HOJE

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Na sala de redação de um jornal, um dos trabalhadores é salvo. Ele expõe sua preocupação com a vida espiritual dos demais, e sofre o preconceito e zombaria por isso. É sua intenção publicar uma matéria falando sobre a implantação de CHIPs em humanos(Que ele entende ser o sinal da besta).
Em meio a atritos, gravidez de uma colegas, demissão... O ARREBATAMENTO.
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Proposta: Apresentando como cenário físico e psicológico uma redação jornalística, esta peça propõe ao espectador um constante jogo de informações e “desinformações”, uma troca de palavras e ações que ora afirmam, ora contradizem ora complementam umas às outras, numa sequência quase caótica onde o pós-moderno se revela através de personalidades díspares e contrastantes presos em um espaço de trabalho. Enquanto Douglas precisa firmar uma posição entre uma vida com Deus ou com o mundo, entre a sátira e a solidariedade com o outro, entre o desleixo com a própria vida e a seriedade que a situação do arrebatamento lhe exige; Nelson aparenta-se bem decidido, mas encontra o conflito de seus amigos de trabalho Adelaide e Shirlene, que, dedicando-se a vidas, respectivamente, despreocupadas e excessivamente preocupadas com o futuro, pouco parecem aprender com as experiências que a vida lhe traz; e Almeida preocupa-se somente com o futuro imediato, onde ele aparenta-se poderoso diante dos outros: ele mesmo controla seu tempo, suas ações e crê-se centro da redação jornalística, seu próprio universo. Todos eles se deparam com uma nova realidade, onde o espaço físico e o tempo não aparentam estar sob seu controle, onde Deus se revela mais poderoso do que qualquer palavra, ação ou pensamento que eles possam engendrar para salvar suas vidas.
 
Trilha Sonora 1 – (Mudança de Estação / VHT Arrebatamento / Mudança de Estação / Onde está? / Mudança / VHT Arrebatamento – parte 2 / X-Men Techno Remix)
 
DOUGLAS: (entrando) Quando a gente ouve falar em Apocalipse, chega a dar um frio na barriga! A gente tem medo do futuro, tem pavor só de pensar que pode pagar por tudo o que a gente fez. Hoje vai ser o dia do Arrebatamento, o dia em que Deus vai levar todo mundo que creu na sua Palavra e cumpriu seus mandamentos. A gente não sabe disso ainda. Mas saberemos logo mais... Da pior maneira possível! (sai)
Entram Almeida, Douglas, Adelaide, Shirlene e Nelson, trazendo uma mesa grande e a posicionam no centro do palco. Cada um deles irá assumir uma posição à mesa (subindo, sentado, embaixo, etc. que será sempre mudada quando um personagem terminar de falar)
ALMEIDA: Meu nome é Almeida e eu comando o Jornal do Futuro, onde reinam a bagunça e o caos. Sento na melhor cadeira do mundo e me orgulho disso. Ou vocês me aguentam ou rua!
ADELAIDE: Eu sou Adelaide e cuido das fotos daqui do Jornal. Minha vida sempre foi nos palcos, nos agitos. Olha, eu não dou a mínima pro que falam de mim. Pra mim, tudo isso é despeito!
SHIRLENE: Eu sou Shirlene e cuido da parte visual do Jornal do Futuro. Sou uma pessoa muito zen, muito ‘paz e amor’. Estou sempre tentando adivinhar o futuro dos outros, e esquecendo do meu!
NELSON: Eu sou Nelson e cuido da maior parte das matérias do Jornal do Futuro. Sou cristão e vivo numa guerra eterna com meus amigos, que não aceitam a verdade: Jesus voltará!
DOUGLAS:E eu sou Douglas. Divido matérias com Nelson e namoro com Shirlene. Vivo numa tortura terrível: aceitar a Jesus ou continuar na minha vida mundana. É esse o dilema que todos nós viveremos hoje... Assim como você!
 
Saem e trazem os outros objetos para colocar em cima da mesa (teclado, biscoitos, porta-lápis, pranchetas, cadeiras giratórias, etc). Douglas fica em cena, cochilando em cima do teclado, enquanto os outros saem. Trilha acaba. Adelaide entra e vê Douglas dormindo. Dá uma risada e resolve tirar uma corneta da bolsa.
ADELAIDE: (entrando) ‘Recife é festa Recifolia / Você faz parte da minha alegria”(sopra a corneta) ‘Esse teu jeito é que me contagia” (continua a música)
DOUGLAS:(acorda e olha em volta, irritado) Adelaideeeee!
ADELAIDE: Ah, tu tava dormindo, Douglas? Desculpa, nem percebi!
DOUGLAS: Não diga! Tão santa você!
ADELAIDE: Ah, claro! ‘Com cerveja’! (fala num ritmo mais rápido) Sou remida e lavada pelo sangue de Jesui!
DOUGLAS: Amém!
ADELAIDE: Você tava fazendo o quê ontem para ter esse sono todinho? Aproveitou bem o fim de semana, né?
DOUGLAS: Não, fia. Fiquei trabalhando naquela matéria que Nelson pediu pr’eu fazer! (pega umas folhas na mesa) Olha essa bexiga aqui!
ADELAIDE: ‘Afe’! Deus me livre trabalhar no fim de semana! Domingo pra mim é dia de brega no Bar da Tripa!
DOUGLAS:Deixa essa vida, Adelaide! Deixa essa vi-DA!
ADELAIDE: É ela que não me deixa, Douglas! Eu quero é farra!
NELSON: (entrando) Douglas! Já colocasse a matéria dos chips na página?
ADELAIDE: (cantando bem alto e fazendo coreografia) ‘Jesus Cristo! Jesus Cristo! Jesus Cristo, eu estou aqui!’
NELSON: Cala a boca, Adelaide!
ADELAIDE:Hum, Nelson, que é isso? Eu pensei que tu gostasse de falar de Jesus. Nunca vi tão fanático!
NELSON: Fanático, não! Só porque eu escolhi uma vida diferente da tua, não quer dizer que eu seja fanático!
ADELAIDE: Tá bom, não tá mais aqui quem falou! (pega um biscoito em cima da mesa e começa a comer)
NELSON: E aí, Douglas, colocasse a matéria?
DOUGLAS: Nelson, eu juro que dessa vez eu tentei... mas foi o sono que não deixou, ‘rapá’!
NELSON: Deixa eu revisar, então, que eu coloco agora! (senta e começa a ler)
SHIRLENE: (entrando) Dougliiiinhas!
ADELAIDE: Uh-uh!
SHIRLENE: Amo-or, já sei o que a gente vai comer hoje à noite!
DOUGLAS: (finge um bocejo) Shirlene, dá um tempo, tá? A gente nem almoçou ainda, você já tá falando em jantar? (fala com irritação) Não me chateia, não, visse? Fiquei até três da manhã fazendo essa bendita matéria sobre implante de chips e globalização.
NELSON: Brasil é com ‘s’, não com ‘z’! E muito menos com ‘u’! Me dá aqui esse corretivo! (pega um corretivo na mesa)
DOUGLAS: Como eu dizia, (olhando pra Nelson) SHIRLENE, eu não tirei o atraso do sono ainda! Deixa pra amanhã!
SHIRLENE: Mas a gente podia comer naquele restaurante hare-krishna, amor!
DOUGLAS: Olha aqui, Shirlene, eu não tô muito a fim de comer grama e soja hoje! Tá entendendo?
ADELAIDE: Que crueldade, Douglas! Faz isso com ela, não! Olha a cara dela de cão sem dono! (Shirlene faz uma cara triste)
DOUGLAS: Tá, tá, eu vou!
NELSON: Ei, que história é essa, Douglas? A gente vai precisar revisar esse texto pra colocar hoje na coluna! Tem um bando de coisa errada!
ADELAIDE: Tu vai atrapalhar os pombinhos, só por causa da sua matéria, cheia de esquisitices?
NELSON: Pra começo de conversa, não é ‘matéria de esquisitices’! É uma relação de fatos que estão levando o mundo pro Apocalipse!
ADELAIDE: Ih! Começou com as profecias!
SHIRLENE: Não vem não, visse, Nelson! Já tô cansada de ouvir essas tuas baboseiras de que implante de chip é coisa pra dominar a gente. Isso vai facilitar tanto a vida de todo mundo!
ADELAIDE: Principalmente a minha, né? Não vou precisar andar com cartão de crédito nem identidade. Quando estiver na Riachuelo, vai ser só pedir pra alguém scannear a minha testa ou a minha mão que vai tá tudo certo!
NELSON: Mas é isso que a Bíblia diz. Que o número da besta vai ser colocado ou na mão direita ou na testa. Tomem cuidado com essas tecnologias, minha gente!
SHIRLENE: E, Nelson, Almeida vai saber quando dessa tua matéria?
NELSON: Bom, vai saber quando a matéria estiver lá.
SHIRLENE: Oh, que bonito, sr. Pastor! Mentindo pro chefe! Espere até Deus saber disso!
NELSON: Eu não tô mentindo. Ele vai saber da verdade, só que junto com os leitores. A gente tem que fazer certas coisas pra fazer a verdade florescer, minha gente!
ADELAIDE:Que lindo pra sua cara! Quando vê depois, tá ele no culto, cantando:
Adelaide e SHIRLENE: ‘Grória, Grória, Aleluuuuia! Grória, Grória, Aleluuuuia! Grória, Grória, Aleluuuuia! Vencendo vem Jesui!’ Ha, ha, ha!!!!
DOUGLAS: Minha gente, bora parar, por favor! Aqui é um ambiente ‘família’! Não é lugar pra briga desse tipo!
ADELAIDE:Arrrssshhhh! E por que não?
SHIRLENE: Tu gosta dessas ‘baixaria’, né, minina?
ADELAIDE: Nem me fale, fia. Tu precisava me ver no brega que eu fui no sábado. Dá um help aí, Douglas! (Douglas batuca na mesa e ela começa a dançar feiosamente)
DOUGLAS: (cantando) Ta, tum, tata tum! Ta, tum, tata tum!
Adelaide tenta dar um passo, mas escorrega no chão e cai.
NELSON: (rindo) Tá vendo? É isso que dá zombar da palavra de Deus!
SHIRLENE: Cala boca, Nelson! Ajuda aqui! Tu num sabe que ela tá grávida?!
NELSON: Grávida? E ela sabe quem é o pai?
DOUGLAS: Eita, tirou onda!
ADELAIDE: Ha, ha, ha. Muito engraçado, sr. Profeta! Rir da desgraça dos outros é muito bom!
NELSON: Você começou, Adelaide! Tome seu rumo!
ADELAIDE: (irônica) Tá certo, eu vou tomar! Até mais! (sai, irritada. Shirlene vai atrás)
DOUGLAS: Deixa disso, Nelson. Tu sabe que Adelaide é assim mesmo?
NELSON: Já tô cansado disso, Douglas! Essa criatura sabe que eu não gosto disso e fica me fazendo de idiota!
DOUGLAS: Sabia que ela gosta de você? (pega um biscoito e começa comer)
NELSON: Tá, para com essa tua palhaçada também que eu não tô muito bem.
DOUGLAS: (rindo) É sério, pô! Ela só não sabe disso ainda, mas tudo o que ela precisa é de um amigo que faça as coisas certas, que nem tu. Um cara que ajude ela a se consertar...
NELSON: Tu acha?
DOUGLAS: (fala com um biscoito na boca) Tenho certeza, meu amigo! Certeza!
NELSON: Mas eu sou chato pra caramba! Comigo é tudo na ignorância, não vai dar certo!
DOUGLAS: Você vai precisar de paciência com ela. Gritaria não ajuda em nada, meu amigo... Que nem aquele culto que tu resolveu me chamar pra ir. Ô culto chato! Aquele pastor não precisava gritar na minha cara daquele jeito.
NELSON: É. Eu te entendo.
DOUGLAS: Às vezes, a gente que é “do mundo”, como vocês tem mania de chamar, quer ouvir um “Jesus te ama”, uma coisinha mais calorosa, e não (exagerado) ‘Você vai pro inferno’!
NELSON: Pois é, a gente da igreja às vezes quer fazer alguém aceitar a Jesus porque tem urgência disso, sabe que Jesus vai voltar logo, Douglas!
DOUGLAS: Mas isso Ele disse há anos, Nelson! Tu acredita mesmo nisso?
NELSON: A gente não sabe nem o dia nem a hora, Douglas! É bom ficar sempre atento!
DOUGLAS: Bom, e voltando àquele assunto, quando tu vai te resolver com Adelaide, então?
NELSON: Vou tentar tratar ela diferente! Quero que ela encontre a Deus antes de qualquer coisa! E tu, quando vai levar Shirlene lá na igreja?
DOUGLAS: Rapaz, tá meio complicado! Sabe como é, né? Ela vive naqueles templos cheios de incenso, de um povo meio estranho! E ainda tem mania de ficar adivinhando futuro dos outros!
NELSON: Faz uma forcinha, Douglas!
DOUGLAS: Vou fazer o possível, né?! Mas tu sabe que eu sou meio dividido. Eu não sei se ouço a voz de Deus ou se continuo com a minha vida do jeito que ela tá!
NELSON: Pensa a respeito!
ALMEIDA: (fora de cena) NEEEELSOON!
DOUGLAS: Eita, chegou o home’! (ajeitam a mesa, que estava todo desarrumada)
ALMEIDA: (entrando) NEEEELSOOON!!!!!
NELSON: Sr. Almeida, tudo bem?
ALMEIDA: Quase nada!
NELSON: Por que, sr? Alguma coisa que eu possa ajudar?
ALMEIDA: Sim, claro. Um de seus colegas me passou a informação de que você tem intenção de publicar uma matéria sem minha autorização! Isso é verdade?
NELSON: Como assim, sr. Almeida?
ALMEIDA: Eu soube que você vai colocar um artigo falando mal do implante de chips em seres humanos e da globalização, dizendo que são coisa do diabo!
NELSON: Não, não é nada disso, sr!
ALMEIDA: E como você me explica isso?!
NELSON: A matéria que vamos colocar sobre chips é essa. Mas não fala nada sobre religião! Fala sobre como seremos manipulados pelos “dominadores” deste mundo...
ALMEIDA: (interrompe) Eu não quero mais saber! Trate de pegar suas coisas e ponha-se daqui pra fora!
NELSON: Mas, sr Almeida...
ALMEIDA: Aqui você só escreve o que eu mando, Nelson! Se quiser escrever o que você quer, trate de procurar outro emprego! (sai. Entra Adelaide, ajeitando o cabelo)
ADELAIDE: (cantarolando música de A Pantera Cor-de-Rosa) Da-ran-da-ran! Da-ran-da-ran! Da-ran-ran-ran-ran-ran-ran-ran-ran! (vê que Nelson a encara com raiva) O que foi? (apontando para si mesma) Já achou?
NELSON: Foi você, né? Tinha que ser! Tava demorando!
ADELAIDE: Pois é, filhinho! Fui eu mesma! E daí? Vai fazer o quê agora?
NELSON: (olha pra Douglas, pensa e fala calmamente) Olha, Adelaide, normalmente eu agiria diferente. Mas, agora, eu só queria saber o que você tem contra mim! Desculpa se eu te fiz algum mal. Não é isso que Deus quer pra vida da gente. Eu quero ver você feliz. É isso que Deus também quer. Até mais. (sai)
ADELAIDE: IIhhh! Qual foi a dele, hein?
DOUGLAS: O que tu fez, Adelaide, terminou fazendo ele ser demitido.
ADELAIDE: Que mentira!
DOUGLAS: Tá certo, se você não acredita...
ADELAIDE: É verdade mesmo? Eu não acredito que Almeida fez isso!
DOUGLAS: Mas fez!
ADELAIDE: Mas não era isso que eu queria! Eu pensei que ele só ia cancelar a matéria! Eu vou falar com Almeida agora! (sai, esbarrando em Shirlene)
SHIRLENE: (entrando) O que deu em Adelaide, hein?
DOUGLAS: Fez com que Nelson fosse demitido!
SHIRLENE: Mentira! (senta-se à mesa e começa a comer um biscoito)
DOUGLAS: Verdade!
SHIRLENE: Ela é doida! E ele, cadê?
DOUGLAS: Deu uma saída, né?! Pra espairecer um pouco! Mas eu acho que ele volta mais tarde pra pegar as coisas dele! (pausa) Mas, Shirlene, eu só tô pensando no que vou fazer com aquela matéria...
SHIRLENE: Tu tá pensando em publicar, né?
DOUGLAS: Pois é, Shirlene! Almeida e os amiguinhos empresários dele precisam ouvir algumas verdades!
SHIRLENE: Não te mete nisso, Douglas! A gente sabe que isso é briga de gente grande!
DOUGLAS: É por causa disso que a gente é “dominado” por eles, Shirlene! Por ficar calado assim que nem tu!
SHIRLENE: Tu tá muito estranho, Douglas!
DOUGLAS: Eu tô revendo meus conceitos, Shirlene! To querendo fazer o meu próprio futuro! Num quero mais saber dessas tuas “previsõezinhas”, não!
SHIRLENE: Afff! (levantando, irritada) Quer almoçar? A gente pode conversar melhor. (saem)
DOUGLAS: Tá certo.
ADELAIDE: (entrando com Almeida) Mas não era isso que eu queria, Almeida!
ALMEIDA:Veja só, Adelaide! Aquele sujeitinho não me deu opção! E quem manda nessa espelunca sou eu!
ADELAIDE: Mas você tem que deixar ele ficar! Ele é o melhor na função dele! (pausa, um pouco pensativa) Sem falar que trazia um pouco de paz pra gente...
ALMEIDA: Sim, Adelaide! Se te importa tanto com ele, porque veio me dedurar o que ele fez?
Trilha Sonora 2 – Acidente de Carro
 
ADELAIDE: Ah, era só pra dar uma lição nele... (ouve o barulho do acidente) Meu Deus, o que foi isso?
ALMEIDA: Não sei!
ADELAIDE: (depois de ir olhar na janela) Meu Deus! O carro de Nelson bateu em alguém aí na frente!
DOUGLAS: (entrando com Shirlene ensanguentada Nelson dizia. Esse negócio de implante de chips, essa “união de todas as nações” - que vai concentrar o poder nas mãos de uma pessoa só - e... esses rumores de novas guerras a cada dia, Almeida! Tudo isso já tava escrito!
ALMEIDA:Escrito por quem, Douglas?
DOUGLAS:Por Deus, Almeida! Por Deus!
ALMEIDA: (irônico) Ahhh, tu acha que Deus fez tudo isso? Deus não tem poder pra mais nada nesse mundo, não, Douglas! Ele já perdeu pro homem há muito tempo! A gente já consegue até criar outros seres humanos! Não existe limite pro que a gente pode fazer! Se Ele estivesse mesmo no comando, já teria se manifestado!
DOUGLAS: (vai pra cima de Almeida) E o que você acha que isso é?! Hã?! As pessoas que desapareceram, Almeida, eram próximas de Deus! Pastores, cristãos do mundo todo sumiram, Almeida! O que tu acha que isso é? É a gente que vai sofrer as consequências por tudo o que a gente fez! Por não ter acreditado a tempo!
ALMEIDA: Cale a boca, Douglas! Tu vai te arrepender de falar assim comigo!
DOUGLAS: Será que tu não entendeu ainda, Almeida? Não existe mais ‘eu’ nem ‘você’ aqui, não! Todo esse seu ‘poderzinho’ já acabou! A gente é igual agora, Almeida! A gente é igual! (sentam-se)
ENFERMEIRO: (entrando) Com licença, os senhores estão com a sra Adelaide dos Santos e com a sra Shirlene Andrade?
DOUGLAS: Sim.
ENFERMEIRO: Bom, tenho duas notícias.
ALMEIDA: Qual seria, dr?
ENFERMEIRO: Quanto à sra Shirlene, está em recuperação e sairá daqui a uns dias. Mas quanto à sra Adelaide...
ALMEIDA: O que houve com ela?
ENFERMEIRO: Não tivemos uma razão clínica para o que tenha acontecido, por isso é difícil explicar...
DOUGLAS: (levanta-se, irritado) Ora, rapaz! Diga logo o que aconteceu!
ENFERMEIRO: O filho que sra Adelaide esperava foi retirado de seu útero. Fizemos um ultrassom e não havia mais feto nenhum.
DOUGLAS: O que você me diz disso, Almeida? Ainda acha que não estamos lidando com Deus agora?
Almeida senta na cadeira e começa a pensar e a chorar. O Enfermeiro sai.
Trilha Sonora 5
LOCUÇÃO: “Eis que venho em breve! Bem-aventurado aquele que guarda a profecia deste livro. Quem é injusto, faça ainda sua injustiça: e quem está sujo, suje-se ainda mais. Quem é justo, continue na prática da justiça; e quem é santo, continue a santificar-se. Eis que venho em breve e encontra-se comigo o meu galardão, para retribuir a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Bem-aventurado aquele que lava suas vestes no sangue do Cordeiro para que tenha direito à arvore da vida, e entre na cidade pela porta. Ficarão de fora os cães, feiticeiros, impuros, homicidas, idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira. Eu, o Senhor, enviei o meu anjo para vos testemunhar este evento nas igrejas. Eu sou a raiz e a descendência de Davi, a flamejante estrela da manhã. O Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que ouvir, diga: Vem. Aquele que tiver sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida. Aquele que dá testemunho disso diz: ‘Certamente venho em breve’. Amém. Vem, Senhor Jesus”
 
Douglas e Almeida se abraçam. Douglas fica em cena, pensando no que virá pela frente. Sai, entristecido.

 

Diversos: