ACIDENTE

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História semelhante acontece toda semana país afora.
Álcool e direção, vítimas... pais preocupados, desamparados, desesperados...
A carta da filha, nos instantes de agonia. Texto de forte teor emocional, instiga reflexão...

Personagens:
Repórter
Câmera
Garota
Ajudante
3 para-médicos.
Abre a cortina e o cenário já está pronto.
O câmera com um ajudante e o repórter se preparam para começar a reportagem.
REPORTER: Anda, rápido com esse negócio, a gente precisa começar de uma vez.
CAMERA: Calma.
REPORTER: Não está vendo? Daqui a pouco a gente perde essa matéria.
CAMERA: Deu, deu. Esta tudo pronto, pode começar, conta até 3.
REPORTER: (respira fundo)
Boa noite. Estamos na avenida principal de São Paulo, onde acaba de acontecer um grave acidente. Um rapaz bêbado, dirigindo um pálio branco, perde o controle da direção, invadindo a pista contraria, onde se choca contra um celta vermelho. A garota que dirigia o celta encontra-se em estado grave, como podemos ver...
(mostrando a garota no chão).
Só um instante, parece que ela esta falando alguma coisa.
(aproxima-se da moça colocando o microfone perto desta)
Ela chama pelo pai, me acompanhem.
(dirigindo-se para o ajudante)
Venha cá, anote tudo o que ela está falando, tudo.
GAROTA: Pai, pai, pai, pai, pai (…)
Fui a uma festa, e lembrei do que você me disse. Você me pediu que eu não tomasse álcool, pai. Então, ao invés disso, tomei uma ‘’sprite’’.
Senti orgulho de mim mesma, e do modo como você disse que eu me sentiria e que não deveria beber e dirigir.
Ao contrário do que alguns amigos me disseram, fiz uma escolha saudável, e seu conselho foi correto, papai. E quando a festa finalmente acabou, e o pessoal começou a dirigir sem condições (...) Fui para o meu carro, na certeza de que iria para casa em paz...
Eu nunca poderia imaginar o que estava me aguardando, pai.
Algo que eu não poderia esperar.
Agora eu estou jogada na rua, e eu ouvi o policial dizer que o rapaz que causou este acidente estava bêbado...
Pai... a sua voz me parecia tão distante...
Meu sangue está escorrido por todos os lados, pai, e eu estou tentando com todas as minhas forças não chorar, mais está difícil.
Eu posso ouvir os para-médicos dizerem: ‘’A garota vai morrer.’’ E a garota sou eu, pai.
Tenho certeza de que o garoto não tinha a menor ideia, enquanto ele estava a toda velocidade, afinal, ele decidiu beber e dirigir, e agora eu é quem tenho que morrer.
Então porque as pessoas fazem isso, pai?
Sabendo que isso vai arruinar vidas?
E agora a dor esta me cortando como uma centena de facas afiadas(...)
Diga a minha irmã para não ficar assustada, pai!
Diga a mamãe que ela seja forte, e quando eu for para o céu que ela lembre sempre da “garotinha da mamãe’’ com carinho e que ela guarde bem nossos bons momentos.
Alguém deveria ter dito àquele garoto que é errado beber e dirigir.
Talvez se o pai dele tivesse dito, eu ainda estaria com possibilidades de continuar viva.
Minha respiração está ficando fraca, pai, e eu estou realmente ficando com medo.
Eu acho que estes são meus momentos finais e eu me sinto tão desesperada.
Eu me lembro das milhares de vezes que você pediu para que eu fosse pra igreja junto contigo. O quanto você dizia que era legal e que eu iria gostar de estar lá. Mas eu lembro também pai, que eu nunca te dei ouvido.
Se eu tivesse escutado pelo menos uma vez, não teria ido à festa e não estaria aqui agora.
Eu gostaria que você pudesse me abraçar, pai.
Enquanto estou estirada aqui morrendo, eu gostaria de dizer que eu te amo, pai.
Eu queria te agradecer por tudo que fizestes por mim.
E pedir perdão, pelo que eu não fiz por você.
Você não está aqui, mas eu te amo, Adeus...!
(Os para-médicos vêm que a garota morreu, os repórteres se levantam e ficam paralisados com o que ouviram e o pai da menina entra correndo e cai em desespero ao ver a filha morta, sendo levada pelos médicos.)
AJUDANTE: Essas palavras foram escritas por mim, eu presenciei o acidente. Sua filha, enquanto agonizava ia dizendo as palavras e eu anotando. Eu quero que o Senhor fique com isto, pois é uma carta feita por ela para você, de despedida.
(O pai pega a carta, começa a ler e pasmado se ajoelha lentamente e começa a chorar.)
As cortinas se fecham com uma música lenta.(David Crawder Band (faixa 11)).
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