AMOR PERFEITO

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Nesta peça cinco personagens começam uma conversa trivial, a observação dos filmes americanos e o que eles mostram como realidade... ao comparar com a realidade deles, os personagens começam a se expor. Mostram suas alegrias e suas dores, lamentam as suas “sortes” com o amor dos filhos, companheiros... eu AMOR PERFEITO? Encontre-o no texto
Personagens
RUTH, THAÍS, HELENA, ANDRÉ, CLÁUDIO, JESUS e NARRADOR

Músicas
Música1 – Início
Música da Helena
Música do André
Música do Cláudio
Música da Thaís
Música da Ruth
Música única para todos (2)
Música única para todos (3)
Música 4
Música 5
1a CENA
5 Pessoas andando de um lado para o outro vagarosamente no palco. Música 1 toca. 1a pessoa para e fala.
RUTH: Sempre que vejo esse filmes americanos sobre amigos me pergunto: que mundo é esse que retratam? Em que lugar você encontra essas amizades tão lindas, esse amigos tão maravilhosos que não traem, não falam mal por trás, ou às vezes até na frente. Eu queria viver em filmes americanos.
THAÍS: Eu também queria viver em filmes americanos. Filmes como Uma Linda Mulher, onde uma prostituta encontra o homem da sua vida, e esse homem é lindo, gentil, rico. Não se importa com a sua profissão, com quantos homens ela já se deitou. Eu vi esse filme tantas vezes que às vezes até me imaginava como a Julia Roberts. Que idiota eu sou...
CLÁUDIO: Filmes americanos? São pura mentira! Mas bem que poderiam ser verdade. Imagine eu em um deles! Eu chego em casa depois de um longo dia de trabalho, cansado. Quando abro a porta e falo “querida, cheguei”! Minha esposa vem da cozinha linda, majestosa, mesmo com avental e as mãos sujas de alho. Tem que ser alho, eu adoro alho. Aí ela me dá uma beijo apaixonado, como se não me visse há anos, apesar de nos termos visto de manhã.
ANDRÉ: E esse casal tem dois filhos. Esse filho tem uns 15 anos . Todos são muitos felizes. O filho às vezes faz algumas besteiras, os pais repreendem, mas tudo com muita calma, sem gritos, brigas, discussões. Todos conversam sobre tudo com todos abertamente, dividem seus problemas e até suas coisas. Os pais defendem o filho de qualquer injustiça e dão tudo o que podem para que o filho seja feliz.
HELENA: E os filhos amam muito seus pais. Respeitam, não mentem, sempre estão dispostos a conversar, gostam de sair com eles para se divertir e não têm vergonha de sair com eles na rua. Não agridem os pais nem fisicamente, nem com palavras. E quando eles crescerem, vão cuidar dos pais com todo o carinho do mundo. Não medem esforços para retribuir todo o amor que os pais tiveram por eles.
TODOS: Pena que é só cinema!
2a CENA
Música da Helena
HELENA: Meus filhos não são assim. Nunca foram. Quando eram crianças eram muito amáveis. Apesar de não terem pai, eu pude suprir as suas necessidades afetivas, e eles preencheram o buraco que a falta do meu marido fazia. Faziam as suas artes, mas qual criança não faz? Por que os filhos crescem?
Música do André
ANDRÉ: Quando nasci meus pais já eram separados. Mal saí da barriga de minha mãe, fui pra casa de meu pai. Lá pude experimentar o amor. Meu pai me amava, isso eu sempre soube. Nós morávamos em um barraco minúsculo, meu pai não ganhava muito, mas nunca senti fome. Às vezes eu nem entendia, pois ele trabalhava muito para me sustentar, mas sempre tinha um sorriso no rosto para mim. Que falta ele faz.
Música do Cláudio:
CLÁUDIO: Eu a conheci numa festa. Aliás, lá me apresentaram a ela, mas eu já estava de olho nela há muito tempo. A gente ficou junto a festa toda, conversando sobre vários assuntos, e descobrimos que gostávamos de várias coisas em comum. Daí para o namoro foi um pulo. Ela era tão doce, eu adorava estar perto dela, nunca tinha recebido tanto carinho. Fui laçado.
Música da Thaís
THAÍS: Quando eu tinha 14 anos arranjei o meu primeiro namoradinho. Como era lindo o nosso namoro. Ele me dava flores! Um garoto de 15 anos me dava flores. Eu achava que a gente ia casar, porque a gente andava muito junto, e namoramos muito tempo. Foram 3 anos de namoro. Teve uma época que até cheguei a comprar revistas de casamento.
Música da Ruth
RUTH: Ah, minha adolescência! Como esse tempo foi bom! Eu tinha um grupo de 4 amigos que era maravilhoso, nós fizemos coisas incríveis juntos. Eu me lembro de uma vez que fomos passear no shopping, a gente fez muita bagunça lá. Entrávamos nas lojas, experimentávamos as roupas, mas não levávamos nada. Eu só ria, acho que nunca ri tanto na minha vida. Acho que nunca fui tão feliz.
3a CENA
Música única para todos (2)
CLÁUDIO: Depois de 4 anos de namoro achei que estava mais que na hora de pedi-la em casamento. Fiz com muito prazer, pois era tudo o que eu mais queria. Foi o momento mais bonito da minha vida. Depois eu não entendi o que aconteceu. Ela acordava sempre de mal humor, toda aquela doçura foi embora. Só sabia reclamar das coisas que não tinha e que eu não dava pra ela. Tive que contratar uma empregada, porque ela dizia que chegava muito cansada do trabalho, não tinha condição de fazer um ovo. Antes ela cozinhava sempre pra mim, fazia tudo o que eu gostava, do jeitinho que eu gostava. Agora, nem um agrado, nem um mimo. Eu me esforço pra agradá-la, mas é em vão. Parece que não é a mesma pessoa.
HELENA: Quando meus filhos começaram a entrar na adolescência eu fiquei muito orgulhosa. Estavam virando homens. Começaram a criar pelos, a engrossar a voz. Eu continuei me esforçando para que eles pudessem estudar, fazer os cursos que quisessem, praticar os esportes que quisessem, pudessem sair com os amigos. A melhor coisa do mundo era ver o sorriso no rosto deles e escutar o “valeu mãe” e ser abraçada por aqueles “garotos”. Mas quando eu comecei a dar alguns “nãos” a coisa ficou cinza. Eles queriam ir para lugares perigosos de madrugada, queriam fazer festas na minha casa, queriam um dinheiro que eu não podia dar. Era briga atrás de briga, um quase me bateu uma vez. O que eu tinha dentro da minha casa? Eram pessoas? Não sei, pois não tinham coração.
RUTH: Mas aí a adolescência acabou e junto dela um monte de coisas. Cada um foi para uma faculdade diferente, rumos diferentes. Até teve aquele clássico “liga pra mim” ou “te ligo” ou “você não vai se livrar de mim, Ruth”.Quem nunca escutou isso em despedida? Ninguém nunca ligou pra mim, e antes que alguém pergunte “por que você não ligou?” e digo, eu liguei. Para todos. Mas ninguém teve tempo pra mim. “Olha só, você pode ligar depois, é que eu to ocupada!” Até tentamos marcar uma saída mas não deu certo. Parece que esqueceram tudo que a gente viveu. Eu não esqueci, todo dia eu choro de saudade daquele tempo que eu fui muito feliz. Agora vivo rodeada de gente hipócrita, egoísta, o local onde eu trabalho é um verdadeiro ninho de cobras. E quem sabe eu até seja uma delas.
ANDRÉ: Aí meu pai morreu de repente, em um assalto idiota. Uma criança de 10 anos nunca ia imaginar uma coisa dessas. As dúvidas ainda rondavam minha cabeça quando fui parar na casa da minha mãe. Mal sabia quem era ela. Ela se casou com outro homem, na verdade largou meu pai por ele, e com ele teve filhos. Naquela casa eu era um estranho no ninho, como dizem. A Dora nunca me amou, me aceitou não sei por que, eu nunca sabia o que ela estava sentindo. Então eu ficava com as piores coisas. As piores roupas, os piores brinquedos, até a pior cama. Quando eu vou à casa de meus amigos fico impressionado com o carinho das mães, nunca tive aquilo. Fazem lanche, arrumam o quarto deles, têm todo o cuidado com eles. Não dá vontade de sair de lá, porque é tanto amor... enquanto lá em casa eu sou tratado pior que o cachorro, minha mãe não liga pra mim.
THAÍS: Eu pensei que quando o Renato entrasse na faculdade estaria mais perto de concretizar meu sonho. Logo ele teria uma profissão, e um emprego. Aí poderíamos começar com os preparativos do casamento! Eu não falava nada com ele porque não achava certo ficar falando. Quem tinha que tocar no assunto era o homem. E eu esperei. Até que comecei a acordar. Como eram estranhos aqueles atrasos, aquelas mensagens no celular, aqueles perfumes na camisa. Fui traída não uma, mas dezenas de vezes. E eu fui dando chances, pensando que ele ia parar, que ia pedir perdão por tudo, e ia finalmente me pedir em casamento, mas nada acontecia. Ele continuava me enganando. E eu não tive nem o prazer de terminar tudo porque ele foi mais rápido, terminou primeiro. Falou que arranjou alguém melhor.
Música única para todos (3)
RUTH: Quer saber, pra que amigos? Na verdade amizade não existe, é tudo falsidade. Tudo um jogo de interesses. Você vai ser minha companhia até quando eu precisar, quando não for mais necessário eu te descarto. Meu ditado é aquele “antes só, do que mal acompanhada”. Minha relação com as pessoas é puramente superficial, só o essencial. Até com a família. A única pessoa que eu falo mais ou menos é minha mãe, pois do resto eu quero distância. Acha que eu vou sofrer tudo aquilo que eu sofri de novo? Nunca mais.
THAÍS: Depois disso nunca mais tive sorte no amor. Os homens hoje só pensam em sexo e eu ainda tenho muito medo de me envolver seriamente de novo. Não vou ser enganada novamente. A pior coisa que tem no mundo é ir em casamento, porque eu fico lá, babando, cheia de inveja da noiva. Por que ela casa e eu não? Por que ela encontrou o príncipe dela e eu não? Algumas amigas minhas já casaram, a última foi semana passada. Aí sempre tem uma que fala “Você vai arranjar o seu, tenha calma, Thaís”. Agora é fácil falar, né, ridícula? To vendo que eu vou ficar encalhada para o resto da vida, vou virar uma tia chata.
CLÁUDIO: Eu juro que tentei . Tentei com todas as minhas forças ser gentil enquanto ela só me dava patadas, ser agradável quando ela estava de mal humor. Eu me humilho, mas não recebo um agradecimento por isso. Tudo é ela, ela é vítima, ela é coitada, ela não tem joias, não tem roupas de marca, não se sente bonita, se sente um lixo. E, sinceramente, ela tá ficando um, porque ela está engordando tanto! Não se cuida como antes, não faz mais as unhas, a pele está mal tratada. E eu to achando que ela também não penteia o cabelo. E não lava. Mas isso é só a ponta do iceberg, porque ela é um iceberg. É fria. De uns dias pra cá ela vem falando que não quer mais que eu fale com certas meninas lá do serviço. “Ela são muito mais bonitas que eu. Você vai acabar me traindo.” Ela tá pedindo!
ANDRÉ: E quer saber, eu também não dou a mínima pra ela. Eu trabalho desde os 14 anos, vou ajuntar a minha grana e quando eu fizer 18 eu caio fora e sumo. Vou deixá-la naquele muquifo cuidando daquelas pestes que são os filhos dela. E ela ainda pensa que são uns anjinhos. Eu juro que tentei. Até presente eu dei no dia das mães, mas ela o desprezou. Mas eu não preciso do amor dela, não perco nada pro não ter, quem perde é ela. Os filhos dela não ligam para o esforço que ela faz, não a amam como eu a amei e quando eles crescerem vão deixá-la num asilo nojento onde ela vai padecer para o resto da vida. Se eu ligo pra isso? Eu não, que morra.
HELENA: Meus filhos não aparecem mais em casa. Certa vez consegui que sentássemos para conversar, mas não adiantou. Discutimos durante muito tempo e eu comecei a passar mal, mas eles não se compadeceram, acharam que eu estava fazendo cena para poder prendê-los em casa. Eles criam hipóteses e argumentos fantasiosos para me driblar, para arrancar mais dinheiro de mim. Não me amam mais. Isso é que eu não entendo. Eu dei tudo pra eles. Eu quase nunca disse não. Eles tiveram a vida que muitos jovens sonham em ter. Deixei de comprar tanta coisa pra mim para dar pra eles. E é assim que me agradecem. Por quê? Onde foi que eu errei? Por que não me amam?
Música 4
NARRADOR: O coração humano não tem capacidade de dar o que você precisa para ser feliz. Sua limitação é grande, pois ele não pode fazer nada por si mesmo. Ele dependerá sempre de outro coração que o ajude e que igualmente o ame, para que também possa ser feliz. Nessas condições, o coração humano está sempre sujeito às limitações do outro, às vezes até mais frágil e muito mais carente , aumentando assim cada vez mais o círculo vicioso de infelicidade.
Um carente procura outro carente; um frágil se apoia em outro frágil na esperança que cada um dê ao outro a felicidade que ambos não têm. O resultado disso é a queda, pois estamos nos apoiando em algo sem sustentação em si mesmo.
Da mesma forma, quando alguém quer fazer de nós a sua fonte de felicidade colocando em nossas mãos a sua enorme necessidade de ser feliz e nós, eu e você, nos sentimos confusos e impotentes, pois também estamos precisando desesperadamente de felicidade.
É nesse momento de angústia e solidão que devemos nos lembrar daquela frase:
Jesus- Jesus te ama. Sim, eu te amo e com um amor que nasce não do coração humano, mas do coração de Deus . Ninguém pode te amar como eu te amo, simplesmente por que eu não tenho amor, eu sou o amor. O verdadeiro amor, que não pode ser encontrado no coração humano, pois vem do alto, é espiritual , sobrenatural, sagrado. Eu não esperei ser amado por você para também poder te amar. Eu já te amo, agora, ontem, amanhã e sempre. O meu amor divino não estabelece condições ou imposições para te amar. Eu te amo como você é! Para mim você não é feio ou bonito, grande ou pequeno, branco ou negro, rico ou pobre, jovem ou velho, pois eu não olho para a sua aparência, eu vejo o seu coração. É ali no seu coração que eu quero habitar, para lavar as suas feridas, tirar toda a sua amargura, secar as suas lágrimas e limpar cicatrizes da sua alma, porque você é importante demais para mim.
O coração humano não tem culpa por ser limitado. Se alguém não deu a você a felicidade que esperava, é porque ninguém pode dar aquilo que não tem. Mas quando você aceitar receber em seu coração esse amor que perdoa, que dá a paz, alegria, o seu coração humano será transformado em um coração espiritual, pois nele habitará, o amor de Jesus Cristo.
Então, você vai começar a olhar, a perdoar e a amar como eu. E finalmente vai encontrar aquilo que tanto procurava: A Felicidade! Pois só o meu amor tem a capacidade de dar tudo o que você precisa para ser feliz.
Música 5
Jesus vira e todos se ajoelham a seus pés. No final da música todos saem

Blog da autora TEATRO NA IGREJA
Site da autora SULAMITA RICARDO

 

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