O MERCADO DE FILHOS

O MERCADO DE FILHOS + Martelo de leilão

Deus se importa com pessoas imperfeitas, que para o mundo inteiro não tinham valor algum.
Deus escolhe o que ninguém mais escolheria e o torna em algo maravilhoso.
Deus consegue moldar o pior dos homens e fazer dele uma nova criatura

Deus escolheu a mim e a ti, e eu não merecia...
Essa peça data de 26/08/2008 e foi escrita com a temática do dia dos pais, no entanto, nesta versão estou a adaptando para ser apresentada em qualquer ocasião, pois ela fala de algo semelhante ao que Deus faz por nós:

NARRAÇÃO:    O que aconteceria se os filhos fossem vendidos em mercados?
Pais! Que tipo de filhos vocês comprariam?
Será que a vida familiar seria mais fácil se tudo fosse da maneira que escolhemos?
Isso é o que veremos na peça que vai começar agora.
Onde a história se passa, os pais precisam ir a mercados para comprar os seus filhos.
Lá, os “candidatos” falam como são e a pessoa interessada escolhe quem vai levar.
Com vocês:
O Mercado de Filhos!

VENDEDOR:   Próximo!
(Entra Roberto)
VENDEDOR:   E o senhor, vai querer que tipo de filho?
ROBERTO:    Que tipo? É... Eu não tenho muitas preferências. Posso ouvi-los?
VENDEDOR:   Claro! Vamos lá. 13796, diga o que tem a dizer.
ANA PAULA:    Meu nome é Ana Paula, tenho “X” anos e nenhuma cicatriz.
ROBERTO:    Nem na alma?
VENDEDOR:   Olha, pra consultar a alma sai mais caro. Por que o senhor quer saber essas coisas?
ROBERTO:    Isso me fará entender melhor a Ana Paula.
VENDEDOR:   Tudo bem, tudo bem. Pode falar da alma. Continue, 13796.
ANA PAULA:    Já que o senhor perguntou, a única tristeza que tenho, a única cicatriz é a falta do meu namorado que me largou.
ROBERTO:    Nada que o tempo não cure, não é?
ANA PAULA:    É... Pode ser. Sou pianista, sei falar francês, não tenho vícios, não crio bichos estranhos como aranha e não falo sozinha.
ROBERTO:    Falar só? Quem faria isso?
ANA PAULA:    (sorri) O senhor verá. Só pra finalizar: eu não como muito e sou obediente. Sou ou não sou perfeita?
VENDEDOR:      Já falou de mais. É sua vez, 08947, faça a sua propaganda.
CACO:     Meu nome é Caco, tenho “Y” anos.
ROBERTO:    Pode me falar dos seus sonhos?
CACO:    Ah! Tenho muitos: quero ser piloto de avião, quero dormir em um dos quartos da Casa Branca e...
ROBERTO:    Não está querendo de mais?
CACO:    Eu sou assim mesmo, confio no meu potencial, sei que com esforço posso conseguir tudo o que eu quiser.
Eu fui aprovado na aeronáutica brasileira e em breve começarei meu treinamento.
ROBERTO:    Vejo que você já está bem encaminhado.
CACO:    É, estou. Pode perceber que se me comprar não terá prejuízos, principalmente por que eu não tenho visões.
ROBERTO:    Visões?
VENDEDOR:   Chega! 08497, você quer estragar a fama das minhas mercadorias, não pode falar o que o...
ROBERTO:    O...?
VENDEDOR:      Nada! Nada! Vamos lá, 50082. Sua vez!
LUNA:    Um nome é Luna, tenho “Z” anos. O senhor sabe que sou inventora?
ROBERTO:    É mesmo?
LUNA:    Criei uma coisa inacreditável!
ROBERTO:    E o que é?
LUNA:    Só direi se me comprar.
VENDEDOR:   Ora! Diga, seu Roberto, se ela não sabe fazer sua propaganda!
LUNA:    É que me formei em publicidade.
Olha, moço, eu não ronco, não derramo comida no sofá, não peço presentes caros.
Se me levar, prometo que não ocuparei seu tempo chorando pelo namorado que perdi ou...
ANA PAULA:    Luna!
VENDEDOR:   Cala a boca, 13796!
ANA PAULA:    Sim, senhor.
ROBERTO:    Você é bem esperta, Luna.
LUNA:    Sim, eu sei. E não roubo nada em casa.
VENDEDOR:   50082! Você com essa mania também?
ROBERTO:    Eu não entendi. Do que eles estão falando?
VENDEDOR:   De nada! Vamos lá, 31756, se apresente!
PÂMELA:    Eu me chamo Pâmela, tenho “W” anos e faço projetos de moda.
ROBERTO:    É estilista?
PÂMELA:    Sou, e se o senhor quiser saber, essa sua roupa está meio brega.
VENDEDOR:   Menina! Assim espanta o comprador!
ROBERTO:    Oh! Desculpe. Como sua roupa é bela, tudo está combinando.
Será que o senhor já pode me comprar?
ROBERTO:    É que eu ainda não me decidi.
PÂMELA:    É claro que se decidiu. Basta olhar!
Eu sou inteligente, educada, discreta, não gosto de bichos de estimação, nunca fui deixada pelo namorado, canto bem.
Pra tudo eu tenho talento, fora isso, não cheiro cola.
ROBERTO:    Cola?
PÂMELA:    Cola de sapateiro.
VENDEDOR:   Chega! Seu Roberto, pode dizer agora qual vai levar.
ROBERTO:    Mas... E o menino ali, não está à venda?
VENDEDOR:   É... Está. Mas ninguém nunca quer comprar, o senhor não vai gostar.
ROBERTO:    Por favor, deixe-me ouvi-lo.
VENDEDOR:   Tudo bem, 00000, pode falar.
ROBERTO:    Por que o número dele é esse?
ANA PAULA:    O senhor verá.
RODRIGO:    Meu nome é Rodrigo, tenho “N” anos e sou muito honesto.
CACO:    Não seja falso, Rodrigo, todo mundo sabe que você é um ladrãozinho barato!
LUNA:    Eu falei isso!
CACO:    Mas não é segredo pra ninguém!
LUNA:    E quanto às visões? Todo mundo sabe que o Rodrigo vê coisas, vê pessoas...
ANA PAULA:    E fica conversando com elas.
Eu já o vi falando sozinho, é assustador.
PÂMELA:    E eu sei o que causa tudo isso, são as drogas que ele usa!
No dia que não faz isso, fica desesperado.
VENDEDOR:   É uma decepção.
ROBERTO:    Tem algo a dizer em sua defesa?
(Rodrigo fica calado)
VENDEDOR:   Fala! 00000, você é um 0 à esquerda, um 0 à direita, um 0 por todos os lados! Responda ao comprador!
RODRIGO:    É tudo verdade.
LUNA:    Não falei?
VENDEDOR:   Não sei por que ainda não joguei esse garoto na rua.
Ele não serve para nada, é um perfeito marginal!
Seu Roberto, é difícil pra mim reconhecer a péssima qualidade de minha própria mercadoria, mas é verdade, tudo é verdade, ele é mesmo um sem futuro.
ROBERTO:    Rodrigo, por que você faz essas coisas?
VENDEDOR:   É, 00000, por que você faz essas coisas?
RODRIGO:    Começou quando eu era criança.
Meus amigos me fizeram experimentar umas drogas e eu não consegui parar, Pra continuar usando tive que bater umas carteiras por aí.
As vozes que eu ouço e a pessoas que eu vejo são os meus amigos de infância.
PÂMELA:    Olha só como ele é maluco! Esses amigos drogadinhos dele morreram há 5 anos!
RODRIGO:    Eu não tenho casa e nem família.
PÂMELA:    Nenhum de nós tem, mas nem por isso somos perdidos.
VENDEDOR:   Chega! Chega! Diga, seu Roberto, já decidiu quem vai levar?
ROBERTO:    Já!
VENDEDOR:   E quem vai ser?
ROBERTO:    O Rodrigo!
VENDEDOR:   Ele?
RODRIGO:    Eu?
ROBERTO:    Sim! Exatamente.
VENDEDOR:   Ninguém nunca leva o 00000.
RODRIGO:    É! Ninguém nunca me leva!
CACO:    Isto é uma injustiça! Como pode querer colocar um malandro em sua casa?
PÂMELA:    Quer dizer que nós, pessoas de bem, não servimos pra você e esse ladrão serve?
LUNA:     Você só pode estar brincando conosco!
RODRIGO:    Eles tem razão, senhor. Eu sou um garoto sem jeito e sem futuro.
As pessoas não dão nada por mim, e eu não as culpo.
Também não daria nada por alguém como eu.
Eu não me compraria! Então não brinque comigo!
Já não tenho esperança...
VENDEDOR:   Seu Roberto, pode escolher outro.
ROBERTO:    Não tenho dúvidas!
Rodrigo nunca mais será o 00000, é ele quem eu quero.
Na verdade, levaria a todos, todos vocês precisam de amor e cuidado, todos são preciosos, todos.
No entanto, você, Rodrigo, já não acredita em si mesmo.
É você então que eu quero, pra mostrar o quanto tudo pode ser diferente.
Eu darei tudo o que você precisa e não será mais o mesmo.
RODRIGO:    O senhor não tem noção do eu está falando.
ROBERTO:    Ah, Tenho sim! Vim aqui com o objetivo de ser pai e é isso que um pai faz, cuida, ensina.
Eu prometo que todos os dias estarei com você.
Vão ser dias difíceis os que vem a seguir, vais ser tentado a continuar nessa vida mais contarás com meu apoio.
Não será fácil, mas conseguiremos, você e eu!
RODRIGO:    Eu não acredito em mim!
ROBERTO:    Mas eu acredito em você!
RODRIGO:    E quando me faltar força?
ROBERTO:    Eu te darei.
RODRIGO:    E se eu continuar fazendo coisas erradas?
ROBERTO:    Todas as vezes que errares ,com amor te corrigirei.
RODRIGO:    E... E se... Ah! Obrigado senhor! Muito obrigado.
VENDEDOR:      É... 00000... Vendido!

NARRAÇÃO:    E foi exatamente como Roberto disse que seria: Difícil, mas não impossível.
Rodrigo conseguiu se recuperar e nunca mais foi o 00000.
Se tornou um homem honrado e toda a experiência ruim que teve serviu para que ele testemunhasse que mudanças são possíveis, não importa o quanto tudo esteja mal.
Algo parecido Deus fez conosco.
Um dia todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho
(Isaías 53:6) Mas ainda assim Jesus se importou conosco.
Ele não desistiu de nós por que éramos maus, pelo contrário, ele morreu por nós por sermos pecadores, morreu para que esse pecado não mais nos separasse dele.
Cristo escolheu amar pessoas assim, sem esperança, sem nada.
Pessoas que não tinham mais saída, pessoas...
Qualquer pessoa!
Jesus Cristo, O Filho de Deus! Ele fez o que ninguém faria, deu a vida por muitos que não sabiam que ele existe, e mais! Deu a vida pelos que sabem dele, mas não se importam.
Não importa qual a sua situação, você pode ter feito coisas bem piores do que as que esta peça cita, não importa, não importa!
Jesus morreu por você! Por você! Ele escolhe mesmo as pessoas que ninguém escolheria, ele abraça, cuida e transforma em algo surpreendente.
Tenha esperança e aceite Cristo:
JESUS AMA VOCÊ.

Fonte WEB: A VELHA GAVETA
 

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