DIA DAS MÃES

DIA DAS MÃES -  Filho entregando presente

Júlia a irmã mais velha da casa, tem a missão de “substituir” sua mãe por dois dias, enquanto esta está em viagem com o Coro.
O que a princípio parecia um super negócio (mandar em tudo), acaba se transformando num verdadeiro desastre.
Além de ser uma homenagem ao Dia das Mães, a peça tem por objetivo mostrar a postura de uma mãe (atenciosa, conselheira, dona de casa) e refletir sobre a essência disso tudo: O amor.
Personagens:
Neusa (mãe), Júlia, Lívia e Clara (as filhas).

A mulher sábia edifica a sua casa (Pv. 14:1a)
(Clara chega do colégio e vai direto ver TV, lá encontra um bilhete da mãe...)
CLARA:   Vou viajar com o coro, volto amanhã à noite, amo vocês, beijos, mamãe.
Eeeeee vidão em Dona Neusa... Nossa!
Dois dias sem ninguém para pegar no pé, vou assistir televisão até enjoar, uruh.
LÍVIA:    E mais uma vez eu digo sim, e mais uma vez me rendo a esse amor, a esse olhar... ???
CLARA:   Sai da frente!
LÍVIA:    Ai Clara, você ainda tem muito o que aprender mesmo, enquanto você fica ai vendo besteiras na televisão, eu estou vivendo um grande amor.
CLARA:   Tá doente?
LÍVIA:    É sério, tem um menino na Igreja que está apaixonado por mim.
CLARA:   Quem é o doido?
LÍVIA:    O lindinho do Thiago.
CLARA:   Mas ele sabe disso?
LÍVIA:    Annnn, ainda não, mas um dia ele descobre está profundamente apaixonado por mim.
CLARA:   Ah Senhor, essa menina não pode ser minha irmã...
JÚLIA:    Ow, ow, vamos parar de discussão, por que quem manda agora aqui sou eu!
LÍVIA:    Oh a outra, eu que tô apaixonada e ela que viaja...
JÚLIA:    Não Lívia, quem viajou foi a mamãe, e como eu sou a filha mais velha, fico no lugar dela, então, pode tratar de me obedecer, eu quero tudo no lugar!
LÍVIA:    E quem foi que disse hein?
CLARA:   Dá para vocês ficarem quietas porque eu estou tentando assistir televisão.
JÚLIA:    Que televisão que nada, vai fazer lição de casa, vai, vai...
CLARA:   Tá doente?
LÍVIA:    Isso aeh Júlia, não é porque a mamãe viajou que você vai mandar na gente não.
CLARA:   Isso ai!
JÚLIA:    O de menor, fica quieta que pequena desse jeito você tem o direito de obedecer e agradecer.
LÍVIA:    Então já que você tá no lugar da mamãe, cadê o jantar hein?
JÚLIA:    Jantar, que jantar?
CLARA:   É isso ai, eu também tô com fome.
JÚLIA:    A tá o jantar né... hum já sei! Como eu sou uma pessoa muuuuito moderna, vou pedir uma pizza!
CLARA:   Nossa, tô impressionada com tamanha inteligência!
LÍVIA:    Sua preguiçosa!
JÚLIA:    Que preguiçosa o que! Me respeita menina!
CLARA:   Nem vem Júlia, se você vai ocupar o lugar da mamãe tem de fazer igual a ela, e ela sempre faz janta.
JÚLIA:    Tá bom, tá bom, eu vou fazer essa janta, suas desesperadas.
LÍVIA:    Eu quero comer panqueca!
CLARA:   Isso aeh, de frango e de carne.
JÚLIA:    Nem vem, eu vou fazer arroz com ovo, e olhe lá.
LÍVIA:    A mamãe faria...
JÚLIA:    Mas eu não sou a mamãe...
CLARA:   Mas tá no lugar dela...
JÚLIA:    (Sai resmungando) Tá bom, tá bom, eita que desse jeito eu enlouqueço!
LÍVIA:    Você acha mesmo que vai sair alguma coisa?
CLARA:   Lógico né... sujeira!
LÍVIA:    Apesar que eu não tô nem ligando, o importante é que o Thiago me ama...
CLARA:   Vai sonhando...
LÍVIA:    E mais uma vez eu digo sim, eu mais ???... (E começa a escrever no caderno) ... olha só que lindo.
CLARA:   Lívia e Thiago, que original!
JÚLIA:    Ai, eita, eca, que nojo!
LÍVIA:    Júlia... Júlia, tá viva?
JÚLIA:    Ai que nojo! (vem suja de farinha)
CLARA:   Eu não posso ser dessa família...
LÍVIA:    O que aconteceu?
JÚLIA:    Sei lá a massa da panqueca voou toda.
CLARA:   Você colocou a tampa?
JÚLIA:    É mesmo né, bem que eu vi que tava faltando alguma coisa... mas deixa isso pra lá, vamos comer pizza?
CLARA:   Só se você deixar eu assistir TV até mais tarde.
LÍVIA:    Mamãe não deixaria...
JÚLIA:    Ah você só sabe falar isso é... tá bom, tá bom...
CLARA:   Uruh
LÍVIA:    Já que vai comprar pizza, eu quero sorvete de chocolate branco.
CLARA:   Nossa, apoitadíssima!
JÚLIA:    Nem vem, que o dinheiro que a mãe deixou não dá pra comprar os dois.
LÍVIA:    Ah, então o dinheiro é da mamãe né, mistura que é bom, a senhora não compra né?
JÚLIA:    Lívia eu não vou discutir com você, como quem manda aqui sou eu, eu decido como e onde vou gastar o dinheiro.
LÍVIA:    Ah, faz o que você quiser!
JÚLIA:    Faço mesmo, eu sou a dona da casa agora, esqueceu?
LÍVIA:    Tô pouco me lixando...
JÚLIA:    Ótimo! (e sai)
LÍVIA:    E mais uma vez eu digo sim ???...
JÚLIA:    Meninas, nosso jantar chegou.
CLARA:   Oba, manda pra cá!
JÚLIA:    Larga de ser folgada menina, vem buscar.
LÍVIA:    Nem vem, a mãe sempre trás e ainda limpa a bagunça.
JÚLIA:    Ninguém merece viu! (trás a pizza batendo o pé)
CLARA:   Oh, delícia. (e joga o copo no chão).
LÍVIA:    Valeu maninha, vou dormir.
JÚLIA:    Nossa não dá para vocês fazerem menos bagunça não, eu já tô morta de cansaço.
Júlia vai recolhendo a bagunça e acaba colocando o caderno de Lívia dentro da caixa de pizza.
JÚLIA:    E você o, não vai dormir não?
CLARA:   Agora não, vou assistir TV.
JÚLIA:    Depois fica com um monte de besteira na cabeça e não sabe o porquê. (e sai)
CLARA:   Não sabe nem dizer... minha mãe explicaria que eu tenho que estudar ao invés de perder tempo com a TV que além de não ter muita coisa boa, mostra como se fosse certo o que a Bíblia condena, ai eu diria que não veria, e ela falaria, Clarinha, como a mamãe te ama! Bem melosa! Hehe ... eita mas como eu já sei disso não deveria ficar aqui... ah, deixa pra lá, é só um dia mesmo.
LÍVIA:    Cof, cof, cof.
JÚLIA:    Dá pra ficar quieta Lívia, eu quero dormir.
LÍVIA:    Minha bronquite tá atacada.
JÚLIA:    Problema teu, e eu tô com sono, fica quieta e vamos dormir.
LÍVIA:    Mas eu não consigo...
JÚLIA:    É só fechar o olho.
LÍVIA:     (levanta resmungando) Minha mãe cuidaria de mim.
JÚLIA:    Tá bom sua chorona. O que que você quer que eu faça?
LÍVIA:    Ah, sei lá, eu fico no colo da mãe e ele vai dando uns tapas nas minhas costas...
JÚLIA:    Tá bom, deita aqui... (Lívia tossindo) pá, pá, pá. (uns tapas fortes)
LÍVIA:    Ai sua doida, quer jogar meu pulmão pra fora é, não é assim que a mamãe faz.
JÚLIA:    É que eu não sou a mamãe.
LÍVIA:    Já percebi isso.
(No outro dia)
JÚLIA:    Clara, acorda que nós estamos atrasadas.
LÍVIA:    Aaaaaa (bocejo), que sono!
CLARA:   E eu tô com dor no pescoço, aiiiii (de dormir assistindo TV)
JÚLIA:    Deixa que eu dou um jeito nisso. (E vira com tudo o pescoço de Clara)
CLARA:   Ai sua maluca, vai quebrar meu pescoço é, a mamãe arruma devagar.
JÚLIA:    Já falei que eu não sou a mamãe!
LÍVIA:    Cadê meu caderno Júlia?
JÚLIA:    Eu que vou saber?
LÍVIA:    Pois deveria foi você que arrumou a sala...
JÚLIA:    Tudo eu, tudo eu, ajuda a procurar Clara.
CLARA:   Não duvido nada de você ter colocado dentro da pizza.
JÚLIA:    Nem vem que eu sou maluca, mas não sou doida...
(Clara abre a caixa de pizza e lá está o caderno e mostra com cara de “não disse”!)
JÚLIA:    Ai Senhor, essas meninas estão me endoidando.
LÍVIA:    Ai, coitado do Thiago.
JÚLIA:    Que Thiago menina, despirocou foi?
LÍVIA:    Esse aqui oh, (e mostra o caderno aberto na página onde está escrito o nome deles).
JÚLIA:    Lívia e Thiago, que ridículo! Que Thiago é esse?
LÍVIA:    O da Igreja oras! Quem mais seria?
JÚLIA:    Se liga o, o menino é dez anos mais velho que você e tem namorada! Sua burra!
CLARA:   Tô pronta, vamos logo.
LÍVIA:    (fica para trás e sai resmungando) Mamãe não falaria assim comigo...
(Elas voltam da aula.)
JÚLIA:    Ai que canseira!
CLARA:   O Júlia?
JÚLIA:    Fala.
CLARA:   Hoje na escola a menina perguntou porque ela tinha que aceitar Jesus.
JÚLIA:    Era só você responder que é porque somos pecadores, necessitamos de salvação e só Jesus pode salvar.
CLARA:   Isso eu sei, e falei pra ela, mas ela quer saber em que lugar da Bíblia tá escrito.
JÚLIA:    Isso eu já não sei.
CLARA:   Mamãe saberia...
JÚLIA:    Mamãe saberia, mamãe faria, mamãe isso, mamãe aqui, chega! Eu não sou a mamãe!
CLARA:   Claro que você não é, mamãe conhece a Bíblia, sabe cozinhar, não deixa eu ver o que não presta por mais que eu tente chantageá-la, cuida direito de nós quando estamos doentes e sabe aconselhar, já você acha que ser mãe é sói poder mandar...
JÚLIA:    Some da minha frente menina, vai pro seu quarto.
LÍVIA:    Oh Júlia!
JÚLIA:    Que é você também? (bem brava)
LÍVIA:    Nem vem brava pro meu lado que eu não te fiz nada sua grossa.
JÚLIA:    Ta bom, desculpa, que que você quer?
LÍVIA:    Me ensina a lição de matemática.
JÚLIA:    (se sentindo) Claro eu sempre fui boa em matemática.... vejamos, tananam, tananam, ah disso eu não lembro não!
LÍVIA:    Nossa mas nem pra isso você serve, coitado dos seus filhos viu...
JÚLIA:    Ai Deus, dai-me paciência!
LÍVIA:    Pede sabedoria que é melhor viu! (e sai)
JÚLIA:    Ai eu não aguento mais. Como é que a mamãe atura essas chatas hein??? Nossa que cansaço, ser mãe é um verdadeiro CASTIGO!
NEUSA:    Que castigo filha? Você pôs suas irmãs de castigo?
JÚLIA:    Mãe! Ai que saudades! Ai Graças a Deus a senhora voltou viu, eu já tava ficando doida!
NEUSA:    Porque filha?
JÚLIA:    Ah sei lá mãe, é muito complicado tentar te substituir, como é que você tem paciência com gente?
NEUSA:    Eu amo vocês!
JÚLIA:    Isso eu sei mãe, mas como é que você aguenta eu e as meninas?
MÃE:    Justamente porque eu amo vocês, é que eu aguento tudo isso e ainda me sinto bem.
JÚLIA:    Mas a gente não te dá nada...
MÃE:    Mas vocês não precisam me dar nada para me verem feliz, eu fico feliz quando vejo vocês crescendo, aprendendo, quando pedem meu conselho ao invés de ir falar com a amiguinha, e principalmente quando vejo vocês aprendendo e seguindo a Palavra do Senhor.
JÚLIA:    Mas a gente te dá muito trabalho...
MÃE:    O trabalho cansa bastante filha, mas isso não entristece, o que entristece uma mãe é filho desobediente, respondão, boca suja e que despreza a mãe.
JÚLIA:    Entendi, mas eu nunca seria uma boa mãe!
MÃE:    Você vai ser sim filha! Para ser uma boa mãe basta ter temor a Deus, amor a família, força de vontade e disposição e claro que aprender a cozinhar e cuidar da casa ajuda né...
LÍVIA:    Mãe! Que bom que você voltou, a Júlia quase matou a gente.
JÚLIA:    Larga de inventar o, vocês é que quase me endoidaram.
CLARA:   Dá para vocês ficarem quietas. Mãe, feliz dia das mães!
LÍVIA:    Eita é mesmo, é hoje né, parabéns mãe, por Ter uma filha tão boa como eu.
JÚLIA:    Ai mãe desculpa nós não compramos presente.
NEUSA:    Não precisa filha.
CLARA:   Já sei, o que vamos te dar de presente! O que você acha Júlia.
JÚLIA:    Ótimo, anram.
(Começa uma sequência de gesticulações, sempre apontando para mãe e tal...)
JÚLIA:    Mulher virtuosa, quem a pode achar? Pois o seu valor muito excede ao de joias preciosas.
(a mãe fica com cara de boba, sorrindo à toa)
CLARA:   O coração do seu marido confia nela, e não lhe haverá falta de lucro.
LÍVIA:    Ela lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.
JÚLIA:    Ela busca lã e linho, e trabalha de boa vontade com as mãos.
CLARA:   É como os navios do negociante; de longe traz o seu pão.
LÍVIA:    E quando ainda está escuro, ela se levanta, e dá mantimento à sua casa, e a tarefa às suas servas.
JÚLIA:    Considera um campo, e compra-o; planta uma vinha com o fruto de suas mãos.
CLARA:   Cinge os seus lombos de força, e fortalece os seus braços.
LÍVIA:    Prova e vê que é boa a sua mercadoria; e a sua lâmpada não se apaga de noite.
JÚLIA:    Estende as mãos ao fuso, e as suas mãos pegam na roca.
CLARA:   Abre a mão para o pobre; sim, ao necessitado estende as suas mãos.
LÍVIA:    Não tem medo da neve pela sua família; pois todos os da sua casa estão vestidos de escarlate.
JÚLIA:    Faz para si cobertas; de linho fino e de púrpura é o seu vestido.
CLARA:   Conhece-se o seu marido nas portas, quando se assenta entre os anciãos da terra.
LÍVIA:    Faz vestidos de linho, e vende-os, e entrega cintas aos mercadores.
JÚLIA:    A força e a dignidade são os seus vestidos; e ri-se do tempo vindouro.
CLARA:   Abre a sua boca com sabedoria, e o ensino da benevolência está na sua língua.
LÍVIA:    Olha pelo governo de sua casa, e não come o pão da preguiça. (É interessante, ela finalizar, viu Júlia!)
JÚLIA:    Levantam-se seus filhos, e lhe chamam bem-aventurada, como também seu marido, que a louva, dizendo:
CLARA:   Muitas mulheres têm procedido virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.
NEUSA:    Ai obrigada minhas menininhas!
CLARA:   Menos mãe, menos, que a gente já cresceu um bocado...
NEUSA:    Que Deus abençoe vocês minhas lindas e abençoe também a todas mulheres virtuosas, coroas de seus maridos, mães!

Departamento de Teatro do Caad (Conj. Adolescentes Assembleia de Deus, Min. Belém - SP).

Diversos: