A ÁRVORE TORTA

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Árvore Torta - Teatro CristãoA ÁRVORE TORTA - Uma história de um jardineiro que queria de qualquer maneira endireitar uma árvore torta.

Personagens

NARRADOR
JARDINEIRO FARUK

FARUK: Significa severo. A honestidade e o rigor consigo mesmo e com os outros são as principais características de quem tem esse nome. Meticuloso e sistemático.

Ato 1
Narrador entra em cena.
NARRADOR: Era uma vez, num lugar bem perto de vocês, num tempo dito hoje, um homem chamado Faruk e um dilema.
Jardineiro entra em cena. Ele olha a arvore. Fica irritado. Começa a reclamar.
JARDINEIRO FARUK: Assim não é possível. O que está acontecendo com essa árvore? Eu cuido de você
com tanto carinho. Lancei suas sementes na terra. Reguei dias e mais dias e
agora que você está crescendo, resolveu crescer torta? Ah não. Isso não vai
ficar assim.
Sai de cena e entra novamente com um martelo, mas o público não vê o martelo.
JARDINEIRO FARUK: É um absurdo. Uma chateação. Ter que endireitar uma arvore. Se você continuar
crescendo assim, vai ficar desequilibrada e qualquer ventinho vai te jogar no chão. Que chateação! Uma árvore torta no meu jardim. Ah mas eu vou dar um jeitinho em você. Ah se vou!
Jardineiro com um movimento rápido, tira o martelo das costas e começa a dar marteladas na árvore.
JARDINEIRO FARUK: Preste atenção! (ameaçando) Endireita agora ou te derrubo! (bate com mais força
e grita) Endireita!!! Toma jeito, sua árvore ingrata! (bate com mais força e começa a se descontrolar) Vai apanhar até endireitar! Pode demorar mil anos, mas ou você toma jeito, ou vou te tombar no chão. Aqui no meio jardim, não tem essa de pau que nasce torto morre torto não! Aqui eu conserto o que ta errado! Na força
do meu braço! (irado) Anda logo, eu não quero perder a paciência! Eu te corto todinha e te lanço no fogo e você vai virar carvão! Vou te lançar no fogo!!!(gritando) Fogo!! Endireita! (Bate com toda a força e as luzes se apagam).
NARRADOR: Nossa, Faruk...Quanta violência! Será que a força bruta pode vencer a vontade de
viver torta? Vamos ver.
 
Ato 2
As luzes se acendem. Jardineiro caminha até chegar ao público. Com o mesmo movimento anterior, ele tira uma bíblia que estava escondida nas costas.
JARDINEIRO FARUK: Presta atenção! Se converte agora ou o coisa ruim vai te destruir. (grita face a face com o publico – como aqueles pregadores fanáticos que ficam nas praças) Filho do coisa ruim! Pecador! (bate de leve, mas parecendo forte, com a bíblia na cabeça das pessoas) Se converte! Se arrepende ou então o
lago de fogo vai te consumir. Se converte! Endemoniado! Deus vai te arrancar e te lançar no fogo eterno. Ei você, deixa essa vida de pecado. O Fogo vai te pegar! Se converte! (Grita com toda a força e as luzes se apagam).
NARRADOR:Nossa! Quanta violência! Será que a força bruta pode vencer a vontade de viver torta?
 
 
Ato 3
Nesta cena o narrador irá falar enquanto o Jardineiro fará a encenação.
NARRADOR:Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo Poderoso, que não seja por força, nem por violência, mas pelo poder de Deus.
Antes de julgarmos a arvore, precisamos ajudá-la. Não há necessidade de sermos rudes. Usar palavras ameaçadoras. Todos precisam um dia de um suporte. De alguém para, ao nosso lado, nos sustentar nos momentos de dificuldades.
Não se desentorta nada com a força bruta. Mas com paciência, perseverança, fé e amor. Sabendo que para tudo há tempo no céu e na terra. E o tempo de Deus não é como o nosso tempo.
Não devemos julgar, mas estar ao lado, com sinceridade e solidariedade.
De que adianta falar com dureza, há salvação nessas palavras? Ou elas poderão gerar mágoa no coração?
Existe uma arvore que Deus colocou no seu caminho.
Ela ainda está crescendo, não possui frutos ainda e talvez seja torta.
Será que suas palavras a ajudarão a encontrar a direção do alto, ou será que você leva uma mensagem tão rudes a ponto de desencorajá-la?
 
Jardineiro Faruk entra em cena. Ele traz um pedaço de pau grande o suficiente quanto a arvore. Ele vem andando em posição de ataque. De repente ele levanta o pau e parecendo que vai bater na arvora, na verdade ele crava o pau ao lado da arvore. Ele tira do bolso de trás da calca uma corda fina. E amarra a corda na arvora e no pau. Para que o pau sirva de sustentação para a arvore.
 

Texto que faz parte da coleção O ÚLTIMO ATO/ Luiza Regina Reis  download aqui São 5 EBooks(peças e roteiros pra cinema)

A Luiza é autora do site Arena de Cristo
Ministra cursos e oficinas de teatro
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