2019

Bíblia acorrentada

Perseguição aos cristãos – Evangelismo / Exortação

Levar a igreja a interceder pelas missões em países em guerra.
Em 2019 as religiões que pregam a Bíblia estão proibidas em diversos países Latino Americanos, e os cristãos se encontram às escondidas nas casas, escolas, etc.
Sandra, uma empregada doméstica e sua filha Elisa são ateias e vão morar com um casal de senhores, mas descobrem que eles são pastores clandestinos e Sandra resolve entregá-los, nem que isso coloque sua própria família em risco.

Dedico esta peça aos meus pastores: Neto e Eliene, Geraldo e Denise, César e Nany, por permanecerem na fé e persistirem no evangelho mesmo em tempos difíceis. Vocês nos inspiram.
Com carinho para meu marido Giovanni e minha filha Lia. Priscila L. O. Sinosini 25/10/2011
PERSONAGENS

    1. ELISA:    Filha de Sandra
    2. SANDRA:    Empregada
    3. Dona Terê – patroa
    4. Sr. Milton – Patrão
    5. Davi – líder da célula
    6. Lia:    Membro da célula
    7. Prof. Mauro – professor cristão
    8. Tati – colega da escola
    9. Nátali – colega da escola
    10. Marcos – colega da escola
    11. Luiz – colega da escola
    12. Pra. LeilA:    esposa do pastor preso
    13. Rebeca:    Filha da Pastora
    14. Sara:    Filha da Pastora
    15. Repórter – (filmagem gravada)
    16. Cabo Mendonça:    policial
    17. M.P.:    policial
    18. Paulo – (irmão do Marcos)

INTRODUÇÃO

VOZ DA ELISA GRAVADA:    Ano 2019 – A perseguição aos cristãos iniciou no Brasil em 2013 após uma reportagem sobre a possível história de uma mulher que foi “forçada” a se batizar para que seus pecados fossem perdoados e ainda assim teve que pagar para ter a vida eterna. Claro que até hoje não há provas, mas isso foi o suficiente para que o estado iniciasse uma busca e apreensão ao pastor dessa igreja. Com isso mais denúncias foram feitas por pessoas que se diziam enganadas e que suas famílias foram divididas pela igreja e pela Bíblia, que é hoje um livro proibido e que não se encontra mais em lugar nenhum. Uma verdadeira guerra entre religiões se iniciou, até que todas foram abolidas. Aos poucos pararam de falar sobre isso nas empresas, escolas e nas ruas. Não se sabe ao certo quantas pessoas morreram ou o que aconteceu com aqueles que permaneceram com sua fé inabalável. Mas a verdade é só uma... Eles estão por aí, escondidos, com medo, pedindo a provisão do seu Deus que está tardando em chegar...

CENA 1

(Entram Sandra e Elisa pela frente da Igreja, pelo corredor lateral, as cortinas estão fechadas.)
ELISA:    Ai mãe, que cidadezinha sem graça hein...
SANDRA:    Pare de reclamar menina, não aguento mais você falando desde Campina Branca até aqui...
ELISA:    Mas eu não entendo porque a senhora quis sair de lá, todos os meus amigos ficaram lá... O pai ficou lá...
SANDRA:    Seu pai não ficou! Ele nos deixou! Fiquei sem emprego, sem como sustentar seus caprichos... E agora nós vamos começar do zero, vamos morar de favor e você, menina, colabore!
ELISA:    Fala sério...

CENA 2

(Conforme elas entram a cortina se abre e é a sala da casa dos Torres – Dona Terê está lendo uma revista:    Sandra toca a campainha)
DONA TERÊ:    Bom dia! Sandra?
SANDRA:    Sim, e essa é minha filha Elisa.
ELISA:    Oi...
DONA TERÊ:    Entrem, vocês devem estar cansadas da viagem. Elisa, indo reto por aqui você vai passar pela cozinha e do lado direito tem um quarto e um banheiro, pode ir lá deixar suas coisas e tomar um banho se quiser, depois tem um lanche pra vocês na cozinha...
ELISA:    Obrigada dona Terê... (sai de cena)
DONA TERÊ:    Ela parece ser uma boa menina...
SANDRA:    É... Então, a senhora tem filhos?
DONA TERÊ:    Não, Deus não quis que eu tivesse.
SANDRA:    Como?
DONA TERÊ:    Eu não tenho... Somos somente eu e meu marido, e ele tem um sobrinho que mora aqui perto que nos faz companhia às vezes. Meu marido se chama Milton, ele está viajando a trabalho, mas chega depois de amanhã... Sandra, o serviço é bem simples, você vai cuidar da limpeza da casa e passar roupa. Não se preocupe com a comida, pois eu gosto de fazer. E as quintas é sua folga, você fica livre para sair ou se quiser ficar não tem problema também. Nesse dia recebemos uns amigos da célu... Uns amigos, mas são bem discretos e não fazem bagunça, fique tranquila (dando risada).
SANDRA:    Tudo bem dona Terê.
DONA TERÊ:    Sandra, quero que fique à vontade para se lavar e lanchar. Pode começar amanhã.
SANDRA:    Obrigada, dona Terê.
(Fecham as cortinas)
VOZ DA ELISA GRAVADA:    Na casa dos Torres... Casa estranha, cidade pequena, uma sensação de desespero! Quero correr, quero sair daqui! Por que isso tinha que acontecer? Minha mãe não pensa em mim! Meu pai... Bem, ele ficou pra traz... Por quê? Quero fugir, minha vida é uma droga! Esse lugar é uma droga! Morar de favor... Casa de velhos... (suspiro)... Não tem nada pior...

CENA 3

(Abrem as cortinas e está numa sala de aula, todos estão sentados, entra Elisa)
ELISA:    Oi, licença professor.
PROF. MAURO:    Pode entrar, você é a Elisa Junqueira?
ELISA:    Sim.
PROF. MAURO:    Pode entrar Elisa, hoje estamos em menor número, pois como está havendo o campeonato interestadual de Esportes, os alunos participantes não estão... E como você pode ver é a maioria...
ELISA:    É... To vendo.
PROF. MAURO:    Mas pode se sentar, quer falar um pouco sobre você?
ELISA:    (faz que não com a cabeça)
PROF. MAURO:    Eu falo então... Meu nome é Mauro, sou professor de Química e estamos falando sobre as maiores cavernas do mundo, suas estalagmites e estalactites e a perfeição de quando foram criadas...
(Elisa levanta a mão)
PROF. MAURO:    É assim que eu gosto gente, perguntas! Fala Elisa.
ELISA:    Criadas? Como assim?
PROF. MAURO:    Ora, como você acha que as coisas foram feitas, Elisa? Elas têm um princípio de criação, um ponto de partida...
ELISA:    (interrompendo) Mas... Já foi provada a teoria da evolução e o senhor acredita na teoria da criação?
(Nessa hora Tati, Nátali, Luiz e Marcos cochicham – sem fazer alvoroço – e se entreolham)
PROF. MAURO:    E como não?
ELISA:    Não sei... só me parece ultrapassada essa linha de pensamentos, visto as últimas descobertas e tecnologias criadas pelo homem! A criação da natureza não me parece algo...  Quimicamente planejado...
PROF. MAURO:    (rindo) Elisa, como um acidente pode fazer com que você esteja aqui hoje? Como um acidente pode criar o sólido (CaCO3), a solução aquosa (Û Ca+2 + CO3-2) (escrevendo as fórmulas na lousa) que é o cálcio dissolvido em água formando íons que muito lentamente descem por dentro das cavernas para formar as (toca o sinal), o que deixamos para a próxima aula. Depois conversamos Elisa, prazer te conhecer. E... A gente se vê, pessoal.
(Professor e alunos saem de cena - Elisa fica na sala, põe o foninho no ouvido – Tati e Luiz se aproximam)
TATI:    Oi, eu sou a Tati.
LUIZ:    E eu o Luiz, você tem namorado?
TATI:    Nossa que inconveniência...
LUIZ:    To brincando, prazer.
ELISA:    Prazer.
TATI:    Então, você é de outra cidade?
ELISA:    Sim, Campina Branca.
LUIZ:    E o que você tá fazendo aqui? Mó cidade grande...
ELISA:    Pois é... Minha mãe conseguiu emprego na casa dos Torres...
TATI e LUIZ:    Dos Torres?
ELISA:    É. Por quê?
TATI:    Nada não... É que a gente conhece eles... Assim...
LUIZ:    Você já conheceu o Davi?
(Tati o cutuca)
ELISA:    Não...
(Entra Marcos comendo salgadinho)
MARCOS:    O que vocês tão pegado no pé da novata?
LUIZ:    Ela mora na casa dos Torres.
MARCOS:    E ela já conheceu o Davi?
TATI:    Não... Gente, tudo tem seu tempo determinado, né?
ELISA:    Eu não faço ideia do que vocês estão falando... Quem é esse Davi?
MARCOS:    É o sobrinho do Sr. Milton. O Sr. Milton... Sabe... Você deve conhecer...
ELISA:    Ainda não, ele está viajando.
TATI:    Então, e de quinta feira vamos a casa deles, assim... A gente se reúne para conversar.
ELISA:    Ahh, tipo uma reunião de amigos...?
LUIZ:    Isso, isso uma reunião...
ELISA:    Gente, eu preciso ir ao banheiro... Licença
TODOS:    Claro, vai lá...
(Elisa sai balançando a cabeça negativamente e sai pela lateral)
ELISA:    Onde eu fui parar? Bando de esquisitos...
(Tati dá um “pedala Robinho” no Luiz - Nátali vem na direção contrária de Elisa, se junta ao grupo)
NÁTALI:    E aí, quem é ela?
TATI:    Elisa... Mora na casa dos Torres, mas ainda não sabe de nada... O Luiz quase entregou a gente...
LUIZ:    Eu?
NÁTALI:    Gente, isso é o de menos agora... Ela já conheceu o Davi?
OS TRÊS:    Não.
NÁTALI:    E agora?
TATI:    Olha, é muito cedo para fazer alguma coisa...
MARCOS:    É... Só que mais cedo ou mais tarde ela vai saber...
LUIZ:    E como vamos saber de que lado ela está? Temos que contar!
NÁTALI:    Não! Você tá louco? E se ela nos entregar?
MARCOS:    Então vou ligar pra Lia.
TATI:    E eu vou conversar com o Seu Mauro.
NÁTALI:    Eu vou com você.
(As duas saem de cena)
(Fecham as cortinas – Marcos e Luiz vão para frente do palco)
(Marcos pega o celular e liga Luiz fica ao lado dele)
MARCOS:    Alô Lia? Tudo bem? É o Marcos... Tudo sim, graças... (olha dos dois lados) a Deus. Então estamos com um pequeno... Como posso dizer... É...
LUIZ:    Ai, deixa que eu falo... Lia? Oi é o Luiz, tudo sim graças... (olha dos dois lados) a Deus. Seguinte, tem uma menina nova na nossa sala que não conhece o Davi, não, não... Ela tá morando na casa da Terê, isso, isso, é... Ah vocês já estão sabendo? Hum... O que a gente faz? Ã, ã, ã, ahhh, ã, ã, não, tá, não, ã... Beleza. Vou avisar o pessoal. Tá, obrigado! Fique com... Ele. Tchau.
MARCOS:    O que ela disse?
LUIZ:    Pra gente falar com o Seu Mauro.
MARCOS:    Que mais?
LUIZ:    Só... E vamos parar de enrolar...
(Entram pela cortina)

