COMETEU O CRIME...

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Cometeu o crime...!

Sinopse
Flávio é uma pessoa que comete qualquer tipo de delito...
Sabe aquele papo; Todo mundo faz assim... Todo mundo sonega... Todo mundo... O sujeito que acha que os outros tem que pagar... Até que a coisa muda. (Infelizmente essa “cultura” está também nas igrejas).

Personagens
Flávio e Maria (Marido e Mulher)
Sérgio (um amigo)
Cenário
Uma sala de jantar. Flávio e Maria estão sentados, terminando o almoço. Flávio está lendo o jornal enquanto Maria toma seu café.
Script
FLÁVIO: (Olhos grudados no jornal) Seis meses... Maria, você acredita nisso? (Apontando para a matéria que está lendo)
MARIA: Acreditar no quê?
FLÁVIO: Nisto... (Aponta de novo), seis meses de prisão por uso fraudulento de um cartão de crédito! (Em tom sarcástico) Aposto que vão deixá-lo com o cartão para que faça isso de novo! E quanto às pessoas inocentes que ele fraudou? Quem vai reembolsá-las?
MARIA: Eu acho que você está fazendo tempestade em copo d´água, Flávio. Tenho certeza de que o juiz agiu corretamente. (Mudando de assunto) Mais café?
FLÁVIO: (Ignorando) E quanto a isso então (lendo) Um cara em Carapicuíba que perdeu sua carteira por nove meses depois de se declarar culpado por dirigir bêbado?
MARIA: Para mim está justo.
FLÁVIO: É... Exceto pelo fato de ele estar apelando da sentença... Seu advogado está pedindo a suspensão da sentença baseado no fato de que precisa da carteira para trabalhar, e ainda reconhece o fato de que ele se declarou culpado! É claro que ele é culpado: sua contagem de álcool no sangue era quatro vezes maior que o normal! Pessoas como ele deveriam reconhecer que a lei é a lei, se você a desrespeitar, tem que pagar o preço!
MARIA: (Acalmando a voz) Está certo Flávio. Mais café?
(Batidas na porta, Sérgio entra com algumas cartas na mão)
SÉRGIO: Desculpe, espero que não se importem... A porta estava aberta...
MARIA: Que é isso... Vamos entrando, Sérgio. Aceita um cafezinho?
(Sérgio senta-se à mesa, coloca as cartas na frente de Flávio)
SÉRGIO: Eu trouxe suas cartas... peguei quando fui lá em baixo pegar as minhas. (Flávio grunhe)
MARIA: Obrigada, Sérgio.
SÉRGIO: Ei, Viu o que fizeram na caixa de cartas da Dona Ana?
MARIA: Quem é Dona Ana?
SÉRGIO: A mulher do número 8.
MARIA: Ah, ela.
FLÁVIO: O que tem a caixa de cartas?
SÉRGIO: Destruída de novo... demolida, (gesticulando) esmagada!
MARIA: Coitada da Dona Ana... É a terceira vez esse mês.
FLÁVIO: Já sabem quem fez isso?
SÉRGIO: Ninguém viu nada... Mas eu aposto que foram os garotos do número 15, eles estão sempre armando alguma!
FLÁVIO: Alguém deve ensiná-los uma lição.
MARIA: Calma aí, Flávio, você não sabe se foram eles... além do mais, não deve ser nada fácil para eles ter o pai na prisão. Marta faz o melhor que pode com os garotos... Não deve ser fácil para ela também!
(Sérgio abre uma das cartas que está segurando e a lê enquanto Flávio continua falando. Quando termina de ler fica bastante chocado)
FLÁVIO: (Gesticulando muito) Lá vamos nós de novo: Vamos construir desculpas para todos os criminosos... Olha só, MARIA: a Lei é a Lei, você a desrespeita, você sofre as consequências! Não concorda, Sérgio? (Olha para Sérgio)
SÉRGIO: Hein?
FLÁVIO: Sérgio, você está bem?
SÉRGIO: (Trêmulo), Sim... sim... Estou bem. (Volta a olhar para a carta)
MARIA: Más notícias, Sérgio?
SÉRGIO: (Recompondo-se) Más notícias? Não... pior! É o Imposto de Renda! Eles dizem que estou devendo Dez Mil Reais!
FLÁVIO: O quê? Como assim?
SÉRGIO: (Envergonhado) Parece que eu me esqueci de declarar meus dividendos do ano passado.
FLÁVIO: E você recebeu Dez Mil em dividendos?
SÉRGIO: Não! Menos da metade disso, mas eles somaram automaticamente as multas e os juros do período... É um abuso, não?
FLÁVIO: (com as mãos em posição de rendição) O que posso fazer, colega? Cometeu o crime... pague por ele!
MARIA: (Para Flávio) Que amigo é você! (Virando-se para Sérgio, com a mão no seu ombro) Tem algo que podemos fazer para ajudar?
FLÁVIO: Nós? Ajudá-lo? Maria, é exatamente disso que eu estava falando com você! Todo mundo cria desculpas... Um crime é um crime pelo amor de Deus!
SÉRGIO: Dá um tempo, Flávio, não é como se eu tivesse matado alguém. Só estamos falando de algumas taxas não pagas...Todos fazem isso! De que outro jeito um homem pode manter seu negócio aberto e funcionando? Assim que puder, eu vou declarar tudo!
(Maria pega suas cartas da mesa e começa a lê-las enquanto a conversa continua)
FLÁVIO: É claro! E eu sou o dono da Casa da Moeda! Olha só, Sérgio... Eu sei o quanto é difícil iniciar um negócio e tudo o mais, mas não se pode fazer concessões por quebrar a Lei!
MARIA: (Lendo uma carta) Flávio, tem uma carta aqui da sua tia Flô, de Caraguatatuba.
SÉRGIO: Mas Flávio, eu não machuquei ninguém, e todo mundo faz isso.
FLÁVIO: (Repetindo) Cometeu o crime, pague por ele!
(Sérgio balança a cabeça e olha para o outro lado, preocupado)
MARIA: Então, é nisso que acredita, Flávio?
FLÁVIO: Com certeza. Por quê?
MARIA: Porque eu acho que agora você vai mudar de opinião. (Segurando uma carta que acabou de abrir)
FLÁVIO: (Pega a carta) Por que, o que é isso?
(Sérgio olha, interessado)
MARIA: Uma foto do seu carro e uma carta do CET. Parece que você estava a 150Km/h em uma avenida de 80Km/h!
FLÁVIO: Deixa eu ver isso (Lê a carta cuidadosamente) Isso é ridículo! Eram 11:30 da noite! Eu precisava chegar logo em casa... não tinha uma alma da rua! Isso é absurdo!
SÉRGIO: Cometeu o crime, pague por ele! Não é, Flávio? (Maria sorri)
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