CONVICÇÕES

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CONVICÇÕES

O “Tio Clécio” era o braço direito do pastor, sempre disposto a ajudar em tudo. O pastor tinha um filho que ainda criança sofreu violência sexual, ficou com medo/vergonha e não contou pra ninguém. O malfeitor foi o “Tio Clécio”.
Anos depois começa um relacionamento homossexual(ele era filho de pastor, e todos sonhavam vê-lo como pastor).
O pai desestabilizado, envergonhado, irado... põe o filho pra fora de casa.
Certo dia, quando o pai pregava sobre o filho pródigo... o filho aparece na igreja.

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Música: Sal - Salzband
- Filho - Pai - Mãe - Clécio
*A peça tem partes narradas pelo próprio protagonista (Filho). Uma opção seria gravar os trechos antes e soltar da hora da peça, onde o filho conta a história.
CENA 1
NARRAÇÃO:    Me chamo Oscar e essa é a minha história.
Sou filho único e recebi o mesmo nome de meu pai. Bem criativo não é? Se pudesse escolher queria ter recebido outro nome, mas tudo bem. Me orgulho mesmo é de ter nascido nessa família. Meu pai é pastor. Já minha mãe é professora da EBD.
Desde que nasci, ouço meus pais dizerem que também seria pastor. Que eu era resposta das orações deles e que eu nasci pra isso. Fala sério! Pastor?
Eu tinha muitas convicções, até o dia que Deus mudou a minha vida. Você vai entender tudo no decorrer da história.
(OBS: Enquanto o filho está narrando esta parte (voz oculta), entra em cena a mãe dele ao lado do pai. A mãe segura Oscar. Momentos de felicidade de pai e mãe com o bebê. Os pais ficam sorrindo. O pai pega o filho nos braços e o ergue. Interpretar lentamente para que se encaixe com a narração. Em seguida sair de cena. )
NARRAÇÃO:    O tempo passou, fui crescendo e comecei a acompanhar meu pai nas atividades da igreja. Era sempre bom estar ao lado dele, mesmo por alguns instantes. Ele viajava muito inaugurando igrejas. Por isso não o via com frequência. Minha mãe não me deixava ir às viagens por causa da escola. Ficava triste, mas logo esquecia. Sabe como são as crianças. Por isso quando fiquei mais velho, pedi a meu pai pra ir com ele. E assim foi. Quem sempre ia conosco era um amigo de meu pai. Ele era muito legal e meu pai sempre podia contar com ele...
PAI:   Preciso que olhe um terreno pra mim Clécio. Essa semana estou muito atarefado pra ir falar com o dono de um terreno. Se puder fazer isso eu te agradeceria.
CLÉCIO:   Com certeza pastor! É só o senhor me dizer quando e vou. No mesmo instante Oscar passa puxando um carrinho...
FILHO (Oscar):   Vrum, vrum...Bi, biiii!!! Vem brincar comigo pai!
PAI:   Oscar vá brincar lá fora!!! (Fala de forma séria).
CLÉCIO:   Vá Oscar. Daqui a pouco tio Clécio vai brincar com você.
FILHO:   Sim senhor. (Fica triste com a repreensão do pai, mas obedece e sai de cena).
CLÉCIO:   Sim pastor, aqui está a lista de novos convertidos que o senhor me pediu...
PAI:   Obrigado Clécio. Vamos preparar essas pessoas para o batismo.
CLÉCIO:   Vai ser uma benção! Pode contar comigo pastor. E sobre o tal terreno? O senhor quer que vá amanhã mesmo?
PAI:   Se você puder... ótimo!
CLÉCIO:   Claro! Eu tava até pensando em levar o Oscarzinho comigo, se o senhor permitir.
PAI:   Pode Clécio. É até bom que o Oscar aprende como negociar os futuros terrenos que nossa igreja vai comprar. Passe aqui pela manhã e leve o Oscar com você.
CLÉCIO:   Vou indo. Até amanhã pastor! Deus o abençoe.
PAI:   Vá em paz. Deus te abençoe também. Os dois saem de cena.
CENA 2
NARRAÇÃO:    No dia seguinte eu fui com o amigo de meu pai ver o terreno. Tio Clécio tinha muita habilidade em fazer negociações. Não era à toa que meu pai tinha total confiança nele. Além de ter um cargo na igreja, era também o tesoureiro. Tio era alguém extremamente competente em tudo que fazia. Mas voltando aquele dia do terreno... Depois de tudo resolvido, tio Clécio resolveu passar em sua casa, antes de me levar de volta.
CLÉCIO:   Entre filho. Vou ver se tem alguma coisa pra gente lanchar. Você quer?
FILHO (Oscar):   Quero ir pra casa tio. (Passa a mão nos olhos, como se estivesse com sono).
CLÉCIO:   Ô filho! Você disse que queria vir aqui por isso que eu te trouxe. Mas vamos fazer o seguinte...vá lá no meu quarto e pegue o carrinho que eu comprei pra você. Eu vou fazer o lanche e vou lá pra saber o que achou do presente. Vá! (Sai de cena).
(Obs: Clécio vai para um lado como se fosse à cozinha e Oscar vai para outro lado seguindo para o quarto. Mas os dois saem de cena, para voltar a narração. )
NARRAÇÃO:    Empolgado, esqueci o cansaço e fui ao quarto ver o presente. O carro era de última geração. Super caro! Fiquei brincando e em seguida tio Clécio chegou com o lanche. Depois que lanchamos percebi que o tio Clécio estava estranho. Ele me olhava de um modo diferente que nunca notei antes. Me chamou pra perto dele, depois aconteceram coisas que não valem a pena serem citadas. Ao cair da tarde, me levou de volta pra casa. Durante nossa ida, me fez prometer que jamais falaria o que aconteceu naquele dia. E que meus pais não poderiam saber, pois não entenderiam. Era um segredo meu e dele. Fiquei calado, desci do carro e me despedi do Tio Clécio. Naquele dia em diante, comecei a ser outro Oscar.
(Obs: Após a narração, seguir para cena 3. Enquanto a parte acima está sendo narrada, os personagens Tio Clécio e Oscarzinho estão FORA DE CENA. )
CENA 3
O filho entra em casa e encontra sua mãe...
MÃE:   Oi filho! De quem é esse carrinho?
FILHO:   Ganhei do tio Clécio (fala cabisbaixo).
MÃE:   O que foi? Não gostou do presente? Deixa mamãe ver... O carro é lindo filho. Vem aqui dá um abraço na mamãe. Você tá tão tristinho pra quem acabou de ganhar um presente. Aconteceu alguma coisa?
FILHO:   Nada. Me dá o meu carrinho!!!! (fala gritando com a mãe e sai correndo – sai de cena).
MÃE:   Oscar! Volte aqui. Não fale assim comigo!!! (vai atrás do filho)
NARRAÇÃO:    Enfim cheguei à adolescência. Uma fase de conflitos e mudanças. E comigo não foi diferente. A maioria dos adolescentes quer fazer amigos, já eu preferia a solidão pra tentar me entender. Não me interessava mais pelas atividades da igreja. Quase não ia aos cultos. A vida pra mim se tornou sem graça! As lembranças felizes de minha infância foram “sufocadas” por aquele momento na casa do Tio Clécio. Esse a quem chamei de tio, foi morar em Aracaju e nunca mais tivemos notícias. A sensação é que a todo instante revivo o que aconteceu. Me sinto culpado e com medo de contar aos meus pais. Estou confuso e envergonhado. Será que Deus um dia vai me perdoar? No meio de toda essa confusão conheci um amigo que tem me ajudado, pois sei que meus pais não entenderiam minha escolha, mas é dessa forma que decidi viver.
(* Oscar chega de mais um dia de aula. Está ouvindo música com fones de ouvido. )
MÃE:   Oscar, meu filho! Liguei tanto para o seu celular...Onde você estava até essa hora? Oscar, Oscar...tá me ouvindo? Ele está distraído. Ela retira os fones de ouvido dele e ele diz:
FILHO:   Hã?
MÃE:   Eu perguntei onde você estava? A aula acabou faz tempo...
FILHO:   Ah mami! Não enche!!! Tava por aí. Eu cheguei, não cheguei? Tô aqui.
MÃE:   Filho eu só tô perguntando porque fiquei preocupada. Tava te esperando para o almoço. Você não atendeu minhas ligações. Só isso! Não custa nada você avisar onde está. Sabe como eu fico preocupada.
FILHO:   Não se preocupe. Seu filho já cresceu e sabe se cuidar. Agora se você quer saber realmente onde eu tava...fui à casa do Rick. A gente ficou jogando conversa fora que nem notei a hora passar.
MÃE:   Você só vive na casa desse menino!
FILHO:   Pronto, agora eu não posso ter amizade. Mami, a minha vida é de casa pro colégio...do colégio pra casa. Agora só falta reclamar da minha amizade com o Rick.
MÃE:   Não tô dizendo isso. É porque ficar o tempo todo na casa de alguém pode parecer inconveniente. A mãe dele deve estar cansada de ver você lá toda hora.
FILHO:   Eu não vou ficar dando explicações mami. Além do mais, o Rick mora com um tio e ele não se incomoda que eu vá pra lá. Perdi até a fome!!! Vou pro meu quarto (Sai de cena com raiva).
MÃE:   Oscar, ainda não terminei. Volte aqui!!! (fala gritando) O pai de Oscar chega...
PAI:   Que gritaria é essa que dá pra vizinhança toda ouvir.
MÃE:   É o Oscar. Ele me trata de um jeito...
PAI:   Só podia ser esse garoto. O que ele fez dessa vez. Vou deixar ele sem mesada por um bom tempo!
MÃE:   Isso não vai adiantar. Realmente eu queria entender onde erramos na criação do Oscar. Nossa discussão foi por causa desse tal de Rick, colega dele.
PAI:   Ouvi que os ânimos estavam bem exaltados aqui. E vou ter uma conversinha com ele. Não pode tratar você assim.
MÃE:   Não sei se conversando vai adiantar. Ele tá muito rebelde!!! Grita comigo, fala coisas que eu jamais imaginei que ouviria dele.
PAI:   Ele vai ter que me ouvir. Enquanto estiver sendo sustentado por nós, terá que obedecer.
(A mãe fica calada e apreensiva pelo que pode acontecer na conversa entre pai e filho. O pai vai ao quarto de Oscar. Ele está ao telefone com Rick... )
PAI:   Oscar, precisamos conversar!!! (fala com expressão séria). Ele escuta um trecho da conversa de Rick e seu filho...
FILHO:   Eu também!!! Já estou com saudade... Oscar percebe que seu pai entrou em seu quarto tenta disfarçar e desliga logo a ligação...
FILHO:   Até amanhã! (desliga a ligação)
PAI:   Oscar, falei com sua mãe e ela disse que vocês discutiram por causa desse seu colega...o Rick.
FILHO:   A mami é exagerada!!! Pega no meu pé. Falei que já sou crescidinho.
PAI:   Nós sabemos disso. Só nos preocupa o fato de você viver na casa desse rapaz todo dia. Você tem agido estranho. E como seu pai eu também me preocupo.
FILHO:   Se preocupa? Pai, você tá brincando né? Nem liga pra mim. Só pensa em resolver os problemas da igreja.
PAI:   Você está sendo injusto. Eu e sua mãe temos muitos deveres na igreja mesmo. Principalmente depois que seu tio Clécio se mudou. Mas sua mãe e eu nos preocupamos com você e fazemos de tudo para te dar o melhor.
FILHO:   Quando vai entender que eu não preciso de coisas, eu preciso da atenção de vocês.
PAI:   Fazemos o possível filho. O que me deixa chateado é saber que você e sua mãe têm discutido muito esses dias. Terei que suspender sua mesada e proibir que vá à casa desse colega.
FILHO:   Como é? Ah, mas não vou deixar de ir mesmo. (fala com raiva)
PAI:   Você vai me desafiar garoto? (fala séria)
FILHO:   Vou sim. Eu e o Rick somos amigos. Não vou deixar de ir à casa dele só pra fazer o seu gosto.
PAI:   Estou começando a achar que você e esse seu amiguinho são...
FILHO:   Somos o que pai! Fala!!! Não tem coragem de admitir né? Pois bem, eu e o Rick somos mais que amigos. Agora o Sr vai ter vergonha de mim por isso? (O pai fica cabisbaixo e diz... )
PAI:   Eu não esperava isso de você. Que decepção! Sabe o que a bíblia diz sobre isso?
FILHO:   Sei. Mas quero viver minha vida. Seguir o meu caminho... Na mesma hora entra a mãe de Oscar...
MÃE:   O que houve? Amor você tá com uma cara...
PAI:   Pergunte a ele. A partir de hoje eu não tenho mais nenhum filho. E o sr, arrume suas coisas e saia dessa casa. A mãe fica desesperada...
MÃE:   Meu Deus!!! Não mande nosso filho embora! Pra onde ele vai?
FILHO:   Mãe, deixa ele...vou arrumar tudo.
PAI:   Eu não quero saber aonde esse garoto vai. Só o quero longe das minhas vistas. Ele é uma vergonha pra nossa família e ministério. (O pai sai de cena. Calado e cabisbaixo. Está chocado com as declarações de Oscar. )
MÃE:   O que foi que você falou a ele Oscar?
FILHO:   Mami, eu não tenho tempo pra explicar agora. Você ouviu que ele disse pra eu sair de casa. Depois a gente conversa melhor. Pergunte ao Seu Oscar que ele dirá o que houve aqui. Eu só quero arrumar minhas coisas e ir embora.
MÃE:   E pra onde você vai?
FILHO:   Não sei. Vou ligar pro Rick e contar o que aconteceu. Depois resolvo o que vou fazer. (*Mãe e filho se abraçam. Eles começam a chorar por tudo que aconteceu. Oscar dá às costas para sua mãe e sai de cena enxugando as lágrimas.)
CENA 4
NARRAÇÃO:    Depois de toda discussão com meu pai, deixei minha casa com a certeza de jamais voltar. Afinal, eles não entenderam meus motivos, nem meu afeto pelo Rick. O que mais doeu foi ver as lágrimas de minha mãe. Espero um dia explicar tudo e que ela me perdoe pelo que fiz. Os anos passaram...muita coisa aconteceu. E a cada dia o vazio era maior! No fundo eu sabia que precisava pedir perdão aos meus pais e principalmente a Deus. As lembranças do meu lar, dos momentos felizes ao lado deles, eram mais vivas dentro de mim. Eu que cresci ouvindo meus pais falarem que um dia seria pastor, me vi distante de tudo e da presença de Deus. Busquei ser feliz de um modo que me agradava, mas eu sabia que não agradava a Deus. Dei ouvidos à voz do inimigo que só veio para roubar, matar e destruir. Quando dei conta de tudo isto, rompi meu relacionamento com Rick, deixando às práticas do pecado. E agora, vou procurar aqueles a quem devo pedir perdão.
CENA 5
*Na igreja, o pai de Oscar está pregando. A mãe está sentada próximo ao púlpito (colocar cadeiras como se fosse uma igreja, separando uma para ficar bem na frente das pessoas (cadeira do pastor). A pregação prossegue...
PAI:   Aquele filho pródigo entendeu que precisava voltar à casa do Pai. Talvez nessa noite você se sinta como o filho que deixou a casa do pai em busca de uma alegria passageira (No mesmo instante, o filho entra na igreja e senta. O pai vê o rapaz que acabou de entrar e o acha parecido com Oscar, mesmo assim continua a pregação).
PAI:   Mas Deus nessa noite quer te abraçar e te receber de volta. Ouça o chamado do Pai e volte para o lar. Venha! O Senhor te convida nesta noite!!!
[* Nessa parte tocar a música...”SAL” – Salzband* (Disponibilizo a música editada)
Oscar levanta a mão e vai à frente da igreja. E fica de joelhos com as mãos no rosto chorando arrependido.
Assim que reconhece Oscar, o pai toca em seu ombro. Quando o filho vê a alegria do pai, se levanta e o abraça.
Os dois choram muito!!! Os dois se abraçam. A mãe, ao ver seu marido e seu filho juntos também chora. Em seguida se junta a eles.
A igreja (figurantes) ficam de pé e glorificam a Deus com palmas por ver a família reunida novamente.]
FIM
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
* A parte narrada pelo personagem principal pode ser gravada antes pra facilitar a hora da apresentação.
* Escolher 3 garotos para fazer o personagem principal (OSCAR) em suas fases da vida: Oscarzinho bebê - (pode ser um bebê de brinquedo) Oscar criança - 8 anos/ Oscar adolescente - 14 anos / Oscar Jovem - 20 anos. De acordo com a partes narradas.
*Colocar figurantes na cena 5 (cena final na igreja)
* Como tema é bastante delicado e quase não abordado em peças evangélicas, quem interpretar o filho NÃO deve exagerar em trejeitos ou coisas do gênero. SEGUINDO FIELMENTE o texto, poderemos passar uma mensagem de forma mais objetiva, SEM tornar a peça uma comédia. Se trata de um tema pouco abordado, então as equipes que pretendem fazer a peça devem buscar a forma mais SÉRIA E SUTIL de passar a mensagem, assim como eu fiz no texto. O intuito NÃO é caricaturar esse tipo de pessoa e SIM falar que DEUS AMA a todos, basta que abandonem a prática do pecado e voltem para propósito que Deus criou...HOMEM E MULHER, formando uma família abençoada e feliz.
*ORAR por todos os integrantes da peça em especial quem fizer o filho.
* Disponibilizo duas MÚSICAS para a peça (uma para cena final e outra para narração), basta enviar email para thaisbelo_12@hotmail

BLOG DA AUTORA Thais Belo Mamede

 

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