LUCAS, O AVARENTO

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Homem preocupado agarrado a um pequeno baú

Lucas, um homem avarento que acredita no valor do seu trabalho, dispensando qualquer crédito a Deus. Recebe muito dinheiro pela colheita do ano e sai alegremente pelas ruas, satisfeito por ser um homem próspero.
Tal situação muda no momento em que ele recebe a visita dos elementos vitais à boa ceifa, e ainda a visita do Criador, que lhe ensina o verdadeiro sentido da vida e a importância de devolver a Deus as primícias do trabalho.

ELENCO
PERSONAGENS
LUCAS, o avarento. Acredita que tudo vem do seu trabalho, não devendo a ninguém.
O SOL, responsável pela energia que move as estações e marca o período de trabalho;
A ÁGUA, elemento da vida que irriga a plantação e mata a sede de Lucas;
A TERRA, acomoda as plantações e lhes confere os nutrientes necessários a um bom desenvolvimento;
O VENTO, sopra o frescor da brisa matinal e espalha as sementes pelo chão, suavizando o inverno, para que a colheita seja farta;
O GOVERNO, cobra os impostos pela colheita e venda dos produtos;
O CRIADOR, criou os céus e a terra, tudo que neles há e ainda formou o homem do pó para que esse arasse a terra, deu-lhe poder sobre toda a terra, esperando apenas que esse, o amasse e como prova de obediência devolvesse-lhe as primícias de seu trabalho.
Zumira, a esposa de Lucas, cristã tradicional.

ENREDO
Lucas entra pelos corredores contando vantagem pelo lucro obtido de seu trabalho, tenta se esconder de todos os cobradores, repete incessantemente que não deve nada a ninguém, ao ouvir as vozes de sua consciência, acaba descobrindo que deve tudo que tem a natureza, que por sua vez deve tudo a ação criadora de Deus, que tudo fez com seu poder.
Referências Bíblicas
Efésios – 5: 05,- I Coríntios – 5: 10.
Hebreus – 13: 05 ( Seja a vossa vida livre do amor ao dinheiro, e contentai-vos com o que tendes; porque Deus tem dito : De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei).
PRIMEIRO ATO – O SOL ( Gênesis 01 : 14 – 18 )
LUCAS : Ô lasqueira de trem bão sô, trabaiei que nem cachorro deitado, de sol a sol, debaixo de chuva, o dia inteirinho, o dia inteirinho...
Arei a terra com minhas próprias mãos, até vê-las sangrar. Agora não tem pra ninguém, vendi a colheita e tô com a burra cheia, também num devo nada pra ninguém, mas pra ninguém mesmo. Olha só abestado, que tanto de cascalho que eu tenho agora.
Vou ajuntá tudo debaixo do colchão, e num vô dá nada pra ninguém, mas nem pru reza brava, pra ninguém .
SOL : Lucas.
LUCAS :Viche, mas já começou cedo, tem nego de olho no meu dinheiro, quem vem
lá ?
SOL : Sou eu Lucas, o Sol !
LUCAS : Quê, mais larga mão de sê besta, da onde é que ocê é o Sol, e que que eu tenho com ocê trem brioso.
SOL : Lucas eu sempre estive com você iluminei o seu dia, forneci energia para as plantas crescerem, fui suave para não queimar sua pele ao longo do trabalho e ainda me retirei na hora certa para dar-lhe o devido descanso.
Agora que você vendeu a colheita, vim buscar minha parte.
LUCAS : Ora ! mas só com eu mermo, e sol lá precisa de dinheiro, tome brio na cara que é mió pro cê moço.
SOL : Não vai dar não ! então lançarei minha radiação em você e verás que nada fazes se eu não atenuar meu calor.
LUCAS : Vem besta que eu lhe meto a enxada na fuça, óh, óh,óh, óóóh...
SOL : Não seja tolo, pois nada podes diante do sol, fui criado por Deus para iluminar o dia e servir como forma máxima de expressar sua glória, por que o amor de Deus ele demonstrou dando o seu filho por você.
LUCAS : Tá bão, então toma lá sua parte – Dá ao sol uma pequena parte do dinheiro.
SOL : Até mais Lucas, obrigado por compreenderes.
 

