NATAL NA FAVELA

Jesus na manjedoura, na favela - NATAL NA FAVELA

A história do nascimento de Jesus é recontada numa adaptação do texto bíblico.
Nesta versão Jesus nasce numa a favela, no quarto dos fundos de um barraco.
Não são os “magos do oriente” que trazem presentes, são senhoras abastadas.
Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.” Mateus 25:45


Cenário: Um barraco de favela.

(Aparece um recenseador e bate na frente do barraco)
RECENSEADOR: Ô de casa, é o Censo.
(Sai o dono do barraco)
SEU RAIMUNDO: Pode falar. O que o senhor quer?
RECENSEADOR: Eu sou do Censo e estou fazendo uma pesquisa.
O senhor pode responder algumas perguntas?
SEU RAIMUNDO: Se não for demorar muito, pode.
RECENSEADOR: Bom, quantas pessoas moram com o senhor?
SEU RAIMUNDO: Moro sozinho.
RECENSEADOR: O senhor trabalha?
SEU RAIMUNDO: Ás vezes. Quando aparece um bico.
Emprego mesmo pra valer, faz muito tempo que não tenho.
RECENSEADOR: E o que o senhor fazia quando trabalhava?
SEU RAIMUNDO: Era pedreiro.
RECENSEADOR: É solteiro ou separado?
SEU RAIMUNDO: Ei meu, que papo é esse? Sou é macho!
RECENSEADOR: Não é nada disso senhor.
É apenas o questionário.
SEU RAIMUNDO: No momento estou solteiro.
RECENSEADOR: E qual a renda do senhor?
SEU RAIMUNDO: (irritado) Olha aqui, eu já te falei que sou macho!
Ta pensando que uso renda é?
RECENSEADOR: Não, pelo amor de Deus, não é isso.
É sua renda mensal, quanto o senhor ganha por mês.
SEU RAIMUNDO: Acho bom. Mais ou menos uns R$ 200.00.
Quando consigo alugar um quarto extra que tenho aqui atrás do barraco, aumenta um pouco.
RECENSEADOR: E no momento, este quarto está alugado?
SEU RAIMUNDO: Não, ou melhor, tem gente, mas acho que não vão ter como pagar.
São uns coitados que chegaram ontem à noite e pediram para ficar aqui.
A mulher tá grávida, logo a criança nasce.
RECENSEADOR: O senhor pode chamar alguém deles para mim, por favor?
SEU RAIMUNDO: Espera um pouco.
(O homem sai de cena e na sequencia aparece o inquilino)
SEU JOSÉ: Pois não, o senhor chamou?
RECENSEADOR: Sim.
Eu estou fazendo o Censo anual e preciso que o senhor responda algumas perguntas.
Qual o seu nome?
SEU JOSÉ: Me chamo José Davi.
RECENSEADOR: E o senhor é casado, seu José?
SEU JOSÉ: Sou sim. A minha mulher se chama Maria de Nazaré.
RECENSEADOR: Vocês tem filhos?
SEU JOSÉ: Ainda não.
Mas acho que esta noite a criança nasce.
RECENSEADOR: E como vai se chamar?
SEU JOSÉ: Bom, minha mulher, a Maria, teve uns sonhos meio esquisitos, disse que conversou com um anjo e tem certeza que vai nascer um menino homem e vai se chamar Jesus.
RECENSEADOR: Que bonito nome. E vocês vão morar aqui?
SEU JOSÉ: Não senhor.
Paramos aqui, porque não encontramos a casa de uns parentes da Maria e o seu Raimundo foi muito bom e nos acolheu.
Mas depois que a criança nascer, vamos voltar para nossa terra, Belém no Pará.
RECENSEADOR: Bom, é só isso.
Muito obrigado e um bom final de semana.
SEU JOSÉ: Obrigado, mas final de semana ou dia de semana sem emprego e com fome, é um pouco triste.
Mas mesmo assim, muito obrigado e igualmente.
RECENSEADOR: Obrigado e até logo.
(José e o recenseador saem de cena. Música de fundo e um choro de criança. Jesus nasceu)
(Aparecem Maria com Jesus no colo e José ao lado)
(Alguns vizinhos vem visitá-lo)
(Maria, José e Jesus saem de cena)
(Aparece uma senhora elegante, que pergunta a um vizinho)
SENHORA-1: Por favor, a senhora sabe onde por acaso tem alguma criança recém-nascida por aqui?
VIZINHO: Sei sim.
Ontem à noite, nasceu um menino aqui neste barraco.
Ele se chama Jesus.
SENHORA-1: É que eu trouxe algumas roupas para doar e gostaria de entregá-las.
Muito obrigado pela informação.
(A senhora bate palmas e sai José)
SEU JOSÉ: Pois não?
SENHORA-1: – Com licença. Me chamo Maria Antônia e resolvi trazer umas roupas de bebê e me indicaram este lugar.
Se o senhor não se ofender, gostaria que aceitasse.
SEU JOSÉ: Mas é claro que sim.
Pobre orgulhoso, não dá muito certo não.
Como a senhora ficou sabendo que aqui tinha criança?
SENHORA-1: Para falar a verdade, vim por instinto.
Senti algo de diferente, que me atraia até aqui.
(Nisto chegam mais duas senhoras)
SENHORA-2: Com licença.
Eu e minha amiga gostaríamos de saber se há algum recém nascido por aqui?
SEU JOSÉ: Tem sim e é meu filho, o Jesus!!!
(José responde todo orgulhoso)
SENHORA-2: Bom, nós temos alguns mantimentos para doar e não sei se o senhor aceita?
SEU JOSÉ: Claro que aceito.
Afinal não é sempre que tem gente disposta a ajudar.
Mas como vocês nos acharam?
SENHORA-3: Bom, pode parecer um pouco esquisito, mas foi uma espécie de impulso, não sei.
SENHORA-2: É, foi como se uma força nos puxasse até aqui.
SEU JOSÉ: Ô louco! Vocês tem umas conversas estranhas.
SENHORA-3: O senhor trabalha?
SEU JOSÉ: No momento estou desempregado.
Tô com fé que logo arranjo um emprego.
SENHORA-3: Pelo que estou vendo, sua criança
Já tem roupas e alimentos por um bom tempo.
O senhor aceitaria uma pequena quantia de dinheiro para alguma emergência que possa aparecer?
Por favor aceite.
SEU JOSÉ: O que é isso senhora. Não precisa se incomodar.
SENHORA-3: Não, não, eu faço questão.
SEU JOSÉ: Já que a senhora insiste. Muito obrigado.
SENHORA-1: Bom, será que poderíamos ver a criança?
SEU JOSÉ: Claro, só um minuto.
(As três senhoras esperam e logo aparecem José com Jesus e Maria atrás. As três senhoras se ajoelham e alguns vizinhos próximos também. Maria fala)
MARIA: Eis o Salvador.
É Jesus menino que vem nos salvar.
Pequeno, pobre e humilde, assim Ele nasceu.
E nós, como estamos acolhendo este menino, que nasce e mora nas favelas, nas ruas, nos becos escuros?
Será que Ele não está mais perto de nós do que pensamos?

(Canto Final)

 

 

 

Fonte WEB,  site Catequisar

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