O CASO DO CARA MORTO DESAPARECIDO

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Detetive com uma lupa

Dois detetives particulares investigando o misterioso sumiço de um morto.

Um cara chamado Jesus, Jesus de Nazaré.

História ambientada no mesmo local e na mesma época da crucificação de Jesus Cristo, o Senhor

Personagem: Segunda-Feira, Cléopas, Tomé, Guarda 1, Voz do Guarda, Garçom, Maria, Sacerdote, Pilatos, Soldado 1, Soldado 2, Centurião, Jesus, Voz, Guardas Extras

 

 

 

Cena 1: Escritório do Detetive

Segunda-Feira se dirige ao público

SEGUNDA-FEIRA: Jerusalém, Judeia, 33d.C., A festa do Pressach Judaico acabou e fora um suicídio e algumas crucificações, tudo ocorreu normalmente – e por que seria tão surpreendente se algo estranho acontecesse?

Meu parceiro chama-se Cléopas, meu nome é Segunda-Feira, Marcos Homicídio Dragonet Segunda-Feira, Júnior. Nós somos detetives particulares.

(Segunda-Feira e Cléopas sentam-se em suas mesas, Cléopas está próximo a porta).

O dia em questão começou como qualquer outro. Eu estava sentado na minha mesa no centro de Jerusalém, no fundo da viela, no final do corredor, terceira porta à esquerda, lendo o meu jornal.

Ei, Cléo, qual a palavra de sete letras começando com “M” que significa “O que anuncia o Reino de Deus”?

CLÉOPAS: Não me chame de Cléo.

SEGUNDA-FEIRA: Onde eles arranjam essas perguntas idiotas?

As coisas estavam normais: devagar, tediosas e parecendo que não receberia nada. Então, de repente, alguém bateu na porta.

(Toca a campainha)

Então eu soube que seria um longo dia.

(Tomé entra, entrega seu cartão a Cléopas, este, fingindo ser a secretária anuncia sua chegada)

CLÉOPAS: Tomé, chamado Dídimo, para ver você, Mac.

SEGUNDA-FEIRA: Mande ele entrar, secretária. E traga-nos algum café.

CLÉOPAS: Sim SENHOR. (sai)

TOMÉ: Esta é a secretária mais feia que já vi.

SEGUNDA-FEIRA: Bom dia, posso chamá-lo de Dídimo?

TOMÉ: Apenas me chame de Tomé... e não me toque.

SEGUNDA-FEIRA: (Para o público) Você não recebe o menor respeito quando se é detetive. O que posso fazer por você?

TOMÉ: Eu queria contratar o melhor detetive de Jerusalém

SEGUNDA-FEIRA: Então você veio aqui.

TOMÉ: Não, eu fui até o melhor detetive de Jerusalém. Ele estava ocupado, então eu vim aqui.

SEGUNDA-FEIRA: Que tal sentar-se e me contar o seu problema.

TOMÉ: Um amigo meu, José de Arimateia, teve um problema com uma de suas tumbas nesse fim de semana.

SEGUNDA-FEIRA: Ele é coveiro?

TOMÉ: Na verdade, ele é membro do conselho, ele apenas dirige uma pequena funerária como bico – o que me traz o problema: violadores de túmulo.

SEGUNDA-FEIRA: Do tipo que entra em túmulos e rouba o tesouro enterrado com as pessoas.

TOMÉ: Exatamente, mas esse pessoal, seja lá quem for, não estava interessado em tesouros. Eles levaram... o corpo. (Bom bom booooom)

SEGUNDA-FEIRA: Isso é diferente.

TOMÉ: Bem, ele era diferente dos outros.

SEGUNDA-FEIRA: Rei Tut?

TOMÉ: Não. Um homem chamado Jesus. Jesus de Nazaré. (Bom bom booooom) Mas o que é isso?

SEGUNDA-FEIRA: (olhando em volta) Acho que a campainha pirou de novo. Jesus, Jesus... É, eu vi esse nome na seção de obituários do jornal.

TOMÉ: Você sabe ler?

SEGUNDA-FEIRA: Para sua informação, eu estava lendo a seção de política agora.

TOMÉ: (pegando o jornal) Parece a seção de quadrinhos.

SEGUNDA-FEIRA: Quadrinhos políticos.

TOMÉ: Snoopy.

SEGUNDA-FEIRA: Snoopy pode ser muito político – de qualquer jeito, o cara foi crucificado, certo?

TOMÉ: Isso, na sexta-feira.

SEGUNDA-FEIRA: Sexta-Feira? Isso quer dizer que não temos muito tempo para encontrar o corpo e identificá-lo antes de... ufa!

TOMÉ: Então é melhor começar.

SEGUNDA-FEIRA: Quanto eu vou receber pelo serviço?

TOMÉ: Nada até que eu coloque meu dedo onde estavam os pregos, e minha mão do seu lado.

SEGUNDA-FEIRA: Argh!

TOMÉ: Eu estarei usando luvas.

SEGUNDA-FEIRA: Por que se preocupar com esse corpo? Quem ele era para você?

TOMÉ: Vamos apenas dizer que eu me preocupo. (Levantando-se para sair) Você deve querer começar interrogando os guardas que estavam guardando a tumba.

