HÁ LIBERDADE NA PRAÇA

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HÁ LIBERDADE NA PRAÇADrogas, envolvimentos, violência, tráfico!

Disputa pela boca!

Zombaria com os crentes...

Carlos que estava envolvido com o ponto de tráfico e por conta disso quase foi morto, ouve falar de salvação e muda de vida...

PRIMEIRO ATO
 
CENA 1
 
A turma já está na praça quando Beto chega trazendo a droga. O grupo de jovens desalinhados e exaltados conversam, alguns fumam. Comentam a chegada do Beto.
 
BETO: Aí galera, to na área.
 
SAPINHO: Trouxe o bagulho, Beta? (pergunta com aflição, com a voz sufocada, tentando disfarçar a expressão dessa pessoa, é acompanhada por todo o grupo).

 

BETO: Claro que trouxe. Alguma vez deixei vocês na mão?
 
TODOS: Não, Beto, que isso, imagina...
 
BETO: Vocês sabem muito bem que podem contar com o papai aqui. Ta aqui, toma, mas é bom que não se esqueçam que eu não faço nada de graça, aqui é toma lá da cá. E vocês sabem que não falo de dinheiro...(Fala em tom sarcástico, chegando-se para uma das garotas).
 
CARLOS: Também, para que dinheiro? Por essa porcaria aí, esse pessoal faz tudo pra você... (Fala com ironia e revolta)
 
BETO: Pois é, Carlos. Fazem de tudo mesmo. Mas vê, pergunta se não estão gostando, aliás, você é sempre o único que reclama.
(Flávia aparece na praça. Todo o grupo se despeça. Beto sai para falar com ela. Enquanto isso Carlos começa a tocar violão. O grupo se aproxima.
Beto continua com Flávia por um pouquinho mais de tempo. De repente, ele vê o pessoal e estranha:)
 
BETO: O que aquele pessoal está fazendo ali?

 

FLÁVIA: Não sei... Ah, é o Carlos. Ih, ele tá tocando violão, vamos ver?
(Beto vai de má vontade)

 

FLÁVIA: Puxa, que legal, você toca tão bem... (Todos reiteram a opinião de Flávia)
 
BETO: Pra mim, isso tudo é uma grande palhaçada. Isso é coisa pra gente que... (Carlos interrompe)
 
CARLOS: Pra gente que tem sensibilidade artística, como Flávia, coisa que, aliás, você não tem, né Beto?...
 
BETO: Quer saber de uma coisa? Já tô cheio. Já chaga Ter que ficar aturando patrão o dia inteiro e ainda tenho que aguentar esse seu papinho besta?
 
CARLOS: Vê lá como fala do seu patrão hein cara! Esqueceu que trabalha pro meu pai?
 
BETO: Olha aqui cara... (Desta vez Beto tenta comprar uma briga, mas os amigos conseguem detê-lo. Ele se afasta com um dos rapazes. A turma se espalha. Carlos vai se aproximando de Flávia.)
 
CARLOS: E aí, gatinha? Vamos dar uma voltinha?
 
FLÁVIA: Não posso. O Beto está logo ali;
 
CARLOS: Qual é gatinha? A gente vai se mandando devagarinho. (Flávia hesita por um momento. Carlos a pega pela mão e os dois vão saindo. O rapaz que está conversando com o Beto chama sua atenção para o que está acontecendo. Beto vai até eles, furioso e tira a Flávia.)
 
BETO: Vamos Flávia precisamos Ter uma conversinha.
 
CARLOS: Aí galera, já que o panaca se mandou, a gente pode se divertir, eu trouxe um barulhinho de amostra pra vocês (Vai distribuidor) essa é da melhor qualidade. E tem muita mais no lugar de onde ela veio. Basta eu ir apanhar.
 
Chico: Pô..., valeu cara!
 
LÉO: É isso aí cara, essa aqui é melhor do que a que o Beto arruma pra gente.
 
ANA: É mesmo... (Beto e Flávia vão se aproximando. Beto está segurando Flávia pelo braço ela faz cara de incômodo.)
 
FLÁVIA: Ai Beto, tá me machucando.
 
BETO: Fica na tua. (Quando o pessoal os vê chegando, para. Alguns tentam esconder a droga. Carlos olha com olhar cínico e desafiador. Beto desconfia.)
BETO: Dá pra alguém me dizer o que tá acontecendo aqui?
 
CARLOS: É Beto, parece que você tá perdendo o prestígio... (Beto olha em volta, pega um dos rapazes pelo colarinho e pergunta:)
 
BETO: Aí sapinho, desembucha. Qual foi a parada?
 
SAPINHO: Eh! Ah... É que... Ah! (Com cara de disfarce. Beto tira a droga da mão dele, cheira e olha um por um, todos os componentes, e por fim, o Carlos, com olhar raivoso. Carlos olha rindo com ar de superioridade (Deboche)).
 
CARLOS: Pois é Beto, a parada é o seguinte: Arranjei uma mercadoria muito mais quente que a sua. (Beto joga a droga no chão, pisa em cima com raiva e parte para cima de Carlos. A briga começa, o grupo se agita em volta deles, Flávia grita estérica:)
 
FLÁVIA: Para, para com isso vocês dois... (Beto leva um soco forte e cai. O pessoal levanta-o ele enxuga a boca com o braço e fala puxando o canivete:)
 
BETO: Já chega. Acabou a brincadeira. É agora que eu te mando para o inferno. (Todos se calam. Carlos assustado, fica estático, enquanto Beto “voa” em sua direção com o canivete em punho Beto dá-lhe vários golpes (com raiva-possesso). Beto se afasta, passa a mão no cabelo contemplando a vítima; fica atordoado. Carlos se contorce de dor. O pessoal pensa em se aproximar, mas ouvem uma sirene. Flávia se aproxima de Carlos chorando, mas alguém puxa-a pela mão.)
 
ANA: Se manda Flávia, se a polícia te pega você tá frita. (Todos se afastam. Carlos fica encolhido e meio escondido entre os bancos e canteiro.)
 
 
CENA 2
 
Entra um casal de jovens conversando satisfeitos. Subentende-se que são cristãos. Ouvem o barulho. Assustam-se ao perceber o rapaz caído.
 
MÁRCIA: Está ferido. A pulsação dele está muito franca... O que que eu faço? (Alexandre ouve perplexo, sem saber o que fazer.)
 
ALEXANDRE: Fica com ele, eu... eu... vou procurar ajuda. Toma cuidado. (Márcia ampara Carlos e dirige-se a Deus apreensiva.)
 
MÁRCIA: Ah! Senhor... O que que eu faço? Tá sangrando tanto... Meu Deus, ajuda esse rapaz; não deixa ele morrer... (Carlos começa a delirar. Fala em voz alta; ofegante:)
 
CARLOS: Não... Socorro... não quero morrer... Não. (Márcia olha assustada.)
 
MÁRCIA: Calma. Está tudo bem. Você não vai morrer não. Meu amigo foi buscar ajuda. (Carlos se esforça para falar.)
 
CARLOS: Quem é você?
 
MÁRCIA: Você está muito ferido. Não fala demais e nem se mexa. Eles vão chegar logo. (Carlos vê seu corpo ensanguentado e faz uma expressão de dor, contorcendo-se. Lágrimas rolam em seu rosto quando diz:
 
CARLOS: Não... não posso morrer... O que vai ser de mim? Estou com medo... (Márcia olha para ele, segura sua mão e fechando os olhos, ora a Deus.)
 
MÁRCIA: Pai, o Senhor que é um Deus de vida, e não de morte. Que é um Deus de paz e não de angústia, cobre esta vida com o teu amor, envolve com sua presença e alivia as dores dele. Em nome de Jesus, amém. (enquanto Márcia está orando, Carlos fica olhando para ela espantado. Permanece observando até que termina a oração. Márcia abre os olhos tranquila e percebe que Carlos está assustado. Ele disfarça. Tenta ser indiferente.
 
CARLOS: Deus... até parece que ele se importa comigo...
 
MÁRCIA: Não fala assim não... claro que Deus se importa com você. Tenho certeza de que Cristo compreende o que você está sentindo. Quando Jesus esteve aqui na terra, passou por muitas coisas, foi maltratado e humilhado e foi ferido. Chegou a ser crucificado. Foram terríveis momentos de dor que ele superou. Por isso para que hoje pudesse te ajudar. (Carlos presta atenção em tudo o que Márcia diz, meio desconfiado, ainda ofegante, mas um pouco mais tranquilo.)
 
CARLOS: Mas... (Alexandre chega acompanhado de um médico e dois outros rapazes trazendo uma maca.)
 
ALEXANDRE: E aí, como ele está?
 
MÁRCIA: Graças a Deus, ainda está vivo. Parece que já está um pouquinho melhor. Até conversou comigo. (Sendo colocado na maca, Carlos dorme (apaga), o médico o examina rapidamente).
 
MÁRCIA: Então, doutor? (Os dois olham apreensivos para o médico que apenas faz uma expressão negativa. Todos saem. Apagam-se as luzes.
 
 
 
 
 
SEGUNDO ATO
 
CENA 3
 
 
 
Sapinho está sentado no banco da praça lendo gibi (caracteriza - mastigando chiclete, sentado bem à vontade). Uma menina senta ao seu lado. Olham-se desconfiados (jeitos engraçados)
Márcia vem chegando. A menina que já está na praça é uma amiga.
 
MENINA: Oi Márcia. Tudo bem? (Beijinhos)
Sapinho olha desinteressado (ar descaso/deboche). As meninas começam a conversar. No desenrolar do assunto, sapinho começa a se interessar. Fica inquieto. De vez em quando, abaixa a sua revistinha e dá uma mirada nas meninas (atitudes esquisitas. Sapinho é o idiota da peça)
 
MENINA: Ah, senta aqui um pouquinho. (Márcia senta-se e as duas começam:)
 
MÁRCIA: Puxa, faz tanto tempo que a gente não para pra conversar...
 
MENINA: É mesmo... Ah! Fiquei sabendo que a Srta. Andou dando um a de enfermeira...
 
MÁRCIA: Enfermeira? Que estória é essa?
 
MENINA: Ué... Não foi você e o Alexandre, que socorreram um cara aqui na praça?
 
MÁRCIA: Ah... você está falando do Carlos... Foi por Deus mesmo. Encontramos o Carlos ali à tempo de socorrê-lo. Ele levou várias facadas. Por pouco não morreu.
 
MENINA: E como ele está?
 
MÁRCIA: Esteve bem mal, mas agora está praticamente recuperado, graças a Deus. Nós temos, inclusive, falado de Cristo pra ele e parece estar-se interessando. Você precisa ver como tem sede de Deus. Faz mil perguntas. (Sapinho faz uma cara espantadíssima)
 
MENINA: Que bom. (olha para o relógio) Tá afim de fazer um lanche? Tô morrendo de fome. (As duas vão saindo. Sapinho levanta-se perplexo. Começa a falar sozinho, rindo.)
 
SAPINHO: Carlos virou crente... essa é boa, muito boa... a turma precisa saber disso. Preciso contar pro Beto... Francamente... (A turma vem chegando. Sapinho se dirige a Beto e começa a rir. O pessoal começa a rir. Beto fica furioso.)
 
BETO: Qual é, cara? Que foi? Anda. Desembucha, seu idiota. (Sapinho fala rindo:)
SAPINHO: Carlos agora virou crente.(ele cai na risada. Todos riem. Dão gargalhadas. Beto fica nervoso. Fica quieto. Olha pro pessoal. Aos poucos todos ficam quietos “ou de repente” ao perceber a estranha reação de Beto. Sapinho continua rindo. Beto o pega pelo colarinho.
 
BETO: Sabe, cara? É o seguinte: não estou achando graça nenhuma.(Beto larga Sapinho. Comenta:) Pra mim, isso é mais uma armação. Aquele canalha... (Todos permanecem na praça. Beto fica meio isolado, está inquieto. Senta-se pensativo. Flávia começa a se achegar e é repelida com aspereza)
 
FLÁVIA: Ih... Cê tá esquisito... Que que cê tá pensando?
 
BETO: Vou resolver essa parada. Preciso acabar com esse cara.
 
FLÁVIA: Quem? O Carlos?
 
BETO: É, o Carlos... (fala imitando Flávia. Está saturado)
 
FLÁVIA: Mas ele não vai te fazer nada. Ele agora é crente...
 
BETO: Crente nada. Não acredito nessa estória de paz, amor... Ele só está esperando pra me apanhar desprevenido. Ah... Mas não vai mesmo. Daquela vez, eu quase acabei com ele... agora farei o serviço completo. (Beto sai furioso. Sapinho se aproxima de FLÁVIA: )
 
TERCEIRO ATO
 
CENA 4
 
A turma de Beto já está na praça.
Os crentes vão chegando aos poucos. Depois de haver chegado um número razoável de pessoas, começam um período de louvor. (Alguém tocando violão) Continuam chegando as pessoas.
O pessoal do Beto começa a debochar dos crentes (entre eles)
Chega o Carlos, acompanhado por Alexandre, enquanto o grupo acaba de cantar um corinho. Márcia levanta-se e cumprimenta o rapaz.
O pessoal do Beto vê Carlos chegar e comente.
 
ANA: Ih, olha é o Carlos...
 
SAPINHO: Viu? Eu não falei que ele virou crente. (Todos começam a rir, dando margem a mais comentários. Beto continua quieto “irado”. O pessoal fica sem graça. Todos se calam. Enquanto isso, Beto tira a arma da cintura e começa a carregá-la. “está muito nervoso”. Todos ficam assustados.)
 
FLÁVIA: O que você pensa que está fazendo?
 
BETO: Eu não estou pensando; eu vou fazer. (O pessoal fica apavorado.)
 
TODOS: Beto que isso?...
 
BETO: É melhor vocês ficarem fora desta estória. Anda. Se mandem antes que sobre pra vocês... (Todos se afastam. Beto coloca a arma na cintura, vai se aproximando por trás da árvore. Fica escondido, mas é visto pela plateia. Suas reações devem acompanhar os acontecimentos. Depois que o grupo termina de cantar, Márcia apresenta CARLOS: )
 
MÁRCIA: Pessoal. Temos alguém aqui que é muito importante pra gente. É o Carlos. Estivemos orando por ele, lembram? (Todos cumprimentam o rapaz.)
 
MENINA: Conta pra gente um pouco de você?!
 
ALEXANDRE: É mesmo. Conta? Pode ficar à vontade. (Carlos começa timidamente, mas ao poucos vai se entusiasmando. Beto vai se comovendo aos poucos com o monólogo.)
 
CARLOS: Bem... desde que me conheço por gente, sempre senti falta de alguma coisa, algo parecia estar sempre errado dentro de mim. Sempre fui meio revoltado e gostava de fazer o tipo rebelde, durão... até mesmo por conveniência... aquilo me ajudava a fugir de mim, deste vazio que eu não sabia o que era. Pra mim, demonstrar esse questionamento, admitir essa ansiedade pras pessoas, era sinônimo de fraqueza. Eu queria ser forte. Era como se eu vivesse com uma máscara...
No meio desta confusão, acabei me envolvendo com pessoas, que sem saber, eram tão vazias quanto eu. Tinha até uma turma legal. Fazíamos muitas coisas juntos. Curtíamos as maiores badalações... No fundo, no fundo, era uma busca incessante por algo que não sabíamos e que era, nem como achar. Tudo sempre acabava em drogas, marginalidade e roubo... e vazio.
Bem... e Deus?... Nessas alturas, nem passava pela minha cabeça, ou melhor, quando passava, eu sentia até raiva dele. Poxa. Se Deus existia, se eu era uma criatura dele, onde é que Ele estava?... Ele parecia ser tão indiferente; tão abstrato... Puxa vida... Como eu estava enganado...
O problema é que eu que não parava para percebê-lo. Deus teve que agir comigo de um modo muito dramático, muito forte.
Nessa época eu estava saturado de tantos questionamentos. Eu buscava uma auto-afirmação. Aí surgiu a ideia de conquistar a liderança do grupo. Essa ideia foi crescendo dentro de mim e a levei às ultimas consequências. Foi então, que acabei brigando com o carinho que liderava o grupo. Fiquei muito ferido. Aí eu me deparei com uma bruta angústia aqui dentro. Estava cego. Foi assim que conheci a Márcia e o Alexandre. Eles me ajudaram a perceber toda a minha fragilidade, como era pequeno... Como precisava de Deus... Pude sentir o amor de Deus, aos poucos fui entendendo-o; havia um propósito. Em minha vida. Deus esteve todo o tempo comigo.
Hoje tenho outra direção de vida. O vazio foi preenchido. Sou uma nova criatura em Cristo.
Posso até dizer não guardo rancor daquelas pessoas com quem convivi aquele tempo, nem mesmo do rapaz que me feriu. É porque hoje eu sei que estão tão perdidos quanto eu estava. Eles nem imaginam o quanto precisam de Deus... Minha vontade é de dizer isso pra eles.
Beto sai de trás das árvores de repente. Vem andando na direção de Carlos com a arma em punho, chorando, vacilando.
 
BETO: Anda. Continua. Quero ver se isso aí que você está falando é verdade. Fala. (raivoso)
 
CARLOS: Sim, Beto, é verdade. Tudo o que Deus fez na minha vida, quer fazer na sua também. Pensa bem... Isso que você busca; Não é Deus?
 
BETO: Não sei...
 
CARLOS: Independente de você estar armado ou não Deus está aqui entre nós dois. Hoje Beto, eu falo com Deus. Ele me faz entender tudo o que antes não conseguia. Assim como esta sendo difícil para você entender agora. Cara, Deus quer o melhor pra você. Ele tem muito mais do que aquela vida mesquinha que eu levava. (Beto aproxima aos prantos. Abaixa a arma lentamente.)
 
BETO: Me ajude, cara. Me ajuda... (beto se joga para frente. Carlos o ampara abraçando-o.)
 
 
FIM

 

 

Fonte WEB Igreja Batista Memorial em Itaocara

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