) Pelo menos devo fingir que rejeito elas. Essa sainha vai combinar com meu top. Eu vou arrasar. O Paulão vai se lamentar ao ver o que perdeu. Todos vão me apelidar de Celina “Saradona”. Eu podia usar só roupas provocantes. Só picantes. Eu sempre serei apimentada. Eu quero mostra o máximo deste corpinho que Deus me deu. (Olhando-se) É... talvez eu precise emagrecer uns seis, sete quilos. Mas homem não quer nem saber. Se você quer mostrar, sempre tem alguém querendo ver. Eu não vou ficar solteirona. Eu quero caçar um marido.
(Cortina.)
(Volta o narrador com o quadro.)
NARRADOR: Mas uma cena absurdamente fácil. Vamos as alternativas:
a)Sensualidade
b)Sonhar em se casar
c)Gostar de se arrumar
(Narrador escolhe alguém para responder. Se possível tece um pequeno comentário sobre a cena.)
NARRADOR: Aqui acaba o jogo.
CENA VIII
CENÁRIO: Quarto de Celina.
(Abre-se a cortina. Em cena Celina deitada na cama. Sua neta está segurando sua mão.)
NARRADOR: Mas os erros, Celina continuou praticando. Agora a encontramos cinquenta anos depois. Ela está no seu leito de morte. Vivendo seus últimos minutos na Terra. Sua neta está com ela. Conseguirá sua neta levá-la ao arrependimento antes que seja tarde. Vamos acompanhar.
(Narrador sai de cena.)
CELINA: (Falando com dificuldade) Acho que está chegando o meu fim.
NETA-DE-CELINA: Não fala assim, vovó.
CELINA: Não adianta querer me enrolar, sei que eu estou desenganada.
NETA-DE-CELINA: Vovó... eu acho que o pior não é morrer. O pior e passar a eternidade sem Deus.
CELINA: Mas daqui a pouco estarei com Deus.
NETA-DE-CELINA: Vó, não quero que a senhora fique brava comigo, mas preciso ser franca. Sei que se eu não falar vou me arrepender. Eu amo você vovó.
CELINA: Eu também te amo, minha florzinha.
NETA-DE-CELINA: Espero que a senhora não fique brava.
CELINA: Fale, meu amor.
NETA-DE-CELINA: Vovó... (Suspira) A senhora nunca foi exemplo de santidade. Nunca se libertou dos palavrões; sempre dava um jeitinho para esconder a verdade, quando lhe interessava; também deixou a inveja tomar conta de seu coração. E a Eduarda...
CELINA: (Se vira na cama) Acho melhor você parar.
NETA-DE-CELINA: Vovó, eu não quero que a senhora seja condenada.
CELINA: Mas não é isso que você esta fazendo – me condenando?
NETA-DE-CELINA: A Eduarda... Ela, antes de morrer, pediu para que falassem com você. Ela queria tanto te pedir perdão.
CELINA: Eu não vou perdoá-la. Por que ela não veio pessoalmente me pedir perdão antes de morrer. Eu não perdoo... não perd... (Interrompe ao sentir uma dor terrível) Ai... ai... ai...
NETA-DE-CELINA: (Em desespero) O que foi, vovó? Vou chamar o seu médico.
CELINA: Não!... Chegou a minha hora. (Fixando os olhos no céu) Eu estou vendo. Eu estou vendo.
NETA-DE-CELINA: (Enxugando as lágrimas) O que a senhora vê?
CELINA: (Feliz) Vejo anjos. Eles são inúmeros. Estão todos de branco. Acho que eles estão vindo me buscar. Estou indo para o céu.
NETA-DE-CELINA: Que bom, vovó.
CELINA: (Seu semblante muda para pavor) Não... não...
NETA-DE-CELINA: O que foi, vovó?
CELINA: Não... eles não são anjos. Quem são vocês? Eles são demônios. (Como se alguém a puxasse pelo braço) Me soltem. (Abre a boca para soltar um grito, mas é silenciada pela morte.)
NETA-DE-CELINA: (Em desespero) Vovó... vovó... nãããooo!
(Cortina)
FIM
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