SEGUNDA-FEIRA: Uma guarda romana estava guardando a tumba e mesmo assim ela foi roubada?

TOMÉ: Fale com eles, não comigo. (Tromba com Cléopas trazendo o café) Eca! (Não é sobre o café).

CLÉOPAS: (Largando a bandeja) Da próxima vez, você faz isso.

SEGUNDA-FEIRA: Depois da nossa reunião executiva, Cléopas e eu fomos direto a cena do crime: A tumba com o letreiro de “Há vagas” aceso.

Lá nós encontramos uma guarda romana correndo para todos os lados, trombando uns com os outros, olhando em baixo das pedras, nos arbustos, nas árvores, tudo o que você puder imaginar.

Eles pareciam até “soldados que terão suas cabeças cortadas se não encontrarem o que quer que estivessem procurando”, e eu tinha uma boa ideia do que deveria ser. Nós apanhamos um deles e fizemos algumas perguntas.

 

 

Cena 2: A cena do crime

GUARDA: Ei, algum de vocês viu um homem por aí? Dessa altura, meio que... morto?

SEGUNDA-FEIRA: Parece o homem que estamos procurando também. Meu nome é Segunda-Feira, este é meu parceiro Cléopas. Nós somos detetives particulares e fomos contratados para encontrar o corpo de Jesus de Nazaré.

GUARDA: Não foi Pilatos que contratou vocês, foi?

SEGUNDA-FEIRA: O governador romano? Não, por quê?

GUARDA: (aliviado) Talvez ele ainda não saiba. Talvez ainda tenhamos tempo! (Para outro soldado) Ei, você, tente nessa grande urna aqui!

Voz do GUARDA: Nada aqui além de poeira.

GUARDA: Continue procurando!

SEGUNDA-FEIRA: Ei amigo, que tal nos dizer o que aconteceu.

GUARDA: Não tenho nada a dizer. Num minuto o corpo estava ali, no outro alguém o tinha levado!

CLÉOPAS: Então você estava dormindo em serviço?

GUARDA: Dormindo! Você está brincando? Você sabe o que Pilatos nos faria se nos pegasse dormindo? Você sabe o que ele vai fazer com a gente agora?

SEGUNDA-FEIRA: Ei, calma! Acalme-se e conte-nos exatamente o que aconteceu.

GUARDA: Tudo bem. Nós estávamos guardando esta tumba. De repente esse homem gigante apareceu usando um robe extremamente branco! Ele devia ter uns 3 metros de altura, com uma face brilhante, radiante até. Então tudo ficou escuro.

CLÉOPAS: Ele acertou você?

GUARDA: Não, tudo ficou escuro.

CLÉOPAS: Outra pessoa acertou você?

GUARDA: Não, ninguém me acertou! Esse cara apareceu, nos assustou e sumiu, OK? Feliz agora?

CLÉOPAS: Covarde.

SEGUNDA-FEIRA: Vamos nos manter profissionais, Cléo.

CLÉOPAS: Você sabe que odeio ser chamado assim.

SEGUNDA-FEIRA: (ignorando-o) E quanto a seus amigos?

GUARDA: A mesma coisa, estamos todos fritos. Olha, tudo o que sei é que essa pedra enorme foi removida da tumba, e ela está vazia a não ser por esse monde de bandagens, eu e os rapazes teremos muito trabalho para explicar isso.

CLÉOPAS: É uma pedra bem grande.

GUARDA: Era um cara bem grande!

SEGUNDA-FEIRA: Você diz que foi designado para esse posto em frente à tumba para guardá-la, por quê? E por quem?

GUARDA: Pelo Governador.

CLÉOPAS: Pilatos?

GUARDA: Isso, mas eu acho que alguém colocou essa ideia na cabeça dele, mas não sei quem.

SEGUNDA-FEIRA: Ele disse por que precisava de vocês guardando a tumba?

GUARDA: Ele ouviu algumas pessoas dizerem que viriam roubar o corpo, então nos designou para cá.

CLÉOPAS: Parece um belo plano, em teoria.

(Segunda-Feira pega um livro aberto em frente à tumba)

SEGUNDA-FEIRA: O que isso lhe parece?

CLÉOPAS: Parece um livro de visitas.

GUARDA: Ei, vocês não podem tocar nisso, é evidência.

SEGUNDA-FEIRA: Ele está certo, isto deve ir direto para Pilatos.

GUARDA: Pensando bem, que tal você ficar com isso. (Olha para as bandagens, pega-as e entrega para Cléopas) Levem isso também.

Voz do GUARDA: Acho que encontrei alguma coisa.

GUARDA: O quê?

Voz do GUARDA: Uma moeda de cinquenta centavos. Estava dentro desse sarcófago – o coveiro deve ter esquecido e...

GUARDA: (zangado e saindo do palco) E você volte ao trabalho! Devo lembrá-lo do que vai acontecer se o Governador ouvir sobre isso...

(Cléopas larga as bandagens. Segunda-Feira está folheando o livro)

SEGUNDA-FEIRA: Tem um registro esta manhã de um J.C.

CLÉOPAS: Ele deixou alguma mensagem?