CENA 4

(Abre a cortinA:    Sandra está varrendo a salA:    Sr. Milton chega de viagem com as malas)
SR. MILTON:    Boa noite! Sra. Sandra?
SANDRA:    Boa noite, o senhor é o senhor Milton?
SR. MILTON:    Sim!
SANDRA:    Deixe-me ajudar o senhor com essas malas...
SR. MILTON:    Não precisa Sandra, fique tranquila. E como está a senhora e sua filha? Gostaram da cidade?
SANDRA:    Estamos bem, eu ainda não saí muito, mas a Elisa já foi pra escola, disse que os colegas são diferentes dos de Campina Branca... Mas ela se acostuma...
SR. MILTON:    Deve ser difícil pra ela, mas vamos pedir e ela vai se acostumar.
SANDRA:    Pedir pra quem?
SR. MILTON:    É um modo de falar...
SANDRA:    Ahh...
SR. MILTON:    Com licença.
SANDRA:    Claro...
(Sandra fica olhando enquanto ele sai – entra Elisa)
SANDRA:    Ei, a onde você vai?
ELISA:    Vou dar uma volta, ver se tem cara bonito nessa cidade...
SANDRA:    Olha Elisa, não vai arranjar rolo pra minha cabeça hein, vai aparecer grávida aqui que a Dona Terê coloca a gente pra fora...
ELISA:    Ai mãe, que drama! Não vou fazer igual à senhora que casou às pressas e deu no que deu... E por que a senhora tá com essa cara?
SANDRA:    Não sei, umas coisas estranhas...
ELISA:    Tipo?
SANDRA:    O jeito que eles falam, umas palavras que faz muito tempo que eu não ouço...
ELISA:    Ai mãe, esse povo é atrasado... Meu professor de química acredita na teoria da criação... Pode?
SANDRA:    Ai filha, não sei não... Eu acho que eles... Deixe quieto, vai lá... E não volta tarde hein!
(Elisa encontra Davi na porta)
DAVI:    Oi!
ELISA:    Oi, você é o Davi?
DAVI:    Sim, e você é...?
ELISA:    Elisa! Hã, vai fazer alguma coisa agora Davi?
DAVI:    Sim, vim falar com meu tio, acho que ele já chegou de viagem...
SANDRA:    Chegou sim, menino. Entra que eu vou chamar ele.
(Davi entra, Elisa faz sinal negativo pra mãe e sai – Davi entra e espera em pé o tio, enquanto Sandra vai chamá-lo, Sr. Milton entra, os dois se abraçam e sentam)
DAVI:    Tio, então, como foi no Américo Livre?
SR. MILTON:    Foi incrível, Davi! Você não tem ideia da quantidade de eventos que eles estão fazendo lá. Têm acontecido milagres! O Cordel de Luigi se incendiou sem motivos e os bombeiros tentaram de tudo, mas não apaga, mas também o fogo não se alastra, são chamas azuis e lilás. Teve também a cura de um setor inteiro de um hospital de câncer infantil... O Rio Mudi ficou três dias bombeando água salgada... Os cientistas não encontram uma explicação... E muitas coisas, Davi!
DAVI:    Tio, a mídia não divulgou essas notícias...
SR. MILTON:    Claro que não! Isolaram todos os locais! Pagaram propinas às famílias e até ameaçaram caso as notícias se espalhassem... A perseguição tem aumentando muito ali. Assassinaram uma família inteira a sangue frio, prenderam outra célula que se reunia na casa do Baumer, só Deus sabe o que aconteceu com eles... Mas não podemos desistir, Davi. Falta muito pouco pra alcançarmos a zona leste e a Ilha!
DAVI:    Não vamos desistir, tio. Conversei com o professor Mauro, ele está fazendo um trabalho incrível com o rodízio das Bíblias. Estamos passando quase que despercebidos pelos guardas da UBP (união brasileira da paz) e vamos conseguir levar a Palavra aos moradores da Ilha. Tio, Jesus é por nós e eu não temo pela minha vida!
SR. MILTON:    (faz sinal pra ele falar baixo) Temos novas moradoras aqui em casa... Não sei por que a Terê aceitou... Já é difícil sozinhos, imagine com vigilância 24 horas!
DAVI:    É tio, não sabemos o propósito de Deus... (toca o celular – faz sinal de espera para o tio) Alô, Lia? Sim, estou aqui na casa do pastor, sim... Vamos continuar... Peça para os demais irem ao final da Rua 13 para a entrega das novas tarefas. Eu já estou indo. (desliga) Preciso ir, as células do Otávio e da Manu estão me esperando pra eu passar o cronograma das reuniões e as próximas ações.
SR. MILTON:    Vai lá Davi. O Senhor te acompanhe.
(Nesse momento a Sandra entra e fica em segundo plano no palco)
DAVI:    Amém!
(DAVI sai de cena - Sr Milton sai pela outra portA:    Sandra vem para o meio do palco)
SANDRA:    Amém?
(Fecham as cortinas)
VOZ DA ELISA GRAVADA:    Esse lugar é pior do que eu pensava! Povo atrasado! Minha mãe está desconfiada de algo, mas não quer me contar! Ela é cheia de segredos! Odeio isso! Mas que esse pessoal tem algumas manias e esquisitices... Tem mesmo... Não vejo a hora de sair daqui! Não vejo a hora de ser livre para fazer o que quiser... Senão... Vou acabar ficando igual a eles.


