COMUNIDADE TRANSFORMADORA

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Imagine uma sociedade onde Jesus reinasse e todos vivessem de bem uns com os outros. Isso é possível, mas, somente se todos tiverem o caráter transformado por Cristo.

Veja como a mensagem e poder de Jesus podem mudar uma sociedade.

O movimento começa com Louco, um homem desconhecido que deixa todos intrigados com suas palavras. Em seguida, um delegado, um jovem, uma professora, um empresário e uma jornalista são impactados e desafiados a lutar por uma cidade melhor.

Personagens
LOUCO:
ALENCAR:
POLICIAL MARCOS:
ANDRÉ:
LUIZA:
RAUL:
MÔNICA:
BIA RIBEIRO:

 

1ª Cena
Louco entra
LOUCO: Vocês que estão andando aqui na rua, acham que o mundo tem solução?
Vocês acham mesmo que esse caos vai melhorar?
Acham que vai surgir um líder que vai resolver todos os nossos problemas? Ou um partido, uma ideologia?
Todos estão enganados! Só Jesus pode transformar essa sociedade! Só o poder de Jesus! Apenas se tivermos o caráter de Cristo poderemos formar um mundo melhor.
Se não for assim, não adianta cumprirmos nossas obrigações com o país, ser um bom cidadão, não roubar, não matar... Só Jesus é a solução para esse mundo!
Policiais entram e levam o louco para a delegacia.
LOUCO: O que vocês estão fazendo?
POLICIAL:  Te levando pro hospício, seu maluco!
 
 
2ª Cena
JORNAL- vinheta
REPÓRTER: Boa noite.
Um homem causou confusão hoje à tarde no centro da cidade. Seu nome ainda não foi divulgado pela polícia, mas os policiais que o prenderam o chamam de Louco.
Louco foi preso por volta das cinco horas da tarde após impedir a passagem dos carros na avenida Presidente Vargas. De acordo com testemunhas, Louco seria um crente fanático.
A repórter Bia Ribeiro está na delegacia para onde, Louco foi levado.
Entrevista com policial
BIA RIBEIRO: Estamos aqui com o sargento Marcos de Souza, que prendeu o Louco. Sargento, o que esse homem pretendia fazer?
MARCOS: Ele queria chamar a atenção. Quando chegamos ao local o elemento estava impedindo a passagem dos carros e gritando que Jesus era a solução dos problemas da sociedade, coisas desse tipo.
BIA RIBEIRO: Obrigada, sargento, voltamos ao estúdio.
REPÓRTER: Obrigada, Bia. Por hoje é só, até amanhã.
Vinheta. Repórter sai.

 

3ª Cena
Na Delegacia
POLICIAL MARCOS: Delegado, esse é o cara que estava atrapalhado o tráfego lá na Presidente Vargas.
DELEGADO: Ué, o que esse cara ta fazendo aqui, dá um sacode nele e põe na cela, vocês querem que eu interrogue esse maluco, é isso? Tenho mais o que fazer!
LOUCO: Vocês não podem me bater, eu não fiz nada!
DELEGADO: Claro, claro, ninguém faz nada, o mundo está o caos por causa de quem então, dos ETs? Tira esse imbecil da minha frente, eu já disse que tenho mais o que fazer.
Policiais levam Louco para a cela
LOUCO: O mundo está assim por causa do Diabo, delegado, e o senhor sabe disso! A violência não vai fazer o mundo melhor, Malta! Você pode fazer melhor do que isso!
Louco e Policiais saem
DELEGADO: Já tem tanto maluco nessa delegacia, era só o que me faltava, um crente doido. (pausa) Malta? Ele me chamou de Malta! Marcos, traz o doido varrido aqui agora!
Marcos traz o Louco
DELEGADO: Pode sair, Marcos, eu quero ter um particular com esse elemento.
MARCOS: Sim, senhor, delegado.
DELEGADO: Eu vou perguntar e eu quero a verdade: quem é você e o que você quer? Você sabe que Malta era o meu apelido na adolescência.
LOUCO: Eu sabia que você ia pegar a isca.
DELEGADO: O que você quer? Acha que vai me chantagear com alguma coisa? Você está me espionando? Quem é você? Você acha que vai conseguir alguma coisa de mim, não vai mesmo!
Eu espremo você até o bagaço naquela cela, com as minhas próprias mãos! Já conheço o seu tipo, acha o que, que eu não sei que tem um monte de gente por aí que quer a minha cabeça? Fala logo! O que você quer?
LOUCO: Não interessa o que eu sou, sou só um louco...
DELEGADO: Olha, eu sou um delegado muito calmo, não gosto de violência, prezo pelos direitos humanos, mas eu já estou perdendo a minha paciência com você!
LOUCO: É por isso que eu estou aqui, delegado Alencar. O seu apelido, Malta, digamos que eu tenho meus contatos. Mas eu não quero te ameaçar, te fazer mal, eu venho te trazer uma mensagem.
DELEGADO: De quem?
LOUCO: De Deus. Alencar, você é um delegado influente na sociedade. Você é bem visto pelas pessoas, sua chefia é exemplo no Rio de Janeiro. Nos meios de comunicação já se cogita que você será escolhido para a secretaria de segurança. E além disso, você é um intelectual. Você pode usar tudo isso que você tem para melhorar a sociedade, para transformá-la.
DELEGADO: E você acha que eu não faço isso?
LOUCO: Você acha que faz. Mas a sociedade só vai ser transformada através de Jesus. Por mais que suas intenções sejam boas, nada disso será suficiente para melhorar a situação. O mundo jaz no maligno, Alencar, e a solução para o Rio de Janeiro, para o Brasil, está somente em Jesus!
DELEGADO: Olha, eu respeito isso tudo, mas não estou afim de escutar a sua pregação. Religião cada um tem a sua. Eu vou soltar você, ta bom, agora sei que você não é um bandido...
LOUCO: E quem disse que não?
Delegado se assusta
LOUCO: Você vai dizer o que, que eu sou um homem de bem porque eu não roubo, não mato, não faço coisas desse tipo? E as mentiras? E a nossa falsidade?
A sociedade está corrompida por todos os tipos de pecados, Alencar, os dos presos da sua delegacia, os meus, os seus. A sociedade tem que ser transformada pela renovação da mente de todo mundo, não só pela regeneração dos bandidos.
E não é usando a violência que isso vai acontecer.
Jesus veio ao mundo para trazer uma revolução do amor. O amor constrange. Imagina se você suspender o uso da violência na delegacia? Imagina se você falar de Jesus para os presos, levar esperança para a vida deles? Não seria muito melhor? Você sabe que esse sistema não funciona, Alencar. Eu sei que diferente de outros, você está realmente interessado em mudar essa cidade. E eu estou te apresentando a maneira mais eficaz. Não será uma pessoa, uma religião, ou uma ideologia. Será pelo poder do filho de Deus. Entre as minhas coisas tem uma Bíblia. Se você quer ser um agente de transformação, leia a história de Jesus. E dentro também tem um telefone. Você pode ligar quando tiver alguma dúvida. Eu acredito em você, Alencar. Deus não vai te desamparar! Eu tenho que ir agora!
Louco se aproxima da porta. Marcos entra.
MARCOS: Onde você pensa que vai, seu maluco?
DELEGADO: Calma, Marcos, deixa ele ir. Ele está liberado!
Marcos solta Louco sem entender nada.
DELEGADO: Eu vou dar uma saída, Marcos. Daqui a pouco eu volto.
MARCOS: Ok, delegado!
Os dois saem
 

 

4ª Cena
Jornal- Vinheta
REPÓRTER: Boa Noite. O delegado Cláudio Alencar, da 3a DP, no Centro, foi afastado pelo secretário de segurança Luis Antônio Farias, ontem à tarde. O afastamento foi consequência da ordem dada por Alencar na semana passada de suspender o uso da violência na delegacia. Segundo os policiais, o delegado tomou a decisão após uma conversa com Louco, um homem que foi preso por ter atrapalhado o trânsito na avenida Presidente Vargas, no Centro.
Louco foi solto no mesmo dia e até agora ninguém sabe quem é, pois seus dados não foram colhidos no momento da prisão. A atitude do ex-delegado gerou insatisfação entre os policiais da 3a DP, que comunicaram o fato ao secretário de segurança. A repórter Bia Ribeiro está com o ex-delegado, e vai nos dar maiores informações sobre o caso. Bia...
BIA: Boa noite, Mônica, estamos aqui com o ex-delegado Cláudio Alencar.
Alencar, por que você tomou essa decisão?
ALENCAR: Foi a melhor ordem que eu já dei naquela delegacia. Tomei essa decisão porque todos sabemos que o uso da violência não funciona. Não será assim que vamos resolver o problema da violência no Rio de Janeiro. A sociedade clama por paz, mas reprovou a minha decisão. Isso mostra o quanto é hipócrita e mentirosa. Eu quero realmente a paz para o Rio de Janeiro, por isso eu acho que a situação só vai mudar quando todos conhecerem a Jesus e tiverem o seu caráter e...
BIA: Muito obrigada, Alencar, voltamos ao estúdio.
REPÓRTER: Obrigada, Bia. Bom, por hoje é só, até amanhã e boa noite.
Vinheta- repórter sai.
 

 

5ª Cena
Alencar entra em casa. Seu filho ( André), está fumando encostado no canto.
Olha para o filho com muita tristeza.
ANDRÉ: Nem adianta dar bronca.
ALENCAR: Quem disse que eu vou dar bronca?
ANDRÉ: Você dá bronca até com o olhar. Esse seu olhar repressor.
ALENCAR: Então eu tenho um olhar repressor?
ANDRÉ: Claro, você é um delegado. Você reprime até a sombra das pessoas, todos tem que ter medo de você. Aliás, ex-delegado! O que foi aquilo, heim, pai? Eu sei que você sempre foi um idealista, tão sonhador, mas aquilo foi a gota d’água! O que deu em você? Quem te disse que isso ia dar certo? Sinceramente, pai, você me faz rir.
ALENCAR: Engraçado, você reclama do meu olhar repressor e quando tomo uma atitude não repressora você reclama também!
ANDRÉ: São situações diferentes.
ALENCAR: Não, não são. Pode até parecer. Mas você tem coisas em comum com aqueles presos.
ANDRÉ: Como assim? Ta me chamando de bandido?
ALENCAR: Não, André. Mas muitos deles não tiveram um pai presente que os educasse, e muitas vezes eu também não fui um pai presente. Para aparecer, eles roubam, matam, fazem de tudo para chamar a atenção, mudar a situação de abandono em que sempre viveram. Querem ser conhecidos. E você fuma, bebe, cheira, discute comigo. Mas eu sei que é para chamar a minha atenção, até você sabe disso.
ANDRÉ: Eu não sei de nada, não, eu fumo porque eu gosto.
ALENCAR: Não, meu filho, você fuma porque eu não gosto.. Porque quando eu vejo você se matando me faz sofrer, e você quer isso. Você quer me ver sofrer como eu te fiz sofrer. Quando eu troquei você pelo meu trabalho. O que eu fiz lá na delegacia foi loucura, mas eu fiz por você. Quero que você viva num mundo melhor, e o mundo será melhor apenas com Jesus.
ANDRÉ: Pai, desculpa , mas eu não acredito. Isso é muito antiquado, o cristianismo já está velho. Eu não sei o que fizeram com você, mas você não pode se deixar levar por essas besteiras, pai...
ALENCAR: Mas eu quero , meu filho! Essas besteiras me trouxeram esperança!  Jesus me fez ver como eu vivia de maneira errada e está me dando forças para mudar e reparar algumas coisas que fiz. E eu quero começar com você. Quero reatar o nosso relacionamento, vamos conversar, compartilhar o que estamos sentindo...
ANDRÉ: Ah, pai, sai dessa! Esse papinho de “sou seu pai, sou seu amigo”, não combina comigo. Agora é tarde.
ALENCAR: Não é tarde não, meu filho. Você está querendo se fazer de durão. Você sempre quis chamar a minha atenção, agora eu estou aqui. Estou me humilhando na sua frente, eu te peço perdão, meu filho, por tudo que eu falei, por tudo que eu não fiz por você. Por favor, meu filho, me dá uma chance. Eu quero reparar o que eu fiz. Eu sou um pai, não se afaste de mim, senão vou ficar desesperado. Eu te amo, meu filho, você é parte de mim! (Abraça o filho)
ANDRÉ: ( ainda abraçado com o pai) Tudo bem, pai. Vamos tentar.
ALENCAR: (solta o filho) Isso , meu filho. Jesus vai nos ensinar a nos relacionar e eu vou te ensinar tudo o que eu aprendi até agora. Você quer aprender?
ANDRÉ: Se esse Jesus fez essa mudança tão grande em você, então eu quero saber sim. Não custa nada, né?
ALENCAR: Muito obrigado, meu filho. Muito obrigado, Jesus, por essa vitória!
 
 

 

6ª Cena
A professora Luísa entra com André.
LUÍSA: Senta aí.
ANDRÉ: Professora, o que eu fiz?
LUÍSA O que você fez? O que você sempre faz: colar!
ANDRÉ: Eu já disse que não colei.
LUÍSA:  É o que você sempre diz. Espera só o diretor chegar, eu vou conta tudo pra ele. Dessa vez você não escapa. Vai levar uma suspensão. Aliás é o que você sempre leva. Temos que começar a pensar em algo mais severo, porque só suspensão não está funcionando.
ANDRÉ: Você está sendo injusta.
LUÍSA:  Não me venha falar de justiça, André. Você sempre está errado. Você não tem jeito.
ANDRÉ: Aí que você se engana. Eu estou mudando, professora. Eu te juro que não colei. Eu até estudei pra essa prova, se você quiser, faço a prova na sua frente.
LUÍSA:  Você não vai me enrolar, garoto. Fica quieto aí, não quero ouvir mais uma palavra!
ANDRÉ: Você não pode fazer isso! Você é uma educadora. Você escolheu essa profissão para influenciar a gente. E você não pode desistir do seu aluno. Você nos ensina a ser cidadãos honestos e quando eu decido ser honesto você duvida da minha palavra? Você precisa acreditar em mim, você tem que dar o seu voto de confiança. Ou então larga essa profissão, vai ser empresária, como o seu pai.
LUIZA: Minha família fica fora disso. Isso não tem nada a ver. Você é um mal caráter e eu não sou sua mãe pra te educar.
ANDRÉ: Você não pode dizer isso, professora. Eu sou seu aluno. Você me ensina a ser uma boa pessoa. A correr atrás dos meus sonhos. A senhora é um exemplo pra mim. Você enfrentou seu pai, poderia ter sido mais uma empresária metida como ele e preferiu ser professora e pôr juízo na minha cabeça! E agora eu mudei! Está na hora de colher os frutos dos seus esforços. Quero recuperar o tempo perdido e influenciar meus amigos. Esse negócio de ser rebelde já era , professora, agora vai ser diferente!
LUIZA: Não é possível! Você está querendo me enganar? Por que essa transformação repentina?
ANDRÉ: Meu pai tem me ensinado muitas coisas, professora.
LUIZA: O seu pai não é aquele delegado que suspendeu o uso de violência na delegacia e foi afastado do cargo?
ANDRÉ: Exatamente. E você precisa saber o que ele me falou sobre um tal de Jesus Cristo, simplesmente mudou minha vida! Foi incrível!
LUIZA: Olha , eu respeito todas as religiões...
ANDRÉ: Não, não é religião! É muito mais do que religião. E eu quero contar tudo pra senhora. Se a senhora juntar a sua aula com os ensinamentos de Jesus, simplesmente irá formar cidadãos exemplos para a sociedade! Futuros líderes, compromissados com as pessoas, íntegros, justos! Professora, eu sei que você abandonou uma vida de luxo pela sua vocação. Faça isso valer a pena! E só Jesus pode te ajudar nessa empreitada.
LUIZA: Garoto, você está me dando medo. Olha o jeito que você está falando! Mas está me deixando curiosa! Vamos fazer o seguinte, depois da aula você me conta essas coisas que você aprendeu. Preciso saber o que deixou você assim tão mudado!
ANDRÉ: Está marcado professora!
Os dois saem
 

 

7ª Cena
Jornal- Vinheta
REPÓRTER: Boa noite. Na tarde de hoje houve uma manifestação de alunos na Avenida Antônio Carlos, no centro. Os adolescentes eram do Educandário Santo Inácio e tinham como líder a professora Luiza Mendes. De acordo com a Polícia Militar eram em torno de 100 jovens, que deixaram o trânsito lento em outras ruas também. A professora explicou o motivo da passeata para Bia Ribeiro. Bia...
BIA: Boa noite, Mônica, estamos aqui com Luiza Mendes, professora, qual era o motivo da manifestação?
LUIZA: Boa noite, Bia, nós queremos mostrar para a sociedade o nível de degradação moral em que estamos inseridos. Eu sempre ensinei meus alunos a serem cidadãos de verdade, pessoas honestas. Estamos aqui para protestar por esse nível de corrupção e indiferença da sociedade, nossa indiferença.
Minha, sua, da Mônica, de todos nós, que não fazemos nada para melhorar nosso país. Eu e meus alunos achamos que a solução para isso tudo só em Jesus. A sociedade jaz no maligno e a esperança só em ....
BIA: Obrigada, professora. Voltamos ao estúdio.

 

 

8ª cena
Luiza entra em casa. A campainha toca
Luiza chega em casa. Logo após a campainha toca. Raul (seu pai) entra.
LUIZA: Oi, pai. O que você quer?
RAUL: Você sabe qual é o assunto.
LUIZA: Eu não quero falar sobre isso, pai, por favor, vai embora.
RAUL: Não! Não vou! Você precisa ouvir o que eu tenho para falar!
LUIZA: Eu não tenho que ouvir suas broncas, eu já sou uma mulher crescida, não tenho mais 10 anos.
RAUL: Não é o que parece! O que foi isso que você fez, Luiza? Organizar uma passeata com os alunos. Até agora eu não entendi isso.
LUIZA: Isso não é surpresa, pai. Você nunca entenderia. É uma questão de princípios, de crenças, coisas que você não está acostumado a ter.
RAUL: OK. Pode me insultar. Pode dizer que eu sou um empresário burguês nojento, que só se preocupa com o lucro. Talvez eu seja isso mesmo. Mas agora? O que você vai fazer da sua vida? Você foi demitida. E eu acho que agora você está com uma fama não muito boa nas escolas. Eu acho que vai ser muito difícil alguém contratar uma professora de História que organiza manifestações com os alunos no Centro da cidade.
LUIZA: E eu suponho que você veio aqui me oferecer outra oportunidade de trabalhar com você.
RAUL: Pode ser. Mas você é muito boa, né, é muito revolucionária para trabalhar comigo. Eu sou o porco burguês, o mal, o monstro. Eu posso ser isso tudo, mas eu não deixo minha família na mão.
Eu sei que você não me respeita, não gosta de mim, mas sempre vai ter uma vaga para você nas minhas empresas. Você nunca vai passar necessidade.
LUIZA: Quem disse que eu não gosto do senhor?
RAUL: Ah, Luiza, não precisa mentir pra mim, eu sei que não.
LUIZA: Eu posso não te respeitar muito, o que é errado da minha parte. Mas eu amo o senhor, pai. Temos muitas diferenças, mas eu amo o senhor.
RAUL: Eu sou velho, mas não sou bobo, não precisa me enganar.
LUIZA: Pai, não seja tão duro. Eu estou falando a verdade. Eu tenho aprendido muitas coisas interessantes que estão mudando a minha vida.
RAUL: Ah, eu vi na televisão. Você virou crente, eh?
LUIZA: Eu conheci Jesus, pai. E está sendo incrível. Você precisa conhecê-lo também, tenho certeza que vai mudar sua vida.
RAUL: Filha, eu respeito todas as religiões, mas prefiro não me envolver.
LUIZA: Você não gosta de se envolver com nada! Não se envolveu com a mamãe, não se envolveu comigo. Você não se envolve com ninguém. Mas você vai se impressionar quando se envolver com Deus. A mamãe te decepcionou, eu te decepcionei, mas Deus nunca nos decepciona. Dê uma chance para Ele!
RAUL: Luiza, minha filha... o que as pessoas vão dizer? Eu sou um empresário de prestígio na sociedade. Imagine, eu, crente? Ninguém vai acreditar, não nasci para ser santo, você sabe que eu não sou.
LUIZA: Isso não é pretexto, pai. Deus quer você mesmo com todos os seus defeitos e pecados!Não ligue para a sociedade, eles não ligam para você quando você chora à noite por causa da solidão. Deixa eu te falar de Jesus!
RAUL: Você realmente está muito diferente. Até agora não me xingou! Nem saiu gritando e batendo a porta. Quando foi a última vez que nos encontramos sem brigar?
LUIZA: Nem me lembro. Mas isso vai mudar, meu pai. Você já jantou? Vamos jantar juntos, tenho muita coisa para contar pra você!
(Saem)
 

 

9ª Cena
Telejornal
MÔNICA: Boa noite. O megaempresário Raul Mendes surpreendeu nesta terça-feira. Raul doou 90% do faturamento de sua empresa para instituições carentes e igrejas evangélicas. O ato totalmente inesperado gerou preocupação no mercado financeiro, pois a empresa de Mendes, a Infotec, possui ações na Bolsa de Valores de São Paulo. As ações da empresa, que nos últimos dias apresentaram alta, despencaram. Na semana passada, a revista Forbes lançou um ranking com os 500 homens mais ricos, na qual Mendes ocupou a 90ª posição. Sua fortuna está avaliada em 8,8 bilhões de dólares. Entre os brasileiros, Mendes está abaixo somente de Antônio Ermírio de Moraes.
A repórter Bia Ribeiro está com Raul Mendes, ao vivo, em seu apartamento, no Leblon. Bia...
BIA: Bom, Raul, explique, por que o senhor fez isso?
RAUL: Eu fiz isso por achei que era o mais certo. É um absurdo que uma pessoa tenha tanto dinheiro enquanto milhões não têm o que comer.
BIA: Nas últimas eleições o senhor apoiou o candidato do PSDB, Adamastor Machado. É verdade que o senhor mudou de lado, agora é da esquerda?
RAUL: Eu não fui para esquerda. Para dizer a verdade, agora eu não estou em lado nenhum. Não acredito mais na política como meio de transformar a sociedade, até porque eu apoiei candidatos. Eu financiei campanhas, e por causa disso muitas decisões giraram em torno dos meus interesses. Eu conheço os bastidores desse jogo. E decidi não colaborar mais com isso.
BIA: Então o senhor doou o seu dinheiro como forma de protesto?
RAUL: Não, foi um ato de amor. O dinheiro cega as pessoas. Eu não via o sofrimento à minha volta, criancinhas passando fome, pessoas comendo lixo. E eu me perguntei: que direito eu tenho de ter do bom e do melhor enquanto esses seres humanos são tratados pior que animais? Me senti a pior pessoa do mundo. É por isso que o mundo está dessa maneira, porque estamos cegos, não enxergamos os outros. E também é por isso que eu gastei 70% do meu orçamento com câmeras de segurança, aparelhos e guarda-costas. Tudo que eu plantei nessa sociedade se volta contra mim.
BIA: O que te levou a tomar essa decisão?
RAUL: Minha filha. A Luiza nunca gostou desse jogo de poder. Eu queria que ela trabalhasse na empresa, que fosse fazer MBA nos Estados Unidos, ela até estudou na Suécia, mas quando voltou prestou vestibular e foi fazer História numa universidade pública. A partir daí nós passamos a viver em pé de guerra. Quando ela promoveu aquela passeata no Centro do Rio com os alunos, eu fui conversar com ela, para tentar entender aquilo. Aí ela me mostrou muitas coisas interessantes. Eu achava que minha filha seria uma qualquer, hoje tenho muito orgulho dela. Ela é exemplo pra mim.
BIA: Que "coisas interessantes" sua filha te mostrou?
RAUL: Luiza me ensinou sobre uma nova forma de transformação da sociedade, não mais por meio da política, mas pela transformação pessoal. Ela me falou sobre Jesus Cristo. Esse sim mudou o mundo, ele era exemplo. Jesus nos ensinou a viver sem hipocrisia e falsidade e ...
BIA: Muito obrigada, Raul, voltamos ao estúdio.
MÔNICA: Uma série de fatos curiosos aconteceu nas últimas semanas.
   Tudo começou há dois meses, quando um homem denominado Louco, causou confusão no centro da cidade. Segundo testemunhas, o homem gritava no meio da pista e tinha um livro nas mãos. Uma semana depois, o delegado que o prendeu, dá uma ordem polêmica na delegacia. Cláudio Alencar proibiu que os policiais espancassem os presos, costume em todas as delegacias. A decisão não agradou os policiais, que pediram que o delegado fosse exonerado.
   Duas semanas depois, um grupo de alunos do ensino médio de uma renomada escola da zona sul carioca surpreendeu ao realizar um
protesto. A manifestação ocorreu no centro do Rio, e tinha como líder a professora Luiza Mendes e o filho do ex-delegado, André Alencar. Luiza é filha de Raul Mendes, megaempresário do ramo das telecomunicações. O feito de Luiza atingiu o pai, que na semana seguinte doou 90% de sua fortuna para instituições carentes e igrejas evangélicas. Estou com a psicóloga Marta Cristina, especialista em psicologia e religião, que vai nos esclarecer esse fenômeno. Marta, por que isso está acontecendo? O que explica o comportamento desse homem, chamado Louco, o delegado Cláudio Alencar e o empresário Raul Mendes ?
MARTA: Bom, esses comportamentos são retratos da situação da sociedade carioca. O que foi isso no fundo? Foram cidadãos normais querendo mudar a realidade com as próprias mãos. Eu não sei muito sobre esse homem, o Louco, mas creio que ele tem um discurso muito convincente, a ponto de fazer discípulos.
MÔNICA: E você acha que esse discurso e essas atitudes são saudáveis?
MARTA: São. Eles estão querendo fazer o que todos nós queremos, mas, com uma atitude mais enérgica e mais radical.
MÔNICA: Mas você não acha que esse homem misterioso, o Louco, esteja querendo se aproveitar dessas pessoas? Que seja um charlatão?
MARTA: Eu não tenho uma opinião formada a respeito, mas não vejo o discurso desse homem como uma mentira, uma falcatrua. Ele somente está querendo nos apresentar uma solução. Não posso julgá-lo por ele agir de forma diferente.
MÔNICA: Na manifestação dos alunos, com a professora Luiza Mendes, a principal bandeira levantada foi Jesus Cristo como meio de transformação da sociedade. Esse Louco, pode ser um pastor, um líder religioso?
MARTA: Eu não sei. O que posso dizer é que ele quer impactar, mexer com as pessoas. E isso ele está conseguindo.
MÔNICA: Muito obrigada, Marta. O jornal termina por aqui, até amanhã e boa noite.

 

 

 
10ª Cena
A repórter está saindo da redação. Louco a espera do lado de fora. Repórter passa direto sem vê-lo.
LOUCO: Mas você quer me derrubar mesmo, heim!
MÔNICA: Falou comigo?
LOUCO: Claro ,você está vendo mais alguém aqui?
MÔNICA: Não sei , você pode ser um louco, não te conheço!
LOUCO: Claro, que me conhece, até falou meu nome. Eu sou o Louco.
MÔNICA: Desculpa, eu não estou entendendo, olha , eu tenho que ir, dá licença...
LOUCO: O Louco que perturbou o centro da cidade um dia desses. Claro que você lembra de mim!
MÔNICA: (com medo) Olha , naquele dia, eu só estava cumprindo o meu trabalho. Se você ficou ofendido, desculpa , eu não quis ofender, mas os
policiais chamaram você de louco, a gente tinha que dar um nome à você aí...
LOUCO: E aí você chamou uma especialista para comprovar a sua tese. Mas você não contava que a especialista fosse cristã, porque, afinal, ela é muito conceituada, foi recomendada pelos reitores das universidades...
MÔNICA: Desculpa, por favor, eu nem acho que você é louco, mas as coisas são assim, eu tive que dar a notícia.
LOUCO: Por que você está com medo? Está tremendo! Fique calma!
MÔNICA: Sai de perto! Eu não te conheço! O que você quer? É dinheiro? Fala logo, não se faça de cínico! Eu sei o que você quer!
LOUCO: Para, Mônica! Eu vim para conversar! Eu não sou ladrão, não sou um criminoso! Eu quero conversar! Você quer me revistar? Eu não tenho um clips, nada, nada mesmo.
MÔNICA: Tudo bem, tudo bem. Olha, me desculpa, tá? Eu não tenho nada contra você...
LOUCO: Mônica, isso não cola! Eu não sou bobo. A sociedade me acha um louco! Muitas pessoas olham o cristianismo com repúdio. Você é uma
representante dessa elite intelectual que nos olha de cima e pensa que somos fanáticos!
MÔNICA: O que você vai fazer? Olha , me desculpa, por favor...
LOUCO: Eu sei que você não está arrependida, está com medo. Seu pedido de perdão não é sincero. Já estou acostumado com vocês. Mas eu não vim falar sobre mim. Vim falar sobre você.
MÔNICA: Por favor, fala rápido.
LOUCO: Você é uma jornalista renomada, Mônica. Você tem credibilidade na sociedade. As pessoas têm você como referência! E você precisa usar sua fama para o bem.
MÔNICA: Mas eu uso, eu mostro a realidade, deixo as pessoas informadas dos acontecimentos.
LOUCO: Ah, e você acha isso suficiente? É, realmente, a sociedade está muito melhor, as notícias de tragédias, assassinatos e catástrofes realmente deixam as pessoas bem mais calmas...
MÔNICA: Mas eu faço a minha parte.
LOUCO: Eu não sabia que cada habitante do planeta tinha a sua cota de participação. Então, se isso existe, eu quero ter a sua. É bem interessante
ajudar o mundo de um estúdio com ar-condicionado, conforto. Essa sua roupa também é bem interessante, de que marca é? Prada?
Mônica se afasta, com receio.
LOUCO: Ajudar crianças carentes, idosos doentes, isso é a parte de quem? Não a sua, né? Com certeza!
MÔNICA: Você veio aqui pra que? Pra jogar na minha cara essas coisas ? Você é de alguma instituição de caridade, é de alguma igreja? Está buscando doações? Vamos logo ao que interessa, diga, quanto você quer?
LOUCO: Olha só como você é! Eu não quero isso! Até porque nenhuma igreja me enviou. Estou aqui em nome de Deus.
MÔNICA: Olha, eu respeito todas as religiões, mas...
LOUCO: Eu também respeito, mas não vim falar de religião. Minha crença não foi criada por homens.
Eu creio em um Deus todo poderoso que está acima de qualquer religião. Ele existe, nos criou, e ao contrário do que muitos pensam, Ele não abandonou a humanidade.
A humanidade o abandonou. E Ele quer que o mundo seja um bom lugar, que seus filhos vivam bem. Mas quando Ele envia um servo para mostrar a verdade e tentar levar o homem de volta pra Ele, vocês o chamam de louco!
Você que é louca. Você vive numa mentira, acha que está fazendo “sua parte”, mas não tem serventia. As notícias são produtos, manipulados pelo dono da sua empresa, que são divulgadas de acordo com interesses políticos e econômicos. E você ainda acha que faz sua parte!
MÔNICA: Eu vou embora! Não aguento mais ficar aqui!
LOUCO: Eu imaginei! Mas, por favor, não vá! O que eu estou falando é para abrir seus olhos! Você pode fazer muito mais pela sociedade, você tem uma arma nas mãos!
MÔNICA: Que arma, do que você está falando?
LOUCO: A televisão, Mônica!
MÔNICA: O que você quer? Que eu pregue na televisão? Quer acabar com a minha carreira? Isso é totalmente inconcebível! Nunca vai acontecer! Sem condições! Eu não posso!
LOUCO: Você se lembra daquela notícia que você deu, da criança que morreu numa troca de tiros? Eu sei que suas lágrimas não foram falsas. Eu senti. Você já está farta de noticiar tragédias. Você pode fazer alguma coisa! Lembre-se da sua militância na universidade! Você sempre quis mudar o mundo!
MÔNICA: É verdade! Bons tempos! Naquele tempo eu tinha tanta esperança!
LOUCO: Não deixe essa esperança morrer! Precisamos sacudir essa sociedade, não aguento mais essa farsa. E dessa vez não vai ser através da
política! Só os ensinamentos de Jesus Cristo podem mudar a sociedade.
MÔNICA: Mas você disse que não veio em nome de igreja! Que não tinha a ver com religião!
LOUCO: E quem falou em igreja? Você acha que Jesus é religião? Vocês, jornalistas, não sabem nada mesmo! Preciso te ensinar umas coisas! E aí, posso contar com você?
MÔNICA: Tá bom, eu vou te ouvir mais um pouco! Se não der em nada, pelo menos dá uma reportagem para o jornal da tarde.
LOUCO: Está bem, venha comigo, Mônica!
Os dois saem

 

 

 

11ª Cena
Passeata
Som de multidão
Todos entram com faixas com o nome de Jesus e mensagens cristãs e distribuindo folhetos.
Mônica entra
MÔNICA: Boa noite para todos! Meu nome é Mônica Lira, sou jornalista, e fui alcançada por uma mensagem de esperança! Uma mensagem de paz! Todos nós estamos cansados dessa violência e miséria que assola a nossa cidade! Ninguém aguenta mais! Nossos líderes não conseguem resolver esse problema! Nossa sociedade muito menos! Mas eu sei quem pode resolvê-lo. Eu não sou da política, não pertenço a nenhum partido, não quero ser prefeita! Não quero o seu voto! A solução é Jesus Cristo! A solução para os nossos problemas é Jesus Cristo de Nazaré! Nós precisamos entregar nossas vidas para ele! Precisamos conhecê-lo! Precisamos aprender os seus ensinamentos! Precisamos ser transformados! Só assim teremos líderes honestos! Só assim iremos ajudar os necessitados! Não vamos mais ignorar os mendigos, não vamos mais desprezar as crianças pobres! Só assim vamos tirar os jovens do tráfico, das drogas! Jesus é a nossa única esperança! Provai e vede que o Senhor é bom!
Luiza sobe no palco e cochicha no ouvido de Mônica. Depois desce.
MÔNICA: Bom, queridos, acabei de saber que a polícia quer que nós saiamos daqui. O Delegado Alencar já tentou de tudo, mas como disseram , agora ele é um louco! Estamos incomodando as pessoas! Eu já esperava!Mas a sabedoria de Deus é loucura para os homens! E eu prefiro a sabedoria de Deus! Nós não vamos desistir. Vamos para outro lugar! Eu sei que existem pessoas que vão nos ouvir! Vamos! Vamos sair daqui! Vamos pelas ruas, gritando o nome que vai mudar o Rio de Janeiro! O nosso Salvador! O nosso Libertador!
TODOS:  Jesus Cristo!
Todos saem gritando o nome Jesus Cristo. Mônica olha tudo do palco, mas não sai. Quando todos saem, ela volta a falar.
MÔNICA: E depois que você sair daqui, o que vai fazer? Você também acha que faz sua parte? Que não faz mal a ninguém, que é um cidadão de bem... eu cansei de viver essa farsa. Eu acredito em um Deus real e eterno. Eu não penso só nas coisas do meu mundinho. Eu penso nas coisas que vêm do alto.
A gente começou um movimento. Você pode vir com a gente!
Sai pelo meio gritando Jesus Cristo.
 

 

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