O EMPRESÁRIO E A MORTE

Dois bonecos, um de gravata e o outro com uma foice - O EMPRESÁRIO E A MORTE

Um empresário bem sucedido e muito ocupado...
A esposa reclama por atenção e tempo para a família, mas sabe como é, muitas reuniões, contatos, compromissos...
Mas o "anjo da morte" chega para buscar o empresário(mesmo sem este ter tal compromisso na agenda).
O empresário é impactado e começa a tentar argumentar pra que outros sejam levados primeiro...
Cinco dias a mais ele conseguiu...
Muitas pessoas priorizam as busca por bens materiais, onde a traça e a ferrugem consumem, em detrimento de coisas mais importantes como a família e a  Deus.
Mas o que aconteceria se a morte batesse em nossa porta?


Em  Lucas 12: 16-21, Jesus conta uma parábola na qual um homem rico produziu muitas riquezas e se indagava o que ele iria fazer com todas as suas posses.
Contudo, Deus lhe disse: Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida.
Então, quem ficará com o que você preparou?
Essa peça teatral aborda este assunto de maneira cômica.

Roteiro

(Está em cena um Empresário bem-sucedido de terno e gravata, com uma maleta e conversando com sua esposa no celular. )
(Empresário coloca sua maleta em cima de uma mesa e mexe nos papeis que se encontram dentro da maleta, enquanto fala no celular.)

EMPRESÁRIO:   Ir pra igreja nesse domingo?
E lá eu tenho tempo pra isso.
Praia? Nem pensar!
Hoje eu tenho cinco reuniões e já estou atrasado para a primeira.
(Ele deixa de mexer na maleta. )
EMPRESÁRIO:   Como assim? Um marido ausente.
O que? Faz 15 dias que eu não vejo os nossos filhos?
Mas eu dou tudo que eles querem.
Não, não. Tá, mulher. O que é que está te faltando?
Fala.
Aham?
Vamos conversar rapidamente, pois eu estou atrasado!
(O empresário se senta.)
EMPRESÁRIO:   Então, eu estou atrasado para a reunião.
Você tem tudo o que você quer mulher!
Quer comprar um carro 0, você compra.
Se você quiser trocar de apartamento você troca.
Você tem, não sei quantos cartões de créditos, pra gastar com o que você quiser.
O que é que está te faltando?
Então me fale, eu te compro.
Quê?
(Empresário se levanta e vai pegar sua maleta)
EMPRESÁRIO:   Amor, carinho, companheirismo.
Tenho tempo pra essas frescuras não.
Não, tenha dó, Estou atrasado, tchau.
(Empresario encerra a ligação)
EMPRESÁRIO:   Paciência.
(Entra a morte, segurando uma foice)
(Em som de fundo, terá a gargalhada da morte)
(Empresário se assusta e tenta se manter afastado da morte)
EMPRESÁRIO:   O quê que isso, meu Deus do céu?
Quem é você?
MORTE:    Eu sou a Morte!
EMPRESÁRIO:   O que você está fazendo aqui?
MORTE:    Chegou seu dia, eu vim te buscar.
EMPRESÁRIO:   Você está louco? Eu não estou doente nem nada.
MORTE:    Isso é o que você pensa.
 Há quanto tempo não vai ao médico?
EMPRESÁRIO:   Há uns 5 anos, sou sadio igual a um touro. Sei lá.
MORTE:    Consta no meu fichário, que você bebe muito, fuma muito, trabalha em excesso, não faz exercício físico, está com a veia entupida, colesterol alto.
Conclusão: Vai dar um infarto agora e eu (Barulho da foice)
(Empresário se assusta.)
EMPRESÁRIO:   Espera aí, você dizendo que eu vou morrer? (Se aproximando da morte com uma mão levanta sinalizando calma)
MORTE:    Agora.
EMPRESÁRIO:   Mas isso é uma injustiça. Fique você sabendo, que pra ter uma velhice digna e de conforto eu trabalhei pra morrer!
MORTE:    Verdade, trabalhou para morrer. Se tivesse economizado energia, cuidado da saúde, poderia viver mais 30 ou 40 anos, mas agora se lasco.
(Empresário coloca novamente a maleta na mesa)
EMPRESÁRIO:   Não, não, não.
Tudo bem espera aí, espera aí (Se aproxima levantado as duas mão, sinalizando espera).
Deve haver um mal-entendido.
Qual é seu nome mesmo?
MORTE:    Anjo da morte, mas pode me chamar de morte mesmo. Sou simples!
EMPRESÁRIO:   Sei, Sei, Sei (rindo e esfregado as palmas da mão).
Dona morte, você sabe que na vida e tudo uma questão de negócios, né.
MORTE:    É.....
EMPRESÁRIO:   Só não tem jeito para morte (Abrindo os braços ).
MORTE:    Sim...
EMPRESÁRIO:   Diga quantos é que você quer pra deixar eu viver aqui por mais 40 anos (Empresário chega bem próximo da morte para falar e depois corre para a mesa para fazer um cheque e para próximo a mesa, olha para a morte e levanta as duas mãos gesticulando o sinal de espera e fala a frase seguinte, entusiasmado).
Pode falar que eu vou fazer o cheque. À vista, À vista. Mais 40 anos.
MORTE:    Aqui é onde o filho chora e mãe não vê, você se lasco!
Você sabe quantas pessoas tem na terra?
Bilhões! Sabe quantas vão estar vivas daqui a 120 anos?
Nenhuma! Sabe por quê?
Eu vou óoooh (Barulho da foice).
Uma por uma!
EMPRESÁRIO:   Mas eu vou morrer?!
MORTE:    Agora!
EMPRESÁRIO:   Mas eu vou deixar minha empresa, meus negocio, a minha família, a minha mulher? (Dizendo “Minha mulher” com entusiasmo). Tão nova, tão bonita!
MORTE:    Você é fingido em rapaz!
Você é falso em rapaz!
Você sempre achou sua mulher feia, enjoada, gastadeira, linguaruda.
Sabe de que você está com medo?
EMPRESÁRIO:   O quê?
MORTE:    Dela se casar e gastar seu dinheiro com outro.
EMPRESÁRIO:   Nem fale uma coisa dessas! Nem fale um negocio desses se não vai me dar um troço.
MORTE:    E vai mesmo! E agora.
EMPRESÁRIO:   Nem me fale!
MORTE:    Sabe o que o que ele vai fazer?
Vai levar sua mulher  pra igreja.
EMPRESÁRIO:   Não.
MORTE:    Vai levar sua mulher para o cinema..
EMPRESÁRIO:   Não.
MORTE:    Você já levou sua mulher no cinema?
EMPRESÁRIO:   Não.
MORTE:    Ele vai levar!
EMPRESÁRIO:   Não.
MORTE:    Ele vai levar ela  no retiro.
EMPRESÁRIO:   Não.
MORTE:    Ele vai levar ela no teatro, na elipse....
EMPRESÁRIO:   Não. No Retiro não!
Esculta aqui! Porque você cismou comigo, hein?
Tem tanto bandido por aí, precisando morrer e você encima de mim?
Não sei se você sabe, eu sou um empresário honesto, trabalhador!
Cumpro todos os meus deveres!
Contribuo com o crescimento deste país!
Pago meus impostos em dia!
MORTE:    Todo mundo é assim.
EMPRESÁRIO:   Leva os bandidos! Que estão por aí, que tem demais! Binladen, sei lá, me deixa em paz!
MORTE:    Rapaz, deixa de ficar empurrando os outros, chegou a sua vez! Óohh (Barulho da foice).
É hoje!
EMPRESÁRIO:   É aquele velho ditado, para morrer basta está vivo!
MORTE:    Isso é filosofia de buteco, rapaz.
EMPRESÁRIO:   Ó senhorita..!
MORTE:    Senhorita é uma ova!
 Eu já estou perdendo a paciência com você, rapaz!
Eu já estou uma morte meio cansada, já estou querendo pedir aposentadoria.
Já estou cansado de levar motoqueiro, em meia, em meia hora e eu.. (Barulho da foice).
Arruma logo que eu vim te buscar.
EMPRESÁRIO:   Pelo amor de Deus, por tudo que é mais sagrado, me deixar viver aqui pelo menos por mais vinte anos!
MORTE:    Você tá louco? Vinte anos é uma eternidade.
EMPRESÁRIO:   Tá bom! Dez anos, então?
MORTE:    É muito!
EMPRESÁRIO:   Que morte mais ruim de negocio. Deus do céu.
Me dê mais cinco anos?
MORTE:    Cinco...
EMPRESÁRIO:   Ainda bem.
MORTE:    Cinco dias!
EMPRESÁRIO:   Cinco dias?!
MORTE:    Isso pra você repensar a sua vida,vê se valeu a pena ganhar tanto dinheiro, correr tanto e não levar nada!
Já ouviu falar que caixão não tem gaveta?
Não vai levar nada!
O que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a salvação?
(falando para a plateia)
E vocês que estão me olhando , o dia de vocês vai chegar e eu …(Barulho da foice).
(falando para o empresário)
Cinco dias ! Oooh (Barulho da foice).
(Morte se retira de cena. )
EMPRESÁRIO:   Cinco dias! O que que eu vou fazer com cinco dias? - Cincooo diiiias! (Empresário corre e pega seu telefone para ligar para sua esposa)
EMPRESÁRIO:   Alô?
Lindalva
Sou eu!
Uai, eu quem? Seu marido!
Por que eu estou te ligando?
Não, eu, eu... Fui muito grosso com você aquela hora, me desculpa tá!
São os negócios né.
Andei pensando sobre aquilo que você me falou.
Sobre passear, uai, ir à igreja.
É.
O que me fez mudar de ideia?
A vida é muito curta, né Lindalva.
 Éeeee.
Você pode tá morto daqui a cinco dias.
O que? Final de ano?  Que final de ano, mulher?
Arruma mala que estou passando aí agora!

(Empresario sai correndo de cena.)

Fim

 

Fonte WEB - DEARCE - Teatro Cristão

Recomenda-se assistir o vídeo antes dos ensaios

Este texto é uma adaptação da Peça - "O Empresário e a Morte" de Nilton Pinto e Tom Carvalho
Nilton Pinto e Tom Carvalho MORTE

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