ENCONTRANDO-ME

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ENCONTRANDO-ME - Teatro CristãoENCONTRANDO-ME

Vaidade, egoísmo, estrelismo, disputas entre ministérios...
Louvor, pantomima, coreografia... é o dia do ensaio, e aparecem disputas que desagradam a Deus, e prejudicam o resultado final.
Até que a humildade e o respeito aos demais ministérios, começam a tomar parte nas vidas dos componentes dos ministérios.

 

Coreografia inicial.
TATIANA: Eu preciso me encontrar. Não quero passar a vida inteira sem me encontrar.
THIAGO: Então se encontre com Cristo, que você vai passar a se conhecer melhor.
TATIANA: Cristo? Quem é Cristo.
THIAGO: Ué?! Você não conhece a história de Cristo? Então observe essa encenação.
Entram quatro personagens. Um representando Jesus Cristo, crucificado, andando com a cruz nas costas, sendo chicoteado por outros três, também com camisas azuis, mas com elmos na cabeça para caracterizar os soldados romanos. Luiz Paulo, que tinha aderido ao grupo de coreografia, agora adere ao grupo de teatro, tirando sua camisa preta e tendo por baixo uma camisa azul. Ele coloca um elmo e começa a chicotear “Jesus”. Tanto a cena do grupo do teatro como as performances dos grupos de louvor e de coreografia vão acontecendo ao mesmo tempo. Um diretor entra em cena e interrompe de súbito as apresentações. Os grupos de louvor e de coreografia sentam.
DIRETOR: Para tudo! Para tudo! Gente, isto aqui está uma bagunça.
THIAGO: Claro, né?! O Luiz Paulo não decide em qual grupo ele quer ficar.
TATIANA: Também sou da mesma opinião. Ele tem que se definir. Se ele continuar nos três grupos, não vai dar certo. Ele pode até estar fazendo parte de vários ministérios, mas ele não está dando conta do recado.
LUIZ PAULO: Gente, eu não tenho culpa de ser versátil.
FELIPE: Você se acha versátil? Você está querendo mesmo é assobiar e chupar cana ao mesmo tempo!
LUIZ PAULO: Caramba. Logo você, que está fazendo o personagem do nosso salvador, julgando-me desse jeito.
FELIPE: Não estou julgando segundo a aparência, mas pela reta justiça. Todo mundo está percebendo que você está querendo é se exibir.
LUIZ PAULO: Exibir?! Olha aqui, acho que você agora pegou pesado!
Briga entre Luiz Paulo e Felipe.
ADRIANA: Gente, ficou horrível! Nem parece que a gente ensaiou?
PAULA: Claro! O Luiz Paulo não fica parado do jeito que tem que ficar.
ADRIANA: Luiz Paulo, você ficou depois da hora ensaiando com o pessoal?
LUIZ PAULO: Mara, não deu. Eu tinha ensaio com o pessoal do teatro.
RODOLFO: Olha aqui, gente. O Luiz Paulo tem que se decidir. E já não é a primeira vez que isso acontece.
PAULA: Sem contar que ele, de vez em quando, deixa a gente na mão, pois tem vezes que a apresentação do grupo de coreografia é no mesmo dia que a apresentação do grupo de teatro.
LUIZ PAULO: Ai, eu não aguento mais essa pressão.
RODOLFO: Meu filho, dois proveitos não cabem dentro de um saco.
PAULA: É verdade. Você quer abraçar o mundo com as mãos, Luiz Paulo.
LUIZ PAULO: Gente, eu consultei o Senhor. Ele me disse que eu poderia, sim, fazer parte de vários ministérios.
RAFAEL: Se ele tivesse lhe dito isso, você estaria dando conta do recado.
LUIZ PAULO: Você está duvidando da minha intimidade com Deus.
RODOLFO: Não foi isso que eu quis dizer.
LUIZ PAULO: Ah, para mim chega. Quer saber? Eu vou embora, pois o ensaio do ministério de louvor já começou!
VOCALISTA: Luiz Paulo!
O grupo de coreografia se levanta.
GRUPO DE COREOGRAFIA: Luiz Paulo!
O grupo de teatro se levanta.
GRUPO DE TEATRO: Luiz Paulo!
VOCALISTA: Se encontra, Luiz Paulo!
GRUPO DE COREOGRAFIA: Se toca, Luiz Paulo!
GRUPO DE TEATRO: Se manca, Luiz Paulo!
Luiz Paulo, triste, porém resignado, desce do púlpito, pega três faixas que estão nas cadeiras, escreve com tinta spray os seguintes dizeres:
VAIDADE
CELEBRIDADE
RIVALIDADE
e entrega para os líderes de cada um dos três ministérios, de modo que os três cartazes fiquem visíveis ao público. Luiz Paulo então desce do palco e senta no banco junto ao público.
DIRETOR: Posso saber o que significa isso, Luiz Paulo?
LUIZ PAULO: Ué? Vocês não emitiram a opinião de vocês sobre mim. Eu emiti a minha opinião sobre vocês.
ADRIANA: Quem não tem capacidade profere inverdades!
LUIZ PAULO: Inverdades? Então vamos ver na prática se isso que eu demonstrei é uma inverdade. Depois vocês reclamam que existe um grande número de crentes que ficam esquentando banquinho.
VOCALISTA: E é para vocês, crentes que esquentam banquinho, que vamos mostrar o nosso potencial!
O grupo de louvor entoa um cântico, simultaneamente à performance do grupo de teatro (que encena uma pantomima) e o grupo de coreografia (que acompanha a música do grupo de louvor com passos de danças exagerados, de modo a se exibir). Os grupos travam uma espécie de disputa para ver quem aparece mais, querendo ficam mais a frente, de modo a se ostentarem numa espécie de rivalidade. A cantora exagera no vibrato, os atores exageram na encenação e os dançarinos exageram nos passos de dança. Então, Laís, que estava no grupo de coreografia e não concordava com atitude dos componentes dos grupos, se aparta deles e, num cantinho, canta a seguinte música:

LUIZ PAULO: Estão arrependidos? Não foram vocês que insinuaram que eu não sirvo para fazer parte de nenhum dos grupos? E será que de fato vocês perceberam que quem tem o desejo de servir pode fazer parte de qualquer que seja o ministério?
VOCALISTA: Percebemos sim, Luiz Paulo. Mas as pessoas devem atentar melhor qual é de fato o dom quem há em si para que possa servir melhor ao Senhor.
LUIZ PAULO: Então vocês ainda estão colocando em dúvida a minha intimidade com o Senhor.
DIRETOR DE TEATRO: Não é isso, Luiz Paulo. Só queremos lhe propor que você exerça uma função que dê para você conciliar a sua participação nos três ministérios, ou de quantos ministérios que você queira participar. Queremos lhe pedir para que você crie condições para fazer a obra com zelo, e não de qualquer maneira.
ADRIANA: Também concordo. Já que você sente no coração que você deve fazer parte de vários ministérios, por que você, aqui no grupo de coreografia, não nos ajuda na assistência de direção das marcações dos passos! Que tal?
VOCALISTA: E aqui no mistério de louvor, você pode compor músicas...
TATIANA: ...e escrever textos teatrais para o nosso ministério.
Luiz Paulo reflete por uns instantes e conclui.
LUIZ PAULO: Já sei o que vou fazer! Vou exercer a função de conselheiro!
TODOS: Conselheiro?
LUIZ PAULO: É, conselheiro. Descobri que quem vê de fora, vê melhor, pois tem uma visão privilegiada. Os grupos de arte das igrejas precisam de pessoas para exercer essa função, pois só assim, com uma pessoa olhando de fora, é possível detectar algumas situações ridículas pelas quais esses grupos às vezes passam.
DIRETOR: Como assim “situações ridículas”?
LUIZ PAULO: Por exemplo, os grupos de arte da nossa igreja. Está na cara que vocês estão preocupados com a qualidade mais para rivalizarem entre si do que para louvar e engrandecer o nome do Senhor.
MARA: É qual seria a solução?
VOCALISTA: É. Vamos, Luiz Paulo. Dê o seu primeiro conselho para gente, provando-nos que isso tudo que você está sugerindo realmente é necessário.
LUIZ PAULO: Bom, para início de conversa, para acabar com essa rivalidade, é necessário que vocês realizem um evento juntos. Só assim vocês terão a sensação de que todos formam um corpo só. Com essa estratégia, vocês vão eliminar a noção de “eu” de cada grupo. O egoísmo não se encontra apenas no indivíduo, mas também em grupos fechados.
TATIANA: Poxa, Luiz Paulo. Eu não sabia que você era bom nisso.
ADRIANA: E é só isso que a gente tem fazer?
LUIZ PAULO: Sim, por enquanto é só. Entretanto, isso já é um passo considerável para que os grupos formem de fato um só corpo para louvarem ao Senhor. Não é necessária a junção dos grupos para sempre, mas de vez em quando sim, não somente para dar fim a essa cultura de “panelinha”, mas para que um ministério aprenda com o outro. O grupo de louvor pode extrair do grupo de coreografia o aprendizado sobre a postura de palco. O grupo de coreografia pode aprender com o grupo de teatro a expressão facial. O grupo de teatro pode aprender com o grupo de louvor a noção de conjunto. E por aí vai...
TATIANA: Bom, e como seria esse evento que unisse os três grupos?
LUIZ PAULO: Vocês se lembram daquela música que o grupo de louvor cantou, o grupo de coreografia dançou e o pessoal do teatro usou como sonoplastia.
VOCALISTA: Sim.
LUIZ PAULO: Então. Para exercitar essa união, nada melhor que um fator em comum, pois vocês já se apresentaram usando uma mesma música. Só que agora vocês podem usá-la de modo simultâneo, pondo em prática a noção de harmonia entre ministérios, que podem ser diferentes quanto a forma, mas têm o mesmo propósito, que é o louvor ao Senhor.
TATIANA: Claro!
ADRIANA: Eu gostei muito da ideia!
DIRETOR: É, mas na teoria é tudo muito bonito. Agora eu quero ver na prática.
LUIZ PAULO: Ora, diretor. Não seja pessimista. Deve haver um começo. E se o que falta é a prática, então vamos praticar. Vamos lá. Um, dois três...
O ministério de louvor começa a cantar a música “Dono da verdade”, sendo acompanhado pela dança do grupo de coreografia e por uma pantomima do grupo de teatro (encenando o batismo de Jesus com João Batista), todos em perfeita sincronia.

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