ACORDA MARISA! ACORDA!

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Marisa sonha...

Marisa sonha com uma "vida normal" mas o que tem é o peso de uma família que depende dela, uma mãe doente, um pai alcoólatra....

Personagens Bíblicos:
Jesus
Príncipe da Sinagoga
Jairo
Esposa de Jairo
Filha de Jairo
Pedro
João
Tiago
Mulher Hemorrágica

Personagens:
Marisa
Narrador
Pais da Marisa Sr Fernando e Dona Maura
Patrões da Marisa (casal) Alencar e Rosana:
Casal Cristão: Senhor Nestor e dona Marta:

 

Peça apresentada pelo Grupo de Teatro Pedras Vivas

 Início do Primeiro Ato

 

Marisa está dormindo, ela aparece em cena deitada. Enquanto dorme, alguém parecida com ela passeia com seu pai, em outra parte do cenário, como se estivesse num parque, ela está feliz. A intenção disso é que possa ser colocado alguém parecido com ela para dar-se a impressão de ela está sonhando.

 

NARRADOR: Marisa, nossa amiga de 16 anos, encontra-se agora em sono profundo, ela está sonhando com tudo o que ela anseia, uma vida normal. Em instantes ela terá que acordar para trabalhar. São de suas mãos que virá o sustento de sua família. Sua mãe é diabética, anos anteriores dava aula em uma escola no bairro onde moram. Seu pai, diante das circunstâncias, desempregado e desesperado, se entregou ao vício do jogo e da bebida. Não há quem o dê emprego nesta situação.

 

Sr. FERNANDO: Marisa?! Está tudo bem, querida? Te amo filha!

 

MARISA: Pai, estou muito feliz por que o senhor está comigo hoje. Sabe... é o melhor dia da minha vida.

 

FERNANDO: Amorzinho, eu também tenho saudades dos velhos tempos. Mas como tudo aquilo foi acontecer? Como pude deixar mudar tudo? Bom, vamos ter que deixar esta conversa para depois, lembra-se que tem trabalho da escola para fazer, estou errado?

 

Enquanto seu pai finaliza a última frase, Marisa enxerga outras crianças pulando amarelinha e uma senhora de costas (que na verdade é sua mãe) animada e coordenando tudo. No momento que ela começa a andar na direção deles, sua mãe começa a chamar a Marisa que está dormindo. Á medida que Marisa vai acordando, a outra cena se desfaz lentamente.

 

DONA MAURA: Marisa, Marisa! Acorda menina. Acorda logo que não tenho o dia inteiro. Levanta minha filha, tem que trabalhar.

MARISA: Só mais um pouquinho mãe, só mais um pouquinho. To muito cansada, só mais cinco minutos.

 

DONA MAURA: Filha, eu iria em seu lugar se pudesse, mas sabe que não posso querida. Sabe que não posso. Marisa, veja se consegue um adiantamento com seus patrões, a luz está pra ser cortada, veio na última conta o aviso de corte.

 

DONA MAURA: Filha, eu iria em seu lugar se pudesse, mas, sabe que não posso minha querida.

 

MARISA: Sabe mãe, me lembro que no ano passado, uns meses antes de eu ter que deixar a escola. Um grupinho se reunia no pátio da escola, eram uns meninos e meninas de uma igreja daqui da rua de trás. Eles cantavam umas canções sobre fé, sobre o amor de Deus, falava que Jesus Cristo a tudo poderia mudar. Deram-me um folhetinho com endereço e os horários dos cultos. Eles foram até legais comigo, me explicaram muitas coisas como se me conhecessem a tanto tempo. Não sei não, eles tinham algo de diferente, só não sei dizer bem o que era.

 

Dona Maura põe as mãos no rosto e ameaça chorar se preocupando com Marisa para que não veja suas lágrimas.

 

FERNANDO: É! Este papo de Deus, estas conversas de igreja são muito bonitinhas em contos, em livros, dá até pra fazer novela, mas, na vida real é um pouco diferente. Não é querida?

 

Marisa responde de forma triste e em seguida sai.

 

MARISA: É mesmo pai, é mesmo. Nada poderia mudar tudo isso mesmo, que diferença faria afinal de contas?

 

Inicia-se uma cena em outra parte do palco (Lucas 8.41-42 e 49-56)

 

Jesus está andando com seus discípulos pela multidão quando é interceptado por Jairo.

 

JAIRO: (prostrado aos pés de Jesus). Mestre, mestre! Se bem aventurado sou a teus olhos, imploro que entreis em minha casa. Mestre, minha única filhinha está à beira da morte. Os médicos e até amigos tiraram todas as minhas esperanças.

 

JESUS: Alguém me tocou! Quem me tocou?

 

PEDRO: Mestre, como podes perguntar “Quem me tocou!?” a multidão toda te aperta, te comprime, como poderemos saber que te tocou?

 

JESUS: Eu sei que me tocou, por que de mim saiu virtude.

 

MULHER: Senhor, Senhor, eu te toquei Senhor, há doze anos que sofria de hemorragia, tinha gasto todas as minhas economias com médicos e remédios que me ensinavam, nada disso adiantou Senhor. E agora, agora somente te toquei e no mesmo instante fui curada. Obrigada meu Deus.

 

JESUS: Filha, a sua fé te salvou. Vá em paz!

 

PRÍNCIPE DA SINAGOGA: Jairo, sê forte, tua filha morreu, é tarde demais, não incomode mais o mestre.

 

JESUS: Jairo, não temas, apenas tenha fé, tão somente creia e ela será curada.

Chegam à casa de Jairo. Jesus acena para que somente três de seus discípulos e os pais da criança permaneçam em casa.

 

JESUS: Porque choram? Não choreis! Ela não está morta, apenas dorme.

 

Alguns riram dele, mas Jesus pega na mão da menina e diz:

 

JESUS: Pai, sei que permitiste que tudo isto acontecesse para que sua glória se manifestasse nesta terra, para que a incredulidade deste povo desapareça ao ver seus milagres. Levanta-te menina, ainda não é chegada sua hora.

 

 

Início do Segundo Ato

 

 

Aparece em cena, Marisa limpando os móveis de um escritório. É um escritório de advocacia. Sr. Alencar e Dona Rosana são os proprietários. Logo em seguida entra em cena o casal.

 

MARISA: Bom dia Sr. Alencar! Bom dia Dona Rosana!

 

ROSANA: Bom dia Marisa, ta tudo bem com você? Você parece estar sempre tão preocupada, ainda mais para alguém de sua idade. Não queira ser adulta antes da hora Marisa. Você é tão jovem, com uma vida toda pela frente, ainda tem a oportunidade de começar tudo da melhor forma.

 

ALENCAR: É verdade Marisa, esta é apenas sua segunda semana aqui e notamos que apesar de tão dedicada, você parece estar carregando todo o peso do mundo em seus ombros. É claro que percebemos, ao contrário de muitas moças de sua idade, você tem pensamentos diferentes delas, sempre longe destas festas tão esquisitas que de tão comum hoje em dia, sou eu é quem pareço o esquisitão.

 

MARISA: Imagine só dona Rosana, ta tudo bem. É que às vezes me distraio com uma coisinha ou outra e fico pensando sobre algumas coisas, sobre minha casa, minha família. O senhor ta certo seu Alencar, tenho pouquíssimas amigas mesmo, devido ser assim “esquisita”, na opinião deles, não é todo lugar que gosto de estar. Mas é muito bom ter o apoio de vocês.

 

ALENCAR: É claro que pode contar como nosso apoio Marisa, saiba que seus pais fizeram um ótimo trabalho quanto sua educação e se eu tivesse uma filha, gostaria que não fosse tão diferente de você não.

 

ROSANA: Então ta mocinha, se você diz que está bem, eu vou tentar acreditar.

Rosana e Alencar imediatamente começam analisar papéis, livros, documentos enquanto Marisa continua com seu trabalho. Após alguns instantes entre em cena Sr. Nestor.

 

NESTOR: Quantas saudades dos meus velhos amigos. Há quanto tempo não os vejo. Bom dia meus queridos. Como estão?

 

ALENCAR: Bom dia meu caro! Temos passado muito bem graças a Deus. Nós comentávamos mesmo, uns dias atrás nos queixávamos deste seu “súbito desaparecimento”, mas a que deve sua presença aqui?

 

ROSANA: É verdade, estamos ansiosos, é o homem das boas notícias.

 

NESTOR: Meus queridos a minha passagem aqui não é em vão. O primeiro propósito é agradecer por seus serviços prestados lá em nossa comunidade. Que Jesus os abençoe. O segundo motivo que me traz aqui é lhes fazer um convite. Onde meus amigos pretendem passar a noite de natal?

 

ROSANA: Na verdade, não sabemos ainda. Tínhamos combinado de passar com meus pais, mas, antes que eles soubessem da nossa visita eles viajaram para casa da minha tia, ou seja, não vamos mais.

 

NESTOR: Então não tem mais desculpas, não sairei desta sala carregando um “não” como resposta e me angustiaria muito se saísse levando um “talvez”

 

ALENCAR: É, o sogrão foi mais rápido que nós desta vez.

 

NESTOR: Que diriam então de cear em minha casa, coisa simples, minha esposa, alguns amigos e eu?

 

ALENCAR: Bom, na verdade, eu até gostaria. Se minha esposa concordar. Para mim não há nenhum impedimento.

ROSANA: Claro que concordo.

 

NESTOR: E você mocinha? Como está sua agenda? Onde passará o natal?

 

MARISA: Quem? Eu? Nós não temos nada combinado não senhor. Na verdade passaria como nos últimos anos, em casa, com minha família, ou, mais ou menos isso. Eu, minha mãe, meu irmãozinho, meu pai... talvez.

 

NESTOR: Então não tem desculpas! Jantará conosco você e sua família. Será um prazer tê-los conosco. Faço questão de cada um lá.

 

MARISA: Muito obrigado então moço!

 

ALENCAR: Ótimo, assim, iremos todos juntos.

 

ROSANA: É verdade, e esta mocinha precisa distrair a cabeça com coisas boas nem que seja por uma noite. Estou errada, Marisa?

 

Marisa apenas concorda com Rosana através de gestos.

 

Inicia outra cena Mateus 5 (Sermão da Montanha)

 

JESUS: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, por que eles serão fartos; bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; bem aventurados os limpos de coração, por que eles verão á Deus.

 

Pequena pausa

 

JESUS: Peçam, e lhes será dado; busquem e encontrarão; batam e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.

Pequena pausa

 

JESUS: Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se lhe pedir peixe lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas a seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem.

 

Início do Terceiro Ato

 

NARRADOR: Vamos agora fazer uma pequena parada para uma reflexão. Quanto de nós, numa noite como esta, enquanto estamos em casa, no calor de nossa família, muitas vezes com uma mesa farta, com todos da família saudável. E nos queixamos: Ah! Não pude comprar o melhor pernil! Não ganhei aquele presente que tanto pedi pro meu pai, pra minha mãe, pra minha esposa, pro meu marido. E nos esquecemos de tantas outras coisas importantes. Quantos superlotam corredores e quartos de hospitais? Quantos passarão a noite de hoje, com muitíssima sorte, com apenas o básico pra sua alimentação. Agora pensem bem, quantos destes você poderia ter chamado, independentemente de sua afinidade, a passar a noite de natal contigo? Não estou falando daquele que poderia retribuir tal favor, mas, daqueles, que não teria o suficiente nem pra si mesmo.

 

DONA MAURA: Não sei não filha, nestes dias to meio adoentada. Esta diabete está acabando comigo dia após dia, são tantos os remédios, já nem sei a quem recorrer. Nasceu uma ferida em minhas pernas que está demorando muito para sarar. A dona Bernadete, aquela senhora que mora aqui ao lado me disse que com certeza era mais um dos males da maldita doença. Já não aguento mais esta mulher, é a segunda vez que ela me pergunta por que é que não me separo de seu pai.

 

MARISA: Quem esta mulher pensa que é? Se intrometendo na vida de nossa família? Mas a senhora não está pensando nisso não, né mãe?

 

DONA MAURA: Minha filha, já não sei mais nada, me sinto como se estivesse entre duas paredes, e que ela estão me fechando, me esmagando, me asfixiando. Mas, mudando de assunto. Ora, quem somos nós? Comer na casa de gente desconhecida. Com gente grã fina como seus patrões.

 

MARISA: Mas mãe, se ficarmos em casa, mal teremos o que comer no dia. Vai ver a mesma coisa, como no ano passado. A senhora, eu, o Marquinhos vai dormir cedo, papai vai chegar de madrugada, bêbado ainda por cima. E foi o próprio Sr. Nestor quem convidou.

 

DONA MAURA: Não sei não filha. Não sei! Não sei. Este Sr. Nestor parece ser crente né? Tenho medo. Este povo é esquisito. Ah! Vamos lá então! Vamos ver no que isso dá.

 

 

Início do Quarto Ato

 

NESTOR: Saibam que é um prazer tê-los em nossa casa nesta noite. É um prazer conhecê-la Dona Maura, estou feliz que esteja conosco, Sr. Fernando, nem imagina a felicidade que tenho em vê-los aqui, unidos, verdadeiramente como uma família.

 

FERNANDO: Confesso que estava com um pouco receoso antes de chegar. Estas aqui tiveram que insistir muito para que eu viesse. Mas estou muito feliz também em estar aqui.

 

MARTA: Senhor Fernando, o Nestor e eu cremos que esta é uma noite muito especial. Cremos também que Deus cooperou conosco para que houvesse algo muito especial nesta noite.

 

Então Marta começará discorrer (como uma pregação) sobre Natal, a importância da família, o plano de Deus para ela. A salvação que Deus nos deu através de seu filho Jesus. Suas promessas de cura e libertação. A ideia é que Marta interaja com os outros personagens e a plateia. Trazendo a vontade de reflexão. Ao final, perguntará sobre a decisão de cada um da família sobre Jesus. Neste momento, Marisa e Dona Maura estarão chorando e Sr. Fernando estará inquieto, pensativo.

 

MARISA: Sim, eu quero Jesus em minha vida.

 

DONA MAURA: (cabisbaixa diz) É, agora eu vejo que tudo o que eu acreditava simplesmente desabou, o mundo que criei, simplesmente deixou de existir. Vejo também e entendo o vazio que sentia, agora sei o que faltava, sei que achei tudo aquilo que procurava.

 

Um minuto segue-se em que todos aguardam a reação do Sr. Fernando. Ele levanta-se de sua cadeira, se ajoelha entre sua esposa e filha e diz.

FERNANDO: Sim, meu Deus, confesso que tenho tentado, tenho simplesmente tentado conduzir minha vida através do álcool e outros vícios que só me afastaram do bem mais precioso que tu me deste, minha família. Vem Senhor Jesus, transforma minha vida.

 

Joyce/ Laura cantam.

 

Volta a cena do início da peça, Marisa passeando com seu pai, logo aparece sua mãe curada, pulando junto com outras crianças.

 

Fim

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