O Código Di Abo

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Criação x Evolução

O Código Di Abo
A traição do intelectual

Darwin x Jesus

Peça teatral que sugere que a criação de heresias, seitas, romances e tabloides antibíblicos emanam de uma só fonte: a mente do diabo. Entretanto, alguns autores dessas aberrações têm seus conceitos modificados ao aceitarem a Jesus Cristo como único e suficiente salvador, enquanto outros não têm mais tempo de se redimirem de suas más obras pois morrem sem terem sido convertido pelo Espírito Santo e deixam de obter a salvação.

TEXTO REGISTRADO no Escritório de Direito Autoral
 
Cena 1
Jovens Promissores
Cenário: Rua
Dois jovens caminham juntos para a reunião da igreja, papeando.
ÉLDER BROWN: Você gostaria de ser famoso, rico ou inteligente, Marcos?
MARCOS: Ah, Élder... Gostaria de ser o que eu sou. Deus me fez assim, e é assim que eu vou louvá-lo.
ÉLDER BROWN: Deixe de bobeira, Marcos. Nós não estamos na frente do Pastor! Fala com sinceridade!
MARCOS: E você? Gostaria de ser o quê?
ÉLDER BROWN: Gostaria de ser inteligente. O mais inteligente. Já nasci feio, logo não posso ser bonito. Nem cirurgião plástico dá jeito (risos). E rico sem inteligência e beleza é apenas um bobo na mão de espertos, aproveitadores e bajuladores, sejam eles filhos, amigos ou esposa. Sendo inteligente, você consegue ser rico e se passa por bonito sem fazer muita força. E é o que eu vou ser!
MARCOS: É, cada um com a sua opinião...Contanto que não use o intelecto para o mal, está tudo certo.
Tainá entra em cena, preocupada.
TAINÁ: E aí Marcos?!
MARCOS: Tudo bem, Tainá. Quer falar comigo?
TAINÁ: Não, eu quero falar com o Élder.
ÉLDER BROWN: Pois não, Tainá.
TAINÁ: Sabe o que é? O Fábio faltou e não sei quem eu coloco no lugar dele para dar o estudo para os jovens.
ÉLDER BROWN: Deixa comigo! Estou sempre preparado para um imprevisto como esse!
TAINÁ: Que bom! E você vai falar sobre qual tema?
ÉLDER BROWN: Serve “As influências dos filmes hollywoodianos sobres os que refutam o cristianismo, provocando o surgimento de novas seitas e heresias”?
TAINÁ: (aprovando) Hummm! Que profundo!
MARCOS: Caramba! Eu não me precipitaria em falar de um tema tão complexo, ainda mais de última hora!
ÉLDER BROWN: Temos que ser ousados, Marcos. Então, vamos lá?
TAINÁ: Claro!
MARCOS: Vamos sim!
Os três saem de cena.
 
Cena 2
Mercado de Trabalho
Cenário: Estúdio de TV, com monitores e uma mesa de som.

