LAVRADORES DO SERTÃO - em cordel

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LAVRADORES DO SERTÃO - em cordel - Teatro Cristão No árido sertão vivem dois casais, a terra está seca, as almas secas, reclamações e vontade de desistir é o que há.
De repente tonhão deixa de ser reclamão e passa a ter esperanças. Ele aceitou Jesus Cristo e deposita suas esperanças nEle.

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Personagens: 5
Cenário: Folhas secas no chão e um pouco de terra. E ramos secos enroscados nas pilastras. 1 enxada.
Figurinos: Roupas bejes e/ou com detalhes marrons para Zé e sua esposa (Cores apáticas), roupa bege,mas com detalhes alegres nas roupas de Tonhão e sua esposa (já tem nova vida), e uma roupa bege bem nordestina com muitos detalhes coloridos para a narradora. Alguns podem usar chapéus de cangaceiro e outros de palha!
Iluminação: Predominante amarelo e laranja.
Maquiagem: Opaca com marcas de expressão em Zé e sua esposa. Mais clara e rosada em Tonhão e sua esposa. E bem matuta e colorida ou no estilo clown para a narradora!
Obs.: O texto escrito está propositalmente com erros ortográficos para promover uma inspiração maior na composição da linguagem dos personagens.
NARRADORA:
Vosmecês, meu povo Kaleo (Essa peça foi feita para a Ig. Kaleo de Olinda,  mas poderá ser substituído por “do céu”)
Que tanto Jesus ama
Hoje vim contar um cordel
Pois sou uma matuta que declama.
Venho por essas estradas
Contando causos demais
E hoje tô agoniada
Para lhes contar um a mais
Mas dentre essa galeria
De tipos do meu sertão
Vou lhes contar com alegria
Uma história de meus irmãos
Atentem no que irão ver
Pois vai tocar seu coração
Se assim é o seu viver
Deus vai fazer uma transformação
A história é de dois agricultores que moravam no sertão
Um se chamava Zé e outro era Tonhão
Toda manhã antes de sair
Tonhão parava pra Orar
Pendindo a Deus para a chuva logo vir
E tudo melhorar
CENA 1*
Já o Zé
Pode até orar
Mas sem fé
A Deus é impossível agradar...
CENA 2**
(mostra 2 cenários: de um lado um casal (Tonhão e sua esposa) em pé de mãos dadas e de cabeça baixa orando e o outro casal (Zé e sua esposa) os dois em pé cada um orando sozinho com seus trejeitos e religiosidade)
*CENA 1 (ACONTECE DEPOIS QUE A NARRADORA CONTA A PENÚLTIMA ESTROFE)
TONHÃO: Bom, muié, vou lá preparar a terra pru mode quando a chuva vim teja tudo preparado! Mais tarde eu vorto!
ESPOSA: Tá bom marido, vá com Deus!  Inté!
TONHÃO: E tu firque com Ele! Inté!
(TONHÃO dá um beijo na testa da mulher e sai de cena e a esposa se ajoelha e ora) Enquanto isso.
**CENA 2 (QUANDO A NARRADORA FALA “JÁ O ZÉ...”)
ZÉ: (acaba de rezar e se senta na cadeira e grita) “MULÉ TRAZ UMA PINGA AÍ”
ESPOSA: Mai Zé, tu vai cumeçá a beber? Porque tu num vai na roça ajeitar as coisa lá?
ZÉ: Que már criação é essa, muié?!Deixa de bestagem! Tu num sabe que num chove fai tempão, e eu vô perdê tempo naquela roça?! Se vier a chuva eu preparo, SE... visse?! Agora trata de pegar minha branquinha!!
ESPOSA: Mai Zé, a gente acabou di rezar e...
ZÉ: Eita que tu num vai parar de me inchê hoje, né, eu vou sair...
ESPOSA: Tu vai onde, Zé?!
ZÉ: Vô tomá minha pinga despreocupado...aff...
(Zé sai pelo meio e a mulher fica cabisbaixa, apagam-se as luzes.  E saem de cena.)
CENA 3
(Tonhão arando a terra com a inchada avista  ZÉ e fala)
TONHÃO: Bão dia, Zé! Tudo bão cum você?
ZÉ: Só se foi bão prôcê, porque pra mim mermo já cumeçô mar!
TONHÃO: Eita, Zé! O dia tá tão bunito! O que que aconteceu?
ZÉ: Ow, tá uma belezura mermo...(fala irônicamente). A mulé já cumeça a inchê o juízo e essa chuva que num vem nem cá mulesta pra aguar as danadas das pranta...daqui a pouco num tem mai nada pá cumê... 
Ei, cabra, purque tu tá arando essa terra seca? Homi, tu num sabe que daí num sai nada se num chuvê!
TONHÃO: Ah, Zé, to preparando a terra, pá quando a chuva chegar já tá pronta, e eu sei que ela vem!
ZÉ: Tu tá é abilolado...tu esquecesse onde tu mora, é?! Tu mora no sertão, homi, onde só tem terra dura e seca, onde nada dá, e é tão quente que nem o diabo quer pisar... num sei nem como a gente ainda tá vivo inté hoje! Ninguém qué saber desse lugar não, nem o governo,nem ninguém....
TONHÃO: Mas eu conheço arguém que quer saber da gente e vai nus ajudar...
ZÉ: Só não me diga que é...
TONHÃO: Jesus Cristo!! É Ele sim, Zé! Ele vai mudar nossa história, você vai ver, mai é preciso crer pá puder ver!!
ZÉ: Homi, faz tempão que peço chuva e nada acontece... Ele se esqueceu de nóis tudo!
TONHÃO: Ele nunca esquece de nós, Zé, nós é que se esquecemo dEle.  Ocê num tá confiando que Ele vai mandar, tá aí sempre reclamano e nunca agradeceno, e nem confiano, né?!
ZÉ: É eu tenho notado que tu mudou muito, Tonhão. Tu tá mai despreocupado, mai alegre e tá diferente. O que que aconteceu?
TONHÃO: Conheci Jesus e Ele me transformou.
ZÉ: Transformou? Como assim?
TONHÃO: É Zé, quando aceitei Jesus como Sinhô da minha vida, Ele começou a mudar tudo em mim...
É como essas ervas daninhas aqui ó...tá vendo?!
Faz de conta que essa terra todinha seja eu, seja minha vida e que essas erva daninha sejam meus pecado, se eu num tirar elas, vai acabar com minhas prantação, e num vou colher meus fruto, eles podem até nascer, mar vão nascer tudo pôde e num vou puder me sustentar por muito tempo, e  vou acabar morrendo!
Então, quando aceitei Jesus como sinhô da minha vida, ou, das minha terra, Ele começou a me ensinar como tirar essas ervas e faz crescer frutos bão pá eu viver bem e feliz!
É tão bão, ocê devia experimentar!
Ele transformou minha terra em terra fértil!!
E vai fazê a merma coisa com essa terra aqui ó...ela pode tá sequinha, mai Ele me disse que vai mandar chuva...tô inté vendo uma nuvem ali ó... Eita, vô avisá a minha muié, ela vai de ficar tão filiz!!
Eita Deus bão e fiel!!Brigado Jesus!! Ow grória! (e vai saindo de cena)
(ZÉ fica olhando pra o lado que TONHÃO apontou como se quisesse ver essa nuvem, mas não conseguisse, e fala:)
ZÉ: Eita, que o vizinho tá é doido, onde que ele tá vendo essa tár nuvem... oxi, será qui é aquele pontinho branco ali?!Mai deve de ser um pássaro... (olha mais um pouco) vixe... mai se for mermo chuva?! (pensa um pouco)  Oxi, é nada.... eu vou é me borá daqui...
(apagam-se as luzes)

CENA 4

Aparece no telão um vídeo de chuva caindo. E em seguida:
ZÉ: (Aparece correndo) Eita que tá chovendo mermo...vixe...már né que o cumpadi tava certo mermo...
Ai meu Jesus Cristo, me perdoe, eu te quero como Sinhô de minha vida também!
Me ajuda, eu quero que o Sinhô faça na minha vida a merma coisa que fez na vida do cumpadi!
(Ajoelhado chora)
(TONHÃO e a esposa entram muito felizes vendo aquela cena e lhe entregam uma bíblia, a esposa de TONHÃO puxa as mãos da esposa de ZÉ e se abraçam, ela abre a bíblia como se tivesse lendo e os quatro saem como se tivessem indo a igreja)
NARRADORA:
A chuva logo desceu
E uma nova história se cumpriu
Como Jesus prometeu
Uma nova vida surgiu
Mas antes de dizer fim
Preciso te falar
Que Jesus disse pra mim
Para eu te avisar
Que agora é a sua vez
De escolher que caminho andar
Então decida de uma vez
A Jesus se entregar!
Entrega teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará” Sl 37.5

 

Autor da obra: Espírito Santo
Instrumento: Jana Carvalho
Baseado num trecho do filme Desafiando Gigantes ,na história dos dois agricultores.

 

Caso de dúvida sobre a peça entrar em contato no e-mail nformando o título da peça.

Ilustração de Rogers Alberto

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