SEGUNDO ATO – A ÁGUA (Apocalipse 07: 17 )
LUCAS : Mais essa sô, a gente trabalha o dia inteirinho, o dia interinho, de sol a sol, com minhas próprias mãos até vê-las sangrá. E depois tem de pagar pro sol. Ai, ai,ai.
ÁGUA : Lucas, Lucas ! vim buscar minha parte.
LUCAS : Mais quê que é isso gente, quem é você criatura ?
ÁGUA : Sou eu Lucas, a água. Quem mata a sua sede, rega as plantações e cai sobre o solo para expulsar a seca.
LUCAS : E que é que eu tenho com você criatura, não lhe devo nada não.
ÁGUA : Lucas Deus é quem envia-me como forma de demonstrar sua fidelidade para com os homens, sempre estou presente, só não supero a água que Jesus lhe dá. Pois se dela beberes jamais terás sede. E agora, quero minha parte.
LUCAS : E se eu não quiser dar, o que é que você pode fazer.
ÁGUA : Simples, Lucas. Não descerei como chuva e sentirás sede dia após dia.
LUCAS : Toma lá então, mas não darei mais que isso.
ÁGUA : Obrigado Lucas, até breve.
TERCEIRO ATO – A TERRA ( Números 13: 25-27)
LUCAS : Já veio o sol, depois a água. Tudo querendo meu dinheirinho que eu ganhei sozinho, trabalhando o dia inteirinho, o dia inteirinho. Com minhas próprias mãos, até vê-las sangrar. Quem mais pode aparecer ?
TERRA : Lucas, Lucas. Eu sou a Terra. Fertilizei suas plantações e fui base para sua casa e fui dada em herança para os povos, através de uma promessa antiga feita por Deus.
LUCAS : Pra quê que eu perguntei, meu Pai do céu, e agora eu te devo dinheiro também, não acredito.
TERRA : Ora Lucas, você é apenas um homem avarento e acha que não precisa de ninguém, mas sem a terra você não é nada. Agora sem conversa me passa a minha porção para que eu continue sendo fértil.
LUCAS : Fértil! uma terra encardida dessa. Mas fazê o quê nesse mundão de ai ai. Toma lá esse trocado e vê se me deixa em paz criatura.

TERRA : Obrigado Lucas, mas lembre-se de que o que não dás à natureza, com certeza darás ao homem.
 

QUARTO ATO – O VENTO ( I Reis 19: 11-13 )
LUCAS : Eu heim ! Senti inté calafrios, parece que esfriou.
VENTO : Lucaaaasss, Lucaaaaasss !
LUCAS : Aí meu Sinhô Jesuis, santíssimo sacramento do alta, que coisa é essa que assopra que nem cascavel.
VENTO : Lucas eu sou o vento, e soprei a brisa matinal em seu rosto, espalhei as sementes, trouxe as nuvens de chuva. Sem mim sua colheita estaria perdida.
Agora se me faz favor, dai-me a minha parte !
LUCAS : Há ! mais é claro, todo mundo quer levar um quinhãozinho desse caco que trabalhou o dia ínterim, o dia ínterim, arando a terra com minhas próprias mãos até vê-las sangrar. Isso ninguém quer saber. Você não ajudou plantar, ocê não ajudou a colher, então aqui pro ce ( mostra o braço dobrado, uma banana).
VENTO : Tudo bem, mas na próxima colheita soprarei apenas um vento seco, e sua plantação minguará.
LUCAS : Ta bão, ta bão. Tome uma merreca, mas vê se não me rogue praga, trem a toa.
VENTO : Obrigado Lucas, tome juízo e acorde pra realidade. Se Deus não lhe enviasse
Os elementos essenciais, nada poderia fazer com seu trabalho.
QUINTO ATO – O GOVERNO ( Romanos 13 : 01 – 07)
LUCAS : Não podia o quê!
Bom, ao menos não sobrou força da natureza que não levasse uma parte, eu sei é de uma coisa, eu é que não devo nada pra ninguém.
GOVERNO : Acaso O senhor é Lucas da Silva Avaro !
LUCAS : Sim sinhô, e voismecê, qual a sua graça.
GOVERNO : Bom, meu nome é César Augusto, represento o Governo e vim cobrar-lhe os impostos ( plural metafônico).
LUCAS : Aí ! Mas que raio de imposto eu lhe devo ( fala com “o” fechado )
GOVERNO : Impostos não, impostos ( fala com “o” aberto )
LUCAS : E ainda quer me ensinar a falar brasileiro correto ?
GOVERNO : Brasileiro não, português ! Mas para de me enrolar e dê-me os tributos, que são os seguintes ( abre um rolo quilométrico com uma lista de impostos) :
Imposto Rural, Imposto de renda, I.C.M.S., C.P.M.F., I.O.F., I.P.T.U, I.P.V.A, Etc...
LUCAS : Aí meu santo, e agora. Dá ao governo tudo o que tinha, não lhe sobra nada.
Lucas começa a murmurar e pede socorro :
Deus bendito me ajude ! O senhor pode me ouvir
SEXTO ATO – O CRIADOR ( Gênesis 01 : 01- 12 )

O CRIADOR : Claro meu filho, eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.
LUCAS : Eta butina, vai me dize que o sinhô é Deus.
O CRIADOR : Na verdade, eu sou. Vim socorrer você meu filho amado.
LUCAS : E quê que eu faço, me levaram todo o dinheiro, que eu ganhei com o suor do dia ínterim ... ( é interrompido)
O CRIADOR ; É, eu sei com suas próprias mãos até vê-las sangrar e blá,blá,blá.
LUCAS : E não é que o senhor sabe mesmo.
O CRIADOR : Todo mundo sabe Lucas, de tanto que você fala isso por aí. Mas eu já enviei alguém para sangrar por você e por toda a humanidade.
Também já ensinei como fazer para que o devorador não consuma o fruto do seu trabalho, está no livro de meu Profeta, Malaquias.
LUCAS : Então me ensina logo Deus do céu.
O CRIADOR : Ora lucas, eu já o venho ensinado há anos, enviei minha serva Zumira, sua esposa para preparar-lhe o campo e espalhar a semente da prosperidade.
LUCAS : A Zumira, o chente, mas a muié só sabe ir na Igreja e ainda quer dá meu dinheiro pros Pastor.
O CRIADOR : Bem lucas, é melhor ouvi-la a partir de hoje, diga-lhe que eu mandei que ensinasse você o que está em Malaquias 03: 10. Até breve meu servo amado.
LUCAS : Ô, mas larga a mão de ser besta, chamo ele pra me ajuda e ele além de quere me fazer de servo, ainda que levar meu dinheiro pros Pastor.
Mas já que ele conhece a Zumira, ela vai te que me explicá essa história direitinho, tim tim por tim tim. (Começa então a gritar por sua esposa).
SÉTIMO ATO – ZUMIRA, A ESPOSA ( Gênesis 02:18 )
LUCAS : Zumira, Zumira, vem cá muié.
ZUMIRA : Mas que pasmeira é essa homem de Deus, porque me gritas como o mundo tivesse acabando ?
LUCAS : Muié, o negócio é o seguinte daonde que ocê conhece esse tal de Deus, nem vem com história que ele já te dedurou, eu vi ele bem diante dos meus zóios, ele brilhava e os olhos deles era como fogo e seus cabelos era brancos, da cor da neve.
ZUMIRA : Olha homem, de que cor que era a que você bebeu ?
LUCAS : Num se embesta comigo, muié. Eu vi e se ocê quer saber, eu vou é largar de ser munheca, canguinha, unha de fome e vou é ir pra igreja falá com o Pastor Anísio pra orá pra mim, pra mó de deus me dá o perdão e tem mais, vou plantar tudo de novo, e vê o suor descer na testa, o dia interim, o dia interim, com minhas próprias mãos até vê-las sangrar.
ZUMIRA : Mas e depois que ocê colher, que que ocê vai fazer com o dinheiro homem ?
LUCAS : Ora muié, eu sô jeca, mas num sô bobo. Desta vez vou pedir oração pro Pastor Anísio, pra dá um pé na jaca do tar de “devorador”.
Adispois eu vou entregar meu dízimo, que Deus me disse que a Igreja Batista lá dos cafundó de Vespasiano, tá precisando de crescer e manter a obra.
ZUMIRA : Uai ! homem num é que ocê só pode ter se encontrado com Deus, que só ele, mas só ele pra derreter esse seu coração de pedra e amaciar essa sua mão de vaca.
LUCAS : num é que é, inté Zumira, eu vou correndo fazer minha missão antes que Jesus volte e me aje com o tar de talento interrado no campo.
DERRADEIRO ATO ( II CORÍNTIOS 9 : 06 )
Zumira começa a falar para a Igreja sobre a obra e o chamado que deus tem para cada pessoa e ainda como a Igreja depende da fidelidade dos membros no tangente aos dízimos e ofertas. Espera-se que através da oração e intercessão dos membros a obra possa crescer, em tudo dando graças conforme o que o criador nos proporciona quer no labor cotidiano quer no acalanto de nossos lares, sejamos cônscios de que por intermédio de Jesus, hoje somos salvos e doravante como ele imaculados.
Que cada um possa contribuir segundo a grandeza de sua colheita.
ZUMIRA : Olha gente, na verdade eu sabia que Deus falou com ele, só era difícil de acreditar que ele cedeu, mas eu venho orando a cada dia nos últimos 15 anos, para que o Lucas, se rendesse ao senhor, cada um tem uma missão, pode ser como contribuinte, ou como intercessor em oração ou até mesmo indo e espalhando o evangelho de Jesus, “levando as boas novas”.
Cada qual contribua segundo aquilo que propuser no seu coração, não com tristeza, pois Deus ama quem dá com alegria.
Na verdade Deus quer que cada um passe sua mensagem, bem ! hoje passamos a nossa e você ?( Todos entram em cena e falam a última frase).
 
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