Élder Brown entra em cena com uma roupa social.
ÉLDER BROWN: Como é, Rui? Preparou a pauta do próximo programa?
Rui – Peraí, Élder! Você não falou que a gente estava precisando de pessoal para completar a equipe de produção?
ÉLDER BROWN: É mesmo. Estava me esquecendo. (pausa) Rui!
Rui – Fala, Élder.
ÉLDER BROWN: Quem diria que nós iríamos chegar a uma rede de TV!
Rui – É mesmo! Saímos daquela faculdade mediana e estamos aqui! Eu disse que quem faz a Faculdade é o aluno.
ÉLDER BROWN: E aqueles livros filosóficos nos ajudaram muito.
Rui – Rapaz, você “devorou” todos eles! Foi de Platão a Baudrillard em poucos segundos. É por isso que colei em você. Meu negócio é serviço braçal, e um só pouco de teoria, é claro.
ÉLDER BROWN: E eu apostei nos estudos. Tanto nos estudos como na credibilidade que o público tanto dá aos simulacros da verdade. Vender ilusão é o melhor negócio. E nada melhor para vender essa ilusão do que pela Televisão.
Rui – Olha só, marquei entrevista com roteirista para esta hora.
ÉLDER BROWN: Nesta hora, Rui?!
Rui – É, Élder! “Se vira” nos trinta, grande produtor executivo da TV Flash!
ÉLDER BROWN: É, mais eu não sou o “The Flash”. Vai entender a mente de continuista!
Rui – Está zombando do meu ramo?
ÉLDER BROWN: Brincadeira...Manda entrar o candidato a roteirista!
Rui caminha até a antessala do estúdio (fora de cena)
Rui – Ei, rapaz! Trouxe o currículo, a documentação e o texto? Então entra, que o produtor está te esperando.
MARCOS: (de fora de cena) Qual é o nome do produtor executivo que está aqui na TV Flash hoje.
Rui – Élder Brown, conhece?
MARCOS: (entrando em cena, surpreso e feliz, com um envelope na mão) Élder Brown? Não acredito que iria encontrar o Élder Brown, meu irmão em Cristo, trabalhando aqui.
ÉLDER BROWN: (surpreso, mas constrangido) Marcos! Que surpresa... (sussurra ao ouvido de Rui) Rui, porque você não me disse o nome do rapaz?
Rui – (sussurra) E eu ia saber que você não ia querer entrevistar alguém.
ÉLDER BROWN: Tudo bom, Marcos. Como vai o pessoal lá da igreja?
MARCOS: Ué, da nossa igreja, né, Élder?
ÉLDER BROWN: Não, Rui, eu não sou mais de lá?
MARCOS: Como assim? Eu também não frequento mais aquela igreja, pois mudei de bairro, mas pertenço à Igreja de Cristo
ÉLDER BROWN: (disfarçando) Não, Marcos, é que agora eu sou espírito livre, entendeu?
MARCOS: Mas...livre de quê? Livre da liberdade?(...) Ah, entendi...Você se desviou depois que entrou para faculdade. Logo você, que se dizia preparado para resistir a qualquer proposta e filosofia que ferisse os seus valores.
ÉLDER BROWN: Bom, é para falar sobre a minha fé que você veio até aqui? Estou ocupado.
MARCOS: (resignado) Não. Vim aqui trazer meu currículo. Quero trabalhar aqui de roteirista.
ÉLDER BROWN: Deixou eu examinar. (pega o envelope que estava na mão de Marcos) Hummm...Se formou pela UFF... E em Produção Cultural. Não sabia que tinha esse curso não!
Rui – (olhando sobre os ombros de Élder Brown) Olha só, o título do roteiro: “Convertendo a TV à Verdade”. Bem sugestivo!
ÉLDER BROWN: Não achei não!
Rui – Como não! Sua tese foi baseada nesse questionamento!
ÉLDER BROWN: Esquece o que escrevi! (tom) Marcos, me perdoe, mas já temos a ideia, o argumento e o roteiro para o novo programa.
MARCOS: Como assim? E o anúncio que vocês pregaram lá na faculdade?
ÉLDER BROWN: Vai se acostumando, Marcos! Quer trabalhar em TV? As coisas na TV são assim. Num piscar de olhos, tudo muda. Roteiros são modificados, elenco é demitido, cabeças rolam...
MARCOS: Entendi. Num lugar onde se mais precisa de luz, a luz é a primeira a ser rejeitada.
Rui – O que ele disse, Élder?
ÉLDER BROWN: Ele só está querendo espiritualizar o simples fato de o perfil dele não ter se encaixado no nosso padrão daqui da TV Flash.
MARCOS: Você nem viu meu potencial em prática, Élder? Bom, um abraço para vocês e bom trabalho. Com licença.
Sai de cena com seu envelope.
Rui – Rapaz, você mandou embora uma ideia originalíssima.