CENA 5

(Na sala de aula -  bate o sinal - abrem as cortinas)
TATI:    Oi Elisa! Essa é a Nátali.
NÁTALI:    Oi Elisa! Tudo bem?
ELISA:    Oi Nátali, tudo e você?
NÁTALI:    Tudo, graç... Tá acostumando com a cidade?
ELISA:    Ah, mais ou menos, é bem diferente de onde eu vim... Mas saí ontem à noite, conheci umas pessoas num barzinho, ficamos conversando até tarde, até que foi legal, tem uns caras até que bonitinhos por aqui.
TATI:    É... Então, você...
ELISA:    Sim, eu conheci o Davi (e dá uma risadA:    as duas acompanham sem graça)
TATI:    Sério?! E vocês conversaram?
ELISA:    Não, eu estava de saída... Não dei muita atenção pra ele...
TATI:    Sei... Mas eu ia falar se você quer sair com a gente depois da aula. Vamos à sorveteria da mãe da Lia, uma amiga nossa. Pra você se enturmar mais.
ELISA:    Pode ser... O Luiz vai?
NÁTALI:    Vai, por quê?
ELISA:    Por nada não, só que ele é gente boa...
(Toca o celular da Nátali – fica Elisa e Tati sem papo)
NÁTALI:    Peraí, alô? Oi Lia, vamos passar aí depois e... Ah não? Sério? É hoje? Mas... Tá... Vou ver o que eu faço. Tchau. Tati vem cá...
TATI:    Peraí Elisa... o que foi?
NÁTALI:    É que hoje chega a “mercadoria”.
TATI:    Hoje?
NÁTALI:    Sim, depois da aula, e temos que avisar o Seu Mauro.
TATI:    Ixi... Tá bom... Vou desmarcar com a Elisa.
NÁTALI:    Tá, tchau
TATI:    Então, Elisa... Surgiu um imprevisto e não vai dar mais para sair... É que vamos ter que ver outra coisa, sabe...
ELISA:    Eu vou com você.
TATI:    Não vai dar...
ELISA:    Tati, seguinte, eu não estou entendendo vocês... Cheios de códigos, telefonemas... E essa “mercadoria”? Vocês mechem com droga ou o que? Eu ouvi...
TATI:    Não, não é nada disso...
MARCOS:    Tudo bem aqui?
ELISA:    Marcos, a Tati está envolvida em alguma coisa errada...
MARCOS:    (pra Tati) Você disse pra ela?
ELISA:    Olha lá, você tá no rolo... Vocês estão fazendo alguma coisa ilegal? Eu sabia que algo estava estranho, eu sabia...
MARCOS:    Elisa fala baixo, por favor...
ELISA:    O que vocês estão escondendo? Me falem... Ou eu vou avisar a direç (Prof. Mauro tampa a boca dela e a leva pra frente do palco, Marcos, Tati e Nátali acompanham, fecham as cortinas)

CENA 6

(Prof. Mauro solta ela)
ELISA:    (se debatendo) O que é isso? Me soltem! Vocês são loucos? Seu Mauro?
PROF. MAURO:    Calma Elisa, calma. Vamos te explicar...
(Entra Davi e Lia)
PROF. MAURO:    Davi, Lia, que bom que vocês chegaram...
DAVI:    A paz do Senhor.
TODOS:    Amém.
ELISA:    O que é isso? Uma seita...? Quem são vocês?
LIA:    Calma Elisa, eu sou a Lia. Vamos explicar tudo pra você.
(Entra Luiz)
ELISA:    Luiz me ajuda, esse pessoal é doido...
LUIZ:    A paz, gente.
ELISA:    A paz? Você é um deles?
LUIZ:    (segurando Elisa pelos braços) Elisa, nós somos cristãos!
ELISA:    O que? Não podem... Isso é ilegal... Isso é... (Desmaia nos braços de Lia)
DAVI:    Por essa eu não esperava...
TODOS:    Nem eu...
LIA:    Dá pra vocês me ajudarem aqui?
LUIZ:    Marcos, me ajuda. (Pegam Elisa de “serra, serra”)
PROF. MAURO:    Gente, eu vou cuidar da mercadoria.
NÁTALI:    Eu vou com o senhor.
DAVI:    Vamos pra minha casa, precisamos conversar com a Elisa, leve ela para o carro.
(Luiz e Marcos pegam Elisa e todos saem de cena)
(Som de carro saindo)

CENA 7

(Na sala da família Torres... – Terê está sentada na cadeira lendo um livro – TV ligada... som de reportagem)
REPÓRTER (data show – fazer montagem) – Estamos aqui, ao vivo do Palácio do Planalto onde acabou de sair à votação para o nome do antigo Cristo Redentor. Ele se chamará O Brasileiro, pois representará todos os brasileiros que estão de braços abertos para os outros países e culturas. O Brasileiro receberá novas cores, será pintado de verde e amarelo que são as cores do nosso país. Mais uma etapa vencida contra a era da religião, da desigualdade e da guerra e mais um passo a um futuro de paz! Eu sou Patrícia Moeda e falo ao vivo do Jornal Nova Era, fiquem agora...
(Terê desliga a TV - entra Sr. Milton)
SR. MILTON:    Terê chegou à mercadoria.
DONA TERÊ:    Graças a Deus Milton! Quem vai buscar?
SR. MILTON:    O Davi e o Marcos vão receber no beco à noite e daqui quinze dias chegará a outra parte que o Mauro e a Nátali receberão no Galpão.
DONA TERÊ:    A Nátali? Mas ela é uma criança Milton!
SR. MILTON:    Mas temos que confiar em Deus Terê, vai dar tudo certo! E tem outra coisa... Eles estão com a Elisa.
DONA TERÊ:    (dá uma olhada para o “corredor da casa” e fala meio sussurrando) Com a Elisa? Por quê?
SR. MILTON:    Ela começou a desconfiar e o Luiz contou. Agora eles estão ali no Davi explicando pra ela.
DONA TERÊ:    Meu Deus...
(Entra Sandra com as compras, Terê e Milton olham assustados pra ela)
SANDRA:    Boa tarde! Passei no mercado, mas as verduras não estavam muito boas... Está tudo bem?
DONA TERÊ:    Sim, Sandra. Pode colocar ali na mesa... Obrigada.
SANDRA:    Sim, senhora.
SR. MILTON:    Eu vou ao banco e já venho.
(Sai de cena)
DONA TERÊ:    E está tudo bem Sandra?
SANDRA:    Está sim, só a danada da Elisa que ainda não voltou pra casa... Vou ligar pra ela...
DONA TERÊ:    Deixe a menina, Sandra. Ela está com os colegas da escola.
SANDRA:    Mas como a senhora sabe?
(Toca a campainhA:    é a Pra. Leila e suas filhas, Rebeca e Sara)
DONA TERÊ:    Deixe que eu atendo! Pastora, Rebeca, Sarinha! Entrem, por favor! Que bom que vocês vieram! Como foi a viagem?
PRA. LEILA:    Foi tranquilo, Terê! Chegamos ontem no hotel e vamos ficar hospedadas por um mês.
DONA TERÊ:    Sentem. Sandra, essa é a pastora Leila e as filhas Rebeca e Sara.
SANDRA:    Pastora? Como assim?
PRA. LEILA:    Olá Sandra, a paz do Senhor. Fique tranquila...
SANDRA:    Agora eu entendo, como a senhora e o seu marido falam as coisas, eu sempre desconfiei, mas não queria acreditar... Eu vou embora dessa casa. Vocês estão ilegais...
DONA TERÊ:    Calma Sandra, espera um pouco...
SANDRA:    Eu vou ligar pra Elisa... Vamos embora daqui.
DONA TERÊ:    Sandra, vamos conversar... Se acalme, por favor...
SANDRA:    Vocês vão fazer lavagem cerebral em mim e na minha filha... Eu não quero isso.
DONA TERÊ:    Sandra sente-se, a pastora vai explicar algumas coisas pra você.
PRA. LEILA:    Sandra, eu sou a esposa do pastor Jeremias, aquele que em 2013 foi perseguido e preso em Pernambuco, em 2015 ele foi morto em um acidente dentro da prisão. Eu e minhas filhas fomos obrigadas a mudar várias vezes de cidade, mas nesse tempo todo Deus nunca nos desamparou.
SANDRA:    Como você pode dizer isso? Seu marido está morto! Por causa da sua religião centenas, senão milhares de pessoas estão mortas, escondidas, presas... Como Deus não desamparou? Como Deus pode ser amor que vocês falavam se ele está deixando acontecer isso com os seguidores Dele?
REBECA:    Sandra, não pertencemos a uma religião, Jesus Cristo não é uma religião ou um amuleto da sorte, Ele é uma pessoa, é o Filho de Deus, o primeiro e o último. Ele virá nos buscar! A Bíblia nos garante que um dia todo olho verá e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor! É nessa palavra que nos apegamos!
SARA:    E Deus nos ama sim, Sandra! Ama você, sua filha... Ele morreu por amor a vocês também! Ele se sacrificou por todos nós! Ele quer que você viva bem...
(Nessa hora Elisa entra e fica escondida ouvindo a conversa)
SANDRA:    Viva bem? Olha menina, me responda... Por que Ele deixou minha vida assim? Por que Ele permitiu que meu marido me deixasse?
PRA. LEILA:    Sandra, quantas vezes você deu chance para que Ele entrasse na sua vida e na sua casa? Quantas vezes você parou de olhar para si mesma e olhou para o alto? Deus é um cavalheiro, Ele não vai invadir sua vida para colocar ordem, Ele não vai se meter onde não foi chamado. Mas Ele colocou pessoas na sua vida para que você O encontrasse e O aceitasse. Jesus morreu por você e disse que quem o seguir também será perseguido, que terá aflições e que poderá ver a morte, mas não morrerá, viverá eternamente com Ele e com Deus! É nessa promessa que cremos Sandra. Jesus virá buscar sua igreja e temos que estar prontos!
SANDRA:    (chorando) Meu... Meu marido não me deixou... Ele começou a agir diferente comigo... Parou de beber e fumar, não brigava mais à toa, não batia mais na Elisa... Ela... Era só uma criança... Eu estava gostando dessa nova atitude! Ele havia mudado... Até que um dia ele me disse que era cristão... Eu tive medo, o que iriam pensar de mim? Nosso país mudou, não aceitamos mais as religiões que pregam a Bíblia... E... E teve um dia que ele chegou em casa falando que iria para o Sul para um trabalho missionário lá e queria que eu e a Elisa fossemos juntos, eu não quis ir... E não queria que ele fosse... Eu sabia onde eles se reuniam e disse para um vizinho... E ele chamou a polícia... Levaram todos, inclusive o Reinaldo... Fui atrás dele, na cadeia... Pedi pra ele negar esse Jesus, falar que foi um mal-entendido e negar, dizer que ele não fazia parte dessa religião... Como tantos fizeram... Mas ele disse que não ia fazer, disse que não poderia negar a vida que ele vivia. Falei pra ele pensar em mim, na Elisa... Ele pegou minha mão e disse... “eu te amo! Muito! Mas eu amo mais a Deus e por ele eu morrerei”. Então virei às costas e fui embora... Mudamos de casa várias vezes, fomos para muitos lugares, mas não apagava a lembrança dessas palavras... Até que viemos para cá e agora esta história me encontrou de novo... Nunca disse isso pra Elisa. Deus levou meu marido de mim, não queiram que eu caia nessa.
(Fecham as cortinas)

CENA 8

(Elisa sozinha, em frente a cortina, “chocada”)
ELISA:    Meu pai, meu pai não me deixou... Ele não me deixou... Ele...
(Nessa hora gravação das vozes que falaram com Elisa na casa do Davi como lembranças)
LIA:    Elisa acorda... Acorda...
DAVI:    Jesus te ama...
TATI:    Ele te escolheu...
DAVI:    Estamos nos reunindo para pregar o evangelho da salvação (eco – salvação)
LUIZ:    O mundo não tem mais chance sem Ele
LIA:    Creia Elisa, creia
MARCOS:    Somos um com Ele
DAVI:    Elisa, Jesus morreu por você
SANDRA:    Eu amo mais a Deus e por ele eu morrerei...
LUIZ:    Se arrependa... (eco - Se arrependa... Se arrependa...)
(Ela cai de joelhos no chão e começa a chorar)
ELISA:    Jesus, Filho de Deus... Me perdoe!
(Rebeca sai de trás da cortina, levanta Elisa e a abraça, limpa suas lágrimas a pega pela mão e a leva para dentro)

CENA 9

(Abre as cortinas – cenário “beco”)
DAVI:    Alô Marcos, eu já cheguei, você está chegando? ... Ah tá, estou te vendo, tchau.
MARCOS:    A paz Davi!
DAVI:    A paz! Você foi seguido?
MARCOS:    Acho que não! Tivemos um avanço hoje com a Elisa, não é?
DAVI:    Pois é, achei que seria mais difícil...
MARCOS:    Acho que Deus já estava preparando tudo...
DAVI:    Você acha? (Rindo)
MARCOS:    Tem razão! Ele sabe de tudo! Vamos lá...
(Entra Paulo)
PAULO:    Nem mais um passo Marcos!
MARCOS:    Paulo? O que você está fazendo aqui?
PAULO:    Então é esse cara que está fazendo a sua cabeça, irmão? É ele que tá te influenciando?
MARCOS:    Não Paulo! A escolha é minha! Eu aceitei Jesus porque...
PAULO:    Para Marcos! Não quero saber, não quero ouvir! (Se aproxima de Davi) Então é você o pastorzinho? Você é o filhinho de Deus?
(Davi sério o encarando)
PAULO:    Não vai falar nada, santo? Não vai confessar que andou mentindo para meu irmão, não?
DAVI:    Nunca menti para ele! Jesus é a verdade e a vida...
PAULO:    Cala a boca, cala a boca! (Tira uma arma e coloca na cabeça do Davi)
MARCOS:    Paulo, para cara! Você não é disso, não precisa disso! Solta essa arma, mano! Pelo amor de Deus!
PAULO:    Pelo amor de Deus? Pelo amor de Deus? Somos só eu e você Marcos, os pais morreram, eu faço tudo por você e você me fala pelo amor de Deus? Prefere essa vida amaldiçoada?
MARCOS:    Paulo, não! Por favor!
PAULO:    Não vai se defender, pastor?
DAVI:    Não tenho o porquê me defender! Maior é o que está em mim!
PAULO:    Não vai negar?
DAVI:    Nunca!
PAULO:    Então tá! Isso é para o seu bem Marcos!
(Puxa o gatilho – Marcos empurra o Davi e leva um tiro – cai no chão)
DAVI:    Marcos!
PAULO:    (para Davi) Olha o que você fez, maldito! (Tentando segurar Marco nos braços) Marcos, vai ficar tudo bem, olha pra mim, olha pra mim!
DAVI:    Marcos, fique firme, Deus vai te ajudar! Vamos pedir ajuda e... (Pega o celular)
PAULO:    Eu falei pra você negar esse Jesus que senão ia acabar tudo mal! Eu falei Marcos...
MARCOS:    Paulo... Eu não nego... Jesus!
(Morre – Paulo e Davi choram muito ajoelhados no chão – Paulo se levanta furioso)
PAULO:    A culpa é sua, você vai morrer! (Atira, mas falha, tenta de novo e falha) Marcos era a única pessoa que eu tinha e ele morreu por sua causa, por causa desse Jesus...
DAVI:    Paulo, se acalme, precisamos tirar ele daqui e...
PAULO:    Vai embora! Vai embora! Antes que eu...
(Davi sai de cenA:    Paulo fica ajoelhado chorando)
(Fecham as cortinas)
VOZ DA ELISA GRAVADA:    Com a morte de Marcos, todos ficamos muito aflitos e temerosos. Seu irmão foi descoberto e preso, mas em todos... Inclusive em mim agora, havia uma dúvida: Vale à pena continuar? Mas Deus todos os dias provava seu amor e fazia com que mais e mais pessoas se juntassem em prol do Reino, e isso nos fazia pensar que sim, vale à pena... Até a morte!

CENA 10

(Voz gravada:    quinze dias depois)
(Música de suspense – abrem as cortinas – cenário fúnebre)
(Prof. Mauro está colocando as últimas caixas sob a lona)
PROF MAURO:    Nátali, acho que isso é tudo! Agora avise o pessoal sobre o carregamento.
NÁTALI:    Sim, professor, já encaminhei uma mensagem ao Davi e estou indo...
(Som de galhos pisados – os dois olham assustados em redor – cobrem as últimas caixas)
(Prof. Mauro faz sinal de silêncio para Nátali)
PROF. MAURO:    Nátali, se abaixe aí.
(Nátali se abaixa em um canto perto das caixas – Prof Mauro tenta disfarçar)
(Entram a Mulher de Preto e Cabo Mendonça)
M.P.:    Ora, ora, ora, Mauro Freitas? (Risos) Não disse que iria te encontrar?
(Mauro olha para onde as Bíblias estão escondidas, MP levanta a lona e pega uma bíblia)
PROF. MAURO:    Não tenho medo de vocês!
M.P.:    (rindo) Não tem? Ah claro! Seu Deus vai te salvar! (Chegando bem perto dele) Não Mauro, isso acaba aqui!
(MP. Faz um sinal para Cabo Mendonça)
CABO MENDONÇA:    Onde estão os outros? Fale! (Dá uma coronhada na cabeça do professor que cai no chão, cabo Mendonça o levanta de novo) – Onde são as reuniões? (Dá um chute no estômago dele) De onde veio a mercadoria? (Dá um soco nele) Fale!
(Enquanto Cabo Mendonça bate no professor, MP fica “brincando” com um isqueiro)
(Cabo Mendonça “dá um mata leão” no professor que tenta fugir, mas não diz nada)
CABO MENDONÇA:    (para MP) Ele não vai facilitar.
(M.P. queima a bíblia com o isqueiro)
M.P.:    Então um terrível acidente vai acontecer e... Olha... O pobre professor não teve tempo de fugir...
PROF. MAURO:    Você pode me matar, mas nunca vamos desistir, nunca!
M.P.:    Cale a boca ou...
(Nátali escorrega e cai no chão)
M.P.:    O que é isso?
PROF. MAURO:    Corre Nátali! Corre!
(Nátali sai correndo pelos corredores – vai fechando as cortinas - Cabo Mendonça corre atrás delA:    som de três tiros)
(Música triste – enquanto arrumam a cena da casa dos torres)

CENA 11

(Abre as cortinas – sala da família Torres – estão Sr. Milton, Dona Terê, Pra Leila, Rebeca, Sara, Davi, Lia, Tati e Luiz sentados – chega Elisa)
DAVI:    Seja bem vinda novamente Elisa!
REBECA:    Senta aqui (puxa uma cadeira ao lado dela)
SR MILTON:    Boa noite e a paz do Senhor!
TODOS:    Amém!
SR MILTON:    Vamos orar. Davi...
DAVI:    Senhor, obrigado por cuidar de nós. Obrigado por nos guardar por todos esses dias e pela salvação de vidas que temos presenciado nesses dias tão difíceis. Peço que guarde os irmãos de Vila Baixa e a entrega das Bíblias naquela região tão perigosa, sabemos que o Senhor está com a gente. Conforte o coração do Paulo na cadeira e fale de alguma forma com ele. Obrigado. Em nome de Jesus, amém.
TODOS:    Amém!
ELISA:    Antes de começar... Posso falar Sr. Milton?
SR MILTON:    Claro!
ELISA:    Então, hoje é meu último dia aqui na casa dos Torres... Como vocês sabem, minha mãe já conseguiu um novo trabalho na Baixada e estaremos nos mudando amanhã de manhã. Quero agradecer o apoio de vocês e principalmente por terem me aberto os olhos para a Vida verdadeira! Estou indo com um pouco de medo, mas sei que não estou sozinha... Sei que Ele vai por mim!
LIA:    Com certeza Elisa! E pode contar com as nossas orações e apoio!
(Todos concordam)
SR MILTON:    Bem gente, com a Elisa partindo vamos alcançar a Baixada também! Temos uma surpresa para vocês... Davi...
(Davi pega uma caixa, abre e são distribuídas uma Bíblia para cada um – todos pegam, cheiram, sorriem)
SR MILTON:    Gostaram? Ontem chegaram as três mil Bíblias para os irmãos de Araxá, e hoje estamos mandando mais três mil para os irmãos de Caseara no Tocantins. O Prof. Mauro foi levar para o caminhão.
DAVI:    E agora, tio, vamos colocar em prática o Projeto Levanta e Anda, e vamos fazer uma evangelização em massa com os irmãos do sudeste e centro oeste.
LIA:    Vamos conquistar e avançar! Deus está na nossa frente!
(Nessa hora começam umas batidas na porta)
NÁTALI:    Abre, por favor! Abre!
(Elisa abre a porta, entra Nátali correndo e chorando)
NÁTALI:    Gente, socorro...
TODOS:    O que aconteceu?
NÁTALI:    Pegaram o prof. Mauro... Com as bíblias... Acho que... Mataram ele... Eu vi fogo e fumaça lá... Acho que me seguiram também...
TATI:    Calma Nátali...
ELISA:    Toma água... Fica calma que vai dar tudo certo, vamos orar por ele...
CABO MENDONÇA:    (gravação) Vocês estão cercados, saiam todos com as mãos para cima, repito, saiam todos com as mãos para cima.
(Todos se entreolham assustados)
SR MILTON:    A obra de Deus não vai parar, fizemos a nossa parte e se Deus permitir que vivamos... viveremos para Ele, se morrermos...
DAVI:    Morreremos por Ele! (Levantado a Bíblia) Vós, servos, sujeitais-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus. Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. (1 Pedro 2:18-21)
CABO MENDONÇA:    (gravação) Repetindo, saiam todos com as mãos para cima ou teremos que invadir a propriedade. A casa está cercada, saiam!
(Davi pega a bíblia, coloca as mãos para cima e sai da casa  Sr Milton dá um abraço na Terê e sai, ela vai atrás, aos poucos um a um vai fazendo o mesmo, se abraçam e saem)
(Quando Elisa vai sair, Sandra entra)
SANDRA:    Elisa, por que a polícia está lá fora? Eu ouvi alguma coisa acontecendo nessa sala... É o que eu estou pensando? O que está acontecendo com você? Você tem agido de uma maneira estranha... Cantando músicas estranhas... Andando com essa gente... O que é isso na sua mão? Filha que livro é esse?
ELISA:    Mãe... Olha pra mim...
SANDRA:    Eu não entendo...
ELISA:    Mãe olha pra mim... Olha pra mim... Eu sou cristã. Eu aceitei o sacrifício de Jesus por mim... Sou uma nova pessoa, não vivo mais pra esse mundo...
SANDRA:    Não! (Sandra dá um tapa no tosto de Elisa) Você tá louca? Esses crentes colocaram mentiras na sua cabeça, o que vão pensar de você minha filha?
ELISA:    Eu não me preocupo com o que vão pensar de mim, mãe, não me importa! O que me importa é agradar o coração de Deus e...
SANDRA:    Você só pode estar de brincadeira, filha, olha para o mundo que estamos vivendo hoje, está tudo perdido...
ELISA:    Isso mãe, está perdido e a solução é Jesus, é nossa esperança...
SANDRA:    Nossa? Nossa? Por causa dele estamos assim, filha você não vê? Você vai morrer... (segurando nos ombros de Elisa)
ELISA:    Mãe!... (Tira as mãos da mãe) Eu já morri. Morri para as minhas verdades, para os meus conceitos, para os meus amores, morri pra mim mesma, Cristo vive em mim! Cristo vive em mim!
SANDRA:    Não, não... Você vai morrer, vão entrar aqui e te levar, você sabe que é proibido e que vão te matar... Por mim... Filha... Por mim!
ELISA:    Mãe, eu te amo! Muito! Mas eu amo mais a Deus. E por Jesus eu morrerei!
SANDRA:    O que?
ELISA:    Eu morrerei!
(Vai fechando as cortinas, Elisa vai para frente delas. Nisso entram os personagens um a um dão as mãos e dizem “Eu morrerei”)
ELISA:    Não temos medo! Pode vir o que for! Pode vir à perseguição intelectual!
TODOS - Eu morrerei!
ELISA:    A perseguição física!
TODOS - Eu morrerei!
ELISA:    As ameaças!
TODOS - Eu morrerei!
ELISA:    Quem mais morrerá pelo Senhor? (TODOS - Eu morrerei) Quem está disposto a deixar o que tem e morrer para esse mundo? (TODOS - Eu morrerei) Aquele que não deixar pai e mãe por amor de mim não é digno de mim, diz o Senhor (TODOS - Eu morrerei) Aquele que se envergonhar de mim... Eu me envergonharei dele diante de meu Pai, diz o Senhor... (TODOS - Eu morrerei)
SANDRA:    Loucos, vocês são loucos!! (Sai correndo para os fundos do salão)
(De mãos dadas com todos)
ELISA:    Ano 2019 – A perseguição no Brasil está mais forte do que nunca, mas a verdade é só uma... NÓS não nos esconderemos e não temos medo, pois a provisão do nosso Deus não falha, e ela virá!
(Apagam todas as luzes)

CENA 12

(Abrem as cortinas – ascende luz fraca – música - cena do galpão queimado, papéis mexendo com o vento e madeira queimada, Prof Mauro se levanta do chão com dificuldade, roupa suja de sangue, anda em direção a plateia e levanta uma bíblia intacta com as duas mãos – no data show surge à frase: “Tenham ânimo, eu venci o mundo”. João 16:33 - logo 2019).

FIM
 

Estilos: 
Diversos: 
nº de personagens: