A ESPERANÇA QUE FAZ A DIFERENÇA

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Esperança brotando no deserto
Na virada de ano: Compaixão, esperança, amor ao próximo... Estes temas são experimentados por este grupo de personagens...Cada um vive a sua realidade, marcados pelo comodismo, indiferença... Uns sem forças para sair do abismo social que se meteram, outros não querem passar trabalho pra ajudar pessoas chegaram a condições tão degradadas...
DA PAZ: Mendigo alegre
BETO: Jovem drogado
LILI: Prostituta
ANINHA: Criança cheia de esperança
HELENA: Crente ansiosa por mudança
CÉLIA: Prima de Helena que tem medo de mudanças
DIDI: Louca
LÍDIA: Alcoólatra
NARRADOR

TRILHAS:
João Alexandre - Pra cima Brasil.
Fabrica de sonhos - nº 10
Junior: Soldado ferido
Alessandra Samadello: A esperança nº 05

Peça de Eliane moura
(Música: João Alexandre – Pra cima Brasil).
NARRADOR: O que dizem os jornais da TV nessa véspera de ano novo? Os nossos irmãos brasileiros tem moradia, escolas assistência à saúde... Cidadania? Se for assim já podemos cruzar os braços e tão somente comemorar o ano novo. Caso contrário, há o que se fazer, por si mesmo e pelos outros. Muitos morrem sem pão e sem salvação de suas vidas. E nós o que fazemos? O que temos a oferecer a este povo carente, sofrido sem amor, sem paz e principalmente... SEM JESUS!
... Enquanto isso, pelas ruas da cidade...
(Entram em cena os personagens Lídia, Beto e Aninha, reclamando e se acomodando pelos cantos. Em seguida chega o Da Paz).
DA PAZ: Salve, salve gente querida! Chegou o Da Paz, na celebração da vida!
ANINHA: O Da Paz que alegria! Sentimos sua falta neste dia.
(Chega Lili assustada e pede pra ficar por ali)
LILI: Oi gente, será que eu poderia ficar por aqui?
BETO: Aqui?
LÍDIA: Não sei não minha senhora! Já somos muitos aqui. Quando chove, não cabe todo mundo debaixo dessa marquise... E sempre chegam muitos outros. E ainda tem esse moleque, cheirando cola o dia todo, e ainda traz cheiradores pra cá, diz palavrões... É um inferno!
ANINHA: Ah! Dona Lídia, a gente dá um jeito... Deixa ela ficar, vai ? Deixa vai...
LÍDIA: Está bem. Vamos ver o que vai dar pra fazer.
LILI: Muito obrigada, valeu mesmo fico te devendo essa...
(Entra correndo, desesperada, correndo de um lado para outro a procura de algo).
DIDI: Cadê o meu espelho? Meu espelho... Quem viu meu espelho. Vamos. O meu espelho gente.
( Lili Chega perto da louca e alisa-lhe o rosto para acalmá-la)).
ANINHA: Vi não Didi. Olha! Você esta melhorzinha. Melhorou a dor de cabeça?
DIDI: Me deixa. Eu quero meu espelho.(Aproxima-se de Beto, e puxa o braço dele com muito ódio) Foi você. Aposto que foi você que roubou o meu espelho... Ontem foi o gato. Mas hoje foi você que roubou o meu espelho.
BETO: iiii me deixa. Didi maluca. Que ideia..O gato roubou o espelho...Eu hein! Que mulher maluca (procura o saco de cola para cheirar)
DA PAZ: Paz, por favor, haja paz! Haja paz no mundo...
DIDI: Paz... Um dia eu comi um pratão de paz, tinha gosto de pão, misturado de manjericão... Olha, eu queria comer todas as flores do mundo, pra encher a barriga de alegria para ficar bem cheiona.(ri muito)
LÍDIA: Você ta vendo, não é? É esse horror. Todo mundo aqui e doido.
DA PAZ: (Triste) Só você não e louca, e pensa muito. Pensa tanto que perdeu a paz. Já tentou-se matar 2 vezes. Cortou os pulsos e não morreu, bebeu veneno também não morreu. O desprezo do mundo lhe machuca o coração. Coitada, ela sofre muito.
ANINHA: Ah! Gente...Vamos parar de falar nestas coisas tristes, afinal de contas, estamos em véspera de Ano Novo. Ano Novo. Vida nova!
BETO: Como é que é! Ano Novo, vida nova?Mais uma louca em nosso meio. Que vida melhor garota, você tem morado neste lugar? A quantos anos já estamos aqui, e nada de novo acontece?
ANINHA: Deixa de ser pessimista, Beto! Pois no ano que vem eu tenho certeza de que algo diferente vai acontecer com a gente.
BETO: Deixa de ser sonhadora pirralha. Ninguém se importa conosco. Somos o lixo de uma sociedade hipócrita, desumana e fria, onde ninguém tem tempo para o outro. Cada um vive em busca dos seus próprios interesses. E é só...
LILI: É...Está tudo tão difícil por ai. A vida esta cada vez pior.
LÍDIA: Querem mesmo saber, tô nem ai com a vida! Quero esquecer as armas nucleares nas mãos dos poderosos, enquanto as mãos dos médicos estão vazias do remédio que cure o câncer. Ah! Eu tenho muito que esquecer quero estar tão alcoolizada, que não me lembre, durante a passagem do “Ano Novo”, que milhares e milhares de criancinhas estarão morrendo por falta de um misero pedaço de pão! Quero esquecer que famílias inteirar estarão sendo mortas brutalmente pelas guerras nojentas! Quero esquecer os doentes, angustiados entre os frios corredores dos hospitais...Se eu pudesse, nem mesmo procuraria acordar do sono que o álcool me pode dar...
LILI: Concordo com você, Lídia! Olhe para mim... Vivi largada e desprezada. Minha mãe, nunca tinha tempo pra família. Estava sempre ocupados com seus problemas, seus trabalhos. O quê que eu fiz, decidi esquecer. Esquecer a família, o desespero, às indiferenças, à discriminação. Pra você vê como a sociedade é hipócrita... Todos viram a cara e me criticam, mas ninguém faz nada... Nada por mim! É bom esquecer! A gente não vê fome dos inocentes, as angustias, a hipocrisia, nada! E fingem que ta tudo bem...
BETO: To ligado nessa ideia Veja só! O meu pai nunca me compreendeu. Quando quis lhes falar dos meus problemas, ele respondeu apenas que não tinha tempo a perder com bobagens. Foi então que encontrei o pó. Esqueci os problemas. Esqueci completamente!E isso é tudo...
ANINHA: Olha! Eu fui abandonada por minha mãe, numa lata de lixo, ainda quando era bebê. Mas eu não quero esquecer disso, porque sei que um dia vou mudar de vida e contar pra todo mundo como e que eu vivia antes. Ninguém vai acreditar!
LILI: iiiiiii! Aninha. Você é muito novinha. Tem muito que aprender sobre a vida. Deixa que ela vai te ensinar. Aguarde! Deixa eu ir à luta vê se descolo alguma grana. Já ta mais do que na hora. Daqui a pouco e volto, falô? (Ela sai)
(Beto vai cheirar cola, aninha vai brincar, Lídia vai beber, e Da Paz vai dormir).
NARRADOR: Em contraste com a situação apresentada, não muito longe dali...Diversas pessoas estão se preparando para a passagem de ano Novo. Estão escolhendo roupas, lugares, tipo de ornamentação para sua festa tão esperada e ceias fartas.
(entra Helena e Célia)
CÉLIA: Ah! Não Helena, eu não quero ir pra festa da igreja com esse sapato. Ele já esta muito surrado.
HELENA: Menina, deixa de ser boba. Ele esta ótimo. Eu não ligo pra isso não, eu vou com a mesma roupa do natal. E estou muito feliz!
CÉLIA: Mas eu não sou você! Vamos sair agora pra me ajudar a comprar outro sapato. Vamos, vamos.
(andam um pouco... e Célia logo vê o pessoal debaixo da marquise).
HELENA: Célia olha só aquela menininha ali debaixo da marquise, tadinha! Tão bonitinha... E tem mais gente com ela. Vamos lá?
CÉLIA: Ah, Helena, nada disso, a gente não vai parar aqui, não! Você sabe como é perigoso isso aqui. (puxa a bolsa à tira colo, e a segura contra o peito).
HELENA: Poxa! Só assim agente aproveita pra evangelizar essa gente , eu tenho alguns folhetos aqui na bolsa.
CÉLIA: você e teimosa hein? Que coisa! Imagina se passa alguém da igreja e vê a gente por aqui?
HELENA: E o que importa? Olha Célia, a gente precisa parar de se preocupar com a opinião dos outros...E...
(Aninha se aproxima e as cumprimenta)
ANINHA: Oi!
HELENA: Oi menina. Tudo bem?
ANINHA: Pra mim, tudo bem. Mas pro Beto, Dona Lídia, dona Lili...Não vai muito bem. Eles estão sempre reclamando e brigando. Eles estão precisando é de um pouco de...Como é que é mesmo a palavra...É...De...Ah! Esqueci...Mas é porque a nossa vida é um pouco incerta. Dormimos e não sabemos se acordaremos. Comemos hoje, mas não sabemos se teremos comidas pro outro dia. E assim vivemos de incerteza a incerteza, até um dia alguma coisa mudar.
HELENA: Mas ninguém ajuda vocês? A ação social, as autoridades, as instituições?Nada?
ANINHA: Não! Ninguém nos ajuda. Por isso temos que viver aqui desse jeito.
HELENA: Viu, Célia?E onde ficam os cristãos nessa historia toda? É isso que eu digo pra você...Precisamos mudar. Todos nós!
CÉLIA: Cala boca, Helena. Não deixa ninguém ouvir isso.
HELENA: Ouvir o quê? Que nós precisamos parar de sermos egoístas. E de olhar apenas para nossos problemas e amar mais o nosso próximo?
CÉLIA: Que é isso?Endoidou de vez, foi?Que vergonha meu Deus! Imagina se a irmã Zulmira passa por aqui e vê a gente nessa situação...
(Helena falando para Aninha)
HELENA: Ah! Não liga pra ela não. Eu gostei muito de você . e vou tentar ajudá-los. Depois eu volto. Vamos, Célia.(saem as duas)
ANINHA: (Com euforia)Eba! Eu sabia que algo diferente iria acontecer neste ano pra nós. E quem sabe não vira dessa moça. A, é ...esqueci... o que tanto precisamos. Eu nunca vou deixar de sonhar. Com um amanhã melhor.
(Aninha vai dormir e toca musica “Fábrica dos sonhos” n-º12)
(Acaba a música e Beto acorda Aninha, pois já é outro dia)
BETO: Anda, pirralha!Acorda!!!! Já esta na hora de vigiar carro. Se não, alguém pega seu ponto e você dança.
ANINHA: Ai, Beto! Eu estou tão feliz.... Ontem enquanto vocês dormiam, apareceu uma moça aqui e se preocupou conosco. E prometeu ajudar. Quem sabe, Beto, não será ela que vai nos ajudar a sair desta vida?
BETO: Só vendo pra crer!
ANINHA: E tem mais... depois que ela saiu, eu tive um sonho lido.
BETO: Eu quero é novidade, Aninha. Você já sonha acordada, quanto mais dormindo. Vamos logo, que tem um pessoal me esperando.
(Entram Helena e Célia)
HELENA: Sabe, Célia, eu estou preocupada. Como é que aquele pessoal vai ficar. Como será o seu Ano Novo deles? Eu estava pensando...nós poderíamos voltar lá e tentar ajudá-los.
CÉLIA: (tosse) o quê? voltar lá você enlouqueceu. Deixa eu ver seu pulso, não, realmente você é doida. O que aconteceu naquele dia foi um incidente desagradabilíssimo, um erro de percurso eu não volto lá nunca mais. Já pensou a gente lá e passa alguém da nossa igreja...imagine o que a família Barros vai pensar, vão deixar de falar com a gente e você sabe...
HELENA: para, Célia, cala a boca. Quer saber de uma coisa. Não aguento mais viver como cristã se não fazemos nada a nossa volta. Aonde está a compaixão o amor ao próximo.
CÉLIA: Helena deixa de ser boba, você não vai concertar o mundo sozinha.
Helena mas eu vou fazer a minha parte. Célia você já parou para pensar como é triste a vida dessas pessoas. Nós que temos Jesus sabemos que ele está conosco que nos ajuda nos socorre nas horas difíceis, nos alivia a alma e o coração , muitas vezes desanimamos com a nossa situação , com a situação dos pais, nos preocupamos com pacotes, leis, dinheiro e tudo mais, mesmo tendo convicção de que aconteça o que acontecer em nossas vidas neste ano que vai vir a nossa única esperança está em Jesus. Porque Deus tem cuidado de nos. Imagine essa gente vivendo dessa maneira. Ah! Vou lá sim. E agora!
(Helena sai e Célia fica em casa arrumando suas coisas e fazendo planos para noite de ano novo de repente liga o radio e escutar o pastor falando: depois vem a musica: soldado ferido, Célia cai na real, ora pedindo perdão a Deus; sai para procurar Helena.)-ATENÇAO: Gravar mensagem da rádio.
Atenção: HELENA: (vai a marquise comprar um vestido verde e encontra Aninha e Didi. – aninha vê Helena e fica eufórica)
ANINHA: nossa que bom que a senhora veio pensei que estivesse nos esquecido, Ah! Mas que pena que os outros não estão aqui para que a senhora possa conhecê-los.
HELENA: não tem problema depois eu volto.
(Aninha interrompe a Helena e pega com euforia na roupa de Helena)
ANINHA: é isso aqui que eu queria falar para senhora e não lembrava o nome,e disso que precisamos.
HELENA: eu sei vocês precisam de roupa, não é.
ANINHA: não dona Helena, não é isso não, nós precisamos é de, de...como é mesmo o nome dessa cor?
HELENA: verde
ANINHA: então é isso, verde lembra o quê.
HELENA: lembra a mata, o alface, à melancia o meu cachorrinho que eu pintei de verde, a minha bicicleta que é verde, e um vestido horroroso que a Célia tem.
ANINHA: (aninha triste) não é nada disso dona Helena é outra coisa.
HELENA: outra coisa...deixa eu pensar...Ah! Lembrei!! O verde lembra a ... esperança, isso, vocês precisam de esperança para esse ano novo.
ANINHA: isso dona Helena disso que nós precisamos (Aninha feliz pulando saltando, e brincando com a palavra es-pe-ran-ça).
(enquanto isso Didi acorda, olha para Helena e vai de encontro a ela e segura em sua roupa.)
DIDI: meu espelho! Então , foi você que roubou meu espelho eu quero ele agora !
ANINHA: Ta vendo dona Helena como nós precisamos de esperança. Didi, eu encontrei o seu espelho e ele se chama es-pe-ran-ça.
(Didi fica parada por algum tempo como se estivesse extasiada,sendo curada e se lembrando do seu passado)
ANINHA: (preocupada) Didi você está bem?
DIDI: Que bom que eu conseguir lembrar. É lembrei até o meu nome. Olha Aninha eu sou Nadir (triste), mas que adianta lembrar se não sei por onde começar a juntar os cacos de mim. Eu sempre quis ter uma casa só minha, nem que fosse um barracão , com uma mesa, cadeira, a pia, e um fogão. Igual a toda mulher, ter um marido, filhos,e comida para fazer. Mas como é que eu fui perder a esperança e esquecer de tudo e cair no vazio, na solidão e na loucura.(triste)
HELENA: não fique assim Didi, opa! Desculpe, Didi não, Nadir não é mesmo? Não desanime ainda há esperança nem tudo está perdido enquanto estiver viva ainda há chance de lutar e vencer. Bom estou muito feliz com tudo o que aconteceu hoje, mas tenho que ir, já está tarde e ainda vou passar na casa de Célia.
(Helena sai e chega casa de Célia)
HELENA: oi Célia
CÉLIA: Helena eu estava doida atrás de você, você nem imagina o que aconteceu comigo hoje.
HELENA: o quê menina fala (as duas ficam em mímicas)
HELENA: Deus é tremendo em Célia, quer dizer que agora você tem o mesmo pensamento que eu? Que benção menina.
CÉLIA: graças a Deus que ele abriu os meus olhos. Ah! Eu quero voltar lá amanhã mesmo, você vai comigo Helena? Vou levar até uns mantimentos e umas roupas que não uso mais.
HELENA: mas é claro amanhã eu passo aqui ta bom? Tchau!
(na marquise Aninha está brincando e Didi está se arrumando, enquanto isso vão chegando todos os personagens um a um)
Lídia- (bêbada) ai que horrível, não consegui descolar nada, e ainda levei umas pauladas daqueles PMS.
BETO: Ah! Nem me fale eu detesto policiais.
Aninha- gente- Vocês perderam! Sabe quem esteve aqui hoje, Dona Helena! A moça crente que eu falei. Ela me fez lembrar da esperança e todos nós precisamos dela.
LÍDIA: esperança de quê e em quem. Garota! Você e sua mania de ter esperança .
BETO: Ah! Vamos parar com esse papo que eu quero dormir
(todos dormem. No outro dia, acordam com Helena e Célia batendo palmas. Vão acordando um a um, Aninha é a primeira a acordar e a receber Helena e Célia)
ANINHA: Dona Helena que bom que você veio, gente...(todos acordam reclamando) acorda olha que está aqui, a Dona Helena que eu tanto falei, e a prima dela a Dona Célia
(todos cumprimentam sem dar importância)
HELENA: agora eu gostaria de conhecer um a um de vocês
(batendo palmas todos fazem expressão de esmolas)
DA PAZ: Atenção , atenção , como num grande espetáculo, todos estão com a oportunidade para apresentar, luz...câmara...ação... o show vai começar. Eu sou o da paz, sou da paz minha gente eu vivo sempre contente, mas é tudo pura ilusão. Porque trago em mim uma dor muito esquisita. Minha vida não é nada bonita, sofro na escuridão , sou desprezado de todos e o mundo me dá migalhas de pão . por isso sofro...sofro muito e desfaço o meu sofrimento nesta bandeira que levo ao vento. Eu queria uma vida igual à de todos os homens, vida de trabalhador, mas, que horror, ninguém abre as portas para quem tem cheiro das ruas, o cansaço da fome. Eu quero mudar, sim, mas eu não sei... por onde começar.
(os demais com as mãos como rejeição como se detestassem)
LILI: coitado, coitadinho do da Paz. Pobrezinho de você , pobre de mim que também sou assim. (revolta). Sabe eu tenho em mim o desprezo do mundo, o escárnio das multidões . Sou esquecida e abandonada, rejeitada das nações , muitas vezes quis sair das ruas mas não sei porque voltei! E fiquei. Também não tenho família, nenhum laço a me prender. Mataram meu pai e minha mãe sumiu todos me criticam mais ninguém me ajuda.
(expressão de quem cheira cola, faz gestos com as mãos)
BETO: Ora, Lili eu até gosto de você, mas como é que eu vou esquecer a minha própria confusão? Meu nome é Beto. Beto nem sei de que, pois eu não tenho certidão! Cada um fala uma coisa, eu não sou nada, eu nem existo,isso é o que eu sou...
DIDI: Eu sou Nadir, era uma mulher normal, mas um dia tive neném e o tiraram de mim para o juizado. Procurei por todo lugar, saí de casa,comecei a andar, andar, andar... e depois parei no hospital. Levei choque, fugi e vim parar aqui (chora)... (Aninha vai consolá-la).
ANINHA: Eu sou Ana Lúcia, uma criança que foi abandonada na lata do lixo, aparentemente tenho todos os motivos para ser triste, mas sou alegre porque sonho e tenho muita esperança de mudar de vida.
CÉLIA: Agora chegou minha vez.(todos viram de costas). Meu nome é Célia, hoje sou outra pessoa, mas até ontem eu era membro de uma igreja que já foi boa, mas logo perdeu o caminho! Eu bem que gostava muito de cantar, ler a bíblia, orar, mas isso era tudo o que sabia, tinha medo de mudanças e dos grandes desafios. Eu tenho uma amiga que era missionária, ela me escrevia sempre e falava da fome e de tantas doenças... eu orava e chorava, chorava muito por ela. Mas isso era tudo o que eu fazia.
Mas essa era a Célia de ontem, hoje sou diferente, Deus mudou meu coração agora sei que posso orar, mas também posso fazer algo, prova disso,... olha aqui o que eu trouxe pra vocês.
(todos se levantam e vão olhar com entusiasmo e cada um começa a pegar o que interessa) Lídia- comida, Da Paz- roupa, Lili- batom ou bolsa, etc.
ANINHA: Eu não falei para vocês que esse ano algo diferente aconteceria conosco. Eu não disse que elas seriam nossa esperança?
HELENA: Também eu fui assim como a Célia, tão acomodada, mas agora não quero mais o crime da omissão. Eu sou Helena, não vencida, mas a guerreira, a mais que vencedora. Agora é tempo de marchar, tempo de decisão, tempo de plantar e colher, de lutar e de vencer. E não há problema, crise econômica, mudança de governo que vai me abalar, pois sei em quem tenho crido. E ainda que a figueira não floresça, e nem haja fruto da vide, o produto da oliveira minta e os campos não produzam mantimentos, toda via eu me alegrarei no Senhor, exaltarei no Deus da minha salvação. Eu, não sou a esperança, mas sei onde achar e quem pode dar esperança para mim e pra você.
ANINHA: Quem Dona Helena?
HELENA: Jesus! Ele é a própria esperança.
HELENA: Sim! Ele pode tornar novos os nossos, isso mesmo, Jesus quando entra em nosso coração, pode deixá-lo renovado, um coração triste e desesperado pode transformar-se e ficar cheio de alegria, fé e esperança.
BETO: Que nada meu, isso é tudo conversa mole.
JOGRAL
BETO: Não existe solução para o mundo imenso em angustia e morte.
LÍDIA: Fome, guerras, desolação, ausência completa de amor ou esperança. Nada mais resta senão, o medo à espreita de todos nós.
LILI: Nenhuma palavra tem mais significado em nossa miserável condição. Somos seres destinados às trevas.
DIDI: Não há limite para desastre final. Nada que ilumine o porão do nosso desespero.
LÍDIA: Nada mais para os humanos, a não ser a medida exata de uma sepultura, ao final de um caminho cercado de medo.
LILI e DIDI: quem somos? E o que fazemos aqui? Ninguém responde, ninguém jamais respondera...
TODOS: Somos apenas o que restou do lixo sobre a terra!
BETO: Mas sosseguem, ainda resta alguma coisa! Um pouco do brilho, da brisa, do pó e tudo será mais fácil.
DA PAZ: Até a morte. Pois nem mesmo a morte importa quando somos filhos do medo.
TODOS: Em nossa miserável condição, somos apenas seres destinados às trevas.
CÉLIA: Isso não é verdade, Jesus ama a cada um de vocês, e ele quer entrar em suas vidas em seus corações. Os problemas humanos podem continuar, mas vocês estarão firmados na palavra de Deus.
(toca a sirene... e chega alguém gritando, gente a policia vem aí, acontece uma agitação geral um alvoroço e a musica começa).
HELENA: Jesus me disse: no mundo tereis aflições, mas tende bom animo, pois eu venci o mundo. Vocês precisam encontrar Jesus, encontrar a paz e a esperança que tanto precisam.
MUSICA: A ESPERANCA CD Nº 05
... No meio da música... NARRADOR: “E o povo que andava em trevas, viu uma grande luz, para os que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu a luz”.
DIDI: Depois destas coisas, olhei e vi uma grande multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, tribos e línguas que estavam diante do Cordeiro, trajando vestidos brancos, e com palmas em suas mãos.
LÍDIA: Estes são os que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro.
DA PAZ: E nós seremos o seu povo e Deus estará conosco.
LILÍ: E não haverá mais a morte, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.
CÉLIA: Quem vencer, herdara todas as coisas e seremos filhos de Deus.
HELENA: E Deus enxugara de nossos olhos toda lagrima.
TODOS: Feliz Ano Novo.
DIDI: Pois cada dia que passa, nos aproximamos mais da nova terra e do novo céu, que Deus preparou para mim e para você.
(todos viram de costas, esperam alguns segundos e viram novamente para a plateia dizendo: Feliz Ano Novo, e jogam rosas brancas para os irmãos).
FIM
 
Eliane Moura - Líder da Companhia JOSAC
elianemoura@ciajosac.com.br
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