ÉLDER BROWN: Deixa de ser burro, Rui. Mandei embora um crente chato que vai ficar dando “pitaco” em tudo que é programação nossa a favor do moralismo cristão. A ideia ficou.
Rui – Como assim “a ideia ficou”?
ÉLDER BROWN: Você não ouviu o ditado que para bom entendedor um pingo é letra? Só aqueles título do roteiro dele “Convertendo a TV à Verdade” já me sugeriu algo.
Rui – Mas isso é plágio, Élder.
ÉLDER BROWN: Que plágio o quê, Rui?! Eu nem li o texto dele. Eu só vi o título. E a ideia não tem registro, é patrimônio da humanidade.
Rui – Racionalizando tudo como sempre, né, Élder Brown?!
ÉLDER BROWN: Nem sempre...Presta atenção. Imagine o contrário: “Convertendo a TV à mentira” ou “Pervertendo a TV à verdade”, sei lá.
Rui – Mas esse título vai causar aversão ao público!
ÉLDER BROWN: Esse título não vai ficar exposto. Estará no nosso inconsciente.
Rui – E o programa vai versar sobre o quê?
ÉLDER BROWN: Presta atenção na ideia Será uma visita às obras de arte de pintores renascentistas. Vamos alegar que elas revelam um segredo. Um grande segredo. Um segredo que vai abrir os olhos dos mais perspicazes. Como a roupa do rei, que na verdade é invisível. Só que a gente vai dizer que ela só é visível para os mais inteligentes. E o público do nosso programa vai ser convencido por nossa produção que de fato está vendo o invisível.
Rui – Ainda não entendi a ideia
ÉLDER BROWN: Vou explicar melhor. A gente vai com uma repórter dessas daqui da TV Flash e vamos aos museus e galerias fazer umas reportagens sobre obras famosas. Então, nós dizemos que elas transmitem um grande segredo apenas para aqueles que sabem vê-la de um modo enigmático.
Rui – Ah, então a gente vai enfeitar o pavão.
ÉLDER BROWN: É, Rui...É! Você e essas filosofias de esquina.
Rui – Mas qual será esse segredo?
ÉLDER BROWN: Calma...Deixe me pensar. (pausa) Já sei! A gente vai dizer que essas obras revelam que Jesus não é divino coisa nenhuma! Que ele casou com Maria Madalena e teve filhos, etc.
Rui – Poxa, se você rejeitou um rapaz só por ele ser crente na entrevista, vai querer enfrentar um monte de teólogo ligando para cá?
ÉLDER BROWN: Rapaz, você acha que eu não estou preparado? Já fui crente já, Rui! Quase entrei para o Seminário para ser pastor!
Rui – Você, Élder? (risos)
ÉLDER BROWN: Chega, Rui! Olha só, existem uns evangelhos gnósticos, não considerados autênticos, que volta e meia o pessoal usa para fazer sensacionalismo.
Rui – Que evangelhos são esses?
ÉLDER BROWN: Ah, os Evangelhos de Tomé, de Maria, de Felipe e outros. Nem se sabe porque associaram esses nomes à autoria desses livros. Mas eles causam um estardalhaço grande. Falam que Jesus beijava Maria Madalena na boca, coisa e tal.
Rui – Jesus! Há há! Sabia que até ele se amarrava numa mulher.
ÉLDER BROWN: E eu sei lá se isso é verdade! Os verdadeiros evangelhos foram aprovados por grandes concílios da Igreja e não são contraditórios. Só tem diferença no ponto de vista, não na mensagem. Esses evangelhos gnósticos são uma discrepância só, mas são os que dão ibope. E são estes que a gente vai usar!
Rui – E o que tem a ver as obras de arte?
ÉLDER BROWN: Nós vamos falar que os pintores renascentistas faziam parte de uma seita que sabia de todos os verdadeiros segredos de Jesus. E sutilmente revelavam em suas obras. Tem que ter uma “viagem na maionese” para ilustrar!
Rui – Ah, agora você falou a minha língua.
ÉLDER BROWN: Eu tenho que me comunicar bem contigo! Você é meu braço direito. Olha que viagem: nós podemos dizer que a escultura Davi, de Michelangelo, está nua para mostrar que o cristianismo e favorável ao nudismo!
Rui – Claro. Ou então, dizer que a Mona Lisa é o Leonardo da Vinci travestido!
ÉLDER BROWN: É, mais aí é subestimar muito a inteligência do nosso público...(muda de ideia) Ah, deixa para lá! O que importa é a audiência.
Élder Brown e Rui continuam conversando sobre várias ideias enquanto a luz se apaga.
 

Cena 3
Fama
Cenário: Salão de Festa no encerramento da série produzida.

Festa de encerramento do programa “O Código”. Vários flashes representando a consagração de Élder Brown. No encontro, o Diretor Executivo da TV Flash parabeniza Élder Brown e sua equipe.
Donald Reis – Em nome da Rede Flash de comunicação, quero te dar os parabéns, Élder Brown, pelo seu programa investigativo “O Código”. Ninguém alcançou tal índice de audiência nesse horário como o seu programa, batendo o concorrente, antigo campeão de audiência no horário, em 11 pontos. Parabéns!
ÉLDER BROWN: O sucesso é nosso, Donald Reis. O sucesso é nosso.
Donald Reis – Quem quer vê-lo é o Presidente Executivo Artur Mendes. Pediu para que você fosse ao seu gabinete em São Paulo.
Élder e Rui não escondem a satisfação ao terem sido elogiados.
ÉLDER BROWN: Com certeza estarei lá.
Donald Reis – Com licença, que tenho um outro compromisso. Passe bem! E mais uma vez parabéns (aperta a mão de Rui e de Élder Brown).
Donald Reis sai de cena.
Rui – Garoto! Olha só, o Diretor Executivo falando com você de igual para igual.
ÉLDER BROWN: Não falei que um dia ele iria abaixar aquele nariz em pé! Só não sabia que seria tão rápido.
Rui – Aí, hein! Vai ter um encontro com o Presidente Executivo das Organizações Flash! O que mais lhe falta? O Presidente da República.
ÉLDER BROWN: O cargo ou o encontro? Brincadeira, Rui, brincadeira... Vamos curtir a festa de encerramento do programa...
Élder Brown e Rui - ... “O Código”!
Rui – Nome bem sugestivo, hein?! Vai preparando mais uma falácia! Está sabendo que ele o Senhor Artur Mendes tem no seu gabinete uma réplica do afresco “A Escola de Atenas”.
ÉLDER BROWN: Ah...bom saber disso, Rui. Bom saber...
Rui e Élder Brown se retiram para um canto, cercado de mulheres. Marcos está na festa. Agora fala com um “clown”, à parte do que está ocorrendo, como se estivesse invisível pelos demais personagens.
MARCOS: Quem nunca conheceu a verdade e passa conhecê-la, age como se tivesse achado um grande tesouro e deixa de dar tanto valor à moedinha que insistia em carregar. Mas para quem conheceu a verdade e não preenche sua vida com santidade constante, um demônio vem com mais sete demônios para atormentar.
A festa continua, em meio a gargalhadas. B.O. determina o fim da cena.
Todos saem.
 

Cena 4
Conversa com o Presidente Executivo da TV Flash
Cenário: Gabinete

Senhor Artur Mendes está esperando Élder Brown.
Secretária (Voz em off) – Senhor Artur. O senhor Élder Brown está entrando.
Élder Brown entra em cena.
ÉLDER BROWN: Como tem passado, Senhor Artur Mendes?
Artur Mendes – Bem, filho. Está precisando de alguma coisa?
ÉLDER BROWN: Não, só de tempo. Sabe como é, depois do sucesso do programa “O Código” estou sendo solicitado para a produção de vários quadros aqui da TV Flash.
Artur Mendes – Indo bem, filho. Indo bem. Sente-se, por favor.
ÉLDER BROWN: Oh, sim.
Artur Mendes – Gosto de quem aprecia a arte renascentista, filho.
ÉLDER BROWN: É, temos algo em comum, Dr. Mendes. Eu sempre cri que ela me dizia algo mais. Veja essa réplica da Escola de Atenas, de Rafael Sanzio, em seu gabinete. Platão aponta para o alto. Aristóteles, para baixo. Não parece que o quadro quer dizer que uma coisa é o divino e outra coisa é o humano. Não parece que o afresco quer negar a natureza divina de Jesus.
Artur Mendes – Você tem mesmo um olhar esteta, Élder Brown.
ÉLDER BROWN: É, na verdade, quem me auxilia muito nessas percepções é minha esposa, exímia professora de Artes.
Artur Mendes – Sabe, Élder Brown. Estava mesmo precisando de alguém assim como você para assumir uma posição de direção aqui nas Organizações Flash.
ÉLDER BROWN: Estou às ordens, senhor Artur Mendes.
Artur Mendes – Bem, você não gostaria...
Secretária (Voz em off) – Senhor Artur! Tem uma notícia bombástica! Levo o jornal agora para o senhor ou não?
Artur Mendes – Agora não! Não vê que eu estou numa entrevista?
Desliga o interfone.
ÉLDER BROWN: Será que foi Bin Laden atacou mais um prédio nos EUA?
Artur Mendes – Espero que sim(...) (aperta o interfone) Sônia, traga o jornal aqui.
A secretária leva o jornal e o deixa sobre a mesa do Senhor Artur Mendes.
Artur Mendes – Meu Deus? Você já viu a primeira notícia de hoje do jornal da concorrente?
ÉLDER BROWN: O que eles estão dizendo?
A manchete do jornal está ostentando a seguinte notícia: PROGRAMA DA TV FLASH PLAGIA O ROMANCE DAUGHTER OF GOD (FILHA DE DEUS), DE LEWIS PERDUE.
Artur Mendes – Elder Brown! Você plagiou um romance para fazer esse programa?
ÉLDER BROWN: Claro que não, senhor Artur Mendes, eu...
Artur Mendes – (interrompe) E agora? Como vai ser! Já é a segunda acusação nesse semestre de plágio. E isso é ponto contra as organizações.
ÉLDER BROWN: Meu Deus! E o que vamos fazer?
Artur Mendes – Vamos fazer não, você está fora!
ÉLDER BROWN: (pasmo) Como assim “fora”?
Artur Mendes – Fora! Fora do meu gabinete, fora do meu prédio, fora da minha empresa, fora! Ainda se faz passar por quem tem uma boa concepção sobre arte! Nunca leu na Bíblia que não há nada de oculto que não seja descoberto nem escondido que não seja revelado! Não tem Bíblia em casa não?! Fora! Fora!
Élder Brown sai de cena. Artur Mendes anda de um lado para outro, preocupado.
B.O.
 

Cena 5
Casa humilde de Élder Brown

Ao fundo, uma música instrumental comovente. Élder está com uma garrafa de uísque, chorando e olhando para o alto. Ao término da música, Élder Brown declara:
ÉLDER BROWN: É a Bíblia que eles querem? Pois é a Bíblia que eles vão ter. Só que eles terão uma nova bíblia. Uma bíblia contemporânea. Uma bíblia que anuncie o profeta da última dispensação: a saber, eu mesmo. Vou reunir todos os livros que tenho aqui, menos a Bíblia, é claro, que nem tenho mais aqui em casa. Vou fazer uma miscelânea e criar uma nova religião. Não vou me render assim facilmente!
B.O. para determinar o fim da cena.
 

Cena 6
Praça Pública

ÉLDER BROWN: (gritando com um livro na mão) Se vocês querem ouvir sobre o verdadeiro Jesus, que é diferente deste que nos ensinaram quando éramos crianças, venham! Venham para crer no verdadeiro Jesus! O anjo me revelou o verdadeiro evangelho! Um anjo vindo do céu, trazendo mais mensagens do que o anjo Gabriel, mais corajoso do que o arcanjo Miguel e mais coerente do que o pseudo-anjo Morôni! Venham! Venham!
A multidão desperta interesse para a pregação e para o anúncio do livro de Élder Brown, que está junto com sua esposa Tainá. Entre a multidão está Marcos, que reconhece Élder.
MARCOS: Elder Brown?! É você!
ÉLDER BROWN: Arreda-te daqui, Satanás. Cuidados, meus associados fiéis e discretos! Tudo que vem desse homem aqui é perseguição de Satanás. Não deem atenção ao que ele fala!
MARCOS: Deixa de bobeira, Élder!
ÉLDER BROWN: Para trás! Para trás! Venham, meus servos fiéis, discretos e prudentes. Adquiram já a verdadeira Tradução da Pérola de Grande Valor do Novo Mundo!
MARCOS: Meu Deus! O Élder Brown pirou! Tainá?! Você se casou com o Élder Brown!
TAINÁ: (conversando com Marcos à parte) Casei-me! E some daqui, senão você vai atrapalhar tudo! Ele não quer te ver nem pintado! Você nem crente nenhum! Agora, para ele, todo mundo que não concorda com suas ideias é do demônio.
MARCOS: E ele pelo menos acredita nisso?
TAINÁ: Isso não lhe interessa!
MARCOS: Não acredito que você vai fazer parte desse embuste, Tainá! Servir a Jesus é tão simples. Porque vocês complicam?
TAINÁ: Ué, na Bíblia não ensina para que as esposas sejam submissas aos vossos maridos?
MARCOS: Submissão não é escravidão nem conivência com o erro.
TAINÁ: Na nossa Bíblia Contemporânea Tradução da Pérola de Grande Valor do Novo Mundo é! E com licença.
Marcos vai se retirando de cena, enquanto Tainá e Élder Brown, aos berros, anunciam na praça sua pseudo-bíblia, despertando interesse de muita gente.
 

Cena 7
Celebração caseira
Cenário: Uma casa muito confortável de Élder Brown e Tainá.

Tainá e Élder Brown se abraçam, agarrados a garrafas de uísque e gargalhando.
ÉLDER BROWN: Não falei que seria uma boa mandar os fiéis construírem uma mansão para a “parousia”, ou seja, a volta iminente dos profetas e patriarcas.
TAINÁ: Você como sempre plagiando a ideia dos outros, Élder! E não é que dá certo?!
ÉLDER BROWN: Claro! O povo gosta de novidade, ou melhor, das antigas doutrinas e ideias vendidas como novidade. Alguém já disse que nada se cria, tudo se copia!
TAINÁ: O que importa é que estamos numa boa de novo!
ÉLDER BROWN: Eu não falei que a gente ia se levantar?
TAINÁ: E com a ajuda de “Deus’!
Ambos riem. Marcos passa em frente à cena, perto do público, e inicia uma oração.
Voz em off – Ó língua enganadora! O que te será dado? O que te será acrescentado? Ó língua enganadora?
 

Cena 8
Cenário: Casa humilde de Élder Brown

Voz em off – Extra! Extra! Charlatão é desmascarado! O livro que ele vende como Bíblia é classificado como plágio grosseiro e sem nenhuma autoridade.
Élder Brown, um pouco envelhecido, chega em casa, trajando uma camiseta humilde. O telefone toca. Elder Brown atende.
ÉLDER BROWN: Alô! (…) Fala Rui! (…) Pois é, rapaz! Perdi tudo de novo! Até mulher eu perdi!(...) Também, né?! Fui defender a poligamia na religião que inventei, e não aguentei! Envolvi-me com um monte de mulher. (...) Sabe como é? A carne é fraca! (...)Não, rapaz, dá certo sim! Está difícil agora pois os evangélicos estão enfrentando as heresias com coragem e não estão ficando mais quietos! Chegou um tempo que nós, embusteiros, temos uns adversários bem incômodos, que leem a Bíblia, pesquisam outras fontes para verificar os fatos, não deixam a gente ter o nosso espaço e atrapalham a nossa atuação. (...) Mas um dia a gente chega lá! (...) Como é que é? (...) Um ‘site” de ateu que está querendo me contratar para escrever uns artigos? (...) Claro Rui! Estamos aí! Estou numa miséria mesmo! Sou tem uma condição, quero ficar no anonimato, certo? (...) Se for assim, pode falar com a garotada desse “site’ que estou com eles! Eles pagam bem?(...)Ah, para começar, está bom! Depois que eles ficarem apaixonados por mim de vez, eles me pagarão melhor (risos). Um abraço! (desliga o telefone).
Élder Brown procura uma Bíblia e não acha.
ÉLDER BROWN: (à parte) Tenho que achar uma Bíblia! Condenei tanto ela durante a minha religião que não tenho nenhuma aqui. (pausa) Ah, já sei quem pode me arrumar! Vai me perturbar um pouco me evangelizando, mas tenho que correr esse risco. O Marcos! Deixe-me ver se eu tenho o telefone dele...Ah, está aqui! (pega o telefone e liga para Marcos) Marcos, sou eu, Élder Brown. Marcos, você poderia me trazer uma Bíblia, que eu não tenho mais nenhuma! (...) Então tá. Estou te esperando!
B.O.
Acende a luz.
A campainha toca. Élder Brown atende à porta.
MARCOS: E aí, Élder?! Vai resistir até quando?
ÉLDER BROWN: (disfarça) Resistir a quê, Marcos.
MARCOS: A Jesus, Élder! Saiba que pode todo mundo ter desistido de você, mas Ele não desistiu nem nunca desistirá.
ÉLDER BROWN: Não desistiu mas não voltou, né?!
MARCOS: Não é porque a profecia é tardia que ela é mentirosa.
ÉLDER BROWN: (desconversa) Trouxe a Bíblia, Marcos?
MARCOS: Claro! Está aqui. Toma! (entrega a Bíblia). Tenho que ir. Hoje vai ter o encontro do pessoal do Teatro Cristão lá em casa, com o Davi, a Luíza e outros autores. Quer ir lá?
ÉLDER BROWN: Não, obrigado! Então...(aperta a mão de Marcos) Um abraço.
MARCOS: E lembre-se: Ele nunca vai desistir de você.
Marcos sai de cena.
ÉLDER BROWN: Bom, vamos ao que interessa. Ler a Bíblia, de novo, como nos velhos tempos. Meu vacilo foi justamente ter deixado de lê-la. Até pra falar mal, a melhor fonte é ela.
Élder lê a Bíblia.
 

Cena final
Festa do pessoal do Teatro Cristão
Casa do Marcos

A campainha toca.
MARCOS: Esperem um pouco, que eu vou atender à porta.
Élder Brown entra em cena, de joelhos e clamando em voz alta.
ÉLDER BROWN: "Ele vive! Ele vive!"
MARCOS: (ao público) Estão vendo esse momento de conversão. Algo parecido aconteceu com Lew Wallace.
LUÍZA: Lew Wallace , autor de Ben Hur, um dos romances mais conhecidos do mundo. Converteu-se depois de ter reunido vários livros para escrever sobre a não existência de Deus. No momento em que escrevia sua obra, caiu de joelhos, clamando ao verdadeiro Deus.
DAVI: Não foi o caso de Charles Taze Russell nem de Joseph Smith, que morreram sem clamar ao Deus verdadeiro.
MARCOS: Durante suas vidas, perderam tempo clamando a um deus diferente do Deus da Bíblia.
DAVI: Para Dan Brown ainda há tempo.
MARCOS: Tempo de deixar de fazer miscelânea com escritos espúrios antigos ou de usar sua concepção sobre a natureza de Jesus para fazer um livro totalmente antibíblico tendo como base um superficial conhecimento sobre teologia e arte.
LUÍZA: Também não podemos perder tempo! Devemos orar pelos cristãos que se dedicam servindo o único Deus verdadeiro, o da Bíblia Sagrada...
MARCOS, DAVI e LUÍZA: ...e orando também pelos que serão convertidos, reconhecendo que é a Bíblia Sagrada é, de fato e de direito, o verdadeiro relato sobre Jesus Cristo.
Marcos, Davi e Luíza impõem as mãos sobre Élder Brown e oram.
Fim
Glória a Deus.
 
Diversos: