HAVERÁ NATAL PARA O ZÉ II

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Haverá natal para o zé?Zé, sem família, sem ninguém... vê a euforia da época natalina. Terá ele um natal? Que será o natal?

Baseada na peça "Haverá Natal para o Zé?" de autor desconhecido, com adaptações de falas e personagens. A cena 4 baseada em um episódio da série de televisão americana "The Big Bang Theory"Adaptada por: Miguel dos Anjos, formatação de texto: Sadraque Régis

 

 

Versículo chave: "Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade." 1 João 3:18

 
ATO I
CENA 1
Narrador começa a falar enquanto Zé caminha triste e devagar entre algumas pessoas estendendo a mão pedindo algum trocado.
NARRADOR:
Desde criança que o Zé ganhou as ruas. No começo chegou a engraxar sapatos para conseguir algum dinheiro, até que um dia roubaram seu material de engraxate e até hoje ele nunca mais exerceu algum ofício a não ser estender as mãos às pessoas que passam por ele diariamente apressadas e quase nunca o olham ou lhe dão importância. Todo fim de ano Zé vê as ruas e as lojas se enfeitarem com luzes coloridas, sinos, árvores enfeitadas, papais Noeis e coisas que imitam a neve por todo o canto, embalados por belas músicas natalinas. Zé um dia ouviu falar no Natal, não entendeu muito bem o que era... Essa podia ser uma época especial para todos, menos para o Zé.
Afinal sua fome não mudava. Zé mora num barraco, é analfabeto, não tem amigos, e hoje deseja descobrir o que é Natal.
Zé caminha e ouve
CAMELÔ: (Gritando de seu banco) Olha a boneca que chora, dá risada, chupa dedo e anda! Olha o rádio que pisca e solta faísca é 10 real. Olha o Papai Noel que canta, um é 3, dois é 5. Vamos comprar que o Natal tá chegando...
CRIANÇA: Mãe, compra esse Papai Noel que canta?
MÃE: Mas eu já comprei brinquedo pra pra você ontem!
CRIANÇA: Mas aquele carrinho nem canta! Compra?
MÃE: Eu não tenho dinheiro, já gastei ontem e tenho que comprar uma camisa para você usar na noite de ano.
CRIANÇA: (irritada, batendo o pé no chão) Mas eu quero esse Papai Noel que canta, porque o carrinho que a senhora comprou ontem não canta!
MÃE: Já testou ligar o rádio lá em casa? Ele também canta!
CRIANÇA: Mas ele não canta a musica que o papai noel canta. Eu quero esse papai noel que canta Jingle Bell pra eu mostrar pro Daniel!
MÃE: Tá, tá, tá bom! vou gastar o resto que tenho, mas você vai usar a mesma camisa do Natal no Ano Novo também, tá ouvindo?
Mãe e criança se dirigem ao camelô para comprar o objeto, enquanto Zé começa a falar
ZÉ: Será que já ganhei presentes? Ah, as moedas que alguns me dão é presente? Já ganhei alguns cobertores e roupas velhas também. Ah, já cheguei a ganhar uma sacola de comidas, alguns cobertores... Mas só me deram porque estavam com pena de mim! Presentes mesmo acho que nunca ganhei. Natal deve ser isso, mas eu não posso comprar presentes, então não tenho Natal.
Zé segue andando
NARRADOR: Coitado do Zé. Não sabe o que é Natal. Mas ainda está à procura do que é. Quem sabe ele consegue descobrir agora.
 
CENA 2
HOMEM BEM ARRUMADO (Conversam com alegria e entusiasmo) Pedro, meu amigo! Estou indo para o shopping agora encontrar meus amigos para fazermos as trocas de presentes do nosso Amigo Secreto. Depois vamos para uma festa na casa da Ana. Me diga se essa roupa caiu bem em mim!
AMIGO: (Falando com entusiasmo) Fechou com a minha cara! Vai arrasar com essa roupa, pode crer.
HOMEM BEM ARRUMADO Vou comemorar esse Natal tomando champanhe e tudo o que tenho direito.
AMIGO: Então feliz Natal, aproveita!
E seguem cada um em uma direção, se retirando da cena.
ZÉ: Ah, agora acho que entendi. Natal é festa, é por isso que enfeitam tanto as ruas e as lojas. Isso mesmo, na véspera do feriado vejo muito movimento nos supermercados, todos preocupados em prepararem suas festas. Mas eu não posso dar festas e nunca fui convidado para nenhuma, então não posso ter Natal.
E segue andando.
 
CENA 3
Maria e Ceça falam como que gritando, cada uma de sua casa, concentradas fazendo algum serviço doméstico.
MARIA: Bom dia dona Ceça!
DONA CEÇA:  Bom dia comadre, vi seu marido carregando um bujão ontem, já secou o daí foi? Mas num durou nem um mês?
MARIA: Oxe, e num foi! Cozinhei muito, virei até o bujão de cabeça pra baixo pra aproveitar o restinho pra ver se terminava os doces ontem.
DONA CEÇA: Pois eu também tenho trabalhado duro no fogão. Amanhã vem os filhos, as noras e a pirraiada toda pra cá.
MARIA: Sebastiana vem também? E ela não estava doente?
DONA CEÇA: Mas pra comer de graça na casa dos outros num tem doente que não se cure! O que você preparou aí?
MARIA: Fiz cuca, bolo merengue, bolachinha, peru e torta de chocolate. E você o que fez?
DONA CEÇA: Fiz rocambole, pão-de-ló, cuca da vovó, doce chinês, doce-de-leite, peru, e pernil. Daqui a pouco é meu bujão que vai secar.
MARIA:  Mas é bom fazer de tudo um pouco para comemorar o Natal. Vou começar a preparar um panetone pra inaugurar o bujão novo!
ZÉ:  Agora eu sei, sem dúvida, que Natal deve ser bolo, cuca, peru, doces, enfim, muita comida. Eu não tenho boa comida, então eu não tenho  Natal! Acho que vou embora se não minha fome aumenta aqui ouvindo essas coisas.
Segue andando.

 

 
CENA 4
Mulher arrumando a árvore de natal, enquanto Mário está enfiado nos livros no início da cena.
MULHER: Eu adoro decorar arvores de Natal, me faz sentir uma menininha de novo! Mário, não quer nos ajudar com a árvore? Que enfeite quer colocar?
MÁRIO: (Tira o rosto do livro, olha para a mulher, pondera um pouco e começa a falar) Não quero, mas se você faz questão eu peço que você inclua isto. (Mário pega o objeto pequeno pendurado numa argola, indicando o busto de Isaac Newton)
MULHER:  Que que é isso?
MÁRIO: Você está brincando, não está? É um busto de sir. Isaac Newton!
MULHER: (Falando com ar de desprezo) Ah claro, claro! Muito natalino!
MÁRIO: Espere aí, me desculpe mas ele é muito mais natalino que qualquer coisa que você pôs na árvore. Sir. Isaac Newton nasceu em 25 de dezembro de 1642 do calendário juliano.
MULHER:  (Com ironia) Feliz Newtonal a todos!
HOMEM: Eu sinto que isso não foi sincero, embora eu não saiba por quê.
MULHER:  Não, tudo bem. O sir Isaac Newton pode ficar aqui perto da bengalinha.
HOMEM: Não, sir Isaac Newton vai para o topo da árvore!
MULHER:  Não, não vai.
HOMEM: Já entendi, você discute o fato de que Newton inventou o cálculo infinitesimal e quer colocar Gottfried Leibniz no topo da árvore!
MULHER:  Ah cale a boca com essas suas teorias porque precisamos terminar essa árvore logo, ainda temos o restante das bengalinhas, os sinos, as bolas amarelas. Pega aquela caixa de estrelas ali...
ZÉ:  Bem, acho que agora estou conseguindo ligar as coisas. Tem gente fazendo compras de Natal, outras se arrumando, outras preparando comida e agora enfeitando a árvore de natal. Mas isso tudo vai onde, como e quando?
NARRADOR:  Pobre do Zé... ainda não conseguiu descobrir o que é Natal. Zé não recebe presentes, não é convidado para festas, não tem boa comida e talvez jamais verá uma árvore de natal no seu barraco. Está triste e desanimado sem saber o sentido do Natal.

 

 

 
CENA 5

 

Entra em cena um grupo de cinco a seis jovens, entre eles Luma. Os jovens se posicionam em círculo e fazem gestos indicando que estão  conversando animadamente. Luma percebe Zé triste e solitário, com um gesto aparenta pedir licença e se afasta do grupo de amigos indo em  direção a Zé.
LUMA:  (Luma se aproxima devagar falando com Zé, que quando começa a ouvir sua voz se vira lentamente para trás e vê Luma.) Olá, quem é você? Por que está tão triste em dia de Natal?
ZÉ:  (Falando pausadamente) Não tenho alegrias, não tenho nada de Natal, não tenho amigos...
LUMA:  Eu posso ser sua amiga se você quiser, e você pode passar o Natal comigo.
ZÉ:  O Natal... Mas o que é Natal?
LUMA: Natal é nascimento de Cristo.
ZÉ: Mas os presentes, festas, comidas, árvores enfeitadas...
LUMA:  Na minha casa também há presentes, festa, comidas e árvore de natal por ser tradição. Mas o mais importante é não se esquecer o verdadeiro sentido desta época do ano. Não esquecer que Jesus veio ao mundo para cumprir uma missão especial e escrever a mais linda história de amor da humanidade, pagando o preço pelos nossos pecados.
ZÉ: Ninguém nunca me deu tanta atenção assim antes.
LUMA: Mas aquele que diz que diz estar com Cristo e não ama a seu irmão, na verdade está em trevas. (pausa) Se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós. Venha, vamos festejar o nascimento de Cristo conosco!
O narrador encerra enquanto Zé e Luma permanecem abraçados.
NARRADOR:  Que bom que Zé descobriu qual é o sentido do Natal, e enfim, encontrou alguém que lhe deu atenção e carinho! Que não amemos as pessoas apenas em palavras, mas em atitudes.
 
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