SEGUNDA-FEIRA: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

SEGUNDA-FEIRA: O guarda não ajudou muito. Nosso próximo passo seria encontrar o cara que ele descreveu. Então Cléopas e eu começamos a checar os lugares onde um cara alto como esse poderia estar. Entramos em uma taverna local e fomos até o bar.

 

 

Cena 3: Uma Taverna em Jerusalém

(Segunda-Feira e Cléopas sentam-se no bar)

SEGUNDA-FEIRA: Ei, garçom.

GARÇOM: Sim?

SEGUNDA-FEIRA: Estamos procurando por um cara, um cara grande, uns 3 metros de altura, usando um robe branco, face brilhante. Viu alguém assim por aí?

GARÇOM: Não sei, um monte de gente vem aqui.

CLÉOPAS: Você deve ter visto ou ouvido algo.

GARÇOM: Não, nada. Tente no templo. A maioria das pessoas usando robes brancos fica por lá.

SEGUNDA-FEIRA: Tudo bem, enquanto estamos aqui, que tal uma bebida?

GARÇOM: Vocês não estão de serviço?

SEGUNDA-FEIRA: Somos detetives particulares, não policiais.

GARÇOM: Detetives Particulares! Quer dizer que eu perdi meu tempo falando com gentinha que eu nem precisava falar?

SEGUNDA-FEIRA: (para Cléopas) Não respeitam quando você é detetive particular.

(Cléopas concorda)

GARÇOM: De qualquer jeito, não posso servir nada, estamos sem. A vinha local recolheu todo o estoque. Parece que alguns de seus vendedores pegaram um fungo no pé. Contaminou todo o lote.

CLÉOPAS: Perfeito!

GARÇOM: Ei, eu não posso transformar água em vinho. Quem você pensa que eu sou, Jesus de Nazaré?

SEGUNDA-FEIRA: O que você disse?

GARÇOM: Fungo no pé.

SEGUNDA-FEIRA: Não, sobre Jesus de Nazaré.

GARÇOM: Você não ouviu? Ele era o cara que vinha fazendo esses milagres. Eu estava servindo em um casamento há um tempo, e o vinho acabou. Então Jesus (ele estava no casamento, sabe), me disse para encher seis grandes jarras com água, depois me disse para pegar um pouco e oferecer ao anfitrião. Quando eu fiz isso, não era mais água, mas vinho – e não era coisa barata.

CLÉOPAS: Impossível! Quem era esse cara?

GARÇOM: Um monte de gente diz que era um profeta de Deus. Uma outra vez eu O encontrei em um grande pic-nic no lago. Nunca vi tantos sanduíches de peixe na minha vida. E dos bons, acho que tinha uns 5000 homens ali, mais mulheres e crianças.

SEGUNDA-FEIRA: Que tipo de gente? Religiosos?

GARÇOM: Um pouco, mas a maioria era de pescadores, coletores de impostos, mulheres, crianças, até prostitutas e alguns detetives particulares.

SEGUNDA-FEIRA: Mas eu pensei que ele era um cara religioso. Por que ele estaria com esse tipo de gente?

GARÇOM: Pelo que eu ouvi, ele não ligava muito para esse negócio de religião. Chamava isso de hipopótamos – ou algo do tipo. Disse que gostava de gente que fazia coisas para Deus e não para mostrar. Se me perguntar, eu acho que é por isso que o mataram.

(Segunda-Feira entrega-lhe uma moeda)

SEGUNDA-FEIRA: Obrigado pela informação, amigo. Tem certeza de que não tem bebida em algum lugar?

GARÇOM: O melhor que posso fazer é te dar vinagre numa esponja.

SEGUNDA-FEIRA: Eu passo.

CLÉOPAS: Acho que você por acaso não conhece alguém que possa estar ligado a esse Jesus?

GARÇOM: Bem, tem a Maria.

SEGUNDA-FEIRA: Quem é Maria?

GARÇOM: Só alguém que conheço. Jesus teve um belo efeito nela.

CLÉOPAS: Qual o seu endereço?

GARÇOM: (entregando um cartão) Bem aqui.

SEGUNDA-FEIRA: Cléopas e eu lemos o cartão e vimos, escrito em letras garrafais: “Para bons tempos, procure Maria”, seguido de um endereço.

CLÉOPAS: Por que um religioso seria visto com uma mulher dessas?

SEGUNDA-FEIRA: Eu não sei, mas é no caminho do templo. Vamos até lá dar uma olhada.

SEGUNDA-FEIRA: Fomos em direção do templo, mas paramos umas quadras antes, no endereço que tinha de Maria. Cléopas e eu batemos na porta. Fomos recebidos por uma mulher modesta que nos convidou para entrar, não antes de nos apresentamos! Eu acho que você deveria ser um detetive particular para entender nossa surpresa nesse caso, mas basta dizer, que isto nunca aconteceu antes em toda a minha carreira (e estou incluindo minha mãe).

SEGUNDA-FEIRA: Desculpe-me, madame, espero que não me entenda mal, mas estou procurando por uma mulher que vivia aqui.

Maria: Eu vivi aqui quase toda a minha vida.

SEGUNDA-FEIRA: Bem, então você deve conhecê-la. É alguém que costumava viver com você – não digo que ela era do tipo de pessoa que viveria COM você...

CLÉOPAS: Ele quer dizer, madame, é que nós passamos em um bar do outro lado da cidade investigando o caso de Jesus, e lá eles disseram que...

Maria: Você disse Jesus? Jesus de Nazaré?

SEGUNDA-FEIRA: (olhando para Cléopas) Sim, estamos procurando por Maria...

Maria: Eu sou Maria, o que vocês querem?

(Segunda-Feira e Cléopas respiram fundo)

CLÉOPAS: Você?

Maria: Isso mesmo. Mas devem saber que quem eles conhecem por lá, aquela já fui eu, por causa de Jesus, não sou mais. Mas o que vocês querem?

CLÉOPAS: Como você se encontrou em Ele?

SEGUNDA-FEIRA: Só os fatos madame.

CLÉOPAS: He he. Eu faço isso da próxima vez, OK?

SEGUNDA-FEIRA: OK.

Maria: Eu me lembro como se fosse ontem. Um grupo de religiosos me pegou no ato, em pecado se quiser. Eles iam me apedrejar por isso. Mas ao invés de fazer isso na hora, me arrastaram algumas ruas até a sinagoga, foi quando apareceu esse jovem professor.

CLÉOPAS: (sussurrando) Jesus

(Segunda-Feira olha para ele como quem dissesse “Ta bom”)

Maria: Eu não sei por que me levaram ali, e eu não sei por que escolheram ele com tantos outros rabinos naquele lugar, mas eles chegaram para ele e disseram “A lei manda que esta mulher deve morrer, o que você diz sobre isso”? Eu pensei que era o fim, mas então aconteceu.

CLÉOPAS: O quê?

Maria: Ele me protegeu! Ele disse que se quisessem me matar pelos meus pecados, que fosse alguém sem nenhum pecado que atirasse a primeira pedra.

CLÉOPAS: E o que aconteceu?

Maria: Eles foram embora, primeiro os mais velhos, depois os mais jovens, até que todos foram embora exceto eu e Jesus.

CLÉOPAS: Uau!

Maria: Então ele me disse: “Sobrou alguém para te condenar?” Eu respondi “Ninguém”. E ele me respondeu “Tudo bem, eu também não te condeno. Agora vá para casa e não peques mais”. Eu! Uma prostituta falando com um professor religioso! Você nunca viu nada assim.

SEGUNDA-FEIRA: E o que você fez?

Maria: Exatamente como ele disse. Eu vim para casa e nunca mais pequei, e O segui de perto desde então.

SEGUNDA-FEIRA: Obrigado madame.

SEGUNDA-FEIRA: Cléopas e eu saímos da casa de Maria e logo chegamos no templo. Assim que chegamos notamos um rapaz em uma fantasia correndo para uma sala com alguma coisa sob o braço. Íamos interrogá-lo quando ouvimos uma voz atrás de nós.

 

 

Cena 4: O templo

Sacerdote: Vocês não podem entrar ai.

SEGUNDA-FEIRA: Por que não, aquele cara entrou?

Sacerdote: Ele é o sumo sacerdote, ele é o único que pode ir a esta parte do templo.

CLÉOPAS: Parece que ele estava levando uma máquina?

Sacerdote: Nós estamos... tendo alguns problemas em uma de nossas cortinas. Agora, o que posso fazer por vocês, senhores?

SEGUNDA-FEIRA: Nós gostaríamos de fazer algumas perguntas sobre um homem chamado Jesus de Nazaré.

Sacerdote: Vocês não são da imprensa, são?

SEGUNDA-FEIRA: Não, somos detetives particulares, e estamos aqui para apurar somente os fatos.

Sacerdote: Ah, vocês vieram às pessoas certas. Agora, o que devem entender é que esse cara Jesus é má notícia, um perigo para a comunidade.

SEGUNDA-FEIRA: O que ele fez?

Sacerdote: Curou os doentes, fez aleijados andarem no Sábado, pregou a boa-nova aos pecadores... fez milagres, esse tipo de coisa. (Pausa silenciosa) então entendam, eu e muitos outros líderes religiosos não estamos muito felizes com isso. Mas assim que começamos a falar, ele começou a nos criticar.

CLÉOPAS: Só por isso?

Sacerdote: Só isso? Não, ele passava seu tempo andando com coletores de impostos e outros indesejáveis. Sabe-se até que se associou com os Zelotes!

SEGUNDA-FEIRA: É, falamos com um desses.

Sacerdote: Então você sabe do que estou falando.

SEGUNDA-FEIRA: Nem faço ideia.

SACERDOTE: (impaciente) Bem, obviamente isso faz dele um pecador. E vejam só: ele espalhou uma fofoca de que derrubaria o templo e reconstruiria um novo!

CLÉOPAS: E em quanto tempo ele disse que faria isso?

Sacerdote: Três dias!

CLÉOPAS: Três dias? Você está brincando?

Sacerdote: É... Bem, vocês sabem que esse homem era um carpinteiro. Vai saber se ele não quis dizer outra coisa com isso. Ele vivia dizendo que o Filho do homem deve passar por provações, morrer e então, três dias depois levantar-se.

CLÉOPAS: E o que isso quer dizer?

Sacerdote: Palavras de um lunático. De qualquer jeito, ele está morto agora.

SEGUNDA-FEIRA: E quando tudo isso aconteceu?

Sacerdote: Há três dias. Por que pergunta?

SEGUNDA-FEIRA: Porque sua tumba foi encontrada vazia hoje de manhã.

SACERDOTE: (surpreso e prendendo a respiração) Ele está morto. Me ouviram? Morto! Nós o matamos! E qualquer um que diga outra coisa é um mentiroso!

CLÉOPAS: E por que ele não estaria morto?

SEGUNDA-FEIRA: Isso é o que vamos descobrir.

SEGUNDA-FEIRA: Tinha alguma coisa muito estranha na história daquele sacerdote. Precisávamos falar com o Governador Romano que conduziu o julgamento de Jesus, para ver o outro lado. O centurião nos deixou entrar e logo nos encontramos com Pilatos de volta de outro julgamento.

 

 

Cena 5: A casa do Governador

PILATOS: Deixe-me apenas lavar as mãos, estarei com vocês em um segundo. (Lava as mãos e as examina por um momento) Agora, o que querem senhores?

SEGUNDA-FEIRA: Senhor, gostaríamos de fazer algumas perguntas sobre o julgamento desse Jesus de Nazaré.

PILATOS: Tudo bem.

SEGUNDA-FEIRA: Qual foi a sua defesa ante as alegações dos Sacerdotes?

PILATOS: Defesa? Ele não disse uma palavra. Apenas ficou ali, em silêncio.

CLÉOPAS: Sem defesa?

SEGUNDA-FEIRA: Ele foi culpado de quê?

PILATOS: De nada pelo que vi. Eles não trouxeram uma única acusação que eu achasse verdadeira.

CLÉOPAS: Então por que o senhor o condenou a crucificação?

PILATOS: Porque o povo o queria morto. Esses Sacerdotes e os Fariseus fizeram uma tremenda manifestação popular, sabem?

SEGUNDA-FEIRA: Senhor, se me lembro corretamente, não é seu o costume de libertar um homem no Pressach? Por que esse Jesus não foi solto?

PILATOS: Eu tentei libertá-lo, mas o povo não quis nem saber. Eles quiseram libertar Barrabás ao invés dele.

CLÉOPAS: Barrabás? E por que ele estava preso?

PILATOS: Assassinato. (Bom bom booooooom) Senhores, eu não quero mais falar sobre isso. Falem com os Sacerdotes se quiserem saber mais.

SEGUNDA-FEIRA: Bem, senhor, não é na sua morte que estamos interessados, mas no corpo.

PILATOS: Ah, sei, vocês querem embalsamar o corpo, ou alguma tradição judaica desse tipo. Não, sinto muito, mas tem uma guarda altamente treinada de soldados romanos guardando a tumba para que ninguém entre, e além disso, a tumba tem o meu selo pessoal nela. Ninguém entra nela, sem exceções, adeus.

SEGUNDA-FEIRA: (exitando) Mas senhor... é que... o corpo sumiu...

PILATOS: Fale para fora, homem, não estou entendendo.

SEGUNDA-FEIRA: Ummm...

CLÉOPAS: O corpo desapareceu! Alguém acertou os guardas, rolou a pedra na entrada da tumba – quebrando o seu selo, entrou, roubou o corpo e ninguém consegue encontrá-lo! Que bagunça! Eu não ficaria surpreso se César ouvisse isso.

PILATOS: (Olhando para Segunda-Feira, atônito e com raiva) O QUÊ?!???

SEGUNDA-FEIRA: indf... fjdfhir... fjdfjdi… djhfhg…

PILATOS: Centurião!!!

CENTURIÃO: Sim, Governador.

PILATOS: traga-me os guardas que eu designei para a tumba de Jesus de Nazaré. Eu quero ter uma conversinha com eles.

CENTURIÃO: (chocado) Jesus de Nazar... Sim senhor!

PILATOS: Agora, porque os senhores não me contam tudo o que sabem sobre esse... corpo roubado.

SEGUNDA-FEIRA: Veja bem, senhor, depois do corpo ser (engole em seco) roubado, ninguém parece ter visto ou ouvido algo sobre isso. Os líderes religiosos estão agindo estranhamente e a verdade é, parece que é mais fácil que tenha sido um anjo que roubou o corpo do que... Não.

PILATOS: Eu não estou interessado na verdade, eu quero uma explicação sensata. Agora caiam fora daqui e encontrem esse corpo, e quando o fizerem, reportem-se a mim.

Segunda-Feira e CLÉOPAS: Sim senhor!

(Saem enquanto o Centurião traz os soldados)

PILATOS: Muito bem senhores, vocês acabam de ser selecionados para o novo Show do Imperador, a ser apresentado em horário nobre. Centurião! Leve-os daqui!

(Segunda-Feira e Cléopas estão saindo da casa do Governador)

CLÉOPAS: O que vamos fazer agora?

SEGUNDA-FEIRA: Eu não sei, mas se não acharmos esse corpo logo, isso vai começar a feder...

SOLDADO 1: Quem sou eu? “Saúdem-me, eu sou o Rei dos Judeus”.

SOLDADO 2: Há, há, há. Nós não te crucificamos na sexta?

SEGUNDA-FEIRA: Com licença, senhores.

SOLDADOS 1 e 2: Sim?

SEGUNDA-FEIRA: Vocês por acaso não sabem nada sobre Jesus de Nazaré, sabem?

SOLDADO 1: Alguma coisa? Nós sabemos tudo!

SOLDADO 2: Tudinho.

SEGUNDA-FEIRA: Verdade?

SOLDADO 1: Com certeza.

SOLDADO 2: Ãn-hãn...

SEGUNDA-FEIRA: (pausa silenciosa) Como o quê?

SOLDADO 1: Ok, olha só. A corte estava em sessão.

SOLDADO 2: Em sessão.

SOLDADO 1: E Pilatos nos enviou Jesus para...

SOLDADO 2: Ser torturado.

SOLDADO 1: ...torturado. Então eu vi um arbusto espinhoso e disse: “Pessoal, eu tenho uma ideia”. Eu tenho um bocado de ideias, se é que me entende...

CLÉOPAS: Ãn-hãn.

SOLDADO 2: Fale sobre as roupas.

SOLDADO 1: Já-já. Então fizemos uma coroa com os espinhos e colocamos em sua cabeça. E alguém colocou um robe vermelho nele.

SOLDADO 2: Então todos dissemos: “Saúdem o Rei!”

SOLDADO 1: Eu estou falando! Então nos curvamos e dissemos “Saúdem o Rei!”

SOLDADO 2: Fale sobre as roupas.

SOLDADO 1: Ah, sim. Depois, quando o crucificamos eu tive essa ótima ideia já que ele não precisaria mais das roupas ele poderia dividir com a gente.

SOLDADO 2: (usando a capa) E eu ganhei. Eu sou César. Ave César!

SOLDADO 1: Shhh! Você ainda vai colocar e gente em encrenca!

CLÉOPAS: Hmmmm...

CENTURIÃO: E o que vocês estão fazendo por aqui?

SOLDADOS 1 e 2: Desculpe, senhor.

CENTURIÃO: De volta ao trabalho!

SOLDADOS 1 e 2: Sim senhor!

SOLDADO 1: Agora mesmo! (e saem correndo)

SEGUNDA-FEIRA: Desculpe senhor, nós só estamos...

CENTURIÃO: Vocês são os dois detetives investigando o desaparecimento do corpo de Jesus de Nazaré, certo?

(Segunda-Feira e Cléopas se olham)

SEGUNDA-FEIRA: Bem, sim. Você sabe alguma coisa sobre isso?

CENTURIÃO: Eu era o oficial encarregado da crucificação de Jesus.

SEGUNDA-FEIRA: E eu suponho que você também não gostava dele?

CENTURIÃO: Ao contrário, eu só estava seguindo ordens. Eu não tinha nada contra ele.

SEGUNDA-FEIRA: Então não há porque sentir culpa.

CENTURIÃO: Fica quieto e escuta! Eu te digo: ele não era uma pessoa comum.

SEGUNDA-FEIRA: Como assim?

CENTURIÃO: Depois de colocá-lo na cruz e depois dos judeus caçoarem dele, houve uma grande escuridão.

CLÉOPAS: Geralmente é o que acontece quando anoitece.

CENTURIÃO: Mas ainda estávamos no meio do dia espertinho. Onde vocês estavam afinal?

SEGUNDA-FEIRA: Nós... não temos janelas no escritório.

(Centurião balança a cabeça, em desaprovação)

CENTURIÃO: Bem, do meio-dia até as três tudo esteve escuro. Lá pelas três Jesus gritou em alta VOZ: “Deus, porque me desamparaste?” E então morreu.

SEGUNDA-FEIRA: Isso é estranho.

CENTURIÃO: Isso não é tudo. No momento da sua morte houve um terremoto... e algumas outras coisas bem estranhas acontecerem.

CLÉOPAS: Como o quê?

CENTURIÃO: Se eu disser vocês me chamarão de louco. Mas posso dizer, com certeza, agora eu sei que ele era realmente o Filho de Deus.

CLÉOPAS: E agora o corpo sumiu.

CENTURIÃO: Eu espero que vocês saibam no que estão se metendo. (sai)

SEGUNDA-FEIRA: Depois disso nós continuamos nossa investigação. Entrevistamos oficiais da corte, soldados, pescadores, coletores de imposto, leprosos, guardas do templo, advogados e Fariseus. Cada um tinha uma história diferente sobre Jesus. Pior ainda: cada pessoa revelava uma nova peça desse enorme quebra-cabeças, mas cada um parecia iniciar um novo quebra-cabeças e colocar suas próprias peças nele.

Tudo o que encontramos era o oposto de tudo o que fazia sentido: Jesus amava a Deus, então os líderes religiosos o odiavam; Ele era mais sábio do que os sábios, então eles caçoaram dele; Ele curou os feridos, eles o chicotearam; Ele falou sobre a vida, eles lhe trouxeram a morte – tudo era muito irônico.

E aí estava o homem – um completo mistério além da imaginação. Em um minuto condenava um Fariseu, no outro defendia uma prostituta. Evitou os religiosos para se unir aos pecadores da comunidade. Têm-se notícias de que ele foi visto falando com uma mulher Samaritana – eu já acho os Samaritanos ruins o bastante, imagine uma mulher Samaritana! E uma adúltera – ela teve cinco maridos e agora vive com um rapaz, o bastante para fazer o estômago revirar.

Mas de uma coisa eu tinha certeza em toda essa investigação: isso na verdade é um caso de assassinato, e não um caso de um corpo desaparecido. Depois de saber que Jesus tinha alguns seguidores alguns quilômetros fora de Jerusalém em uma cidade chamada Emaús, Cléo e eu...

CLÉOPAS: Cléopas. Clé-o-pas.

SEGUNDA-FEIRA: ...decidimos dar uma olhada já que não demos sorte em Jerusalém. Enquanto andávamos na estrada de Emaús, nós revimos o caso.

 

 

 

Cena 6: A estrada de Emaús

SEGUNDA-FEIRA: Ta bom, vamos começar do começo. O que nós temos?

CLÉOPAS: Nada.

SEGUNDA-FEIRA: Não, eu quero dizer quais são os fatos?

CLÉOPAS: Ah, fatos, fatos... OK, tinha um corpo no túmulo na sexta-feira, selado com o selo do Governador e guardado por guardas romanos.

SEGUNDA-FEIRA: Meio estranho guardarem um corpo. Por que fariam isso?

CLÉOPAS: Porque não queriam que o roubassem.

SEGUNDA-FEIRA: Quem?

CLÉOPAS: O Governador.

SEGUNDA-FEIRA: E por que ele estaria preocupado por um corpo ser roubado?

CLÉOPAS: Ele não estava, quando falamos com ele, ele nem estava interessado.

SEGUNDA-FEIRA: Então aquele primeiro guarda com quem falamos estava certo, alguém colocou essa ideia na cabeça dele.

CLÉOPAS: Os sacerdotes.

SEGUNDA-FEIRA: Isso. Os religiosos queriam Jesus fora da foto porque as pessoas estavam indo a ele quando viram os milagres que ele fazia, e ouviam a mensagem que ele pregava.

CLÉOPAS: Foi aí que decidiram testá-lo com todo tipo de perguntas capciosas para que ele lhes desse uma razão para acusá-lo.

SEGUNDA-FEIRA: Como lhe perguntar se era lícito pagar os impostos a César.

CLÉOPAS: Mas ainda assim ele foi mais esperto que eles.

SEGUNDA-FEIRA: Hmmm...

CLÉOPAS: Então eles o prenderam, o arrastaram até a corte e fizeram falsas acusações. Mas quando o governador o viu e conferiu os registros não encontrou nada, ele nunca tinha quebrado uma única regra em toda sua vida! O que nos traz a questão: “Por que ele foi condenado e sentenciado à morte na cruz?”

SEGUNDA-FEIRA: Foi o que descobrimos quando os Sacerdotes e Fariseus agitaram a multidão e o Governador percebeu que seria melhor matar a Jesus do que ter uma rebelião nas mãos.

CLÉOPAS: Isso faz sentido. Esses invejosos autointitulados bem feitores arranjaram para tê-lo fora do caminho. Estamos finalmente chegando a algum lugar.

SEGUNDA-FEIRA: Não, não estamos. Até aqui nós só temos um plano perfeito, os líderes religiosos pegaram Jesus, agora ele tem que se defender contra o Governador de uma sentença de morte. Qual o problema?

CLÉOPAS: Ele não se defende.

SEGUNDA-FEIRA: Isso. Nós sabemos que Jesus era famoso por sua habilidade em argumentar. Então por que ele não se defendeu? Ele defendeu a prostituta mesmo ela sendo culpada, e provou sua inocência, e no julgamento ele não falou uma única palavra em sua defesa!

CLÉOPAS: E mesmo que Pilatos tendo o condenado, por que ele não usou seus poderes miraculosos para se salvar? Ele salvou a outros.

SEGUNDA-FEIRA: Hmmm. Então eles o crucificaram, o céu se escureceu, houve um terremoto – e sabe lá o que mais – Jesus morreu, foi tirado da cruz e colocado na tumba.

CLÉOPAS: E então os sacerdotes vão até o Governador e dizem que Jesus predisse que morreria e ressuscitaria em três dias. A última coisa que eles queriam é que um de seus seguidores roubasse o corpo e espalhasse que ele ressuscitou dos mortos. Então o Governador, para tirá-los de seu ouvido disse: “OK, vou destacar uma guarda e fazer a tumba mais segura do que um cofre”.

SEGUNDA-FEIRA: Isso.

CLÉOPAS: Colocaram uma pedra na frente da tumba, selaram com o selo do Governador e colocaram os soldados em frente.

SEGUNDA-FEIRA: Problema: o corpo sumiu, provavelmente roubado por um homem de três metros de altura, com uma face radiante.

CLÉOPAS: Que ninguém viu ou ouviu desde então.

SEGUNDA-FEIRA: E voltamos à estaca zero.

(Entra Jesus)

JESUS: Do que vocês estão falando?

CLÉOPAS: Você não é daqui? Não deve saber então o que aconteceu nos últimos dias.

JESUS: Que coisas?

CLÉOPAS: Sobre Jesus de Nazaré.

SEGUNDA-FEIRA: Dizem que era um profeta, poderoso com as palavras e no agir de Deus diante das pessoas. Os sacerdotes e líderes o prenderam e o sentenciaram à morte, então o crucificaram.

CLÉOPAS: O povo esperava que ele seria o que libertaria Israel.

SEGUNDA-FEIRA: E tem mais: hoje faz três dias que o mataram, e hoje seu corpo sumiu. Ouvimos sobre gigantes acertando guardas, pedras se movendo, conspiração, oficiais corruptos, e não temos ideia do que pode ter acontecido.

Jesus. E não estava escrito pelos profetas que o Cristo deveria passar por tudo isso para preservar as pessoas de Deus?

Tudo aconteceu exatamente como Isaías profetizou: Ele foi desprezado e rejeitado pelos homens. Foi oprimido e afligido, ainda assim não disse uma palavra. Por opressores ele foi tirado da terra dos vivos e jogado em uma tumba, mesmo não tendo feito nada errado. O castigo que traz a paz estava sobre ele, e por suas chagas fomos sarados. Ainda assim, Deus prolongará seus dias, e depois de sofrer sua alma verá a luz da vida.

SEGUNDA-FEIRA: Cléopas e eu ouvíamos o homem na estrada nos explicando tudo o que estava nas escrituras a respeito de Jesus (que era chamado Cristo), desde Moisés e através dos profetas, nós ouvíamos maravilhados, quando ele terminou já era noite e estávamos em Emaús, então o convencemos a ficar e comer conosco.

 

 

 

 

Cena 7: Um restaurante em Emaús

SEGUNDA-FEIRA: OK, vocês dois ficam aqui enquanto eu vou falar com Tomé.

JESUS: Eu já expliquei a situação a Tomé. Obrigado Pai do Céu e da Terra por este alimento.

(Jesus parte o pão e os entrega. Segunda-Feira morde um pedaço, Cléopas agarra-o pelo braço, apontando para Jesus. Jesus desapareceu. Segunda-Feira cospe o pão.)

SEGUNDA-FEIRA: Mas o quê?

CLÉOPAS: Nossos corações não ardiam enquanto ele falava conosco na estrada nos explicando as escrituras?

SEGUNDA-FEIRA: Nós o encontramos! Ele é real! Pela primeira vez vamos ser pagos pelo serviço!

CLÉOPAS: Para Jerusalém!

(eles correm)

SEGUNDA-FEIRA: Então, com os corações palpitando e as mentes a mil, Cléopas e eu corremos por todo o caminho de volta para Jerusalém. Chegando na cidade corremos direto à casa de Tomé e nem paramos para bater, fomos logo entrando e anunciando a boa notícia.

 

 

 

Cena 8: Casa de Tomé

(Abrindo a porta e entrando)

SEGUNDA-FEIRA: Onde ele está? Tomé!

TOMÉ: O que você quer?

SF e CLÉOPAS: Nós o vimos!

TOMÉ: Quem?

SF e CLÉOPAS: Jesus!!!

CLÉOPAS: Ele está vivo! Não tem corpo nenhum!

SEGUNDA-FEIRA: Ele ressuscitou dos mortos, exatamente como disse que faria!

CLÉOPAS: Você tem que acreditar em nós!

TOMÉ: Eu acredito em vocês.

SEGUNDA-FEIRA: Ele ressuscitou!

TOMÉ: Eu sei.

CLÉOPAS: Nós o vimos!

TOMÉ: Eu também!

SEGUNDA-FEIRA: Aleluia!

TOMÉ: Aleluia!

SEGUNDA-FEIRA: Isso é fantástico!

TOMÉ: Eu não posso pagar vocês.

Segunda-Feira e CLÉOPAS: O quê?!???

TOMÉ: Eu não posso pagar vocês, três mulheres pediram a recompensa esta manhã. Eu não acreditei no começo, mas quando Ele apareceu para mim, bem, eu paguei a elas há uns vinte minutos.

SEGUNDA-FEIRA: Mas... Não receberemos nem o crédito parcial?

TOMÉ: Desculpem amigos, eu estou à zero.

SEGUNDA-FEIRA: (chorando) Isso não é justo!

CLÉOPAS: (consolando) Aqui, aqui... isso, calma...

VOZ: E assim, o mistério do corpo desaparecido de Jesus de Nazaré foi resolvido.

Jesus apareceu para mais de quinhentas pessoas antes de ascender aos céus, e todas elas acionaram judicialmente Tomé, chamado Dídimo, por uma parcela da recompensa. Tomé declarou falência e passou a ser um missionário, indo de lugar a lugar, falando a todos de como ele encontrou a Jesus Cristo.

Marcos Homicídio Dragonet Segunda-Feira Júnior desistiu do negócio de investigações e tentou uma curta carreira no teatro, mais tarde desistiu e juntou-se a Tomé no seu ministério.

Cléopas, por outro lado, manteve-se no negócio de investigações por mais três anos, nesse tempo contratou uma secretária de verdade, inclusive ele resolveu outro caso sobre um homem chamado Pedro, que misteriosamente sumiu de uma prisão – mas isso é outra história.

O caso do cara morto desaparecido. Caso encerrado.

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